Este artigo é muito questionável

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Tudo começou com um post no Facebook no qual alguém partilhou um artigo que afirmava que mais de 13 mil bebés não estavam a ser vacinados em Portugal e que o sarampo poderia regressar. A mulher que partilhou o artigo intitulou o seu post dizendo “Por favor não deixem de vacinar os vossos filhos!”.

Curiosa por natureza, não consegui ignorar o post mas sim perguntar-me se a mulher que o tinha partilhado teria pensado sobre este tema alguma vez na vida. Então decidi fazer um comentário que não denunciaria a minha posição insignificante sobre este ou outro assunto – “Por favor não se deixem influenciar pelo que os media dizem ou qualquer outra entidade e façam a vossa própria pesquisa sobre vacinas.”. Fui imediatamente inundada de reações, digamos, um tanto ou quanto agressivas por parte de outras mulheres e acusada de ter um pensamento anti-vacina quase criminoso.

O que me levou a escrever este artigo foi o que uma mulher escreveu em resposta ao meu comentário: “O que a leva a pesquisar sobre vacinas?”.

O que é que me faz pesquisar sobre vacinas? Li bem?

Para deixar bem claro, este não é um artigo sobre vacinas mas sim sobre como a maioria das pessoas não se questiona sobre o que quer que seja, incluindo eu por vezes. 

Vamos rebobinar um bom bocado. (Para passar esta mensagem vou generalizar e meter toda a gente no mesmo saco. Algum ego magoado que me desculpe). Vamos voltar àqueles tempos em que éramos crianças pequenas,  na altura em que começámos a aprender o que era “bom” e o que era “mau”. Guiados por aqueles que nos cuidam , somos ensinados através de frases como: “se não fizeres o que te digo és mal comportad@”, “faz isso como eu te estou a dizer”, “faz isso porque eu te estou a dizer e eu sou a tua mãe”, etc., etc. Desde cedo somos encorajad@s a deixar de questionar coisas, a portamo-nos “bem”, a obedecer sem “nem mais uma pergunta”. 

Depois entrámos para a escola. Sentados atrás de uma secretária começamos a obedecer a outra figura, desta vez não pertencente à família. Um@ professor@ que nos guia consoante os seus ideais, formas de pensar e com os seus próprios preconceitos. Ainda não é aqui que nos metem a pensar pelas nossas cabeças. Aprendemos história sem um mínimo de pensamento crítico, somente seguindo livros antiquados. Livros estes aprovados por um governo que nos quer fazer ver as coisas por um determinado prisma (e por consequência cada país pode contar uma história diferente sobre o mesmo evento). Aprendemos a decifrar textos de um poeta famoso da forma que “tem de ser” e não somos encorajados a desenvolver a nossa sensibilidade ou fazer a nossa própria interpretação. E, sem sequer nos apercebermos disso, estamos mais tarde a ponto  de entrar num curso universitário sem nunca ter questionado aquilo que as “autoridades” (família e professores) nos disseram até aqui. Talvez o curso nem é bem aquele que queremos, mas tivemos umas ideias implantadas nas nossas cabecinhas de que daríamos excelentes advogados, engenheiros, médicos, etc. E sem esquecer que aqueles que uma vez foram as nossas “autoridades”, foram ensinados assim como nós por outras “autoridades”.

Mais tarde começamos a interessar-nos por diferentes movimentos e assuntos – política, ambiente, ética, economia. Lemos, ouvimos e absorvemos tudo o que é dito na TV, jornais, por amigos, família, redes sociais, comunidade. Tomamos decisões, votamos, tomamos partido e participamos em discussões. Arranjamos um trabalho e sentimo-nos confortáveis com o horário (não tivéssemos nós sido treinados para isso nos anos de escola). Temos um chefe e mais uma vez estamos preparados para responder a mais uma “autoridade” que nos diz o que fazer. Talvez não tenhamos um chefe porque somos “O/A chefe” mas o que é facto é que as “autoridades” continuam lá – o governo, os bancos, as empresas farmacêuticas, etc.

Ao longo deste tempo, raramente parámos para questionar se o que a nossa mãe disse estava certo, se o que @ professor@ disse fazia sentido, se o que @ chefe disse era duvidoso, se o que o médico disse era a melhor hipótese, se o que o primeiro ministro disse era verdade. Somente assumimos que, aquilo que é dito por alguém hierarquicamente acima de nós, é para o nosso bem, do nosso interesse, e quase nunca refletimos sobre isso.

Outras vezes seguimos o que os nossos pares dizem e fazem, só porque sim. Honestamente não nos culpo… fomos criados dessa forma, bem como os nossos pais e os pais deles e por aí em diante.

Mas isso não significa que devemos deixar que isso continue a acontecer e perpetuar com as futuras gerações. Agora é tempo de acordar (se ainda não acordaste). É hora de começar a questionar se aquilo que te foi ensinado é ou não a verdade. A tua verdade. A verdade que te convém mais, consoante a vida que queres para ti.

Nós humanos estamos muito bem programados para seguir o rebanho:

Exemplo 1 – Sabias que antigamente (há vários séculos atrás), as pessoas pensavam que o planeta Terra era o centro do sistema solar? Quem disse isso? Um astrónomo, aluno do filósofo Platão. Teria ele conhecimento suficiente sobre planetas, estrelas ou via láctea? Sim! Isto significa que tudo o que ele disse sobre esta temática estava correto? Negativo! Seguimo-nos agora por outra teoria chamada de Heliocentrismo? Sim. É essa a verdade? Talvez… até que alguém justifique uma nova.

Exemplo 2 –  Sabias que nos dias de hoje as vacinas são conhecidas como a forma mais eficiente de prevenir doenças? Quem disse isso? A Organização Mundial de Saúde. Terão esses especialistas que trabalham para a OMS conhecimento suficiente sobre vírus, doenças, ADN? Sim! Isso significa que tudo o que eles dizem está correcto? Negativo. Estarão vários interesses e dinheiro envolvido nestas (e noutras) organizações que beneficiam da venda de produtos farmacêuticos? Claro como a água! Haverão vários documentários, pesquisas e entrevistas a médicos e cientistas afirmando que as vacinas podem causar mais danos do que benefícios ? Sim! Estarão certos? Talvez MAS cabe a cada um de nós decidir aquilo em que queremos acreditar depois de realmente nos instruirmos sobre isso.

Voltando à pergunta “O que a leva a pesquisar sobre vacinas?”. O que me leva a pesquisar sobre vacinas ou qualquer coisa que vá meter no meu corpo é saber que, não obstante o que cada especialista diz, há sempre uma possibilidade de que essa não seja a verdade. O que me leva a pesquisar sobre aquilo que como, bebo, visto e aplico na minha pele é saber que por vezes o que as marcas querem não tem como objectivo o nosso bem-estar mas sim fazer dinheiro e talvez manter as farmacêuticas ativas. E por último, o que me leva a pesquisar sobre o que quer que seja é tomar responsabilidade pelas minhas acções e não deixar a minha vida nas mãos de outrem.

Ah e nunca se esqueçam de ver quem foi o autor da pesquisa/ estudo. Terá sido a indústria do leite a conduzir um estudo para afirmar que o leite é bom para a saúde? Ou a indústria do açúcar a conduzir um estudo para culpar a gordura de doenças relacionadas com o excesso de açúcar?

O que é que acontece se nós não nos questionarmos e não fizermos a nossa própria pesquisa? Tornamo-nos ovelhinhas muito facilmente manipuláveis no rebanho. Continuamos a fazer o que eles dizem, como dizem que se faz e quando é suposto fazer-lo. E depois perguntamo-nos… “como é que fiquei doente?, “Como é que me endividei tanto”, “porque é que não consigo ser verdadeiramente feliz?”, e continuamos a acreditar em toda e qualquer coisa que as autoridades dizem sem verificar duas vezes. 

Reflectir, pensar, questionar e pesquisar ocupa muito tempo. No entanto, talvez compense por aquilo que podes descobrir, por sentires que tens o comando da tua vida ou simplesmente só para verificar algo pelos teus próprios meios. 

Isto faz algum sentido? Vais questionar o que escrevi? Eu questionaria 🙂

The authentic meaning of traveling

O autêntico significado de viajar (PT)

El auténtico significado de viajar (ES)

The authentic meaning of traveling (EN)

I don’t think that there is a right or a wrong way of traveling. Every person has different aims when traveling and is searching for a subjective experience. Some people’s way of traveling doesn’t involve engaging with the locals and are more introspective, experiencing the trip from a spectator view. Others engage with locals if they can communicate with them, asking for tips. Others get quite close with locals and become friends, having access to their private life. I get a mix of all this ways depending on my mindset and phases I go through while traveling.

My way of traveling is no better than any other way. It is just what has been working for me and what I align with. In South East Asia I was being warned a lot about the danger of some countries that were in my list to be visited. Once in Thailand, I was advised by some people to be very careful when going to Vietnam. In Malaysia I was advised to skip my visit to Cambodia as a solo female traveler. I did not listen. I never felt unsafe in any of my destinations. Yes, there were some sketchy situations; I saw some schemes while crossing country’s borders by land and was fooled with fake currency a couple of times. There are honest and dishonest people in every single country. I can say that I felt more afraid and unsafe in my own country than in any other part of the world. When studying in Lisbon, I was chased a couple times and was almost robbed by thieves. Also carrying my laptop on my bag in certain parts of the city made me very nervous.

Before coming to India, where I’m currently traveling, I heard that (similar to what I was told in my trip in SEA) it wasn’t safe to come as a female solo traveler. I was told that many rapes were happening in India, that men stared at women leaving them very uncomfortable, that I would have a culture shock etc. No opinion can replace your own experience. And my experience here so far tells me that I get stared a lot, not only by men but also by women, due to being different. They do look with a curious eye. Our skin tones are different, our features are different and our manners are different too. I call it a wonder stare. And then I open a big smile and they always smile back. Any awkwardness can be dismantled by this action. We are all the same, all human beings and the smile brings us together. It also opens opportunities for conversation, for being asked to take “selfies” or even to be asked for a hug. If it gets overwhelming there’s always a chance to keep walking and not respond.

My way of traveling involves being alert and relaxed at the same time.  There’s always some common sense and some skills required to understand when you are possibly in a dangerous/ sketchy situation or if it is your imagination that is making you second-guess every step you take. Common sense tells me not to wander around in the dark peach night, to stay in control (without being a control-freak) and to be aware of the people surrounding me. The exact same as I do in my own country or even in my hometown. By staying in control I mean that I can go to a party from someone I just met, however I’ll be responsible enough to stay sober. I still have loads of fun and will remember those moments forever.

I’m a very relaxed traveler. I don’t recall worrying about anything in my solo trips. Once I was in Kuala Lumpur’s airport about to board to my next destination: Vietnam. The airline staff did not allow me to get in the airplane because apparently I needed a visa requirement (each airline has its specific requirements). I remember that I set down on the floor, took my laptop and started looking into the cheapest flights available. In 20 minutes I had another destination. Instead of Vietnam I went to Langkawi, a beautiful island in Malaysia. Being relaxed allows me to be flexible with dates, events and locations. In this way nothing ruins my plans because I go exactly where I’m supposed to go. It’s like being in permanent adventure where nothing can go wrong. Having too many plans and booked accommodation can limit your experience very quickly. For me, there’s always the opportunity to stay extra days in a place if it seems reasonable or to stay only for a half day in a city which is not exciting me in any way.

What’s more important to me is trying to blend as much as I can in the different cultures. In the first days I observe the locals to see how do they cross the street, how does the public transportation work, how do they eat, learn some basic words, understand their body language etc. Then I copy them and ask for help if there’s something I can’t wrap my head around. I don’t need to do things that I’m not comfortable with or things that I don’t agree with. However being open is crucial.

After a couple weeks I feel integrated. I grab any chance I have to talk to locals about their culture, traditions, habits and way of thinking. Even when is hard to communicate, there’s always something I can take in. Then I gather all of that precious information which gives me a tiny bit of knowledge about the place and its people.

To me, the meaning of traveling is to know other life perspectives and integrate the best parts in my own life. What does traveling mean to you?

O autêntico significado de viajar (PT)

Não acho que haja uma forma correcta ou errada de se viajar. Cada pessoa tem diferentes objetivos com as suas viagens, procurando experiências subjectivas. Algumas pessoas não se relacionam com os cidadãos locais e são mais introspectivas, experienciando a viagem de um ponto de vista de espectador. Outras falam com os locais, se conseguirem comunicar com eles, fazendo perguntas e pedindo dicas. Outras conseguem relacionar-se com os locais, têm acesso às suas vidas privadas e acabam por criar relações de amizade. Eu consigo ter um misto de todas estas formas de viajar, dependendo da fase em que me encontro ou da minha disponibilidade psicológica para socializar. A minha forma de viajar não é melhor ou pior que qualquer outra. É somente a forma que melhor funciona para mim e aquela com a que mais me alinho.

No Sudeste Asiático fui alertada várias vezes sobre os perigos de visitar alguns países que estavam na minha lista. Na Tailândia aconselharam-me a ter muita cautela ao viajar no Vietname. Na Malásia aconselharam-me a tirar o Camboja da minha lista por ser uma rapariga a viajar sozinha. Não lhes dei ouvidos. Nunca me senti em perigo em nenhum dos meus destinos. Sim, há situações estranhas; testemunhei cenários bizarros ao atravessar fronteiras de países por terra e fui enganada com dinheiro falso um par de vezes. Há pessoas honestas e desonestas em todos os países. Posso dizer que já me senti mais insegura e com medo no meu próprio país do que em qualquer outra parte do mundo. Quando estava a estudar em Lisboa, fui perseguida e quase assaltada mais do que uma vez. Por vezes carregar o meu computador na mochila, em algumas partes da cidade, deixava-me muito nervosa.

Antes de vir para a Índia, por onde estou a viajar de momento, ouvi (similarmente ao que me disseram no Sudeste Asiático) que não era um país seguro para mulheres viajarem sozinhas. Ouvi tantas vezes dizer que há imensos casos de violações, que os homens olham tanto para as mulheres (turistas) que as deixam desconfortáveis, que eu teria um choque cultural etc.. Não existe opinião que possa substituir a tua própria experiência. E a minha experiência aqui por enquanto diz-me que, não só os homens como também as mulheres olham de facto muito para mim, porque sou diferente deles. Eles olham com curiosidade. Os nossos tons de pele são diferentes, as nossas feições são diferentes e os nossos modos também são diferentes. Eu chamo a isso um olhar curioso. E a seguir esboço um sorrizão que é sempre correspondido. Qualquer desconforto é desmanchado imediatamente com este acto. Somos no fundo todos iguais, todos seres humanos e o sorriso aproxima-nos. Também abre oportunidades para conversas, para pedidos de “selfies” ou até para pedirem um abraço. Se isto for demasiado, há sempre a hipótese de se continuar a andar sem dar resposta.

A minha forma de viajar implica estar alerta e relaxada ao mesmo tempo. São necessários senso comum e alguns conhecimentos para que se tenha noção se estamos numa situação perigosa ou se é apenas a nossa imaginação a pregar-nos partidas. O senso comum diz-me que vaguear pela rua no meio da noite não é boa ideia, que é bom estar em controlo (sem que haja obsessão) e para estar atenta às pessoas que me rodeiam. Exatamente a mesma coisa que faço no meu país e até na minha cidade. Estar em controlo significa que posso aceitar o convite para uma festa de uma pessoa que acabei de conhecer, no entanto ser responsável o suficiente para manter-me  sóbria. Assim consigo divertir-me na mesma e irei recordar aqueles momentos para sempre.

Sou de facto uma viajante relaxada. Não me recordo de estar preocupada com o que quer que seja nas minhas viagens solitárias. Uma vez estava no aeroporto de Kuala Lumpur prestes a embarcar para o meu próximo destino: Vietname. O staff da companhia não me permitiu entrar no avião porque aparentemente precisava de um pedido de visto à chegada (cada companhia tem as suas regras). Lembro-me que me sentei no chão, abri o meu computador e comecei a pesquisar pelos voos mais baratos disponíveis naquele momento. Em 20 minutos tinha outro destino. Em vez do Vietname voei para Langkawi, uma ilha maravilhosa na Malásia. Ser relaxada possibilita-me ser bastante flexível com datas, eventos e locais. Deste modo nada arruina os meus planos porque acabo por chegar exatamente aos sítios onde devo estar. Ter demasiados planos e alojamentos marcados pode limitar a experiência. Para mim, há sempre a hipótese de ficar mais alguns dias num sítio se me parece necessário ou pelo contrário ficar somente meio dia num lugar que não me entusiasme.

A meu ver, o mais importante é estar integrada o máximo possível nas diferentes culturas. Nos primeiros dias observo os locais para ver como passam a estrada, como é que comem, como funcionam os transportes públicos, aprender palavras básicas, entender a sua linguagem corporal etc. Depois copio gestos e peço ajuda se houver algo que não consigo perceber o porquê de se fazer. Não preciso de fazer algo com o qual não me sinta confortável ou não concorde. Contudo, estar-se aberto é crucial.

Duas semanas depois já me sinto integrada. Agarro qualquer oportunidade que tenho de falar com os locais sobre a sua cultura, tradições, hábitos e forma de pensar. Ainda que por vezes seja difícil a comunicação, há sempre alguma coisa que se aprende. Por fim, junto toda essa informação preciosa que me dá um pouco de conhecimento sobre os sítios e as suas pessoas.

Para mim, o autêntico significado de viajar é conhecer outras perspectivas de vida e integrar o melhor de cada uma na minha própria vida. Para ti, o que significa viajar?

 

El auténtico significado de viajar (ES)

No creo que haya una forma correcta o equivocada de viajar. Cada persona tiene diferentes objetivos con sus viajes, buscando experiencias subjetivas. Algunas personas no se relacionan con los ciudadanos locales y son más introspectivas, experimentando el viaje desde un punto de vista espectador. Otros hablan con los locales, si pueden comunicarse con ellos, haciendo preguntas y pidiendo consejos. Otras consiguen relacionarse con los locales, tienen acceso a sus vidas privadas y acaban por crear relaciones de amistad. Yo busco tener una mezcla de todas estas formas de viajar, dependiendo de la fase en que me encuentro o de mi disponibilidad psicológica para socializar. Mi forma de viajar no es mejor o peor que cualquier otra. Es sólo la forma que mejor funciona para mí y aquella con la que más me siento alineada.

En el Sudeste Asiático me advirtieron varias veces sobre los peligros de visitar algunos países que estaban en mi lista. En Tailandia me aconsejaron tener mucha precaución al viajar en Vietnam. En Malasia me aconsejaron eliminar a Camboya de mi lista por ser una chica viajando sola. No les hago mucho caso. Nunca me sentí en peligro en ninguno de mis destinos. Sí, hay situaciones extrañas; fui testigo de escenas extrañas al atravesar por tierra las fronteras de algunos países y fui engañada con dinero falso un par de veces. Hay personas honestas y deshonestas en todos los países. Puedo decir que ya me sentí más insegura y con más miedo en mi propio país que en cualquier otra parte del mundo. Cuando estudiaba en Lisboa, fui perseguido y casi fui atracada más de una vez. A veces llevar mi ordenador en la mochila, en algunas partes de la ciudad, me dejaba muy nerviosa.

Antes de venir a la India, por donde estoy viajando ahora, oí (similar a lo que me dijeron en el Sudeste Asiático) que no era un país seguro para las mujeres que viajan solas. Oí tantas veces decir que hay muchos casos de violaciones, que los hombres miran mucho a las mujeres (turistas) lo que las deja muy incómodas, que yo tendría un choque cultural, etc. No existe opinión que pueda sustituir a tu propia experiencia. Y mi experiencia aquí por ahora me dice que no sólo los hombres, como también las mujeres, miran de hecho mucho para mí, porque soy diferente de ellos. Ellos miran con curiosidad. Nuestros tonos de piel son diferentes, nuestras características son diferentes y nuestros modos también son diferentes. Yo lo llamo una mirada curiosa. Y luego les ofrezco una sonrisa enorme que siempre es correspondida. Cualquier incomodidad se deshace inmediatamente con este acto. Somos en el fondo todos iguales, todos somos seres humanos y la sonrisa nos acerca. También abre oportunidades para conversaciones, para pedidos de “selfies” o incluso para pedir un abrazo. Si esto es demasiado, siempre hay la posibilidad de seguir caminando sin dar respuesta.

Mi forma de viajar implica estar alerta y relajada al mismo tiempo. Es necesario mucho sentido común y algunos conocimientos para saber si estamos en una situación peligrosa o si son sólo nuestra imaginación y nuestros prejuicios los que nos hacen pensar que algo no está bien. El sentido común me dice que pasear por una calle oscura y vacía en medio de la noche no es buena idea, que es bueno tener el control de la situación (sin que haya obsesión) y que hay que estar atenta a las personas que me rodean. Exactamente lo mismo que hago en mi país y hasta en mi ciudad. Tener control significa que puedo aceptar la invitación para la fiesta alguien que acabo de conocer a la vez siendo responsable lo suficiente para mantenerme sobria. Así a la vez que me divierto sé que recordaré aquellos momentos para siempre.

Soy de hecho una viajera relajada. No me recuerdo de estar preocupada por lo que sea en mis viajes solitarios. Una vez estaba en el aeropuerto de Kuala Lumpur a punto de embarcar rumbo a mi próximo destino: Vietnam. El personal de la compañía no me permitió entrar en el avión porque aparentemente necesitaba una solicitud de visa a la llegada (cada compañía tiene sus reglas). Recuerdo que me senté en el suelo, abrí mi ordenador y empecé a buscar los vuelos más baratos disponibles en ese momento. En 20 minutos tenía otro destino. En vez de a Vietnam volé a Langkawi, una isla maravillosa en Malasia. Ser relajada me permite ser bastante flexible con fechas, eventos y lugares. De este modo nada arruina mis planes porque siempre siento que  voy exactamente a los sitios donde debería haber ido. Tener demasiados planes y alojamientos marcados puede limitar la experiencia. Para mí, siempre hay la posibilidad de quedarme unos días más en un sitio si me parece necesario o por el contrario quedarme sólo medio día en un lugar que no me entusiasma.

En mi opinión, lo más importante es estar integrada lo máximo posible en las diferentes culturas. En los primeros días observo los locales para ver cómo cruzan la carretera, cómo comen, cómo funcionan los transportes públicos, para aprender palabras básicas, entender su lenguaje corporal, etc. Después copio gestos y pido ayuda si hay algo que no puedo percibir cómo se hace. No necesito hacer algo con lo que no me sienta cómodo o no esté de acuerdo. Sin embargo, estar abierto es crucial.

Dos semanas después me siento integrada. Agarro cualquier oportunidad que tengo de hablar con los locales sobre su cultura, tradiciones, hábitos y formas de pensar. Aunque a veces sea difícil la comunicación, siempre hay algo que aprender. Por fin, junto a toda esa información preciosa que me da un poco de conocimiento sobre los sitios y sus personas.

Para mí, el auténtico significado de viajar es conocer otras perspectivas de vida e integrar lo mejor de cada una en mi propia vida. ¿Cuál es tu significado de viajar?

Little steps towards a better world

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Little steps towards a better world (EN)

I was still in elementary school when I first heard about recycling. The teacher explained how different materials belonged to different bins and that each one of them had a different colour. The green was for glass, the blue was for paper and cardboard, the yellow for plastic and metal and the red one for batteries. Even though most people were already recycling glass (as there were big containers to deposit glass spread throughout the neighbourhoods), the other materials were left out all together in the waste bin.

My generation was probably the first one that learned about it in school. When going home, I tried to explain to my mother that we should separate the trash. Unfortunately living in a small city didn’t give us that option because there were no recycling containers yet. Only a few years later the colourful bins started to be seen. However, there were only a few in the city and we had to drive to places in order to deposit the different materials. So we only recycled sometimes. We didn’t do our part because we had excuses: the bins were too far, we didn’t have much space in the kitchen to pile up the garbage, it would leave the house smelly or the myth that the trash would all end up mixed together at some point.

Only when I moved to Lisbon I started to separate the garbage as my condo had all the proper bins. I had no more excuses. A couple years later I moved to Germany to study. Recycling was taken very seriously over there. There were specific days of the week/ month where the different trash had to be taken outside the house so that a truck would pass by and collect them. If the separation wasn’t well done and for instance the plastic bag had non-plastic items inside, we could be charged with a fine.

Nowadays my hometown has plenty of recycling bins and in Portugal there are currently more than 43 thousand bins spread out to all cities. Slowly people in the western world started waking up for the importance of recycling, reusing and reducing. We have the infrastructures, the information, and the education, which means we shouldn’t have a single excuse not to do so.

Those who know me can testify that I avoid buying plastic at all cost, I bring my own fabric bags to the market and try to buy in bulk when possible. Currently I’m traveling in India and the reality here is very different. Buying bottles of water is something I need to on daily basis as the tap water can lack treatment and therefore is unfit for consumption. I’m not happy at all with the amount of trash I’m generating here and I still avoid plastic bags and straws for the most part. In some places is difficult to find trash bins, let alone recycling bins. The other day I bought a cake that was handed out to me in newspaper, after eating the cake I was searching for a bin and asked someone where I could find one. The answer I got was simply “you can just throw the trash on the floor because someone later will pick it up”. As much as this is not acceptable in my culture I have to be open enough to understand that things here work in another level. The streets are very dirty with all kinds of garbage, people throw waste through the car windows and I constantly step on trash. It becomes the norm after a couple weeks of travel.

I don’t have enough knowledge about the education in India as the only things I know are from asking people I’ve been meeting around. I came to know that in fact they now learn in school about recycling. Also there is a big campaign all over India called “Clean India Mission” and the logotype is Gandhi’s glasses with written “clean” and “India” in each lens to try to get people to place the garbage to where it belongs. India has a population of 1.37 Billion. New Delhi alone has around 11 million inhabitants (the same as Portugal) so I get that it might be very difficult to get everybody on the same page. Some basic needs are not even met for millions of people, let alone the concept of recycling.

In the western world we have the tools to do better, to reuse more, to buy less, to stop using plastic or at least drastically reduce its use. We sure have treated water in most places and buying a good water filter to get the purest form of water is an option. We no longer need to buy plastic bottled water, we can choose to buy the unwrapped fruits and veggies, we can buy in bulk, we can say “no” to plastic bags, straws, sanitary pads and tampons etc. We vote with our money every time we purchase an item. Alternatives are made all the time by big corporations because they will do everything and anything to make us buy their products. We cannot expect them to be the ones to stop selling bananas wrapped up in plastic. We have to take that responsibility ourselves. If they know that their consumers are not buying those bananas due to the plastic, they will take measures.

Recycling is great! But we know that some types of materials are not even recyclable, such as straws, plastic bags, coffee cups, tissues etc. So, better avoid buying it.

I’m not criticizing India by any means, in fact I’m thanking India for my first lesson. What I’m trying to say with this article is how sometimes seeing another realities makes us understand better that our own reality can make improvements too, specially when we have the power and tools to do so.

Here is a list for “zero waste” alternatives to make our lives easier: http://trashisfortossers.com/zero-waste-alternatives-ultimate-lis/

Do you do your part?

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Estava ainda na escola primária quando ouvi falar de reciclagem pela primeira vez. A professora explicou como diferentes materiais pertenciam em contentores específicos e que cada um deles tinha uma cor respectiva. O verde era para o vidro, o azul para o papel e cartão, o amarelo para embalagens e finalmente o vermelho para as pilhas. Ainda que por esta altura a maior parte das pessoas já fizessem reciclagem de vidro (haviam “vidrões” espalhados pelos bairros da cidade), os outros materiais tinham todos o mesmo destino – o contentor do lixo indiferenciado.

A minha geração foi provavelmente a primeira a aprender isto na escola. Quando cheguei a casa tentei explicar à minha mãe que devíamos separar o lixo. Infelizmente viver numa cidade pequena como Évora não nos dava a opção de reciclar por não haverem ainda ecopontos. Só uns anos mais tarde é que os contentores coloridos começaram a aparecer na cidade. No entanto, os contentores eram poucos e tínhamos que ir de carro até eles para depositar os diferentes materiais. Por essa razão só reciclavamos de vez em quando. Não fazíamos a nossa parte porque tinhamos desculpas: os ecopontos estavam longe, não havia espaço suficiente na cozinha para acumular lixo, a casa ficava com mau cheiro, ou o mito de que nem valia a pena separar o lixo pois no fim das contas este acabaria todo no mesmo sítio. Só quando fui morar para Lisboa comecei de facto a fazer reciclagem.  Como no meu condomínio havia ecopontos não tinha desculpa nenhuma .

Um par de anos depois fui estudar para a Alemanha. Reciclar é algo que os alemães levam muito a sério. Haviam dias específicos da semana/ mês onde os diferentes tipos de lixo eram levados para a porta de casa para depois serem recolhidos por camiões. Se a separação do lixo não fosse bem feita e ,por exemplo, o saco do plástico contivesse algo que não fosse plástico, podíamos ter que pagar uma multa.

Hoje em dia, a minha cidade natal já tem vários ecopontos. E por todo o país estão espalhados cerca de 43 mil contentores. Devagarinho as pessoas do mundo ocidental começam a acordar para a importância da reciclagem, reutilização e redução. Temos as infra-estruturas, a informação e a educação, o que significa que não temos qualquer desculpa para não o fazer.

Aqueles que me conhecem sabem que tento evitar a todo o custo comprar itens que contenham plástico, levo os meus sacos de pano para o mercado e tento comprar a granel sempre que possível. De momento encontro-me a viajar pela Índia e a realidade deste lado é muito diferente. Comprar garrafas de água é algo que tenho de fazer diariamente, já que a água da torneira não está tratada e é imprópria para consumo. Fico triste com a quantidade de lixo que estou a gerar aqui e tento ao máximo evitar sacos de plástico e palhinhas. Em alguns lugares é difícil de encontrar contentores ou caixotes do lixo, quanto mais ecopontos. No outro dia comprei um bolo que vinha embrulhado num jornal, depois de comer o bolo não encontrei nenhum caixote para colocar o lixo e decidi perguntar a alguém o que fazer, ao que me foi respondido “podes atirar o lixo para o chão pois mais tarde alguém virá limpar-lo”. Por mais que isto não seja aceitável na minha cultura tenho que ser aberta o suficiente para perceber que as coisas aqui acontecem a um nível diferente. As ruas estão extremamente sujas com todo o tipo de lixo, as pessoas atiram coisas pelas janelas dos carros e ando constantemente a pisar lixo. Torna-se normal depois de umas semanas de viagem.

Não tenho conhecimento suficiente sobre o sistema de educação na Índia e o pouco que sei é através de perguntas que faço a pessoas que vou conhecendo. Aprendi que de facto os indianos já começam a aprender na escola sobre a importância da reciclagem. Há também uma campanha por toda a Índia, com o fim de incentivar as pessoas a colocarem o lixo nos seus devidos locais. Chama-se de “Clean India Mission” ( Missão Índia Limpa) e o logótipo são os óculos do Gandhi com as palavras “Índia” e “Limpa” em cada lente, Na índia vivem cerca de 1.37 Biliões de pessoas. Só Nova Deli tem 11 Milhões de habitantes, os mesmos que em Portugal inteiro, por isso eu entendo o quão difícil é fazer com que  tanta gente colabore para um mesmo fim. Milhões de pessoas não têm sequer acesso a algumas das necessidades básicas, é normal que não percebam a importância da reciclagem.

No mundo ocidental temos os mecanismos para melhorar, reutilizando mais, comprando menos, parando de usar plástico ou pelo menos reduzindo drasticamente o seu uso. Temos água tratada na maior parte dos sítios e podemos adquirir um bom filtro para ter água ainda mais pura. Não há necessidade de comprar garrafas de água, podemos escolher não comprar vegetais e frutas que venham embalados em plástico, podemos comprar a granel, podemos dizer “não” aos sacos de plástico, palhinhas, pensos higiénicos e tampões, etc. Votamos, com o nosso dinheiro, de cada vez que compramos um item. As grandes corporações criam alternativas a toda a hora, pois o que lhe interessa é vender e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para que compremos os seus produtos. Não podemos esperar que sejam eles a parar de vender bananas embaladas em plástico. Temos que ser nós, consumidores, a tomar a responsabilidade de diminuir a demanda. Se eles souberem que os seus consumidores não compram aquelas bananas por causa do plástico, tomarão medidas.

Reciclar é ótimo! Mas também sabemos que alguns tipos de materiais não são recicláveis como por exemplo as palhinhas, os sacos de plástico, os copos de café, as toalhitas etc. Por isso nada melhor que evitar o seu consumo.

Não quero criticar a Índia de forma alguma, de facto agradeço ter aprendido aqui esta primeira lição. O que quero dizer com este artigo é que, às vezes, ver outras realidades faz-nos entender melhor a nossa própria realidade e podemos melhorá-la também, especialmente quando temos o poder e as ferramentas para o fazer.

Aqui vão algumas alternativas “desperdício zero”  para um mundo melhor: https://mindthetrash.pt/category/alternativas-ao-plastico/?fbclid=IwAR3ZmPm_fm6ZE_ws4zrVPL5IjsYr1Ebrn13m7y6G6CPYr0lp2IxX4X8VbVQ

E um podcast bastante esclarecedor sobre reciclagem: https://sofiadeassuncao.com/podcast-ana-milhazes/

E tu, fazes a tua parte?

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Estaba en la escuela primaria cuando oí hablar de reciclaje por primera vez. La profesora explicó cómo diferentes materiales pertenecían en contenedores específicos y que cada uno de ellos tenía un color respectivo. El verde era para el cristal, el azul para el papel y el cartón, el amarillo para los embalajes y el rojo para las pilas. Aunque la mayoría de las personas ya hacían reciclaje de vidrio (había contenedores verdes repartidos por los barrios de la ciudad), los demás materiales acababan  todos el contenedor de la basura indiferenciada.

Mi generación fue probablemente la primera en aprender esto en la escuela. Cuando llegué a casa intenté explicar a mi madre que debíamos separar la basura. Desgraciadamente vivir en una pequeña ciudad como Évora no nos daba la opción de reciclar por no haber aún puntos de recorrida. Sólo unos años más tarde, los contenedores de colores comenzaron a aparecer en la ciudad. Sin embargo, los contenedores eran pocos y teníamos que ir en coche para reciclar los diferentes materiales. Por esa razón sólo reciclabamos a veces. No hacíamos nuestra parte porque teníamos disculpas: los contenedores estaban lejos, no había suficiente espacio en la cocina para acumular basura, la casa casa olía, o el mito de que no valía la pena separar la basura pues al final todo acabaría en el mismo sitio. Sólo cuando me mudé a Lisboa empecé realmente a hacer reciclaje. Como en mi edifício (incluso en mi planta) había contenedores de recicláge, no tenía excusa alguna.

Un par de años después fui a estudiar a Alemania. Reciclar es algo que los alemanes toman muy en serio. Había días específicos de la semana para dejar  los diferentes tipos de basura en la puerta de casa, luego serían recogidos por camiones. Si la separación de la basura no estaba bien hecha y, por ejemplo, la bolsa del plástico contenía algo que no fuera plástico, podríamos tener que pagar una multa.

Hoy en día, mi ciudad natal ya tiene un buen sistema de reciclaje. Y por todo el país están repartidos cerca de 43 mil contenedores. La gente del mundo occidental empieza a despertar para la importancia del reciclaje, la reutilización y la reducción. Tenemos las infraestructuras, la información y la educación, lo que significa que no tenemos ninguna excusa para no hacerlo.

Aquellos que me conocen saben que intento evitar a toda costa comprar artículos que contengan plástico, llevo mis bolsas de tela al mercado y trato de comprar a granel siempre que posible. De momento estoy viajando por India y la realidad de este lado es muy diferente. Comprar botellas de agua es algo que tengo que hacer diariamente, ya que el agua del grifo no está tratada y es impropio para el consumo. Me siento triste con la cantidad de basura que estoy generando aquí y trato de evitar bolsas de plástico y pajitas. En algunos lugares es difícil encontrar papeleras, imagina contenedores de reciclaje. El otro día compré un pastel que venía envuelto en un periódico, después de comer el pastel no encontré ninguna papelera para tirar la basura y decidí preguntar a alguien donde que hacer, a lo que me contestaron “puedes tirar la basura al suelo, más tarde alguien vendrá a limpiarlo”. Por más que esto no sea aceptable en mi cultura, tengo que ser abierta lo suficiente para percibir que las cosas aqui suceden a un nivel diferente. Las calles están extremadamente sucias con todo tipo de basura, la gente tira cosas por las ventanas de los coches y voy pisando basura constantemente. Se hace normal después de unas semanas.

No tengo suficiente conocimiento sobre el sistema de educación en la India y lo poco que sé es a través conversaciones con personas que voy conociendo. Aprendí que, de hecho, los indios ya aprenden sobre la importancia del reciclaje en la escuela . Hay también una campaña por toda la India, con el fin de alentar a las personas a colocar la basura en sus debidos lugares. Se llama “Clean India Mission” y el logotipo son las gafas de Gandhi con las palabras “India” y “Limpia” en cada lente. En la India viven alrededor de 1.37 millones de personas, Nueva Delhi tiene 11 millones de habitantes, lo misma cantidad que Portugal entero, por lo que entiendo lo difícil que es hacer que tantas personas colaboren en algo. Millones de personas no tienen siquiera acceso a algunas de las necesidades básicas, es normal que no perciban la importancia del reciclaje.

En el mundo occidental tenemos los mecanismos para mejorar, reutilizando más, comprando menos, dejando de usar plástico o al menos reduciendo drásticamente su uso. Tenemos agua tratada en la mayoría de los sitios y podemos adquirir un buen filtro para tener agua aún más pura. No hay necesidad de comprar botellas de agua, podemos elegir no comprar vegetales y frutas que vengan envasados ​​en plástico, podemos comprar a granel, podemos decir “no” a las bolsas de plástico, pajitas, compresas y tampones, etc. Votamos, con nuestro dinero, cada vez que compramos un artículo. Las grandes corporaciones crean alternativas porque les interesa vender y hacen todo lo que esté a su alcance para que compremos sus productos. No podemos esperar que sean ellos a dejar de vender plátanos envasados ​​en plástico. Tenemos que ser nosotr@s, l@s consumidor@s, a tomar la responsabilidad de disminuir la demanda. Si ellos saben que sus consumidores no compran esos plátanos a causa del plástico, tomarán medidas.

¡Reciclar es genial! Pero también sabemos que algunos tipos de materiales no son reciclables, como por ejemplo las pajitas, las bolsas de plástico, los vasos de café descartables, las toallitas, etc. Por eso nada mejor que evitar su consumo.

No quiero criticar a la India de ninguna manera, de hecho agradezco haber aprendido aquí esta primera lección. Lo que quiero decir con este artículo es que a veces ver otras realidades nos hace entender mejor nuestra propia realidad y podemos mejorarla también, especialmente cuando tenemos el poder y las herramientas para hacerlo.

Aquí está una lista de productos “sin desperdicio” alternativos para simplificar un poco nuestras vidas: http://orgranico.com/recopilatorio-11-alternativas-zero-waste/

Y tú, haces tu parte?

Buen Camino!

Buen Camino! (PT)

Buen Camino! (ES)

Buen Camino! (EN)

Some years ago I went on a family trip to the north of Portugal and Galicia (Spain). When getting to Santiago de Compostela I started to see all of these people with backpacks and hiking poles that were walking the “Camino de Santiago”. Nico and I agreed that one day we would do it together. Although it seemed to me something very difficult and that we would need months of preparation and a strong will to do so. Therefore, I imagined it happening only when I was fit enough to be up for the challenge.

Little did we know that three years later we would be finally walking the Camino. Funny enough, I was actually in a very bad shape, after one year of studying and working in Vancouver that had left me drained, overweight and with some vitamins and minerals deficiencies. I knew this would be definitely a challenge.

Nico programmed most of the trip. She had researched where we were staying, how many kilometers we were walking per day and all the logistics. We started in Sarria, which meant that we would have to walk around 110 km in five days. We came up with a plan to wake up quite early (around 7am), walk for about two hours, take a break for the breakfast, keep walking until we reached the destination for the day, go to the hostel to take a shower and drop the backpacks, go to a restaurant to have a late lunch and chill out the entire afternoon in a park. Our bags were not heavy but every kilogram counts when you are hiking for so many hours up and down hills. You can feel that extra liter in the water bottle you carry. 

The first day was quite easy and fun. We encountered countless people along the way wishing a “buen camino” (translates for “have a good walk”), all kinds of people from all over the world, in all different age groups, some in better shape than others. Some were doing it for the first time, just like we were, others had been walking the Camino every year for several years. Some had just started the walk, others were walking for almost one month. Some did it as a physical exercise, others for spiritual reasons or even just for the adventure. Some were alone, others came in groups.

The following days got a bit tougher and harder due to the muscle pain from walking so many kilometers. Sometimes it was really painful to start walking again after having a small break. At some point I lost count of how many people were full of bruises and blisters and I could almost feel their pain just by looking at the way they were walking. Luckily Nico and I didn’t have any feet problems as we were wearing barefoot shoes (Barefoot) but we had other aches and pains in our legs and backs.

To me, doing the Camino is not just about overcoming the physical struggles but above all the mental obstacles we face along the way. Even though Nico and I decided to do this together, it didn’t mean we had to walk together. In fact, for the most part we decided to split and walk with our own individual pace. That meant being alone with our own minds and thoughts for hours on end. There were some things I learned from this experience and would like to share:

Every body has a different rhythm. Some people were supper fit, overtaking everyone they would pass through, others on the other hand, were walking in an extremely slow pace as they probably had some physical issues. However, all of them got to Santiago (the final destination) at some point. The exact same happens in our day to day life. If there’s a goal we want to achieve, we can start walking towards that goal in a pace we feel comfortable to do so. We will eventually get there sooner rather than later.

The physical struggles we encounter by walking endless meters are surpassed minute-by-minute, hour-by-hour, day-by-day. Meaning that it is more about our mental strength than being in a good shape. If I could walk in pain, with hunger and a heating sun over my head, than I guess I can face daily routine problems as well. Transforming those struggles in victories.

Carrying a small backpack along the way, with just the necessary items, made me understand of how little we can live with. I used the same t-shirt and leggings during those five days and even though they were dirty and dusty most of the time (I only washed them once), I didn’t feel the need for more clothing items. The remaining carried weight was due to water, fruit and snacks I carried around to give me fuel to keep me going. In our day-to-day life we carry way to many concerns, beliefs and struggles that we don’t need as well. If we only take the essential, we end up living with those things that are really meaningful and important to us.

After walking for so long during the first part of the day, we made sure we would have our well-deserved rest for the second part of the day. We chilled in parks, did some stretching, played cards and had long conversations. Which made me think of how in our busy lives we often don’t get to spend quality time with those we love and doing the things we enjoy. Rest and quality time are crucial to keep a healthy and sane lifestyle.

Most of the Camino has amazing pathways in such a diverse nature: mountains, plains, grass fields, plantations, streams, old villages and ruins. In order to hike up and down hill you need to be present, otherwise you can stumble on a rock or step on cow manure. Just like in our daily routine, if you are not present in every moment you can make mistakes, get ill or hurt and eventually be in “shitty” situations ☺.

In order to learn something, we need to put ourselves out there, outside our comfort zone. There’s where growth takes place.

I truly advise everybody to do something like this. You don’t need to walk for five days in a row, just getting out there in nature, carrying your own belonging along the way (to really see how little you need) and most important be present with yourself and your own thoughts.

I can’t wait to do it again soon!

Buen Camino! (PT)
Há alguns anos fiz uma viagem com a família ao norte de Portugal e Galiza (Espanha). Quando chegámos a Santiago de Compostela comecei a ver imensos mochileiros com bastões que tinham feito o “Caminho de Santiago”. A Nico e eu acordámos que um dia o faríamos juntas. No entanto pareceu-me a mim algo muito difícil e que precisaríamos de meses de preparação física e muita força de vontade para o fazermos. Desse modo, imaginei fazê-lo só quando tivesse em forma suficiente para este desafio.

Mal sabia eu que três anos mais tarde estaríamos nós a fazer o Camino. O mais engraçado é que eu estava em péssima forma física, depois de um ano a trabalhar e estudar em Vancouver que me deixou esgotada, com algum peso a mais e com várias deficiências a nível nutricional. Sabia que isto seria de facto um grande desafio.

A Nico programou a maior parte da viagem. Pesquisou onde ficaríamos a dormir, quantos quilómetros faríamos por dia e todas as outras questões de logística. Começámos em Sarria, o que significava termos de percorrer cerca de 110 km em cinco dias. Fizemos um plano e decidimos acordar cedo (por volta das 7h00), andar por cerca de duas horas, fazer uma pausa para o pequeno-almoço, continuar a caminhada até chegar ao destino desse dia, ir ao hostel para tomar banho e deixar as mochilas, escolher um restaurante para almoçarmos e relaxar o resto do dia num parque. As nossas malas não estavam pesadas mas todos os quilos contam quando estás a caminhar por tantas horas com subidas e descidas. Um litro a mais ou a menos na garrafa de água fazia-se logo notar.

O primeiro dia foi relativamente fácil e divertido. Passámos por várias pessoas que nos iam desejando “buen camino”, todo o tipo de pessoas de todas as partes do mundo, de todas as faixas etárias, alguns em melhor forma que outros. Umas estavam a fazê-lo pela primeira vez, tal como nós, outros faziam o Caminho todos os anos. Umas tinham começado o Caminho há pouco tempo, outras já caminhavam há quase um mês. Umas faziam-no como forma de exercício físico, outras por razões espirituais e havia quem quisesse apenas ter a experiência daquela aventura. Umas estavam sozinhas, outras vinham em grupos.

Os dias que se seguiram tornaram-se um pouco mais duros e difíceis devido às dores nos músculos por andar tantos quilómetros. Às vezes era muito doloroso voltar a mexer as pernas depois de uma curta pausa. A certa altura perdi conta às pessoas, pelas quais passava, que estavam cheias de feridas ou bolhas nos pés e eu quase conseguia sentir as suas dores só de olhar para a forma como elas caminhavam. Felizmente a Nico e eu não tivemos esse tipo de problemas nos pés porque andámos com sapatos “barefoot” (Descalç@), mas tínhamos outras dores e mazelas nas pernas e costas.

Para mim, fazer o Caminho não é apenas uma questão de ultrapassar as dificuldades a nível físico mas, mais que tudo, os obstáculos mentais que enfrentamos a cada passo. Ainda que a Nico e eu tenhamos decidido fazê-lo juntas, não significava que teríamos de caminhar juntas. Na verdade, a maior parte do tempo andávamos separadas, cada uma no seu ritmo. Isso fez com que estivéssemos sozinhas com as nossas mentes e pensamentos por horas a fio. Houveram algumas coisas que aprendi com esta experiência e gostava de partilhar:

Cada corpo tem um ritmo diferente. Algumas pessoas estavam em ótima forma e iam ultrapassando toda a gente pelo caminho, outras por outro lado caminhavam num passo lentíssimo, talvez por sofrerem de algum problema motor. No entanto, todas essas pessoas chegaram a Santiago (o destino final) a seu tempo. O mesmo acontece nas nossas vidas. Se há algum objectivo que queremos atingir, podemos começar a andar na sua direção num passo que seja confortável para nós. Eventualmente chegaremos lá, mais cedo ou mais tarde.

Os problemas a nível físico que encontramos ao caminharmos quilometros que parecem não ter fim, vão sendo ultrapassados minuto a minuto, hora a hora, dia a dia. O que significa que a nossa força de vontade é mais importante do que a nossa forma física. Se eu consegui andar suportando dores, fome e o sol quente a bater na cabeça, então também consigo enfrentar problemas da rotina diária. Transformando essas dificuldades em vitórias.

Carregar uma mochila pequena pelo caminho, com apenas os itens necessários, fez-me perceber que necessitamos de muito pouco pra viver. Usei a mesma t-shirt e leggings durante aqueles cinco dias e mesmo que tivessem alguma sujidade e pó a maior parte das vezes (só as lavei uma vez), não senti necessidade de ter mais roupa. O restante peso era devido à água, fruta e snacks que carregava para me darem energia e assim conseguir prosseguir na caminhada. No nosso dia-a-dia carregamos demasiados problemas, crenças e dificuldades dos quais também não precisamos. Se só levarmos o essencial, acabamos por viver com aquelas coisas que são realmente importantes e relevantes para nós.

Depois de caminharmos por tanto tempo na primeira parte do dia, fizemos questão de garantir o tão merecido descanso na segunda metade. Relaxámos-nos em parques, fizemos alongamentos, jogámos às cartas e tivemos longas conversas. O que me fez pensar que nos nossos dias tão ocupados acabamos por não passar tempo de qualidade com aqueles que amamos nem a fazer aquilo que gostamos. Descanso e tempo de qualidade é essencial para manter um estilo de vida saudável.

A maior parte do Caminho tem paisagens maravilhosas e muita diversidade natural: montanhas, planícies, campos de erva, plantações, riachos, vilas antigas e ruínas. Para descer e subir tantas colinas é preciso caminhar com consciência e estar presentes no momento, de outra forma corremos o risco de tropeçar numa pedra ou pisar esterco de vaca. Assim como na nossa rotina diária, se não estivermos presentes no momento podemos cometer erros, ficar doentes e eventualmente acabar em situações de merda☺.

Para que consigamos aprender alguma coisa, temos que nos colocar fora da nossa zona de conforto. É aí que o crescimento pessoal acontece.

Eu aconselho vivamente a toda a gente fazer algo deste género. Não é necessário andar por cinco dia seguidos, basta passar algum tempo na natureza apenas carregando o essencial, e o mais importante é estar presente no momento e consciente dos próprios pensamentos.

Mal posso esperar por fazê-lo novamente!

Buen Camino! (ES)

Hace unos años hice un viaje con la familia al norte de Portugal y Galicia. Cuando llegamos a Santiago de Compostela empecé a ver muchos mochileros con bastones que habían hecho el “Camino de Santiago”. Nico y yo nos comprometemos a que un día lo haríamos juntas. Sin embargo, me pareció algo muy difícil y que necesitaríamos meses de preparación física y mucha fuerza de voluntad para hacerlo. De ese modo, pensé hacerlo sólo cuando estuviera en forma lo suficiente para este desafío.

Mal sabía que tres años más tarde estaríamos haciendo el Camino. Lo más gracioso es que yo estaba en pésima forma física, después de un año trabajando y estudiando en Vancouver que me dejó agotada, con algún sobrepeso y con varias deficiencias a nivel nutricional. Sabía que sería realmente un gran desafío.

Nico ha programó la mayor parte del viaje. Planeó dónde dormíamos, cuántos kilómetros haríamos al día y todas las demás cuestiones de logística. Comenzamos en Sarria, lo que significaba que iríamos a recorrer unos 110 km en cinco días. Hicimos un plan y decidimos despertar temprano (alrededor de las 7:00), caminar cerca de dos horas, hacer una pausa para desayunar, continuar la caminata hasta llegar al destino de ese día, ir al hostel para bañarnos y dejar las mochilas, elegir un restaurante para comer y relajar el resto del día en el césped de un parque. Nuestras mochilas no estaban pesadas pero todos los kilos cuentan cuando estás caminando por tantas horas con subidas y bajadas. Un litro más o menos en la botella de agua se hacía notar.

El primer día fue relativamente fácil y divertido. Pasamos por varias personas que nos iban deseando “buen camino”, todo tipo de personas de todas partes del mundo, de todas las edades, algunos en mejor forma que otros. Unas estaban haciéndolo por primera vez, al igual que nosotras, otras hacían el Camino todos los años. Unas habían comenzado el Camino hace poco, otras ya caminaban hacia casi un mes. Unas lo hacían como forma de ejercicio físico, otras por razones espirituales y había quien quisiera apenas tener la experiencia de aquella aventura. Unas estaban solas, otras venían en grupos.

Los días que siguieron fueron un poco más duros y difíciles debido a los dolores musculares por caminar tantos kilómetros. A veces era muy doloroso volver a mover las piernas después de una corta pausa. A cierta altura perdí cuenta a las personas, por las que pasaba, que estaban llenas de heridas o ampollas en los pies. Yo casi conseguía sentir sus dolores sólo de mirar la forma en que ellas caminaban. Afortunadamente a Nico y yo no tuvimos ese tipo de problemas en los pies porque caminamos con zapatos “barefoot” (Descalz@), pero teníamos otros dolores y molestias en las piernas y en la espalda.

Para mí, hacer el Camino no es sólo una cuestión de superar las dificultades a nivel físico sino, más que todo, los obstáculos mentales que enfrentamos a cada paso. Aunque Nico y yo hemos decidido hacerlo juntas, no significaba que tendríamos que caminar juntas todo el rato. En realidad, la mayor parte del tiempo caminábamos separados, cada una a su ritmo. Esto hizo que estuviéramos solas con nuestras mentes y pensamientos por muchas horas. Hubo algunas cosas que aprendí de esta experiencia y me gustaría compartirlo:

Cada cuerpo tiene un ritmo diferente. Algunas personas están en gran forma y se adelantan a todo el mundo, otras caminan en un paso lentísimo, quizás por sufrir algún problema motor. Sin embargo, todas esas personas llegan a Santiago (el destino final) a su tiempo. Lo mismo sucede en nuestras vidas. Si hay algún objetivo que queremos alcanzar, podemos empezar a caminar en su dirección en un paso que sea cómodo para nosotr@s. Finalmente llegaremos allí, tarde o temprano.

Los problemas a nivel físico que encontramos al caminar muchos kilómetros, van siendo superados a cada minuto, a cada hora, a cada día. Lo que significa que nuestra fuerza de voluntad es más importante que nuestra forma física. Si yo puedo caminar soportando dolores, hambre y el sol caliente sobre mi cabeza, entonces pienso que también consigo enfrentar problemas de la rutina diaria. Transformando esas dificultades en victorias.

Cargar una mochila pequeña por el camino, con sólo los elementos necesarios, me hizo percibir que necesitamos de poco para vivir. He utilizado la misma camiseta y leggings durante esos cinco días y aunque tuvieron alguna suciedad y polvo la mayor parte de las veces (sólo las lavé una vez), no sentía necesidad de tener más ropa. El resto del peso era debido al agua, fruta y snacks que cargaba para darme energía y así conseguir proseguir en la caminata. En nuestro día a día cargamos demasiados problemas, creencias y dificultades de los que tampoco necesitamos. Si sólo llevamos lo esencial, acabamos por vivir con aquellas cosas que son realmente importantes y relevantes para nosotros.

Después de caminar por tanto tiempo en la primera parte del día, hicimos cuestión de garantizar el tan merecido descanso en la segunda mitad. Nos relajamos en parques, hicimos estiramientos, jugamos a las cartas y tuvimos largas conversaciones. Lo que me hizo pensar que en nuestros días tan ocupados acabamos por no pasar tiempo de calidad con aquellos que amamos ni a hacer lo que nos gusta. El descanso y el tiempo de calidad son esenciales para mantener un estilo de vida saludable.

La mayor parte del Camino tiene paisajes maravillosos y mucha diversidad natural: montañas, llanuras, campos de hierba, plantaciones, arroyos, villas antiguas y ruinas. Para bajar y subir tantas colinas hay que caminar con conciencia y estar presentes en el momento, de otra forma corres el riesgo de tropezar en una piedra o pisar estiércol de vaca. Así como en nuestra rutina diaria, si no estamos presentes en el momento podemos cometer errores, ponernos enfermos y eventualmente acabar en situaciones de mierda ☺.

Para que podamos aprender algo, tenemos que colocarnos fuera de nuestra zona de confort. Es ahí donde ocurre el crecimiento personal.

Yo aconsejo vivamente a todo el mundo hacer algo de este género. No es necesario caminar por cinco días seguidos, basta pasar algún tiempo en la naturaleza apenas cargando lo esencial, y lo más importante es estar presente en el momento y consciente de los propios pensamientos.

No puedo esperar para hacerlo de nuevo!

Turning bad into something good

Transformar o mau em algo bom (PT)

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Turning bad into something good (EN)

Today I write this words in hopes of helping those who are going or went through some life challenges similar to mine. To inspire them and to give them power to turn their lives upside down if that’s what they need to be happier.

2011.

The worst year of my life. If you have been reading some of our previous articles you know by now how Nico and I lost our mom.  You might know as well how close we were to her, in different ways, and how we kind of depended on her emotionally. Whoever has a deep relationship with their mother know that, despite the cut of the umbilical cord, we remain forever emotionally connected to them. So connected that many of their traumas can be passed onto us. Maybe they can even be the ones causing us traumas (without intending it, of course). In my reality, my mom had her flaws that could get in my nerves, but mostly she was to me the best mother she could be.

Her death was a mix of emotions. Sadness for losing someone that was still quite young that didn’t seem to get to enjoy her life to the fullest. Gratefulness for being able to have her in my life for 23 years. Relief for her not to be in pain anymore. Happiness for being able to move on with my life again after that terrifying year. What seemed to me the end of the world at some point in my life was the push that I needed to venture and do something I considered brave – move abroad. Today I recognize that running away to live in another country was not the bravest thing, in fact the brave action would have been staying there and face the tough life without my mother. It was more convenient to take the easy way out and pretend that my mom never died, never got sick, never existed. Starting a life in another country meant no one knew me, no one knew my story, no one knew to what family I belonged or what tragedy I had witnessed. Pretending that my mom never existed was just a way of protecting myself from sadness and a feeling of powerlessness.  It didn’t really work though. She would visit me in my dreams very often. Or should I say nightmares? I would wake up totally confused and not knowing if she was alive of dead anymore.

With her living us, physically, I felt like it left an emptiness in my heart too. I know this can sound very dramatic but I have no other way of describing it. It was like something was missing.

2016.

When I quit being a victim of that sad story I finally moved on. Of course that story will always be mine but I started to look at it with another eyes. If my mother had never died, I would certainly not be the person I turned into. I would perhaps not have lived abroad for such long periods of time, or felt the need to know who I was and what my mission in this world is, or never felt the need to turn to spirituality and try to understand what life is all about.

I realized that I was the story that I chose to tell. Instead of looking at this story from a victim perspective that felt pity for herself, I chose to rewrite the story of a fortunate person who was freed in order to be a better self and mature. This freedom is more related to not depending on anyone emotionally anymore. Which story is the right one? I don’t know. I only know that I am still here living and my mother is not. I decided to be the happiest I can be for me and for her, because after all, isn’t that what parents want for their kids?

If my mother had not died back in 2011, I don’t know who I would be today. Maybe it would have taken me much longer to experience everything I got to live till this day.

2019.

My heart will never be the same after that feeling of emptiness (that I was describing above). So I felt the urge of finding out how I could fill it in with something else. I learned that it won’t be filled in with someone else’s love. People come and go from our lives, nothing is eternal. Which means that if I replaced that emptiness with someone else’s love, it would most certainly get empty again. Instead I found out that doing what I love and what I think is my life purpose – being good to myself and to others, help others, make their day a better day – fills in this space more and more everyday.

Have you ever turned something bad in your life into something good? Have you ever thought about it? Can you rewrite your story in order to be happier?

Transformar o mau em algo bom (PT)

Escrevo hoje estas palavras na esperança de ajudar aquel@s que estão a passar ou já passaram por algumas desafios nas suas vidas, similares aos meus. Para @s inspirar e dar-lhes força para que virem a sua vida ao contrário se é isso que precisam para serem felizes.

2011.

O pior ano da minha vida. Se já leste alguns dos nossos artigos, saberás como a Nico e eu perdemos a nossa mãe. Talvez saibas também o quão próximas éramos dela, de formas diferentes, e o quanto dependiamos dela a nível emocional. Aquel@s que têm uma relação próxima com as suas mães sabem que, apesar do corte no cordão umbilical, permanecemos para sempre emocionalmente ligad@s a elas. Tão ligad@s que muitos dos seus traumas podem ser passados para nós. Até podem ser elas a causa de alguns dos nossos traumas (sem intenção, claro). Na minha realidade a minha mãe tinha os seus defeitos, que me tiravam do sério, mas apesar disso era a melhor mãe que eu podia ter tido.

A morte dela foi um misto de emoções. Tristeza por ter perdido alguém que tinha muita vivacidade (antes de ficar doente) e parecia não ter aproveitado a vida ao máximo. Gratidão por ter a oportunidade de a ter na minha vida por 23 anos. Alívio por a sua dor ter chegado ao fim. Felicidade por poder andar para a frente com a minha vida depois daquele ano aterrador.

O que parecia para mim o fim do mundo naquele ponto da minha vida, foi o empurrão que eu precisava para me aventurar e fazer algo que eu considerava corajoso – ir morar para fora. Hoje eu reconheço que fugir e ir viver para outro país não foi a coisa mais corajosa que fiz, de facto o acto de valentia teria sido ficar e encarar a vida difícil sem a minha mãe. Foi mais conveniente escolher o caminho fácil e fazer de conta que a minha mãe não tinha morrido, não tinha ficado doente, não tinha existido. Começar uma vida noutro país significava que ninguém me conhecia, ninguém conhecia a minha história, ninguém sabia a que família eu pertencia ou que tragédia eu tinha testemunhado. Fazer de conta que a minha mãe não tinha existido era uma forma de me proteger da tristeza e do sentimento de impotência. Mas isso não resultou completamente. Ela visitava-me nos meus sonhos com frequência. Ou devo dizer pesadelos? Eu acordava completamente baralhada sem saber se ela estava viva ou morta.

A sua partida do plano material deixou um lugar vazio no meu coração. Sei que isto pode soar muito dramático mas não tenho outra forma de o descrever. É como se a partir dali algo me ficou a faltar.

2016.

Finalmente parei de ser a vítima dessa história e deixei-a para trás. Claro que essa será sempre a minha história mas comecei a olhar para ela com outros olhos. Se a minha mãe não tivesse morrido, eu certamente não seria a pessoa que sou hoje. Talvez não tivesse vivido fora por longos períodos de tempo, ou sentisse a necessidade de ir em busca de saber quem sou e qual é a minha missão no mundo, ou não tivesse a necessidade de recorrer à espiritualidade e tentar perceber o que andamos “cá” a fazer.

Descobri que eu era a história que escolhi contar. Em vez de olhar para ela do ponto de vista de vítima que sentia pena de si própria, escolhi reescrever a história de uma pessoa sortuda que ficou livre para ser uma pessoa melhor e amadurecer. Esta liberdade tem mais a ver com não depender de ninguém a nível emocional. Qual é a verdadeira história? Não sei. O que sei é que eu continuo cá a viver e a minha mãe não. Decidi ser o mais feliz possível, por mim e por ela, e no final das contas não é isso que os pais querem para os seus filhos?

Se a minha mãe não tivesse morrido em 2011, não sei quem eu seria hoje. Talvez eu tivesse levado muito mais tempo a experienciar tudo o que vivi até ao dia de hoje.

2019.

O meu coração nunca será o mesmo depois daquela sensação de vazio. Por isso senti a necessidade de procurar uma forma de preencher esse vazio. Aprendi que não será preenchido com o amor de outra pessoa. As pessoas vêm e vão das nossas vidas, nada é eterno. O que significa que se eu preenchesse esse vazio com o amor de outra pessoa, o mais provável era ficar vazio mais tarde, outra vez. Em vez disso, descobri que se eu fizer aquilo que me dá prazer e que acho que é o meu propósito de vida – fazer o bem para mim e para as outras pessoas, ajudá-las e fazer do dia delas um dia melhor – aquele vazio se preenche mais e mais a cada dia.

Já alguma vez transformaste algo mau em algo bom na tua vida? Já alguma vez pensaste em fazê-lo? Consegues re-escrever a tua história para seres mais feliz?

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Escribo hoy estas palabras con la esperanza de ayudar a aquell@s que están pasando o ya han pasado algunos desafíos en sus vidas, similares a los míos. Para inspirarl@s y darles fuerza para que vuelvan sus vidas al revés si eso es lo que necesitan para ser felices.

2011.

El peor año de mi vida. Si ya leíste algunos de nuestros artículos, sabrás cómo Nico y yo perdimos a nuestra madre. Quizás sepas también lo cuán cercanas éramos de ella, cada una a su manera, y lo cuán dependientes de ella a nivel emocional éramos. Aquell@ s que tienen una relación cercana con sus madres saben que, a pesar del corte del cordón umbilical, permanecemos para siempre emocionalmente conectad@s a ellas. De esa manera muchos de sus traumas pueden ser pasados ​​a nosotr@s. Hasta pueden ser ellas la causa de algunos de nuestros traumas (sin intención, claro). En mi realidad mi madre tenía sus defectos, que  a veces me volvían loca, pero a pesar de ello fue la mejor madre que yo podía haber tenido.

Su muerte fue una mezcla de emociones. Tristeza por haber perdido a alguien que tenía mucha vivacidad (antes de enfermarse) y parecía no haber aprovechado la vida al máximo. Gratitud por tener la oportunidad de tenerla en mi vida por 23 años. Alivio por su dolor haber terminado. Felicidad por poder caminar adelante con mi vida después de aquel año aterrador.

Lo que parecía para mí el fin del mundo en aquel punto de mi vida, fue el empujón que necesitaba para aventurarme y hacer algo que yo consideraba valiente – ir a vivir fuera del país. Hoy reconozco que huir e ir a vivir a otro país no fue lo más valiente que hice, de hecho el acto de valentía habría sido quedarme y afrontar la vida difícil sin mi madre. Fue más conveniente elegir el camino fácil y hacer de cuenta que mi madre no había muerto, no había enfermado, no había existido. Comenzar una vida en otro país significaba que nadie me conocía, nadie conocía mi historia, nadie sabía a qué familia pertenecía o que tragedia había testificado. Hacer de cuenta que mi madre no había existido era una forma de protegerme de la tristeza y del sentimiento de impotencia. Pero eso no resultó completamente. Ella me visitaba en mis sueños con frecuencia. ¿O debo decir pesadillas? Yo despertaba completamente confundida sin saber si mi madre estaba viva o muerta. Cuando su cuerpo dejó este plano quedó también un lugar vacío en mi corazón. Sé que esto puede sonar muy dramático pero no tengo otra forma de describirlo. Es como si a partir de aquel momento alguna parte de mí se haya perdido.

2016.

Finalmente dejé de ser la víctima de esa historia y la dejé atrás. Claro que esa será siempre mi historia, pero empecé a mirarla con otros ojos. Si mi madre no hubiera muerto, ciertamente no sería la persona que soy hoy. Quizás no hubiera vivido fuera por largos períodos de tiempo, ni sintiera la necesidad de saber quién soy y cuál es mi misión en el mundo, o no tuviera la necesidad de recurrir a la espiritualidad e intentar percibir qual és el significado de todo esto.

Descubrí que yo era la historia que escogiera contar. En vez de mirarla desde el punto de vista de la víctima que sentía pena de sí misma, elegí reescribir la historia de una persona afortunada que se vió libre para ser una persona mejor y más madura. Esta libertad tiene más que ver con no depender de nadie a nivel emocional. ¿Cuál es la verdadera historia? No lo sé. Lo que sé es que sigo viviendo y mi madre no. Decidí ser lo más feliz posible, por mí y por ella, y al final de cuentas no es eso lo que los padres quieren para sus hijos?

Si mi madre no hubiera muerto en 2011, no sé quién sería hoy. Quizás me hubiera llevado mucho más tiempo para experimentar todo lo que he vivido hasta el día de hoy.

2019.

Mi corazón nunca será el mismo después de aquella sensación de vacío. Por eso sentí la necesidad de buscar una forma de llenar ese vacío. Aprendí que no será llenado con el amor de otra persona. La gente viene y va de nuestras vidas, nada es eterno. Lo que significa que si llenara ese vacío con el amor de otra persona, lo más probable era quedarse vacío más tarde, otra vez. En vez de eso, descubrí que si hago lo que me da placer y lo que creo que es mi propósito de vida – hacer el bien para mí y para las otras personas, ayudarlas y hacer del día de ellas un día mejor – aquel vacío se llena más y más cada día.

¿Alguna vez has transformado algo malo en algo bueno en tu vida? ¿Alguna vez has pensado en hacerlo? ¿Puedes reescribir tu historia para ser más feliz?

A meditative state of mind

Um estado de espirito meditativo (PT)

Un estado de espíritu meditativo (ES)

A meditative state of mind (EN)

Imagine yourself in a room full of people. Around 120 people. Males are sitting on the left side of the room and females on the right side, forming rows. Everybody is sitting facing two masters – the female Master is sitting facing the female’s rows and the male Master faces the male’s rows. Pillows are piled up underneath each individual’s bottom to make a crossed leg position more bearable. There’s silence. So much silence that you don’t have to make any effort to hear the breath of the person sitting right next to you, the drizzling rain outside the door or the singing stomachs of other people. Everyone has their eyes closed. You close your eyes too. The journey starts.

I had researched about meditation, watched some videos, downloaded an app. But somehow I didn’t fully grasped what meditation was all about. I only knew that it was supposed to give you peace of mind, ground you, reduce stress and depression, etc. just like many research articles show. Something so simple such as closing your eyes, sitting in a comfortable position and let go of your thoughts was too hard. I got frustrated at times because nothing seemed to happen. I had read so many testimonials of people that had changed their lives after starting to practice meditation regularly, or started to notice that they could meditate longer and longer each week. Some would even say that they had contacted other entities during meditation. I had so many expectations due to this success stories but I guessed it wasn’t working for me. Maybe meditation wasn’t for everybody. But I didn’t give up on trying.

Back in 2016, still living in Amsterdam, I had an introduction to Mindfulness meditation class. Maybe I needed some guidance and would finally understand how it worked. I remember that in the end of that class, which lasted one hour, the teacher mentioned that she had recently completed a silent retreat that went on for ten days, called Vipassana. I was in awe. It was something so new for me that my first thought was: “why would people want to be in silence and sit still for ten days?”. This was another level! If I couldn’t even sit still, without having a million thoughts in my head, for ten minutes straight, I could not imagine how would it be possible for ten days. Although I had this introduction to meditation class, I didn’t continue practicing it on a regular basis afterwards.

Months later, while traveling in S.E. Asia I met several people that had done Vipassana or were about to do. It got me more curious. Even though this was becoming to me a very well known “thing” that more and more people were talking about, I never asked too much about it nor researched. I knew I would like to do it eventually, in the near future, and wanted to be surprised somehow. I can’t tell why, but if there’s anything that can potentially challenge myself and make me grow as a person and see things from another perspective, I’m on board sooner or later. From the feedback I got, some people liked the experience, others not so much but all of them had learned something from it. I went on and applied for it in Malaysia, however because there were only so many vacancies, I stayed on the waiting list. I ended up not being called and understood that maybe it wasn’t the right time just yet. Instead I figured that maybe was the time for me to give it a go and start meditating without expectations. It would be a good preparation, and less of a shock, for when I would get accepted into a meditation retreat. I did it on-and-off, from five to ten minutes maximum.

One year and a half later I was in Spain doing Vipassana.

Vipassana, which means “to see things as they really are”, is an ancient meditation technique rediscovered by Buddha more than 2500 years ago. It focus on the interconnection between mind and body through self-observation and is teached by S.N. Goenka. This retreats are available worldwide and are donation based to be accessible to everyone.

The first paragraph of this article relates how it all started. I knew that in order to meditate I would be sitting for several hours – about 10h or 11h (with small breaks in between). What I didn’t know, because had not experienced it yet, was how uncomfortable you can get after a couple hours sitting in the same position. Everything hurts on a physical level, you feel itchiness and want to scratch your head, a fly lands on your nose. And you try to focus on the technique and try not to move. Vipassana teaches you equanimity, which is to observe those sensations and not react to them. It’s not easy by any means but it is achievable (even if for brief moments). I learned not only on a physical level that that is possible, but most importantly on a mental level. Anything that happens in your life, good or bad, will pass just like the itchiness in your head does.

Being in silence 24/7 was the best part for me. I couldn’t gossip (a big flaw of mine), meaningless chit-chat didn’t happen, groups didn’t form. Each individual was focused on themselves. Males and females had two different access routes, dorms, canteens and never crossed paths to avoid distractions.  

On the second day of the retreat was my 30th birthday. I obviously didn’t have access to my cell phone and Wi-Fi to receive birthday messages. But during that day, a rainy day, I never stop thinking about the people that I love and love me back. Including those that I miss dearly and are in another dimension but, I believe, are still in my life. A massive rainbow in the sky smiled at me among the clouds and made my day. Such a simple thing that we don’t do justice to in our day-to-day busy lives but was huge to me in this context.

Everyday in the retreat is basically the same, you even create your own routine. What changes is the level of difficulty that the technique demands every single day. And you start to change as well. It’s a long time spent with yourself, your thoughts, in your head.

After an experience like this, I wish everybody could try it once in life. It’s so uncomfortable to be with our own self for such a long period of time. However, in opposite to what I used to think, I believe that meditation is for everybody. In order to meditate you don’t need to go to a retreat, you don’t need to research and you don’t even need to be sitting with closed eyes. Today I go for long walks to meditate, I wash my dishes or cook in a meditative state. What it means to meditate can vary depending on the technique but there’s not even a need to follow a specific technique. You can simply be present and with every single thought that appears in your mind, you accept it and lay it aside. If another thought comes up, you do the same – you let it aside. And so on and so on. Just by trying to do so, you are already meditating.

Do you practice or have you practiced any kind of meditation? If not, why? Did this article made you at least a little bit curious about meditation or Vipassana?

I leave you with some very interesting scientific data about meditation and some of the effects it can have on your lifestyle and mental health:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Um estado de espirito meditativo (PT)
Imagina-te numa sala cheia de pessoas. Cerca de 120 pessoas. Os homens estão sentados do lado esquerdo da sala e as mulheres do lado direito, formando filas. À frente estão dois mestres – a Mestra está sentada de frente para as filas femininas e o Mestre em frente às filas masculinas.

Há almofadas empilhadas por baixo do rabo de cada indivíduo para que a posição sentada com as pernas cruzadas sejam mais tolerável. Há silêncio. Tanto silêncio que não tens que fazer nenhum esforço para ouvir a respiração da pessoa ao teu lado, o barulho da chuva miudinha lá fora ou os estômagos cantantes de outras pessoas. Todos tem os olhos fechados. Tu fechas os teus olhos também. A viajem começa.

Eu tinha pesquisado sobre meditação, tinha visto alguns vídeos, fiz download de uma app. No entanto não entendia bem o que era de facto a meditação. Só sabia que era suposto dar paz de espírito, fazer-nos estar mais presentes, reduzir stress e depressão, etc. assim como mostram muitos artigos de estudos feitos. Algo tão simples como fechar os olhos, estar sentado numa posição confortável e deixar de lado os pensamentos era demasiado difícil. Por vezes sentia-me frustrada porque nada parecia acontecer. Tinha lido tantos testemunhos de pessoas que mudaram as suas vidas após começarem a praticar meditação regularmente, ou começaram a notar que conseguiam meditar cada mais e mais tempo a cada semana. Algumas pessoas diziam até que tinham conseguido contactar outras entidades durante a meditação. Eu tinha altas expectativas por saber destas histórias de sucesso e já começava a achar que talvez não estivesse a resultar comigo. Talvez meditação não fosse para toda a gente. Mesmo assim não desisti.

Em 2016, ainda a viver em Amesterdão, fui a uma aula de introdução à meditação “Mindfulness”. Talvez o que eu precisava era de alguma orientação para perceber finalmente como é que isto funcionava. Lembro-me que no final da aula, que durou uma hora, a professora mencionou que recentemente tinha estado a fazer um retiro de silêncio com a duração de dez dias, chamado Vipassana. Eu fiquei pasmada. Era algo tão novo para mim que o meu primeiro pensamento foi: “mas por que raio é que as pessoas querem estar em silêncio e sentadas sem quase se mexerem durante dez dias?”. Isto era um nível muito à frente! Se eu mal conseguia estar sentada, por dez minutos seguidos, sem que milhares de pensamentos me ocorressem na cabeça, não imaginava como era possível fazê-lo por dez dias. Mesmo depois desta aula de introdução à meditação acabei por não praticar com regularidade.

Meses mais tarde, a viajar no Sudeste Asiático, conheci várias pessoas que tinham feito Vipassana ou estavam prestes a fazer. Fiquei com mais curiosidade. Embora para mim isto se tivesse a tornar uma “coisa” conhecida, que cada vez mais pessoas falavam, nunca perguntei muito sobre isso nem fiz muita pesquisa. Sabia que eventualmente gostaria de fazê-lo num futuro próximo e queria surpreender-me de alguma forma. Não sei explicar porquê, mas se houver alguma coisa que me possa desafiar potencialmente, fazer-me crescer como pessoa e ver as coisas de outra perspectiva, eu acabo por querer experimentar mais cedo ou mais tarde. Daquel@s que já tinham feito, ouvi comentários positivos, outros nem tanto, mas tod@s el@s diziam que tinham aprendido alguma coisa. Fui em frente e inscrevi-me no retiro na Malásia mas infelizmente todas as vagas já tinha sido preenchidas e eu fiquei em lista de espera. No fim das contas não fui chamada e percebi que talvez ainda não fosse a hora certa. Em vez disso, pensei que estivesse na hora de dar uma outra oportunidade e começar a meditar sem expectativas. Seria uma boa preparação, e menos chocante, para quando fosse aceite num retiro de meditação. Fi-lo sem grande regularidade, de cinco a dez minutos no máximo.

Um ano e meio depois, estava eu em Espanha a fazer Vipassana.

Vipassana, que significa “ver as coisas como elas realmente são”, é uma técnica de meditação ancestral redescoberta por Buda, há mais de 2500 anos. Foca-se na interconexão entre mente e corpo através de auto-observação e é ensinada por S.N. Goenka. Estes retiros estão disponíveis no mundo inteiro e baseiam-se em doações para seres acessíveis a qualquer pessoa.

O primeiro parágrafo deste artigo relata como tudo começou. Eu sabia que para meditar teria de estar sentada várias horas – cerca de 10h ou 11h (com pequenas pausas). O que eu não sabia, porque nunca tinha experienciado, era o quão desconfortável te podes sentir umas horas depois de estares sentado na mesma posição. Tudo dói a nível físico, sentes comichão e queres coçar a cabeça, uma mosca aterra no teu nariz. E tu tentas-te focar na técnica e tentas não te mexer. Vipassana ensina-te equanimidade, que é o observar essas sensações sem que reajas a elas. Não é fácil de modo nenhum mas é alcançável (nem que seja por breves momentos). Eu aprendi que isto é possível não só a nível físico, mas mais importante, a nível mental. Tudo o que aconteça na tua vida, bom ou mau, vai passar assim como a comichão na cabeça passa.

Estar em silêncio 24 sob 24 horas foi a melhor parte para mim. Não podia fofocar (um grande defeito meu), não se fazia conversa fiada, não se formavam grupos. Cada indivídu@ estava focad@ nel@ mesm@. Homens e mulheres tinham dois caminhos de acesso, cantinas e dormitórios distintos e nunca se cruzavam para evitar distrações.

No segundo dia do retiro era o meu aniversário de 30 anos. Obviamente não tinha acesso ao meu telemóvel nem WI-FI para receber mensagens de parabéns. Mas durante aquele dia, bem chuvoso, nunca parei de ter em mente as pessoas que amo e me amam a mim. Incluindo aquelas de quem tenho tantas saudades e estão noutra dimensão mas que, acredito eu, estão ainda na minha vida. No céu um arco-íris enorme sorriu pra mim por entre as nuvens e fez o meu dia. Uma coisa tão simples à qual não damos muito valor no nosso dia-a-dia atarefado mas que neste contexto teve muito significado.

Todos os dias no retiro são basicamente iguais, até crias a tua própria rotina. O que se altera é o nível de dificuldade que a técnica demanda a cada dia. E tu começas a mudar também. É muito o tempo que passas contigo mesmo, os teus pensamentos, dentro da tua cabeça.

Depois de uma experiência destas, gostava que todas as pessoas pudessem experimentá-la uma vez na vida. É tão desconfortável estarmos connosco próprios por um longo período de tempo. Ainda assim, contrariando o que eu costumava pensar, acredito que a meditação é sim para toda a gente. Para meditares não precisas de fazer um retiro, não precisas de pesquisar sobre isso e nem precisas de te sentar de olhos fechados. Hoje faço caminhadas longas para meditar, lavou a loiça ou cozinho num estado meditativo. O tipo de meditação pode variar consoante a técnica utilizada mas nem sequer é necessário seguir uma técnica específica. Podes estar simplesmente presente e a cada pensamento que apareça na tua mente, tu aceita-o e deixa-o ir. Se outro pensamento vier fazes o mesmo – deixa-o ir. E assim por diante. Só pelo facto de tentares fazê-lo, já estás a meditar.

Praticas ou já praticaste algum tipo de meditação? Se não, porquê? Este artigo deixou-te um pouco mais curios@ sobre a meditação ou sobre Vipassana?

Deixo-te com os seguintes artigos científicas, muito interessantes acerca da meditação e alguns dos seus efeitos a nível de estilo de vida e saúde mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Un estado de espíritu meditativo (ES)

Imagínate en una sala llena de gente. Cerca de 120 personas. Los hombres están sentados en el lado izquierdo de la sala y las mujeres del lado derecho, formando filas. Delante están dos maestros – la Maestra está sentada frente a las filas femeninas y el Maestro frente a las filas masculinas.

Hay cojines apilados debajo del culo de cada individu@ para que la posición sentada con las piernas cruzadas sea más tolerable. Hay silencio. Tanto silencio que no tienes que hacer ningún esfuerzo para oír la respiración de la persona a tu lado, el ruido de la lluvia en el exterior o los estómagos cantantes de otras personas. Todos tienen los ojos cerrados. Tú cierras tus ojos también. El viaje comienza.

Yo había investigado acerca de la meditación, había visto algunos vídeos, descargué una aplicación. Sin embargo, no entendía bien lo que era de hecho la meditación. Sólo sabía que se suponía dar paz de espíritu, hacernos estar más presentes, reducir el estrés y la depresión, etc. así como muestran muchos artículos de estudios hechos. Algo tan simple como cerrar los ojos, estar sentado en una posición cómoda y dejar de lado los pensamientos era demasiado difícil. A veces me sentía frustrada porque nada parecía suceder. Había leído tantos testimonios de personas que cambiaron sus vidas después de comenzar a practicar meditación regularmente, o empezaron a notar que podían meditar cada vez más cada semana. Algunas personas decían hasta que habían logrado contactar a otras entidades durante la meditación. Yo tenía altas expectativas por saber de estas historias de éxito y ya empezaba a pensar que quizás no resultara conmigo. Quizás la meditación no era para todo el mundo. Sin embargo, no desisti.

En 2016, aún viviendo en Amsterdam, fui a una clase de introducción a la meditación “Mindfulness”. Quizás lo que necesitaba era de alguna orientación para percibir finalmente cómo funcionaba. Recuerdo que al final de la clase, que duró una hora, la profesora mencionó que recientemente había hecho un retiro de silencio con la duración de diez días, llamado Vipassana. Me quedé pasmada. Era algo tan nuevo para mí que mi primer pensamiento fue: “¿pero por qué es que la gente quiere estar en silencio y sentada sin moverse durante diez días?”. ¡Esto era un nivel muy por delante! Si yo apenas podía estar sentada por diez minutos seguidos, sin que miles de pensamientos me ocurrieran en la cabeza, no imaginaba cómo era posible hacerlo por diez días. Incluso después de esta clase de introducción a la meditación después terminé por no practicar con regularidad.

Meses más tarde, viajando en el Sudeste Asiático, conocí a varias personas que habían hecho Vipassana o estaban a punto de hacerlo. Me quedé con más curiosidad. Aunque para mí, esto se convirtió en una “cosa” conocida, de la que cada vez más personas hablaban, nunca pregunté mucho sobre ello ni hice mucha investigación. Sabía que eventualmente quisiera hacerlo en un futuro próximo y quería sorprenderme de alguna manera. No sé explicar por qué, pero si hay algo que me pueda desafiar potencialmente, hacerme crecer como persona y ver las cosas desde otra perspectiva, lo probaré tarde o temprano. De l@s que ya lo habían hecho, oí algunos comentarios positivos, otros no tanto, pero tod@s el@s decían que habían aprendido algo. Fui adelante y me inscribí en un retiro en Malasia pero desafortunadamente todas las vacantes ya habían sido llenadas y me quedé en lista de espera. Al final de cuentas no me llamaron y me di cuenta de que quizás no fuera el momento ideal. En vez de eso, pensé que era  la hora de darle otra oportunidad y empezar a meditar sin expectativas. Sería una buena preparación, y menos drástica, para cuando fuera aceptada en un retiro de meditación. Lo hice sin gran regularidad, entre cinco a diez minutos como máximo.

Un año y medio después yo estaba en España haciendo Vipassana.

Vipassana, que significa “ver las cosas como realmente son”, es una técnica de meditación ancestral redescubierta por Buda, hace más de 2500 años. Se centra en la interconexión entre la mente y el cuerpo a través de la auto-observación y es enseñada por S.N. Goenka. Estos retiros están disponibles en todo el mundo y se basan en donaciones para ser accesibles a cualquier persona.

El primer párrafo de este artículo relata cómo empezó todo. Sabía que para meditar tendría que estar sentada varias horas – alrededor de 10h o 11h (con pequeñas pausas). Lo que no sabía, porque nunca había experimentado, era lo incómodo que te puedes sentir después de estar sentado en la misma posición al largo de algunas horas. Todo duele a nivel físico, sientes picor y quieres rascarte la cabeza, una mosca aterriza en tu nariz. Y tú te intentas enfocar en la técnica e intentas no moverte. Vipassana te enseña ecuanimidad, que es el observar esas sensaciones sin reaccionar a ellas. No es fácil pero es alcanzable (ni que sea por breves momentos). He aprendido que esto es posible no sólo a nivel físico, sino también a nivel mental. Todo lo que suceda en tu vida, bueno o malo, pasará así como pasó aquel picor en la cabeza.

Estar en silencio todo aquel tiempo fue la mejor parte para mí. No podía marujear (un gran defecto mío), no se charlava, no se formaban grupos. Cada individu@ estaba enfocado en si mism@. Hombres y mujeres tenían dos caminos de acceso diferentes, cantinas y dormitorios distintos y nunca se cruzaban para evitar distracciones.

En el segundo día del retiro era mi 30º cumpleaños. Obviamente no tenía acceso a mi teléfono móvil ni al WI-FI para recibir mensajes de felicitaciones. Pero durante ese día, bien lluvioso, nunca dejé de tener en mente a las personas que amo y me aman a mí. Incluyendo aquellas que echo mucho de menos y están en otra dimensión pero que, creo yo, todavía están en mi vida. En el cielo un arco iris enorme me sonrió por entre las nubes e hizo mi día. Una cosa tan simple a la que no daría mucho valor en mi día a día en este contexto tuvo mucho significado.

Todos los días en el retiro son básicamente iguales, hasta creas tu propia rutina. Lo que se altera es el nivel de dificultad que la técnica demanda cada día. Y tú empiezas a cambiar también. Es mucho el tiempo que pasas contigo mismo, tus pensamientos, dentro de tu cabeza.

Después de una experiencia de estas, me gustaba que todas las personas pudieran experimentarlo una vez en la vida. Es muy incómodo estar con nosotros mismos por un largo período de tiempo. Sin embargo, contrariando lo que yo solía pensar, creo que la meditación es para todo el mundo. Para meditar no necesitas hacer un retiro, no necesitas investigar sobre ello y no necesitas sentarte con los ojos cerrados. Hoy hago caminatas largas para meditar, friego las vajillas o cocino en un estado meditativo. El tipo de meditación puede variar según la técnica utilizada, pero ni siquiera es necesario seguir una técnica específica. Podrás estar simplemente presente y aceptar cada pensamiento que aparezca en tu mente y dejándolo irse. Si otro pensamiento viene haces lo mismo lo dejar irse. Sólo por el hecho de intentar hacerlo, ya estás meditando.

¿Practicas o has practicado algún tipo de meditación? Si no, ¿por qué? Este artículo te dejó un poco más curios@ sobre la meditación o sobre el Vipassana?

Te dejo con los siguientes artículos científicos, muy interesantes acerca de la meditación y algunos de sus efectos a nivel de estilo de vida y salud mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

Believe in those who believe in you

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Cree en los que creen en ti (ES)

Believe in those who believe in you (EN)

After being away from my own country for seven years, I decided to give it a go and come back for unlimited time. Even more, after being away from my own hometown for thirteen years, I decided to give it a go and see what’s here for me.

Some acquaintances, that know that I was living somewhere else, were curious in the beginning to find out what brought me here. Unknown people, that I have been meeting since my arrival, are in awe once I tell them that I just arrived some months ago, after being away living in other countries. It’s odd to be from a place and not knowing street names, where specific supermarkets are located, where do people my age meet for a drink etc. One of these days, I decided to go on (what I thought was a) shortcut and end up being lost through a tangle of streets and alleys. Was fun!

The second most asked question, done in many different ways, since I came back – after the question “Are you already working?” (Work in progress) – is “What are you doing here?”, “How come you decided to come back?”, “What’s here for you in this lethargic place?”.

I get that I’m living in a small city (very subjective), with a population of about 55 thousand, and obviously there’s less to do here than in a capital city or a bigger city. But those questions kind of threw me off a little. Here I was, quite excited to be back, in peace with my city, looking forward to be with my friends and family but for some reason I felt like “yeah, maybe I don’t belong here”. If my compatriots were the ones questioning my return maybe the truth is that there was nothing here for me.

Then I started my business and some people were very sceptical about it, saying that this area (holistic nutrition) was way too advanced for this city’s mentality. Telling me that it would be very difficult to get clients, that people were not opened enough yet to new ideas. However, that was exactly why I came here in a way, because I wanted to “awake” some people and help them with better choices, to live better lives and thrive.  

On the other hand, I had (have) some friends and family that cheer me up and help me with what they can and I’m truly grateful for their support. That gives me way more power than those people who don’t believe in change.

I choose to believe in those who encourage me in doing what I like instead of getting slammed with negative and outdated mentalities.  So I keep going.

By coming back I never intended to stay here forever. I just wanted to try and see how things are here, what has changed, what’s in trend. I also wanted to experience again having a sunny winter, speaking my own language, being close to friends and family, eating local food, having my own garden with fruits and veggies.  Those are the pros of coming back.

Living abroad connected me to people from all over the world; I grew up as a person by struggling and having to do things on my own; speaking a different language (English) became second nature to me; it made me appreciate the warm and sunny days; I became an outdoorsy person; it made me re-evaluate the way I think continually by meeting new realities; I was stimulated culture wise. Those were the pros of living abroad.

I won’t write about the cons of either living abroad or the cons of being back to my home country, as I don’t want to concentrate on the negative points. Instead I would like to encourage those who have plans to start something new or change something in their lives, to go ahead and focus on what makes them happy. More, surround yourself with the people that love you, encourage you and support you instead with those who don’t believe in your success. Your success will be a way of honouring and thanking those that had your back. And hopefully it will encourage them to pursue their goals too.

 

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Depois de estar fora do meu país por sete anos, decidi dar uma oportunidade e voltar por tempo indeterminado. Mais ainda, depois de estar fora da cidade onde nasci por treze anos, decidi dar-lhe uma oportunidade e ver o que há aqui para mim.

Alguns conhecidos, que sabiam que eu tinha vivido fora do país, estavam curiosos no início para saberem o que me trazia aqui. Desconhecidos, com quem privei ao longo destes meses, ficaram estupefactos quando lhes disse que estava a viver fora mas que agora tinha decidido voltar. É estranho ser-se de um sítio e não se saber o nome das ruas, onde ficam certas lojas, onde é que as pessoas da minha idade se encontram para tomar uma bebida etc. Um dia destes, decidi enveredar por o que pensava ser um corta-mato e acabei perdida por ruas e ruelas. Foi engraçado!

A segunda pergunta que mais me fazem desde que cheguei, logo atrás da pergunta “Já arranjaste trabalho?” (Trabalho em curso) é feita de formas diferentes – “O que vieste aqui fazer?”, “Por que motivos decidiste voltar?”, “O que vieste fazer à pasmaceira desta cidade?”.

Compreendo que estou a viver numa cidade pequena (muito subjectivo), com 55 mil habitantes, e obviamente há menos para se fazer aqui do que numa capital ou cidade grande. Mas aquelas perguntas desanimaram-me um pouco. Aqui estava eu, toda animada por estar de volta, em paz com a minha cidade, desejosa de estar com os meus amigos e família mas por alguma razão senti que “bom, talvez eu afinal não pertença aqui”. Se os meus conterrâneos questionavam o meu regresso, talvez não houvesse mesmo nada aqui para mim.

Entretanto comecei o meu negócio e algumas pessoas mostravam-se muito sépticas quanto a isso, diziam que a minha área (nutrição holística) era muito “à frente” para a mentalidade desta cidade. Diziam que seria muito difícil arranjar clientes pois as pessoas não estão ainda abertas a ideias novas. No entanto, era essa uma das razões pela qual eu tinha decidido voltar, porque queria ajudar as pessoas a “despertar” e a fazerem melhores escolhas alimentares para que tivessem uma vida melhor a todos os níveis.

Por outro lado, tinha (e tenho) alguns amigos e familiares que me animam e ajudam como podem e eu estou verdadeiramente grata pelo seu apoio. Isso dá-me muito mais força do que aqueles que não acreditam em mudanças.

Eu escolho acreditar naqueles que me encorajam a fazer o que eu gosto do que nos outros que têm mentalidades retrógradas e negativas. Então continuo em frente.

Voltar para mim nunca significou ficar aqui para sempre. Eu só queria tentar e ver como as coisas estão por aqui, o que mudou, o que está na moda. Queria também lembrar-me do que era um Inverno solarengo, falar a minha língua materna, estar perto de amigos de longa data e familiares, comer coisas locais, ter o meu jardim com frutas e vegetais. Estes são os prós de ter retornado.

Viver noutros países conectou-me com pessoas do mundo inteiro; cresci como pessoa por ter passado algumas dificuldades sozinha; ajudou-me a poder falar uma segunda língua (Inglês) de forma automática; fez-me dar valor aos dias quentes e ao sol; tornei-me numa pessoa que gosta de fazer actividades na natureza; fez-me reavaliar a forma como penso continuamente por ter conhecido realidades tão diferentes da minha; fui estimulada culturalmente. Estes foram os prós de viver fora.

Não escreverei agora sobre os “contras” de viver no meu país ou fora dele pois não me quero centrar em pontos negativos. Em vez disso quero encorajar aquel@s que têm planos para começar algo de novo ou mudar qualquer coisa nas suas vidas, a irem em frente e focarem-se naquilo que os faz feliz. Mais, rodearem-se daqueles que vos amam, encorajam e dão apoio em vez de estarem com aquel@s que não acreditam no vosso sucesso. O vosso sucesso será uma forma de honrar e agradecer aquel@s que acreditaram em vocês. E talvez el@s própri@s se sintam inspirados a correrem atrás dos seus objectivos.

 

Cree en los que creen en ti (ES)

Después de estar fuera de mi país durante siete años, decidí dar una oportunidad y volver por tiempo indefinido. Más aún, después de estar fuera de la ciudad donde nacía por trece años, decidí darle una oportunidad y ver lo que hay aquí para mí.

Algunos conocidos, que sabían que yo había vivido fuera del país, estaban curiosos al principio para saber lo que me traía aquí. Desconocidos, con quienes prive a lo largo de estos meses, se sorprendieron cuando les dije que había estado fuera y que ahora había decidido volver. Es extraño ser de un sitio y no saber el nombre de las calles, donde están ciertas tiendas, donde las personas de mi edad se encuentran para tomar una copa, etc. Un día de estos, decidí emprender por lo que pensaba ser un camino más corto y acabé perdida por calles y callejuelas. ¡Fue divertido!

La segunda pregunta que más me hacen desde que llegué, justo después de la pregunta “¿Ya tienes trabajo?” (Trabajo en curso) se hace de formas diferentes – “¿Qué has venido a hacer aquí?”, “¿Por qué motivos decidiste volver?”, “¿Porque has vuelto a esta ciudad tan parada?”.

Entiendo que estoy viviendo en una ciudad pequeña (muy subjetivo), con 55 mil habitantes, y obviamente hay menos cosas que hacer aquí que en una capital o ciudad grande. Pero esas preguntas me desanimaron un poco. Aquí estaba yo, toda animada por haber vuelto, en paz con mi ciudad, deseosa de estar con mis amigos y familia, pero por alguna razón sentí que “bueno, tal vez yo no pertenezca aquí”. Si mis compatriotas cuestionaban mi regreso, quizás no hubiera nada aquí para mí.

Después empecé mi propio negocio y algunas personas se mostraban muy sépticas en cuanto a eso, decían que mi área (nutrición holística) estaba muy “por delante” para la mentalidad de esta ciudad. Dijeron que sería muy difícil conseguir clientes porque la gente no está todavía abierta a nuevas ideas. Sin embargo, esa era una de las razones por las que había decidido volver, porque quería ayudar a la gente a “despertar” y hacer mejores elecciones alimentarias para que tuvieran una vida mejor a todos los niveles.

Por otro lado, tenía (y tengo) algunos amigos y familiares que me animan y ayudan como pueden y estoy realmente agradecida por su apoyo. Esto me da mucho más fuerza que los que no creen en los cambios.

Yo elijo creer en aquellos que me animan a hacer lo que me gusta y no en los demás que tienen mentalidades retrógradas y negativas. Entonces sigo adelante.

Volver a mí cuidad nunca significó quedarme aquí para siempre. Sólo quería intentar y ver cómo las cosas están por aquí, lo que cambió, lo que está de moda. Quería también recordarme lo que era un invierno soleado, hablar mi lengua materna, estar cerca de los amigos de siempre y de mi familia, comer platos tradicionales, tener mi huerto con frutas y verduras. Estos son los pros de haber regresado.

Vivir en otros países me conectó con personas de todo el mundo; crecí como persona por haber pasado algunas dificultades sola; me ayudó a poder hablar una segunda lengua (Inglés) de forma automática; me hizo dar valor a los días calientes y al sol; me he converti en una persona que le gusta hacer actividades en la naturaleza; me hizo reevaluar mi forma de pensar continuamente por haber conocido realidades tan diferentes de la mía; me estimuló culturalmente. Estos fueron los pros de vivir fuera.

No escribiré ahora sobre los “contras” de vivir en mi país o fuera de él porque no quiero centrarme en puntos negativos. En vez de eso quiero animar a aquell@s que tienen planes para comenzar algo nuevo o cambiar cualquier cosa en sus vidas, a seguir adelante y enfocarse en lo que les hace felices. Más, os animo a rodearse de aquellos que os quieren, alientan y dan apoyo en vez de estar con aquellos que no creen en vuestro éxito. Vuestro éxito será una forma de honrar y agradecer a los que creyeron en vosotr@s. Y quizás ellos mismos se sientan inspirados a perseguir sus objetivos.

Work in progress

Trabalho em curso (PT)

Trabajo en curso (ES)

Work in progress (EN)

Intro

Every job has its pros and cons. I had six different jobs throughout my life, from working on entertainment shows on TV to cocktail bar back, from handling passengers at the airport to being a clerk in a “9 to 5” job. In fact the latter was the only job that I had with such schedule and it only lasted for a couple months. I’ll get back to this job a little further on.

Peculiar schedules

Having to wake up early was something truly difficult for me since I was a child. My sister was an early bird and as soon as she was up, she would go to the living room to watch cartoons. I would stay in bed till later. In teenage years I would only wake up at noon, as most teenagers, and I recall that it was really hard to wake up to attend morning classes in high school. Later in University years, I got the chance to choose afternoon classes and was able to avoid the upsetting alarm. This made me understand that I was a much happier person with this type of schedule – staying up late, working or watching series and waking up just before noon. I got my projects done much better at night as I felt like the creative part of me was truly awakened. (This changed in most recent years, for some reason, and I’m now a “morning person”).

Playing make believe

Then I got my first “earnest” job. I was fortunate again to be able to choose the schedule and the same happened later on with other jobs – except for the clerk job! That 9 to 5 job was clearly not my cup of tea. As an organized person, the tasks given to me were all done before lunchtime. My boss at the time did not understand how I was able to get the tasks done so quickly and well as the previous clerk had the exact same tasks and complaint of too much work. As there was nothing else for me to do after lunch, I asked my boss if I could go part-time. She denied my proposal because a clerk is supposed to pick up calls and I was encouraged to find a way of keeping myself busy. In other words, my words, I was basically asked to “pretend I was working”. So my job in the afternoon was to “look as if I was busy” and pick up calls every now and then. Calls that everybody else in that office could pick-up. In fact my job was to transfer calls to the right department, meaning that I couldn’t solve any problem from suppliers or clients. This to say that, even though I was offering to get the same job done as a part-timer (and was full aware that I would get a smaller payment), my employer wouldn’t accept it because of a predefined timetable. That’s how formatted the system is. In my mind, I could not comprehend that. I mean, I would rather have less money but more time to do other useful things, than being in that office just because. For me was a waste of my time all along.

Generation gaps

I think that most of the people from my generation, called “Millennials”, don’t put up with this kind of rules. We prefer to do something with meaning, something that gives us some pleasure, something to value our time. Also something that most of the people form the previous generation, our parents generation, doesn’t fully understand. As they are used to work from “9 to 5” their whole lives, with 30+ years of career (sometimes in the exact same office) it’s quite usual for them to think how odd it is to work weekends, to have rotating shifts or to work from home. I don’t mean to criticize this form of thinking as we all have different backgrounds. However, in order for both generations to get along, we need to accept each other’s ways of living. It’s a work in progress.

The comeback

Since I arrived in my hometown, after seven years of living abroad, the most asked questions I have been getting are: “Are you working?”, “Where do you work now?”, “Are you looking for a job?”. When my answer is “Yes, I have a job! I’m a freelancer, working from home and doing what I love.”, people’s reactions are hilarious. They don’t call that a job. Because from their point of view, a job is something you kind of have to do, just so you have a payment every month, even if you don’t like it, and you better comply with it.

How does it work?

Life teached me that our time here is way too short for me to comply with something that I kind of have to do just so others can kind of accept me, understand me or take me seriously. So yes, I work at home, I work from home, I can work all day in my pyjamas. I can also choose not to work for an entire day just like other people do during their days off or weekends. But I probably work more hours than “9 to 5 jobs” because I don’t leave the office and I don’t close the store. I might be on social media because that’s part of my job and most of the times I cannot even differentiate weather if I’m working or if I’m on a break. Because I love what I do and it seems that I’m playing the whole day but that doesn’t mean that I’m not working. In fact if you are a freelancer, you need to be organized, a goal setter, a go-getter and a strong-willed person. You cannot rely on “pretending that you’re working” because that won’t pay your bills.

I can also work from anywhere at anytime, as some of my services can be done via skype, whatsapp and online platforms. Working and being a nomad requires extra effort and discipline, otherwise you won’t get any work done, neither will you enjoy the beautiful landscapes and sunsets outside the window.

Questions for you

Are you the kind of person that only considers a job serious if there’s some distress along the way?  What makes you think that you need to have a job that doesn’t fulfill you? What do you think about jobs that don’t seem like jobs because you can actually have fun working on them? What keeps you from having a job doing something that you like? Do you think that society judges those that do what they love?

Trabalho em curso (PT)

Introdução

Todos os trabalhos têm os seus prós e contras. Eu tive seis trabalhos diferentes ao longo da vida, desde trabalhar em programas de entretenimento na TV a servir cocktails em bares, desde técnica de tráfego aéreo no aeroporto a secretária num trabalho das “9h às 17h”. De facto este trabalho como secretária foi o único que tive como este tipo de horário e durou apenas um par de meses. Voltarei a falar neste trabalho um pouco mais à frente.

Horários peculiares

Ter de acordar cedo foi sempre algo muito difícil para mim desde pequena. A minha irmã era madrugadora e assim que acordava, ia para a sala de estar para ver desenhos-animados. Eu gostava de ficar na cama até mais tarde. Na adolescência acordava à hora de almoço, assim como muitas adolescentes, e recordo-me que era realmente difícil para mim ter de acordar cedo para estar presente nas aulas da manhã no Secundário. Depois, já na Universidade, tive a oportunidade de escolher as aulas da tarde, evitando assim aquele despertador ingrato. Isso fez com que eu percebesse que era uma pessoa mais feliz com este tipo de horário – estar acordada até tarde, a trabalhar ou ver séries e acordar quase às 12h. Os meus projectos faziam-se muito melhor à noite quando eu sentia que a minha parte criativa estava verdadeiramente desperta. (Isto alterou-se mais recentemente, por alguma razão, e sou agora uma “pessoa matinal”).

Brincar ao faz-de-conta

Depois tive o meu primeiro “trabalho a sério”. Tive novamente a sorte de poder escolher o meu horário e o mesmo aconteceu com trabalhos que se seguiram – excepto o tal trabalho de secretária! Esse trabalho das 9h às 17h não era de todo “a minha praia”. Como sou bastante organizada, as tarefas que me eram dadas no início da jornada ficavam facilmente concluídas até à hora de almoço. A minha chefe não compreendia como era possível que eu completasse as tarefas tão rapidamente quando a secretária anterior se queixava frequentemente de demasiado trabalho. Por não ter mais nada que fazer depois de almoço, sugeri à minha chefe fazer o trabalho em part-time. Ela recusou essa proposta, porque uma secretária supostamente deve também atender telefonemas, e fui encorajada a arranjar forma de me ocupar. Por outras palavras, as minhas palavras, fui basicamente incentivada a “fazer-de-conta” que trabalhava. Então o meu trabalho na parte da tarde era parecer que estava ocupada e atender chamadas de vez em quando. Chamadas essas que qualquer pessoa naquele escritório poderia atender. Na verdade o meu trabalho era transferir chamadas para o departamento adequado, o que quer dizer que eu nem sequer poderia resolver nenhum problema com fornecedores ou clientes. Isto para dizer que, mesmo estando eu a oferecer fazer o mesmo trabalho mas a tempo parcial (e aceitando que o pagamento seria mais baixo), o meu empregador não queria aceitar por causa de um horário estipulado. O sistema é assim: formatado. Na minha cabeça eu não compreendia aquilo. Eu preferia ganhar menos dinheiro mas ter mais tempo para fazer outras coisas úteis, do que estar ali naquele escritório só porque sim. Era uma perca de tempo no fim das contas.

Diferenças entre gerações

Julgo que a maior parte das pessoas da minha geração, designada por “Millennials”, não atura estas regras. Preferimos fazer algo mais substancial, algo que nos dê mais prazer, algo que valorize o nosso tempo. Também algo que a maior parte das pessoas das gerações anteriores, como a geração dos nossos pais, não compreendem bem. Como estão habituados a trabalhar “das 9h às 17h” a vida toda, com trinta ou mais anos de carreira (às vezes no mesmíssimo escritório) é normal que achem estranho que se trabalhe durante fins-de-semana, ter horários rotativos or trabalhar a partir casa. Eu não escrevo com o intuito de criticar essa forma de pensar pois todos temos diferentes procedências. Ainda assim, para que as duas gerações se consigam entender, temos que aceitar a forma de viver de cada um. É um trabalho em curso.

O regresso

Desde que regressei à minha cidade natal, depois de sete anos a viver no estrangeiro, as perguntas que mais me fazem são: “Já estás a trabalhar?”, “Onde trabalhas agora?”, “Estás à procura de trabalho?”. Quando a minha resposta é “Sim, eu trabalho! Sou trabalhadora independente, trabalho a partir de casa e adoro o que faço.”, a reacção das pessoas é hilariante. Elas não acham que isso seja um trabalho. Porque, do ponto de vista delas, um trabalho é algo que tu tens de fazer para que um salário te caia na conta todos os meses, mesmo que não gostes do que fazes, e é bom que te conformes com isso.

Como é que isso funciona?

A vida ensinou-me que o nosso tempo aqui é curto demais para eu me conformar com algo que eu tenho que fazer, para que os outros me possam aceitar, compreender ou levar a sério. Então sim, eu trabalho em casa, eu trabalho a partir de casa, eu posso trabalhar o dia todo de pijama. Também me posso dar ao luxo de não trabalhar um dia inteiro assim como as outras pessoas fazem durante as suas folgas ou fins-de-semana. Eu provavelmente até trabalho mais horas do que se estivesse num trabalho das “9h às 17h” porque eu não me vou embora do escritório e não fecho a loja ao final do dia. Posso estar muito nas redes sociais porque isso faz parte do meu trabalho e a maior parte das vezes nem eu consigo perceber se estou a trabalhar ou numa pausa. Porque eu adoro o que faço pode parecer que eu estou a brincar o dia todo, mas isso não significa que não esteja a trabalhar. Na verdade se fores um@ trabalhad@r independente, precisas de ser organizad@, ter objectivos, batalhar e ter força de vontade. Não podes “encostar-te” à ideia de fazer-de-conta que estás a trabalhar porque isso não te irá pagar as contas.

Também posso trabalhar de onde quiser ás horas que quiser pois alguns dos meus serviços podem ser proporcionados por skype, WhatsApp ou outras plataformas online. Ser nómada e trabalhar requer extra disciplina e esforço, senão o trabalho não será feito nem tampouco aproveitada sa vistas maravilhosas e os pôr-do-sol que se vêm da janela.

Perguntas para ti

És o tipo de pessoa que só considera que um trabalho é sério se houver algum sacrifício? O que te faz pensar que tens que ter um trabalho que não te realiza? O que achas dos trabalhos que não parecem trabalhos porque podes desfrutar deles? O que te impede de ter um trabalho que gostes? Achas que a sociedade julga aqueles que fazem o que gostam?

 

Trabajo en curso (ES)

Introducción

Todos los trabajos tienen sus pros y sus contras. He tenido seis trabajos diferentes a lo largo de la vida, desde trabajar en programas de entretenimiento en la televisión a servir cócteles en bares, pasando por técnica de tráfico aéreo en el aeropuerto hasta secretaria en un trabajo de 9 a 5. De hecho este trabajo como secretaria fue el único que tuve como este tipo de horario y duró sólo un par de meses. Volvemos a hablar sobre este trabajo un poco más adelante.

Horarios peculiares

Despertarme temprano siempre fue algo muy difícil para mí , incluso cuando era pequeña. Mi hermana era madrugadora y se despertaba pronto para ver dibujos animados. A mi me gustaba quedarme en la cama hasta más tarde. En la adolescencia me despertaba casi a la hora de comer  y recuerdo que era realmente difícil para mí tener que despertar temprano para estar presente en las clases de la mañana en el Bachiller. Después, ya en la Universidad, tuve la oportunidad de escoger el turno de la tarde, evitando así ese despertador ingrato. Esto hizo que me diera cuenta de que era una persona más feliz con este tipo de horario – estar despierta hasta tarde, trabajando o viendo series y despertar casi a las 12h. Mis proyectos se hacían mucho mejor por la noche cuando sentía que mi parte creativa estaba verdaderamente despierta. (Esto se ha cambiado más recientemente, por alguna razón, y ahora soy una “persona matinal”).

Fingir que se hace

Después tuve mi primer “trabajo en serio”. Tuve la suerte de poder elegir mi horario y lo mismo sucedió con los trabajos que siguieron – excepto el trabajo de secretaria! Este trabajo de las 9h a las 17h no era en absoluto para mi. Como soy bastante organizada, las tareas que me daban al inicio de la jornada quedaban fácilmente concluidas hasta la hora de comer. Mi jefa no comprendía cómo era posible que yo completara las tareas tan deprisa cuando la secretaria anterior se quejaba a menudo de demasiado trabajo. Por no tener nada que hacer después de comer, sugerí a mi jefa hacer el trabajo a media jornada. Ella rechazó esa propuesta, porque una secretaria supuestamente debe también coger llamadas telefónicas, y me animó a buscar otra forma de ocuparme. En otras palabras, mis palabras, fui incentivada a pasar las tardes fingiendo que trabajaba. Entonces mi trabajo por la tarde era parecer que estaba ocupada y contestar a algunas llamadas de vez en cuando. Llamadas esas que cualquier persona en la oficina podría coger. De hecho, mi trabajo era transferir llamadas al departamento adecuado, lo que quiere decir que ni siquiera podría resolver ningún problema con los proveedores o los clientes. Esto para decir que, aunque yo hubiese ofrecido la posibilidad de hacer el mismo trabajo pero a media jornada (y aceptando que el pago sería más bajo), mi empleador no quería aceptar a causa de un horario estipulado. El sistema es así: formateado. En mi cabeza no comprendía eso. Yo preferiría ganar menos dinero pero tener más tiempo para hacer otras cosas útiles, que estar allí en esa oficina sólo porque sí. Era una pérdida de tiempo al final de cuentas.

Diferencias entre generaciones

Creo que la mayoría de la gente de mi generación, denominada “Millennials”, no tolera reglas. Preferimos hacer algo más sustancial, algo que nos dé más placer, algo que valore nuestro tiempo. Esto es algo que la mayoría de las personas de las generaciones anteriores, como la generación de nuestros padres, no entiende. Como están acostumbrados a trabajar “de las 9 a las 5” toda la vida, con treinta o más años de carrera profesional (a veces en la mismísima oficina) es normal que vean raro que se trabaje durante los fines de semana, tener horarios rotativos o trabajar desde casa. Yo no escribo con la intención de criticar esa forma de pensar pues todos tenemos diferentes procedencias. Sin embargo, para que las dos generaciones se consigan entender, tenemos que aceptar la forma de vivir de cada uno. Es un trabajo en curso.

El regreso

Desde que regresé a mi ciudad natal, después de siete años viviendo en el extranjero, las preguntas que la gente más me hace son: “¿Ya estás trabajando?”, “¿Dónde trabajas ahora?”, “¿Estás buscando trabajo?”. Cuando mi respuesta es “Sí, yo trabajo! Soy trabajadora independiente, trabajo desde casa y adoro lo que hago.”, La reacción de las personas es hilarante. Ellas no creen que eso sea un trabajo. Porque desde su punto de vista, un trabajo es algo que tienes que hacer para que un salario te caiga en la cuenta bancária todos los meses, aunque no te guste lo que haces, y es bueno que te conformes con eso.

¿Cómo funciona?

La vida me enseñó que nuestro tiempo aquí es demasiado corto para conformarme con algo que tengo que hacer para que los demás me puedan aceptar, comprender o tomar en serio. Así que sí trabajo en casa, trabajo desde casa, puedo trabajar todo el día en pijama. También me puedo dar el lujo de no trabajar un día entero como las otras personas hacen durante en los festivos o fines de semana. Probablemente incluso trabaje más horas que si estuviera en un trabajo de 9 a 5 porque no me voy de la oficina ni cierro la tienda al final del día. Paso mucho tiempo en las redes sociales porque eso es parte de mi trabajo y a  veces ni siquiera puedo percibir si estoy trabajando o en una pausa. Porque me encanta lo que hago, puede parecer que estoy jugando todo el día, pero eso no significa que no esté trabajando. En realidad si eres un@ trabajador@ independiente, necesitas ser organizad@, tener objetivos, batallar y tener fuerza de voluntad. No puedes fingir que estás trabajando, porque eso no te va a pagar las cuentas. 

También puedo trabajar desde donde quiera a las horas que quiera porque algunos de mis servicios pueden ser proporcionados por Skype, WhatsApp u otras plataformas online. Ser nómada y trabajar requiere extra disciplina y esfuerzo, sino el trabajo no será hecho y la vista maravillosa que se ve de la ventana tampoco la aprovechas.

Preguntas para ti

¿Eres el tipo de persona que sólo considera que un trabajo es serio si hay algún sacrificio? ¿Qué te hace pensar que tienes que tener un trabajo que no te realiza? ¿Qué crees de los trabajos que no parecen trabajos porque puedes disfrutar de ellos? ¿Qué te impide tener un trabajo que te guste? ¿Crees que la sociedad juzga a aquellos que hacen lo que les gusta?

Walking away from jealousy

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Walking away from jealousy (EN)

While talking to a good friend the other day about her love life, she then said “It’s good to have some jealousy in a relationship” to which I answered “why would you say that?” to what she replies “Well, it means that your partner likes you…”.

The conversation went on and I was in total disagreement with her point of view. However, I knew where she was coming from. I once thought exactly the same! Back then, when I used to think that jealousy was part of a romantic relationship, I never questioned myself to understand why I had this belief. I just had it probably because that’s what I learned.

I remember at early age having jealousy “attacks”, normally because my sister was having more attention from my mother than me in some situation. That feeling of seeking exclusive attention from someone else, without having to share it,  was something very familiar to me. Most of us don’t get to have an explanation of the feelings we are experiencing while growing up. If we feel frustrated we are grounded, if we feel annoyed therefore we are considered ill-behaved and when we feel bored someone gives us another task just so we are entertained again. We end up not knowing why we feel the way we feel.  We end up not knowing why we behave the way we do. We end up not learning how to deal with our feelings. We just get that something is wrong or right with no reason and no explanation. This is something we all have to deal with as kids.

Then we grow up and jump into romantic relationships. Our partner is flirting with another person and here it comes again that same feeling. It’s human, everybody felt this way at some point in their lives. And it’s ok. What today I realise it’s not ok, is the fact that we don’t understand our own feelings so we act according to them without being aware of that.

I can say that when I was in a long-term relationship I was super jealous at some point. It wasn’t much in the beginning surprisingly. But as soon as I suspected of infidelity my “radar” fired up. I started to be this mad person that was always thinking that my boyfriend at the time was surely cheating on me. I couldn’t help it but being in a loop of negative thoughts. Today I know that it wasn’t his problem. It was mine. I was in a very insecure phase in my life and my self-esteem was at a low point. Because of this, I obviously thought that every girl was more interesting, more beautiful and in better shape than me. Today I think much clearly (perhaps because I’m not in that situation right now) and with this distance I know that whatever your partner wants to do they will end up doing it anyway. It is not because you’re jealous that it will stop the other person from cheating, flirting or doing something else. And being jealous will not make your partner feel more loved.

Plus, jealousy is something super selfish. If you love someone, you probably want the best for them and want them to be happy. If you can deeply understand that, you will see that you will become more relaxed. It doesn’t mean that cheating is something right, which I think it is definitely not! But the other person’s actions are out of our control and it is just healthier to let them go when they need to, because we love them and want the best for them, instead of monitoring every single action.

Why is that we feel jealous when our loved one is giving more attention to someone at certain moment? Is it connected to our state of mind at that moment? Is it related to past traumas? Can we learn to deal with it?

Getting back to where this article started, I deeply believe that your partner doesn’t need to be jealous in order for you to feel loved, nor vice-versa. Because jealousy comes from a self-centered mindset, it can be observed, recognized and then released. It needs some training because the neurotransmitters inside our brains love to go always through the same pathways, and those pathways are very worn out so it’s easier to “walk” on them instead of going through a new track full of weeds. But if we try to walk on the new path, we will trample on the weeds and they will eventually disappear and form another firm pathway.  This is a straightforward analogy to explain that if we choose to have thoughts that will propagate our feelings of jealousy (walking on the worn out path) we will end up in a loop of instability. If, on the other hand, we decide to observe the feeling, understand where it is coming from and then move one to a more positive mindset (walk on a new pathway) we will start to train our brain to demystify that feeling. After some time, we will eventually stop going through the old path and instead choose the new one.

“Nothing is more capable of troubling our reason, and consuming our health, than secret notions of jealousy in solitude.” –  Aphra Behn

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Um dia destes, enquanto falava com uma grande amiga sobre os seus amores e desamores, ela diz “É bom haver alguns ciúmes numa relação”, ao que eu respondi “Porque é que dizes isso?” e de seguida diz ela “Então significa que o teu parceiro gosta de ti…”.

A conversa continuou e eu estava em pleno desacordo com o seu ponto de vista. Ainda assim, percebi a sua forma de pensar. Não há muito tempo eu pensava o mesmo! Nessa altura, quando pensava que os ciúmes eram algo intrínseco numa relação amorosa, não me questionava sobre porque pensava assim. Provavelmente porque foi o que aprendi.

Lembro-me que, quando era bem miúda, tinha “ataques” de ciumeira, normalmente por ver que a minha irmã estava a receber mais atenção do que eu, por parte da minha mãe, num momento específico. Aquele sentimento de querer que a atenção de alguém seja exclusivamente dirigida para nós, sem termos que a dividir, era algo muito familiar para mim. A maioria de nós não recebe uma explicação sobre os sentimentos que experienciamos enquanto crescemos. Se nos sentimos frustrad@s somos posto@s de castigo, se nos sentimos irritado@s então somos considerad@s mal-comportad@s e quando estamos aborrecid@s alguém nos dá uma tarefa, para que fiquemos entretidos mais uma vez. Acabamos assim por não compreender o porquê de nos comportarmos de determinada forma e por não aprender a lidar com os nossos sentimentos. Acabamos por não entender porque nos sentimos como sentimos. Apenas percebemos que algo é considerado certo ou errado, sem nenhuma razão ou explicação. Isto é algo com o qual tod@s temos que lidar quando somos crianças.

Depois crescemos e metemo-nos em relações amorosas. Quando @ noss@ parceir@ parece estar a flertar com outra pessoa lá vem aquele sentimento outra vez. É humano, toda a gente já o sentiu alguma vez na vida. E não faz mal. O que eu hoje reconheço que “faz mal” é que não percebemos os nossos próprios sentimentos e agimos com base neles sem nos darmos conta muitas vezes.

Posso dizer que, quando tive numa relação duradoura, fui muito ciumenta a certa altura. Curiosamente não foi na fase inicial. Mas assim que tive suspeitas de infidelidade, o meu “radar” disparou. Comecei a ser uma pessoa neurótica que pensava frequentemente que estava a ser traída pelo namorado. Eu não conseguia evitar estar naquele ciclo vicioso de pensamentos negativos. Mas hoje sei que o problema não era dele. Era meu. Eu é que estava numa fase muito insegura da minha vida e com a auto-estima muito em baixo. Por essa razão, pensava que qualquer rapariga era mais interessante, mais bonita e estava em melhor forma física do que eu. Hoje os meus pensamentos são bem mais claros (talvez por já não estar nessa situação) e com esta distância sei que a outra pessoa vai acabar por fazer o que quiser, seja como for. Não é pelo facto de teres ciúmes que isso irá impedir a outra pessoa de te trair, flertar ou fazer o que quer que seja. Também não é por teres ciúmes que vais fazer com que a pessoa com quem estás numa relação se sinta mais amada.

Além disso os ciúmes são algo muito egoísta. Se amas alguém, provavelmente queres o melhor para essa pessoa e que seja feliz. Se conseguires compreender isso profundamente, vais ver que vais ficar mais relaxad@. Não quer dizer que trair é algo correcto, acredito definitivamente que não o é! Mas as acções da outra pessoa estão fora do nosso controle e é mais saudável deixá-la ir quando for necessário, porque a amamos e queremos o melhor para ela, em vez de quer tê-la presa a nós e vigiar todos os seus movimentos.  

Porque é que sentimos ciúmes quando achamos que a pessoa que amamos está a dar mais atenção a outra? Estará relacionado com o nosso estado de espírito naquele momento? Estará relacionado com traumas passados? Podemos aprender a lidar com isso?

Voltando ao ponto de partida deste artigo, acredito profundamente que a pessoa com a qual tens uma relação amorosa não tem que ter ciúmes para que tu te sintas amad@, ou vice-versa. Já que os ciúmes fazem parte do ego, podem ser observados, reconhecidos e depois libertados. É preciso algum treino pois os neurotransmissores no nosso cérebro adoram “percorrer” repetidamente os mesmos caminhos, e esses caminhos são de terra batida, daí ser mais fácil andar por eles em vez de escolher caminhos novos e cheios de vegetação. Mas se tentarmos andar num caminho novo, começamos a espezinhar as ervas e elas eventualmente desaparecerão e darão origem a um novo caminho delineado. Esta é uma analogia para explicar que se escolhermos pensamentos que vão propagar os nossos sentimentos – ciúmes neste caso (andar no caminho gasto) acabamos num ciclo de instabilidade. Se, por outro lado, decidirmos observar o sentimento, compreender de onde vem e daí partir para pensamentos mais positivos (andar no novo caminho por desbravar), começamos a treinar o nosso cérebro para desmistificar os sentimentos. Depois de algum tempo, começamos a escolher os novos caminhos mais vezes e paramos de ir pelos velhos.

“Nada é mais capaz de perturbar a nossa razão, e consumir a nossa saúde, do que pensamentos secretos de ciúme em solidão” – Aphra Behn

 

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Un día de estos, mientras hablaba con una gran amiga sobre sus amores y desamores, ella dijo: “Es bueno tener algunos celos en una relación”, a lo que yo contesté: “¿Por qué dices eso?”, y ella: “Pues porque significa que tu pareja te quiere … “.

La conversación continuó y yo seguía sin estar de acuerdo con su punto de vista. Sin embargo, percibí su forma de pensar. ¡Hace poco tiempo eu pensaba lo mismo! En ese momento, cuando pensaba que los celos eran algo intrínseco de una relación amorosa, no me cuestionaba  sobre porque pensaba aquello. Probablemente porque fue lo que aprendí.

Recuerdo que cuando era muy pequeña, tenía “ataques” de celos, normalmente por ver que mi hermana estaba recibiendo más atención que yo, por parte de mi madre, en un momento específico. Aquel sentimiento, de querer que la atención de alguien sea exclusivamente dirigida hacia nosotros, era algo muy familiar para mí. La mayoría de las nosotr@s no recibimos una explicación sobre los sentimientos que experimentamos mientras crecimos. Si nos sentimos frustrad@s somos castigad@s, si nos sentimos irritados somos considerados mal comportados y cuando estamos aburridos alguien nos dan alguna tarea para que nos estemos entretenidos una vez más. Y así acabamos por no comprender el porqué de comportarnos de determinada forma y ni aprendemos a lidiar con nuestros sentimientos. Acabamos por no entender por qué nos sentimos de cierta manera Sólo percibimos que algo está considerado correcto o incorrecto, sin ninguna razón o explicación. Esto es algo con lo que tod@s tenemos que lidiar cuando somos niños.

Después crecimos y nos metemos en relaciones amorosas. Cuando nuestra pareja parece estar coqueteando con otra persona ya viene esa sensación otra vez. Es humano, todo el mundo lo ha sentido alguna vez en la vida. Y no pasa nada. Lo que hoy reconozco como negativo es que no percibimos nuestros propios sentimientos y actuamos con base en ellos muchas veces sin darnos cuenta.

Hace algún tiempo, cuando tuve una relación duradera, fui muy celosa en un determinado momento de esa relación. Curiosamente no fue en la fase inicial. En el momento en el que tuve sospechas de infidelidad, mi “radar” disparó. Comencé a ser una persona neurótica que pensaba a menudo que estaba siendo traicionada por el novio. No podía evitar estar en ese círculo vicioso de pensamientos negativos. Pero hoy sé que el problema no era de él. Era mío. Yo estaba en una fase muy insegura de mi vida y con la autoestima muy baja. Por esa razón, pensaba que cualquier chica era más interesante, más bonita y estaba en mejor forma física que yo. Hoy mis pensamientos son mucho más claros (quizá por no estar en esa situación) y con esta distancia sé que la otra persona terminará haciendo lo que quiera, sea como sea. No es por el hecho de que tengáis celos que eso impedirá a la otra persona de traerte, coquetear o hacer lo que sea. También no es por tener celos que vas a hacer que la persona con quien estás en una relación se sienta más amada.

Además, los celos son algo muy egoísta. Si amas a alguien, probablemente quieres lo mejor para esa persona y que sea feliz. Si logras comprender eso profundamente, verás que vas a estar más relajad@. No quiere decir que traicionar sea algo correcto, creo definitivamente que no lo es. Pero las acciones de la otra persona están fuera de nuestro control y es más saludable dejarla ir cuando sea necesario, porque la amamos y queremos lo mejor para ella, en vez de querer tenerla presa a nosotros y vigilar todos sus movimientos.

¿Por qué sentimos celos cuando creemos que la persona que amamos está dando más atención a otra? ¿Está relacionado con nuestro estado de ánimo en aquel momento? ¿Estará relacionado con traumas pasados? ¿Podemos aprender a lidiar con eso?

Volviendo al punto de partida de este artículo, creo profundamente que la persona con la que tienes una relación amorosa no tiene que tener celos para que te sientas amad@, o viceversa. Ya que los celos forman parte del ego, pueden ser observados, reconocidos y luego liberados. Es necesario algún entrenamiento pues los neurotransmisores en nuestro cerebro adoran “recorrer” repetidamente los mismos caminos, y esos caminos son de tierra batida, de ahí ser más fácil andar por ellos en vez de elegir caminos nuevos y llenos de vegetación. Pero si intentamos caminar en un camino nuevo, empezamos a pisotear las hierbas y eventualmente desaparecerán y darán lugar a un nuevo camino delineado. Esta es una analogía para explicar que si elegimos pensamientos que van a propagar nuestros sentimientos – celos en este caso (caminar en el camino gastado) acabamos en un ciclo de inestabilidad. Si, por otro lado, decidimos observar el sentimiento, comprender de dónde viene y partir a pensamientos más positivos (caminar en el nuevo camino por desbravar), empezamos a entrenar nuestro cerebro para desmitificar los sentimientos. Después de algún tiempo, empezamos a escoger los nuevos caminos más veces y dejamos de ir por los viejos.

“Nada es más capaz de perturbar nuestra razón, y consumir nuestra salud, qué pensamientos secretos de celos en soledad” – Aphra Behn

 

My problem with money

O meu problema com o dinheiro (PT)

Mi problema con el dinero (ES)

My problem with money (EN)

Since I can remember, my relationship with money has ben rather odd.

Growing up I never felt I was missing on something in regards to material things. However, when asking for toys or random things in the supermarket, I do recall my mother saying “no” multiple times to both my sister Nico and I. I think I ended up understanding that there were priorities on which to spend the money.

When my mother was to receive her vacation allowance, as it was an extra, she would spend it on our summer vacation or to buy us clothes for the upcoming season. I never felt like she was short on money, despite supporting the three of us, in fact I think she was always saving.

We also grew up not fully understanding how much goods| property| income the other family members (from both family sides) had. It wasn’t our business nor our money so it wouldn’t matter to us.

I remember my grandmother making us outfits in her sewing machine or mend our clothes quite often. Actually she would do the same for the entire family. Which means that our clothes would “stretch” until not being wearable anymore.

Our food was homemade and many of the vegetables and some fruits would come from my grandparent’s backyard. We would occasionally go to restaurants if we wanted a specific food like chinese or pizza. That would happen maybe twice a month.

This to say that life was “normal”, we had enough but not too much.

I understood, since early age, the meaning of saving (not just by my mother’s example) because I had my own bank account and savings by the age of eight. All the cash I would receive from my family as a present, either on Christmas or birthdays, or from my father’s monthly pocket money would go into that account. It would be also my decision weather to spend that money or keep saving it to buy something more expensive. I could update my account booklet in the bank counter to see the progress of my savings. I must say that I rarely spent that money, as nothing seemed to convince me to see my savings downsize. My mother would call me a “tight-fisted” girl just to make fun of me and relativize my clinging to money.

Asking for money to my parents was something that I would avoid at all cost. I would instead just manage it the best I could so I wouldn’t need to say the words “I need some money”.

Administer my money is something I can be proud of as I have always done it very well. There are many things on where to spend our money and we just have to put them in order of priorities. We can all have the money for something we want to purchase if we put some effort on it. For instance: if I want to buy a laptop, go to the movies, buy new clothes, buy some groceries, go to the hairdresser, pay the house rent and go to a restaurant, then some things have to be compromised in order for my goal to be achieved. From this list, if buying a laptop is my goal, then I can skip the movies, the restaurant, the clothes and the hairdresser. Those are things that accumulated can save up some money towards the goal. However, buying groceries and paying the rent are priorities above my goal because those are basic necessities. If the laptop is to be bought in a long term, maybe going to the restaurant won’t do much “harm”, but instead of spending a lot, I can cut the drinks and reduce my bill just as an example.

Some years ago I got my degree in design, which made me capable of working with new software and develop graphic design content. Most recently, I got my certificate in Holistic Nutrition, which allows me to create protocols so that I can help people with their diseases and health issues.

What does this have to do with money? Well fact is, as I said above, my relationship with money has always been odd and still is. I can perhaps be able to save a lot of money and manage my priorities really well but there’s something I deeply struggle with.

I can count, with the fingers of one hand, how many times I’ve charged for any of my services in those two areas. My inability to ask for money, now as a payment for my services, remains pretty much the same.

Is it my time that I don’t value enough?  Is it my nature to help people, that prevents me from charging them? Is it because I do what I like and therefore I don’t think is worth anything? Do I still believe deeply that work has to be hard, difficult and boring in order to be rewarded? Is it because I think it’s rude to ask for a payment? Is it because I always think about other people’s own struggles with finances and don’t want to put more pressure on them?

Is this a general issue to freelancers out there?

One thing I know for sure, I’m the only one that is affected in the end of the day.

Not valuing our time = not valuing our capacities = not valuing ourselves

I am willing to change that! I need to change that!

Any tips are welcome ☺

O meu problema com o dinheiro (PT)

Desde que me lembro, a minha relação com o dinheiro tem sido sempre meio estranha.

Durante a minha infância nunca senti falta de nada a nível material. No entanto, quando a minha irmã Nico ou eu pediamos brinquedos ou quaisquer outras coisas no supermercado, lembro-me de recebermos um “não” várias vezes. Acho que acabei por perceber, mais cedo ou mais tarde, que haviam prioridades nas quais gastar o dinheiro.

Quando a minha mãe recebia o seu subsídio de férias, por ser um extra, era atribuído a despesas de férias de Verão ou para comprarmos roupa para a estação seguinte. Nunca senti que o dinheiro lhe faltasse, ainda que tivesse que suportar-nos às três, de facto penso que ela conseguia sempre poupar.

Nós também crescemos sem perceber a quantidade de bens | propriedades | salário dos outros membros da família (dos dois lados). Não nos dizia respeito nem era o nosso dinheiro e por isso não era do nosso interesse.

Lembro-me das roupas que a minha avó materna nos fazia frequentemente na sua máquina de costura e dos remendos e ajustes feitos às roupas que iam deixando de servir. O que significava que  a vida útil da nossa roupa “esticava” até ao máximo.

As nossas refeições eram principalmente feitas em casa, com comida caseira e muitos dos vegetais e algumas das frutas vinham do quintal dos nossos avós. Por vezes íamos comer a restaurantes quando havia apetite para comida diferente como a chinesa ou pizza. Isso acontecia um par de vezes por mês.

Isto para dizer que a vida era “normal”, tínhamos o suficiente e não demasiado.

Percebi, desde tenra idade, o significado de juntar dinheiro (não só pelo exemplo da minha mãe) porque tive a minhas próprias contas à ordem e poupança desde os oito anos. Todo o dinheiro que membros da família me ofereciam, pelo Natal ou em aniversários, ou a mesada que o meu pai me dava, ia logo para a conta poupança. Era também decisão minha se/ onde queria gastar esse dinheiro.

Podia atualizar o meu boletim de contas no balcão do banco para ver o progresso das minhas poupanças. Devo dizer que raramente gastava esse dinheiro já que nada me convencia a ver diminuir os valores na conta. A minha mãe costumava chamar-me “mãos de vaca” na brincadeira, para relativizar o meu apego ao dinheiro.

Pedir dinheiro aos meus pais era algo que evitava a todo o custo. Em vez disso geria o que tinha da melhor forma que sabia só para não ter que pronunciar as palavras “preciso de dinheiro”.

Administrar bem o meu dinheiro é algo de que me posso orgulhar. Há várias coisas onde podemos gastar o nosso dinheiro e só as temos que meter por ordem de prioridades. Todos nós conseguimos ter dinheiro para comprar se nos empenharmos. Por exemplo: se eu quiser comprar um computador, ir ao cinema, comprar roupa, comprar comida, ir ao cabeleireiro, pagar a renda da casa e ir ao restaurante, então há coisas que tem que ser comprometidas para que o meu objectivo seja cumprido. Desta lista, se comprar um computador é o meu objetivo principal, então posso deixar de lado a ida ao cinema e ao restaurante, comprar roupa e ir ao cabeleireiro. Todas essas coisas acumuladas podem ajudar a economizar algum dinheiro para poder comprar o computador. Por outro lado, comprar comida e pagar a renda da casa são prioridades que estão acima desse objectivo porque são necessidades básicas. Se não houver urgência para comprar o computador, talvez não tenha que abrir mão de todas as idas ao restaurante, mas posso sempre cortar nas bebidas para reduzir a conta.

Há alguns anos atrás, tirei uma licenciatura em Design, a qual capacitou para  criar conteúdo de design gráfico depois de aprender a desenvolver projetos e a trabalhar com certos programas de computador. Mais recentemente, tirei um curso em Nutrição Holística, a qual me permite criar protocolos com o fim de ajudar pessoas com as suas doenças e problemas de saúde.

O que é que isto tem a ver com dinheiro? Bem, a verdade é que assim como disse acima, a minha relação com o dinheiro foi sempre estranha e ainda o é. Eu posso ter a capacidade de poupar muito dinheiro e gerir as minhas prioridades da melhor forma mas há uma outra coisa com a qual não sei lidar.

Posso contar pelos dedos de uma mão quantas foram as vezes que cobrei por algum dos meus serviços nessas duas áreas. A minha incompetência para pedir dinheiro, agora como pagamento dos meus serviços, permanece a mesma.

Será que não valorizo suficientemente o meu tempo? Será que é a minha natureza para ajudar os outros o que me impede de cobrar? Será que é por fazer aquilo gosto que não sinto que deva ser valorizado? Será que no fundo ainda acredito que o trabalho tem que ser duro, difícil e aborrecido para que seja recompensado? Será que é por achar que estou a ser indelicada por cobrar? Será que, por ter consciência dos problemas de finanças que os outros tem, não quero pôr ainda mais pressão neles? Será que este é um problema geral de todos os freelancers?

Há uma coisa da qual estou bastante segura: eu sou a única pessoa que fica afectada no fim de contas.

Não valorizar o nosso tempo = não valorizar as nossas capacidades = não nos valorizarmos a nós mesm@s

Eu estou pronta para mudar isso! Eu preciso de mudar isso!

Qualquer dica é bem-vinda 🙂

 

Mi problema con el dinero (ES)

Desde que recuerdo, mi relación con el dinero ha sido siempre un poco rara.

Durante mi infancia nunca sentía falta de nada al nivel material. Sin embargo, cuando mi hermana Nico o yo pedimos juguetes o cualquier otra cosa en el supermercado, recuerdo que varias veces “no” era la respuesta.. Creo que acabé percibiendo, tarde o temprano, que había prioridades en las que gastar el dinero.

Cuando mi madre recibía su subsidio de vacaciones, por ser un extra, se le asignaban a los gastos de las vacaciones de verano o se usaba para comprar ropa para la siguiente estación. Nunca sentí que le faltaba dinero a mi madre, aunque tuviera que soportar a las tres, de hecho pienso que ella siempre acababa ahorrando.

También crecemos sin darnos cuenta de la cantidad de bienes | propiedades | salario de los demás miembros de la familia (de los dos lados). No era nuestro dinero y por eso no era de nuestro interés.

Recuerdo los remiendos y modificaciones que mi abuela materna hacía en las ropas que se estropean o dejaban de servir, y de las ropas nuevas que nos hacía en su máquina de coser. En realidad hacía lo mismo para toda la familia. Lo que significaba que la vida útil de nuestra ropa “se estiraba” hasta el máximo.

Nuestras comidas se hacían sobretodo en casa, con comida casera y muchos de los vegetales y algunas de las frutas venían del huerto de nuestros abuelos. A veces íbamos a comer a restaurantes cuando habian ganas de comida diferente como chino o la pizza. Esto sucedía un par de veces al mes.

Esto para decir que la vida era “normal”, teníamos suficiente y no demasiado.

He percibido, desde temprana edad, el significado de juntar dinero (no sólo por el ejemplo de mi madre) porque tuve mis propia cuenta bancaria de  ahorro a los ocho años. Todo el dinero que los miembros de la familia me regalaban, por Navidad o en mis cumpleaños, o la mesada que mi padre me daba, iba luego a la cuenta de ahorros. Era también decisión mía si / donde quería gastar ese dinero.

Podía actualizar mi boletín de cuentas en el mostrador del banco para ver el progreso de mis ahorros. Debo decir que rara vez gastaba ese dinero ya que nada me convencía de ver disminuir los valores en la cuenta. Mi madre solía, de broma, llamarme “manos de vaca”, para relativizar mi apego al dinero.

Pedir dinero a mis padres era algo que evitaba a toda costa. En vez de eso manejaba lo que tenía de la mejor forma que sabía, sólo para no tener que pronunciar las palabras “necesito dinero”.

Administrar bien mi dinero es algo de lo que estoy  orgullosa. Hay varias cosas donde podemos gastar nuestro dinero y sólo las tenemos que ordenar conforme nuestras prioridades. Todos podemos tener dinero para comprar lo que realmente nos hace falta si nos empeñamos. Por ejemplo: si quiero comprar un ordenador, ir al cine, comprar ropa, comprar comida, ir a la peluquería, pagar el alquiler del piso e ir al restaurante, entonces hay cosas que tienen que ser comprometidas para que mi objetivo sea cumplido. De esta lista, si comprar una computadora es mi objetivo principal, entonces puedo dejar de lado la ida al cine y al restaurante, comprar ropa e ir a la peluquería. Todas estas cosas acumuladas pueden ayudar a ahorrar algo de dinero para poder comprar el ordenador. Por otro lado, comprar comida y pagar el alquiler son prioridades que están por encima de ese objetivo porque son necesidades básicas. Si no hay urgencia para comprar el ordenador, quizás no tenga que renunciar a todas las idas al restaurante, pero puedo cortar en las bebidas para reducir la cuenta.

Hace algunos años, saqué una licenciatura en Diseño, la cual me permite crear contenido de diseño gráfico, después de aprender a desarrollar proyectos y trabajar con ciertos programas. Recientemente, hice un curso en Nutrición Holística, el cual me permite crear protocolos con el fin de ayudar a las personas con sus enfermedades y problemas de salud.

¿Qué tiene que ver esto con el dinero? Bueno, la verdad es que así como dije arriba, mi relación con el dinero siempre fue rara y aún lo es. Puedo tener la capacidad de ahorrar mucho dinero y gestionar mis prioridades de la mejor manera, pero hay otra cosa que no se me da tan bien.

Puedo contar por los dedos de una mano cuántas veces he cobrado por alguno de mis servicios en esas dos áreas. Mi incompetencia para pedir dinero, ahora como pago de mis servicios, sigue siendo la misma.

¿Será que no valoro suficientemente mi tiempo? ¿Será que es mi naturaleza ayudar a los demás y eso me impide de cobrar? ¿Será por hacer las cosas con gusto que siento que no deba ser valorado mi trabajo? ¿En el fondo todavía creo que el trabajo tiene que ser duro, difícil y aburrido para que sea recompensado? ¿Es por creer que estoy siendo indelicada por cobrar? ¿Será que, por tener conciencia de los problemas financieros de los demás, no quiero poner aún más presión en ellos? ¿Es éste un problema general de todos los freelancers?

Hay una cosa que tengo bastante clara: yo soy la única persona que se ve afectada al final de cuentas.

No valorar nuestro tiempo = no valorar nuestras capacidades = no valorizarnos a nosotr@s mism@s

¡Estoy lista para cambiar eso! ¡Necesito cambiar eso!

Cualquier consejo es bienvenido 🙂