The authentic meaning of traveling

O autêntico significado de viajar (PT)

El auténtico significado de viajar (ES)

The authentic meaning of traveling (EN)

I don’t think that there is a right or a wrong way of traveling. Every person has different aims when traveling and is searching for a subjective experience. Some people’s way of traveling doesn’t involve engaging with the locals and are more introspective, experiencing the trip from a spectator view. Others engage with locals if they can communicate with them, asking for tips. Others get quite close with locals and become friends, having access to their private life. I get a mix of all this ways depending on my mindset and phases I go through while traveling.

My way of traveling is no better than any other way. It is just what has been working for me and what I align with. In South East Asia I was being warned a lot about the danger of some countries that were in my list to be visited. Once in Thailand, I was advised by some people to be very careful when going to Vietnam. In Malaysia I was advised to skip my visit to Cambodia as a solo female traveler. I did not listen. I never felt unsafe in any of my destinations. Yes, there were some sketchy situations; I saw some schemes while crossing country’s borders by land and was fooled with fake currency a couple of times. There are honest and dishonest people in every single country. I can say that I felt more afraid and unsafe in my own country than in any other part of the world. When studying in Lisbon, I was chased a couple times and was almost robbed by thieves. Also carrying my laptop on my bag in certain parts of the city made me very nervous.

Before coming to India, where I’m currently traveling, I heard that (similar to what I was told in my trip in SEA) it wasn’t safe to come as a female solo traveler. I was told that many rapes were happening in India, that men stared at women leaving them very uncomfortable, that I would have a culture shock etc. No opinion can replace your own experience. And my experience here so far tells me that I get stared a lot, not only by men but also by women, due to being different. They do look with a curious eye. Our skin tones are different, our features are different and our manners are different too. I call it a wonder stare. And then I open a big smile and they always smile back. Any awkwardness can be dismantled by this action. We are all the same, all human beings and the smile brings us together. It also opens opportunities for conversation, for being asked to take “selfies” or even to be asked for a hug. If it gets overwhelming there’s always a chance to keep walking and not respond.

My way of traveling involves being alert and relaxed at the same time.  There’s always some common sense and some skills required to understand when you are possibly in a dangerous/ sketchy situation or if it is your imagination that is making you second-guess every step you take. Common sense tells me not to wander around in the dark peach night, to stay in control (without being a control-freak) and to be aware of the people surrounding me. The exact same as I do in my own country or even in my hometown. By staying in control I mean that I can go to a party from someone I just met, however I’ll be responsible enough to stay sober. I still have loads of fun and will remember those moments forever.

I’m a very relaxed traveler. I don’t recall worrying about anything in my solo trips. Once I was in Kuala Lumpur’s airport about to board to my next destination: Vietnam. The airline staff did not allow me to get in the airplane because apparently I needed a visa requirement (each airline has its specific requirements). I remember that I set down on the floor, took my laptop and started looking into the cheapest flights available. In 20 minutes I had another destination. Instead of Vietnam I went to Langkawi, a beautiful island in Malaysia. Being relaxed allows me to be flexible with dates, events and locations. In this way nothing ruins my plans because I go exactly where I’m supposed to go. It’s like being in permanent adventure where nothing can go wrong. Having too many plans and booked accommodation can limit your experience very quickly. For me, there’s always the opportunity to stay extra days in a place if it seems reasonable or to stay only for a half day in a city which is not exciting me in any way.

What’s more important to me is trying to blend as much as I can in the different cultures. In the first days I observe the locals to see how do they cross the street, how does the public transportation work, how do they eat, learn some basic words, understand their body language etc. Then I copy them and ask for help if there’s something I can’t wrap my head around. I don’t need to do things that I’m not comfortable with or things that I don’t agree with. However being open is crucial.

After a couple weeks I feel integrated. I grab any chance I have to talk to locals about their culture, traditions, habits and way of thinking. Even when is hard to communicate, there’s always something I can take in. Then I gather all of that precious information which gives me a tiny bit of knowledge about the place and its people.

To me, the meaning of traveling is to know other life perspectives and integrate the best parts in my own life. What does traveling mean to you?

O autêntico significado de viajar (PT)

Não acho que haja uma forma correcta ou errada de se viajar. Cada pessoa tem diferentes objetivos com as suas viagens, procurando experiências subjectivas. Algumas pessoas não se relacionam com os cidadãos locais e são mais introspectivas, experienciando a viagem de um ponto de vista de espectador. Outras falam com os locais, se conseguirem comunicar com eles, fazendo perguntas e pedindo dicas. Outras conseguem relacionar-se com os locais, têm acesso às suas vidas privadas e acabam por criar relações de amizade. Eu consigo ter um misto de todas estas formas de viajar, dependendo da fase em que me encontro ou da minha disponibilidade psicológica para socializar. A minha forma de viajar não é melhor ou pior que qualquer outra. É somente a forma que melhor funciona para mim e aquela com a que mais me alinho.

No Sudeste Asiático fui alertada várias vezes sobre os perigos de visitar alguns países que estavam na minha lista. Na Tailândia aconselharam-me a ter muita cautela ao viajar no Vietname. Na Malásia aconselharam-me a tirar o Camboja da minha lista por ser uma rapariga a viajar sozinha. Não lhes dei ouvidos. Nunca me senti em perigo em nenhum dos meus destinos. Sim, há situações estranhas; testemunhei cenários bizarros ao atravessar fronteiras de países por terra e fui enganada com dinheiro falso um par de vezes. Há pessoas honestas e desonestas em todos os países. Posso dizer que já me senti mais insegura e com medo no meu próprio país do que em qualquer outra parte do mundo. Quando estava a estudar em Lisboa, fui perseguida e quase assaltada mais do que uma vez. Por vezes carregar o meu computador na mochila, em algumas partes da cidade, deixava-me muito nervosa.

Antes de vir para a Índia, por onde estou a viajar de momento, ouvi (similarmente ao que me disseram no Sudeste Asiático) que não era um país seguro para mulheres viajarem sozinhas. Ouvi tantas vezes dizer que há imensos casos de violações, que os homens olham tanto para as mulheres (turistas) que as deixam desconfortáveis, que eu teria um choque cultural etc.. Não existe opinião que possa substituir a tua própria experiência. E a minha experiência aqui por enquanto diz-me que, não só os homens como também as mulheres olham de facto muito para mim, porque sou diferente deles. Eles olham com curiosidade. Os nossos tons de pele são diferentes, as nossas feições são diferentes e os nossos modos também são diferentes. Eu chamo a isso um olhar curioso. E a seguir esboço um sorrizão que é sempre correspondido. Qualquer desconforto é desmanchado imediatamente com este acto. Somos no fundo todos iguais, todos seres humanos e o sorriso aproxima-nos. Também abre oportunidades para conversas, para pedidos de “selfies” ou até para pedirem um abraço. Se isto for demasiado, há sempre a hipótese de se continuar a andar sem dar resposta.

A minha forma de viajar implica estar alerta e relaxada ao mesmo tempo. São necessários senso comum e alguns conhecimentos para que se tenha noção se estamos numa situação perigosa ou se é apenas a nossa imaginação a pregar-nos partidas. O senso comum diz-me que vaguear pela rua no meio da noite não é boa ideia, que é bom estar em controlo (sem que haja obsessão) e para estar atenta às pessoas que me rodeiam. Exatamente a mesma coisa que faço no meu país e até na minha cidade. Estar em controlo significa que posso aceitar o convite para uma festa de uma pessoa que acabei de conhecer, no entanto ser responsável o suficiente para manter-me  sóbria. Assim consigo divertir-me na mesma e irei recordar aqueles momentos para sempre.

Sou de facto uma viajante relaxada. Não me recordo de estar preocupada com o que quer que seja nas minhas viagens solitárias. Uma vez estava no aeroporto de Kuala Lumpur prestes a embarcar para o meu próximo destino: Vietname. O staff da companhia não me permitiu entrar no avião porque aparentemente precisava de um pedido de visto à chegada (cada companhia tem as suas regras). Lembro-me que me sentei no chão, abri o meu computador e comecei a pesquisar pelos voos mais baratos disponíveis naquele momento. Em 20 minutos tinha outro destino. Em vez do Vietname voei para Langkawi, uma ilha maravilhosa na Malásia. Ser relaxada possibilita-me ser bastante flexível com datas, eventos e locais. Deste modo nada arruina os meus planos porque acabo por chegar exatamente aos sítios onde devo estar. Ter demasiados planos e alojamentos marcados pode limitar a experiência. Para mim, há sempre a hipótese de ficar mais alguns dias num sítio se me parece necessário ou pelo contrário ficar somente meio dia num lugar que não me entusiasme.

A meu ver, o mais importante é estar integrada o máximo possível nas diferentes culturas. Nos primeiros dias observo os locais para ver como passam a estrada, como é que comem, como funcionam os transportes públicos, aprender palavras básicas, entender a sua linguagem corporal etc. Depois copio gestos e peço ajuda se houver algo que não consigo perceber o porquê de se fazer. Não preciso de fazer algo com o qual não me sinta confortável ou não concorde. Contudo, estar-se aberto é crucial.

Duas semanas depois já me sinto integrada. Agarro qualquer oportunidade que tenho de falar com os locais sobre a sua cultura, tradições, hábitos e forma de pensar. Ainda que por vezes seja difícil a comunicação, há sempre alguma coisa que se aprende. Por fim, junto toda essa informação preciosa que me dá um pouco de conhecimento sobre os sítios e as suas pessoas.

Para mim, o autêntico significado de viajar é conhecer outras perspectivas de vida e integrar o melhor de cada uma na minha própria vida. Para ti, o que significa viajar?

 

El auténtico significado de viajar (ES)

No creo que haya una forma correcta o equivocada de viajar. Cada persona tiene diferentes objetivos con sus viajes, buscando experiencias subjetivas. Algunas personas no se relacionan con los ciudadanos locales y son más introspectivas, experimentando el viaje desde un punto de vista espectador. Otros hablan con los locales, si pueden comunicarse con ellos, haciendo preguntas y pidiendo consejos. Otras consiguen relacionarse con los locales, tienen acceso a sus vidas privadas y acaban por crear relaciones de amistad. Yo busco tener una mezcla de todas estas formas de viajar, dependiendo de la fase en que me encuentro o de mi disponibilidad psicológica para socializar. Mi forma de viajar no es mejor o peor que cualquier otra. Es sólo la forma que mejor funciona para mí y aquella con la que más me siento alineada.

En el Sudeste Asiático me advirtieron varias veces sobre los peligros de visitar algunos países que estaban en mi lista. En Tailandia me aconsejaron tener mucha precaución al viajar en Vietnam. En Malasia me aconsejaron eliminar a Camboya de mi lista por ser una chica viajando sola. No les hago mucho caso. Nunca me sentí en peligro en ninguno de mis destinos. Sí, hay situaciones extrañas; fui testigo de escenas extrañas al atravesar por tierra las fronteras de algunos países y fui engañada con dinero falso un par de veces. Hay personas honestas y deshonestas en todos los países. Puedo decir que ya me sentí más insegura y con más miedo en mi propio país que en cualquier otra parte del mundo. Cuando estudiaba en Lisboa, fui perseguido y casi fui atracada más de una vez. A veces llevar mi ordenador en la mochila, en algunas partes de la ciudad, me dejaba muy nerviosa.

Antes de venir a la India, por donde estoy viajando ahora, oí (similar a lo que me dijeron en el Sudeste Asiático) que no era un país seguro para las mujeres que viajan solas. Oí tantas veces decir que hay muchos casos de violaciones, que los hombres miran mucho a las mujeres (turistas) lo que las deja muy incómodas, que yo tendría un choque cultural, etc. No existe opinión que pueda sustituir a tu propia experiencia. Y mi experiencia aquí por ahora me dice que no sólo los hombres, como también las mujeres, miran de hecho mucho para mí, porque soy diferente de ellos. Ellos miran con curiosidad. Nuestros tonos de piel son diferentes, nuestras características son diferentes y nuestros modos también son diferentes. Yo lo llamo una mirada curiosa. Y luego les ofrezco una sonrisa enorme que siempre es correspondida. Cualquier incomodidad se deshace inmediatamente con este acto. Somos en el fondo todos iguales, todos somos seres humanos y la sonrisa nos acerca. También abre oportunidades para conversaciones, para pedidos de “selfies” o incluso para pedir un abrazo. Si esto es demasiado, siempre hay la posibilidad de seguir caminando sin dar respuesta.

Mi forma de viajar implica estar alerta y relajada al mismo tiempo. Es necesario mucho sentido común y algunos conocimientos para saber si estamos en una situación peligrosa o si son sólo nuestra imaginación y nuestros prejuicios los que nos hacen pensar que algo no está bien. El sentido común me dice que pasear por una calle oscura y vacía en medio de la noche no es buena idea, que es bueno tener el control de la situación (sin que haya obsesión) y que hay que estar atenta a las personas que me rodean. Exactamente lo mismo que hago en mi país y hasta en mi ciudad. Tener control significa que puedo aceptar la invitación para la fiesta alguien que acabo de conocer a la vez siendo responsable lo suficiente para mantenerme sobria. Así a la vez que me divierto sé que recordaré aquellos momentos para siempre.

Soy de hecho una viajera relajada. No me recuerdo de estar preocupada por lo que sea en mis viajes solitarios. Una vez estaba en el aeropuerto de Kuala Lumpur a punto de embarcar rumbo a mi próximo destino: Vietnam. El personal de la compañía no me permitió entrar en el avión porque aparentemente necesitaba una solicitud de visa a la llegada (cada compañía tiene sus reglas). Recuerdo que me senté en el suelo, abrí mi ordenador y empecé a buscar los vuelos más baratos disponibles en ese momento. En 20 minutos tenía otro destino. En vez de a Vietnam volé a Langkawi, una isla maravillosa en Malasia. Ser relajada me permite ser bastante flexible con fechas, eventos y lugares. De este modo nada arruina mis planes porque siempre siento que  voy exactamente a los sitios donde debería haber ido. Tener demasiados planes y alojamientos marcados puede limitar la experiencia. Para mí, siempre hay la posibilidad de quedarme unos días más en un sitio si me parece necesario o por el contrario quedarme sólo medio día en un lugar que no me entusiasma.

En mi opinión, lo más importante es estar integrada lo máximo posible en las diferentes culturas. En los primeros días observo los locales para ver cómo cruzan la carretera, cómo comen, cómo funcionan los transportes públicos, para aprender palabras básicas, entender su lenguaje corporal, etc. Después copio gestos y pido ayuda si hay algo que no puedo percibir cómo se hace. No necesito hacer algo con lo que no me sienta cómodo o no esté de acuerdo. Sin embargo, estar abierto es crucial.

Dos semanas después me siento integrada. Agarro cualquier oportunidad que tengo de hablar con los locales sobre su cultura, tradiciones, hábitos y formas de pensar. Aunque a veces sea difícil la comunicación, siempre hay algo que aprender. Por fin, junto a toda esa información preciosa que me da un poco de conocimiento sobre los sitios y sus personas.

Para mí, el auténtico significado de viajar es conocer otras perspectivas de vida e integrar lo mejor de cada una en mi propia vida. ¿Cuál es tu significado de viajar?

Little steps towards a better world

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Little steps towards a better world (EN)

I was still in elementary school when I first heard about recycling. The teacher explained how different materials belonged to different bins and that each one of them had a different colour. The green was for glass, the blue was for paper and cardboard, the yellow for plastic and metal and the red one for batteries. Even though most people were already recycling glass (as there were big containers to deposit glass spread throughout the neighbourhoods), the other materials were left out all together in the waste bin.

My generation was probably the first one that learned about it in school. When going home, I tried to explain to my mother that we should separate the trash. Unfortunately living in a small city didn’t give us that option because there were no recycling containers yet. Only a few years later the colourful bins started to be seen. However, there were only a few in the city and we had to drive to places in order to deposit the different materials. So we only recycled sometimes. We didn’t do our part because we had excuses: the bins were too far, we didn’t have much space in the kitchen to pile up the garbage, it would leave the house smelly or the myth that the trash would all end up mixed together at some point.

Only when I moved to Lisbon I started to separate the garbage as my condo had all the proper bins. I had no more excuses. A couple years later I moved to Germany to study. Recycling was taken very seriously over there. There were specific days of the week/ month where the different trash had to be taken outside the house so that a truck would pass by and collect them. If the separation wasn’t well done and for instance the plastic bag had non-plastic items inside, we could be charged with a fine.

Nowadays my hometown has plenty of recycling bins and in Portugal there are currently more than 43 thousand bins spread out to all cities. Slowly people in the western world started waking up for the importance of recycling, reusing and reducing. We have the infrastructures, the information, and the education, which means we shouldn’t have a single excuse not to do so.

Those who know me can testify that I avoid buying plastic at all cost, I bring my own fabric bags to the market and try to buy in bulk when possible. Currently I’m traveling in India and the reality here is very different. Buying bottles of water is something I need to on daily basis as the tap water can lack treatment and therefore is unfit for consumption. I’m not happy at all with the amount of trash I’m generating here and I still avoid plastic bags and straws for the most part. In some places is difficult to find trash bins, let alone recycling bins. The other day I bought a cake that was handed out to me in newspaper, after eating the cake I was searching for a bin and asked someone where I could find one. The answer I got was simply “you can just throw the trash on the floor because someone later will pick it up”. As much as this is not acceptable in my culture I have to be open enough to understand that things here work in another level. The streets are very dirty with all kinds of garbage, people throw waste through the car windows and I constantly step on trash. It becomes the norm after a couple weeks of travel.

I don’t have enough knowledge about the education in India as the only things I know are from asking people I’ve been meeting around. I came to know that in fact they now learn in school about recycling. Also there is a big campaign all over India called “Clean India Mission” and the logotype is Gandhi’s glasses with written “clean” and “India” in each lens to try to get people to place the garbage to where it belongs. India has a population of 1.37 Billion. New Delhi alone has around 11 million inhabitants (the same as Portugal) so I get that it might be very difficult to get everybody on the same page. Some basic needs are not even met for millions of people, let alone the concept of recycling.

In the western world we have the tools to do better, to reuse more, to buy less, to stop using plastic or at least drastically reduce its use. We sure have treated water in most places and buying a good water filter to get the purest form of water is an option. We no longer need to buy plastic bottled water, we can choose to buy the unwrapped fruits and veggies, we can buy in bulk, we can say “no” to plastic bags, straws, sanitary pads and tampons etc. We vote with our money every time we purchase an item. Alternatives are made all the time by big corporations because they will do everything and anything to make us buy their products. We cannot expect them to be the ones to stop selling bananas wrapped up in plastic. We have to take that responsibility ourselves. If they know that their consumers are not buying those bananas due to the plastic, they will take measures.

Recycling is great! But we know that some types of materials are not even recyclable, such as straws, plastic bags, coffee cups, tissues etc. So, better avoid buying it.

I’m not criticizing India by any means, in fact I’m thanking India for my first lesson. What I’m trying to say with this article is how sometimes seeing another realities makes us understand better that our own reality can make improvements too, specially when we have the power and tools to do so.

Here is a list for “zero waste” alternatives to make our lives easier: http://trashisfortossers.com/zero-waste-alternatives-ultimate-lis/

Do you do your part?

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Estava ainda na escola primária quando ouvi falar de reciclagem pela primeira vez. A professora explicou como diferentes materiais pertenciam em contentores específicos e que cada um deles tinha uma cor respectiva. O verde era para o vidro, o azul para o papel e cartão, o amarelo para embalagens e finalmente o vermelho para as pilhas. Ainda que por esta altura a maior parte das pessoas já fizessem reciclagem de vidro (haviam “vidrões” espalhados pelos bairros da cidade), os outros materiais tinham todos o mesmo destino – o contentor do lixo indiferenciado.

A minha geração foi provavelmente a primeira a aprender isto na escola. Quando cheguei a casa tentei explicar à minha mãe que devíamos separar o lixo. Infelizmente viver numa cidade pequena como Évora não nos dava a opção de reciclar por não haverem ainda ecopontos. Só uns anos mais tarde é que os contentores coloridos começaram a aparecer na cidade. No entanto, os contentores eram poucos e tínhamos que ir de carro até eles para depositar os diferentes materiais. Por essa razão só reciclavamos de vez em quando. Não fazíamos a nossa parte porque tinhamos desculpas: os ecopontos estavam longe, não havia espaço suficiente na cozinha para acumular lixo, a casa ficava com mau cheiro, ou o mito de que nem valia a pena separar o lixo pois no fim das contas este acabaria todo no mesmo sítio. Só quando fui morar para Lisboa comecei de facto a fazer reciclagem.  Como no meu condomínio havia ecopontos não tinha desculpa nenhuma .

Um par de anos depois fui estudar para a Alemanha. Reciclar é algo que os alemães levam muito a sério. Haviam dias específicos da semana/ mês onde os diferentes tipos de lixo eram levados para a porta de casa para depois serem recolhidos por camiões. Se a separação do lixo não fosse bem feita e ,por exemplo, o saco do plástico contivesse algo que não fosse plástico, podíamos ter que pagar uma multa.

Hoje em dia, a minha cidade natal já tem vários ecopontos. E por todo o país estão espalhados cerca de 43 mil contentores. Devagarinho as pessoas do mundo ocidental começam a acordar para a importância da reciclagem, reutilização e redução. Temos as infra-estruturas, a informação e a educação, o que significa que não temos qualquer desculpa para não o fazer.

Aqueles que me conhecem sabem que tento evitar a todo o custo comprar itens que contenham plástico, levo os meus sacos de pano para o mercado e tento comprar a granel sempre que possível. De momento encontro-me a viajar pela Índia e a realidade deste lado é muito diferente. Comprar garrafas de água é algo que tenho de fazer diariamente, já que a água da torneira não está tratada e é imprópria para consumo. Fico triste com a quantidade de lixo que estou a gerar aqui e tento ao máximo evitar sacos de plástico e palhinhas. Em alguns lugares é difícil de encontrar contentores ou caixotes do lixo, quanto mais ecopontos. No outro dia comprei um bolo que vinha embrulhado num jornal, depois de comer o bolo não encontrei nenhum caixote para colocar o lixo e decidi perguntar a alguém o que fazer, ao que me foi respondido “podes atirar o lixo para o chão pois mais tarde alguém virá limpar-lo”. Por mais que isto não seja aceitável na minha cultura tenho que ser aberta o suficiente para perceber que as coisas aqui acontecem a um nível diferente. As ruas estão extremamente sujas com todo o tipo de lixo, as pessoas atiram coisas pelas janelas dos carros e ando constantemente a pisar lixo. Torna-se normal depois de umas semanas de viagem.

Não tenho conhecimento suficiente sobre o sistema de educação na Índia e o pouco que sei é através de perguntas que faço a pessoas que vou conhecendo. Aprendi que de facto os indianos já começam a aprender na escola sobre a importância da reciclagem. Há também uma campanha por toda a Índia, com o fim de incentivar as pessoas a colocarem o lixo nos seus devidos locais. Chama-se de “Clean India Mission” ( Missão Índia Limpa) e o logótipo são os óculos do Gandhi com as palavras “Índia” e “Limpa” em cada lente, Na índia vivem cerca de 1.37 Biliões de pessoas. Só Nova Deli tem 11 Milhões de habitantes, os mesmos que em Portugal inteiro, por isso eu entendo o quão difícil é fazer com que  tanta gente colabore para um mesmo fim. Milhões de pessoas não têm sequer acesso a algumas das necessidades básicas, é normal que não percebam a importância da reciclagem.

No mundo ocidental temos os mecanismos para melhorar, reutilizando mais, comprando menos, parando de usar plástico ou pelo menos reduzindo drasticamente o seu uso. Temos água tratada na maior parte dos sítios e podemos adquirir um bom filtro para ter água ainda mais pura. Não há necessidade de comprar garrafas de água, podemos escolher não comprar vegetais e frutas que venham embalados em plástico, podemos comprar a granel, podemos dizer “não” aos sacos de plástico, palhinhas, pensos higiénicos e tampões, etc. Votamos, com o nosso dinheiro, de cada vez que compramos um item. As grandes corporações criam alternativas a toda a hora, pois o que lhe interessa é vender e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para que compremos os seus produtos. Não podemos esperar que sejam eles a parar de vender bananas embaladas em plástico. Temos que ser nós, consumidores, a tomar a responsabilidade de diminuir a demanda. Se eles souberem que os seus consumidores não compram aquelas bananas por causa do plástico, tomarão medidas.

Reciclar é ótimo! Mas também sabemos que alguns tipos de materiais não são recicláveis como por exemplo as palhinhas, os sacos de plástico, os copos de café, as toalhitas etc. Por isso nada melhor que evitar o seu consumo.

Não quero criticar a Índia de forma alguma, de facto agradeço ter aprendido aqui esta primeira lição. O que quero dizer com este artigo é que, às vezes, ver outras realidades faz-nos entender melhor a nossa própria realidade e podemos melhorá-la também, especialmente quando temos o poder e as ferramentas para o fazer.

Aqui vão algumas alternativas “desperdício zero”  para um mundo melhor: https://mindthetrash.pt/category/alternativas-ao-plastico/?fbclid=IwAR3ZmPm_fm6ZE_ws4zrVPL5IjsYr1Ebrn13m7y6G6CPYr0lp2IxX4X8VbVQ

E um podcast bastante esclarecedor sobre reciclagem: https://sofiadeassuncao.com/podcast-ana-milhazes/

E tu, fazes a tua parte?

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Estaba en la escuela primaria cuando oí hablar de reciclaje por primera vez. La profesora explicó cómo diferentes materiales pertenecían en contenedores específicos y que cada uno de ellos tenía un color respectivo. El verde era para el cristal, el azul para el papel y el cartón, el amarillo para los embalajes y el rojo para las pilas. Aunque la mayoría de las personas ya hacían reciclaje de vidrio (había contenedores verdes repartidos por los barrios de la ciudad), los demás materiales acababan  todos el contenedor de la basura indiferenciada.

Mi generación fue probablemente la primera en aprender esto en la escuela. Cuando llegué a casa intenté explicar a mi madre que debíamos separar la basura. Desgraciadamente vivir en una pequeña ciudad como Évora no nos daba la opción de reciclar por no haber aún puntos de recorrida. Sólo unos años más tarde, los contenedores de colores comenzaron a aparecer en la ciudad. Sin embargo, los contenedores eran pocos y teníamos que ir en coche para reciclar los diferentes materiales. Por esa razón sólo reciclabamos a veces. No hacíamos nuestra parte porque teníamos disculpas: los contenedores estaban lejos, no había suficiente espacio en la cocina para acumular basura, la casa casa olía, o el mito de que no valía la pena separar la basura pues al final todo acabaría en el mismo sitio. Sólo cuando me mudé a Lisboa empecé realmente a hacer reciclaje. Como en mi edifício (incluso en mi planta) había contenedores de recicláge, no tenía excusa alguna.

Un par de años después fui a estudiar a Alemania. Reciclar es algo que los alemanes toman muy en serio. Había días específicos de la semana para dejar  los diferentes tipos de basura en la puerta de casa, luego serían recogidos por camiones. Si la separación de la basura no estaba bien hecha y, por ejemplo, la bolsa del plástico contenía algo que no fuera plástico, podríamos tener que pagar una multa.

Hoy en día, mi ciudad natal ya tiene un buen sistema de reciclaje. Y por todo el país están repartidos cerca de 43 mil contenedores. La gente del mundo occidental empieza a despertar para la importancia del reciclaje, la reutilización y la reducción. Tenemos las infraestructuras, la información y la educación, lo que significa que no tenemos ninguna excusa para no hacerlo.

Aquellos que me conocen saben que intento evitar a toda costa comprar artículos que contengan plástico, llevo mis bolsas de tela al mercado y trato de comprar a granel siempre que posible. De momento estoy viajando por India y la realidad de este lado es muy diferente. Comprar botellas de agua es algo que tengo que hacer diariamente, ya que el agua del grifo no está tratada y es impropio para el consumo. Me siento triste con la cantidad de basura que estoy generando aquí y trato de evitar bolsas de plástico y pajitas. En algunos lugares es difícil encontrar papeleras, imagina contenedores de reciclaje. El otro día compré un pastel que venía envuelto en un periódico, después de comer el pastel no encontré ninguna papelera para tirar la basura y decidí preguntar a alguien donde que hacer, a lo que me contestaron “puedes tirar la basura al suelo, más tarde alguien vendrá a limpiarlo”. Por más que esto no sea aceptable en mi cultura, tengo que ser abierta lo suficiente para percibir que las cosas aqui suceden a un nivel diferente. Las calles están extremadamente sucias con todo tipo de basura, la gente tira cosas por las ventanas de los coches y voy pisando basura constantemente. Se hace normal después de unas semanas.

No tengo suficiente conocimiento sobre el sistema de educación en la India y lo poco que sé es a través conversaciones con personas que voy conociendo. Aprendí que, de hecho, los indios ya aprenden sobre la importancia del reciclaje en la escuela . Hay también una campaña por toda la India, con el fin de alentar a las personas a colocar la basura en sus debidos lugares. Se llama “Clean India Mission” y el logotipo son las gafas de Gandhi con las palabras “India” y “Limpia” en cada lente. En la India viven alrededor de 1.37 millones de personas, Nueva Delhi tiene 11 millones de habitantes, lo misma cantidad que Portugal entero, por lo que entiendo lo difícil que es hacer que tantas personas colaboren en algo. Millones de personas no tienen siquiera acceso a algunas de las necesidades básicas, es normal que no perciban la importancia del reciclaje.

En el mundo occidental tenemos los mecanismos para mejorar, reutilizando más, comprando menos, dejando de usar plástico o al menos reduciendo drásticamente su uso. Tenemos agua tratada en la mayoría de los sitios y podemos adquirir un buen filtro para tener agua aún más pura. No hay necesidad de comprar botellas de agua, podemos elegir no comprar vegetales y frutas que vengan envasados ​​en plástico, podemos comprar a granel, podemos decir “no” a las bolsas de plástico, pajitas, compresas y tampones, etc. Votamos, con nuestro dinero, cada vez que compramos un artículo. Las grandes corporaciones crean alternativas porque les interesa vender y hacen todo lo que esté a su alcance para que compremos sus productos. No podemos esperar que sean ellos a dejar de vender plátanos envasados ​​en plástico. Tenemos que ser nosotr@s, l@s consumidor@s, a tomar la responsabilidad de disminuir la demanda. Si ellos saben que sus consumidores no compran esos plátanos a causa del plástico, tomarán medidas.

¡Reciclar es genial! Pero también sabemos que algunos tipos de materiales no son reciclables, como por ejemplo las pajitas, las bolsas de plástico, los vasos de café descartables, las toallitas, etc. Por eso nada mejor que evitar su consumo.

No quiero criticar a la India de ninguna manera, de hecho agradezco haber aprendido aquí esta primera lección. Lo que quiero decir con este artículo es que a veces ver otras realidades nos hace entender mejor nuestra propia realidad y podemos mejorarla también, especialmente cuando tenemos el poder y las herramientas para hacerlo.

Aquí está una lista de productos “sin desperdicio” alternativos para simplificar un poco nuestras vidas: http://orgranico.com/recopilatorio-11-alternativas-zero-waste/

Y tú, haces tu parte?

Buen Camino!

Buen Camino! (PT)

Buen Camino! (ES)

Buen Camino! (EN)

Some years ago I went on a family trip to the north of Portugal and Galicia (Spain). When getting to Santiago de Compostela I started to see all of these people with backpacks and hiking poles that were walking the “Camino de Santiago”. Nico and I agreed that one day we would do it together. Although it seemed to me something very difficult and that we would need months of preparation and a strong will to do so. Therefore, I imagined it happening only when I was fit enough to be up for the challenge.

Little did we know that three years later we would be finally walking the Camino. Funny enough, I was actually in a very bad shape, after one year of studying and working in Vancouver that had left me drained, overweight and with some vitamins and minerals deficiencies. I knew this would be definitely a challenge.

Nico programmed most of the trip. She had researched where we were staying, how many kilometers we were walking per day and all the logistics. We started in Sarria, which meant that we would have to walk around 110 km in five days. We came up with a plan to wake up quite early (around 7am), walk for about two hours, take a break for the breakfast, keep walking until we reached the destination for the day, go to the hostel to take a shower and drop the backpacks, go to a restaurant to have a late lunch and chill out the entire afternoon in a park. Our bags were not heavy but every kilogram counts when you are hiking for so many hours up and down hills. You can feel that extra liter in the water bottle you carry. 

The first day was quite easy and fun. We encountered countless people along the way wishing a “buen camino” (translates for “have a good walk”), all kinds of people from all over the world, in all different age groups, some in better shape than others. Some were doing it for the first time, just like we were, others had been walking the Camino every year for several years. Some had just started the walk, others were walking for almost one month. Some did it as a physical exercise, others for spiritual reasons or even just for the adventure. Some were alone, others came in groups.

The following days got a bit tougher and harder due to the muscle pain from walking so many kilometers. Sometimes it was really painful to start walking again after having a small break. At some point I lost count of how many people were full of bruises and blisters and I could almost feel their pain just by looking at the way they were walking. Luckily Nico and I didn’t have any feet problems as we were wearing barefoot shoes (Barefoot) but we had other aches and pains in our legs and backs.

To me, doing the Camino is not just about overcoming the physical struggles but above all the mental obstacles we face along the way. Even though Nico and I decided to do this together, it didn’t mean we had to walk together. In fact, for the most part we decided to split and walk with our own individual pace. That meant being alone with our own minds and thoughts for hours on end. There were some things I learned from this experience and would like to share:

Every body has a different rhythm. Some people were supper fit, overtaking everyone they would pass through, others on the other hand, were walking in an extremely slow pace as they probably had some physical issues. However, all of them got to Santiago (the final destination) at some point. The exact same happens in our day to day life. If there’s a goal we want to achieve, we can start walking towards that goal in a pace we feel comfortable to do so. We will eventually get there sooner rather than later.

The physical struggles we encounter by walking endless meters are surpassed minute-by-minute, hour-by-hour, day-by-day. Meaning that it is more about our mental strength than being in a good shape. If I could walk in pain, with hunger and a heating sun over my head, than I guess I can face daily routine problems as well. Transforming those struggles in victories.

Carrying a small backpack along the way, with just the necessary items, made me understand of how little we can live with. I used the same t-shirt and leggings during those five days and even though they were dirty and dusty most of the time (I only washed them once), I didn’t feel the need for more clothing items. The remaining carried weight was due to water, fruit and snacks I carried around to give me fuel to keep me going. In our day-to-day life we carry way to many concerns, beliefs and struggles that we don’t need as well. If we only take the essential, we end up living with those things that are really meaningful and important to us.

After walking for so long during the first part of the day, we made sure we would have our well-deserved rest for the second part of the day. We chilled in parks, did some stretching, played cards and had long conversations. Which made me think of how in our busy lives we often don’t get to spend quality time with those we love and doing the things we enjoy. Rest and quality time are crucial to keep a healthy and sane lifestyle.

Most of the Camino has amazing pathways in such a diverse nature: mountains, plains, grass fields, plantations, streams, old villages and ruins. In order to hike up and down hill you need to be present, otherwise you can stumble on a rock or step on cow manure. Just like in our daily routine, if you are not present in every moment you can make mistakes, get ill or hurt and eventually be in “shitty” situations ☺.

In order to learn something, we need to put ourselves out there, outside our comfort zone. There’s where growth takes place.

I truly advise everybody to do something like this. You don’t need to walk for five days in a row, just getting out there in nature, carrying your own belonging along the way (to really see how little you need) and most important be present with yourself and your own thoughts.

I can’t wait to do it again soon!

Buen Camino! (PT)
Há alguns anos fiz uma viagem com a família ao norte de Portugal e Galiza (Espanha). Quando chegámos a Santiago de Compostela comecei a ver imensos mochileiros com bastões que tinham feito o “Caminho de Santiago”. A Nico e eu acordámos que um dia o faríamos juntas. No entanto pareceu-me a mim algo muito difícil e que precisaríamos de meses de preparação física e muita força de vontade para o fazermos. Desse modo, imaginei fazê-lo só quando tivesse em forma suficiente para este desafio.

Mal sabia eu que três anos mais tarde estaríamos nós a fazer o Camino. O mais engraçado é que eu estava em péssima forma física, depois de um ano a trabalhar e estudar em Vancouver que me deixou esgotada, com algum peso a mais e com várias deficiências a nível nutricional. Sabia que isto seria de facto um grande desafio.

A Nico programou a maior parte da viagem. Pesquisou onde ficaríamos a dormir, quantos quilómetros faríamos por dia e todas as outras questões de logística. Começámos em Sarria, o que significava termos de percorrer cerca de 110 km em cinco dias. Fizemos um plano e decidimos acordar cedo (por volta das 7h00), andar por cerca de duas horas, fazer uma pausa para o pequeno-almoço, continuar a caminhada até chegar ao destino desse dia, ir ao hostel para tomar banho e deixar as mochilas, escolher um restaurante para almoçarmos e relaxar o resto do dia num parque. As nossas malas não estavam pesadas mas todos os quilos contam quando estás a caminhar por tantas horas com subidas e descidas. Um litro a mais ou a menos na garrafa de água fazia-se logo notar.

O primeiro dia foi relativamente fácil e divertido. Passámos por várias pessoas que nos iam desejando “buen camino”, todo o tipo de pessoas de todas as partes do mundo, de todas as faixas etárias, alguns em melhor forma que outros. Umas estavam a fazê-lo pela primeira vez, tal como nós, outros faziam o Caminho todos os anos. Umas tinham começado o Caminho há pouco tempo, outras já caminhavam há quase um mês. Umas faziam-no como forma de exercício físico, outras por razões espirituais e havia quem quisesse apenas ter a experiência daquela aventura. Umas estavam sozinhas, outras vinham em grupos.

Os dias que se seguiram tornaram-se um pouco mais duros e difíceis devido às dores nos músculos por andar tantos quilómetros. Às vezes era muito doloroso voltar a mexer as pernas depois de uma curta pausa. A certa altura perdi conta às pessoas, pelas quais passava, que estavam cheias de feridas ou bolhas nos pés e eu quase conseguia sentir as suas dores só de olhar para a forma como elas caminhavam. Felizmente a Nico e eu não tivemos esse tipo de problemas nos pés porque andámos com sapatos “barefoot” (Descalç@), mas tínhamos outras dores e mazelas nas pernas e costas.

Para mim, fazer o Caminho não é apenas uma questão de ultrapassar as dificuldades a nível físico mas, mais que tudo, os obstáculos mentais que enfrentamos a cada passo. Ainda que a Nico e eu tenhamos decidido fazê-lo juntas, não significava que teríamos de caminhar juntas. Na verdade, a maior parte do tempo andávamos separadas, cada uma no seu ritmo. Isso fez com que estivéssemos sozinhas com as nossas mentes e pensamentos por horas a fio. Houveram algumas coisas que aprendi com esta experiência e gostava de partilhar:

Cada corpo tem um ritmo diferente. Algumas pessoas estavam em ótima forma e iam ultrapassando toda a gente pelo caminho, outras por outro lado caminhavam num passo lentíssimo, talvez por sofrerem de algum problema motor. No entanto, todas essas pessoas chegaram a Santiago (o destino final) a seu tempo. O mesmo acontece nas nossas vidas. Se há algum objectivo que queremos atingir, podemos começar a andar na sua direção num passo que seja confortável para nós. Eventualmente chegaremos lá, mais cedo ou mais tarde.

Os problemas a nível físico que encontramos ao caminharmos quilometros que parecem não ter fim, vão sendo ultrapassados minuto a minuto, hora a hora, dia a dia. O que significa que a nossa força de vontade é mais importante do que a nossa forma física. Se eu consegui andar suportando dores, fome e o sol quente a bater na cabeça, então também consigo enfrentar problemas da rotina diária. Transformando essas dificuldades em vitórias.

Carregar uma mochila pequena pelo caminho, com apenas os itens necessários, fez-me perceber que necessitamos de muito pouco pra viver. Usei a mesma t-shirt e leggings durante aqueles cinco dias e mesmo que tivessem alguma sujidade e pó a maior parte das vezes (só as lavei uma vez), não senti necessidade de ter mais roupa. O restante peso era devido à água, fruta e snacks que carregava para me darem energia e assim conseguir prosseguir na caminhada. No nosso dia-a-dia carregamos demasiados problemas, crenças e dificuldades dos quais também não precisamos. Se só levarmos o essencial, acabamos por viver com aquelas coisas que são realmente importantes e relevantes para nós.

Depois de caminharmos por tanto tempo na primeira parte do dia, fizemos questão de garantir o tão merecido descanso na segunda metade. Relaxámos-nos em parques, fizemos alongamentos, jogámos às cartas e tivemos longas conversas. O que me fez pensar que nos nossos dias tão ocupados acabamos por não passar tempo de qualidade com aqueles que amamos nem a fazer aquilo que gostamos. Descanso e tempo de qualidade é essencial para manter um estilo de vida saudável.

A maior parte do Caminho tem paisagens maravilhosas e muita diversidade natural: montanhas, planícies, campos de erva, plantações, riachos, vilas antigas e ruínas. Para descer e subir tantas colinas é preciso caminhar com consciência e estar presentes no momento, de outra forma corremos o risco de tropeçar numa pedra ou pisar esterco de vaca. Assim como na nossa rotina diária, se não estivermos presentes no momento podemos cometer erros, ficar doentes e eventualmente acabar em situações de merda☺.

Para que consigamos aprender alguma coisa, temos que nos colocar fora da nossa zona de conforto. É aí que o crescimento pessoal acontece.

Eu aconselho vivamente a toda a gente fazer algo deste género. Não é necessário andar por cinco dia seguidos, basta passar algum tempo na natureza apenas carregando o essencial, e o mais importante é estar presente no momento e consciente dos próprios pensamentos.

Mal posso esperar por fazê-lo novamente!

Buen Camino! (ES)

Hace unos años hice un viaje con la familia al norte de Portugal y Galicia. Cuando llegamos a Santiago de Compostela empecé a ver muchos mochileros con bastones que habían hecho el “Camino de Santiago”. Nico y yo nos comprometemos a que un día lo haríamos juntas. Sin embargo, me pareció algo muy difícil y que necesitaríamos meses de preparación física y mucha fuerza de voluntad para hacerlo. De ese modo, pensé hacerlo sólo cuando estuviera en forma lo suficiente para este desafío.

Mal sabía que tres años más tarde estaríamos haciendo el Camino. Lo más gracioso es que yo estaba en pésima forma física, después de un año trabajando y estudiando en Vancouver que me dejó agotada, con algún sobrepeso y con varias deficiencias a nivel nutricional. Sabía que sería realmente un gran desafío.

Nico ha programó la mayor parte del viaje. Planeó dónde dormíamos, cuántos kilómetros haríamos al día y todas las demás cuestiones de logística. Comenzamos en Sarria, lo que significaba que iríamos a recorrer unos 110 km en cinco días. Hicimos un plan y decidimos despertar temprano (alrededor de las 7:00), caminar cerca de dos horas, hacer una pausa para desayunar, continuar la caminata hasta llegar al destino de ese día, ir al hostel para bañarnos y dejar las mochilas, elegir un restaurante para comer y relajar el resto del día en el césped de un parque. Nuestras mochilas no estaban pesadas pero todos los kilos cuentan cuando estás caminando por tantas horas con subidas y bajadas. Un litro más o menos en la botella de agua se hacía notar.

El primer día fue relativamente fácil y divertido. Pasamos por varias personas que nos iban deseando “buen camino”, todo tipo de personas de todas partes del mundo, de todas las edades, algunos en mejor forma que otros. Unas estaban haciéndolo por primera vez, al igual que nosotras, otras hacían el Camino todos los años. Unas habían comenzado el Camino hace poco, otras ya caminaban hacia casi un mes. Unas lo hacían como forma de ejercicio físico, otras por razones espirituales y había quien quisiera apenas tener la experiencia de aquella aventura. Unas estaban solas, otras venían en grupos.

Los días que siguieron fueron un poco más duros y difíciles debido a los dolores musculares por caminar tantos kilómetros. A veces era muy doloroso volver a mover las piernas después de una corta pausa. A cierta altura perdí cuenta a las personas, por las que pasaba, que estaban llenas de heridas o ampollas en los pies. Yo casi conseguía sentir sus dolores sólo de mirar la forma en que ellas caminaban. Afortunadamente a Nico y yo no tuvimos ese tipo de problemas en los pies porque caminamos con zapatos “barefoot” (Descalz@), pero teníamos otros dolores y molestias en las piernas y en la espalda.

Para mí, hacer el Camino no es sólo una cuestión de superar las dificultades a nivel físico sino, más que todo, los obstáculos mentales que enfrentamos a cada paso. Aunque Nico y yo hemos decidido hacerlo juntas, no significaba que tendríamos que caminar juntas todo el rato. En realidad, la mayor parte del tiempo caminábamos separados, cada una a su ritmo. Esto hizo que estuviéramos solas con nuestras mentes y pensamientos por muchas horas. Hubo algunas cosas que aprendí de esta experiencia y me gustaría compartirlo:

Cada cuerpo tiene un ritmo diferente. Algunas personas están en gran forma y se adelantan a todo el mundo, otras caminan en un paso lentísimo, quizás por sufrir algún problema motor. Sin embargo, todas esas personas llegan a Santiago (el destino final) a su tiempo. Lo mismo sucede en nuestras vidas. Si hay algún objetivo que queremos alcanzar, podemos empezar a caminar en su dirección en un paso que sea cómodo para nosotr@s. Finalmente llegaremos allí, tarde o temprano.

Los problemas a nivel físico que encontramos al caminar muchos kilómetros, van siendo superados a cada minuto, a cada hora, a cada día. Lo que significa que nuestra fuerza de voluntad es más importante que nuestra forma física. Si yo puedo caminar soportando dolores, hambre y el sol caliente sobre mi cabeza, entonces pienso que también consigo enfrentar problemas de la rutina diaria. Transformando esas dificultades en victorias.

Cargar una mochila pequeña por el camino, con sólo los elementos necesarios, me hizo percibir que necesitamos de poco para vivir. He utilizado la misma camiseta y leggings durante esos cinco días y aunque tuvieron alguna suciedad y polvo la mayor parte de las veces (sólo las lavé una vez), no sentía necesidad de tener más ropa. El resto del peso era debido al agua, fruta y snacks que cargaba para darme energía y así conseguir proseguir en la caminata. En nuestro día a día cargamos demasiados problemas, creencias y dificultades de los que tampoco necesitamos. Si sólo llevamos lo esencial, acabamos por vivir con aquellas cosas que son realmente importantes y relevantes para nosotros.

Después de caminar por tanto tiempo en la primera parte del día, hicimos cuestión de garantizar el tan merecido descanso en la segunda mitad. Nos relajamos en parques, hicimos estiramientos, jugamos a las cartas y tuvimos largas conversaciones. Lo que me hizo pensar que en nuestros días tan ocupados acabamos por no pasar tiempo de calidad con aquellos que amamos ni a hacer lo que nos gusta. El descanso y el tiempo de calidad son esenciales para mantener un estilo de vida saludable.

La mayor parte del Camino tiene paisajes maravillosos y mucha diversidad natural: montañas, llanuras, campos de hierba, plantaciones, arroyos, villas antiguas y ruinas. Para bajar y subir tantas colinas hay que caminar con conciencia y estar presentes en el momento, de otra forma corres el riesgo de tropezar en una piedra o pisar estiércol de vaca. Así como en nuestra rutina diaria, si no estamos presentes en el momento podemos cometer errores, ponernos enfermos y eventualmente acabar en situaciones de mierda ☺.

Para que podamos aprender algo, tenemos que colocarnos fuera de nuestra zona de confort. Es ahí donde ocurre el crecimiento personal.

Yo aconsejo vivamente a todo el mundo hacer algo de este género. No es necesario caminar por cinco días seguidos, basta pasar algún tiempo en la naturaleza apenas cargando lo esencial, y lo más importante es estar presente en el momento y consciente de los propios pensamientos.

No puedo esperar para hacerlo de nuevo!

Work in progress

Trabalho em curso (PT)

Trabajo en curso (ES)

Work in progress (EN)

Intro

Every job has its pros and cons. I had six different jobs throughout my life, from working on entertainment shows on TV to cocktail bar back, from handling passengers at the airport to being a clerk in a “9 to 5” job. In fact the latter was the only job that I had with such schedule and it only lasted for a couple months. I’ll get back to this job a little further on.

Peculiar schedules

Having to wake up early was something truly difficult for me since I was a child. My sister was an early bird and as soon as she was up, she would go to the living room to watch cartoons. I would stay in bed till later. In teenage years I would only wake up at noon, as most teenagers, and I recall that it was really hard to wake up to attend morning classes in high school. Later in University years, I got the chance to choose afternoon classes and was able to avoid the upsetting alarm. This made me understand that I was a much happier person with this type of schedule – staying up late, working or watching series and waking up just before noon. I got my projects done much better at night as I felt like the creative part of me was truly awakened. (This changed in most recent years, for some reason, and I’m now a “morning person”).

Playing make believe

Then I got my first “earnest” job. I was fortunate again to be able to choose the schedule and the same happened later on with other jobs – except for the clerk job! That 9 to 5 job was clearly not my cup of tea. As an organized person, the tasks given to me were all done before lunchtime. My boss at the time did not understand how I was able to get the tasks done so quickly and well as the previous clerk had the exact same tasks and complaint of too much work. As there was nothing else for me to do after lunch, I asked my boss if I could go part-time. She denied my proposal because a clerk is supposed to pick up calls and I was encouraged to find a way of keeping myself busy. In other words, my words, I was basically asked to “pretend I was working”. So my job in the afternoon was to “look as if I was busy” and pick up calls every now and then. Calls that everybody else in that office could pick-up. In fact my job was to transfer calls to the right department, meaning that I couldn’t solve any problem from suppliers or clients. This to say that, even though I was offering to get the same job done as a part-timer (and was full aware that I would get a smaller payment), my employer wouldn’t accept it because of a predefined timetable. That’s how formatted the system is. In my mind, I could not comprehend that. I mean, I would rather have less money but more time to do other useful things, than being in that office just because. For me was a waste of my time all along.

Generation gaps

I think that most of the people from my generation, called “Millennials”, don’t put up with this kind of rules. We prefer to do something with meaning, something that gives us some pleasure, something to value our time. Also something that most of the people form the previous generation, our parents generation, doesn’t fully understand. As they are used to work from “9 to 5” their whole lives, with 30+ years of career (sometimes in the exact same office) it’s quite usual for them to think how odd it is to work weekends, to have rotating shifts or to work from home. I don’t mean to criticize this form of thinking as we all have different backgrounds. However, in order for both generations to get along, we need to accept each other’s ways of living. It’s a work in progress.

The comeback

Since I arrived in my hometown, after seven years of living abroad, the most asked questions I have been getting are: “Are you working?”, “Where do you work now?”, “Are you looking for a job?”. When my answer is “Yes, I have a job! I’m a freelancer, working from home and doing what I love.”, people’s reactions are hilarious. They don’t call that a job. Because from their point of view, a job is something you kind of have to do, just so you have a payment every month, even if you don’t like it, and you better comply with it.

How does it work?

Life teached me that our time here is way too short for me to comply with something that I kind of have to do just so others can kind of accept me, understand me or take me seriously. So yes, I work at home, I work from home, I can work all day in my pyjamas. I can also choose not to work for an entire day just like other people do during their days off or weekends. But I probably work more hours than “9 to 5 jobs” because I don’t leave the office and I don’t close the store. I might be on social media because that’s part of my job and most of the times I cannot even differentiate weather if I’m working or if I’m on a break. Because I love what I do and it seems that I’m playing the whole day but that doesn’t mean that I’m not working. In fact if you are a freelancer, you need to be organized, a goal setter, a go-getter and a strong-willed person. You cannot rely on “pretending that you’re working” because that won’t pay your bills.

I can also work from anywhere at anytime, as some of my services can be done via skype, whatsapp and online platforms. Working and being a nomad requires extra effort and discipline, otherwise you won’t get any work done, neither will you enjoy the beautiful landscapes and sunsets outside the window.

Questions for you

Are you the kind of person that only considers a job serious if there’s some distress along the way?  What makes you think that you need to have a job that doesn’t fulfill you? What do you think about jobs that don’t seem like jobs because you can actually have fun working on them? What keeps you from having a job doing something that you like? Do you think that society judges those that do what they love?

Trabalho em curso (PT)

Introdução

Todos os trabalhos têm os seus prós e contras. Eu tive seis trabalhos diferentes ao longo da vida, desde trabalhar em programas de entretenimento na TV a servir cocktails em bares, desde técnica de tráfego aéreo no aeroporto a secretária num trabalho das “9h às 17h”. De facto este trabalho como secretária foi o único que tive como este tipo de horário e durou apenas um par de meses. Voltarei a falar neste trabalho um pouco mais à frente.

Horários peculiares

Ter de acordar cedo foi sempre algo muito difícil para mim desde pequena. A minha irmã era madrugadora e assim que acordava, ia para a sala de estar para ver desenhos-animados. Eu gostava de ficar na cama até mais tarde. Na adolescência acordava à hora de almoço, assim como muitas adolescentes, e recordo-me que era realmente difícil para mim ter de acordar cedo para estar presente nas aulas da manhã no Secundário. Depois, já na Universidade, tive a oportunidade de escolher as aulas da tarde, evitando assim aquele despertador ingrato. Isso fez com que eu percebesse que era uma pessoa mais feliz com este tipo de horário – estar acordada até tarde, a trabalhar ou ver séries e acordar quase às 12h. Os meus projectos faziam-se muito melhor à noite quando eu sentia que a minha parte criativa estava verdadeiramente desperta. (Isto alterou-se mais recentemente, por alguma razão, e sou agora uma “pessoa matinal”).

Brincar ao faz-de-conta

Depois tive o meu primeiro “trabalho a sério”. Tive novamente a sorte de poder escolher o meu horário e o mesmo aconteceu com trabalhos que se seguiram – excepto o tal trabalho de secretária! Esse trabalho das 9h às 17h não era de todo “a minha praia”. Como sou bastante organizada, as tarefas que me eram dadas no início da jornada ficavam facilmente concluídas até à hora de almoço. A minha chefe não compreendia como era possível que eu completasse as tarefas tão rapidamente quando a secretária anterior se queixava frequentemente de demasiado trabalho. Por não ter mais nada que fazer depois de almoço, sugeri à minha chefe fazer o trabalho em part-time. Ela recusou essa proposta, porque uma secretária supostamente deve também atender telefonemas, e fui encorajada a arranjar forma de me ocupar. Por outras palavras, as minhas palavras, fui basicamente incentivada a “fazer-de-conta” que trabalhava. Então o meu trabalho na parte da tarde era parecer que estava ocupada e atender chamadas de vez em quando. Chamadas essas que qualquer pessoa naquele escritório poderia atender. Na verdade o meu trabalho era transferir chamadas para o departamento adequado, o que quer dizer que eu nem sequer poderia resolver nenhum problema com fornecedores ou clientes. Isto para dizer que, mesmo estando eu a oferecer fazer o mesmo trabalho mas a tempo parcial (e aceitando que o pagamento seria mais baixo), o meu empregador não queria aceitar por causa de um horário estipulado. O sistema é assim: formatado. Na minha cabeça eu não compreendia aquilo. Eu preferia ganhar menos dinheiro mas ter mais tempo para fazer outras coisas úteis, do que estar ali naquele escritório só porque sim. Era uma perca de tempo no fim das contas.

Diferenças entre gerações

Julgo que a maior parte das pessoas da minha geração, designada por “Millennials”, não atura estas regras. Preferimos fazer algo mais substancial, algo que nos dê mais prazer, algo que valorize o nosso tempo. Também algo que a maior parte das pessoas das gerações anteriores, como a geração dos nossos pais, não compreendem bem. Como estão habituados a trabalhar “das 9h às 17h” a vida toda, com trinta ou mais anos de carreira (às vezes no mesmíssimo escritório) é normal que achem estranho que se trabalhe durante fins-de-semana, ter horários rotativos or trabalhar a partir casa. Eu não escrevo com o intuito de criticar essa forma de pensar pois todos temos diferentes procedências. Ainda assim, para que as duas gerações se consigam entender, temos que aceitar a forma de viver de cada um. É um trabalho em curso.

O regresso

Desde que regressei à minha cidade natal, depois de sete anos a viver no estrangeiro, as perguntas que mais me fazem são: “Já estás a trabalhar?”, “Onde trabalhas agora?”, “Estás à procura de trabalho?”. Quando a minha resposta é “Sim, eu trabalho! Sou trabalhadora independente, trabalho a partir de casa e adoro o que faço.”, a reacção das pessoas é hilariante. Elas não acham que isso seja um trabalho. Porque, do ponto de vista delas, um trabalho é algo que tu tens de fazer para que um salário te caia na conta todos os meses, mesmo que não gostes do que fazes, e é bom que te conformes com isso.

Como é que isso funciona?

A vida ensinou-me que o nosso tempo aqui é curto demais para eu me conformar com algo que eu tenho que fazer, para que os outros me possam aceitar, compreender ou levar a sério. Então sim, eu trabalho em casa, eu trabalho a partir de casa, eu posso trabalhar o dia todo de pijama. Também me posso dar ao luxo de não trabalhar um dia inteiro assim como as outras pessoas fazem durante as suas folgas ou fins-de-semana. Eu provavelmente até trabalho mais horas do que se estivesse num trabalho das “9h às 17h” porque eu não me vou embora do escritório e não fecho a loja ao final do dia. Posso estar muito nas redes sociais porque isso faz parte do meu trabalho e a maior parte das vezes nem eu consigo perceber se estou a trabalhar ou numa pausa. Porque eu adoro o que faço pode parecer que eu estou a brincar o dia todo, mas isso não significa que não esteja a trabalhar. Na verdade se fores um@ trabalhad@r independente, precisas de ser organizad@, ter objectivos, batalhar e ter força de vontade. Não podes “encostar-te” à ideia de fazer-de-conta que estás a trabalhar porque isso não te irá pagar as contas.

Também posso trabalhar de onde quiser ás horas que quiser pois alguns dos meus serviços podem ser proporcionados por skype, WhatsApp ou outras plataformas online. Ser nómada e trabalhar requer extra disciplina e esforço, senão o trabalho não será feito nem tampouco aproveitada sa vistas maravilhosas e os pôr-do-sol que se vêm da janela.

Perguntas para ti

És o tipo de pessoa que só considera que um trabalho é sério se houver algum sacrifício? O que te faz pensar que tens que ter um trabalho que não te realiza? O que achas dos trabalhos que não parecem trabalhos porque podes desfrutar deles? O que te impede de ter um trabalho que gostes? Achas que a sociedade julga aqueles que fazem o que gostam?

 

Trabajo en curso (ES)

Introducción

Todos los trabajos tienen sus pros y sus contras. He tenido seis trabajos diferentes a lo largo de la vida, desde trabajar en programas de entretenimiento en la televisión a servir cócteles en bares, pasando por técnica de tráfico aéreo en el aeropuerto hasta secretaria en un trabajo de 9 a 5. De hecho este trabajo como secretaria fue el único que tuve como este tipo de horario y duró sólo un par de meses. Volvemos a hablar sobre este trabajo un poco más adelante.

Horarios peculiares

Despertarme temprano siempre fue algo muy difícil para mí , incluso cuando era pequeña. Mi hermana era madrugadora y se despertaba pronto para ver dibujos animados. A mi me gustaba quedarme en la cama hasta más tarde. En la adolescencia me despertaba casi a la hora de comer  y recuerdo que era realmente difícil para mí tener que despertar temprano para estar presente en las clases de la mañana en el Bachiller. Después, ya en la Universidad, tuve la oportunidad de escoger el turno de la tarde, evitando así ese despertador ingrato. Esto hizo que me diera cuenta de que era una persona más feliz con este tipo de horario – estar despierta hasta tarde, trabajando o viendo series y despertar casi a las 12h. Mis proyectos se hacían mucho mejor por la noche cuando sentía que mi parte creativa estaba verdaderamente despierta. (Esto se ha cambiado más recientemente, por alguna razón, y ahora soy una “persona matinal”).

Fingir que se hace

Después tuve mi primer “trabajo en serio”. Tuve la suerte de poder elegir mi horario y lo mismo sucedió con los trabajos que siguieron – excepto el trabajo de secretaria! Este trabajo de las 9h a las 17h no era en absoluto para mi. Como soy bastante organizada, las tareas que me daban al inicio de la jornada quedaban fácilmente concluidas hasta la hora de comer. Mi jefa no comprendía cómo era posible que yo completara las tareas tan deprisa cuando la secretaria anterior se quejaba a menudo de demasiado trabajo. Por no tener nada que hacer después de comer, sugerí a mi jefa hacer el trabajo a media jornada. Ella rechazó esa propuesta, porque una secretaria supuestamente debe también coger llamadas telefónicas, y me animó a buscar otra forma de ocuparme. En otras palabras, mis palabras, fui incentivada a pasar las tardes fingiendo que trabajaba. Entonces mi trabajo por la tarde era parecer que estaba ocupada y contestar a algunas llamadas de vez en cuando. Llamadas esas que cualquier persona en la oficina podría coger. De hecho, mi trabajo era transferir llamadas al departamento adecuado, lo que quiere decir que ni siquiera podría resolver ningún problema con los proveedores o los clientes. Esto para decir que, aunque yo hubiese ofrecido la posibilidad de hacer el mismo trabajo pero a media jornada (y aceptando que el pago sería más bajo), mi empleador no quería aceptar a causa de un horario estipulado. El sistema es así: formateado. En mi cabeza no comprendía eso. Yo preferiría ganar menos dinero pero tener más tiempo para hacer otras cosas útiles, que estar allí en esa oficina sólo porque sí. Era una pérdida de tiempo al final de cuentas.

Diferencias entre generaciones

Creo que la mayoría de la gente de mi generación, denominada “Millennials”, no tolera reglas. Preferimos hacer algo más sustancial, algo que nos dé más placer, algo que valore nuestro tiempo. Esto es algo que la mayoría de las personas de las generaciones anteriores, como la generación de nuestros padres, no entiende. Como están acostumbrados a trabajar “de las 9 a las 5” toda la vida, con treinta o más años de carrera profesional (a veces en la mismísima oficina) es normal que vean raro que se trabaje durante los fines de semana, tener horarios rotativos o trabajar desde casa. Yo no escribo con la intención de criticar esa forma de pensar pues todos tenemos diferentes procedencias. Sin embargo, para que las dos generaciones se consigan entender, tenemos que aceptar la forma de vivir de cada uno. Es un trabajo en curso.

El regreso

Desde que regresé a mi ciudad natal, después de siete años viviendo en el extranjero, las preguntas que la gente más me hace son: “¿Ya estás trabajando?”, “¿Dónde trabajas ahora?”, “¿Estás buscando trabajo?”. Cuando mi respuesta es “Sí, yo trabajo! Soy trabajadora independiente, trabajo desde casa y adoro lo que hago.”, La reacción de las personas es hilarante. Ellas no creen que eso sea un trabajo. Porque desde su punto de vista, un trabajo es algo que tienes que hacer para que un salario te caiga en la cuenta bancária todos los meses, aunque no te guste lo que haces, y es bueno que te conformes con eso.

¿Cómo funciona?

La vida me enseñó que nuestro tiempo aquí es demasiado corto para conformarme con algo que tengo que hacer para que los demás me puedan aceptar, comprender o tomar en serio. Así que sí trabajo en casa, trabajo desde casa, puedo trabajar todo el día en pijama. También me puedo dar el lujo de no trabajar un día entero como las otras personas hacen durante en los festivos o fines de semana. Probablemente incluso trabaje más horas que si estuviera en un trabajo de 9 a 5 porque no me voy de la oficina ni cierro la tienda al final del día. Paso mucho tiempo en las redes sociales porque eso es parte de mi trabajo y a  veces ni siquiera puedo percibir si estoy trabajando o en una pausa. Porque me encanta lo que hago, puede parecer que estoy jugando todo el día, pero eso no significa que no esté trabajando. En realidad si eres un@ trabajador@ independiente, necesitas ser organizad@, tener objetivos, batallar y tener fuerza de voluntad. No puedes fingir que estás trabajando, porque eso no te va a pagar las cuentas. 

También puedo trabajar desde donde quiera a las horas que quiera porque algunos de mis servicios pueden ser proporcionados por Skype, WhatsApp u otras plataformas online. Ser nómada y trabajar requiere extra disciplina y esfuerzo, sino el trabajo no será hecho y la vista maravillosa que se ve de la ventana tampoco la aprovechas.

Preguntas para ti

¿Eres el tipo de persona que sólo considera que un trabajo es serio si hay algún sacrificio? ¿Qué te hace pensar que tienes que tener un trabajo que no te realiza? ¿Qué crees de los trabajos que no parecen trabajos porque puedes disfrutar de ellos? ¿Qué te impide tener un trabajo que te guste? ¿Crees que la sociedad juzga a aquellos que hacen lo que les gusta?

Vine with a soul

Videira com alma (PT)

Vid con alma (ES)

Vine with a soul (EN)

In some of my previous articles, I briefly talked about Peru and how my life changed after that trip. What I didn’t say is that there was a special event that occurred in the Amazon that made me see life with “new eyes”.

To better contextualise what my life looked like at that moment, I have to go back in time to when my mother got sick. Diagnosed with a brain tumour, she was operated twice which left her without talking, reading, writing and very limited motion. This went on for an entire year that never seemed to come to an end. When she died, I “ran away” from Portugal (my country) and settled down in Amsterdam with my boyfriend at the time. After a couple of unfulfilling jobs, unsuccessful attempts to change my career and now a broken relationship, here I was with a plane ticket to Peru.

Immersed in the Amazon rainforest, I was fortunate enough to learn about plants with an instructor and a Shaman. One day, we went on a hike and passed by some Psychotria Viridis trees (a.k.a. Chocruna) and start picking some leaves. Later on, we mixed them up with Banisteriopsis Caapi (a.k.a. Ayahuasca) vine and other herbs and brewed it all for about eight hours straight. This remedy, most known as Ayahuasca in the ancient language of Quechua, translates to something like “vine with a soul”, has been used by indigenous people in ceremonies for thousands of years.

What happens on a chemistry level is that Chocruna contains a very high amount of DMT – a neurotransmitter found in the human body as well but broken down by enzymes. On the other hand, Ayahuasca has the capacity to inhibit those enzymes from breaking down the DMT, allowing access to altered states of consciousness.

Ayahuasca was “calling me” for a couple years at this point. I had watched documentaries, read about the plants and knew that one day I would be taking it. Perhaps I was manifesting it all along. (An article about manifestation will come out soon).

At nightfall, the Shaman got dressed up with his special garment, gathered some members of the community and four “gringos” (including myself) and the ceremony began. Facing the sunrise side, with a small glass in my hand containing the drink, I was encouraged to think about some insights I was looking for with this experience as well as giving thanks to the plants. However, as I had read before, I knew that the things plants show us are what we need and not what we want. I focused mainly in two things: connect to my mother & know the reason behind my low tolerance to pain issues and passing out quite a lot.   *

I drank the shot, sat down and waited for the effect with a peaceful mindset. When the Ayahuasca kicked in, I started seeing neon lines that formed strange shapes. These images in my mind were quite exhausting to look at and I was getting tired of it. Suddenly, I fainted and could see myself and all the others from above, as if I was out of my body. I knew that I was in another dimension. The same place that I normally go when I pass out. It is like being in a dream but with a special frequency, where I can only go when passing out. At that moment I got a download of information (very difficult to explain but something that occurs in many Ayahuasca or magic mushrooms experiences) and I simply knew that passing out was a reminder of a parallel/ passed life I had. In other words, I wasn’t supposed to forget the other life, during this lifetime and fainting was a way of being connected and reminded of that.

I then “woke up” from passing out and sat down again. I started thinking about my mother and all the pain that came with her disease and passing away – “Why did she leave us so soon? Why her? What was she going through and could not share with us? Was she mad at me for some reason?”. I felt her presence. I couldn’t see her but I knew she was around. She told me that nothing we had done differently could have stopped her from leaving us. From leaving this dimension. She had to go through everything during that year in order to learn her lessons. I couldn’t stop crying. It’s like I was crying the tears that I couldn’t cry during that year because I had to be strong. My experience went for about six hours and I saw many more things.

Ayahuasca is considered a drug in Western culture because on this side of the world most people are not as connected to plants. We are used to “put all drugs in the same bag” as if they are all addictive, damaging and disgraceful. I could not disagree more. The synthetic substances, made in labs, toxic, using specific parts of plants rather than the whole plant, alcohol etc. – those are the dangerous drugs.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro and many more plants can be used as medicine. They have been used for thousands of years and have numerous benefits, without causing addiction. In fact some of these remedies help people with addictions, depression, anxiety and so on. Plants should be handled by those that deeply know them and can conduct ceremonies in order to help others.

Drugs on the other side, are those things we get prescribed every time we go to the doctor and complain of something. Drugs that we can get addicted to, drugs that are far more dangerous than we think, drugs that only mask the root causes of our problems. Drugs that many of us drink on a daily basis and are packed in cans or in bottles. But those drugs no one question about because they are socially acceptable.

This special event that happened in the Amazon was an Ayahuasca ceremony and it helped me tremendously with those questions I had always on my mind regarding my mother’s sickness and death. It made me accept better my issue with fainting. It changed my habit of thinking way too much about the past and brought me peace.

*  All my life I have had this undiagnosed condition, which is to faint for anything and everything. Whereas is for seeing blood, getting hurt, falling, being scared, having pain, feeling weak, draw blood, receiving bad news etc. At some point in my life I would faint a couple times a week, then it got better but never stopped happening.

Videira com alma (PT)

Nalguns dos artigos que escrevi anteriormente, falei por alto sobre o Peru e sobre como a minha vida mudou depois daquela viagem. O que eu não disse, foi que houve um acontecimento especial na Amazónia que me fez ver a vida com outros olhos.

Para melhor contextualizar como estava a minha vida naquele momento, tenho que ir atrás no tempo e parar na altura em que a minha mãe ficou doente. Diagnosticada com um tumor cerebral, foi operada duas vezes, o que a deixou sem falar, ler, escrever e com uma capacidade muito limitada de se movimentar em geral. Assim esteve durante um ano inteiro. Esse ano pareceu não ter fim. Quando ela morreu, eu “fugi” de Portugal e fui assentar em Amesterdão com o namorado que tinha na altura. Anos depois, com trabalhos que não me preenchiam, tentativas falhadas de mudar de rumo e agora de namoro terminado, ali estava eu com um bilhete de avião com destino ao Peru.

Imersa na floresta tropical da Amazónia, tive o privilégio de aprender sobre plantas com um instrutor e um Xamã. Um dia, fizemos uma caminhada onde passamos por árvores de Psychotria Viridis (mais conhecida como Chocruna) e começámos a apanhar as suas folhas. Mais tarde, misturámo-las com a videira Banisteriopsis Caapi (mais conhecida como Ayahuasca) e outras ervas para fazer uma decocção que durou cerca de oito horas. Este remédio, que se dá pelo nome de Ayahuasca na língua anciã Quechua, traduz-se para algo como “videira com alma” e tem vindo a ser usado por comunidades indígenas há milhares de anos em cerimónias.

O que acontece a nível químico é que a Chocruna contém uma dose alta de DMT – um neurotransmissor que também se encontra no corpo humano mas é decomposto por enzimas. A Ayahuasca por sua vez, tem a capacidade de impedir que as enzimas decomponham o DMT, permitindo assim o acesso a estados alterados de consciência.

A Ayahuasca já me “chamava” há um par de anos. Vi vários documentários, li sobre as plantas e sabia que um dia a iria tomar. Talvez estivesse a manifestar esta intenção já desde aí. (Um artigo sobre manifestação estará para breve.)

Ao cair da noite, o Xamã vestiu-se a rigor com uma indumentária especial, juntou alguns membros da comunidade mais quatro “gringos” (incluindo eu) e a cerimónia começou. Voltada para o lado em que nasce o sol, com um pequeno copo na mão contendo a bebida, fui encorajada a pensar na experiência que aí vinha bem como agradecer às plantas. No entanto sabia, como tinha lido anteriormente, que o que as plantas nos mostram é aquilo que nós precisamos e não aquilo que nós queremos. Foquei-me sobretudo em duas coisas: contactar com a minha mãe & saber a razão por detrás da minha baixa tolerância às dores e o facto de desmaiar demasiadas vezes.* 

Assim que o efeito da Ayahuasca arrancou, comecei a ver linhas néon que formava formas estranhas. Essas imagens na minha cabeça eram muito exaustivas e eu comecei a ficar cansada de as ver. Subitamente desmaiei e conseguia ver-me ali deitada no chão e a todos os outros participantes na cerimónia de uma perspectiva de cima, como se estivesse fora do meu corpo. Sabia que estava noutra dimensão. O mesmo sítio para onde vou sempre que desmaio. É como se estivesse num sonho mas com uma frequência muito própria à qual só tenho acesso quando desmaio. Nesse momento tive uma “transferência” de informação (muito difícil de explicar mas é algo que acontece com muitas pessoas que tomam Ayahuasca ou cogumelos mágicos) e simplesmente sabia agora que desmaiar era um lembrete de uma vida paralela/ passada que eu tive. Por outras palavras, durante esta minha vida era suposto eu não me esquecer daquela outra vida e desmaiar era assim a forma de me manter ligada a ela.

Depois “despertei” do desmaio e sentei-me de novo. Comecei a pensar na minha mãe e na tamanha dor que veio com a doença e morte dela – “Porque é que ela nos deixou tão cedo? Porquê ela? Quais seriam as coisas pelas quais ela tinha passado e não podia partilhar connosco naquela condição? Estaria ela zangada comigo por alguma razão?” Senti a sua presença. Não a conseguia ver mas sabia que ela estava ali comigo. Ela disse-me que mesmo que as coisas tivessem sido feitas de forma diferente aquando da sua doença, nada iria mudar o seu rumo. Que ela tinha que passar por tudo aquilo que passou durante aquele ano para que pudesse aprender as suas lições. Nada que nós fizéssemos iria prevenir aquele fim e deixar esta dimensão. Eu não conseguia parar de chorar. Era como se tivesse a derramar as lágrimas que não pude chorar durante um ano inteiro pois tinha que ser forte. A minha experiência durou cerca de seis horas e vi muitas outras coisas.

A Ayahuasca é considerada uma droga na cultura ocidental porque neste lado do mundo a maior parte das pessoas não estão assim tão ligadas às plantas. Estamos habituados a meter as drogas “todas no mesmo saco” como se todas fossem viciantes, prejudiciais e indignas. Eu não poderia estar mais em desacordo. As substâncias sintéticas, feitas em laboratório, tóxicas, usando apenas partes específicas das plantas, álcool etc. – essas são as drogas prejudiciais.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro entre muitas outras plantas podem ser usadas como medicamento. São usadas há milhares de anos e têm inúmeros benefícios, sem causar dependências. Na realidade alguns destes remédios podem ajudar pessoas com vícios, depressão, ansiedade e por aí fora. As plantas deveriam ser usadas por aqueles que as conhecem e que sabem conduzir cerimónias para ajudar os outros.

Drogas no sentido da palavra, são aquelas coisas que nos receitam sempre que vamos ao médico queixando-nos de alguma coisa. Drogas que nos deixam dependentes, drogas que são muito mais perigosas do que nós pensamos, drogas que só mascaram a raiz ou a causa dos nossos problemas. Drogas que muitas pessoas consomem diariamente e que estão embaladas em latas, garrafas e pacotes de cartão.. Mas essas drogas ninguém questiona porque são socialmente aceites.

Este acontecimento especial que vivi na Amazónia chamado “cerimónia de Ayahuasca” ajudou-me tremendamente com aquelas questões que tinha sempre na minha cabeça sobre a doença e morte da minha mãe. Fez-me aceitar melhor a minha tendência para desmaiar. Mudou o meu hábito de pensar demasiado sobre o passado e trouxe-me paz.

*  Toda a minha vida tive esta condição sem diagnóstico que faz com que eu desmaie por tudo e por nada. Seja por ver sangue, magoar-me, cair, assustar-me, sentir dor, sentir fraqueza, tirar sangue, receber más notícias etc. Numa altura da minha vida desmaiava duas vezes por semana, depois melhorou mas nunca deixou de acontecer.

Vid con alma (ES)

En algunos de los artículos que escribí anteriormente, hablé por encima sobre mi viaje a Perú y sobre cómo mi vida cambió después de aquel viaje. Lo que no dije, fue que hubo un acontecimiento especial en Amazonia, que me hizo ver la vida con otros ojos.

Para mejor contextualizar cómo estaba mi vida en ese momento, tendré que retroceder en el tiempo y parar en el momento en que mi madre se enfermó. Diagnosticada con un tumor cerebral, fue operada dos veces, lo que la dejó sin hablar, leer, escribir y con una capacidad muy limitada de moverse en general. Así estuvo durante un año entero. Este año pareció no tener fin. Cuando murió, me “escapé” de Portugal y me establecí en Amsterdam con el novio que tenía en el momento. Años después, con trabajos que no me llenaban, intentos fallidos de cambiar de rumbo y ahora la ruptura con mi pareja, allí estaba yo con un billete de avión con destino a Perú.

Inmersa en la selva tropical de la Amazonia, tuve el privilegio de aprender sobre plantas con un instructor y un chamán. Un día, hicimos una caminata donde pasamos por árboles de Psychotria Viridis (más conocida como Chochuna) y empezamos a coger sus hojas. Más tarde, las mezclamos con la vid Banisteriopsis Caapi (más conocida como Ayahuasca) y otras hierbas para hacer una decocción que duró cerca de ocho horas. Este remedio, que se da por el nombre de Ayahuasca en la lengua anciana Quechua, se traduce a algo como “vid con alma” y ha sido utilizado en ceremonias por comunidades indígenas desde hace miles de años hasta los días de hoy.

Lo que ocurre a nivel químico es que la Chocuna contiene una dosis alta de DMT – un neurotransmisor que también se encuentra en el cuerpo humano pero es descompuesto por enzimas. La Ayahuasca a su vez, tiene la capacidad de impedir que las enzimas descompongan el DMT, permitiendo así el acceso a estados alterados de conciencia.

La Ayahuasca ya me ”llamaba” hace un par de años. Vi varios documentales, leí sobre las plantas y sabía que un día la tomaría. Quizás estuviera manifestando esta intención desde entonces. (Un artículo sobre manifestación estará para breve.)

Al caer la noche, el chamán se arregló y vistió una indumentaria especial, juntó a algunos miembros de la comunidad y a cuatro “gringos” (incluyendo yo) y la ceremonia comenzó. Vuelta hacia el lado en que nace el sol, con un pequeño vaso en la mano conteniendo la bebida, fui alentada a pensar en la experiencia que que me esperaba bien como a agradecer a las plantas. Sin embargo sabía, como había leído anteriormente, que lo que las plantas nos muestran es lo que necesitamos ver y no lo que queremos. Me enfoqué sobretodo en dos cosas: contactar con mi madre y saber la razón detrás de mi baja tolerancia a los dolores y el hecho de desmayarme demasiadas veces. *

Cuando el efecto de la Ayahuasca arrancó, empecé a ver líneas neón que formaban formas extrañas. Estas imágenes en mi cabeza eran muy exhaustivas y empecé a cansarme de verlas. De repente me desmayé y conseguí verme allí acostada en el suelo y a todos los demás participantes en la ceremonia desde una perspectiva de arriba, como si estuviera fuera de mi cuerpo. Sabía que estaba en otra dimensión. El mismo sitio donde voy siempre cuando desmayo. Es como si estuviera en un sueño pero con una frecuencia muy propia a la que sólo tengo acceso cuando desmayo. En ese momento tuve una “transferencia” de información (muy difícil de explicar pero es algo que sucede con muchas personas que toman Ayahuasca o hongos mágicos) y simplemente ahora sabía que desmayarme era un recordatorio de una vida paralela / pasada que tuve. En otras palabras, durante esta vida se suponía que no debía olvidarme de aquella otra vida y desmayarme era una forma de mantenerme ligada a ella.

Después “desperté” del desmayo y me senté otra vez. Empecé a pensar en mi madre y en el dolor que vino con su enfermedad y muerte – ¿Por qué nos dejó tan temprano? ¿Porque ella? ¿Cuáles serían las cosas por las que había pasado y no podía compartir con nosotros en aquella condición? ¿Estaría mi madre enfadada conmigo por alguna razón?Sentí su presencia. No la podía ver pero sabía que ella estaba allí conmigo. Me dijo que aunque las cosas se hubieran hecho de forma diferente durante su enfermedad, nada cambiaría su rumbo. Que ella tenía que pasar por todo lo que pasó durante aquel año para que pudiera aprender sus lecciones. Nada que hiciéramos podría haber impedido aquél final ni que dejara esta dimensión. Yo no podía parar de llorar. Era como si tuviera que derramar todas las lágrimas que no pude llorar durante todo un año entero porque en aquel momento tenía que ser fuerte. Mi experiencia duró unas seis horas y vi muchas más cosas.

La Ayahuasca es considerada una droga en la cultura occidental porque en este lado del mundo la mayor parte de las personas no están muy conectada com las plantas. Estamos acostumbrados a meter todas las drogas “en la misma caja” como si todas fueran adictivas, perjudiciales e indignas. No podría estar más en desacuerdo. Las sustancias sintéticas, hechas en laboratorio, tóxicas, usando sólo partes específicas de las plantas, alcohol, etc. – éstas son las drogas perjudiciales.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro entre muchas otras plantas pueden ser usadas como medicinas. Se utilizan desde hace miles de años y tienen innumerables beneficios, sin causar dependencias. En realidad algunas de estas medicinas pueden ayudar a las personas con adicciones, depresión, ansiedad y por ahí. Las plantas deberían ser usadas por aquellos que las conocen y que saben conducir ceremonias para ayudar a los demás.

Drogas en el sentido de la palabra, son aquellas cosas que nos recetan siempre que vamos al médico quejándonos de algo. Drogas que nos dejan adictos, drogas que son mucho más peligrosas de lo que pensamos, drogas que sólo enmascaran la raíz o la causa de nuestros problemas. Drogas que muchas personas consumen diariamente y que están envasadas en latas, botellas y paquetes de cartón .. Pero esas drogas nadie cuestiona porque están aceptadas socialmente.

Este acontecimiento especial que viví en Amazonia llamado “ceremonia de Ayahuasca” me ayudó tremendamente con aquellas cuestiones que tenía siempre en mi cabeza sobre la enfermedad y muerte de mi madre. Me hizo aceptar mejor mi tendencia a desmayarme. Cambió mi hábito de pensar demasiado sobre el pasado y me trajo paz.

*  Toda mi vida he tenido esta condición sin diagnóstico que me hace desmayar por todo y por nada. Por ver sangre, hacerme daño, caer, asustarme, sentir dolor, sentir debilidad, sacar sangre para analiticas, recibir malas noticias, etc. En una época de mi vida se desmayaba dos veces por semana, después mejoró pero nunca dejó de suceder.

A fair amount of clothes

A fair amount of clothes (EN)

La ropa necesaria (ES)

A roupa necessária (PT)

Quando estava a viajar no Sudeste Asiático, carreguei com a mesma mochila durante aqueles cinco meses. A mochila não era enorme mas tinha a roupa necessária, suficiente para umas duas semanas. No entanto, estava preparada com roupas para diferentes estações, já que decidia a cada semana qual era o próximo destino. Na semana seguinte o destino poderia levar-me aos Himalaias, onde estava a nevar, e queria estar preparada para uma dessas situações.

Se bem me lembro, levava comigo cerca de trinta peças de roupa (incluindo roupa interior) para a viagem inteira, que poderia durar até um ano.

Trinta itens de roupa pode parecer muito, mas de facto não era assim tanto, quando comparado com a quantidade de roupas que eu tinha deixado em casa.

Até aqui, eu era uma pessoa um pouco consumista e comprava roupas com alguma frequência. Sempre senti a necessidade de comprar outra peça como se me faltasse algo no guarda-fatos. Navegava em sites de roupa online e entrava em lojas quase todas as semanas. Os saldos… esses não os perdia por nada pois poderia encontrar “achados” a um bom preço. Ocasionalmente dava uma vista de olhos por lojas de segunda mão com roupas “vintage” mas acabava por sair de “mãos a abanar”. Por alguma razão, achava estranho ter roupas usadas que já tinham pertencido a alguém em outros tempos.

Durante a viagem, carregar com a mochila às costas fez me decidir manter o mesmo número de peças de roupa, para não ter de transportar mais peso. De cada vez que comprava um item (o que era raro), tinha de me desfazer de outro. Isso fez com que as minhas decisões fossem mais ponderadas e conscientes.

Com esta viagem aprendi uma lição especial, para além de outras tantas, relacionada com os bens materiais. Aprendi que até então acumulava demasiada roupa nos armários e gavetas. Peças essas das quais só me desfazia quando não cabiam mais nas arrumações lá de casa.

Qual é a necessidade de acumular tanta roupa?

Algumas peças ter um significado especial, outras podem voltar a servir um dia e outras são tão únicas que só as usamos “quando o rei faz anos”. Comprar roupa nova em cada estação torna-se num hábito, pois aquelas que temos já não estão na moda ou já não são do nosso gosto..

Se consegui viver cinco meses com as mesmas roupas, será que precisava mesmo das outras que havia deixado de fora?

Olhando para trás, consigo agora analisar como eu pensava relativamente à roupa e outros bens materiais. Acreditava que vestir repetidamente as mesmas roupas significava desleixo, baixa auto-estima, baixo poder de compra, pouca criatividade, não ter estilo próprio, insegurança… e a lista podia continuar. Essa forma de pensar era totalmente inconsciente porque eu nunca me tinha parado a pensar sobre isso…

Comprar roupa era algo que me trazia alegria de alguma forma. Vestir roupa nova num evento especial fazia-me sentir bem.

Sei agora que essas convicções são exatamente aquilo que as grandes marcas e empresas de moda querem que nós tenhamos. Elas tem sucesso por venderem a pessoas que pensam dessa forma.

E depois? Bem, assim que percebermos onde está a rasteira, podemos evitar cair na armadilha.

“Destralhar” é o próximo passo. Tens alguma coisa guardada nos teus armários que só manténs porque talvez um dia possas voltar a gostar ou porque pode vir a dar jeito? Talvez seja hora de dar uma nova casa a esses pertences. A doação é uma ótima opção pois outra pessoa pode querer realmente usar aquilo que tu já não usas.  

Ainda não consegui encontrar o equilíbrio perfeito no que toca aos bens materiais – comprar, manter, desfazer-me deles – mas estou a tentar o meu melhor para tomar melhores decisões quando o assunto é comprar roupa:

  • Evito a todo o custo comprar a grandes marcas com produção “made in” Bangladesh ou outros países em vias de desenvolvimento e sem leis que protejam os trabalhadores destas indústrias. Ao comprar dessas marcas, continuamos a incentivar práticas como a exploração de crianças e adultos que trabalham sem condições e por salários míseros.
  • Não apoio marcas que usem produtos de origem animal, tais como pele, penas, lã etc. nas suas roupas.
  • Dou preferência a pequenas marcas locais, dependendo do sítio onde me encontro no momento da compra. Deste modo apoio a economia local e as pequenas empresas, mesmo que isso signifique pagar um preço maior.
  • Escolho comprar coisas com mais qualidade que me durem mais tempo ou itens de segunda mão.
  • Compro só se houver mesmo necessidade.

Tens ideia da quantidade de roupa que tens? Precisas de toda? Para quê?

 

A fair amount of clothes (EN)

When I was traveling in SE Asia, I carried the same backpack during those five months. It was not a big backpack but had a fair amount of clothes, enough for a couple weeks. However, I was prepared with clothes for both hot and cold weather as I decided where to go next on a weekly basis. I could end up on the Himalayas with snow and I wanted to be equipped just in case.

If I recall, I had about thirty pieces (including underwear) for my entire journey, which at the time I didn’t know when was the end of it and it could last for up to one year.

Thirty items of clothing might sound a lot but in fact, compared to the rest of the clothes I left behind, it wasn’t much.

Up until there, I would buy clothes quite often. I always felt the need to buy another piece as if something was missing in my wardrobe. I would look at online clothing websites and enter in fast fashion stores almost every week. The sales… those I wouldn’t miss as I could purchase good findings with a nice deal. Occasionally I would visit thrift stores with vintage garments but ending up not buying anything. For some reason, it felt strange to have something old that belonged to someone else at certain time.

During my trip, carrying that backpack on my shoulders made me decide to always keep the same amount of clothing, as I didn’t want to add more weight. Every time I bought an item (which was very rare), I had to get rid of another item. It surely made my decisions much more weighted and conscious.

With this trip I learned a special lesson, among many other lessons, related with material belongings. I learned that in the past I was keeping way too many clothing items in my closet and drawers. Items that I would only get rid of/ donate once the capacity of my closet was so full that no more pieces would fit.

What is the need to accumulate clothes?

Some of them might have a special meaning, others may fit again one day and others are so unique that we only wear them once a year. It becomes a habit to buy clothes every season because the ones we have are no longer in vogue or we don’t love them anymore.

If I was able to live five months with the same clothing, did I really need the other items I left behind?

Looking back, I can now analyse my previous believes related to clothing and other material belongings. I believed that wearing the same clothes over and over meant lack of caring, low self-esteem, low purchasing power, lack of creativity, no sense of styling, insecurity and the list goes on. These beliefs were totally unconscious as I was not aware of them.

Buying clothes brought me joy  somehow. Wearing my brand new purchased garments to an event felt amazing.

I know now that those believes are exactly what big companies and corporations want us to have. They thrive because of those believes. Thinking like that is a huge reason to keep buying from them.

Well, guess what? Once you realise it’s all a trap, you can avoid being fooled.

Declutter is the next step. Is there something in your storage that you keep just because you might like it again at some point or can be handy sometime in the future? Time to give those things a new home. Donation is great because someone else will give better use to your stuff than you do.

I still didn’t find the “perfect balance” regarding material belongings – buying, keeping, getting rid of – however am trying my best to make better decisions when buying wearing apparel:

  •      I avoid at all cost to buy clothes from big corporations, made in Bangladesh and other underdeveloped countries. By purchasing from those brands, we keep supporting children exploitation, measly salaries and lack of fair trade.
  •      I do not support brands that use animal products such as skin, feathers, silk, etc. for their outfits.
  •      I choose to buy more local to where I’m living at the moment of my purchase. In this way supporting the local economy and small businesses, even if that means paying a higher price.
  •      I choose to either buy goods that have better quality and will last longer or items that are second hand.
  •      I only buy if it is absolutely necessary.

Are you conscious of all the clothing you possess? Do you need all of them? What for?

 

La ropa necesaria (ES)

Cuando viajaba en el Sudeste Asiático, cargué con la misma mochila durante esos cinco meses. La mochila no era enorme pero tenía la ropa necesaria, lo suficiente para unas dos semanas. Sin embargo, estaba preparada con ropa para diferentes estaciones, ya que decidía cada semana cuál sería el próximo destino. La semana siguiente el destino podría llevarme al Himalaya, donde estaba nevando, y quería estar preparada para una de esas situaciones.

Si lo recuerdo bien, llevaba conmigo cerca de treinta piezas de ropa (incluyendo ropa interior) para el viaje entero, que podría durar hasta un año.

Treinta prendas puede parecer mucho, pero de hecho no era tanto cuando se compara con la cantidad de ropa que yo había dejado en casa.

Hasta aquí, yo era una persona un tanto consumista y compraba ropa con alguna frecuencia. Sentía la necesidad de comprar otra prenda más como si me faltara siempre algo en el guardarropa. Casi todas las semanas entraba en alguna  tienda física o online. Y las rebajas… esas no me las perdía por nada pues podría encontrar alguna ganga. Ocasionalmente echaba un ojo a las tiendas de segunda mano con ropa “vintage” pero acababa por salir de manos vacías. Por alguna razón, me parecía raro tener ropa usada que en el pasado ya había pertenecido a alguien.

Durante el viaje, cargar con la mochila me llevó a decidir mantener siempre el mismo número de prendas, para no aumentar aún más el peso que tenía que transportar. Cada vez que compraba un artículo (lo que era raro), tenía que deshacerme de otro. Esto hizo que mis decisiones fueran más ponderadas y conscientes.

Con este viaje aprendí una lección especial, además de otras tantas, relacionada con los bienes materiales. Aprendí que hasta entonces acumulaba demasiada ropa en los armarios y cajones. Prendas de las que sólo me deshacía cuando no cabían más en las manijas allá de casa.

¿Cuál es la necesidad de acumular tanta ropa?

Algunas prendas pueden tener un significado especial, otras pueden volver a servir un día y otras son tan únicas que sólo las usamos una o dos veces al año. Comprar ropa nueva en cada estación se convierte en un hábito, pues las que tenemos ya no están de moda o ya no nos gustan.

¿Después de vivir cinco meses con la misma ropa, necesitaba toda la que había dejado de afuera?

Mirando hacia atrás, puedo ahora analizar cómo pensaba con relación a la ropa y otros bienes materiales. Creía que vestir repetidamente la misma ropa significaba descuido, baja autoestima, bajo poder adquisitivo, poca creatividad, no tener estilo propio, inseguridad, etc.. Esta forma de pensar era totalmente inconsciente porque nunca me había pensado sobre ello.

Comprar ropa era algo que de alguna manera me traía alegría. Vestir ropa nueva en un evento especial me hacía sentir bien.

Hoy en día sé que esas convicciones son exactamente lo que las grandes marcas y empresas de moda quieren que tengamos. Ellas tienen éxito por vender a las personas que piensan de esa manera.

¿Y después? Bueno, tan pronto como percibimos dónde está la trampa, podemos evitar caer en ella.

El próximo paso el deshacerse de lo que sobra  ¿Tienes alguna cosa guardada en tus armarios que sólo guardas porque quizás un día te vuelva a gustar o porque algun dia puede que vuelva a tener utilidad? Quizás sea el momento de darles una nueva casa a esas pertenencias. La donación es una gran opción, de esa manera otra persona puede realmente usar lo que tu ya no usas.

Todavía no he podido encontrar el equilibrio perfecto en lo que respecta a los bienes materiales – comprar, mantener, deshacerme de ellos – pero estoy tratando de hacer mi mejor para tomar mejores decisiones cuando el tema es comprar ropa:

  • Evito a toda costa comprar de grandes marcas con producción “made in” Bangladesh u otros países en vías de desarrollo y sin leyes que protejan a los trabajadores de estas industrias. Al comprar estas marcas, seguimos fomentando prácticas como la explotación de niños y adultos que trabajan sin condiciones y por salarios míseros.
  • No apoyo a marcas que usan productos de origen animal, tales como piel, plumas, lana, etc. en sus ropas.
  • Doy preferencia a las pequeñas marcas locales, dependiendo del lugar donde me encuentro en el momento de la compra. De este modo apoyo a la economía local ya las pequeñas empresas, aunque esto signifique pagar un precio mayor.
  • Elijo comprar cosas con más calidad y que me duren más tiempo o artículos de segunda mano.
  • Solo compro algo si realmente es necesario.

¿Tienes idea de la cantidad de ropa que tienes? ¿La necesitas toda? ¿Para que?

More than crossing borders

More than crossing borders (EN)

Más que cruzar fronteras (ES)

Mais do que atravessar fronteiras (PT)

Alguma vez pensaste porque é que gostas/ não gostas de viajar? O que é que gostas nas viagens? O que é que não gostas quando viajas?

Este artigo é sobre diferentes maneiras de viajar, e como viajar significa muito mais do que atravessar fronteiras.

Tempos de adolescência

Viajar era algo que eu adorava fazer quando era adolescente. Todos os anos, a minha irmã e eu, viajávamos com os nossos pais para destinos variados. Como os nossos pais eram divorciados, viajávamos garantidamente para dois destinos diferentes. Podíamos simplesmente viajar para outra parte de Portugal ou para o outro lado do mundo. Nessa altura, a minha participação na organização da viagem era quase inexistente, eu queria era ir. No entanto, sabia mais ou menos o que iríamos ver: os monumentos, os parques, as atrações turísticas etc. Também comprávamos daqueles livros práticos com guias da cidade que nos encaminhavam para o que ver/ fazer e íamos marcando um “certo” em cada missão cumprida. Estes guias davam algum jeito, até porque continham um mapa da cidade na contra-capa, para o caso de nos perdermos.

Apesar de nos encontrarmos de férias havia, na maior parte das vezes, um certo stress envolvido. Encontrar o hotel, encontrar um telefone público para ligar à restante família a avisar que chegamos vivos ao destino, tentar perceber a dinâmica dos transportes públicos para nos deslocarmos ou tentar comunicar em línguas menos conhecidas. Tudo isso era sinónimo de stress e só agora com alguma distância o consigo reconhecer. Talvez, porque quando estamos num sítio que não conhecemos, temos tendência para ficar alerta, o que faz com que fiquemos mais vigilantes e menos relaxados.

Independente da maneira como viajávamos, eu sentia-me sempre agradecida por poder ter essa oportunidade. Tivemos a possibilidade de ver praias bonitas, parques, atrações & monumentos, e eu agradeço muito a ambos os meus pais por isso.

Tempos de jovem adulta

Aos 20 anos, enquanto fazia Erasmus (um programa de intercâmbio na Europa) na Alemanha por um ano, tive a oportunidade de viajar com uma amiga num interrail. Comprámos o passe de comboio que nos permitia entrar na carruagem a qualquer hora e descer onde quiséssemos (dentro de cinco ou seis países selecionados). Nas mochilas levávamos uns pares de meias, cuecas e comida. Não tínhamos grandes planos nem tampouco sabíamos onde iríamos dormir. Desta forma estaríamos livres e abertas a todas e quaisquer oportunidades que se apresentassem no nosso caminho. Fazíamos o que nos apetecesse e assim que nos fartássemos de uma cidade, subíamos no comboio que nos levasse ao próximo destino. Numa semana, estivemos em quatro países diferentes – Áustria, Eslováquia, República Checa e Hungria. Obviamente que só ficávamos com uma ideia de cada sítio mas o melhor disto tudo era a sensação de liberdade. Liberdade porque o tempo não existia pois não havia nada que tivesse de ser feito, ninguém para encontrar, nenhum sítio onde estar a determinada hora. Não estávamos dependentes de nada e nada estava dependente de nós.

Pela primeira vez na minha vida, viajar tinha outro sabor e possibilidades infinitas.

Tempos diferentes

Por alguns anos, trabalhei em hotéis em Amesterdão e como tal pude testemunhar várias formas de viajar. As pessoas que viajavam com a “casa atrás”, as pessoas que raramente saíam do bar do hotel, as pessoas que se perderam e só voltaram ao hotel passados dois dias, as pessoas que vestiram sempre a mesma roupa porque a bagagem se tinha perdido, a família de sete membros que queria caber num quarto para dois, etc. Acho que vi de tudo e tenho histórias hilariantes dessa época.

Uma coisa é certa: não há forma correta ou errada de se viajar. Viajar é só uma forma de sairmos da nossa zona de conforto. E sair da zona de conforto para alguns pode ser viajar para a cidade mais próxima de casa, enquanto que para outros será necessário ir para muito mais longe.

Tempos recentes

No início de 2017, a minha viagem (sozinha) começou em Bali com a Nico e uma amiga minha, onde viajámos juntas por duas semanas. Quando o regresso a casa delas se aproximava, comecei a sentir-me desamparada e com alguma incerteza nesta decisão de viajar sozinha. Por esse motivo, decidi inscrever-me em aulas de cozinha indonésia e começar assim que elas se fossem embora. Aquela semana a aprender a cozinhar comida tradicional balinesa, à base de plantas e com uma chefe local, deu um novo propósito à minha viagem. A partir daquele momento decidi que iria cozinhar em cada país que eu passasse, pratos tradicionais (veganos), com chefes e cozinheiros nativos. E assim foi. Á Indonesia seguiu-se a Tailândia, Malásia, Vietname e Camboja.

Juntar duas paixões minhas  – comida vegana e viajar – deu um novo sentido a esta viagem. De uma certa forma até facilitou a minha escolha nos destinos seguintes, já que eu estava um pouco dependente dos cozinheiros e chefes disponíveis para me ensinarem. E encontrar esses cozinheiros e chefes não foi uma tarefa fácil.

Passar um mês em cada país não significava cozinhar a toda a hora. Na verdade, eu só tinha cinco ou seis aulas de cozinha com cada chefe. No tempo restante, estava numa relação de amor-ódio com as outras pessoas: ou a esconder-me delas (como uma boa introvertida faria) ou a socializar com as que tinham algo em comum comigo – turistas ou locais.

Na verdade, ter este propósito na viagem, era uma maneira de me introduzir a cada cultura, e cozinhar tornou-se numa boa desculpa para estar mais com pessoas locais. Pessoas locais que depois se tornavam amig@s meus e que me apresentavam aos amig@s deles. Mais cedo ou mais tarde, estava a encontrar-l@s para fazermos caminhadas, jantares e festas. El@s conectavam-me com mais amig@s noutras cidades e eu rapidamente me sentia integrada, ainda que estando do outro lado do mundo.

Com o passar do tempo, viajar passou a ser muito mais do que ver um monumento, nadar em praias de águas cristalinas ou tirar uma fotografia na frente de uma escultura. Tornou-se numa experiência cultural que envolve todos os sentidos. Fez-me perceber que são as pessoas com quem nos cruzamos no caminho que fazem a diferença na experiência. Fez-me perceber que a minha zona de conforto não se limita a espaço ou distância mas sim à interação com as pessoas.

Nota para tempos futuros

Já alguma vez pensaste porque é que é importante para ti tirar uma fotografia em frente a um edifício, só pelo facto deste se encontrar noutro sítio, longe de casa? Seguramente toda a gente o faz ou fez no passado, eu incluída (ora dá uma vista de olhos à imagem que ilustra este artigo). Mas isso dirá alguma coisa sobre a viagem que fizeste? E se, em vez de tirares essa fotografia, escreveres sobre os vistas do sítio, o que gostas mais nessa cidade, qual é a energia dos habitantes, o que achas do edifício com o qual estavas prestes a tirar uma foto?

Mais até, porque não perguntar a uma pessoa local qual a história do edifício? E se ela não souber bom, podes sempre contar-lhe uma história sobre o teu edifício preferido na tua cidade.

As memórias que temos com as pessoas são as que fazem boas histórias. E as histórias que trazemos para casa, para contarmos aos amigos e família são muito mais valiosas que as fotografias. As fotografias… essas podemos postar nas redes sociais para elevar o nosso ego. Mas é só isso.

Um agradecimento especial aos chefes e cozinheiros que me ensinaram, elevando a minha viagem a outro nível: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing


 

More than crossing borders (EN)

Have you ever thought why you like/ don’t like traveling? What do you like about traveling? What don’t you like about traveling?

The following article is about different ways of traveling and how it is much more than crossing borders.

Teenager times

Traveling was something that I was always looking forward to as a teenager. Every year, my sister and I, would travel to different places with our parents. As our parents were divorced, we had guaranteed two different destinations. It could be simply traveling to another part of Portugal or to the other side of the world. At the time I didn’t participate much in the planning, I just wanted to go. However, I knew more or less what we were going to see: the monuments, the parks, the tourist attractions etc. We would buy city guide-books that made it easier for us to check the marks as we went. It was handy, as most of them had a map of the city at the back cover, in case we got lost.

Even though we were on holidays, there was most of the time, some kind of stress involved. Figuring out where the hotel was, finding a public phone to call the family to tell them we arrived safely, understanding how the public transportation worked in order to get to places or trying to communicate in other languages. It all meant stress at some level and I only acknowledge it now, with some distance. Maybe because when you are somewhere unknown, you stay in an alert mode that makes you vigilant and doesn’t allow relaxation to sink in.

Regardless the way we travelled, it was something I was always grateful for. We got to see beautiful beaches, parks, attractions & monuments and I thank both my parents for that.

Young adult times

At 20 years old, while doing an exchange program in Germany for one year, I got the chance to travel with a girlfriend on an inter city rail. We bought the train pass that would allow us to hop aboard anytime and hop off anywhere (within a selection of five or six countries). We packed our rucksacks with a couple pairs of socks, underwear and food. Nothing really was planed, not even the places where we would sleep. In this way we would be free and open to any opportunity that would show up in front of us. We just did whatever we felt like doing and as soon as we were done with a city, we would hop on the train again to the next destination. In one week, we were able to be in four different countries – Austria, Slovakia, Czech Republic and Hungary. Obviously we only got a glimpse of every place but the best thing in the end of the day was the feeling of freedom. Freedom because time didn’t exist as there was nothing that had to be done, there was no one to be met, there was nowhere to be at a certain time. We were not dependent on anything and nothing was depended on us.

For the first time in my life, traveling had another taste and infinite possibilities.

Different times

As I got to work in hospitality in Amsterdam for quite some time, I got to see different ways of traveling. The people that arrived with their “whole house” inside the luggage, the people that barely left the hotel bar to see the city, the people that got lost outside and came back to the hotel after a couple days, the people that always wore the same clothes because their bag got lost, the seven members family that wanted to fit in a double room, etc. I think I saw it all and have hilarious stories from that period.

One thing is for sure: there’s no right or wrong way on how to travel.  Traveling is just a way of getting out of our comfort zone. And someone’s comfort zone can mean traveling two hours away from their home or a bit more or a lot more.

Recent times

In the beginning of 2017, my (solo) trip started in Bali with Nico and a girlfriend of mine, where we travelled together for a couple weeks. When their time to say goodbye was approaching, I started to feel emptiness and a huge uncertainty of what was to come. So I decided to enroll in Indonesian cooking classes as soon as they left. That week of learning Balinese plant based cooking with a local chef gave me a new purpose to my travelling experience. From that moment on, I would cook in every single country, traditional (plant based) food, with local cooks or chefs. And so I did. Indonesia was followed by Thailand, Malaysia, Vietnam and Cambodia.

Merging two passions of mine – plant based food and traveling – gave a new twist to this trip. In a way, made it easier for me to decide which next country I would travel to, as I was dependent on finding cooks and chefs that were able or willing to teach me. And that was not an easy task.

Spending a month in each country didn’t mean cooking all the time. In fact, I would only have five or six cooking classes with each chef. In the remaining time I was in a love-hate relationship with other people: either hiding from them, as a good introvert would do, or hanging out with like-minded fellow travellers or locals.

In truth, having this purpose of traveling was a way of introducing me to every culture and cooking became a good excuse to hang out and bond with local people. Local people that then became my friends and would introduce me to their friends. Sooner or later, I was meeting them for hikes, dinners and parties. They would connect me to more friends in other cities and I quickly felt like I belonged, despite being on the other side of the world.

With time, traveling became for me more then seeing a new monument, sunbathing in a crystal clear beach or taking a picture in front of a famous sculpture. It became a fully cultural experience involving all senses. It made me understand that the people we cross paths with, while on the road, are the ones that make or break an experience. It made me realize that my comfort zone is not limited by space or distance but ratter by interacting with people.

A note for future times

Have you ever thought why is it important for you to take pictures in front of a building, just because it’s situated somewhere else, away from home? One thing is for sure, I do it (check out the picture illustrating this article), everybody does it or has done it in the pass. But does that say anything about your trip, either than checking a mark on your “what to see” list? What if, instead of taking the picture, you write about what you are looking at, what did you like about the city, what was the vibe of the locals, what did you think of the building you were about to take a picture with?

Even further, why not asking a local the story of the building? And if they don’t know, well you can always tell them a story about the best looking building in your hometown.

The memories we have with people are the ones that make good stories. And the stories we bring home to tell friends and family are much more appreciated than pictures. The pictures…those we can post on social media to praise our ego. But that’s it.

Special shout out to thank all the cooks and chefs that teached me and brought my trip to another level: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing


 

Más que cruzar fronteras (ES)

¿Alguna vez has pensado por qué te gusta/no te gusta viajar? ¿Qué te gusta o no te gusta cuando viajas?

Este artículo es sobre diferentes maneras de viajar, y cómo viajar significa mucho más que cruzar fronteras.

Tiempos de la adolescencia

Viajar era algo que me encantaba hacer cuando era adolescente. Todos los años, mi hermana y yo, viajábamos con nuestros padres a destinos variados. Como nuestros padres estaban divorciados, viajábamos siempre a dos destinos diferentes. A veces íbamos simplemente a otra parte de Portugal otras veces íbamos al otro lado del mundo. En ese momento, mi participación en la organización del viaje era casi inexistente, todo lo que quería era ir. Sin embargo, sabía más o menos lo que íbamos a ver: los monumentos, los parques, las atracciones turísticas, etc. Compráramos aquellos libros prácticos con guías de la ciudad que nos encaminaban hacia lo que ver/hacer e íbamos marcando un “X” en cada misión cumplida. Estos guías eran muy útiles especialmente porque contenían un mapa de la ciudad en la contra-capa, para el caso de perderse.

Aunque estuviéramos de vacaciones había, la mayoría de las veces, un cierto estrés involucrado. Encontrar el hotel, encontrar un teléfono público para avisar al resto de la familia habíamos llegamos y estaba todo bien, entender la dinámica del transporte público para desplazarse o intentar comunicarnos en idiomas menos conocidos. Todo eso era sinónimo de estrés y sólo ahora con cierta distancia lo puedo reconocer. Quizás, porque cuando estamos en un sitio que no conocemos, tenemos la tendencia para permanecer en modo de alerta, lo que nos hace más vigilantes y menos relajados.

Independiente de cómo viajábamos, siempre sentía gratitud por poder tener esa oportunidad. Tuvimos la posibilidad de ver hermosas playas, parques, atracciones y monumentos, y agradezco mucho a ambos mis progenitores por eso.

Tiempos de joven adulta

A los 20 años, mientras estaba de Erasmus (un programa que facilita la movilidad académica dentro de la UE) en Alemania (por un año), tuve la oportunidad de viajar con una amiga en un “interrail”. Hemos comprado el bono de tren que nos permitía entrar subir en cualquier momento y bajar donde quisiéramos (dentro de cinco o seis países seleccionados). En las mochilas llevábamos calcetines, braguitas y comida. No teníamos muchos planes ni tampoco sabíamos dónde iríamos a dormir. De esta forma estaríamos libres y abiertas a todas las oportunidades que se pudieran presentar en nuestro camino. Hacíamos lo que nos daba la gana y cuando nos hartábamos de una ciudad, subíamos en el tren que nos llevaría al próximo destino. En una semana habíamos estado en cuatro países diferentes – Austria, Eslovaquia, la República Checa y Hungría. Evidentemente vimos cada sítio muy por encima pero lo mejor de todo era la sensación de libertad. Libertad porque el tiempo no existía pues no había nada que hacer por obligación, nadie para encontrar, ningún sitio donde estar a cierta hora. No estábamos dependientes de nada y nada dependía de nosotros.

Por primera vez en mi vida, viajar tenía otro sabor y posibilidades infinitas.

Tiempos diferentes

Cuando vivía en Ámsterdam trabajé algunos años en hostelería y pude conocer varias maneras de viajar. Estaba la gente que llevaba toda su casa en las maletas, la gente que siempre llevaba la mismo porque había perdido las maletas, las personas que casi no salían del bar del hotel, la familia de siete que quería meterse en una habitación de dos, etc. Creo que he visto de todo y tengo historias muy chistosas de esa época.

Una cosa es cierta: no hay manera correcta de viajar. Viajar es solo una manera de uno salir de su zona de confort. Y la zona de confort de cada uno es diferente, para unos para salir basta ir al pueblo más cercano, para otros hay que ir mucho más lejos.

Tiempos recientes

A principios de 2017, mi viaje (sola) empezó en Bali con Nico y una amiga mía, viajamos juntas por dos semanas. Cuando el regreso a casa de ellas se acercaba, empecé a sentirme desamparada y con cierta incertidumbre en esta decisión de viajar sola. Así que decidí inscribirme en clases de cocina indonesia y empezar tan pronto cuanto se marchasen. Aquella semana aprendiendo a cocinar comida tradicional balinesa, de base vegetal y con una chef local, dio un nuevo propósito a mi viaje. A partir de ese momento decidí que iba a cocinar en cada país que visitase, platos tradicionales (veganos), con chefs y cocineros nativos. Y así lo hice. A Indonesia se siguió Tailandia, Malasia, Vietnam y Camboya.

Juntar dos pasiones mías – comida vegana y viajar – dio un nuevo sentido a este viaje. De cierta manera incluso facilitó la elección de los siguientes destinos, ya que estaba un poco dependiente de los cocineros y chefs disponibles para enseñarme. Y encontrar a esos cocineros y chefs no fue una tarea fácil.

Pasar un mes en casa país no significaba cocinar todo el tiempo. En realidad solo tenía cinco o seis clases de cocina con cada chef. El el tiempo que sobraba tenía una relación amor-odio con la gente: o me escondía (como una verdadera introvertida) o socializaba con gente con la que tenía algo en común – personas locales o turistas.

De hecho este reto gastronómico de mi viaje era una forma de conocer mejor cada cultura, y cocinar acabó siendo una muy buena excusa para pasar más tiempo con personas locales. Personas esas que se convertían en amigas que por si vez me presentaban a sus amig@s. En poco tiempo ya estábamos todos quedando para hacer senderismo, cenas y fiestas. Ell@s me conectaban con sus amig@s en otras ciudades, y cuando me movía ya estaba otra vez integrada, incluso estando en el otro lado del mundo.

Con el paso del tiempo, viajar pasó a ser mucho más que ver un monumento, nadar en playas de aguas cristalinas o hacer una foto delante de una escultura. Se convirtió en una experiencia cultural que envuelve a todos los sentidos. Me hizo percibir que son las personas con quienes nos cruzamos en el camino que hacen la diferencia en la experiencia. Me hizo percibir que mi zona de confort no se limita a espacios o distancias, sino a la interacción con las personas.

Nota para tiempos futuros

¿Alguna vez te has preguntado, por qué es tan importante para ti hacer una fotografía frente a un edificio, sólo por el hecho de que se encuentre en otro lugar, lejos de casa? Seguramente todo el mundo lo hace o lo hizo en el pasado, yo incluía (échale un ojo a la imagen que ilustra este artículo). ¿Pero dice eso algo sobre el viaje que has hecho? ¿Y si en lugar de sacar esa foto, escribes sobre las vistas del sitio, o sobre lo que más te gusta en aquella ciudad, cuál es la energía de los habitantes, qué crees del edificio con el que estás a punto de hacer una foto? 

Más aún, ¿por qué no preguntas a una persona local cuál es la historia del edificio? Y si ella no lo sabe, puedes contarle una historia sobre tu edificio preferido en tu ciudad.

Las memorias que tenemos con las personas son lo que hace las buenas historias. Y las historias que traemos a casa, para contar a los amigos y familia, son mucho más valiosas que las fotografías. Las fotografías … esas las podemos publicar en las redes sociales para elevar nuestro ego. Pero es sólo eso.

Un agradecimiento especial a l@s chefs y cociner@s que me enseñaron elevando mi viaje a otro nivel: Chef Yin Boey, Malaika Secret Moksha, Andy Teo, Kashew Cheese, Justin Parke & Srey Pov Haing

The beginning of questioning by Tico

The beginning of questioning (EN)

El principio del cuestionamiento (ES)

O princípio do questionamento (PT)

1ª parte

Em 2014, pela altura do Natal, vi um documentário de nome “Earthlings” (“Terráqueos” em português). Foi a coisa que mais me custou ver até hoje. Pausei o filme várias vezes. Chorei. Continuei a ver até o filme acabar. Fiquei vegan da noite para o dia.

Uma luz tinha-se acendido na minha cabeça e não podia jamais desligar-se. Como é que eu tinha vivido a minha vida até agora a pensar que torturar, matar ou usar animais para o nosso entretenimento era normal? Deu-me que pensar. Se o que me tinha sido ensinado até aqui (pela família, cultura, tradições) sobre comer animais, não era o certo, o que mais poderia estar errado?

Comecei então a questionar tudo. Tudo! Porque é que eu estava a tomar a pílula? Qual era a razão que me levava a tomar comprimidos quando ficava doente? Porque é que me dava com pessoas que pouco ou nada tinham a ver comigo? Porque é que lavava o cabelo com champô e lavava os dentes com pasta dentífrica? Por que razão comprava eu roupas a toda a hora? Porque é que eu ainda remoía na minha cabeça a morte da minha mãe? Porque é que eu usava maquilhagem?

As coisas em que eu acreditava antes já não faziam o mínimo sentido e uma questão levava à próxima. Pouco a pouco os meus hábitos começaram a mudar.

2ª parte

Já vivia em Amesterdão à cerca de quatro anos quando decidi inscrever-me num Mestrado em Lyon, França. Fui aceite, comprei um bilhete de avião e aluguei um quarto. Tinha tudo planeado. Finalmente iria mudar a minha vida, conhecer pessoas com coisas em comum, poder ver o sol com mais frequência, re-aprender francês. A dois meses de mudar de país, recebi um email da universidade a explicar que o mestrado não iria abrir pois não haviam inscrições suficientes. Senti-me desiludida e perdida nas semanas que se seguiram.

Um dia, sentei-me com um caderno e uma caneta na mão e comecei a fazer uma lista das coisas que eu gostaria de fazer na minha vida mas que nunca tinha feito por alguma razão. Haviam tantos sítios onde eu não tinha ido porque ninguém podia ir comigo, porque os meus amigos não tinham o dinheiro necessário, porque as minhas férias não se coordenavam com as dos outros, etc, etc, etc. Desculpas. No topo da minha lista estava fazer voluntariado noutros países e viajar.

Dois meses depois, encontrava-me na Amazónia Peruana como voluntária num projecto para estudar plantas medicinais. Nessa altura, a comer uma dieta vegana por quase dois anos e sem tomar qualquer medicação, estava cada vez mais interessada em aprender mais sobre plantas e foi por essa razão por acabei por escolher esse voluntariado.

Mal sabia eu que esta aventura no Peru acabaria por mudar a minha vida (mais posts virão sobre este tópico).

As experiências que tive lá, como conhecer uma comunidade nativa da Amazónia  e outros voluntários, deram-me uma perspectiva diferente sobre a vida. Naquele lado do mundo tudo acontece “horita”, o que se traduz para “agorinha”. Excepto que não significava realmente “agorinha”. Significava algo mais do género “acontecerá quanto for” ou “acontecerá brevemente”. E “brevemente” podia significar dez minutos, quarenta minutos, cinco horas, e por aí fora.

A minha lição aqui foi a de aprender a viver no presente. Deixar de lado o apego que tinha a certas ideias e convicções. Coisas que aprendemos com a nossa sociedade. No mundo ocidental a vida é levada mais a sério. Estamos muito agarrados a significados, o que nos leva muitas vezes a frustrações, desilusões e stress. E stress era algo que me era muito familiar nesta altura.

Depois de estar um mês no Peru, voltei para Amesterdão e demiti-me do meu trabalho na primeira oportunidade que tive. Aquela vida de stress já não era para mim. Ter um trabalho qualquer já não era para mim. Viver numa cidade chuvosa já não era para mim. Então fui embora.

3ª parte

Dois meses depois de regressar do Peru, deixei Amesterdão. Não tinha um grande plano, somente um bilhete de avião para a Indonésia, sem volta. O propósito era viajar pelo sudeste asiático até perceber o que fazer com a minha vida (mais posts sobre este tópico virão).

Acabei por viajar sozinha durante cinco meses, o que me deu muito tempo para “pensar com os meus botões”, para me conhecer melhor, para ter mais paciência e, acima de tudo, deu-me uma lição sobre limites.

Quando estás a viajar (especialmente sozinh@), tens muitas pessoas a meterem conversa contigo e fazerem conversa fiada. No início até é engraçado. Toda a gente com quem te vais cruzando tem a sua própria história de como foram ali parar, conheces pessoas do mundo inteiro e boas conversas podem surgir em beliches de hostels. No entanto, depois de um par de meses, eu já me irritava com as conversas das pessoas, pois a minha privacidade era escassa. Dividir quarto com seis, dez ou catorze pessoas é desafiante quando falamos de privacidade, quanto mais sossego. Comecei a questionar “porque é que as pessoas ficam tão desconfortáveis em ambientes de silêncio?”, “porque é que elas não gostam de estar sozinhas?”, “porque é que eu continuo a falar com elas, fazendo fretes?” etc.

Limites, limites, limites. Não é que eu quisesse cortar toda e qualquer interação mas em vez disso aprendi a estar apenas com aquelas pessoas com quem me identificava, sem fazer qualquer tipo de esforço. Já não sentia que tinha de participar de conversas ou interações só porque sim e isso libertou-me.

Estas foram as três instâncias na minha vida que me puseram a questionar o mundo de outras maneiras. Não aconteceu num “piscar de olhos” mas de forma orgânica em que cada fase levou à próxima. O percurso continua, mais questões se levantam a cada nova fase e aqui estarei para as relatar.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein 


 

The beginning of questioning (EN)

1st part

In 2014, just before Christmas, I watched a documentary called “Earthlings”. It was the hardest thing to watch. I paused several times. I cried. Kept watching until the movie was finished. Went vegan cold turkey.

A light was turned on in my head and could not be turned off any longer. How did I spend all my life thinking it was ok to torture, kill and use animals for our entertainment? It got me thinking. If what I was told up until now in regards to eating animals (by family, culture, traditions) wasn’t the right thing, what else could be wrong?

I started questioning everything. Everything! Why was I taking the pill? Why was I taking meds when I got sick? Why was I hanging out with people that weren’t like-minded? Why was I washing my hair with shampoo and cleaning my teeth with toothpaste? Why was I buying clothes all the time? Why was I still mourning my mother’s death? Why was I wearing makeup?

The things I used to believe didn’t make sense anymore and one question led to another. Little by little my habits started to change.

2nd part

I was living in Amsterdam for about four years when I decided to apply for a Master’s program in Lyon, France. I got accepted, bought a flight ticket & rented a room. I had it all figured. Finally I could change my life, meet people with things in common, see the sun more often, re-learn French. Two months prior to making this move, I got an email from the university explaining that the course would not open because not enough people enrolled in this program. For a couple weeks I felt so disappointed and lost.

One day, I sat with a paper and a pen and started making a list about all the things I wanted to do in my life but never did for some reason. I didn’t go to places because no one could join me, because my friends didn’t have the money, because my holidays didn’t fit with other people’s schedules etc. etc. etc. Excuses. On top of my list was volunteering abroad and travelling.

A couple months later I went to the Peruvian Amazon as a volunteer for a medicinal plants research. At the time, eating a plant based diet for almost two years and not taking any medicine, made me curious and willing to learn more about plants and that’s why I chose this volunteering.

Little did I know how this adventure would change my life (more posts about this topic to come).

The experiences I had there, getting to know the native community in the jungle as well as the other volunteers, gave me a different perspective of life. In that side of the world everything happens “horita” which means “now”. Except that it didn’t really mean “now”. It meant more like “it happens when it’s going to happen” or “it will happen soon”. And “soon” could mean ten minutes, forty minutes, five hours, and so on. My lesson here was to learn how to live in the present. Let go of the attachment to ideas and beliefs. Things we learn from our society. We take life too serious in the Western world. We are too attached to meanings, which lead us to frustration, disappointment and stress. And I really knew the meaning of stress by then.

After one month in Peru, I got back to Amsterdam and quit my job immediately. That stressful life wasn’t for me anymore. Having a job that didn’t fulfill me wasn’t for me anymore. Living in a rainy city wasn’t for me anymore. So I left.

3rd part

Two months after coming back from Peru, I left Amsterdam. I didn’t have a big plan, only a plane ticket to Indonesia without return. The goal was to travel in South East Asia until I found out what I wanted to do next in my life (more posts about this topic to come).

I ended up travelling solo for five months in S.E. Asia, which gave me a bunch of time alone to think, to get to know myself better, to be more patient and, above all, taught me how to create boundaries.

When you travel (especially solo), you have many people talking to you and make random conversations. At first is fun! Everybody you meet along the way have their own story on how they got there, you get to know people from all over the world and cool conversations can happen in bunk beds. However, after a couple months I was getting quite annoyed by people trying to chit-chat all the time as I already had little privacy. Sharing a dorm with six, ten, fourteen other people is challenging when it comes to privacy, let alone quietness. It got me questioning “why are people so uncomfortable with silence?”, “why don’t they enjoy being alone?”, “why do I keep talking to them even though I don’t feel like it?” etc.

Boundaries, boundaries, boundaries. Not that I wanted to shut down any interaction but instead I learned how to just talk to someone or hang out with those that made it feel right and not forced. I no longer felt like I had to engage in conversations that were meaningless to me and such small change freed me up.

Those were the three instances in my life that made me start questioning the world in different ways. It didn’t happen overnight but in an organic way where every phase led to the next one. The journey continues, more questions rise in every new stage and I will be here to report and update.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein 


 

El principio del cuestionamiento (ES)

1ª parte

En 2014, por Navidades, vi el documental Terráqueos. Fue la cosa más difícil de ver hasta hoy. Pause la película varias veces. Lloré. Seguí viendo hasta que la peli terminara. Me hice vegana de la noche a la mañana.

Una luz se había encendido en mi cabeza y no podía jamás apagarse. ¿Cómo había vivido mi vida hasta ahora pensando que torturar, matar o usar animales para nuestro entretenimiento era normal? Me dio que pensar. Si lo que me había sido enseñado hasta aquí (por la familia, cultura, tradiciones) sobre comer animales, no era lo correcto, ¿qué más podría estar equivocado?

Entonces empecé a cuestionarlo todo. Todo! ¿Por qué estaba tomando la píldora? ¿Cuál era la razón que me llevaba a tomar pastillas cuando estaba enferma? ¿Por qué quedaba con personas que poco o nada tenían en común conmigo? ¿Por qué lavaba el pelo con champú y los dientes con pasta dentífrica? ¿Por qué compraba ropa a todas horas? ¿Por qué seguía padeciendo por la muerte de mi madre? ¿Por qué usaba maquillaje?

Las cosas en que creía antes ya no hacían el mínimo sentido y una cuestión llevaba a la siguiente. Poco a poco mis hábitos empezaron a cambiar.

2ª parte

Ya vivía en Amsterdam hacia unos cuatro años cuando decidí aplicar para hacer una Maestría en Lyon, Francia. Fui aceptada, compré un billete de avión y alquilé una habitación. Tenía todo planeado. Finalmente cambiaría mi vida, conocería gente con cosas en común, podría ver el sol con más a menudo, volvería a aprender francés. Dos meses antes de cambiar de país, recibí un correo electrónico de la universidad explicando que la maestría no iba a abrir porque no había suficientes inscripciones. Me sentí desilusionada y perdida en las semanas que siguieron.

Un día, me senté con un cuaderno y un boli en la mano y empecé a hacer una lista de las cosas que me gustaría hacer en mi vida pero que nunca había hecho por alguna razón. Habían tantos lugares donde yo no había ido porque nadie podía ir conmigo, porque mis amigos no tenían la pasta necesaria, porque mis vacaciones no se coordinaban con las de los demás, etc, etc, etc. Escusas. En el tope de mi lista estaban hacer voluntariado en otros países y viajar.

Dos meses después, me encontraba en la Amazonía Peruana como voluntaria en un proyecto para estudiar plantas medicinales. En ese momento, comiendo una dieta vegana por casi dos años y sin tomar ninguna medicación, estaba cada vez más interesada en aprender sobre plantas y fue por esa razón que acabé por elegir ese voluntariado.

Poco sabía que esta aventura en Perú al final cambiaría mi vida (en breve contaré más sobre este tema).

Las experiencias que tuve allí, como conocer una comunidad nativa de la Amazonia y los otros voluntarios, me dieron una perspectiva diferente sobre la vida. En aquel lado del mundo todo sucede “horita”, lo que significa “ahorita”. Excepto que no significaba realmente “ahorita”. Significaba algo más del tipo “sucederá cuanto sea” o “sucederá en breve”. Y “en breve” podría significar diez minutos, cuarenta minutos, cinco horas, … ya lo imagináis.

La gran lección aquí fue la de aprender a vivir en el presente. Dejar de lado el apego que tenía a ciertas ideas y convicciones. Cosas que aprendemos de nuestra sociedad. En el mundo occidental la vida se toma más en serio. Estamos muy aferrados a significados, lo que nos lleva a menudo a frustraciones, desilusiones y estrés. Y el estrés era algo que me era muy familiar en este momento.

Después de un mes en Perú, volví a Ámsterdam y me despedí mi trabajo en la primera oportunidad que tuve. Esa vida de estrés ya no era para mí. Tener un trabajo cualquiera ya no era para mí. Vivir en una ciudad lluviosa ya no era para mí. Entonces me fui.

3ª parte

Dos meses después de regresar de Perú, dejé Amsterdam. No tenía un gran plan, sólo un billete de avión para Indonesia, sin retorno. El propósito era viajar por el sudeste asiático hasta saber qué hacer con mi vida (más posts sobre este tema  en breve).

Acabé viajando sola durante cinco meses, lo que me dio mucho tiempo para pensar, para conocerme mejor, para tener más paciencia y, sobre todo, me dio una lección sobre límites.

Cuando estás viajando (especialmente sol@), hay mucha gente con la que hablar. Al principio es divertido. Toda la gente con la que te vas cruzando tiene su propia historia de cómo llegó allí, conoces a personas del mundo entero y buenas conversaciones pueden surgir en literas de hosteles. Sin embargo, después de un par de meses, ya me aburrían las conversaciones, pues la privacidad era escasa. Compartir habitación con seis, diez o catorce personas es desafiante cuando hablamos de privacidad, y aún más si de tranquilidad. Empecé a preguntarme “¿por qué están las personas tan incómodas en ambientes de silencio?”, “¿Por qué no les gusta estar solas?”, “¿Por qué sigo hablando con ellas, aunque no tenga ganas?”, etc.

Límites, límites, límites. No es que yo quisiera cortar con toda y cualquiera interacción sino que aprendí a estar sólo con aquellas personas con las que me identificaba, sin hacer ningún tipo de esfuerzo. Ya no sentía que tenía que participar en conversaciones o interacciones sólo porque sí y eso me liberó.

Estas han sido  las tres instancias en mi vida que me hicieron cuestionar el mundo de otras maneras. No ocurrió en un “parpadeo de ojos” sino de forma orgánica en que cada fase llevó a la siguiente. El recorrido continúa, más cuestiones se levantan a cada nueva etapa y aquí estaré para contaros.

Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is not to stop questioning. Albert Einstein