Vamos falar de masturbação feminina… Parte II

Olá!! Estou de volta para a prometida segunda parte deste artigo. Para quem não leu a primeira (onde eu partilho a minha experiência pessoal com a masturbação enquanto criança) aqui fica o link.

Sabem que hoje (dia 28 de Maio), se celebra o Dia da Masturbação e o direito ao auto-prazer? De acordo com a Wikipedia este dia foi declarado pela primeira vez como Dia Nacional da Masturbação em 1995, nos EUA, em honra de Joycelyn Elders – que ocupava a posição de “Surgeon General” (basicamente o cargo de mais alto responsável pelos assuntos de saúde pública nos EUA) até 1994 quando foi demitida, pelo então presidente Bill Clinton, por sugerir que a masturbação deveria fazer parte do currículo das aulas de educação sexual. Este dia celebrativo estendeu-se mais tarde a todo o mês de Maio que passou a ser Mês da Masturbação. 

Continuando com a minha história. Pouco tempo depois de descobrir que a masturbação era algo natural e saudável comecei a experimentar mais com o meu corpo e a minha sexualidade, a descobrir o erotismo e a pornografía (que há 20 anos passava nalguns canais generalistas para lá da meia noite e depois passou a existir em canais por cabo como o velho canal 18), mas sobretudo a fantasiar usando a minha própria imaginação. Masturbava-me para experimentar e descobrir como obter diferentes formas de prazer, para desfrutar de momentos de solitude, para aliviar o stress e tensões da vida diária, para passar o tempo, depois de ter ficado excitada com alguma cena erótica da novela da noite ou enquanto, às escondidas, via os tais filmes que davam depois da meia noite e que a minha mãe dizia não serem para a minha idade.  

Não me lembro da primeira vez que tive um orgasmo, não faço a mais pequena ideia, na realidade nem tenho memória dos tempos em que não conhecia essa sensação. Quando comecei a experimentar a sexualidade como algo que envolvia o contacto físico com outra pessoa já controlava bastante bem os ritmos do meu corpo. Lembro-me bem da primeira vez que tive um orgasmo com um rapaz, enquanto dava uns amassos com a roupa vestida, ao meu namorado da secundária. Lembro-me de ele me perguntar se tinha sido o meu primeiro (orgasmo) e de eu responder “claro que não”.   

Há uns tempos mandaram-me este cartoon:

Educação sexual?

Será que a pessoa que mo enviou ou acha que a educação sexual é desnecessária numa idade em que muitos dos jovens já iniciaram a sua vida sexual ou que falar de masturbação aos mais novos é desnecessário? Eu olho para este cartoon e penso: que “foder” e saber dar prazer à parceira/ao parceiro são coisas bem diferentes, que sexo não é só penetração, que o parvo que faz a pergunta à professora talvez não tenha nada a aprender com relação à auto-masturbação mas provavelmente não sabe como tocar uma vulva, etc.. Eu penso que a educação sexual devia ser ensinada nas escolas e que o currículo devia ir muito mais além dos métodos contraceptivos, do sistema reprodutor e do planeamento familiar – afinal 99,9% das vezes que fazemos sexo a coisa não tem nada a ver com procriação e tudo a ver com prazer, intimidade, partilha, vulnerabilidade, desejo, erotismo, excitação, paixão, etc.   

Na mesma altura as minhas amigas também começavam as suas actividades sexuais com parceiros mas ninguém falava muito de prazer feminino.  Com a maturidade e a perda de alguns tabus as conversas sobre sexo e prazer começaram aumentar e comecei a perceber que algumas amigas nunca tinham tido um orgasmo, isso sobretudo acontecia com as que também nunca se tinham masturbado. Realmente acho que posso contar pelos dedos duma mão as conversas que tive com amigas sobre masturbação antes de chegar aos 25, já sem falar no facto de que a masturbação feminina nunca era tema de conversa em grupos mistos. Mas creio recordar que possivelmente na minha adolescência e princípio da idade adulta tenha ouvido falar de “punhetas” pelo menos duas vezes por semana.  

Em meados de 2019 o fenómeno do Satisfyer Pro invadiu as redes sociais, os meios convencionais e os diálogos entre amigos. Aqui em Valência (onde vivo) até na rua às vezes se podiam apanhar pedaços de conversas sobre este novo vibrador. Para mim o mais interessante do fenómeno não foram os relatos sobre a eficiência do aparelho, nem a forma como se esgotava nas lojas, em poucas horas, sempre que o stock era reposto; o mais interessante foi a banalidade com a qual finalmente se começou a falar do auto-prazer feminino. De repente um montão de mulheres (ao falarem sobre as suas experiências com o famoso “succionador” de clitóris) admitiram publicamente que se masturbavam. E isso trouxe, para o espaço público, o tema da masturbação feminina, com uma normalidade nunca antes vista. 

Entre os “reviews” que li e ouvi, os mais comuns contam como algumas mulheres, graças a este aparelho, finalmente puderam descobrir como era ter um orgasmo e como outras estão super felizes por agora conseguirem atingir o clímax em muito menos tempo (muitas falando em dois minutos). Apesar de ficar feliz por todas elas não posso deixar de questionar se isto não é mais uma pseudo-solução daquelas que a nossa sociedade acelerada e hiper-consumista tem tendência para produzir. Acho que é uma falsa solução porque acredito que o problema parte do facto de essas mesmas mulheres não terem passado o tempo necessário a descobrir os seus próprios corpos, as suas próprias vulvas, os seus próprios clitóris, não terem praticado o auto prazer o suficiente para conhecerem os seus próprios gostos e ritmos. O Satisfyer Pro ajuda-as a ter o orgasmo, mas se o aparelho ficar sem bateria lá se vai a possibilidade de ter o prazer desejado. Ou pior, provavelmente numa relação sexual com outra pessoa continuam sem saber guiar x outrx no caminho para levá-las ao clímax. 

Pessoalmente este aparelho em especial não me despertou muita curiosidade, nunca tive problemas para atingir o orgasmo auto-induzido, quanto à rapidez geralmente tento fazer o prazer durar mais tempo e fazer o orgasmo chegar mais tarde, mas se quiser também consigo ter um orgasmo em menos de um minuto. Talvez eu seja uma sortuda e biologicamente sei que todas somos diferentes mas custa-me crer que quem realmente pratique não consiga aperfeiçoar a técnica. 

Voltando ao início desta reflexão acho que se a masturbação feminina fosse parte da conversa sobre uma sexualidade saudável e sem tabus, que se se falasse sobre este tema de maneira menos tímida, que se entre amigas houvesse espaço para partilhar experiências e falar abertamente sobre prazer, que se em educação sexual se falasse sobre outros assuntos que também são importantes (além dos já falados), talvez menos mulheres se queixassem de que não têm relações sexuais satisfatórias. Porque está claro que é importante que x parceirx tenha em conta o nosso prazer, mas se nem nós sabemos aquilo de que gostamos é muito difícil que alguém o descubra. 

Hoje não vou deixar questões para vocês. Animo-vos a que deixem as questões ou os comentários que acharem pertinentes. Porque é necessário que comecemos a falar disto como falamos de receitas, de desporto, e de outras coisas do dia-a-dia. Se não for agora, quando? Se não fores tu, quem? 

Feliz dia Internacional da Masturbação para todxs!! 

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Este artigo é muito questionável

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Tudo começou com um post no Facebook no qual alguém partilhou um artigo que afirmava que mais de 13 mil bebés não estavam a ser vacinados em Portugal e que o sarampo poderia regressar. A mulher que partilhou o artigo intitulou o seu post dizendo “Por favor não deixem de vacinar os vossos filhos!”.

Curiosa por natureza, não consegui ignorar o post mas sim perguntar-me se a mulher que o tinha partilhado teria pensado sobre este tema alguma vez na vida. Então decidi fazer um comentário que não denunciaria a minha posição insignificante sobre este ou outro assunto – “Por favor não se deixem influenciar pelo que os media dizem ou qualquer outra entidade e façam a vossa própria pesquisa sobre vacinas.”. Fui imediatamente inundada de reações, digamos, um tanto ou quanto agressivas por parte de outras mulheres e acusada de ter um pensamento anti-vacina quase criminoso.

O que me levou a escrever este artigo foi o que uma mulher escreveu em resposta ao meu comentário: “O que a leva a pesquisar sobre vacinas?”.

O que é que me faz pesquisar sobre vacinas? Li bem?

Para deixar bem claro, este não é um artigo sobre vacinas mas sim sobre como a maioria das pessoas não se questiona sobre o que quer que seja, incluindo eu por vezes. 

Vamos rebobinar um bom bocado. (Para passar esta mensagem vou generalizar e meter toda a gente no mesmo saco. Algum ego magoado que me desculpe). Vamos voltar àqueles tempos em que éramos crianças pequenas,  na altura em que começámos a aprender o que era “bom” e o que era “mau”. Guiados por aqueles que nos cuidam , somos ensinados através de frases como: “se não fizeres o que te digo és mal comportad@”, “faz isso como eu te estou a dizer”, “faz isso porque eu te estou a dizer e eu sou a tua mãe”, etc., etc. Desde cedo somos encorajad@s a deixar de questionar coisas, a portamo-nos “bem”, a obedecer sem “nem mais uma pergunta”. 

Depois entrámos para a escola. Sentados atrás de uma secretária começamos a obedecer a outra figura, desta vez não pertencente à família. Um@ professor@ que nos guia consoante os seus ideais, formas de pensar e com os seus próprios preconceitos. Ainda não é aqui que nos metem a pensar pelas nossas cabeças. Aprendemos história sem um mínimo de pensamento crítico, somente seguindo livros antiquados. Livros estes aprovados por um governo que nos quer fazer ver as coisas por um determinado prisma (e por consequência cada país pode contar uma história diferente sobre o mesmo evento). Aprendemos a decifrar textos de um poeta famoso da forma que “tem de ser” e não somos encorajados a desenvolver a nossa sensibilidade ou fazer a nossa própria interpretação. E, sem sequer nos apercebermos disso, estamos mais tarde a ponto  de entrar num curso universitário sem nunca ter questionado aquilo que as “autoridades” (família e professores) nos disseram até aqui. Talvez o curso nem é bem aquele que queremos, mas tivemos umas ideias implantadas nas nossas cabecinhas de que daríamos excelentes advogados, engenheiros, médicos, etc. E sem esquecer que aqueles que uma vez foram as nossas “autoridades”, foram ensinados assim como nós por outras “autoridades”.

Mais tarde começamos a interessar-nos por diferentes movimentos e assuntos – política, ambiente, ética, economia. Lemos, ouvimos e absorvemos tudo o que é dito na TV, jornais, por amigos, família, redes sociais, comunidade. Tomamos decisões, votamos, tomamos partido e participamos em discussões. Arranjamos um trabalho e sentimo-nos confortáveis com o horário (não tivéssemos nós sido treinados para isso nos anos de escola). Temos um chefe e mais uma vez estamos preparados para responder a mais uma “autoridade” que nos diz o que fazer. Talvez não tenhamos um chefe porque somos “O/A chefe” mas o que é facto é que as “autoridades” continuam lá – o governo, os bancos, as empresas farmacêuticas, etc.

Ao longo deste tempo, raramente parámos para questionar se o que a nossa mãe disse estava certo, se o que @ professor@ disse fazia sentido, se o que @ chefe disse era duvidoso, se o que o médico disse era a melhor hipótese, se o que o primeiro ministro disse era verdade. Somente assumimos que, aquilo que é dito por alguém hierarquicamente acima de nós, é para o nosso bem, do nosso interesse, e quase nunca refletimos sobre isso.

Outras vezes seguimos o que os nossos pares dizem e fazem, só porque sim. Honestamente não nos culpo… fomos criados dessa forma, bem como os nossos pais e os pais deles e por aí em diante.

Mas isso não significa que devemos deixar que isso continue a acontecer e perpetuar com as futuras gerações. Agora é tempo de acordar (se ainda não acordaste). É hora de começar a questionar se aquilo que te foi ensinado é ou não a verdade. A tua verdade. A verdade que te convém mais, consoante a vida que queres para ti.

Nós humanos estamos muito bem programados para seguir o rebanho:

Exemplo 1 – Sabias que antigamente (há vários séculos atrás), as pessoas pensavam que o planeta Terra era o centro do sistema solar? Quem disse isso? Um astrónomo, aluno do filósofo Platão. Teria ele conhecimento suficiente sobre planetas, estrelas ou via láctea? Sim! Isto significa que tudo o que ele disse sobre esta temática estava correto? Negativo! Seguimo-nos agora por outra teoria chamada de Heliocentrismo? Sim. É essa a verdade? Talvez… até que alguém justifique uma nova.

Exemplo 2 –  Sabias que nos dias de hoje as vacinas são conhecidas como a forma mais eficiente de prevenir doenças? Quem disse isso? A Organização Mundial de Saúde. Terão esses especialistas que trabalham para a OMS conhecimento suficiente sobre vírus, doenças, ADN? Sim! Isso significa que tudo o que eles dizem está correcto? Negativo. Estarão vários interesses e dinheiro envolvido nestas (e noutras) organizações que beneficiam da venda de produtos farmacêuticos? Claro como a água! Haverão vários documentários, pesquisas e entrevistas a médicos e cientistas afirmando que as vacinas podem causar mais danos do que benefícios ? Sim! Estarão certos? Talvez MAS cabe a cada um de nós decidir aquilo em que queremos acreditar depois de realmente nos instruirmos sobre isso.

Voltando à pergunta “O que a leva a pesquisar sobre vacinas?”. O que me leva a pesquisar sobre vacinas ou qualquer coisa que vá meter no meu corpo é saber que, não obstante o que cada especialista diz, há sempre uma possibilidade de que essa não seja a verdade. O que me leva a pesquisar sobre aquilo que como, bebo, visto e aplico na minha pele é saber que por vezes o que as marcas querem não tem como objectivo o nosso bem-estar mas sim fazer dinheiro e talvez manter as farmacêuticas ativas. E por último, o que me leva a pesquisar sobre o que quer que seja é tomar responsabilidade pelas minhas acções e não deixar a minha vida nas mãos de outrem.

Ah e nunca se esqueçam de ver quem foi o autor da pesquisa/ estudo. Terá sido a indústria do leite a conduzir um estudo para afirmar que o leite é bom para a saúde? Ou a indústria do açúcar a conduzir um estudo para culpar a gordura de doenças relacionadas com o excesso de açúcar?

O que é que acontece se nós não nos questionarmos e não fizermos a nossa própria pesquisa? Tornamo-nos ovelhinhas muito facilmente manipuláveis no rebanho. Continuamos a fazer o que eles dizem, como dizem que se faz e quando é suposto fazer-lo. E depois perguntamo-nos… “como é que fiquei doente?, “Como é que me endividei tanto”, “porque é que não consigo ser verdadeiramente feliz?”, e continuamos a acreditar em toda e qualquer coisa que as autoridades dizem sem verificar duas vezes. 

Reflectir, pensar, questionar e pesquisar ocupa muito tempo. No entanto, talvez compense por aquilo que podes descobrir, por sentires que tens o comando da tua vida ou simplesmente só para verificar algo pelos teus próprios meios. 

Isto faz algum sentido? Vais questionar o que escrevi? Eu questionaria 🙂

Vamos falar de masturbação feminina… yep isso mesmo MASTURBAÇÃO FEMININA. Parte I

Na minha opinião, a masturbação feminina, assim como outros temas “femininos” (como a menstruação) ainda é um grande tabu na nossa sociedade. Só agora (em plena segunda década do século XXI) é que os meios de comunicação e entretenimento começam a falar deste tema (mesmo que na maioria das vezes seja entre risos nervosos) de forma mais ou menos aberta. Há uns meses surgiu o fenómeno do “Satisfyer Pro” que veio dar mais um empurrão à normalização do auto prazer feminino. 

Mas isto por aqui (Portugal, Península Ibérica, Europa, mundo ocidental…) não foi sempre assim, e numa grande parte do mundo ainda não é. 

Quem já leu dois ou três dos meus artigos sabe que gosto de abordar quase todos os temas desde a minha própria experiência. Primeiro porque acho que é a maneira mais verdadeira de falar sobre as coisas e depois porque acho que partilhar as minhas experiências pode sempre ajudar alguém. 

Este tema é para mim um dos temas mais importantes no que diz respeito à luta pela equidade de género. E é um tema que me diz muito pessoalmente porque carreguei, durante toda a minha infância e parte da minha adolescência, um trauma relacionado com o tabu da masturbação feminina (que se há 15 anos atrás ainda era um grande tabu, mais ainda há 30 anos)

A minha experiência com a masturbação começou quando ainda nem sabia nada sobre sexo, nem sobre desejo sexual. Por estranho que possa parecer a algumas pessoas (e isso será ainda efeito do velho tabu) não é raro que as meninas pequenas descubram sozinhas que a estimulação da zona genital é muito prazerosa. Eu devia ter cerca de 2 ou 3 anos quando inocentemente me comecei a esfregar nas almofadas (literalmente). 

A masturbação nessas idades é uma gratificação meramente sensorial, não há, em situações normais, qualquer carácter sexual e esse era também o meu caso. A prova disso é que o fazia à frente de toda a gente. Para mim aquilo era algo prazeroso, como coçar-me se tivesse uma comichão, ou comer doces (sempre fui gulosa), na minha cabeça não havia qualquer revelação de que aquilo era (no mundo dos adultos) considerado inapropriado.

O meu pediatra da altura disse à minha mãe que por causa dos meus comportamentos precoces a minha vida sexual começaria muito cedo (WTF?!) O tabu não existia só entre os profissionais de saúde mas também dentro da minha família. A minha mãe não soube como lidar com a situação (não sei se o meu pai tem alguma constância desta história) e falou com algumas mulheres da familia para a ajudar a resolver o “problema”. Uma tia disse-me que eu ficaria com as pernas tortas. A minha avó paterna uma vez apanhou-me a faze-lo no sofá da sala, levantou as mãos à cabeça e zangou-se muito dizendo algo sobre o demónio. Mas a “estratégia” que mais teve impacto foi a de outra familiar que teve a excelente ideia (alerta de sarcasmo) de me contar uma história assustadora de como, se eu continuasse a fazer “aquilo”, o meu osso púbico ía se desgastar e desaparecer. Isto enquanto ilustrava o que aconteceria ao meu “osso do pipi” esfregando uma cenoura na bancada de mármore da cozinha (e esta se desfazia perante o meu olhar aterrorizado). 

O “problema” não era o facto de eu me masturbar (a masturbação é algo natural e saudável em todas as idades), mas sim o facto de o fazer em público. O que as pessoas informadas fazem quando se deparam com uma criança que se masturba em público é explicar a essa criança (todas as vezes que forem necessárias) que “aquilo” apesar de não ser “mau”, é algo privado que devemos fazer quando estamos sozinhas, não à frente de outras pessoas e menos ainda de desconhecidos.  

Agora vocês perguntam: a estratégias aplicadas funcionaram? Sim, mas não como elas esperavam. Eu não deixei de me masturbar, mas comecei a fazê-lo às escondidas, não porque aquilo era algo íntimo e privado, mas porque era algo mau para mim, para a minha saúde, e se alguém me visse fazê-lo de certeza que se zangariam comigo. Eu masturbava-me com um enorme sentimento de culpa, porque pensava que ao fazê-lo estava a pôr em risco a minha saúde. E foi assim durante quase 10 anos. 

Nesses anos a minha relação com a masturbação foi mudando, começou (como também é natural) a ter um carácter mais erótico, mas como era tabu eu continuava a pensar que “aquilo” que eu fazia era vergonhoso porque era mau para mim. Eu não sabia que “aquilo” era uma coisa natural, que se chamava masturbação

Até um certo dia em que fui ao teatro com a minha mãe ver uma peça durante a qual usavam muitas vezes uma palavra que eu nunca tinha ouvido: “masturbação”. Quando saímos do teatro eu perguntei à minha mãe o que significava e ela explicou-me que era quando as pessoas davam prazer a elas próprias através da estimulação dos genitais e que era algo natural e saudável, a menos que houvesse uma espécie de vício (estou a parafrasear, já não me lembro das palavras exactas que ela usou… isto foi à mais de 20 anos). E depois acrescentou algo como: “aquilo que tu fazias quando eras pequenina, não sei se ainda te lembras”. O mundo parou de girar. 

Então afinal “aquilo” não era mau, era natural e saudável? Afinal o meu osso púbico não se ía desintegrar? E as minhas pernas não iam ficar tortas? Afinal todo aquele sentimento de culpa tinha sido desnecessário? Todas as vezes que tinha sofrido em silêncio eram escusadas? Todos os pesadelos em que me aconteciam coisas terríveis por me masturbar podiam ter sido evitados?

Acho que poucas vezes me senti tão revoltada, mas não o demonstrei, tive vergonha. A minha mãe nunca soube que aquela intervenção teve um grande impacto no meu desenvolvimento psicológico e sexual. Ainda hoje tenho pesadelos relacionados com o sentimento de culpa que a masturbação acarretou durante quase uma década. 

Socialmente, mais cedo ou mais tarde, espera-se que os rapazes se comecem a tocar e a masturbar. Quando os adultos veem o bebé a tocar na pilinha acham piada, riem-se e acham normal, mais tarde quando os rapazes se começam a masturbar toda a gente aceita isso como natural e normal, tanto que geralmente (e corrijam-me e se estou incorreta) os progenitores dão alguma privacidade aos rapazes para não acontecerem “constrangimentos”. A minha percepção da nossa sociedade leva-me a pensar que isto não é exatamente assim (ou não o era há 30 anos atrás) no caso das raparigas .

Eu própria tenho muitas questões sobre esta parte da história. O resto da história, a parte após saber o que era a masturbação, fica para o meu próximo artigo, fiquem atentxs!

Algumas das minhas perguntas são:

Teriam as coisas sido diferentes se na altura o meu médico pediatra fosse alguém mais evoluído e menos conservador? Relembro que ele fez um paralelismo entre duas coisas que não têm nada a ver: o facto de me masturbar aos 3 anos de idade e como isso iria acelerar a minha entrada na vida sexual (não foi o caso, eu comecei a minha vida sexual aos 16/17 anos, tudo muito dentro da “normalidade” e não há nenhum estudo que indique que as pessoas que se começam a masturbar mais cedo também começam a vida sexual mais cedo – eu pesquisei). 

Será que a opinião da minha mãe mudou durante esses 10 anos? Porque se não, que sentido teve que ela tentasse que eu deixasse de fazer algo que era perfeitamente natural e saudável, quando me podia ter apenas explicado que devia fazê-lo quando me encontrasse sozinha?

Também achas que é importante “normalizar” a masturbação infantil feminina? Devia falar-se mais sobre isso? Será que hoje em dia já é diferente? Será que as mães e pais de hoje em dia estão no geral preparados para lidar com meninas que se masturbam em publico de forma sensata e não traumática? Achas que a minha experiência foi uma agulha no palheiro e que a maioria da sociedade da época (sendo a minha família uma excepção) já via a masturbação infantil feminina como algo natural?

E tu, achas que a masturbação é algo natural e normal? Com que idade é que te começaste a masturbar? Queres a partilhar algo da tua história comigo? Connosco? Tens perguntas para mim?

 


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#ficaemcasa e deixa as #mamaslivres

O meu texto mais lido na plataforma Medium é um em que conto como me libertei dos sutiãs (no blog podem encontrá-lo aqui). O que eu me esqueci de mencionar nesta publicação foi que o que me levou a tomar os primeiros passos para essa liberação foi um momento da minha vida que na realidade tem algo em comum com o momento presente. 

Há 3 anos atrás tinha acabado a parte presencial do mestrado (as aulas), estava dedicada ao projecto final e ao mesmo tempo trabalhava como designer freelancer para duas marcas diferentes, ou seja todo o meu trabalho era feito sobretudo a partir de casa – quase como agora (em circunstâncias diferentes, está claro). O facto de passar a maior parte dos meus dias dentro de casa e sem sutiã foi muito importante porque me desabituei dos apertos e a dita peça de roupa começou a parecer-me ainda mais incómoda das poucas vezes, e durante as poucas horas, que a usava. 

Porque é que venho trazer à tona este tema novamente? Porque neste momento muitas mulheres estão a ter que trabalhar desde casa e com ainda menos razões para sair que as que eu tinha na altura. Este artigo é um convite. Um convite para experimentares (tu mulher que me lês) ser “bra -free” durante esta quarentena. 

Desde que começou a quarentena tens usado sutiã dentro de casa? Sim? Por comodidade ou por hábito? Porque te sentes menos atrativa sem ou porque achas que as mamas vão descair se não estiverem todo o tempo suportadas pelo sutiã? Não? Mas sentes a necessidade de o pôr para ir à rua passear o cão ou até quando vais levar o lixo ao contentor que tens a dois ou três metros de casa? Sentes a necessidade de vestir o sutiã para receber uma encomenda ou para falar com os teus amigos e família por videoconferência? Porquê? 

Incentivo-te a aproveitar este momento de retiro obrigatório, no qual o ritmo de vida abrandou consideravelmente (se és como eu umx dxs privilegiadxs que pode trabalhar desde casa), para questionar aquelas coisas que não questionas normalmente, como a razão pela qual usas sutiã.  

É óbvio que falo desde uma experiência muito pessoal, e tenho que aceitar que haverão pessoas que se sentem mais cómodas com o sutiã vestido do que sem ele (mas no fundo acho que isso é mais o hábito e a cultura a falar que a verdadeira comodidade física). Por outro lado acho que é o momento ideal para experimentar mudar hábitos para ver o que acontece.

E se deixas completamente de usar sutiã durante um par de semanas (ou um mês que isto vai para longo) e descobres que podes respirar melhor, que tens menos dores de costas e de cabeça, que tens mais autoestima, que te preocupas menos com o que os outros pensam e que a as tuas mamas afinal não desceram? Se calhar depois desse período de prova até te apetece continuar com a experiência e com mais tempo de mamas livres talvez descubras que tens menos tendência para criar quistos (um problema que muitas mulheres têm), que já não sofres de dores no peito nem nos mamilos ou até mesmo que as tuas mamas estão mais firmes do que nunca. Isto sem falar de algo que não vais sentir: que provavelmente reduziste bastante o risco de teres cancro de mama.  

Talvez estejas a pensar que estou a exagerar um pouco (ou muito) com todos estes benefícios por abandonar os sutiãs. Como te disse falo a partir da minha própria experiência, mas neste caso não só. Convido-te a dar uma vista de olhos neste recente estudo preliminar que analisou os efeitos experimentados por mais de 1000 mulheres que deixaram de usar sutiã. E se decidires dar uma oportunidade a esta experiência também podes fazer parte do estudo que ainda está a ser desenvolvido. Para encontrares mais informações visita este site: https://brafreestudy.com/

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As “questionallers” estão de volta!

Há já quase um ano, dia 1 de Maio de 2019, foi a última vez que publicámos no blog. Na altura ambas (Nico e Tico) estávamos muito ocupadas entre trabalho, novos projectos, viagens e retiros. Hoje encontramo-nos com mais tempo livre, dadas as circunstâncias, porque mesmo que ambas continuemos a trabalhar desde casa e continuemos a ter outros projectos, há um tempo que se poupa ao não termos que preparamos para sair de casa e não termos que nos deslocar para ir nem para voltar. 

Nos dias de hoje é difícil não ocupar o tempo “a mais” com demasiadas séries “on demand” ou vídeos do YouTube e isso era o que nos estava a acontecer a ambas nos primeiros dias desta quarentena “voluntária”. Até que começamos a pensar que este seria o momento ideal para voltar a dedicar-nos a este projecto que nos une, não só às duas, mas de alguma maneira também a todxs xs que gostam de nos ler. As duas estamos cheias de ideias sobre temas que queremos questionar com a vossa ajuda. 

Desta vez vamos fazer as coisas de forma um pouco diferente. Para já não vamos ter um dia fixo para publicar, vamos deixar que seja mais orgânico e livre. Quando publicarmos algo no blog, que agora voltou a ser https://questionallers.wordpress.com/, faremos um post a anunciar a nova publicação na página de Facebook do “questionallers”, no perfil de Instagram do blog (@questionallers) e também nas nossas redes sociais pessoais. 

Outra novidade é que passaremos a escrever apenas em dois idiomas a partir de agora: Português e Inglês. A versão em português será publicada directamente no blog  (https://questionallers.wordpress.com/) e a versão em inglês será publicada através da nossa publicação na plataforma Medium (https://medium.com/questionallers). 

Esperamos voltar a poder contar com o vosso apoio nesta nova fase do projecto e mais ainda esperamos que de alguma forma vos possamos ser úteis, para vos levar a novos “questionamentos”, para vos encorajar a procurar mais informação, para gerar novas e ricas discussões, e para vos entreter para que estes tempos conturbados vos sejam também um pouco mais leves. 

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens (EN)

Desnuda. Lo que aprendí con la experiencia de posar sin ropa para Spencer Tunick (ES)

A nu. O que aprendi com a experiência de posar despida para Spencer Tunick (PT)

No dia 28 de Março, num dos grupos de WhatsApp em que estou, alguém publicou a notícia de que o fotógrafo Spencer Tunick, famoso pelas fotos de multidões despidas, ia estar em Valência, a fazer das suas, dentro de dois dias, e que quem quisesse participar só tinha que inscrever-se. Quem me conhece sabe que o pudor não é característica que me defina. A primeira coisa que pensei foi “isto deve ser uma experiência memorável” e depois pensei “está um bocado frio”. Sem pensar muito mais (o potencial da experiência sobrepunha-se ao medo de congelar), inscrevi-me. Depois partilhei a notícia com alguns amigos, que disseram logo que não tinham coragem de o fazer, e com o meu namorado, que respondeu que ia ponderar sobre o tema e mais tarde decidiria. Uns minutos depois recebi um email com a confirmação de que estava efectivamente inscrita, a informação do local onde teria que ir nesse dia e a hora do início do evento. Este último detalhe voltou a fazer-me pensar na questão do frio.

Dia 30 (um Sábado) às 5h da manhã encontrava-me à porta do edifício onde tudo começaria. Havia muitas pessoas, mais das que eu esperava encontrar, de quase todas as idades (dos 18 aos 80 mais ou menos) mas diria que a maioria tinha entre 25 e 45 anos. Havia algum nervosismo no ar, muitas pessoas tinham vindo em grupo, outras estavam sozinhas como eu.

Finalmente abriram a porta do centro cultural e apareceram duas pessoas que começaram a dar instruções aos participantes. Uma dessas instruções era que homens e mulheres se separariam em dois grupos distintos e que cada grupo deveria esperar mais instruções num dos claustros do centro. As mulheres ficavam no primeiro claustro, os homens seguiam caminho até ao seguinte.

Já dentro do centro observei o que se passava à minha volta. Olhei para as outras pessoas e tentei imaginar o que as motivava a estar ali. Será que tinham muita curiosidade em experienciar uma instalação artística daquela envergadura, será que tinham vontade de sair da sua zona de conforto, ou de fazer algo muito diferente das suas rotinas habituais de fim-de-semana, será que sentiam a necessidade de saber o que se sente quando a nudez é o dress code ou será que queriam testar o quão cómodas estavam com os seus próprios corpos. Poderiam haver mil e uma razões mas na verdade todas as que me ocorriam eram alguns dos motivos pelos quais eu própria tinha decidido ir até ali.  

Podia sentir-se a expectativa no ar. O ambiente estava animado e havia uma boa onda geral, tod@s pareciam estar bem dispost@s e pront@s para passar uma manhã diferente e divertida. Entretanto o José (o meu namorado) apareceu e dissemos “até já” (relembro que homens e mulheres deviam estar separados).

Depois de mais de uma hora da abertura de portas vieram dar-nos as últimas instruções. Desta vez era para explicar como se processaria o momento das fotos, que posturas teríamos que adoptar e a que hora teríamos de sair do centro. Faltavam cerca de 15 minutos para o momento em que nos teríamos que despir, deixando todos as nossas roupas e objetos pessoais no chão daquele claustro e sair para o meio da rua completamente nu@s e descalç@s. A temperatura mantinha-se baixas e o sol ainda estava agora a começar a nascer. Algumas pessoas começaram a saltar e a fazer movimentos para aquecer o corpo, outras começaram a despir-se, talvez para se irem habituando. Eu entretive-me conversando com outras mulheres.

Quando a hora H chegou membros da organização avisaram que tinha chegado o momento de tirar a roupa e dirigirmo-nos para a saída. Apesar de já estar muita gente despida quando deram o aviso, e de quase todas nos termos despido em menos de 30 segundos, parecia que todas esperávamos que alguém tomasse a iniciativa de avançar para a saída. Eu e a mulher com a que falava naquele momento olhamos uma para a outra e sem palavras (mas como quem diz “porque não nós?”) dirigimo-nos para a portão onde já esperavam membros da organização para nos guiarem até à primeira localização da sessão de fotos. Também a dirigir-se para a porta ia outra mulher com quem começamos a falar.

De repente as três olhamos para trás e demo-nos conta de que já estávamos no meio da rua e encabeçávamos um grupo de centenas de mulheres. Eu nao sei o que elas sentiram, mas eu tive uma enorme sensação de liberdade; uma revelação de beleza e até de perfeição, atingida através da diversidade; um sentimento de conexão com todas aquelas mulheres, talvez até com todas AS mulheres, senti a força da sororidade, que juntas podemos chegar a qualquer lado e realmente mudar o mundo.

Chegámos à primeira localização, exactamente em frente do monumento mais icónico da cidade – as Torres de Serranos, e pouco depois (o que pareceu ter sido uma eternidade por causa do frio) chegaram os participantes do género masculino. Por mais estranho que possa parecer, a chegada de centenas de homens pelados (havia cerca de um terço mais de homens que de mulheres) não transformou o momento em algo mais sexual, nem sequer tornou a nudez (própria e dos demais) mais embaraçosa. É claro que só posso falar desde a minha perspectiva, mas no momento observei @s outr@s participantes e não me pareceu que os sinais de desconforto tivessem aumentado (pelo menos da parte das mulheres).

Na verdade com a adição dos homens as sensações anteriores só aumentaram. Senti que realmente somos todos iguais apesar das pequenas diferenças – a objectiva diferença física entre um homem e uma mulher pode chegar a ser menor que entre duas pessoas do mesmo sexo. E senti que de alguma forma todos estamos ligados e que juntos podemos conseguir grandes mudanças.  

Como seres humanos cujas culturas exigem que tenhamos partes do corpo cobertas a maior parte do tempo, tendemos a esquecer-nos do quão normal e vasta é a variedade de formas e feitios dessas partes. As formas selecionadas e editadas às que temos acesso, nos meios de comunicação em massa, fazem-nos olvidar essa variedade. O que às vezes nos faz ver os nossos próprios corpos como feios, imperfeitos, estranhos, etc., apenas porque não são parecidos aos que estamos acostumad@s a ver. Talvez se as nossas sociedades aceitassem e encorajassem mais a nudez, teríamos mais facilidade em aceitar as nossas características físicas e também as das outras pessoas, sem tantos juízos de valor.

Por outro lado senti que a nudez também nos aproxima da nossa essência. Esquecemos constantemente que somos apenas um animal, uma espécie de primata, que teve uma evolução, digamos, diferente. Todos os dias vemos animais nus (o que nos parece caricato é que os outros animais estejam vestidos) e não nos parece estranho, nem temos tendência para olhar para as “partes” equivalentes às que como humanos levamos constantemente tapadas. Isso também acontece depois de estarmos durante algum tempo rodeados por humanos nus, o que era estranho passa a ser normal, os olhos deixam de procurar constantemente aquelas “partes” e quando as vêem passam por elas com a mesma naturalidade com que passam pelas outras.

Uma coisa de que gostei muito foi o facto de que o corpo masculino e o corpo feminino fosse tratados com o mesmo respeito. Infelizmente ainda (espero que um dia deixe de ser assim) vivemos numa sociedade que exige um maior número de “partes a esconder” ao corpo feminino do que ao masculino. Não esquecendo que há culturas que escondem ainda mais partes do corpo da mulher. Felizmente Tunick não censura partes dos corpos segundo sexos (como muitos fotógrafos e artistas) e também não censura segundo cânones de beleza. Foi inspirador ver entre os participantes por exemplo mulheres que tinham passado por mastectomias e pessoas com todo o tipo de diferenças fisionómicas.

O resto do evento em termos práticos pode resumir-se em: passar duas horas ao frio, seguir indicações para ocupar os espaços e mudar de postura, esperar em poses estáticas e deslocar-se para as seguintes localizações. No final voltámos ao centro para nos vestirmos e recuperar as nossas coisas.

Para mim foi sem dúvida uma experiência com saldo positivo. Até a questão do frio acabou por trazer algo bom. Além de ter ganhado uma certa resistência ao frio, que durou ainda por uns dias, mais tarde comecei a estudar sobre a importância dos sistemas que possuímos para regular a nossa temperatura. Ser friorenta às vezes pode ser bastante limitador. Agora sei que ser menos friorenta depende muito de mim, não é algo imutável. Para tal tenho tentado adaptar-me ao frio sem recorrer tanto a peças de roupa nem a aquecedores. E a verdade é que está a resultar.  

E tu, terias participado num evento deste género? Porquê ou porque não?  A nudez trás-te desconforto? Como lidas com a nudez alheia? Como sempre gostava de saber o que pensas sobre tudo isto.  


 

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens (EN)

On the 28th of March, in one of the WhatsApp groups that I’m in, someone posted that the photographer Spencer Tunick – famous for its pictures of crowds of naked people – would be shooting in Valencia, in a couple days, and whomever would like to be part of it just had to sign up. If you know me, you also know that I’m not ruled by pudor. My first thought was “this might be a memorable experience” and after that I realised how cold it would be. I enrolled without further ado (this experience’s potential was bigger than the apprehension of freezing my butt off). Then I shared the news with some friends that promptly expressed their lack of courage to do such thing, and with my boyfriend that would make up his mind later. Minutes later I received an email confirming my participation as well as the time and place of the event. This last detail made me rethink about the weather.

At 5am, on the 30th of March (Saturday), there I was standing at this building’s door where the event would take place. There were many people, more than I was expecting, from all age ranges (from 18 to 80 years old), mostly between 25 and 45 years old. I could feel some nervousness in the air, many people came in groups, others were alone just like me.

Finally the cultural center’s doors were opened and two people showed up to give instructions to all participants. One of those instructions was to separate men and women into two different groups and each one should wait for further instructions in a central cloister. Woman stayed in the first cloister and men proceeded to the next one.

Already in the women’s cloister, I observed what was going on around me. Looking at the people I started to wonder what would be their motivation to be there. Perhaps they were very curious to experience such art installation, maybe they were willing to get out of their comfort zone, or to do something unusual and different from their weekend routines, maybe they felt the urge to know how does it feel to have nudity as a dress code or possibly they were just interested in testing themselves to know how comfortable they were in their own bodies. There could be thousands of reasons but the truth is that all the purposes I could think of were the ones that made me decide to do such thing.

You could feel the excitement in the air. The atmosphere was enthusiastic, with a great vibe, everybody seemed to be in a high spirit and ready to spend a cheerful and different morning. Meanwhile Jose (my boyfriend) arrived and we briefly greeted (reminding that men and women should be separated).

More than one hour later, we got the last instructions. This time to explain about the pictures, what poses were required and timing to leave the cloister. 15 minutes remained to the moment where we all needed to undress, leaving our clothes and personal belongings behind and leave the building to the middle of the street, completely naked and barefoot. The temperature remained low and the sun was now raising. Some people started jumping to warm up their bodies, others started to undress, maybe to get used to it. I kept chatting with other women.

When it came to the crunch, staff members from the organisation informed us that that was the moment to take off our clothes and proceed to the exit. Despite many people being already naked by this moment, and most of us got undressed in 30 seconds, it seemed like we all waited for someone to take the lead to leave the premises. The woman with whom I was chatting at that moment and myself looked at each other and without saying a single word (but already thinking “why not us?”) proceeded to the exit where staff members awaited to bring us to the first location for the photo session. A third woman joined us.

Suddenly, the three of us looked behind and realised that we were already in the middle of the street, spearheading hundreds of other naked women. I don’t know what they have felt, however I felt an enormous freedom; a beauty and even perfection revelation, reached by diversity; a connection feeling with all of those women, perhaps even with ALL women, I felt the empowerment that together we can achieve anything and really change the world.

Soon after (but what felt like an eternity due to the coolness) we arrived to the first location, facing the most iconic monument of the city – the Serranos Towers, the male participants reached us. It might sound strange, yet the arrival of hundreds of naked men (there were roughly a third more men than women) didn’t make the moment in a more sexual one, nor did it turn the nudity (self and others) more embarrassing. Obviously I can only speak for myself, but at that moment I observed all the other participants and didn’t see any increase of uneasiness (at least from the woman’s side).

In fact with the addition of men the previous sensations only increased. I felt that we really are all equal despite the small differences – the objective physical difference between a man and a woman can be less than between two people of the same sex. And I felt that somehow we are all connected and that together we can achieve great changes.

As human beings whose cultures require that we have certain body parts covered most of the time, we tend to forget how normal and vast is the variety of forms and shapes of those parts. The selected and edited forms to which we have access, in the mass media, make us forget this variety. Which sometimes leads us into perceiving our own bodies as ugly, imperfect, strange, etc., just because they are not similar to the bodies we are accustomed to see. Perhaps if our societies accepted and encouraged more nudity, it would be easier to accept our own as well as other people’s physical characteristics, without so much value judgments.

On the other hand I felt that nudity also brings us closer to our essence. We are constantly forgetting that we are just an animal species, a kind of primate, which has evolved, let us say, differently. Every day we see naked animals (what seems a caricature to us is seeing the other animals dressed) and that doesn’t seems strange to us, nor do we tend to stare at the “parts” equivalent to those that we as humans are constantly covering. This also happens after being surrounded by naked humans for a while, what was strange becomes normal, the eyes stop searching constantly for those “parts” and when we see them we just pass through them as naturally as with any other body parts.

One thing I liked very much was that the male body and the female body were treated with the same respect. Unfortunately, we still live in a society that demands a greater number of “hidden parts” from females than from the males. Not forgetting that there are cultures that hide even more parts of the woman’s body. Luckily Tunick does not censure parts of bodies by sex (like many photographers and artists do) and also does not censor according to beauty standards. It was inspiring to see for example, women who had undergone mastectomies and people with all kinds of physiognomic differences among the participants.

In practical terms, the rest of the event can be summarised as: two hours spent in the cold, following directions to change postures and positions, waiting in static poses and moving to the following locations. In the end we went back to the center to get dressed and get our things back.

For me it was undoubtedly an experience with a positive balance. Even the cold issue  ended up bringing something good. In addition to gaining some resistance to the cold, which lasted for a few days, I later on began to study the importance of the systems we have to regulate our temperature. Being too cold at times can be quite limiting. Now I know that being less sensitive to cold depends a lot on me, it’s not something immutable. For this I have tried to adapt to the cold without resorting to clothes or heaters. And the truth is that it is working.

And you, would you have participated in such an event? Why would you or why not? Does nudity bring you discomfort? How do you deal with the nakedness of others? As always I would like to know what do you think about all this.


 

Desnuda. Lo que aprendí con la experiencia de posar sin ropa para Spencer Tunick (ES)

El 28 de marzo, en uno de los grupos de WhatsApp en que estoy, alguien publicó la noticia de que el fotógrafo Spencer Tunick, famoso por las fotos de multitudes desnudas, iba a estar en Valencia, para hacer una de sus sesiones, dentro de dos días, y que quien quisiera participar sólo tenía que inscribirse. Quien me conoce sabe que el pudor no es característica que me defina. La primera cosa que pensé fue “esto tiene que ser una experiencia memorable” y luego pensé “hace frío”. Sin pensar mucho más (el potencial de la experiencia se superponía al miedo de congelar), me inscribí. Después compartí la noticia con algunos amigos, que dijeron pronto que no tenían el coraje de hacerlo, y con mi novio, que respondió que iba a reflexionar sobre el tema y más tarde decidiera. Unos minutos después recibí un email con la confirmación de que estaba efectivamente inscrita, la información del lugar donde tendría que ir ese día y la hora del inicio del evento. Este último detalle volvió a hacerme pensar en la cuestión del frío.

Día 30 (un sábado) a las 5 de la mañana me encontraba a la puerta del edificio donde todo empezaba. Había muchas personas, más de las que esperaba encontrar, de casi todas las edades (de los 18 a los 80 más o menos) pero diría que la mayoría tenía entre 25 y 45 años. Había algún nerviosismo en el aire, muchas personas habían venido en grupo, otras estaban solas como yo. Hasta media hora después, no estaba segura si mi novio vendría.

Finalmente abrieron la puerta del centro cultural y aparecieron dos personas que comenzaron a dar instrucciones a los participantes. Una de esas instrucciones era que hombres y mujeres se separarían en dos grupos distintos y que cada grupo debía esperar más instrucciones en uno de los claustros del centro. Las mujeres se quedaban en el primer claustro, los hombres seguían camino hasta el siguiente.

Ya dentro del centro observé lo que pasaba a mi alrededor. Miré a las otras personas e intenté imaginar lo que las motivaba a estar allí. ¿Quizás tenían mucha curiosidad en experimentar una instalación artística de aquella envergadura, tendrían ganas de salir de su zona de confort, o de hacer algo muy diferente de sus rutinas habituales de fin de semana, a lo mejor sentían la necesidad de saber lo que se siente cuando la desnudez es el dress code, o querían saber lo cuanto cómodas estaban con sus propios cuerpos. Podrían haber mil y una razones pero en verdad todas las que me ocurrían eran algunos de los motivos por los que yo había decidido ir hasta allí.

Podía sentir la expectativa en el aire. El ambiente estaba animado y había una buena energía general, tod@s parecían estar list@s para pasar una mañana diferente y divertida. Mientras esperaba encontré a José (mi novio) y dijimos “hasta ahora” (recuerdo que hombres y mujeres debían estar separados).

Después de más de una hora de la apertura de puertas vinieron a darnos las últimas instrucciones. Esta vez era para explicar cómo se procesaría el momento de las fotos, qué posturas tendríamos que adoptar y a qué hora tendríamos que salir del centro. Faltaban cerca de 15 minutos para el momento en que tendríamos que desnudarnos, dejando toda nuestra ropa y objetos personales en el suelo de aquel claustro y salir para la calle completamente desnud@s y descalz@s. Las temperaturas se mantenían bajas y el sol todavía estaba empezando a nacer. Algunas personas empezaron a saltar y a hacer movimientos para calentar el cuerpo, otras comenzaron a desnudarse, quizás para acostumbrarse. Me entretuve conversando con otras mujeres.

Cuando llegó la hora H,  miembros de la organización avisaron que había llegado el momento de quitarse la ropa y dirigirse hacia la salida. A pesar de que ya estaba mucha gente desnuda, y de que casi todas se desnudaron en menos de 30 segundos, parecía que esperábamos que alguien tomara la iniciativa de avanzar hacia la salida. Yo y la mujer con la que hablaba en aquel momento miramos la una a la otra y sin palabras (pero como quien dice “por qué no nosotras?”) Nos dirigimos hacia la puerta donde ya esperaban miembros de la organización para guiarnos hasta la ubicación de la primera sesión de fotos. A medio camino se juntó a nosotras otra mujer y las tres seguimos camino mientras hablábamos.

De repente las tres miramos hacia atrás y percibimos que estábamos en medio de la calle y encabezamos un grupo de cientos de mujeres desnudas. No sé lo que han sentido ellas, pero yo tuve una enorme sensación de libertad; una revelación de belleza e incluso de perfección, alcanzada a través de la diversidad; un sentimiento de conexión con todas aquellas mujeres, tal vez hasta con todas LAS Mujeres, sentí la fuerza de la sororidad, que juntas podemos llegar a cualquier lado y realmente cambiar el mundo.

Llegamos a la primera ubicación, justo frente al monumento más icónico de la ciudad – las Torres de Serranos, y poco después (lo que parecía haber sido una eternidad a causa del frío) llegaron los participantes del género masculino. Por extraño que parezca, la llegada de cientos de hombres desnudos (había cerca de un tercio más de hombres que de mujeres) no transformó el momento en algo más sexual, ni siquiera la desnudez (propia y de los demás) más embarazosa. Es claro que sólo puedo hablar desde mi perspectiva, pero en el momento he observado a los participantes y no me pareció que las señales de incomodidad hubieran aumentado (al menos por parte de las mujeres).

En realidad con la adición de los hombres las sensaciones anteriores sólo aumentaron. Sentí que realmente somos todos igual a pesar de las pequeñas diferencias – la objetiva diferencia física entre un hombre y una mujer puede llegar a ser menor que entre dos personas del mismo sexo. Y sentí que de alguna forma todos estamos conectados y que juntos podemos lograr grandes cambios.

Como seres humanos cuyas culturas exigen que tengamos partes del cuerpo cubiertas la mayor parte del tiempo, tendemos a olvidarnos de lo normal y amplia es la variedad de formas y hechuras de esas partes. Las formas seleccionadas y editadas a las que tenemos acceso, en los medios de comunicación masiva, nos hacen olvidar esa variedad. Lo que a veces nos hace ver nuestros propios cuerpos como feos, imperfectos, extraños, etc., sólo porque no son parecidos a los que estamos acostumbrad@s a ver. Tal vez si nuestras sociedades aceptaran y alentar más la desnudez, tendríamos más facilidad en aceptar nuestras características físicas y también las de las otras personas, sin tantos juicios de valor.

Por otro lado sentí que la desnudez también nos acerca a nuestra esencia. Olvidamos constantemente que somos sólo animales, una especie de primates, que han tenido una evolución, digamos, diferente. Todos los días vemos animales desnudos (lo que nos parece caricato es que los demás animales estén vestidos) y no nos parece raro, ni tenemos tendencia a mirar a las “partes” equivalentes a las que como humanos llevamos constantemente tapadas. Esto también ocurre después de estarmos rodeados por humanos desnudos durante algún tiempo, lo que era extraño pasa a ser normal, los ojos dejan de buscar constantemente aquellas “partes” y cuando las ven pasan por ellas con la misma naturalidad con que pasan por las otras.

Una cosa que me gustó mucho fue el hecho de que el cuerpo masculino y el cuerpo femenino fueran tratados con el mismo respeto. Lamentablemente todavía (espero que un día deje de ser así) vivimos en una sociedad que exige un mayor número de “partes que esconder” al cuerpo femenino que al masculino. No olvidando que hay culturas que ocultan aún más partes del cuerpo de la mujer. Afortunadamente Tunick no censura partes de los cuerpos según sexos (como muchos fotógrafos y artistas) y tampoco censura según cánones de belleza. Fue inspirador ver entre los participantes por ejemplo mujeres que habían pasado por mastectomías y personas con todo tipo de diferencias fisionómicas.

El resto del evento en términos prácticos puede resumirse en: pasar dos horas al frío, seguir indicaciones para ocupar los espacios y cambiar de postura, esperar en poses estáticas y desplazarse a las siguientes ubicaciones. Al final volvimos al centro para vestirnos y recuperar nuestras cosas.

Para mí fue sin duda una experiencia con saldo positivo. Hasta la cuestión del frío acabó por traer algo bueno. Además de haber ganado cierta resistencia al frío, que duró todavía unos días, más tarde empecé a estudiar sobre la importancia de los sistemas que poseemos para regular nuestra temperatura. Ser friolera puede ser bastante limitador a veces. Ahora sé que ser menos friolera depende mucho de mí, no es algo inmutable. Para ello estoy intentando adaptarme al frío sin recurrir tanto a prendas de ropa ni a calentadores. Y la verdad es que está resultando.

Y tú, habrías participado en un evento de este género? ¿Por qué o por qué no? ¿La desnudez te trae incomodidad? ¿Cómo leídas con la desnudez ajena? Como siempre me gustaba saber lo que piensas de todo esto.

The authentic meaning of traveling

O autêntico significado de viajar (PT)

El auténtico significado de viajar (ES)

The authentic meaning of traveling (EN)

I don’t think that there is a right or a wrong way of traveling. Every person has different aims when traveling and is searching for a subjective experience. Some people’s way of traveling doesn’t involve engaging with the locals and are more introspective, experiencing the trip from a spectator view. Others engage with locals if they can communicate with them, asking for tips. Others get quite close with locals and become friends, having access to their private life. I get a mix of all this ways depending on my mindset and phases I go through while traveling.

My way of traveling is no better than any other way. It is just what has been working for me and what I align with. In South East Asia I was being warned a lot about the danger of some countries that were in my list to be visited. Once in Thailand, I was advised by some people to be very careful when going to Vietnam. In Malaysia I was advised to skip my visit to Cambodia as a solo female traveler. I did not listen. I never felt unsafe in any of my destinations. Yes, there were some sketchy situations; I saw some schemes while crossing country’s borders by land and was fooled with fake currency a couple of times. There are honest and dishonest people in every single country. I can say that I felt more afraid and unsafe in my own country than in any other part of the world. When studying in Lisbon, I was chased a couple times and was almost robbed by thieves. Also carrying my laptop on my bag in certain parts of the city made me very nervous.

Before coming to India, where I’m currently traveling, I heard that (similar to what I was told in my trip in SEA) it wasn’t safe to come as a female solo traveler. I was told that many rapes were happening in India, that men stared at women leaving them very uncomfortable, that I would have a culture shock etc. No opinion can replace your own experience. And my experience here so far tells me that I get stared a lot, not only by men but also by women, due to being different. They do look with a curious eye. Our skin tones are different, our features are different and our manners are different too. I call it a wonder stare. And then I open a big smile and they always smile back. Any awkwardness can be dismantled by this action. We are all the same, all human beings and the smile brings us together. It also opens opportunities for conversation, for being asked to take “selfies” or even to be asked for a hug. If it gets overwhelming there’s always a chance to keep walking and not respond.

My way of traveling involves being alert and relaxed at the same time.  There’s always some common sense and some skills required to understand when you are possibly in a dangerous/ sketchy situation or if it is your imagination that is making you second-guess every step you take. Common sense tells me not to wander around in the dark peach night, to stay in control (without being a control-freak) and to be aware of the people surrounding me. The exact same as I do in my own country or even in my hometown. By staying in control I mean that I can go to a party from someone I just met, however I’ll be responsible enough to stay sober. I still have loads of fun and will remember those moments forever.

I’m a very relaxed traveler. I don’t recall worrying about anything in my solo trips. Once I was in Kuala Lumpur’s airport about to board to my next destination: Vietnam. The airline staff did not allow me to get in the airplane because apparently I needed a visa requirement (each airline has its specific requirements). I remember that I set down on the floor, took my laptop and started looking into the cheapest flights available. In 20 minutes I had another destination. Instead of Vietnam I went to Langkawi, a beautiful island in Malaysia. Being relaxed allows me to be flexible with dates, events and locations. In this way nothing ruins my plans because I go exactly where I’m supposed to go. It’s like being in permanent adventure where nothing can go wrong. Having too many plans and booked accommodation can limit your experience very quickly. For me, there’s always the opportunity to stay extra days in a place if it seems reasonable or to stay only for a half day in a city which is not exciting me in any way.

What’s more important to me is trying to blend as much as I can in the different cultures. In the first days I observe the locals to see how do they cross the street, how does the public transportation work, how do they eat, learn some basic words, understand their body language etc. Then I copy them and ask for help if there’s something I can’t wrap my head around. I don’t need to do things that I’m not comfortable with or things that I don’t agree with. However being open is crucial.

After a couple weeks I feel integrated. I grab any chance I have to talk to locals about their culture, traditions, habits and way of thinking. Even when is hard to communicate, there’s always something I can take in. Then I gather all of that precious information which gives me a tiny bit of knowledge about the place and its people.

To me, the meaning of traveling is to know other life perspectives and integrate the best parts in my own life. What does traveling mean to you?

O autêntico significado de viajar (PT)

Não acho que haja uma forma correcta ou errada de se viajar. Cada pessoa tem diferentes objetivos com as suas viagens, procurando experiências subjectivas. Algumas pessoas não se relacionam com os cidadãos locais e são mais introspectivas, experienciando a viagem de um ponto de vista de espectador. Outras falam com os locais, se conseguirem comunicar com eles, fazendo perguntas e pedindo dicas. Outras conseguem relacionar-se com os locais, têm acesso às suas vidas privadas e acabam por criar relações de amizade. Eu consigo ter um misto de todas estas formas de viajar, dependendo da fase em que me encontro ou da minha disponibilidade psicológica para socializar. A minha forma de viajar não é melhor ou pior que qualquer outra. É somente a forma que melhor funciona para mim e aquela com a que mais me alinho.

No Sudeste Asiático fui alertada várias vezes sobre os perigos de visitar alguns países que estavam na minha lista. Na Tailândia aconselharam-me a ter muita cautela ao viajar no Vietname. Na Malásia aconselharam-me a tirar o Camboja da minha lista por ser uma rapariga a viajar sozinha. Não lhes dei ouvidos. Nunca me senti em perigo em nenhum dos meus destinos. Sim, há situações estranhas; testemunhei cenários bizarros ao atravessar fronteiras de países por terra e fui enganada com dinheiro falso um par de vezes. Há pessoas honestas e desonestas em todos os países. Posso dizer que já me senti mais insegura e com medo no meu próprio país do que em qualquer outra parte do mundo. Quando estava a estudar em Lisboa, fui perseguida e quase assaltada mais do que uma vez. Por vezes carregar o meu computador na mochila, em algumas partes da cidade, deixava-me muito nervosa.

Antes de vir para a Índia, por onde estou a viajar de momento, ouvi (similarmente ao que me disseram no Sudeste Asiático) que não era um país seguro para mulheres viajarem sozinhas. Ouvi tantas vezes dizer que há imensos casos de violações, que os homens olham tanto para as mulheres (turistas) que as deixam desconfortáveis, que eu teria um choque cultural etc.. Não existe opinião que possa substituir a tua própria experiência. E a minha experiência aqui por enquanto diz-me que, não só os homens como também as mulheres olham de facto muito para mim, porque sou diferente deles. Eles olham com curiosidade. Os nossos tons de pele são diferentes, as nossas feições são diferentes e os nossos modos também são diferentes. Eu chamo a isso um olhar curioso. E a seguir esboço um sorrizão que é sempre correspondido. Qualquer desconforto é desmanchado imediatamente com este acto. Somos no fundo todos iguais, todos seres humanos e o sorriso aproxima-nos. Também abre oportunidades para conversas, para pedidos de “selfies” ou até para pedirem um abraço. Se isto for demasiado, há sempre a hipótese de se continuar a andar sem dar resposta.

A minha forma de viajar implica estar alerta e relaxada ao mesmo tempo. São necessários senso comum e alguns conhecimentos para que se tenha noção se estamos numa situação perigosa ou se é apenas a nossa imaginação a pregar-nos partidas. O senso comum diz-me que vaguear pela rua no meio da noite não é boa ideia, que é bom estar em controlo (sem que haja obsessão) e para estar atenta às pessoas que me rodeiam. Exatamente a mesma coisa que faço no meu país e até na minha cidade. Estar em controlo significa que posso aceitar o convite para uma festa de uma pessoa que acabei de conhecer, no entanto ser responsável o suficiente para manter-me  sóbria. Assim consigo divertir-me na mesma e irei recordar aqueles momentos para sempre.

Sou de facto uma viajante relaxada. Não me recordo de estar preocupada com o que quer que seja nas minhas viagens solitárias. Uma vez estava no aeroporto de Kuala Lumpur prestes a embarcar para o meu próximo destino: Vietname. O staff da companhia não me permitiu entrar no avião porque aparentemente precisava de um pedido de visto à chegada (cada companhia tem as suas regras). Lembro-me que me sentei no chão, abri o meu computador e comecei a pesquisar pelos voos mais baratos disponíveis naquele momento. Em 20 minutos tinha outro destino. Em vez do Vietname voei para Langkawi, uma ilha maravilhosa na Malásia. Ser relaxada possibilita-me ser bastante flexível com datas, eventos e locais. Deste modo nada arruina os meus planos porque acabo por chegar exatamente aos sítios onde devo estar. Ter demasiados planos e alojamentos marcados pode limitar a experiência. Para mim, há sempre a hipótese de ficar mais alguns dias num sítio se me parece necessário ou pelo contrário ficar somente meio dia num lugar que não me entusiasme.

A meu ver, o mais importante é estar integrada o máximo possível nas diferentes culturas. Nos primeiros dias observo os locais para ver como passam a estrada, como é que comem, como funcionam os transportes públicos, aprender palavras básicas, entender a sua linguagem corporal etc. Depois copio gestos e peço ajuda se houver algo que não consigo perceber o porquê de se fazer. Não preciso de fazer algo com o qual não me sinta confortável ou não concorde. Contudo, estar-se aberto é crucial.

Duas semanas depois já me sinto integrada. Agarro qualquer oportunidade que tenho de falar com os locais sobre a sua cultura, tradições, hábitos e forma de pensar. Ainda que por vezes seja difícil a comunicação, há sempre alguma coisa que se aprende. Por fim, junto toda essa informação preciosa que me dá um pouco de conhecimento sobre os sítios e as suas pessoas.

Para mim, o autêntico significado de viajar é conhecer outras perspectivas de vida e integrar o melhor de cada uma na minha própria vida. Para ti, o que significa viajar?

 

El auténtico significado de viajar (ES)

No creo que haya una forma correcta o equivocada de viajar. Cada persona tiene diferentes objetivos con sus viajes, buscando experiencias subjetivas. Algunas personas no se relacionan con los ciudadanos locales y son más introspectivas, experimentando el viaje desde un punto de vista espectador. Otros hablan con los locales, si pueden comunicarse con ellos, haciendo preguntas y pidiendo consejos. Otras consiguen relacionarse con los locales, tienen acceso a sus vidas privadas y acaban por crear relaciones de amistad. Yo busco tener una mezcla de todas estas formas de viajar, dependiendo de la fase en que me encuentro o de mi disponibilidad psicológica para socializar. Mi forma de viajar no es mejor o peor que cualquier otra. Es sólo la forma que mejor funciona para mí y aquella con la que más me siento alineada.

En el Sudeste Asiático me advirtieron varias veces sobre los peligros de visitar algunos países que estaban en mi lista. En Tailandia me aconsejaron tener mucha precaución al viajar en Vietnam. En Malasia me aconsejaron eliminar a Camboya de mi lista por ser una chica viajando sola. No les hago mucho caso. Nunca me sentí en peligro en ninguno de mis destinos. Sí, hay situaciones extrañas; fui testigo de escenas extrañas al atravesar por tierra las fronteras de algunos países y fui engañada con dinero falso un par de veces. Hay personas honestas y deshonestas en todos los países. Puedo decir que ya me sentí más insegura y con más miedo en mi propio país que en cualquier otra parte del mundo. Cuando estudiaba en Lisboa, fui perseguido y casi fui atracada más de una vez. A veces llevar mi ordenador en la mochila, en algunas partes de la ciudad, me dejaba muy nerviosa.

Antes de venir a la India, por donde estoy viajando ahora, oí (similar a lo que me dijeron en el Sudeste Asiático) que no era un país seguro para las mujeres que viajan solas. Oí tantas veces decir que hay muchos casos de violaciones, que los hombres miran mucho a las mujeres (turistas) lo que las deja muy incómodas, que yo tendría un choque cultural, etc. No existe opinión que pueda sustituir a tu propia experiencia. Y mi experiencia aquí por ahora me dice que no sólo los hombres, como también las mujeres, miran de hecho mucho para mí, porque soy diferente de ellos. Ellos miran con curiosidad. Nuestros tonos de piel son diferentes, nuestras características son diferentes y nuestros modos también son diferentes. Yo lo llamo una mirada curiosa. Y luego les ofrezco una sonrisa enorme que siempre es correspondida. Cualquier incomodidad se deshace inmediatamente con este acto. Somos en el fondo todos iguales, todos somos seres humanos y la sonrisa nos acerca. También abre oportunidades para conversaciones, para pedidos de “selfies” o incluso para pedir un abrazo. Si esto es demasiado, siempre hay la posibilidad de seguir caminando sin dar respuesta.

Mi forma de viajar implica estar alerta y relajada al mismo tiempo. Es necesario mucho sentido común y algunos conocimientos para saber si estamos en una situación peligrosa o si son sólo nuestra imaginación y nuestros prejuicios los que nos hacen pensar que algo no está bien. El sentido común me dice que pasear por una calle oscura y vacía en medio de la noche no es buena idea, que es bueno tener el control de la situación (sin que haya obsesión) y que hay que estar atenta a las personas que me rodean. Exactamente lo mismo que hago en mi país y hasta en mi ciudad. Tener control significa que puedo aceptar la invitación para la fiesta alguien que acabo de conocer a la vez siendo responsable lo suficiente para mantenerme sobria. Así a la vez que me divierto sé que recordaré aquellos momentos para siempre.

Soy de hecho una viajera relajada. No me recuerdo de estar preocupada por lo que sea en mis viajes solitarios. Una vez estaba en el aeropuerto de Kuala Lumpur a punto de embarcar rumbo a mi próximo destino: Vietnam. El personal de la compañía no me permitió entrar en el avión porque aparentemente necesitaba una solicitud de visa a la llegada (cada compañía tiene sus reglas). Recuerdo que me senté en el suelo, abrí mi ordenador y empecé a buscar los vuelos más baratos disponibles en ese momento. En 20 minutos tenía otro destino. En vez de a Vietnam volé a Langkawi, una isla maravillosa en Malasia. Ser relajada me permite ser bastante flexible con fechas, eventos y lugares. De este modo nada arruina mis planes porque siempre siento que  voy exactamente a los sitios donde debería haber ido. Tener demasiados planes y alojamientos marcados puede limitar la experiencia. Para mí, siempre hay la posibilidad de quedarme unos días más en un sitio si me parece necesario o por el contrario quedarme sólo medio día en un lugar que no me entusiasma.

En mi opinión, lo más importante es estar integrada lo máximo posible en las diferentes culturas. En los primeros días observo los locales para ver cómo cruzan la carretera, cómo comen, cómo funcionan los transportes públicos, para aprender palabras básicas, entender su lenguaje corporal, etc. Después copio gestos y pido ayuda si hay algo que no puedo percibir cómo se hace. No necesito hacer algo con lo que no me sienta cómodo o no esté de acuerdo. Sin embargo, estar abierto es crucial.

Dos semanas después me siento integrada. Agarro cualquier oportunidad que tengo de hablar con los locales sobre su cultura, tradiciones, hábitos y formas de pensar. Aunque a veces sea difícil la comunicación, siempre hay algo que aprender. Por fin, junto a toda esa información preciosa que me da un poco de conocimiento sobre los sitios y sus personas.

Para mí, el auténtico significado de viajar es conocer otras perspectivas de vida e integrar lo mejor de cada una en mi propia vida. ¿Cuál es tu significado de viajar?

Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose?

Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose? (EN)

Moda por un lado y ideales por el otro, tendré que elegir? (ES)

Moda por um lado, ideais por outro, terei que escolher? (PT)

É possível estar comprometid@ com valores sociais & meio ambientais e ao mesmo tempo ser apaixonad@ por moda?

Desde a perspectiva ambiental, o ciclo de consumo de recursos naturais, a contaminação e a produção de resíduos gerados pela indústria da moda são um problema grave com sérios efeitos no planeta. Pelo lado da dimensão humana e social, a roupa é muitas vezes manufaturada em países em vias de desenvolvimento que carecem de leis de trabalho para garantir que os trabalhadores recebam salários dignos e trabalhem sob boas condições de segurança, higiene e saúde.

Mas isto não é razão para desanimar-se! O problema não se vai solucionar sozinho e o melhor é que todos podemos contribuir para revertê-lo. Tendemos a pensar que as nossas decisões não são tão importantes porque no final de contas os culpados destas calamidades são as grandes empresas e os monstros industriais, isso está certo.. e também errado.  Os gigantes da indústria tem uma grande responsabilidade, é verdade, mas o nosso papel também é muito importante.

Cada vez que consumimos votamos a favor de algo e dizemos ao mercado que continue, que “isso” é o que queremos. Igualmente, de cada vez que não compramos algo mostramos que “isso” não nos serve, que não é o que queremos. Estas parecem ser razões suficientes para consumir de acordo com os valores que defendemos, certo? Vamos consumir (ou não consumir) conscientemente, deixando claro aquilo com que concordamos e aquilo com que não estamos de acordo.

Se gostas tanto de moda como eu, deves saber que tens muitas opções, não só para usar moda de acordo com os teus valores éticos mas também para ajudar o movimento “slow fashion” a crescer em detrimento da chamada “fast fashion”.

a. Usa o usado: Não há dúvida de que uma das opções mais sustentáveis é usar o que já temos ou que já “foi consumido”. Ao comprar “vintage” ou de segunda mão, ao intercambiar roupa com outras pessoas e ao arranjar ou redesenhar coisas que já tens mas que por alguma razão já não usas, estás a “dizer” ao mercado que não é necessário produzir tanto nem tão depressa. Além disso, desta forma podes conseguir peças originais e diferentes do típico top da H&M que adoraste mas que agora vês multiplicado por todo o lado sempre que sais à rua. E sabes que mais? Esta opção tem o “bonus” de ser também amigável para a tua conta bancária!

b. Desacelera: Uma das razões pelas quais a nossa relação com a moda é insustentável é porque compramos demasiado. A moda rápida alimenta o consumismo desenfreado com preços tão baixos que não temos que perguntar-nos se precisamos ou realmente gostamos daquilo que vamos comprar. Os preços baixos da “fast-fashion” parecem, à primeira vista, ser uma vantagem mas realmente são prejudiciais para o ambiente e para as comunidades que fabricam essas roupas. Da próxima vez que sentires o impulso de comprar por comprar, pensa em algo que realmente te faça falta, ou algo que realmente desejas. Calcula quantas coisas baratas, que comprarias num determinado espaço de tempo, terás que deixar de comprar para para poder comprar essa coisa. Faz uma espécie de “jejum de compras” até que tenhas juntado o valor que necessitas para comprá-la. Quando a comprares terás uma coisa à qual darás mais valor durante mais tempo, uma coisa especial com valor acrescentado porque sabes que fizeste um esforço de consumir menos para conseguir algo que realmente querias.

c. Compra aos pequenos: O artesanato está a perder-se e os pequenos negócios não podem competir em preço com as produções em massa. Comprar algo feito à mão, ou de pequenas produções, muitas vezes significa um produto melhor, mais duradouro e mais exclusivo. Comprar local também é uma parte importante desta opção e está geralmente a par com ela. Ao comprar local não só ajudas os negócios mais pequenos a sobreviver e proliferar mas também reduzes o impacto do teu consumo já que esse objecto não teve de ser transportado desde um produtor distante.  

d. Investiga e instiga as marcas: Cada vez há mais marcas com valores éticos e ambientais, e muitas marcas que antes não o faziam começam a oferecer também produtos que têm em conta esses valores. Na era da informação, não é tão difícil estar informad@ sobre que marcas oferecem opções sustentáveis, basta pesquisar no Google. Outra coisa que recomendo é que escrevas às tuas marcas favoritas. Se estas ainda não se abriram às possibilidades da sustentabilidade, diz-lhes que gostarias de continuar a comprar os seus productos mas que para isso têm que oferecer opções cujos materiais tenham um menor impacto e com processos de produção mais transparentes. Pensa que se todos os consumidores interessados comunicarem este tipo de exigências às marcas elas terão que ouvir.

Estas são apenas algumas sugestões daquilo que podes fazer, mas há muitas mais possibilidades. Às vezes o debate sobre a sustentabilidade pode parecer uma discussão exclusiva para especialistas, mas a realidade é que não se trata de um conceito estéril nem fechado. Para que tenha sentido para ti, a sustentabilidade deve poder aplicar-se ao contexto da tua própria vida. Reflete e pensa o que é que tu podes fazer, de certeza que te surgem algumas ideias além daquelas que acabo de partilhar contigo.

A moda sustentável não é uma ideia utópica, é um ideal que pretende ajudar o planeta e os seus habitantes – uma necessidade sobre a qual todos estamos de acordo. As coisas simples que fazemos todos os dias – como vestir-se – podem ajudar a marcar a diferença.


Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose? (EN)

Is it possible to be committed to social & environmental values and at the same time be passionate about fashion?

From the environmental perspective, the cycle of consumption of natural resources, contamination and waste production generated by the fashion industry is a serious problem with severe effects on the planet. From the human and social perspective, clothing is often manufactured in developing countries that lack labor laws to ensure that workers receive decent wages and work under good  safety, hygiene and health conditions.

But this is no reason to be discouraged! The problem is not going to solve itself and the best is that we can all contribute to reverse it. We tend to think that our decisions are not so important because in the end the culprits of these calamities are the big companies and the industrial monsters, that’s right… and also wrong. The industry giants have a great responsibility, it’s true, but our role is also very important.

Each time we consume we vote for something we are telling the market to continue producing, that “this” is what we want. Likewise, every time we do not buy something we show that “that” does not serve us, it is not what we want. These seem to be enough reasons to consume according to the values we stand for, right? Let’s consume (or not consume) consciously, making a point of what we agree with and what we don’t.

If you like fashion as much as I do, you should know that you have many options, not only to use fashion in accordance with your ethical values but also to help the “slow fashion” movement grow to the detriment of the so-called “fast fashion”.

a. Use the used: There is no doubt that one of the most sustainable options is to use what we already have or what has already been “consumed”. When buying “vintage” or second-hand clothes, when you exchange or swap clothes with other people and when you repair or redesign things you already have, but for some reason no longer use, you are “telling” the market that it is not necessary to produce so much nor so quickly. In addition, in this way you can get pieces that are original and different then the typical H&M top that you loved but now you see multiplied everywhere whenever you go out on the street. And you know what? This option has the “bonus” of being also friendly with your bank account!

b. Slow down: One of the reasons why our relationship with fashion is so unsustainable is because we buy too much. Fast fashion feeds rampant consumerism with prices so low that we do not have to ask ourselves if we really need or like what we are buying. The low prices of “fast-fashion” seem to be an advantage at first glance but are actually detrimental to the environment and to the communities that manufacture these clothes. The next time you feel that you are buying by impulse, think of something you really need or want. Calculate how many cheap things that you could buy, in a certain amount of time, you will have to refrain from buying in order to buy this thing. Make a “shopping fasting” until you have put together the value you need to purchase this new item. When you do buy it you will have something that you will value more and for longer, a special thing with added value because you know that you made an effort to consume less in order to get something that you really wanted.

c. Buy from the small guys: Crafts are disappearing and small businesses can’t compete price wise with mass productions. Buying something handmade, or from small productions, often means a better, longer lasting and more exclusive product. Buying local is also an important part of this option and usually goes with it. Buying local not only helps smaller businesses to survive and proliferate but also reduces the impact of your consumption since this item won’t have to be transported from a distant producer.

d. Investigate and instigate the brands: There are more and more brands that seem to have ethical and environmental values, and many other brands that have started offering products that take these values ​​into account. In this age, it is not so difficult to be informed about brands that offer sustainable options, just Google it. Another thing I recommend is that you write to your favourite brands. If they are not opened to the possibilities of sustainability, tell them that you would like to continue to buy their products but in order to do so they have to offer options whose materials have less impact and that have more transparent production processes. Just think that if all interested consumers communicate these types of demands to the brands they will have to listen.

These are just a few suggestions of what you can do, but there are many more possibilities. Sometimes the debate about sustainability may seem like an discussion exclusive to experts, but the reality is that it is not a sterile or closed concept. For sustainability to make sense to you, you must be able to apply it to the context of your own life. Reflect and think what else can you do, for sure you’ll get ideas other than the ones I just shared with you.

Sustainable fashion is not an utopian idea, it is an ideal that aims to help the planet and its inhabitants – a need on which we all agree. The simple things we do every day – like dressing – can help make a difference.


 Moda por un lado y ideales por el otro, tendré que elegir? (ES)

¿Será posible estar comprometido con valores sociales & medioambientales y a la vez amar a la moda?

Desde la perspectiva ambiental, el ciclo de consumición de recursos naturales, contaminación y creación de residuos generados por la industria de la moda es un problema grave con serios efectos en el planeta. Por el lado de la dimensión humana y social, las prendas son muchas veces manufacturadas en países en vías de desarrollo que carecen de suficientes leyes de trabajo para certificar que los trabajadores reciban salarios dignos y trabajen bajo buenas condiciones de seguridad, higiene y salud.

!Pero esto no es para desanimarse! El problema no se va a solucionar sólo y lo mejor es que todos podemos contribuir para revertirlo. Solemos pensar que nuestras decisiones no son tan importantes porque al final los grandes culpables de estas calamidades son las grandes empresas y los monstruos industriales, pero no es así… exactamente. Los gigantes de la industria tienen una gran responsabilidad, es cierto, pero nuestro papel también es muy importante.

Cada vez que consumimos estamos votando a favor de algo, diciendo al mercado que continúe, que eso es lo que queremos. De la misma manera cada vez que no compramos algo estamos demostrando que eso no nos vale, que no es lo que queremos. ¿Entonces por qué no hacerlo de acuerdo con los valores que defendemos? Vamos a consumir (o a no consumir) conscientemente, enviando el mensaje de lo que es aquello con lo que estamos de acuerdo y aquello con lo que no.

Si te gusta la moda tanto como a mi has de saber que tienes un montón de opciones no solo de usar moda de acuerdo a valores éticos sino de hacer que la moda “slow” crezca en detrimento de la “fast”. 

a. Usa lo usado: No hay duda que una de las opciones más sostenibles es usar lo que ya existe. Al comprar “vintage” o segunda mano, al intercambiar ropa con otras personas y al arreglar o rediseñar cosas que ya tenías pero que por alguna razón no servían estás “diciendo” al mercado que no es necesario producir tanto ni tan rápido. Además de esta forma puedes conseguir prendas originales al contrario de la típica camiseta de H&M que te encantó pero que ahora ves multiplicada por ahí siempre que sales a la calle. ¿Y sabes que? !Esta opción tiene el “bonus” de ser también respetuosa con tu cuenta bancaria!!

b. Desacelera: Una de las razones por la cual la nuestra relación con la moda es insostenible es por que compramos demasiado. La moda rápida alimenta el consumismo desenfrenado con precios tan bajos que no tenemos que preguntarnos si necesitamos o nos gusta realmente la cosa que vamos a comprar. Los precios bajos de la “fast fashion” parecen ser una ventaja a primera vista pero realmente son dañinos para el ambiente y para las comunidades que fabrican esas prendas. La próxima vez que te entre el ímpetu de comprar por comprar piensa en algo que realmente te haga falta, o que realmente desees. Calcula cuántas cosas baratas que comprarías en un determinado espacio de tiempo tendrás que dejar de comprar para conseguir esa cosa. Hazte una especie de “ayuno de compras” hasta que hayas juntado el valor que necesitas para comprarlo y cuando lo compres tendrás una cosa que valorarás durante bastante más tiempo, una cosa especial con valor añadido porque sabes que has consumido menos para conseguir obtener lo que realmente querías.

c. Compra a los pequeños: Las artesanías se están perdiendo y los pequeños negocios no pueden competir en precio con las producciones en masa. Comprar hecho a mano o de pequeñas producciones muchas veces significa un producto mejor, más duradero y más exclusivo. Comprar local también es una parte importante de esta opción y está generalmente a par con ella. Al comprar local no sólo estás ayudando al pequeño negocio a sobrevivir y proliferar sino que también estás reduciendo el impacto de tu consumo ya que esa compra no tuvo que ser transportada tan lejos del productor hasta ti.

d. Investiga y instiga las marcas: Cada vez hay más marcas con valores éticos y ambientales y muchas marcas que antes no lo hacían empiezan a ofrecer productos más respetuosos. En la era de la información informarse sobre qué marcas ofrecen opciones sostenibles no es tan difícil, basta con buscarlo en Google. Otra buena opción es escribir a tus marcas favoritas, si estas aún no se han abierto para las posibilidades de la sostenibilidad diles que te gustaría seguir comprando sus productos pero que para eso los materiales tienen que ser de menor impacto y las condiciones de fabricación más transparentes. Piensa que si todos los consumidores interesados comunican este tipo de demanda a las marcas ellas tendrán que escuchar.

Estas son apenas algunas sugerencias de lo que puedes hacer, pero hay muchas más posibilidades. A veces la conversación alrededor de la sostenibilidad puede parecer una discusión exclusiva para expertos pero la realidad es que no es un concepto cerrado ni estéril. Para que tenga algún sentido para ti, la sostenibilidad debe poder funcionar en el contexto de tu propia vida. Reflexiona y piensa que es lo que tu puedes hacer, seguro que te surgirán ideas además de las que comparto contigo.

La moda sostenible no es una idea utópica, es un ideal que pretende ayudar al planeta y sus habitantes – una necesidad sobre la cual todos estamos de acuerdo. Las cosas sencillas que hacemos todos los días – cómo vestirse – pueden ayudar a marcar la diferencia!

Little steps towards a better world

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Little steps towards a better world (EN)

I was still in elementary school when I first heard about recycling. The teacher explained how different materials belonged to different bins and that each one of them had a different colour. The green was for glass, the blue was for paper and cardboard, the yellow for plastic and metal and the red one for batteries. Even though most people were already recycling glass (as there were big containers to deposit glass spread throughout the neighbourhoods), the other materials were left out all together in the waste bin.

My generation was probably the first one that learned about it in school. When going home, I tried to explain to my mother that we should separate the trash. Unfortunately living in a small city didn’t give us that option because there were no recycling containers yet. Only a few years later the colourful bins started to be seen. However, there were only a few in the city and we had to drive to places in order to deposit the different materials. So we only recycled sometimes. We didn’t do our part because we had excuses: the bins were too far, we didn’t have much space in the kitchen to pile up the garbage, it would leave the house smelly or the myth that the trash would all end up mixed together at some point.

Only when I moved to Lisbon I started to separate the garbage as my condo had all the proper bins. I had no more excuses. A couple years later I moved to Germany to study. Recycling was taken very seriously over there. There were specific days of the week/ month where the different trash had to be taken outside the house so that a truck would pass by and collect them. If the separation wasn’t well done and for instance the plastic bag had non-plastic items inside, we could be charged with a fine.

Nowadays my hometown has plenty of recycling bins and in Portugal there are currently more than 43 thousand bins spread out to all cities. Slowly people in the western world started waking up for the importance of recycling, reusing and reducing. We have the infrastructures, the information, and the education, which means we shouldn’t have a single excuse not to do so.

Those who know me can testify that I avoid buying plastic at all cost, I bring my own fabric bags to the market and try to buy in bulk when possible. Currently I’m traveling in India and the reality here is very different. Buying bottles of water is something I need to on daily basis as the tap water can lack treatment and therefore is unfit for consumption. I’m not happy at all with the amount of trash I’m generating here and I still avoid plastic bags and straws for the most part. In some places is difficult to find trash bins, let alone recycling bins. The other day I bought a cake that was handed out to me in newspaper, after eating the cake I was searching for a bin and asked someone where I could find one. The answer I got was simply “you can just throw the trash on the floor because someone later will pick it up”. As much as this is not acceptable in my culture I have to be open enough to understand that things here work in another level. The streets are very dirty with all kinds of garbage, people throw waste through the car windows and I constantly step on trash. It becomes the norm after a couple weeks of travel.

I don’t have enough knowledge about the education in India as the only things I know are from asking people I’ve been meeting around. I came to know that in fact they now learn in school about recycling. Also there is a big campaign all over India called “Clean India Mission” and the logotype is Gandhi’s glasses with written “clean” and “India” in each lens to try to get people to place the garbage to where it belongs. India has a population of 1.37 Billion. New Delhi alone has around 11 million inhabitants (the same as Portugal) so I get that it might be very difficult to get everybody on the same page. Some basic needs are not even met for millions of people, let alone the concept of recycling.

In the western world we have the tools to do better, to reuse more, to buy less, to stop using plastic or at least drastically reduce its use. We sure have treated water in most places and buying a good water filter to get the purest form of water is an option. We no longer need to buy plastic bottled water, we can choose to buy the unwrapped fruits and veggies, we can buy in bulk, we can say “no” to plastic bags, straws, sanitary pads and tampons etc. We vote with our money every time we purchase an item. Alternatives are made all the time by big corporations because they will do everything and anything to make us buy their products. We cannot expect them to be the ones to stop selling bananas wrapped up in plastic. We have to take that responsibility ourselves. If they know that their consumers are not buying those bananas due to the plastic, they will take measures.

Recycling is great! But we know that some types of materials are not even recyclable, such as straws, plastic bags, coffee cups, tissues etc. So, better avoid buying it.

I’m not criticizing India by any means, in fact I’m thanking India for my first lesson. What I’m trying to say with this article is how sometimes seeing another realities makes us understand better that our own reality can make improvements too, specially when we have the power and tools to do so.

Here is a list for “zero waste” alternatives to make our lives easier: http://trashisfortossers.com/zero-waste-alternatives-ultimate-lis/

Do you do your part?

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Estava ainda na escola primária quando ouvi falar de reciclagem pela primeira vez. A professora explicou como diferentes materiais pertenciam em contentores específicos e que cada um deles tinha uma cor respectiva. O verde era para o vidro, o azul para o papel e cartão, o amarelo para embalagens e finalmente o vermelho para as pilhas. Ainda que por esta altura a maior parte das pessoas já fizessem reciclagem de vidro (haviam “vidrões” espalhados pelos bairros da cidade), os outros materiais tinham todos o mesmo destino – o contentor do lixo indiferenciado.

A minha geração foi provavelmente a primeira a aprender isto na escola. Quando cheguei a casa tentei explicar à minha mãe que devíamos separar o lixo. Infelizmente viver numa cidade pequena como Évora não nos dava a opção de reciclar por não haverem ainda ecopontos. Só uns anos mais tarde é que os contentores coloridos começaram a aparecer na cidade. No entanto, os contentores eram poucos e tínhamos que ir de carro até eles para depositar os diferentes materiais. Por essa razão só reciclavamos de vez em quando. Não fazíamos a nossa parte porque tinhamos desculpas: os ecopontos estavam longe, não havia espaço suficiente na cozinha para acumular lixo, a casa ficava com mau cheiro, ou o mito de que nem valia a pena separar o lixo pois no fim das contas este acabaria todo no mesmo sítio. Só quando fui morar para Lisboa comecei de facto a fazer reciclagem.  Como no meu condomínio havia ecopontos não tinha desculpa nenhuma .

Um par de anos depois fui estudar para a Alemanha. Reciclar é algo que os alemães levam muito a sério. Haviam dias específicos da semana/ mês onde os diferentes tipos de lixo eram levados para a porta de casa para depois serem recolhidos por camiões. Se a separação do lixo não fosse bem feita e ,por exemplo, o saco do plástico contivesse algo que não fosse plástico, podíamos ter que pagar uma multa.

Hoje em dia, a minha cidade natal já tem vários ecopontos. E por todo o país estão espalhados cerca de 43 mil contentores. Devagarinho as pessoas do mundo ocidental começam a acordar para a importância da reciclagem, reutilização e redução. Temos as infra-estruturas, a informação e a educação, o que significa que não temos qualquer desculpa para não o fazer.

Aqueles que me conhecem sabem que tento evitar a todo o custo comprar itens que contenham plástico, levo os meus sacos de pano para o mercado e tento comprar a granel sempre que possível. De momento encontro-me a viajar pela Índia e a realidade deste lado é muito diferente. Comprar garrafas de água é algo que tenho de fazer diariamente, já que a água da torneira não está tratada e é imprópria para consumo. Fico triste com a quantidade de lixo que estou a gerar aqui e tento ao máximo evitar sacos de plástico e palhinhas. Em alguns lugares é difícil de encontrar contentores ou caixotes do lixo, quanto mais ecopontos. No outro dia comprei um bolo que vinha embrulhado num jornal, depois de comer o bolo não encontrei nenhum caixote para colocar o lixo e decidi perguntar a alguém o que fazer, ao que me foi respondido “podes atirar o lixo para o chão pois mais tarde alguém virá limpar-lo”. Por mais que isto não seja aceitável na minha cultura tenho que ser aberta o suficiente para perceber que as coisas aqui acontecem a um nível diferente. As ruas estão extremamente sujas com todo o tipo de lixo, as pessoas atiram coisas pelas janelas dos carros e ando constantemente a pisar lixo. Torna-se normal depois de umas semanas de viagem.

Não tenho conhecimento suficiente sobre o sistema de educação na Índia e o pouco que sei é através de perguntas que faço a pessoas que vou conhecendo. Aprendi que de facto os indianos já começam a aprender na escola sobre a importância da reciclagem. Há também uma campanha por toda a Índia, com o fim de incentivar as pessoas a colocarem o lixo nos seus devidos locais. Chama-se de “Clean India Mission” ( Missão Índia Limpa) e o logótipo são os óculos do Gandhi com as palavras “Índia” e “Limpa” em cada lente, Na índia vivem cerca de 1.37 Biliões de pessoas. Só Nova Deli tem 11 Milhões de habitantes, os mesmos que em Portugal inteiro, por isso eu entendo o quão difícil é fazer com que  tanta gente colabore para um mesmo fim. Milhões de pessoas não têm sequer acesso a algumas das necessidades básicas, é normal que não percebam a importância da reciclagem.

No mundo ocidental temos os mecanismos para melhorar, reutilizando mais, comprando menos, parando de usar plástico ou pelo menos reduzindo drasticamente o seu uso. Temos água tratada na maior parte dos sítios e podemos adquirir um bom filtro para ter água ainda mais pura. Não há necessidade de comprar garrafas de água, podemos escolher não comprar vegetais e frutas que venham embalados em plástico, podemos comprar a granel, podemos dizer “não” aos sacos de plástico, palhinhas, pensos higiénicos e tampões, etc. Votamos, com o nosso dinheiro, de cada vez que compramos um item. As grandes corporações criam alternativas a toda a hora, pois o que lhe interessa é vender e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para que compremos os seus produtos. Não podemos esperar que sejam eles a parar de vender bananas embaladas em plástico. Temos que ser nós, consumidores, a tomar a responsabilidade de diminuir a demanda. Se eles souberem que os seus consumidores não compram aquelas bananas por causa do plástico, tomarão medidas.

Reciclar é ótimo! Mas também sabemos que alguns tipos de materiais não são recicláveis como por exemplo as palhinhas, os sacos de plástico, os copos de café, as toalhitas etc. Por isso nada melhor que evitar o seu consumo.

Não quero criticar a Índia de forma alguma, de facto agradeço ter aprendido aqui esta primeira lição. O que quero dizer com este artigo é que, às vezes, ver outras realidades faz-nos entender melhor a nossa própria realidade e podemos melhorá-la também, especialmente quando temos o poder e as ferramentas para o fazer.

Aqui vão algumas alternativas “desperdício zero”  para um mundo melhor: https://mindthetrash.pt/category/alternativas-ao-plastico/?fbclid=IwAR3ZmPm_fm6ZE_ws4zrVPL5IjsYr1Ebrn13m7y6G6CPYr0lp2IxX4X8VbVQ

E um podcast bastante esclarecedor sobre reciclagem: https://sofiadeassuncao.com/podcast-ana-milhazes/

E tu, fazes a tua parte?

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Estaba en la escuela primaria cuando oí hablar de reciclaje por primera vez. La profesora explicó cómo diferentes materiales pertenecían en contenedores específicos y que cada uno de ellos tenía un color respectivo. El verde era para el cristal, el azul para el papel y el cartón, el amarillo para los embalajes y el rojo para las pilas. Aunque la mayoría de las personas ya hacían reciclaje de vidrio (había contenedores verdes repartidos por los barrios de la ciudad), los demás materiales acababan  todos el contenedor de la basura indiferenciada.

Mi generación fue probablemente la primera en aprender esto en la escuela. Cuando llegué a casa intenté explicar a mi madre que debíamos separar la basura. Desgraciadamente vivir en una pequeña ciudad como Évora no nos daba la opción de reciclar por no haber aún puntos de recorrida. Sólo unos años más tarde, los contenedores de colores comenzaron a aparecer en la ciudad. Sin embargo, los contenedores eran pocos y teníamos que ir en coche para reciclar los diferentes materiales. Por esa razón sólo reciclabamos a veces. No hacíamos nuestra parte porque teníamos disculpas: los contenedores estaban lejos, no había suficiente espacio en la cocina para acumular basura, la casa casa olía, o el mito de que no valía la pena separar la basura pues al final todo acabaría en el mismo sitio. Sólo cuando me mudé a Lisboa empecé realmente a hacer reciclaje. Como en mi edifício (incluso en mi planta) había contenedores de recicláge, no tenía excusa alguna.

Un par de años después fui a estudiar a Alemania. Reciclar es algo que los alemanes toman muy en serio. Había días específicos de la semana para dejar  los diferentes tipos de basura en la puerta de casa, luego serían recogidos por camiones. Si la separación de la basura no estaba bien hecha y, por ejemplo, la bolsa del plástico contenía algo que no fuera plástico, podríamos tener que pagar una multa.

Hoy en día, mi ciudad natal ya tiene un buen sistema de reciclaje. Y por todo el país están repartidos cerca de 43 mil contenedores. La gente del mundo occidental empieza a despertar para la importancia del reciclaje, la reutilización y la reducción. Tenemos las infraestructuras, la información y la educación, lo que significa que no tenemos ninguna excusa para no hacerlo.

Aquellos que me conocen saben que intento evitar a toda costa comprar artículos que contengan plástico, llevo mis bolsas de tela al mercado y trato de comprar a granel siempre que posible. De momento estoy viajando por India y la realidad de este lado es muy diferente. Comprar botellas de agua es algo que tengo que hacer diariamente, ya que el agua del grifo no está tratada y es impropio para el consumo. Me siento triste con la cantidad de basura que estoy generando aquí y trato de evitar bolsas de plástico y pajitas. En algunos lugares es difícil encontrar papeleras, imagina contenedores de reciclaje. El otro día compré un pastel que venía envuelto en un periódico, después de comer el pastel no encontré ninguna papelera para tirar la basura y decidí preguntar a alguien donde que hacer, a lo que me contestaron “puedes tirar la basura al suelo, más tarde alguien vendrá a limpiarlo”. Por más que esto no sea aceptable en mi cultura, tengo que ser abierta lo suficiente para percibir que las cosas aqui suceden a un nivel diferente. Las calles están extremadamente sucias con todo tipo de basura, la gente tira cosas por las ventanas de los coches y voy pisando basura constantemente. Se hace normal después de unas semanas.

No tengo suficiente conocimiento sobre el sistema de educación en la India y lo poco que sé es a través conversaciones con personas que voy conociendo. Aprendí que, de hecho, los indios ya aprenden sobre la importancia del reciclaje en la escuela . Hay también una campaña por toda la India, con el fin de alentar a las personas a colocar la basura en sus debidos lugares. Se llama “Clean India Mission” y el logotipo son las gafas de Gandhi con las palabras “India” y “Limpia” en cada lente. En la India viven alrededor de 1.37 millones de personas, Nueva Delhi tiene 11 millones de habitantes, lo misma cantidad que Portugal entero, por lo que entiendo lo difícil que es hacer que tantas personas colaboren en algo. Millones de personas no tienen siquiera acceso a algunas de las necesidades básicas, es normal que no perciban la importancia del reciclaje.

En el mundo occidental tenemos los mecanismos para mejorar, reutilizando más, comprando menos, dejando de usar plástico o al menos reduciendo drásticamente su uso. Tenemos agua tratada en la mayoría de los sitios y podemos adquirir un buen filtro para tener agua aún más pura. No hay necesidad de comprar botellas de agua, podemos elegir no comprar vegetales y frutas que vengan envasados ​​en plástico, podemos comprar a granel, podemos decir “no” a las bolsas de plástico, pajitas, compresas y tampones, etc. Votamos, con nuestro dinero, cada vez que compramos un artículo. Las grandes corporaciones crean alternativas porque les interesa vender y hacen todo lo que esté a su alcance para que compremos sus productos. No podemos esperar que sean ellos a dejar de vender plátanos envasados ​​en plástico. Tenemos que ser nosotr@s, l@s consumidor@s, a tomar la responsabilidad de disminuir la demanda. Si ellos saben que sus consumidores no compran esos plátanos a causa del plástico, tomarán medidas.

¡Reciclar es genial! Pero también sabemos que algunos tipos de materiales no son reciclables, como por ejemplo las pajitas, las bolsas de plástico, los vasos de café descartables, las toallitas, etc. Por eso nada mejor que evitar su consumo.

No quiero criticar a la India de ninguna manera, de hecho agradezco haber aprendido aquí esta primera lección. Lo que quiero decir con este artículo es que a veces ver otras realidades nos hace entender mejor nuestra propia realidad y podemos mejorarla también, especialmente cuando tenemos el poder y las herramientas para hacerlo.

Aquí está una lista de productos “sin desperdicio” alternativos para simplificar un poco nuestras vidas: http://orgranico.com/recopilatorio-11-alternativas-zero-waste/

Y tú, haces tu parte?

What happened when I stopped wearing a bra

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

O que aconteceu quando deixei de usar sutiã (PT)

Quando era miúda, ainda nem me tinham começado a crescer as maminhas e já dizia à minha mãe que queria usar sutiã. Lembro-me perfeitamente do primeiro conjuntinho de roupa interior, com cuequinha e top, que a minha mãe me comprou. Nesse dia fiz questão de posar para uma sessão de fotos caseira, vestida com esse conjunto e usando as minhas sandálias de salto alto (que tinham apenas três centímetros). Essas fotos vivem nalgum dos álbuns de família.

Comecei então a usar sutiã (ou algo parecido) quando ainda nem tinha mamas para ‘suster’. A pouco e pouco o seu uso começou a ser cada vez mais frequente – à medida que as minhas mamas também cresciam – até que passou a ser constante. Sair à rua sem sutiã passou a ser tão impensável como sair de casa sem cuecas. Sem sutiã sentia-me nua e desprotegida. Além disso durante muito tempo usei sutiãs que davam aos meus seios o aspecto que eu achava que eles deviam ter. O tamanho (maiores), forma (mais redondos) e localização (mais para cima) que eu achava que me fazia parecer mais desejável. Os sutiãs que usava davam volume através de esponjas e enchimentos, que apertavam os peitos em direcção ao centro e os puxavam para cima através de caixas com aros e muitos apertos.

Por outro lado, com o passar do tempo, o uso do sutiã começou a trazer cada vez mais desconforto. Ao ponto de ser a primeira coisa que tirava quando chegava a casa (muitas vezes até antes de descalçar os sapatos). A pouco e pouco deixei de usar sutiãs com “enchimento” e depois deixei de usar sutiãs com caixa. Durante uns anos usei sutiãs que se pareciam um pouco aos primeiros tops que a minha mãe me comprou quando era miúda, só que com tecidos e formas mais sexys e muito menos infantis. Ainda assim esses tecidos não eram a coisa mais confortável para mim, e os elásticos ainda apertavam.

Há um par de anos comecei a deixar de vestir o sutiã para ir à rua quando saía para fazer algo rápido, como deitar o lixo no contentor ou ir comprar algo à mercearia ao final da minha rua. Ao princípio sentia a tal sensação de nudez, de que estava a fazer algo errado ou até um pouco vergonhoso. Depois percebi que aquela sensação não era mais que isso, uma simples sensação, sem razão real. Essa sensação foi-se desvanecendo, e comecei a transgredir a norma cada vez mais vezes. Transgredir era exactamente o que comecei a sentir que fazia, cada vez que saía de casa sem o sutiã. Também essa sensação se foi desvanecendo, até que um dia percebi que não fazia sentido vestir algo que fisicamente me causava tanto desconforto.

Decidi deixar de usar sutiã no final do Inverno há dois anos atrás. Depois de um par de meses, livre de apertos, mas com várias camadas de roupa que ajudavam a que não se notasse tanto a falta dessa peça de roupa, veio o tempo dos tops, vestidos e t-shirts. Veio o tempo de assumir realmente a minha decisão. Agora era bastante evidente que não usava sutiã. O relevo dos meus mamilos era perceptível às vezes, a localização real dos meus seios também (uns bons três ou quatro centímetros mais abaixo da sua versão ‘sustentada’). O que a princípio causou algum constrangimento tornou-se verdadeiramente libertador. Além disso comecei a usar algumas peças de roupa que até então não usava porque não me agradava a forma como o sutiã ficava visível.

Antes de ter deixado de usar sutiã já era frequente fazer “top-less” na praia, depois deixou de me fazer qualquer sentido usar a parte superior do bikini. Só havia uma ocasião na qual ainda usava sutiã: para correr e fazer exercício. Ainda acreditava no mito que o peito podia sofrer algum tipo de lesão causada pelo seu livre movimento durante saltos e movimentos mais bruscos. Cerca de um ano depois de ter deixado de usar sutiã no dia-a-dia decidi sair para correr sem o sutiã desportivo porque não tinha nenhum lavado. Tal foi a minha surpresa quando, ao correr, o movimento não me causou nenhum tipo de dor nem desconforto. Quando há uns anos atrás até com o sutiã me doía o peito ao correr ou saltar!

Desde então sou 100% “bra free”. Desde então as minhas mamas estão mais firmes (apesar de já ter passado dos 30) e nunca mais ficaram doloridas depois de uma corrida. “Bra free” é como o movimento “barefoot” mas para as mamas, é mais um tipo de minimalismo, trata-se se eliminar algo que, no meu caso pelo menos, não trazia nenhum benefício mais além da prescrição social.

Alguns estudos apontam para a relação entre o uso de sutiãs e o cancro de mama, e já são muitas as plataformas que preconizam que deixar o sutiã não só traz conforto mas também pode ajudar a acabar com alguns tipos de dores de cabeça e de costas, melhorar a respiração e aumentar a auto-estima, entre outros benefícios. Eu tenho o peito pequeno, bem sei, mas não pensem que só as pessoas com o peito pequeno podem ser “bra free”. Na verdade há pela internet fora vários relatos, de mulheres com mamas de todos os tamanhos, que contam como o abandono dos sutiãs melhorou a sua qualidade de vida.

Afinal para que servem os sutiãs? Sutiã, vem do francês “soutien” que significa apoio ou suporte. Em português, apesar de não muito usado, outro nome para esta peça de roupa interior é “porta-seios” e a sua definição no dicionário é: Peça de vestuário feminino destinado a acomodar, acondicionar ou apoiar os seios”. Mas na realidade parece haver alguns indícios de que os seios afinal não beneficiam do suporte artificial.

Usamos sutiã porque aprendemos que é uma peça de roupa indispensável e normalmente não questionamos a sua real necessidade. Usamo-lo porque, na nossa sociedade, há uma dessas regras não escritas que diz que os mamilos femininos são ofensivos ou libidinosos e por isso merecedores de censura, ao passo que os mamilos masculinos não. A sociedade também dita que as mamas se querem bem puxadas para cima (para agradar à vista) mas sem que se movam demasiado (para não chamar demasiado a atenção para si mesmas?!).

Há mulheres que gostam de usar sutiã ou não se sentem cómodas sem ele. O propósito do movimento “Bra free” (e deste artigo) não é fazer com que todas as mulheres deixem de usar sutiã, nem muito menos criticar as que não abdicam desta peça de roupa, mas sim defender a liberdade de escolha para usar ou não sutiã, sem ter a preocupação da aceitação social, nem a pressão de mitos sem fundamento.

Estudos sobre o uso de sutiã e a sua relação com o cancro

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Alguns relatos de mulheres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

Indícios de que os seios não precisam de suporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

My chest was still completely flat when I started asking my mother if I could get a bra.  I remember perfectly the first set of underwear with panties and top that she bought me. On that same day I posed for a homemade photo shoot, wearing that set and my high-heeled sandals (which were actually only three centimetres high). These photos live somewhere in one of the many family photo albums.

So I started wearing a bra (or something alike) when I did not even had breasts to be ‘hold’. Little by little the use of this piece of clothing became more frequent – as my breasts also grew – until it became constant. Getting out to the street without a bra became as unthinkable as going outside without panties. Without bra I felt naked and unprotected. Also for a long time I wore bras that gave my breasts the looks I thought they should have. The size (larger), shape (more rounded) and location (higher up) that I thought made me look more desirable. The bras I wore created volume through sponges and fillers, tightened my breasts toward the center and pulled them up through wires and grips.

On the other hand, as time passed by, the use of the bra began to bring more and more discomfort. To the point of being the first thing I took off when I got home (often even before taking my shoes off). I then avoided wearing “filled” bras and afterwards stopped using underwired bras. For some years I wore bras that looked more like the first tops my mother bought me when I was a small girl, but with sexier fabrics and shapes. Yet these fabrics were not the most comfortable thing for me as the elastic bands were tightened .

A couple years ago I slowly stopped wearing bra when going out to do something fast, such as taking out  the trash or running some errands at the end of my street. At first I felt a sense of nakedness and that I was doing something wrong or even a little bit shameful. Then I realised that the sensation was just that, a simple sensation, with no real reason. That feeling faded, and I began transgressing more and more often. Transgressing was exactly what I felt I was doing every time I left home without my bra. That feeling also faded away, until one day I realised that it no longer made sense to wear something which physically caused me so much discomfort.

I decided to stop wearing bra two years ago, by the end of the winter. After a couple of months of freedom, but with several layers of clothing that helped concealing the lack of that piece of clothing, there came the tops, dresses and t-shirts season. The time to really put up with my decision had come. Now it was pretty obvious that I was not wearing a bra. The shape of my nipples was noticeable at times, the actual location of my breasts too (a good eight or nine inches lower than their ‘sustained’ version). What initially caused some embarrassment became truly liberating. Plus I started wearing some clothes that I had not used before because I did not like the way the bra was visible when I wore them.

Even before I stopped wearing bras I would go top-less on the beach, but now it was just nonsense to wear a full bikini. There was only one occasion when I still wore a bra: for running and exercising. I still believed in the myth that the breasts could suffer some kind of injury caused by its free movement during jumps and more abrupt movements. One day, about a year after I had stopped wearing a bra on a daily basis, I decided to go jogging without a sports bra. And I was really surprised that when running, the movement did not cause me any kind of pain or discomfort. Only the year before I would get my breasts sore when running or jumping!

Since then I am 100% “bra free”. Since then, my breasts are firmer (though I’m past 30) and never got sore again after a jog. “Bra free” is like the “barefoot movement” but for the breasts, it is one more type of minimalism, it is about eliminating something that, in my case at least, did not bring any benefit beyond the social prescription.

Some studies point to the correlation between the use of bras and breast cancer, and there are already many platforms that advocate that ditching the bra brings not only comfort but can also help to fix some types of headaches and backaches, improve breathing and increases self-esteem, among other benefits. I know I have a small pair of daisies, but do not think that only people with small boobs can be “bra free”. In fact there are a few online personal testimonies of women, with all breasts sizes, who explain how ditching the bra improved their lives.

So, what are bras for? “Bra” is short for “brassiere” that comes from the French word “brassière” – shoulder strap (17c.) – and/or from the Old French braciere – arm guard (14c.). Its definition in the dictionary is: “a piece of women’s underwear that supports the breasts.” Well, in reality there seems to be some evidence that the breasts ultimately do not benefit from artificial support.

We wear bras because we learn that it is an indispensable garment and we do not normally question its real need. We use it because in our society there is one of these unwritten rules that says that female nipples are offensive or libidinous, and therefore worthy of censorship, while male nipples are not. Society also states that breasts should be pulled up (to please the eye) but should not move too much (as so not to draw too much attention to themselves?!).

There are women who like to wear a bra or do not feel comfortable without it. The purpose of the “Bra free” movement (and this article) is not to make all women stop wearing bras, let alone criticise those who do not give up this garment. But to defend the freedom of choice of either wearing or not wearing bra, without the concern of social acceptance nor the pressure of unsubstantiated health myths.

Studies on the use of bra and its relation with cancer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

 “Bra Free” platforms

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Bra Free women testimonies

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Evidence that breasts do not need support

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

Aún no me habían empezado a crecer las tetitas cuando empecé a decir a mi madre que quería usar sujetador. Recuerdo el primer conjunto de ropa interior con braguitas y top que mi madre me compró. En ese día quise hacer una sesión de fotos casera, vestida con ese conjunto y usando mis sandalias de tacón alto (que tenían sólo tres centímetros). Esas fotos viven en alguno de los muchos álbumes de familia.

Empecé entonces a usar sujetador (o algo parecido) cuando aún no tenía tetas para ‘sostener’. A poco y poco su uso empezó a ser cada vez más frecuente – a medida que mis pechos también crecían – hasta que pasó a ser constante. Salir a la calle sin sujetador pasó a ser tan impensable como salir de casa sin bragas. Sin sujetador me sentía desnuda y desprotegida. Además, durante mucho tiempo usé sujetadores que daban a mis senos el aspecto que creía que debían tener. El tamaño (más grande), la forma (más redondos) y la ubicación (más arriba) que creía que me hacía parecer más deseable. Los sujetadores que usaba daban volumen a través de esponjas y rellenos, apretaban los pechos hacia el centro y los empujaban hacia arriba a través de cajas con aros y muchos aprietos.

Por otro lado, con el paso del tiempo el uso del sujetador comenzó a traer cada vez más incomodidad. Al punto de ser la primera cosa que me quitaba al llegar a casa (muchas veces hasta antes de quitarme los zapatos). A poco y poco dejé de usar sujetadores con “relleno” y luego dejé de usar sujetadores con caja. Durante unos años usé sujetadores que se parecían a los primeros tops que mi madre me compró cuando era niña, pero con tejidos y formas más sexys y mucho menos infantiles. Sin embargo, esos tejidos no eran la cosa más cómoda para mí, y las gomas todavía aprietaban.

Hace un par de años empecé a dejar de poner el sujetador cuando salía para hacer algo rápido, como tirar la basura o ir a comprar algo a la frutería al final de mi calle. Al principio sentía esa sensación de desnudez, de que estaba haciendo algo malo o vergonzoso. Después percibí que aquella sensación no era más que eso, una simple sensación, sin razón real. Esta sensación se desvaneció, y empecé a transgredir la norma cada vez más veces. Transgredir fue lo que pasé a sentir que hacía, cada vez que salía sin el sujetador. También esa sensación se fue desvaneciendo, hasta que un día percibí que no tenía sentido vestir algo que físicamente me causaba tanto incomodidad.

Decidí dejar de usar sujetador al final del Invierno, hace dos años. Después de un par de meses, libre de apretones, pero con varias capas de ropa que ayudaban a que no se notara tanto la falta de esa prenda, vino el tiempo de los tops, de los vestidos y las camisetas. Vino el tiempo de asumir realmente mi decisión. Ahora era bastante evidente que no usaba sujetador. El relieve de mis pezones era perceptible a veces, la ubicación real de mis senos también (unos buenos tres o cuatro centímetros más abajo de su versión “sujetada”). Lo que al principio causó cierta vergüenza se volvió verdaderamente liberador. Además, empecé a usar algunas prendas que hasta entonces no usaba porque no me gustaba la forma cómo el sujetador quedaba visible.

Antes de dejar de usar sujetador ya era frecuente hacer “top-less” en la playa, pero después dejó de hacer cualquier sentido usar la parte superior del bikini. Sólo había una ocasión en la que todavía usaba sujetador: para correr y hacer ejercicio. Todavía creía en el mito que el pecho podía sufrir algún tipo de lesión causada por su libre movimiento durante saltos y movimientos más bruscos. Um dia, al cabo de un año después de haber dejado de usar sujetador en el día a día, decidí salir para correr sin el sujetador deportivo. Tal fue mi sorpresa cuando al correr el movimiento no me causó ningún tipo de dolor ni molestia. ¡Cuando un año antes hasta con el sujetador me dolía el pecho al correr o saltar!

Desde entonces soy 100% “bra free”. Desde entonces mis tetas están más firmes (a pesar de ya haber pasado de los 30) y nunca más quedaron doloridas después de una carrera. “Bra free” es como el movimiento “barefoot” pero para las tetas, es más un tipo de minimalismo, se trata de eliminar algo que, en mi caso por lo menos, no traía ningún beneficio más allá de la prescripción social.

Algunos estudios apuntan a la relación entre el uso de sujetadores y el cáncer de mama, y ​​ya son muchas las plataformas que preconizan que dejar el sujetador trae no sólo comodidad pero también puede ayudar a acabar con algunos tipos de dolores de cabeza y de espalda, mejorar la respiración y aumentar la autoestima, entre otros beneficios. Yo tengo el pecho pequeño, bien sé, pero no piensen que sólo las personas con el pecho pequeño pueden ser “bra free”. En realidad hay por internet fuera varios relatos, de mujeres con tetas de todos los tamaños, que cuentan cómo el abandono de los sujetadores mejoró su calidad de vida.

Al final, para qué sirven los sujetadores? “Sujetador” es algo que sujeta. Otro nombre para esta prenda de ropa interior es “sostén” o sea “cosa que sostiene”… Pero en realidad parecen haber algunos indicios de que los senos al final no se benefician del soporte artificial.

Usamos sujetador porque aprendemos que es una pieza de ropa indispensable y normalmente no cuestionamos su real necesidad. Lo usamos porque en nuestra sociedad hay una de esas reglas no escritas que dice que los pezones femeninos son ofensivos o libidinosos, y por eso merecedores de censura, mientras que los pezones masculinos no. La sociedad también dice que las tetas se quieren bien tiradas hacia arriba (para agradar a la vista) pero también de manera que no se muevan demasiado (para no llamar demasiado la atención hacia sí mismas ?!).

A algunas mujeres les gusta usar sujetador o no se sienten cómodas sin él. El propósito del movimiento “Bra free” (y de este artículo) no es hacer que todas las mujeres dejen de usar sujetador, ni mucho menos criticar a las que no abdican de esta prenda. Sino defender la libertad de elección para usar o no el sujetador, sin tener la preocupación de la aceptación social ni la presión de mitos sin fundamento.

Estudios sobre el uso de sujetador y su relación con el cáncer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

 Algunos relatos de mujeres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Indicios de que los senos no necesitan soporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/