Physical re-education

Physical re-education (EN)

Reeducación física (ES)

Reeducaçao física (PT)

Sabias que, ao contrário de muito do que se diz por aí, podes reeducar o teu corpo, mudá-lo e pô-lo a funcionar como deve de ser?

A primeira vez que me deparei com uma oportunidade de reeducar o meu corpo foi quando ainda era miúda. Eu metia os pés um pouco para dentro ao caminhar, um deles um pouco mais que o outro. Mais pequena ainda, tinha usado sapatos ortopédicos sem grande resultado. Algum adulto disse-me que devia tentar caminhar com os pés direitos ou andaría com os pés metidos para dentro para sempre. Lembro-me perfeitamente de ir no caminho para a escola concentrada na minha forma de caminhar. No meu inconsciente a posição dos meus pés por defeito era para dentro, e isso era o que os meus sentidos percebiam como “normal”, ao centrá-los tinha a impressão de que estava a caminhar com eles completamente virados para fora (tipo como as bailarinas). Eventualmente a nova forma de caminhar tornou-se o novo “normal”, e hoje em dia ninguém diria que andava com os pés para dentro quando era criança.

Bastantes anos mais tarde, já depois de adulta, comecei a fazer Yoga e percebi que não sabia respirar. Respirava quase sempre pela boca e só usava a parte superior dos meus pulmões. Nessa altura o Yoga ajudou-me a tomar consciência da minha respiração e aprendi a respirar utilizando todo o pulmão, pelo nariz e de forma mais tranquila. Levei o que aprendia para a minha vida diária, sempre que podia tentava estar consciente da minha respiração, e respirar de maneira mais eficaz.

Com o tempo o corpo habituou-se e rara é a vez que respiro pela boca durante o tempo em que estou acordada. Já não preciso estar sempre a pensar em como respirar corretamente, mas o hábito de analisar de vez enquanto a minha respiração ficou. Essa análise esporádica, mas mais ou menos constante, ajuda-me a analisar também o meu estado de espírito.

Uma das reeducações físicas mais impactantes pelas que já passei foi a segunda vez que decidi mudar a forma como caminho. Essa tem sido uma longa “caminhada” cheia de aprendizagem sobre o funcionamento do meu próprio corpo. Tudo começou quando, à semelhança da Tico, comecei a pesquisar sobre o movimento barefoot e os benefícios de andar descalç@ (e os malefícios de usar os sapatos convencionais). Comprei os meus FiveFingers mais ou menos na mesma altura que ela mas usava-os pouco, intercalando com o uso de calçado convencional.

No verão passado decidi comprar umas sandálias minimalistas que seriam o meu calçado para todo o verão. Levei-as na viagem para visitar a Tico ao Canadá e depois de vários dias de passeio, em que percorremos entre 10 e 30 quilometros por dia, percebi que não havia nada melhor para grandes caminhadas. Sempre tive o pé chato e isso fazia com que, depois de caminhar muito tempo com sapatos muito rasos, me começassem a doer os pés na zona do arco (que não tinha) e por vezes também os tornozelos. Eu pensava que isso era normal, eu tinha o pé chato e isso era irreversível por isso tinha que usar sobretudo sapatos com algum desnível e com suporte para o arco do pé.

Quando estava a fazer a mochila para o Caminho de Santiago (Buen Camino) decidi que ia apenas levar dois pares de calçado, as minhas sandálias minimalistas e os meus FiveFingers. No primeiro dia do caminho, depois de cerca de três horas de caminhada, lá me começou a doer o arco do pé esquerdo. Quando olhei para o meu pé enquanto caminhava (com as sandálias minimalistas, sem desnível nem apoio para o arco, era fácil de ver) percebi que apoiava demasiado a parte interior deste (onde o arco é suposto estar) e pouco a parte exterior. Então decidi fazer uma experiência. Para poder fazê-lo teria que me concentrar nos meus movimentos e caminhar de forma consciente. Decidi tentar apoiar o pé com mais ênfase na parte exterior (que vai do dedo mindinho até ao meio do calcanhar). Ao final de alguns quilometros vi o resultado, a dor no pé diminuía.

Até ao final do caminho (115km) fiz esse esforço de caminhar de forma consciente apoiando melhor a parte exterior do pé. Nos primeiros dias sempre que me distraía lá me começava a doer o pé e isso era sinal de que não estava a caminhar correctamente. No ultimo dia já tinha incorporado no meu inconsciente esta nova forma de caminhar. Desde que voltei do Caminho de Santiago nunca mais voltei a usar calçado que não cumpra os requisitos barefoot, com a única excepção dos 5 dias de muita chuva distribuídos pelo inverno Valenciano (em Valência quase nunca chove) em que tive que usar umas botas realmente impermeáveis que não são barefoot.

Nunca mais me doeu o pé naquele sítio (nem noutro verdade seja dita) e agora os meus pés já não são chatos. MAGIA!!! A reeducação da minha forma de caminhar e a utilização de calçado human friendly fizeram com que os arcos, que nunca se tinham formado em 31 anos de existência, finalmente e a pouco e pouco começassem a surgir.  

Mas essa transformação não acabou aí. Talvez por se ter processado de maneira mais deliberada e consciente, levou a que continuasse a pesquisar e a perceber que realmente ainda haviam ajustes a fazer. Ainda estou em processo de melhorar a minha postura e de reabilitar a total mobilidade dos meus pés, ancas e tornozelos mas posso dizer que vejo a evolução de semana para semana.

Entretanto, numa visita a um consultório de uma dentista que tem uma abordagem mais holística com relação à medicina dentária, encontrei uma possível solução para outro problema físico que há algum tempo queria resolver mas sem saber como. Uns parágrafos acima falo da minha primeira reeducação respiratória. Neste momento estou no início da segunda! O facto é que quando estou desperta consigo respirar de uma forma correcta, mas quando estou a dormir respiro geralmente com a boca aberta. Isto faz com que, além de despertar várias vezes durante a noite com a boca seca, entre menos ar nos meus pulmões. O que resulta em pesadelos, sonos pouco profundos, alguns episódios de apneia, amígdalas inchadas e umas valentes olheiras que tenho desde sempre, entre outras coisas.

Sei que vai parecer estranho mas parte desta reeducação respiratória passa por dormir com um adesivo na boca. Se te estás a rir não és @ unic@! Eu cada vez que penso nisso escangalho-me a rir, e muitas vezes quando me preparo para dormir (e colo a minha boca com adesivo) não consigo evitar umas gargalhadas (mudas, porque já tenho a boca colada). Ainda é cedo para falar de resultados a longo prazo. Será que o meu inconsciente se habituará à boca fechada durante o sono como o “novo normal”? Será que algum dia vou conseguir dormir de boca fechada mas sem a sinistra “fita-cola”? O que posso dizer é que tenho realmente dormido melhor, já não desperto a meio da noite com a necessidade de beber água e tenho a impressão de ter mais energia durante o dia e maior capacidade de concentração.

Acho que é importante que estejamos mais conscientes do poder que temos para mudar a nossa condição física. Volto a dizer (como disse neste artigo) que tomar as rédeas da própria vida, e neste caso do próprio corpo, não é para todos na medida em que é uma questão de responsabilizar menos a nossa genética, o nosso contexto sócio-cultural e as outras pessoas, responsabilizando-nos mais a nós próprios. Coisa que nem todos estão dispostos a fazer, pois é mais fácil queixarmo-nos e culpar fatores externos.

Também achas que há muito que podemos fazer pelo aperfeiçoamento dos nossos corpos? Já fizeste algum tipo de reeducação física? Este artigo encorajou-te a tomar mais responsabilidade sobre o teu próprio corpo? Achas que o que digo não faz sentido nenhum? Como sempre, estou curiosa para saber a tua opinião!


 

Physical re-education (EN)

Did you know that, in contrary of what is said for the most part, you can re-educate your body, change it and make it work properly in an autonomous way?

The first time I came across an opportunity to re-educate my body was when I was a child. I used to have my feet pointing inward while walking, one of them a little more than the other. Before that I had already worn orthopaedic shoes without much success. Some adult told me that I should try to walk with my feet straight otherwise I would walk like that forever. I remember, as if it was today, going the to school while focusing on my way of walking. In my unconscious the position of my feet was by default inward, and this was what my senses perceived as “normal”, when I centred them I had the impression that I was walking with them completely turned outwards (like the ballet dancers do). Eventually the new form of walking became the new “normal”, and nowadays no one could tell that back then I used to walk with my feet pointing inwards.

Many years later, when I was already an adult, I began practicing Yoga and realised that I did not knew how to breathe. I would mostly breathe through my mouth and only using the upper part of my lungs. At that time Yoga helped me to become aware of my breathing and I learned how to breathe through the nose, using my whole lungs and in a more relaxed way. I brought what I learned to my daily life, whenever I could I would try to be aware of my breathing to do it more efficiently.

Over time my body became accustomed and since then I rarely breathe through my mouth when I’m awake. I no longer have to think about how to breathe correctly, however the habit of analysing my breath stayed. This sporadic but more or less constant analysis helps me to get in touch with my state of mind as well.

One of the most impactful physical re-educations I’ve ever experienced was the second time I’ve decided to change the way I walk. This has been a long journey where I’ve been learning about the functioning of my own body. It all started when, like Tico, I started to research about the barefoot movement and the benefits of walking barefoot (and damaging effects of wearing conventional shoes). I bought my FiveFingers more or less at the same time as she did, but I didn’t wear them as much and would rather intercalate with conventional footwear.

Last summer I decided to buy some minimalist sandals that would be my footwear for the whole summer. I took them on the trip to visit Tico in Canada and after several days of walking between 10 and 30 kilometres a day, I realised that there was nothing better for long walks. I used to have flat feet and after walking in flat shoes for a long time my feet would always hurt, especially around the area where the arch should be (I didn’t had any) and sometimes also the ankles would get sore. I thought this was normal, that my feet were flat and this was irreversible so I had to wear mostly shoes with some heel and with some kind of arch support.

When I was  packing my backpack for the Camino de Santiago (Buen Camino) I decided that I would only take two pairs of shoes, my minimalist sandals and my FiveFinger shoes. On the first day of the trip, after about three hours hiking, my left foot started hurting. When I looked at my feet as I walked (with minimalist sandals, with no drop or arch support, it was easy to see) I realised that I was planting my feet on the ground with hard pressure on the inside part of the foot (where the bow is supposed to be) and less pressure on the outer part. So I decided to do an experiment. In order to do so I would have to concentrate on my movements and walk consciously. I decided to try to land my feet with more emphasis on the outside (that goes from the little finger to the middle of the heel) they on the inside. At the end of a few kilometres I saw the result, the pain started decreasing.

Until the end of the path (115km) I made this effort to walk consciously supporting the outer part of the foot better. In the first days whenever I was distracted my feet started hurting and this was a sign that I was not walking properly. On the last day I had already incorporated into my unconscious this new way of walking. Since I returned from the Camino de Santiago I have never used shoes that do not meet the barefoot standards, with the exception of the 5 days of heavy rain distributed in the winter (it rarely rains in Valencia) that I had to wear waterproof boots that are not barefoot.

The pain on my feet never came back and now they aren’t flat anymore. MAGIC!!! The locomotion re-education and the use of “human friendly” footwear made my feet arches slowly and gradually take form after 31 years of existence with no arch whatsoever.

But this transformation did not end there. Perhaps because it had been processed more deliberately and consciously, it led me to continue researching and realising that there were still some adjustments to be made. I am still in the process of improving my posture and rehabilitating the total mobility of my feet, hips and ankles but I can say that I see the evolution every week.

Not long ago, when visiting a dentist with a more holistic approach to dental medicine, I found a possible solution to another physical problem that I had wanted to solve for some time although not knowing how. A few paragraphs above I talked about my first respiratory re-education. At this moment I am at the beginning of the second one! The fact is that when I’m awake I can breathe properly, but when I’m asleep I usually breathe with my mouth open. This not only causes less air to get into my lungs but in addition I wake up several times during the night with a dry mouth. This leads to nightmares, shallow sleeps, some episodes of apnea, swollen tonsils, and some serious dark circles, among other things.

I know it’s going to sound strange, but part of this respiratory re-education process is sleeping with some kind of duct tape covering my mouth. If you’re laughing, you’re not the only one! Every time I think about it I laugh as well, and many times when I get ready to go to sleep (and close my mouth with hypoallergenic tape) I cannot help laughing (but silently because by then my mouth is already duct taped). It’s too early to talk about long-term results. Will my unconscious get used to my shut mouth while sleeping as the “new normal”? Will I ever be able to sleep with my mouth closed without the sinister duct tape? What I can say is that I have actually slept better, I no longer wake up in the middle of the night with the need to drink water and I have the impression of having more energy and greater focus during the day.

I think it’s important that we become more aware of the power we have to change our physical condition. Once again, as I said in this article, taking the reins of one’s life, and in this case one’s own body, is not for everyone because it is a question of no longer blaming our genetics, socio-cultural context and other people, making ourselves more accountable. This is something that not everyone is willing to do, because it is easier to complain and blame external factors.

Do you also think that we can do much more to further perfecting our bodies? Have you done any kind of physical re-education? Did this article encourage you to take more responsibility over your own body? Do you think that what I said makes no sense at all? As always, I’m curious to hear your opinion!


 

Reeducación física (ES)

¿Sabías que, al contrario de mucho de lo que se dice por ahí, puedes reeducar tu cuerpo, cambiarlo y hacerlo funcionar correctamente?

La primera vez que me encontré con una oportunidad de reeducar mi cuerpo fue cuando aún era niña. Ponía los pies un poco hacia adentro al caminar, uno de ellos un poco más que el otro. Antes había usado zapatos ortopédicos sin mucho resultado. Un adulto me dijo que debía intentar caminar con los pies derechos o estaría destinada a caminar con los pies metidos hacia dentro para siempre. Recuerdo perfectamente ir de camino a la escuela concentrada en mi forma de caminar. En mi inconsciente la posición de mis pies era por defecto hacia adentro, y eso era lo que mis sentidos percibían como “normal”. Al centrarlos, tenía la impresión de que estaba caminando con ellos completamente orientados hacia fuera (como las bailarinas). Eventualmente, la nueva forma de caminar se convirtió en el nuevo “normal”, y hoy en día nadie diría que andaba con los pies hacia dentro cuando era pequeña.

Bastantes años más tarde, siendo adulta, empecé a hacer yoga y percibí que no sabía respirar. Respiraba casi siempre por la boca y sólo usaba la parte superior de mis pulmones. En ese momento, el Yoga me ayudó a tomar conciencia de mi respiración y aprendí a respirar utilizando todo el pulmón, de forma nasal y más tranquila. Trasladé lo que aprendí  a mi vida diaria, siempre que podía trataba de estar consciente de mi respiración para respirar de manera más eficaz.

Con el tiempo, el cuerpo se ha acostumbrado y rara vez respiro por la boca mientras estoy despierta. Ya no necesito estar pendiente de mi respiración para respirar correctamente, pero el hábito de analizar  mi respiración de vez en cuando se quedó. Este análisis esporádico, pero más o menos constante, me ayuda también a analizar mi estado de ánimo.

Una de las reeducaciones físicas más impactantes por las que ya pasé fue la segunda vez que decidí cambiar mi forma de caminar . Esta ha sido una larga “caminata” llena de aprendizaje sobre el funcionamiento de mi propio cuerpo. Todo empezó cuando, igual que  mi hermana Tico, empecé a investigar sobre el movimiento barefoot y los beneficios de andar descalzo (y los inconvenientes de usar los zapatos convencionales). Compré mis FiveFingers más o menos a la vez  que ella, pero los usaba poco, intercalando con el uso de calzado convencional.

El  verano pasado decidí comprar unas sandalias minimalistas que serían mi calzado para todo el verano. Las llevé en el viaje para visitar a Tico en Canadá y, después de varios días de paseo en los que recorrimos entre 10 y 30 kilómetros por día, percibí que no había nada mejor para grandes caminatas. Siempre tuve el pie plano y eso hacía que, después de caminar mucho tiempo con zapatos muy planos, me empezaran a doler los pies en la zona del arco (que no tenía) y a veces también los tobillos. Yo pensaba que eso era normal, yo tenía los pies planos y eso era irreversible, por lo que tenía que usar sobre todo zapatos con algún desnivel y con soporte para el arco del pie.

Cuando estaba haciendo la mochila para el Camino de Santiago (Buen Camino) decidí que iba a llevar dos pares de calzado: mis sandalias minimalistas y mis FiveFingers. En el primer día del camino, después de unas tres horas de caminata, me empezó a doler el arco del pie izquierdo. Cuando miré mi pie mientras caminaba (con las sandalias minimalistas, sin desnivel ni apoyo para el arco, era fácil de ver) percibí que apoyaba demasiado la parte interior de éste (donde se supone que está el arco) y poco la parte exterior. Entonces decidí hacer un experimento . Para poder hacerlo, tendría que concentrarme en mis movimientos y caminar de forma consciente. Decidí intentar apoyar el pie con más énfasis en la parte exterior (que va del dedo meñique hasta el medio del talón). Al final de algunos kilómetros vi el resultado: el dolor en el pie disminuía.

Hasta el final del camino (115km) hice este esfuerzo de caminar de forma consciente apoyando mejor la parte exterior del pie. En los primeros días, siempre que me distraía me empezaba a doler el pie y eso era señal de que no estaba caminando correctamente. En el último día ya había incorporado en mi inconsciente esta nueva forma de caminar. Desde que volví del Camino de Santiago no he vuelto a usar calzado que no cumpliera los requisitos barefoot, con la única excepción de los 5 días de diluvio distribuidos por el invierno valenciano (en Valencia casi nunca llueve) durante los que tuve que usar unas botas realmente impermeables que no son barefoot.

No me volvió a doler el pie en aquel sitio (ni en otro en realidad) y ahora mis pies ya no son planos. ¡¡¡MAGIA!!! La reeducación de mi forma de caminar y la utilización de calzado human friendly hicieron que los arcos, que nunca se habían formado en 31 años de existencia, finalmente y poco a poco comenzaran a surgir.

Pero esa transformación no terminó ahí. Quizás por haberse procesado de manera más deliberada y consciente, llevó a que continuara investigando y percibiendo que realmente todavía había ajustes que hacer. Todavía estoy en proceso de mejorar mi postura y de rehabilitar la total movilidad de mis pies, caderas y tobillos pero puedo decir que veo la evolución semana tras semana.

Hace poco, en una visita a una dentista que tiene un enfoque más holístico con relación a la medicina dental, encontré una posible solución a otro problema físico que hace algún tiempo quería resolver pero no sabía  cómo. Unos párrafos arriba hablo de mi primera reeducación respiratoria. ¡En este momento estoy iniciando la segunda! El hecho es que cuando estoy despierta puedo respirar correctamente, pero cuando estoy durmiendo respiro generalmente por la boca. Esto hace que, además de despertar varias veces durante la noche con la boca seca, entre menos aire en mis pulmones. Lo que resulta en pesadillas, sueños poco profundos, algunos episodios de apnea, amígdalas hinchadas y unas ojeras que tengo desde siempre, entre otras cosas.

Sé que va a parecer extraño, pero una parte de esta reeducación respiratoria es dormir con esparadrapo en la boca. Si te estás riendo no estás sol@! Cada vez que pienso en ello me meo de risa, y muchas veces cuando me preparo para dormir (y pego mi boca con el estropajo) no puedo evitar unas carcajadas (mudas, porque ya tengo la boca pegada). Todavía es temprano para hablar de resultados a largo plazo. ¿Registrará mi inconsciente a la boca cerrada durante el sueño como el “nuevo normal”? ¿Podré dormir   algún día con la boca cerrada, pero sin la siniestra “cinta adhesiva”? Lo que puedo decir es que realmente estoy durmiendo mejor, ya no despierto en la mitad de la noche con la necesidad de beber agua y creo que tengo más energía durante el día y mayor capacidad de concentración.

Creo que es importante que seamos más conscientes del poder que tenemos para cambiar nuestra condición física. Vuelvo a decir (como he dicho en este artículo) que tomar las riendas de la propia vida, y en este caso del propio cuerpo, no es para tod@s, porque es cuestión de culpar menos a nuestra genética, nuestro contexto sociocultural y las otras personas, responsabilizándonos más a nosotros mismos. Cosa que no todos están dispuestos a hacer, pues es más fácil quejarnos y culpar a factores externos.

¿También crees que hay mucho que podemos hacer para perfeccionar  nuestros cuerpos? ¿Has hecho algún tipo de reeducación física? ¿Te ha animado este artículo a tomar más responsabilidad sobre tu propio cuerpo? ¿Crees que lo que digo no tiene sentido alguno? ¡Como siempre, tengo curiosidad de saber tu opinión!

Buen Camino!

Buen Camino! (PT)

Buen Camino! (ES)

Buen Camino! (EN)

Some years ago I went on a family trip to the north of Portugal and Galicia (Spain). When getting to Santiago de Compostela I started to see all of these people with backpacks and hiking poles that were walking the “Camino de Santiago”. Nico and I agreed that one day we would do it together. Although it seemed to me something very difficult and that we would need months of preparation and a strong will to do so. Therefore, I imagined it happening only when I was fit enough to be up for the challenge.

Little did we know that three years later we would be finally walking the Camino. Funny enough, I was actually in a very bad shape, after one year of studying and working in Vancouver that had left me drained, overweight and with some vitamins and minerals deficiencies. I knew this would be definitely a challenge.

Nico programmed most of the trip. She had researched where we were staying, how many kilometers we were walking per day and all the logistics. We started in Sarria, which meant that we would have to walk around 110 km in five days. We came up with a plan to wake up quite early (around 7am), walk for about two hours, take a break for the breakfast, keep walking until we reached the destination for the day, go to the hostel to take a shower and drop the backpacks, go to a restaurant to have a late lunch and chill out the entire afternoon in a park. Our bags were not heavy but every kilogram counts when you are hiking for so many hours up and down hills. You can feel that extra liter in the water bottle you carry. 

The first day was quite easy and fun. We encountered countless people along the way wishing a “buen camino” (translates for “have a good walk”), all kinds of people from all over the world, in all different age groups, some in better shape than others. Some were doing it for the first time, just like we were, others had been walking the Camino every year for several years. Some had just started the walk, others were walking for almost one month. Some did it as a physical exercise, others for spiritual reasons or even just for the adventure. Some were alone, others came in groups.

The following days got a bit tougher and harder due to the muscle pain from walking so many kilometers. Sometimes it was really painful to start walking again after having a small break. At some point I lost count of how many people were full of bruises and blisters and I could almost feel their pain just by looking at the way they were walking. Luckily Nico and I didn’t have any feet problems as we were wearing barefoot shoes (Barefoot) but we had other aches and pains in our legs and backs.

To me, doing the Camino is not just about overcoming the physical struggles but above all the mental obstacles we face along the way. Even though Nico and I decided to do this together, it didn’t mean we had to walk together. In fact, for the most part we decided to split and walk with our own individual pace. That meant being alone with our own minds and thoughts for hours on end. There were some things I learned from this experience and would like to share:

Every body has a different rhythm. Some people were supper fit, overtaking everyone they would pass through, others on the other hand, were walking in an extremely slow pace as they probably had some physical issues. However, all of them got to Santiago (the final destination) at some point. The exact same happens in our day to day life. If there’s a goal we want to achieve, we can start walking towards that goal in a pace we feel comfortable to do so. We will eventually get there sooner rather than later.

The physical struggles we encounter by walking endless meters are surpassed minute-by-minute, hour-by-hour, day-by-day. Meaning that it is more about our mental strength than being in a good shape. If I could walk in pain, with hunger and a heating sun over my head, than I guess I can face daily routine problems as well. Transforming those struggles in victories.

Carrying a small backpack along the way, with just the necessary items, made me understand of how little we can live with. I used the same t-shirt and leggings during those five days and even though they were dirty and dusty most of the time (I only washed them once), I didn’t feel the need for more clothing items. The remaining carried weight was due to water, fruit and snacks I carried around to give me fuel to keep me going. In our day-to-day life we carry way to many concerns, beliefs and struggles that we don’t need as well. If we only take the essential, we end up living with those things that are really meaningful and important to us.

After walking for so long during the first part of the day, we made sure we would have our well-deserved rest for the second part of the day. We chilled in parks, did some stretching, played cards and had long conversations. Which made me think of how in our busy lives we often don’t get to spend quality time with those we love and doing the things we enjoy. Rest and quality time are crucial to keep a healthy and sane lifestyle.

Most of the Camino has amazing pathways in such a diverse nature: mountains, plains, grass fields, plantations, streams, old villages and ruins. In order to hike up and down hill you need to be present, otherwise you can stumble on a rock or step on cow manure. Just like in our daily routine, if you are not present in every moment you can make mistakes, get ill or hurt and eventually be in “shitty” situations ☺.

In order to learn something, we need to put ourselves out there, outside our comfort zone. There’s where growth takes place.

I truly advise everybody to do something like this. You don’t need to walk for five days in a row, just getting out there in nature, carrying your own belonging along the way (to really see how little you need) and most important be present with yourself and your own thoughts.

I can’t wait to do it again soon!

Buen Camino! (PT)
Há alguns anos fiz uma viagem com a família ao norte de Portugal e Galiza (Espanha). Quando chegámos a Santiago de Compostela comecei a ver imensos mochileiros com bastões que tinham feito o “Caminho de Santiago”. A Nico e eu acordámos que um dia o faríamos juntas. No entanto pareceu-me a mim algo muito difícil e que precisaríamos de meses de preparação física e muita força de vontade para o fazermos. Desse modo, imaginei fazê-lo só quando tivesse em forma suficiente para este desafio.

Mal sabia eu que três anos mais tarde estaríamos nós a fazer o Camino. O mais engraçado é que eu estava em péssima forma física, depois de um ano a trabalhar e estudar em Vancouver que me deixou esgotada, com algum peso a mais e com várias deficiências a nível nutricional. Sabia que isto seria de facto um grande desafio.

A Nico programou a maior parte da viagem. Pesquisou onde ficaríamos a dormir, quantos quilómetros faríamos por dia e todas as outras questões de logística. Começámos em Sarria, o que significava termos de percorrer cerca de 110 km em cinco dias. Fizemos um plano e decidimos acordar cedo (por volta das 7h00), andar por cerca de duas horas, fazer uma pausa para o pequeno-almoço, continuar a caminhada até chegar ao destino desse dia, ir ao hostel para tomar banho e deixar as mochilas, escolher um restaurante para almoçarmos e relaxar o resto do dia num parque. As nossas malas não estavam pesadas mas todos os quilos contam quando estás a caminhar por tantas horas com subidas e descidas. Um litro a mais ou a menos na garrafa de água fazia-se logo notar.

O primeiro dia foi relativamente fácil e divertido. Passámos por várias pessoas que nos iam desejando “buen camino”, todo o tipo de pessoas de todas as partes do mundo, de todas as faixas etárias, alguns em melhor forma que outros. Umas estavam a fazê-lo pela primeira vez, tal como nós, outros faziam o Caminho todos os anos. Umas tinham começado o Caminho há pouco tempo, outras já caminhavam há quase um mês. Umas faziam-no como forma de exercício físico, outras por razões espirituais e havia quem quisesse apenas ter a experiência daquela aventura. Umas estavam sozinhas, outras vinham em grupos.

Os dias que se seguiram tornaram-se um pouco mais duros e difíceis devido às dores nos músculos por andar tantos quilómetros. Às vezes era muito doloroso voltar a mexer as pernas depois de uma curta pausa. A certa altura perdi conta às pessoas, pelas quais passava, que estavam cheias de feridas ou bolhas nos pés e eu quase conseguia sentir as suas dores só de olhar para a forma como elas caminhavam. Felizmente a Nico e eu não tivemos esse tipo de problemas nos pés porque andámos com sapatos “barefoot” (Descalç@), mas tínhamos outras dores e mazelas nas pernas e costas.

Para mim, fazer o Caminho não é apenas uma questão de ultrapassar as dificuldades a nível físico mas, mais que tudo, os obstáculos mentais que enfrentamos a cada passo. Ainda que a Nico e eu tenhamos decidido fazê-lo juntas, não significava que teríamos de caminhar juntas. Na verdade, a maior parte do tempo andávamos separadas, cada uma no seu ritmo. Isso fez com que estivéssemos sozinhas com as nossas mentes e pensamentos por horas a fio. Houveram algumas coisas que aprendi com esta experiência e gostava de partilhar:

Cada corpo tem um ritmo diferente. Algumas pessoas estavam em ótima forma e iam ultrapassando toda a gente pelo caminho, outras por outro lado caminhavam num passo lentíssimo, talvez por sofrerem de algum problema motor. No entanto, todas essas pessoas chegaram a Santiago (o destino final) a seu tempo. O mesmo acontece nas nossas vidas. Se há algum objectivo que queremos atingir, podemos começar a andar na sua direção num passo que seja confortável para nós. Eventualmente chegaremos lá, mais cedo ou mais tarde.

Os problemas a nível físico que encontramos ao caminharmos quilometros que parecem não ter fim, vão sendo ultrapassados minuto a minuto, hora a hora, dia a dia. O que significa que a nossa força de vontade é mais importante do que a nossa forma física. Se eu consegui andar suportando dores, fome e o sol quente a bater na cabeça, então também consigo enfrentar problemas da rotina diária. Transformando essas dificuldades em vitórias.

Carregar uma mochila pequena pelo caminho, com apenas os itens necessários, fez-me perceber que necessitamos de muito pouco pra viver. Usei a mesma t-shirt e leggings durante aqueles cinco dias e mesmo que tivessem alguma sujidade e pó a maior parte das vezes (só as lavei uma vez), não senti necessidade de ter mais roupa. O restante peso era devido à água, fruta e snacks que carregava para me darem energia e assim conseguir prosseguir na caminhada. No nosso dia-a-dia carregamos demasiados problemas, crenças e dificuldades dos quais também não precisamos. Se só levarmos o essencial, acabamos por viver com aquelas coisas que são realmente importantes e relevantes para nós.

Depois de caminharmos por tanto tempo na primeira parte do dia, fizemos questão de garantir o tão merecido descanso na segunda metade. Relaxámos-nos em parques, fizemos alongamentos, jogámos às cartas e tivemos longas conversas. O que me fez pensar que nos nossos dias tão ocupados acabamos por não passar tempo de qualidade com aqueles que amamos nem a fazer aquilo que gostamos. Descanso e tempo de qualidade é essencial para manter um estilo de vida saudável.

A maior parte do Caminho tem paisagens maravilhosas e muita diversidade natural: montanhas, planícies, campos de erva, plantações, riachos, vilas antigas e ruínas. Para descer e subir tantas colinas é preciso caminhar com consciência e estar presentes no momento, de outra forma corremos o risco de tropeçar numa pedra ou pisar esterco de vaca. Assim como na nossa rotina diária, se não estivermos presentes no momento podemos cometer erros, ficar doentes e eventualmente acabar em situações de merda☺.

Para que consigamos aprender alguma coisa, temos que nos colocar fora da nossa zona de conforto. É aí que o crescimento pessoal acontece.

Eu aconselho vivamente a toda a gente fazer algo deste género. Não é necessário andar por cinco dia seguidos, basta passar algum tempo na natureza apenas carregando o essencial, e o mais importante é estar presente no momento e consciente dos próprios pensamentos.

Mal posso esperar por fazê-lo novamente!

Buen Camino! (ES)

Hace unos años hice un viaje con la familia al norte de Portugal y Galicia. Cuando llegamos a Santiago de Compostela empecé a ver muchos mochileros con bastones que habían hecho el “Camino de Santiago”. Nico y yo nos comprometemos a que un día lo haríamos juntas. Sin embargo, me pareció algo muy difícil y que necesitaríamos meses de preparación física y mucha fuerza de voluntad para hacerlo. De ese modo, pensé hacerlo sólo cuando estuviera en forma lo suficiente para este desafío.

Mal sabía que tres años más tarde estaríamos haciendo el Camino. Lo más gracioso es que yo estaba en pésima forma física, después de un año trabajando y estudiando en Vancouver que me dejó agotada, con algún sobrepeso y con varias deficiencias a nivel nutricional. Sabía que sería realmente un gran desafío.

Nico ha programó la mayor parte del viaje. Planeó dónde dormíamos, cuántos kilómetros haríamos al día y todas las demás cuestiones de logística. Comenzamos en Sarria, lo que significaba que iríamos a recorrer unos 110 km en cinco días. Hicimos un plan y decidimos despertar temprano (alrededor de las 7:00), caminar cerca de dos horas, hacer una pausa para desayunar, continuar la caminata hasta llegar al destino de ese día, ir al hostel para bañarnos y dejar las mochilas, elegir un restaurante para comer y relajar el resto del día en el césped de un parque. Nuestras mochilas no estaban pesadas pero todos los kilos cuentan cuando estás caminando por tantas horas con subidas y bajadas. Un litro más o menos en la botella de agua se hacía notar.

El primer día fue relativamente fácil y divertido. Pasamos por varias personas que nos iban deseando “buen camino”, todo tipo de personas de todas partes del mundo, de todas las edades, algunos en mejor forma que otros. Unas estaban haciéndolo por primera vez, al igual que nosotras, otras hacían el Camino todos los años. Unas habían comenzado el Camino hace poco, otras ya caminaban hacia casi un mes. Unas lo hacían como forma de ejercicio físico, otras por razones espirituales y había quien quisiera apenas tener la experiencia de aquella aventura. Unas estaban solas, otras venían en grupos.

Los días que siguieron fueron un poco más duros y difíciles debido a los dolores musculares por caminar tantos kilómetros. A veces era muy doloroso volver a mover las piernas después de una corta pausa. A cierta altura perdí cuenta a las personas, por las que pasaba, que estaban llenas de heridas o ampollas en los pies. Yo casi conseguía sentir sus dolores sólo de mirar la forma en que ellas caminaban. Afortunadamente a Nico y yo no tuvimos ese tipo de problemas en los pies porque caminamos con zapatos “barefoot” (Descalz@), pero teníamos otros dolores y molestias en las piernas y en la espalda.

Para mí, hacer el Camino no es sólo una cuestión de superar las dificultades a nivel físico sino, más que todo, los obstáculos mentales que enfrentamos a cada paso. Aunque Nico y yo hemos decidido hacerlo juntas, no significaba que tendríamos que caminar juntas todo el rato. En realidad, la mayor parte del tiempo caminábamos separados, cada una a su ritmo. Esto hizo que estuviéramos solas con nuestras mentes y pensamientos por muchas horas. Hubo algunas cosas que aprendí de esta experiencia y me gustaría compartirlo:

Cada cuerpo tiene un ritmo diferente. Algunas personas están en gran forma y se adelantan a todo el mundo, otras caminan en un paso lentísimo, quizás por sufrir algún problema motor. Sin embargo, todas esas personas llegan a Santiago (el destino final) a su tiempo. Lo mismo sucede en nuestras vidas. Si hay algún objetivo que queremos alcanzar, podemos empezar a caminar en su dirección en un paso que sea cómodo para nosotr@s. Finalmente llegaremos allí, tarde o temprano.

Los problemas a nivel físico que encontramos al caminar muchos kilómetros, van siendo superados a cada minuto, a cada hora, a cada día. Lo que significa que nuestra fuerza de voluntad es más importante que nuestra forma física. Si yo puedo caminar soportando dolores, hambre y el sol caliente sobre mi cabeza, entonces pienso que también consigo enfrentar problemas de la rutina diaria. Transformando esas dificultades en victorias.

Cargar una mochila pequeña por el camino, con sólo los elementos necesarios, me hizo percibir que necesitamos de poco para vivir. He utilizado la misma camiseta y leggings durante esos cinco días y aunque tuvieron alguna suciedad y polvo la mayor parte de las veces (sólo las lavé una vez), no sentía necesidad de tener más ropa. El resto del peso era debido al agua, fruta y snacks que cargaba para darme energía y así conseguir proseguir en la caminata. En nuestro día a día cargamos demasiados problemas, creencias y dificultades de los que tampoco necesitamos. Si sólo llevamos lo esencial, acabamos por vivir con aquellas cosas que son realmente importantes y relevantes para nosotros.

Después de caminar por tanto tiempo en la primera parte del día, hicimos cuestión de garantizar el tan merecido descanso en la segunda mitad. Nos relajamos en parques, hicimos estiramientos, jugamos a las cartas y tuvimos largas conversaciones. Lo que me hizo pensar que en nuestros días tan ocupados acabamos por no pasar tiempo de calidad con aquellos que amamos ni a hacer lo que nos gusta. El descanso y el tiempo de calidad son esenciales para mantener un estilo de vida saludable.

La mayor parte del Camino tiene paisajes maravillosos y mucha diversidad natural: montañas, llanuras, campos de hierba, plantaciones, arroyos, villas antiguas y ruinas. Para bajar y subir tantas colinas hay que caminar con conciencia y estar presentes en el momento, de otra forma corres el riesgo de tropezar en una piedra o pisar estiércol de vaca. Así como en nuestra rutina diaria, si no estamos presentes en el momento podemos cometer errores, ponernos enfermos y eventualmente acabar en situaciones de mierda ☺.

Para que podamos aprender algo, tenemos que colocarnos fuera de nuestra zona de confort. Es ahí donde ocurre el crecimiento personal.

Yo aconsejo vivamente a todo el mundo hacer algo de este género. No es necesario caminar por cinco días seguidos, basta pasar algún tiempo en la naturaleza apenas cargando lo esencial, y lo más importante es estar presente en el momento y consciente de los propios pensamientos.

No puedo esperar para hacerlo de nuevo!

Heart and mind in dissonance

Heart and mind in dissonance (EN)

Corazón y mente en disonancia (ES)

Coração e mente em dissonância (PT)

Leon Festinger (1919- 1989), pai do conceito “dissonância cognitiva”, defendia que os seres humanos necessitam manter uma certa coerência psicológica de forma a poder funcionar mentalmente no mundo real. Uma pessoa que vivencia inconsistências internas tende a ficar psicologicamente desconfortável e é motivada (pelos próprios mecanismos de defesa) a reduzir a dissonância cognitiva. Para reduzir a dissonância causada pela incoerência entre opiniões, comportamentos, valores e/ou crenças há que mudar de alguma forma uma dessas variáveis. Uma das maneiras de fazê-lo é reajustando ou substituindo uma ou mais opiniões, comportamentos, valores e/ou crenças; outra maneira é procurando e adquirindo novas informações ou crenças que aumentem a consonância. Mas a maneira mais fácil (mas também menos eficaz, na minha opinião) é tentar esquecer ou reduzir a importância das cognições que provocam a dissonância. Quanto mais enraizada uma crença estiver, na cultura e nas práticas diárias de uma pessoa, mais forte será a necessidade de negar, substituir, esquecer ou reduzir a importância de crenças que se lhe oponham.

Quem me conhece sabe que nunca fui uma “amante dos animais”. Até aos 12 anos tive fobia de cães (cinofobia), e os gatos nunca me despertaram muito interesse. A maioria das aves e outros animais com asas, como os morcegos e as borboletas, causam-me uma sensação de desconforto físico que me provoca arrepios (não consigo explicar melhor). Sempre achei uma certa piada a esquilos nunca foi mais do que vê-los a passear-se pelos parques. Em resumo nunca fui uma daquelas pessoas que se derretem com todos os cães e gatos que veem na rua, e nunca tive vontade de ter um animal para que me fizesse companhia.

A minha mãe também não era uma “amante dos animais”, mas era bastante empática para com eles. Quando começava o calor não havia dia em que ela não pusesse um, ou vários, recipientes de água no quintal, para que os passarinhos pudessem beber e sobreviver ao verão alentejano. Lembro-me, como se fosse hoje, de um dia em que o meu pai apareceu lá em casa com um grilo, que ele próprio tinha apanhado, dentro de uma mini gaiola. A minha irmã e eu achamos piada no momento, mas quando o meu pai se foi embora e deixou o grilo connosco a minha mãe explicou-nos que era cruel manter o bichinho numa jaula e fomos logo com ela soltá-lo no jardim. Ela também não gostava das matanças do porco (“festa” tradicional em que família e amigos se juntam para matar um ou mais porcos e depois repartir tarefas de transformação do cadáver em vários tipos de “comida”) nem de touradas, nem de ver animais no circo.

A minha mãe sabia que os outros animais também sofrem, sentem dor, alegria e de alguma forma conhecem a diferença entre conforto e desconforto, liberdade e cativeiro. Empatia é isso, a capacidade de pôr-se na posição do outro. Mas a empatia para com os outros animais geralmente causa um certo grau (dependendo da capacidade empática) de dissonância cognitiva. Acho que a minha mãe lidava com a dissonância cognitiva, que se produz ao ser simultaneamente empático para com os outros animais e ao mesmo tempo gostar de comê-los (uma das refeições preferidas da minha mãe era “passarinhos fritos” – codornizes mais especificamente mas não tão diferentes dos pássaros que tentava ajudar todos os verões), da mesma maneira que a maioria das pessoas lida, e como eu própria lidei durante a maior parte da minha vida. Por um lado ela agarrava-se à crença de que é necessário, para ter uma boa saúde, comer produtos de origem animal, por outro ela pensava que o facto de comer animais ser “normal” (toda a gente o faz) e “natural” (porque os seres humanos “sempre o fizeram”) eram razões fortes o suficiente para fazê-lo. Mas mais ainda, ela recorria à tal maneira fácil de lidar com a dissonância cognitiva: simplesmente “esquecia-se” de que o que comia eram partes de animais que tinham vivido antes de chegar ao seu prato, e que para que isso acontecesse eles tivessem que viver em cativeiro e ser assassinados depois de ver os seus semelhantes passar pelo mesmo.

A minha mãe era o que eu gosto de chamar uma “vegana não praticante”. Acredito realmente que se ela estivesse viva hoje, depois de a Tico e eu nos termos tornado veganas, a minha mãe também se teria tornado verdadeiramente vegana. Na verdade já vi isso acontecer em muitas famílias de amigos veganos. E é natural, aprendermos sobre empatia, e sobre muitas outras coisas, através do exemplo de quem nos cria desde pequenos, e essas pessoas, quando veem as suas criaturas fazer uma mudança tão profunda nas suas crenças e comportamentos, sentem-se motivadas a repensar os seus próprios valores e hábitos. Famílias inteiras tornam-se veganas depois de um membro mudar a estratégia para lidar com a sua dissonância cognitiva, mas desta vez de maneira permanente, sem fazer o esforço de “esquecer” que ainda que eles não pudessem fazer mal a nenhum animal, pagam constantemente a outras pessoas para fazê-lo.

Conheço muitas pessoas que são, à primeira vista, muito mais empáticas que eu com relação aos outros animais. Uma delas não aguenta ver documentários sobre a vida selvagem porque fica com o coração nas mãos quando vê as presas serem abocanhadas pelos predadores. Outra adotou um cão que ama como se fosse um filho e desenvolveu um interesse especial pela espécie canina mas sei que se ela tivesse a oportunidade de conhecer outro animal (um porco por exemplo) profundamente na sua vida cotidiana, estaria tão comprometida em defender os direitos dessa espécie como os direitos da espécie do seu filho não humano . Outra ainda é talvez a pessoa mais empática que eu conheço com relação a pessoas, mas que, eu suspeito bastante também, com relação aos outros animais e acho que no seu caso a dissonância cognitiva já nem deixa que o seu corpo digira bem alimentos de origem animal, o que faz com que ela tenha muitos problemas digestivos.

Até o meu pai, que faz a matança do porco e os mata com as próprias mãos e que adora touradas, muitas vezes demonstra empatia por outros animais. Uma das maiores surpresas que tive na minha vida foi saber que o meu pai queria ter sido veterinário, a minha admiração por ele cresceu ainda mais nesse dia. No seu caso a dissonância cognitiva fez com que fortalecesse a crença de que há espécies que merecem carinho, proteção e respeito, outras que só servem para satisfazer os humanos e são coisas, como objectos sem sentidos nem sentimentos, e outras ainda que são “pragas” que nem sequer deveriam existir.

Todos nós temos que encontrar maneiras de lidar com as nossas próprias dissonâncias cognitivas, não só neste aspecto da relação com as outras espécies de animais, mas com muitos outros aspectos como crenças sociais e políticas dissonantes, inconsistências ao nível dos nossos valores e comportamentos, incoerências com relação a como nos vemos a nós própri@s e aos outros, etc.. Pela minha experiência nada dá mais paz de espírito do que acabar com as dissonâncias cognitivas mudando os comportamentos que estão em desacordo com os nossos valores, dentro dos possíveis para cada um.

Quais são as tuas dissonâncias cognitivas? Sentes por vezes o incómodo mental que provoca a empatia para com os outros animais conjugada com os hábitos alimentares “normais”? Conheces mais “vegan@s não praticantes” ou consideraste um@? Como sempre são bem vindas as vossas opiniões sobre este assunto.


Heart and mind in dissonance (EN)

Leon Festinger (1919- 1989), father of the “cognitive dissonance” concept, claimed that human beings need to maintain a certain psychological coherence in order to be able to mentally function in the real world. Someone who lives with internal inconsistencies tends to become psychologically uneasy and is motivated (by their own defence mechanisms) to reduce their cognitive dissonance. To lower the dissonance, which is caused by incoherence between opinions, behaviours, values and/or beliefs, one of those variables has to be changed. One way of doing so is by re-adjusting or replacing one or more opinions, behaviours, values and/ or beliefs; another way is to search and acquire new information that increases consonance. However the easier way (but in my opinion, less effective) is to try to forget, ignore or decrease the importance of the cognitions that cause the dissonance. The more deep-rooted a belief is in one’s culture and daily life practices, the strongest will be the need to deny, replace or reduce the beliefs that are objected.

Those who know me, know that I never was an “animal lover”. Until I was 12 years old I had and irrational fear of dogs (cynophobia) and cats never sparked me much interest. Most birds and other animals who have wings, such as bats and butterflies, make me physically uncomfortable and give me chills (I can’t explain it in a better way). I guess squirrels always made me smile but the fun was mostly seeing them running around in parks. In short, I was never one of those people crazy to pet every single dog and cat they encounter on the street, nor did it ever crossed my mind to get a pet to keep me some company.

My mother wasn’t either an “animal lover”, though she was very empathetic towards them. Whenever the days started getting warm , she would leave some containers with water in our backyard so that the birds could drink it and survive our supper hot summer. I recall, as if it was today, when one afternoon my father showed up with a cricket, that he had caught himself, inside a mini cage. My sister and I found it cool but as soon as my father left, my mother explained us how cruel it was to leave the little critter shut in a cage and we promptly set it free in the yard. She also didn’t like those traditional pig slaughter events(“party” where family and friends get together to kill one or more pigs and then distribute tasks to transform the corpse into various types of “food”) nor bullfights, or even seeing animals in circus.

My mother knew that other animals also suffer, feel pain, joy and somehow understand the difference between comfort and discomfort, freedom and captivity. This is empathy, the ability to “put yourself in other’s shoes”. However, the empathy towards other animals causes a certain level of cognitive dissonance (depending on one’s empathic ability). I think my mother coped with this cognitive dissonance provoked by being simultaneously empathetic with other animals and at the same time enjoying eating them, just like most people do, and just like I did most of my life. One of my mother’s favourite food was fried quail, a bird that is not so different from the other birds she used to help every summer. In one hand she held to the belief that is was necessary, in order to be healthy, to eat animal products. On the other hand she thought that eating animals was “normal” (everybody does it) and “natural” (because human beings have always done it) and that those were strong enough reasons to do so. Moreover, she turned to the easy way to deal with cognitive dissonance: she would simply “forget” that what she was eating was parts of animals that had lived before reaching her plate, and thus for that to happen they had to be in captivity and afterwards be assassinated after seeing their fellows go through the same process.

My mother was what I like to call a “non-practicing vegan”. If she was still alive, I truly believe she would have followed Tico and I and become vegan as well. I actually saw that happening in some of my vegan friend’s families. It is natural to learn about empathy, just like many other things, by the example from the people who raised us since we were small kids. And when these educators/caretakers see their children making such a profound change in their beliefs and behaviours, they too feel motivated to rethink their own habits and values. Entire families go vegan after a family member change their way to deal with cognitive dissonance, but now for good, and no longer “forgetting” that even though they would not hurt an animal themselves, they would still pay someone else to do so.

I know many people who, at first sight, are much more empathic than I am when it comes to other animals. One of them cannot stand watching wildlife documentaries as it’s too hard to see preys being bitten by their predators. Another one that adopted a dog and loves him as if he was her child and thus developed a special interest by the canine species, but I know that if she was to deeply meet another animal (a pig for instance) in her daily life, she would be as committed to defend that species rights just as she already does with her own pet. Another person is maybe the most empathetic human being I know, in relationship to people, however I suspect that she is also with animals as well and I also think that in her case the cognitive dissonance is such that no longer allows her body to properly digest animal products and thus making her suffer with many digestive issues.

Even my father, who slaughtered pigs with his own hands (in those traditional parties) and who loves bullfights, many times shows empathy for other animals. I was astonished when I learn that my father wanted to be a veterinary and my admiration for him grew up even more by knowing that. In his case, the cognitive dissonance made him strongly believe that some species are worthy of affection, protection and respect while others only exist to fulfil human beings needs and are things, just like objects without feelings nor senses, and some other species are “plagues” that should no longer exist.

All of us need to find out ways to handle our own cognitive dissonances, not just regarding relationships with other animal species, but also with many other aspects such as social beliefs and dissonant politics, values and behaviour inconsistencies, incoherence to how we see ourselves and others, etc.. My own experience tells me that nothing gives more peace of mind than being done with cognitive dissonances through changing behaviours that are in dispute with our own values, within reasonable limits to each person.

What are your cognitive dissonances? Do you sometimes feel the mental nuisance that causes empathy towards other animals combined with “normal” eating habits? Do you know any “non-practicing vegans” or do you consider yourself one of them? As always, your opinions are more than welcome.

 


Corazón y mente en disonancia (ES)

León Festinger (1919- 1989), padre del concepto “disonancia cognitiva”, defendía que los seres humanos necesitan mantener una cierta coherencia psicológica para poder funcionar mentalmente en el mundo real. Una persona que vive inconsistencias internas tiende a quedar psicológicamente incómoda y es motivada (por los propios mecanismos de defensa) a reducir la disonancia cognitiva. Para reducir la disonancia causada por la incoherencia entre opiniones, comportamientos, valores y / o creencias hay que cambiar de alguna forma una de esas variables. Una de las maneras de hacerlo es reajustando o sustituyendo una o más opiniones, comportamientos, valores y / o creencias; otra manera es buscar y adquirir nuevas informaciones o creencias que aumenten la consonancia. Pero la manera más fácil (pero también menos eficaz, en mi opinión) es intentar olvidar o reducir la importancia de las cogniciones que provocan la disonancia. Cuanto más enraizada una creencia esté, en la cultura y en las prácticas diarias de una persona, más fuerte será la necesidad de negar, sustituir, olvidar o reducir la importancia de las creencias que se le oponen.

Quien me conoce sabe que nunca he sido una “amante de los animales”. Hasta los 12 años tuve fobia de perros (cinofobia), y los gatos nunca me despertaron mucho interés. La mayoría de las aves y otros animales con alas, como los murciélagos y las mariposas, me causan una sensación de incomodidad física que me provoca escalofríos (no puedo explicar mejor). Siempre me han parecido graciosas las ardillas, pero la gracia nunca fue más allá de verlas paseando por los parques. En resumen nunca fui una de aquellas personas que se derriten con todos los perros y gatos que ven en la calle, y nunca tuve ganas de tener un animal para que me hiciera compañía.

Mi madre tampoco era una “amante de los animales”, pero era bastante empática con ellos. Cuando comenzaba el calor todos los días ponía uno o varios recipientes de agua en el patio, para que los pajaritos pudieran beber y sobrevivir al duro y seco verano del interior. Me recuerdo, como si fuera hoy, de un día en que mi padre apareció con un grillo, que él mismo había cogido, dentro de una mini jaula. A mi hermana y a mi nos pareció gracioso en el momento, pero cuando mi padre se fue y dejó el grillo con nosotras mi madre nos explicó que era cruel mantener el bichito en una jaula y fuimos a soltarlo inmediatamente en el jardín. A ella tampoco le gustaban las matanzas del cerdo (“fiesta” tradicional en que familia y amigos se unen para matar a uno o más cerdos y después repartir tareas de transformación del cadáver en varios tipos de “comida”) ni de corridas de toros, ni de ver animales en el circo.

Mi madre sabía que los otros animales también sufren, sienten dolor, alegría y de alguna manera conocen la diferencia entre comodidad e incomodidad, libertad y cautiverio. La empatía es eso, la capacidad de ponerse en la posición del otro. Pero la empatía hacia los demás animales generalmente causa un cierto grado de disonancia cognitiva (dependiendo de la capacidad empática de cada uno). Creo que mi madre lidiaba con la disonancia cognitiva, que se produce al ser simultáneamente empático para con los otros animales y al mismo tiempo tener gusto en comerlos de la misma manera que la mayoría de la gente leía, y como yo misma lidié durante la mayor parte de mi vida. Una de las comidas preferidas de mi madre era “pajaritos fritos” – codornices más específicamente pero no tan diferentes de los pájaros que intentaba ayudar todos los veranos. Por un lado ella se aferraba a la creencia de que es necesario, para tener una buena salud, comer productos de origen animal y por otro ella pensaba que el hecho de comer animales ser considerado “normal” (todo el mundo lo hace) y “natural “(Porque los seres humanos” siempre lo hicieron “) era razón suficientemente fuerte para hacerlo. Pero más aún, ella recurría a tal manera fácil de lidiar con la disonancia cognitiva: simplemente “se olvidaba” de que lo que comía eran partes de animales que habían vivido antes de llegar a su plato, y que para que eso sucediera ellos tuvieran que vivir en cautiverio y ser asesinados después de ver a sus semejantes pasar por el mismo.

Mi madre era lo que me gusta llamar una “vegana no practicante”. Creo realmente que si estuviera viva hoy, después de que Tico y yo nos volvimos veganas, mi madre también se habría vuelto verdaderamente vegana. En realidad ya lo he visto en muchas familias de amigos veganos. Y es natural, aprendemos sobre la empatía, y sobre muchas otras cosas, a través del ejemplo de quien nos crea desde pequeños, y esas personas, cuando ven sus criaturas hacer un cambio tan profundo en sus creencias y comportamientos, se sienten motivadas a repensar sus propios valores y hábitos. Familias enteras se vuelven veganas después de que un miembro cambie la estrategia para lidiar con su disonancia cognitiva, pero esta vez de manera permanente, sin hacer el esfuerzo de “olvidar” que aunque no pudieran hacer daño a ningún animal, pagan constantemente a otras personas para hacerlo.

Conozco a muchas personas que son, a primera vista, mucho más empáticas que yo con respecto a otros animales. Una de ellas no aguanta ver documentales sobre la vida salvaje porque se queda con el corazón en las manos cuando ve a las presas ser abocadas por los predadores. Otra adoptó un perro que ama como si fuera un hijo y desarrolló un interés especial por la especie canina, pero sé que si ella tuviera la oportunidad de conocer otro animal (un cerdo por ejemplo) profundamente en su vida cotidiana, estaría tan comprometida en defender los derechos de esa especie como los derechos de la especie de su hijo no humano. Otra es quizás la persona más empática que conozco con respecto a las personas, y también, lo sospecho, que con respecto a los otros animales. En su caso la disonancia cognitiva ya no deja que su cuerpo digiera bien alimentos de origen animal, lo que hace que tenga muchos problemas digestivos.

Hasta mi padre, que hace la matanza del cerdo y los mata con sus propias manos y que adora las corridas de toros, a menudo demuestra empatía por otros animales. Una de las mayores sorpresas que tuve en mi vida fue saber que mi padre quería haber sido veterinario, mi admiración por él creció aún más en ese día. En su caso la disonancia cognitiva hizo que fortaleciera la creencia de que hay especies que merecen cariño, protección y respeto, otras que sólo sirven para satisfacer a los humanos y son cosas, como objetos sin sentidos ni sentimientos, y otras son solo “plagas ” y que ni siquiera deberían existir.

Tod@s tenemos que encontrar maneras de lidiar con nuestras propias disonancias cognitivas, no sólo en el aspecto de la relación con las otras especies de animales, pero con muchos otros aspectos como creencias sociales y políticas disonantes, inconsistencias a nivel de nuestros valores y comportamientos, incoherencias con respecto a cómo nos vemos a nosotr@s mism@s a y los otros, etc. Por mi experiencia nada da más paz de espíritu que acabar con las disonancias cognitivas cambiando los comportamientos que están en desacuerdo con nuestros valores, dentro de los posibles para cada uno uno.

¿Cuáles son tus disonancias cognitivas? ¿Siente a veces la molestia mental que provoca la empatía hacia los otros animales conjugada con los hábitos alimentarios “normales”? ¿Conoces más “vegan@s no practicantes” o te consideras un@? Como siempre, vuestras opiniones sobre este asunto son muy bienvenidas.

Turning bad into something good

Transformar o mau em algo bom (PT)

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Turning bad into something good (EN)

Today I write this words in hopes of helping those who are going or went through some life challenges similar to mine. To inspire them and to give them power to turn their lives upside down if that’s what they need to be happier.

2011.

The worst year of my life. If you have been reading some of our previous articles you know by now how Nico and I lost our mom.  You might know as well how close we were to her, in different ways, and how we kind of depended on her emotionally. Whoever has a deep relationship with their mother know that, despite the cut of the umbilical cord, we remain forever emotionally connected to them. So connected that many of their traumas can be passed onto us. Maybe they can even be the ones causing us traumas (without intending it, of course). In my reality, my mom had her flaws that could get in my nerves, but mostly she was to me the best mother she could be.

Her death was a mix of emotions. Sadness for losing someone that was still quite young that didn’t seem to get to enjoy her life to the fullest. Gratefulness for being able to have her in my life for 23 years. Relief for her not to be in pain anymore. Happiness for being able to move on with my life again after that terrifying year. What seemed to me the end of the world at some point in my life was the push that I needed to venture and do something I considered brave – move abroad. Today I recognize that running away to live in another country was not the bravest thing, in fact the brave action would have been staying there and face the tough life without my mother. It was more convenient to take the easy way out and pretend that my mom never died, never got sick, never existed. Starting a life in another country meant no one knew me, no one knew my story, no one knew to what family I belonged or what tragedy I had witnessed. Pretending that my mom never existed was just a way of protecting myself from sadness and a feeling of powerlessness.  It didn’t really work though. She would visit me in my dreams very often. Or should I say nightmares? I would wake up totally confused and not knowing if she was alive of dead anymore.

With her living us, physically, I felt like it left an emptiness in my heart too. I know this can sound very dramatic but I have no other way of describing it. It was like something was missing.

2016.

When I quit being a victim of that sad story I finally moved on. Of course that story will always be mine but I started to look at it with another eyes. If my mother had never died, I would certainly not be the person I turned into. I would perhaps not have lived abroad for such long periods of time, or felt the need to know who I was and what my mission in this world is, or never felt the need to turn to spirituality and try to understand what life is all about.

I realized that I was the story that I chose to tell. Instead of looking at this story from a victim perspective that felt pity for herself, I chose to rewrite the story of a fortunate person who was freed in order to be a better self and mature. This freedom is more related to not depending on anyone emotionally anymore. Which story is the right one? I don’t know. I only know that I am still here living and my mother is not. I decided to be the happiest I can be for me and for her, because after all, isn’t that what parents want for their kids?

If my mother had not died back in 2011, I don’t know who I would be today. Maybe it would have taken me much longer to experience everything I got to live till this day.

2019.

My heart will never be the same after that feeling of emptiness (that I was describing above). So I felt the urge of finding out how I could fill it in with something else. I learned that it won’t be filled in with someone else’s love. People come and go from our lives, nothing is eternal. Which means that if I replaced that emptiness with someone else’s love, it would most certainly get empty again. Instead I found out that doing what I love and what I think is my life purpose – being good to myself and to others, help others, make their day a better day – fills in this space more and more everyday.

Have you ever turned something bad in your life into something good? Have you ever thought about it? Can you rewrite your story in order to be happier?

Transformar o mau em algo bom (PT)

Escrevo hoje estas palavras na esperança de ajudar aquel@s que estão a passar ou já passaram por algumas desafios nas suas vidas, similares aos meus. Para @s inspirar e dar-lhes força para que virem a sua vida ao contrário se é isso que precisam para serem felizes.

2011.

O pior ano da minha vida. Se já leste alguns dos nossos artigos, saberás como a Nico e eu perdemos a nossa mãe. Talvez saibas também o quão próximas éramos dela, de formas diferentes, e o quanto dependiamos dela a nível emocional. Aquel@s que têm uma relação próxima com as suas mães sabem que, apesar do corte no cordão umbilical, permanecemos para sempre emocionalmente ligad@s a elas. Tão ligad@s que muitos dos seus traumas podem ser passados para nós. Até podem ser elas a causa de alguns dos nossos traumas (sem intenção, claro). Na minha realidade a minha mãe tinha os seus defeitos, que me tiravam do sério, mas apesar disso era a melhor mãe que eu podia ter tido.

A morte dela foi um misto de emoções. Tristeza por ter perdido alguém que tinha muita vivacidade (antes de ficar doente) e parecia não ter aproveitado a vida ao máximo. Gratidão por ter a oportunidade de a ter na minha vida por 23 anos. Alívio por a sua dor ter chegado ao fim. Felicidade por poder andar para a frente com a minha vida depois daquele ano aterrador.

O que parecia para mim o fim do mundo naquele ponto da minha vida, foi o empurrão que eu precisava para me aventurar e fazer algo que eu considerava corajoso – ir morar para fora. Hoje eu reconheço que fugir e ir viver para outro país não foi a coisa mais corajosa que fiz, de facto o acto de valentia teria sido ficar e encarar a vida difícil sem a minha mãe. Foi mais conveniente escolher o caminho fácil e fazer de conta que a minha mãe não tinha morrido, não tinha ficado doente, não tinha existido. Começar uma vida noutro país significava que ninguém me conhecia, ninguém conhecia a minha história, ninguém sabia a que família eu pertencia ou que tragédia eu tinha testemunhado. Fazer de conta que a minha mãe não tinha existido era uma forma de me proteger da tristeza e do sentimento de impotência. Mas isso não resultou completamente. Ela visitava-me nos meus sonhos com frequência. Ou devo dizer pesadelos? Eu acordava completamente baralhada sem saber se ela estava viva ou morta.

A sua partida do plano material deixou um lugar vazio no meu coração. Sei que isto pode soar muito dramático mas não tenho outra forma de o descrever. É como se a partir dali algo me ficou a faltar.

2016.

Finalmente parei de ser a vítima dessa história e deixei-a para trás. Claro que essa será sempre a minha história mas comecei a olhar para ela com outros olhos. Se a minha mãe não tivesse morrido, eu certamente não seria a pessoa que sou hoje. Talvez não tivesse vivido fora por longos períodos de tempo, ou sentisse a necessidade de ir em busca de saber quem sou e qual é a minha missão no mundo, ou não tivesse a necessidade de recorrer à espiritualidade e tentar perceber o que andamos “cá” a fazer.

Descobri que eu era a história que escolhi contar. Em vez de olhar para ela do ponto de vista de vítima que sentia pena de si própria, escolhi reescrever a história de uma pessoa sortuda que ficou livre para ser uma pessoa melhor e amadurecer. Esta liberdade tem mais a ver com não depender de ninguém a nível emocional. Qual é a verdadeira história? Não sei. O que sei é que eu continuo cá a viver e a minha mãe não. Decidi ser o mais feliz possível, por mim e por ela, e no final das contas não é isso que os pais querem para os seus filhos?

Se a minha mãe não tivesse morrido em 2011, não sei quem eu seria hoje. Talvez eu tivesse levado muito mais tempo a experienciar tudo o que vivi até ao dia de hoje.

2019.

O meu coração nunca será o mesmo depois daquela sensação de vazio. Por isso senti a necessidade de procurar uma forma de preencher esse vazio. Aprendi que não será preenchido com o amor de outra pessoa. As pessoas vêm e vão das nossas vidas, nada é eterno. O que significa que se eu preenchesse esse vazio com o amor de outra pessoa, o mais provável era ficar vazio mais tarde, outra vez. Em vez disso, descobri que se eu fizer aquilo que me dá prazer e que acho que é o meu propósito de vida – fazer o bem para mim e para as outras pessoas, ajudá-las e fazer do dia delas um dia melhor – aquele vazio se preenche mais e mais a cada dia.

Já alguma vez transformaste algo mau em algo bom na tua vida? Já alguma vez pensaste em fazê-lo? Consegues re-escrever a tua história para seres mais feliz?

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Escribo hoy estas palabras con la esperanza de ayudar a aquell@s que están pasando o ya han pasado algunos desafíos en sus vidas, similares a los míos. Para inspirarl@s y darles fuerza para que vuelvan sus vidas al revés si eso es lo que necesitan para ser felices.

2011.

El peor año de mi vida. Si ya leíste algunos de nuestros artículos, sabrás cómo Nico y yo perdimos a nuestra madre. Quizás sepas también lo cuán cercanas éramos de ella, cada una a su manera, y lo cuán dependientes de ella a nivel emocional éramos. Aquell@ s que tienen una relación cercana con sus madres saben que, a pesar del corte del cordón umbilical, permanecemos para siempre emocionalmente conectad@s a ellas. De esa manera muchos de sus traumas pueden ser pasados ​​a nosotr@s. Hasta pueden ser ellas la causa de algunos de nuestros traumas (sin intención, claro). En mi realidad mi madre tenía sus defectos, que  a veces me volvían loca, pero a pesar de ello fue la mejor madre que yo podía haber tenido.

Su muerte fue una mezcla de emociones. Tristeza por haber perdido a alguien que tenía mucha vivacidad (antes de enfermarse) y parecía no haber aprovechado la vida al máximo. Gratitud por tener la oportunidad de tenerla en mi vida por 23 años. Alivio por su dolor haber terminado. Felicidad por poder caminar adelante con mi vida después de aquel año aterrador.

Lo que parecía para mí el fin del mundo en aquel punto de mi vida, fue el empujón que necesitaba para aventurarme y hacer algo que yo consideraba valiente – ir a vivir fuera del país. Hoy reconozco que huir e ir a vivir a otro país no fue lo más valiente que hice, de hecho el acto de valentía habría sido quedarme y afrontar la vida difícil sin mi madre. Fue más conveniente elegir el camino fácil y hacer de cuenta que mi madre no había muerto, no había enfermado, no había existido. Comenzar una vida en otro país significaba que nadie me conocía, nadie conocía mi historia, nadie sabía a qué familia pertenecía o que tragedia había testificado. Hacer de cuenta que mi madre no había existido era una forma de protegerme de la tristeza y del sentimiento de impotencia. Pero eso no resultó completamente. Ella me visitaba en mis sueños con frecuencia. ¿O debo decir pesadillas? Yo despertaba completamente confundida sin saber si mi madre estaba viva o muerta. Cuando su cuerpo dejó este plano quedó también un lugar vacío en mi corazón. Sé que esto puede sonar muy dramático pero no tengo otra forma de describirlo. Es como si a partir de aquel momento alguna parte de mí se haya perdido.

2016.

Finalmente dejé de ser la víctima de esa historia y la dejé atrás. Claro que esa será siempre mi historia, pero empecé a mirarla con otros ojos. Si mi madre no hubiera muerto, ciertamente no sería la persona que soy hoy. Quizás no hubiera vivido fuera por largos períodos de tiempo, ni sintiera la necesidad de saber quién soy y cuál es mi misión en el mundo, o no tuviera la necesidad de recurrir a la espiritualidad e intentar percibir qual és el significado de todo esto.

Descubrí que yo era la historia que escogiera contar. En vez de mirarla desde el punto de vista de la víctima que sentía pena de sí misma, elegí reescribir la historia de una persona afortunada que se vió libre para ser una persona mejor y más madura. Esta libertad tiene más que ver con no depender de nadie a nivel emocional. ¿Cuál es la verdadera historia? No lo sé. Lo que sé es que sigo viviendo y mi madre no. Decidí ser lo más feliz posible, por mí y por ella, y al final de cuentas no es eso lo que los padres quieren para sus hijos?

Si mi madre no hubiera muerto en 2011, no sé quién sería hoy. Quizás me hubiera llevado mucho más tiempo para experimentar todo lo que he vivido hasta el día de hoy.

2019.

Mi corazón nunca será el mismo después de aquella sensación de vacío. Por eso sentí la necesidad de buscar una forma de llenar ese vacío. Aprendí que no será llenado con el amor de otra persona. La gente viene y va de nuestras vidas, nada es eterno. Lo que significa que si llenara ese vacío con el amor de otra persona, lo más probable era quedarse vacío más tarde, otra vez. En vez de eso, descubrí que si hago lo que me da placer y lo que creo que es mi propósito de vida – hacer el bien para mí y para las otras personas, ayudarlas y hacer del día de ellas un día mejor – aquel vacío se llena más y más cada día.

¿Alguna vez has transformado algo malo en algo bueno en tu vida? ¿Alguna vez has pensado en hacerlo? ¿Puedes reescribir tu historia para ser más feliz?

Love Stories

Love Stories (EN)

Historias de Amor (ES)

Histórias de Amor (PT)

Lembrar-me que o dia de São Valentim é amanhã fez-me pensar um pouco nalguns dos “questionamentos” que tenho exercido sobre o amor e as relações amorosas.

Primeiro Amor

Tive o meu primeiro namorado com 16 anos. Esse namoro durou cerca de 3 anos. A minha primeira relação amorosa marcou-me para a vida (como creio que marcam quase todas as primeiras vezes). Esta relação ensinou-me sobretudo a saber onde estão os meus limites, especialmente porque os esticou até rebentarem. Aos 16 anos tinha um namorado ciumento, possessivo e paranóico. E eu era muito jovem e inexperiente para perceber que a nossa relação não era uma relação amorosa saudável. Aos 17 anos tinha deixado de encontrar-me sozinha com todos os meus amigos do sexo masculino e estava sempre em cheque auto-analisando as minhas acções para com o sexo oposto, não fosse fazer algo que gerasse a desconfiança ou o ciúme do meu namorado. Mas mesmo assim mais dia menos dia acabava a chorar, tendo que me explicar, provar que não tinha feito nada de errado ou pedir desculpas por algo que ele considerasse passível de despertar os seus ciúmes ou paranóia. Perdi-me nesta relação, quando acabou eu tinha 19 anos e já não sabia quem era. Tinha mudado tantas coisas para conseguir manter aquele namoro que quando ele acabou senti-me profundamente esgotada e sem vontade de voltar a ter namorado nem nenhum outro tipo de relação do género. Demorei 2 anos para me reconstruir e para voltar a dar oportunidade ao amor.

Hoje em dia não me arrependo desses 3 anos. Mas questiono-me sobre as coisas que podiam ter feito com que eu me apercebesse antes que aquilo era uma relação tóxica. Lembro-me perfeitamente do momento em que a minha mãe se apercebeu que eu começara a ter uma vida sexual. Primeiro ela entrou em pânico (suponho que seja normal), zangou-se comigo e fez alguma chantagem emocional para, pensava ela, atrasar um pouco o processo. Mas uns dias depois percebeu que aquele não era o melhor caminho, foi aí que nos sentámos para falar como adultas sobre aquilo que ela considerava mais importante: evitar DST’s e gravidezes indesejadas. Hoje sei que teria sido mais proveitosa outro tipo de conversa. Com 16 anos já sabia quase tudo o que havia para saber sobre preservativos. Mas sabia pouco sobre relações amorosas. Porque é que não se fala mais sobre isso em casa? Eu sei que provavelmente, naquela altura, se a minha mãe me perguntasse como era a minha relação com o meu namorado, eu acharia que ela se estava a meter na minha vida e não lhe contaria muito. Mas, e se falar sobre relações (já sejam elas amorosas, de amizade ou de outros tipos) fosse algo mais habitual entre pais e filhos? Provavelmente no dia em que o meu namorado da altura começou a fazer cenas de ciúmes, eu tivesse percebido que aquilo não era bom nem saudável. Neste momento há adolescentes e jovens (e pessoas adultas também) a passar pelo que eu passei ou por outros problemas semelhantes, e aos pais não se lhes ocorre “ter “a conversa” e incluir nela não só os métodos de contracepção mas também falar sobre relacionamentos.

Quando/ se tiver filh@s vou falar com el@s sobre ciúme, possessão, confiança no outro, auto-estima, etc. E quanto às conversas sobre sexo vou-me focar em temas como o consentimento e a importância da intimidade e do prazer partilhado.

Amor Próprio

Até há uns anos atrás sabotava todas as minhas relações pelo facto de precisar delas. Odiava estar sozinha e precisava de ter, além de uma vida social activa, algum tipo de relação íntima que preenchesse o vazio. Todas as minhas relações começavam de forma casual, sem muito compromisso, mas quando eu dava por isso tinha criado uma forte dependência à pessoas com a que tinha um relacionamento naquele momento. Essa dependência fazia de mim alguém que fazia de tudo para agradar a outra pessoa, os gostos da outra pessoa tornavam-se os meus gostos e as minhas vontades deixavam de ter importância. Ao final de algum tempo todas as relações falhavam porque na verdade eu deixava de ser a pessoa pela qual os meus pares se tinham interessado no início.  

Foi há uns anos atrás, depois de mais uma ruptura, que percebi que para meu bem tinha que enfrentar o tal vazio que procurava preencher, percebê-lo e desconstruí-lo para poder estar bem comigo mesma, deixar de “precisar” e de depender das relações amorosas para ser feliz. Hoje em dia tenho alguma dificuldade em perceber como o fiz realmente, porque não foi algo premeditado, nem programado. Acho que simplesmente deixei o vazio existir sem resistir a ele, e depois percebi que não fazia falta ninguém para o preencher e que o amor próprio chegava. Mais do que isso, descobri que sentir-me acompanhada por mim mesma preenchia o vazio realmente e permanentemente. Essa mudança tão subtil a nível interior fez com que a minha maneira de ver as relações (amorosas, familiares, de amizade, profissionais, etc.) mudasse completamente. De facto aquilo que parece uma mentalidade egoísta (pensar que não preciso da companhia constante de outras pessoas para ser feliz) fez com que passasse a pensar mais no que é que posso dar de mim aos outros e menos naquilo que posso obter deles.

Sei que muitas pessoas sentem esse vazio e a necessidade de preenchê-lo. Na verdade a sociedade empurra-nos para isso com histórias sobre “almas gémeas” e “outras metades da laranja”. Aprendemos que as nossas vidas não estão completas, ou até mesmo que não tem sentido até encontrar “@ tal”. A minha experiência diz-me que não é possível ter uma vida completa com outra pessoa se não te sentes preenchido pela tua própria riqueza interior. Porque é que a sociedade te faz acreditar que precisas encontrar “alguém te faça feliz”?

Amor Actual

A relação amorosa que mantenho agora é curiosamente com a mesma pessoa com a qual tive a ruptura que me levou a mudar a minha maneira de ver as relações. Depois da mudança essa pessoa voltou a surgir na minha vida e quando tive que decidir se queria voltar a estar com ela tive este pensamento: “Não preciso desta pessoa para ser feliz, no entanto será que esta relação pode enriquecer as nossas vidas, ajudar-nos a crescer e a melhorar?”. A resposta foi sim.

Com a lição anterior aprendida, apesar de estar com a mesma pessoa que havia estado meio ano antes, a nossa relação passou a ser algo muito diferente daquilo que tinha sido. Além de ter deixado de acreditar na história do príncipe encantado sem o qual a vida da princesa não faz sentido, comecei a questionar outros aspectos das relações comuns. Porque é que os casais “tem” que dormir juntos? – Ironicamente toda vida odiei dormir sozinha, agora é como gosto mais. – Porque é que, a uma certa idade se espera que vivam na mesma casa e porque é que a sociedade faz tanta pressão para isso? – Não acredito que o simples facto de viver juntos seja significado de maior estabilidade na relação. Porque é que a partir do momento que se sabe que temos uma relação ‘séria’ o ‘cônjuge’ fica automaticamente convidado para quase todos os eventos para que a outra pessoa é convidada? E porque é que quando uma pessoa do casal decide comparecer sozinha isso é tido como algo estranho? Afinal as vidas sociais dos casais não tem porque se viver exclusivamente em casal.

Atenção, isto não significa que eu esteja à partida contra todas as convenções sociais sobre as relações dos casais, nem que eu as rejeite todas. Apenas gosto de me questionar sobre elas e decidir quais se adequam realmente à minha vida e quais as que prefiro descartar em vez de simplesmente as aceitar todas.

Que perguntas te fazes sobre o amor, sobre as relações, sobre a maneira como se fala delas e sobre as convenções sociais que muitas vezes as delimitam?

Paradoxalmente, a capacidade de estar sozinho é a condição para a capacidade de amar.― Erich Fromm, A Arte de Amar


 

Love Stories (EN)

Realising that Valentine’s day is tomorrow, made me think about some of the “questionings” I’ve been doing about love and love relationships.

First Love

I had my first boyfriend when I was 16 years old. That relationship lasted nearly 3 years. This first love relationship left on me a deep mark (as most first loves do). This relationship taught me above all to get to know my limits, as they were stretched until bursting. At 16 years old I had a jealous, possessive and paranoid boyfriend. And I was very young and inexperienced to understand that our love relationship was not a healthy one. At 17 years old I had given up on meeting all my male friends by myself and was constantly checking with self-examination my actions towards the opposite sex, to avoid triggering any suspicion or jealousy in my boyfriend. But still, sooner or later, I would end up crying, having to explain myself, prove that I had done nothing wrong or apologize for something that he considered capable of awakening his jealousy or paranoia. I lost myself in this relationship, when it came to an end I was 19 and no longer knew who I was. I had changed so many things to keep that relationship and when It was over I felt profoundly drained and with no desire to have a future boyfriend nor a similar relationship. It took me 2 years to rebuilt and give a second chance to love.

Nowadays I do not regret those 3 years. But I do question about the things which could have been done so that I would realize before that this was a toxic relationship. I remember vividly the moment when my mother found out that my sex life had started. Firstly she panicked (I suppose it is normal), got mad and emotionally blackmailed me so that, so she would think, the process would be delayed. However, some days later, she understood that this wasn’t the best approach, so we sat down to talk like adults about what she considered most important: avoid STDs and unwanted pregnancies. Today I know that another conversation would have been more useful. At 16 years old I already knew almost everything about condoms. But knew very little about love relationships. Why don’t people really talk about this at home? I know that probably, at that time, if my mother had asked me how my relationship with my boyfriend was, I would think that it was none of her business and wouldn’t tell her much. But what if talking about relationships (whether it is love, friendship or other types of relationships) was something more usual between parents and brood? Probably by the first day that my boyfriend at the time had done his first jealousy scene, I would have figured that that wasn’t good nor healthy. At this moment there are teenagers and juveniles (and adults as well) going through the same problems I had, or similar issues, and parents that don’t include in “the talk” both contraceptive methods and relationships.

When/ if I have children I will talk about jealousy, possession, trust, self-esteem, etc. And when it comes to sex I’ll focus on themes such as consent and the importance of intimacy and shared pleasure.

Self Love

Until a few years ago I would sabotage all my relationships because I needed them. I hated being alone and needed to have, not just a very active social life, but also a more intimate relationship to fill in the void. All my relationships would start casually, without much commitment, but when I realised that, I had already become strongly dependent on a person with whom I was having a relationship at that time. That dependency would make me someone that was willing to do anything to please the other person, the other person’s likes would become my likes and my own desires were no longer important. All my relationships would fail some time later because the truth is that I was not the person that my partners had fell for anymore.

A few years ago, after another breakup, I realised that for my own good I needed to face this void that I was trying to fill in, understand it and deconstruct it so that I could feel good in my own skin, setting aside the “need” and dependency on relationships to be happy. Nowadays I have a bit of a difficulty in knowing how exactly I have done that, because it wasn’t something premeditated or programmed. I guess I simply let the void exist without resisting to it, and further on understood that I didn’t need anyone to fill it in and that self-love was enough. Furthermore, I found out that feeling accompanied by myself filled in the void completely and permanently. This subtle change on the internal side, completely changed my way of seeing relationships (love, family, friend and professional relationships). What in truth seems like a selfish mindset (thinking that I don’t need the constant companionship of others to be happy) ended up making me think more often on what can I give to others and less of what I can get from them.

I know that many people feel that void and the need to fulfil it. Actually society shoves us into this with stories about “soulmates” and “better halves”. We learn that our lives aren’t complete, or even have no purpose, until we find “the one”. My experience tells me that it’s not possible to have a fulfilling life with someone else if you don’t feel fulfilled with your inner wealth.

Why does society makes you believe that you need to find “someone that makes you happy”?

Current Love

The love relationship I have at the present moment is interestingly with the same person with which I had the breakup that led me to change the way of seeing relationships. After this change, that same person got back in my life and when I had to decide if I wanted to be with them again, I had this thought: “I don’t need this person to be happy, however can this relationship promote value into our lives, help us grow and be better people?”. The answer was yes.

With the previous lesson learned, despite being again with the same person I was six months prior, our relationship became very different from what it had been. Aside from no longer believing in the enchanted prince story that makes the princess life complete, I started to question other standard relationships aspects. Why do couples “have to” sleep together? – ironically all my life I’ve hated sleeping alone, now it’s the way I prefer. – Why at certain age, people expect couples to live in the same house and why does society makes so much pressure on it? – I don’t believe that living together is what makes the relationship more solid. Why is that, from the moment a couple has a “serious” relationship, the partner is automatically invited to most of the events to which the other person is invited to? And why is that, when one element of the couple decides to show up by themself, that’s considered as something odd? After all the social life of couples don’t have to be lived exclusively as a couple.

Keep in mind that this doesn’t mean that I’m against all social conventions regarding couple’s relationships, nor do I reject them all. I just like to question them and decide which match my life and which I prefer to rule out, instead of simply accept them all.

What questions do you make yourself regarding love, relationships, the way we talk about them and about the social conventions that many times dictate the rules?

Paradoxically, the ability to be alone is the condition for the ability to love. – Erich Fromm, The Art of Loving


 

Historias de amor (ES)

Recordarme que el día de San Valentín es mañana me hizo pensar un poco sobre algunos de los “cuestionamientos” que he ejercido acerca del amor y las relaciones amorosas.

Primero Amor

Tuve mi primer novio con 16 años. Esta relación duró cerca de 3 años. Mi primera relación amorosa me marcó para la vida (como creo que marcan casi todas las primeras). Esta relación me enseñó sobre todo a saber dónde están mis límites, especialmente porque los estiró hasta reventar. A los 16 años tenía un novio celoso, posesivo y paranoico. Y yo era muy joven e inexperta para percibir que nuestra relación no era una relación amorosa sana. A los 17 años había dejado de encontrarme sola con todos mis amigos del sexo masculino y estaba siempre auto-analizando mis acciones hacia el sexo opuesto, no fuera hacer algo que generara la desconfianza o los celos de mi novio. Pero aún así, más día menos día terminaba llorando, teniendo que explicarme, probar que no había hecho nada malo o pedir disculpas por algo que él considerara pasible de despertar sus celos o paranoia. Me perdí en esta relación, cuando acabó yo tenía 19 años y ya no sabía quién era. Había cambiado tantas cosas para conseguir mantener esta pareja que cuando rompimos definitivamente me sentía profundamente agotada y sin ganas de volver a tener novio ni ningún otro tipo de relación del género. Tardé 2 años para reconstruirme y para volver a dar oportunidad al amor.

Hoy en día no me arrepiento de esos 3 años. Pero me questiono sobre las cosas que podían haber hecho com que yo que me diera cuenta antes de que aquello era una relación tóxica. Recuerdo perfectamente el momento en el que mi madre se dio cuenta de que había empezado a tener una vida sexual. Primero entró en pánico (supongo que es normal), se enfadó conmigo e hizo algún chantaje emocional para, pensaba ella, retrasar un poco el proceso. Pero unos días después percibió que aquel no era el mejor camino, fue ahí donde nos sentamos para hablar como adultas sobre lo que ella consideraba más importante: evitar DST’s y embarazos no deseados. Hoy sé que habría sido más provechoso otro tipo de conversación. Con 16 años ya sabía casi todo lo que había para saber sobre preservativos. Pero sabía muy poco sobre las relaciones amorosas. ¿Por qué no se habla más sobre esto en casa? Yo sé que probablemente si, en ese momento, mi madre me hubiera preguntado cómo era mi relación con mi novio, yo pensaría que ella se estaba metiendo en mi vida y no le contaría mucho. Pero, y si hablar sobre relaciones (ya sean ellas amorosas, de amistad o de otros tipos) fuese algo más habitual entre padres e hijos? Probablemente en mismo el día en que mi novio de entonces empezó a hacer escenas de celos, yo habría percibido que aquello no era bueno ni sano. En este momento hay adolescentes y jóvenes (y personas adultas también) a pasar por lo que he pasado o por otros problemas similares, y a los padres no se les ocurre “tener la conversación” e incluir en ella no sólo los métodos de contracepción, sino también hablar sobre las relaciones.

En el caso de que algún día tenga hij@s hablare con el@s sobre celos, posesión, confianza en el otro, autoestima, etc. Y en cuanto a las conversaciones sobre sexo me voy a enfocar en temas como el consentimiento y la importancia de la intimidad y del placer compartido.

Amor Propio

Hasta hace unos años saboteaba todas mis relaciones por el hecho de necesitarlas. Odiaba estar sola y necesitaba tener, además de una vida social activa, algún tipo de relación íntima que llenase el vacío. Todas mis relaciones comenzaban de forma casual, sin mucho compromiso, pero cuando yo me daba cuenta ya había creado una fuerte dependencia a la persona con la que tenía una relación en aquel momento. Esta dependencia hacía de mí alguien que hacía todo para agradar a la otra persona, los gustos de la otra persona se convirtieron en mis gustos y mis voluntades dejaban de tener importancia. Al final de algún tiempo todas las relaciones fallaban porque en realidad yo dejaba de ser la persona por la cual mis parejas se habían interesado al principio.

Fue hace unos años, después de otra ruptura, que percibí que tenía que enfrentar el vacío que buscaba llenar, percibirlo y deconstruirlo para poder estar bien conmigo misma, debía dejar de “necesitar” y de depender de las relaciones amorosas para ser feliz. Hoy en día tengo alguna dificultad en percibir cómo lo hice realmente, porque no fue algo premeditado, ni programado. Creo que simplemente dejé el vacío existir sin resistir a él, y después me di cuenta de que no le falta a nadie para llenarlo y que el amor propio llegaba. Más que eso, descubrí que sentirme acompañada por mí misma llenaba el vacío realmente y permanentemente. Este cambio tan sutil a nivel interior ha hecho que mi manera de ver las relaciones (amorosas, familiares, de amistad, profesionales, etc.) cambiara completamente. De hecho lo que parece una mentalidad egoísta (pensar que no necesito la compañía constante de otras personas para ser feliz) hizo que pasara a pensar más en lo que puedo dar de mí a los demás y menos en lo que puedo obtener de ellos.

Sé que muchas personas sienten ese vacío y la necesidad de llenarlo. En realidad la sociedad nos empuja hacia eso con historias sobre “almas gemelas” y “otras mitades de la naranja”. Aprendemos que nuestras vidas no están completas, o incluso que no tiene sentido hasta encontrar “la persona ideal”. Mi experiencia me dice que no es posible tener una vida completa con otra persona si no te sientes realizado por tu propia riqueza interior. ¿Por qué es que la sociedad te hace creer que necesitas encontrar “alguien te haga feliz”?

Amor Actual

La pareja que mantengo ahora es curiosamente la misma persona con la que tuve la ruptura que me llevó a cambiar mi manera de ver las relaciones. Después del cambio esa persona volvió a surgir en mi vida y cuando tuve que decidir si quería volver a estar con ella tuvo este pensamiento: “No necesito a esta persona para ser feliz, sin embargo será que esta relación puede enriquecer nuestras vidas, ayudándonos a crecer y a mejorar? “. La respuesta fue sí.

Con la lección anterior aprendida, a pesar de estar con la misma persona que había estado medio año antes, nuestra relación pasó a ser algo muy diferente de lo que había sido. Además de haber dejado de creer en la historia del príncipe encantado sin el cual la vida de la princesa no tiene sentido, empecé a cuestionar otros aspectos de las relaciones comunes. ¿Por qué es que las parejas “tienen” que dormir juntas? – Irónicamente toda la vida odié dormir sola, ahora es como me gusta más. – ¿Por qué, a partir de cierta edad, se espera que vivan en la misma casa y por qué la sociedad hace tanta presión para ello? – No creo que el simple hecho de vivir juntos sea significado de mayor estabilidad en la relación. ¿Por qué a partir del momento en que se sabe que tenemos una relación ‘seria’ la pareja queda automáticamente invitada a casi todos los eventos a los que nos han invitado? ¿Y por qué es que cuando una persona de la pareja decide asistir sola a esos eventos la gente lo ve como algo raro? Al final las vidas sociales de las parejas no tienen porque experimentarse exclusivamente en pareja.

Atención, esto no significa que yo esté de antemano contra todas las convenciones sociales sobre las relaciones de las parejas, ni que yo las rechace a todas. Sólo me gusta questionarme sobre ellas y decidir cuáles se adecuan realmente a mi vida y cuáles prefiero descartar, en lugar de simplemente aceptarlas todas.

¿Qué preguntas te haces sobre el amor, sobre las relaciones, sobre la manera como se habla de ellas y sobre las convenciones sociales que muchas veces las delimitan?

Paradójicamente, la capacidad de estar solo es la condición para la capacidad de amar. ― Erich Fromm, El Arte de Amar

A meditative state of mind

Um estado de espirito meditativo (PT)

Un estado de espíritu meditativo (ES)

A meditative state of mind (EN)

Imagine yourself in a room full of people. Around 120 people. Males are sitting on the left side of the room and females on the right side, forming rows. Everybody is sitting facing two masters – the female Master is sitting facing the female’s rows and the male Master faces the male’s rows. Pillows are piled up underneath each individual’s bottom to make a crossed leg position more bearable. There’s silence. So much silence that you don’t have to make any effort to hear the breath of the person sitting right next to you, the drizzling rain outside the door or the singing stomachs of other people. Everyone has their eyes closed. You close your eyes too. The journey starts.

I had researched about meditation, watched some videos, downloaded an app. But somehow I didn’t fully grasped what meditation was all about. I only knew that it was supposed to give you peace of mind, ground you, reduce stress and depression, etc. just like many research articles show. Something so simple such as closing your eyes, sitting in a comfortable position and let go of your thoughts was too hard. I got frustrated at times because nothing seemed to happen. I had read so many testimonials of people that had changed their lives after starting to practice meditation regularly, or started to notice that they could meditate longer and longer each week. Some would even say that they had contacted other entities during meditation. I had so many expectations due to this success stories but I guessed it wasn’t working for me. Maybe meditation wasn’t for everybody. But I didn’t give up on trying.

Back in 2016, still living in Amsterdam, I had an introduction to Mindfulness meditation class. Maybe I needed some guidance and would finally understand how it worked. I remember that in the end of that class, which lasted one hour, the teacher mentioned that she had recently completed a silent retreat that went on for ten days, called Vipassana. I was in awe. It was something so new for me that my first thought was: “why would people want to be in silence and sit still for ten days?”. This was another level! If I couldn’t even sit still, without having a million thoughts in my head, for ten minutes straight, I could not imagine how would it be possible for ten days. Although I had this introduction to meditation class, I didn’t continue practicing it on a regular basis afterwards.

Months later, while traveling in S.E. Asia I met several people that had done Vipassana or were about to do. It got me more curious. Even though this was becoming to me a very well known “thing” that more and more people were talking about, I never asked too much about it nor researched. I knew I would like to do it eventually, in the near future, and wanted to be surprised somehow. I can’t tell why, but if there’s anything that can potentially challenge myself and make me grow as a person and see things from another perspective, I’m on board sooner or later. From the feedback I got, some people liked the experience, others not so much but all of them had learned something from it. I went on and applied for it in Malaysia, however because there were only so many vacancies, I stayed on the waiting list. I ended up not being called and understood that maybe it wasn’t the right time just yet. Instead I figured that maybe was the time for me to give it a go and start meditating without expectations. It would be a good preparation, and less of a shock, for when I would get accepted into a meditation retreat. I did it on-and-off, from five to ten minutes maximum.

One year and a half later I was in Spain doing Vipassana.

Vipassana, which means “to see things as they really are”, is an ancient meditation technique rediscovered by Buddha more than 2500 years ago. It focus on the interconnection between mind and body through self-observation and is teached by S.N. Goenka. This retreats are available worldwide and are donation based to be accessible to everyone.

The first paragraph of this article relates how it all started. I knew that in order to meditate I would be sitting for several hours – about 10h or 11h (with small breaks in between). What I didn’t know, because had not experienced it yet, was how uncomfortable you can get after a couple hours sitting in the same position. Everything hurts on a physical level, you feel itchiness and want to scratch your head, a fly lands on your nose. And you try to focus on the technique and try not to move. Vipassana teaches you equanimity, which is to observe those sensations and not react to them. It’s not easy by any means but it is achievable (even if for brief moments). I learned not only on a physical level that that is possible, but most importantly on a mental level. Anything that happens in your life, good or bad, will pass just like the itchiness in your head does.

Being in silence 24/7 was the best part for me. I couldn’t gossip (a big flaw of mine), meaningless chit-chat didn’t happen, groups didn’t form. Each individual was focused on themselves. Males and females had two different access routes, dorms, canteens and never crossed paths to avoid distractions.  

On the second day of the retreat was my 30th birthday. I obviously didn’t have access to my cell phone and Wi-Fi to receive birthday messages. But during that day, a rainy day, I never stop thinking about the people that I love and love me back. Including those that I miss dearly and are in another dimension but, I believe, are still in my life. A massive rainbow in the sky smiled at me among the clouds and made my day. Such a simple thing that we don’t do justice to in our day-to-day busy lives but was huge to me in this context.

Everyday in the retreat is basically the same, you even create your own routine. What changes is the level of difficulty that the technique demands every single day. And you start to change as well. It’s a long time spent with yourself, your thoughts, in your head.

After an experience like this, I wish everybody could try it once in life. It’s so uncomfortable to be with our own self for such a long period of time. However, in opposite to what I used to think, I believe that meditation is for everybody. In order to meditate you don’t need to go to a retreat, you don’t need to research and you don’t even need to be sitting with closed eyes. Today I go for long walks to meditate, I wash my dishes or cook in a meditative state. What it means to meditate can vary depending on the technique but there’s not even a need to follow a specific technique. You can simply be present and with every single thought that appears in your mind, you accept it and lay it aside. If another thought comes up, you do the same – you let it aside. And so on and so on. Just by trying to do so, you are already meditating.

Do you practice or have you practiced any kind of meditation? If not, why? Did this article made you at least a little bit curious about meditation or Vipassana?

I leave you with some very interesting scientific data about meditation and some of the effects it can have on your lifestyle and mental health:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Um estado de espirito meditativo (PT)
Imagina-te numa sala cheia de pessoas. Cerca de 120 pessoas. Os homens estão sentados do lado esquerdo da sala e as mulheres do lado direito, formando filas. À frente estão dois mestres – a Mestra está sentada de frente para as filas femininas e o Mestre em frente às filas masculinas.

Há almofadas empilhadas por baixo do rabo de cada indivíduo para que a posição sentada com as pernas cruzadas sejam mais tolerável. Há silêncio. Tanto silêncio que não tens que fazer nenhum esforço para ouvir a respiração da pessoa ao teu lado, o barulho da chuva miudinha lá fora ou os estômagos cantantes de outras pessoas. Todos tem os olhos fechados. Tu fechas os teus olhos também. A viajem começa.

Eu tinha pesquisado sobre meditação, tinha visto alguns vídeos, fiz download de uma app. No entanto não entendia bem o que era de facto a meditação. Só sabia que era suposto dar paz de espírito, fazer-nos estar mais presentes, reduzir stress e depressão, etc. assim como mostram muitos artigos de estudos feitos. Algo tão simples como fechar os olhos, estar sentado numa posição confortável e deixar de lado os pensamentos era demasiado difícil. Por vezes sentia-me frustrada porque nada parecia acontecer. Tinha lido tantos testemunhos de pessoas que mudaram as suas vidas após começarem a praticar meditação regularmente, ou começaram a notar que conseguiam meditar cada mais e mais tempo a cada semana. Algumas pessoas diziam até que tinham conseguido contactar outras entidades durante a meditação. Eu tinha altas expectativas por saber destas histórias de sucesso e já começava a achar que talvez não estivesse a resultar comigo. Talvez meditação não fosse para toda a gente. Mesmo assim não desisti.

Em 2016, ainda a viver em Amesterdão, fui a uma aula de introdução à meditação “Mindfulness”. Talvez o que eu precisava era de alguma orientação para perceber finalmente como é que isto funcionava. Lembro-me que no final da aula, que durou uma hora, a professora mencionou que recentemente tinha estado a fazer um retiro de silêncio com a duração de dez dias, chamado Vipassana. Eu fiquei pasmada. Era algo tão novo para mim que o meu primeiro pensamento foi: “mas por que raio é que as pessoas querem estar em silêncio e sentadas sem quase se mexerem durante dez dias?”. Isto era um nível muito à frente! Se eu mal conseguia estar sentada, por dez minutos seguidos, sem que milhares de pensamentos me ocorressem na cabeça, não imaginava como era possível fazê-lo por dez dias. Mesmo depois desta aula de introdução à meditação acabei por não praticar com regularidade.

Meses mais tarde, a viajar no Sudeste Asiático, conheci várias pessoas que tinham feito Vipassana ou estavam prestes a fazer. Fiquei com mais curiosidade. Embora para mim isto se tivesse a tornar uma “coisa” conhecida, que cada vez mais pessoas falavam, nunca perguntei muito sobre isso nem fiz muita pesquisa. Sabia que eventualmente gostaria de fazê-lo num futuro próximo e queria surpreender-me de alguma forma. Não sei explicar porquê, mas se houver alguma coisa que me possa desafiar potencialmente, fazer-me crescer como pessoa e ver as coisas de outra perspectiva, eu acabo por querer experimentar mais cedo ou mais tarde. Daquel@s que já tinham feito, ouvi comentários positivos, outros nem tanto, mas tod@s el@s diziam que tinham aprendido alguma coisa. Fui em frente e inscrevi-me no retiro na Malásia mas infelizmente todas as vagas já tinha sido preenchidas e eu fiquei em lista de espera. No fim das contas não fui chamada e percebi que talvez ainda não fosse a hora certa. Em vez disso, pensei que estivesse na hora de dar uma outra oportunidade e começar a meditar sem expectativas. Seria uma boa preparação, e menos chocante, para quando fosse aceite num retiro de meditação. Fi-lo sem grande regularidade, de cinco a dez minutos no máximo.

Um ano e meio depois, estava eu em Espanha a fazer Vipassana.

Vipassana, que significa “ver as coisas como elas realmente são”, é uma técnica de meditação ancestral redescoberta por Buda, há mais de 2500 anos. Foca-se na interconexão entre mente e corpo através de auto-observação e é ensinada por S.N. Goenka. Estes retiros estão disponíveis no mundo inteiro e baseiam-se em doações para seres acessíveis a qualquer pessoa.

O primeiro parágrafo deste artigo relata como tudo começou. Eu sabia que para meditar teria de estar sentada várias horas – cerca de 10h ou 11h (com pequenas pausas). O que eu não sabia, porque nunca tinha experienciado, era o quão desconfortável te podes sentir umas horas depois de estares sentado na mesma posição. Tudo dói a nível físico, sentes comichão e queres coçar a cabeça, uma mosca aterra no teu nariz. E tu tentas-te focar na técnica e tentas não te mexer. Vipassana ensina-te equanimidade, que é o observar essas sensações sem que reajas a elas. Não é fácil de modo nenhum mas é alcançável (nem que seja por breves momentos). Eu aprendi que isto é possível não só a nível físico, mas mais importante, a nível mental. Tudo o que aconteça na tua vida, bom ou mau, vai passar assim como a comichão na cabeça passa.

Estar em silêncio 24 sob 24 horas foi a melhor parte para mim. Não podia fofocar (um grande defeito meu), não se fazia conversa fiada, não se formavam grupos. Cada indivídu@ estava focad@ nel@ mesm@. Homens e mulheres tinham dois caminhos de acesso, cantinas e dormitórios distintos e nunca se cruzavam para evitar distrações.

No segundo dia do retiro era o meu aniversário de 30 anos. Obviamente não tinha acesso ao meu telemóvel nem WI-FI para receber mensagens de parabéns. Mas durante aquele dia, bem chuvoso, nunca parei de ter em mente as pessoas que amo e me amam a mim. Incluindo aquelas de quem tenho tantas saudades e estão noutra dimensão mas que, acredito eu, estão ainda na minha vida. No céu um arco-íris enorme sorriu pra mim por entre as nuvens e fez o meu dia. Uma coisa tão simples à qual não damos muito valor no nosso dia-a-dia atarefado mas que neste contexto teve muito significado.

Todos os dias no retiro são basicamente iguais, até crias a tua própria rotina. O que se altera é o nível de dificuldade que a técnica demanda a cada dia. E tu começas a mudar também. É muito o tempo que passas contigo mesmo, os teus pensamentos, dentro da tua cabeça.

Depois de uma experiência destas, gostava que todas as pessoas pudessem experimentá-la uma vez na vida. É tão desconfortável estarmos connosco próprios por um longo período de tempo. Ainda assim, contrariando o que eu costumava pensar, acredito que a meditação é sim para toda a gente. Para meditares não precisas de fazer um retiro, não precisas de pesquisar sobre isso e nem precisas de te sentar de olhos fechados. Hoje faço caminhadas longas para meditar, lavou a loiça ou cozinho num estado meditativo. O tipo de meditação pode variar consoante a técnica utilizada mas nem sequer é necessário seguir uma técnica específica. Podes estar simplesmente presente e a cada pensamento que apareça na tua mente, tu aceita-o e deixa-o ir. Se outro pensamento vier fazes o mesmo – deixa-o ir. E assim por diante. Só pelo facto de tentares fazê-lo, já estás a meditar.

Praticas ou já praticaste algum tipo de meditação? Se não, porquê? Este artigo deixou-te um pouco mais curios@ sobre a meditação ou sobre Vipassana?

Deixo-te com os seguintes artigos científicas, muito interessantes acerca da meditação e alguns dos seus efeitos a nível de estilo de vida e saúde mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Un estado de espíritu meditativo (ES)

Imagínate en una sala llena de gente. Cerca de 120 personas. Los hombres están sentados en el lado izquierdo de la sala y las mujeres del lado derecho, formando filas. Delante están dos maestros – la Maestra está sentada frente a las filas femeninas y el Maestro frente a las filas masculinas.

Hay cojines apilados debajo del culo de cada individu@ para que la posición sentada con las piernas cruzadas sea más tolerable. Hay silencio. Tanto silencio que no tienes que hacer ningún esfuerzo para oír la respiración de la persona a tu lado, el ruido de la lluvia en el exterior o los estómagos cantantes de otras personas. Todos tienen los ojos cerrados. Tú cierras tus ojos también. El viaje comienza.

Yo había investigado acerca de la meditación, había visto algunos vídeos, descargué una aplicación. Sin embargo, no entendía bien lo que era de hecho la meditación. Sólo sabía que se suponía dar paz de espíritu, hacernos estar más presentes, reducir el estrés y la depresión, etc. así como muestran muchos artículos de estudios hechos. Algo tan simple como cerrar los ojos, estar sentado en una posición cómoda y dejar de lado los pensamientos era demasiado difícil. A veces me sentía frustrada porque nada parecía suceder. Había leído tantos testimonios de personas que cambiaron sus vidas después de comenzar a practicar meditación regularmente, o empezaron a notar que podían meditar cada vez más cada semana. Algunas personas decían hasta que habían logrado contactar a otras entidades durante la meditación. Yo tenía altas expectativas por saber de estas historias de éxito y ya empezaba a pensar que quizás no resultara conmigo. Quizás la meditación no era para todo el mundo. Sin embargo, no desisti.

En 2016, aún viviendo en Amsterdam, fui a una clase de introducción a la meditación “Mindfulness”. Quizás lo que necesitaba era de alguna orientación para percibir finalmente cómo funcionaba. Recuerdo que al final de la clase, que duró una hora, la profesora mencionó que recientemente había hecho un retiro de silencio con la duración de diez días, llamado Vipassana. Me quedé pasmada. Era algo tan nuevo para mí que mi primer pensamiento fue: “¿pero por qué es que la gente quiere estar en silencio y sentada sin moverse durante diez días?”. ¡Esto era un nivel muy por delante! Si yo apenas podía estar sentada por diez minutos seguidos, sin que miles de pensamientos me ocurrieran en la cabeza, no imaginaba cómo era posible hacerlo por diez días. Incluso después de esta clase de introducción a la meditación después terminé por no practicar con regularidad.

Meses más tarde, viajando en el Sudeste Asiático, conocí a varias personas que habían hecho Vipassana o estaban a punto de hacerlo. Me quedé con más curiosidad. Aunque para mí, esto se convirtió en una “cosa” conocida, de la que cada vez más personas hablaban, nunca pregunté mucho sobre ello ni hice mucha investigación. Sabía que eventualmente quisiera hacerlo en un futuro próximo y quería sorprenderme de alguna manera. No sé explicar por qué, pero si hay algo que me pueda desafiar potencialmente, hacerme crecer como persona y ver las cosas desde otra perspectiva, lo probaré tarde o temprano. De l@s que ya lo habían hecho, oí algunos comentarios positivos, otros no tanto, pero tod@s el@s decían que habían aprendido algo. Fui adelante y me inscribí en un retiro en Malasia pero desafortunadamente todas las vacantes ya habían sido llenadas y me quedé en lista de espera. Al final de cuentas no me llamaron y me di cuenta de que quizás no fuera el momento ideal. En vez de eso, pensé que era  la hora de darle otra oportunidad y empezar a meditar sin expectativas. Sería una buena preparación, y menos drástica, para cuando fuera aceptada en un retiro de meditación. Lo hice sin gran regularidad, entre cinco a diez minutos como máximo.

Un año y medio después yo estaba en España haciendo Vipassana.

Vipassana, que significa “ver las cosas como realmente son”, es una técnica de meditación ancestral redescubierta por Buda, hace más de 2500 años. Se centra en la interconexión entre la mente y el cuerpo a través de la auto-observación y es enseñada por S.N. Goenka. Estos retiros están disponibles en todo el mundo y se basan en donaciones para ser accesibles a cualquier persona.

El primer párrafo de este artículo relata cómo empezó todo. Sabía que para meditar tendría que estar sentada varias horas – alrededor de 10h o 11h (con pequeñas pausas). Lo que no sabía, porque nunca había experimentado, era lo incómodo que te puedes sentir después de estar sentado en la misma posición al largo de algunas horas. Todo duele a nivel físico, sientes picor y quieres rascarte la cabeza, una mosca aterriza en tu nariz. Y tú te intentas enfocar en la técnica e intentas no moverte. Vipassana te enseña ecuanimidad, que es el observar esas sensaciones sin reaccionar a ellas. No es fácil pero es alcanzable (ni que sea por breves momentos). He aprendido que esto es posible no sólo a nivel físico, sino también a nivel mental. Todo lo que suceda en tu vida, bueno o malo, pasará así como pasó aquel picor en la cabeza.

Estar en silencio todo aquel tiempo fue la mejor parte para mí. No podía marujear (un gran defecto mío), no se charlava, no se formaban grupos. Cada individu@ estaba enfocado en si mism@. Hombres y mujeres tenían dos caminos de acceso diferentes, cantinas y dormitorios distintos y nunca se cruzaban para evitar distracciones.

En el segundo día del retiro era mi 30º cumpleaños. Obviamente no tenía acceso a mi teléfono móvil ni al WI-FI para recibir mensajes de felicitaciones. Pero durante ese día, bien lluvioso, nunca dejé de tener en mente a las personas que amo y me aman a mí. Incluyendo aquellas que echo mucho de menos y están en otra dimensión pero que, creo yo, todavía están en mi vida. En el cielo un arco iris enorme me sonrió por entre las nubes e hizo mi día. Una cosa tan simple a la que no daría mucho valor en mi día a día en este contexto tuvo mucho significado.

Todos los días en el retiro son básicamente iguales, hasta creas tu propia rutina. Lo que se altera es el nivel de dificultad que la técnica demanda cada día. Y tú empiezas a cambiar también. Es mucho el tiempo que pasas contigo mismo, tus pensamientos, dentro de tu cabeza.

Después de una experiencia de estas, me gustaba que todas las personas pudieran experimentarlo una vez en la vida. Es muy incómodo estar con nosotros mismos por un largo período de tiempo. Sin embargo, contrariando lo que yo solía pensar, creo que la meditación es para todo el mundo. Para meditar no necesitas hacer un retiro, no necesitas investigar sobre ello y no necesitas sentarte con los ojos cerrados. Hoy hago caminatas largas para meditar, friego las vajillas o cocino en un estado meditativo. El tipo de meditación puede variar según la técnica utilizada, pero ni siquiera es necesario seguir una técnica específica. Podrás estar simplemente presente y aceptar cada pensamiento que aparezca en tu mente y dejándolo irse. Si otro pensamiento viene haces lo mismo lo dejar irse. Sólo por el hecho de intentar hacerlo, ya estás meditando.

¿Practicas o has practicado algún tipo de meditación? Si no, ¿por qué? Este artículo te dejó un poco más curios@ sobre la meditación o sobre el Vipassana?

Te dejo con los siguientes artículos científicos, muy interesantes acerca de la meditación y algunos de sus efectos a nivel de estilo de vida y salud mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

Being happy while feeling sad

Being happy while feeling sad (EN)

Ser feliz estando triste (ES)

Ser feliz estando triste (PT)

Desde há bastante tempo que a psicologia e a neurociência tentam desvendar os segredos das emoções humanas. Há estudos que apontam para o facto de haver um número reduzido de emoções primárias ou básicas e muitos investigadores (como Turner e Plutchik) pensam inclusivamente que as emoções tiveram um papel muito importante na evolução da nossa espécie. Contudo não existe ainda um consenso geral sobre estes temas. Alguns estudos apontam para vários leques de emoções básicas que variam entre quatro a dez emoções diferentes.

Daquilo que li e aprendi estou bastante confortável com a ideia de que há quatro emoções principais: alegria, tristeza, medo e ira. Acredito que todas as outras emoções mais complexas partam dessas quatro e que nelas podemos encontrar a chave para compreender os nossos estados emocionais.

Muitas vezes estamos tomados por uma dessas emoções sem darmos por isso. Há pouco tempo a Tico escreveu sobre o ciúme e sobre como num momento da sua vida não tinha controlo sobre esse sentimento. Os sentimentos são interpretações conscientes das emoções. O ciúme não é mais que uma interpretação do medo de que a pessoa de quem gostas goste mais de uma terceira pessoa do que de ti.

Infelizmente muitos de nós aprendemos desde cedo a suprimir as nossas emoções mais básicas. Há relativamente pouco tempo, através de muita auto-análise e com alguma ajuda exterior, descobri que tenho uma tendência muito forte para suprimir a tristeza. Essa tendência tem várias razões sendo uma delas o exemplo (ou a falta dele).

Como com todas as outras ferramentas básicas para viver, aprendemos a gerir e controlar as nossas emoções de pequenos e através do exemplo. Não me lembro de ver a minha mãe triste nunca, exceptuando pelo falecimento de entes queridos. A minha mãe era uma mulher trabalhadora, divorciada e com duas filhas para criar. Acho que era um mecanismo de defesa e preservação que ela tinha, uma maneira de se mostrar a ela e aos outros como “forte”. Ela transformava toda a tristeza que pudesse sentir em ira. E mesmo o medo estava sempre um pouco disfarçado de ira, por isso só me lembro dela alegre ou zangada. Na realidade também só vi o meu pai triste uma ou duas vezes embora o tenha visto alegre e zangado muitas mais.

Lamentavelmente a tristeza (assim como o medo) é tida como sinónimo de fraqueza na nossa sociedade e eu, mesmo sabendo que isso não é verdade (que de facto saber lidar com a tristeza e com o medo são sinais de força e maturidade), tenho também tendência para suprimir essa emoção. Assim como fazia a minha mãe, quando um acontecimento me provoca tristeza eu “reciclo” imediatamente a emoção e transformo-a em ira. Não de forma consciente, como disse só há bem pouco tempo me apercebi disto.

Uma das coisas que me fez constatar esta minha dificuldade para lidar com a tristeza foi conhecer uma pessoa que tinha suprimido a ira durante grande parte da sua vida. Esta pessoa tinha nascido numa família bastante diferente da minha, onde o que estava mal visto era exprimir fúria, raiva ou indignação, onde ninguém gritava nem se zangava nunca.

Há pessoas que suprimem as suas emoções de alegria porque cresceram ou vivem em contextos onde estar alegre não parece estar correcto e muitas outras suprimem o medo porque acham que exprimir essa emoção as faz parecer menos corajosas. O que é um facto é que suprimir as emoções cria problemas e desequilíbrios emocionais.

Em muita da bibliografia disponível sobre a questão das emoções básicas “alegria” e “felicidade” são utilizadas como sinónimo e aí é onde eu ouso discordar. Na minha opinião a alegria é sim uma emoção, ou seja um conjunto de reacções físicas e psíquicas que são desencadeadas por um acontecimento (que pode ser interior como uma memória ou exterior como uma discussão). Não considero que a felicidade seja uma emoção mas um estado ou um modo de ser e estar na vida.

Como tal creio que se pode ser feliz e ter momentos tristes ou ser infeliz e estar às vezes alegre pois esses conceitos não são opostos e não se impossibilitam entre si. Para mim a felicidade tem que ver com estar em paz, com um contentamento constante e com aceitar a vida que se desenrola à nossa frente. Por sua vez a alegria está relacionada com divertimento, animação, entusiasmo ou graça.

No meu primeiro artigo falo rapidamente do episódio em que finalmente chorei a morte da minha mãe. Não foi logo a seguir a ela falecer mas sim uns anos depois durante o funeral da mãe de uma grande amiga. Nesse momento sentia-me profundamente triste, pela minha amiga e pela sua irmã (porque sabia bem pelo que elas estavam a passar), pela avó dela (que chorava e gritava de dor, a pobre senhora) e por mim (finalmente não consegui mais aguentar o dique que segurava toda aquela tristeza que guardava dentro). Mas ao mesmo tempo sentia-me em paz, sabia que a minha amiga e a sua família iam ultrapassar a dor, sabia que os finais trazem novos começos, e senti um grande alívio por finalmente deixar aquela tristeza sair cá para fora. Soube que continuava a ser uma pessoa feliz, talvez até mais feliz que antes.

Uma das maiores descobertas dos últimos tempos para mim foi perceber que, para ser mais feliz, uma das coisas na qual tenho que trabalhar é permitir-me mais tristeza. Parece uma contradição, mas não o é. Sei que tenho ainda bastante trabalho pela frente porque continuo a ter bastante dificuldade em lidar com a tristeza mas acho que com afinco lá chegarei mais tarde ou mais cedo.

E tu, tens o hábito de suprimir alguma das quatro emoções básicas ou achas que lidas bem com todas elas? Pensa se há alguma emoção que te faz sentir especialmente desconfortável, se há alguma emoção da qual tendes a fugir. Ou até se, como eu, tens tendência para processar essa emoção transformando-a noutra. Também pensas que a felicidade é algo mais que uma emoção momentânea como a alegria? Ou achas que ambas são o mesmo? Alguma vez te sentiste triste e ao mesmo tempo estavas feliz? Como sempre gostava de saber a tua opinião sobre este assunto.


Being happy while feeling sad. (EN)

Since a long time ago that psychology and neuroscience try to unravel the secrets behind human emotions. There are studies that point to the existence of a small number of primary or basic emotions and many researchers (like Turner and Plutchik) think furthermore that emotions had an important role in our species evolution. However, there are no common ground just yet regarding those topics. Some studies point to various ranges of basic emotions that vary between four and ten different emotions.

From what I have read i’m very keen with the four main emotions idea: joy, sadness, fear and anger. I believe that the remaining, more complex emotions are generated from those four and within them we can find the key to comprehend our emotional states.

Many times we are undertaken by one of those emotions without realising it. Recently, Tico wrote about jealousy and how she lost control of that feeling in a period of her life. Feelings are conscious interpretations of emotions. Jealousy is nothing more than fearing that the people you like like someone else more than they like you.

Unfortunately many of us learn since early age to suppress our most basic emotions. Not long ago, through lots of self-analysis and some external help, I found out that I’m very prone to suppress sadness. That tendency has many reasons, being one of them the example (or the lack of it).

Just like all other basic survival tools, we learn to manage and control our emotions since early age and by example. I don’t recall ever seeing my mother sad, except when loved ones died. My mother had a 9 to 5 job, was divorced and raising two daughters. I guess it was her defence mechanism, a way of showing herself and to others that she was strong. She transformed all the sadness into anger. Even her fear was always a bit concealed by anger, therefore I can only remember of her as joyful or angry. In fact I also saw my father sad only once or twice, although I have seen him joyful or angry more often.

Unfortunately, sadness (just like fear) is seen as synonym of weakness in our society and despite knowing that that isn’t true (in fact dealing with fear and sadness mean strength and maturity), I also have the tendency to suppress that emotion. Just like my mother used to do, when some event causes me sadness, I immediately “recycle” that emotion and transform it into anger, without being aware of that. I realised that not long ago, as said previously.

One thing that made me recognise this struggle of mine to deal with sadness was meeting someone that had suppressed their anger during most part of their life. This person was born into a much different family to mine, in which what was frowned upon was to express fury, rage or indignation, where no one ever screamed nor got upset.

There are people who suppress their emotions with joy because they have grown up or lived in certain contexts where being joyful doesn’t seem to be proper and many others suppress the fear because they think that expressing this emotion makes them seem less brave. What in fact happens is that suppressing emotions creates problems and emotional imbalances.

In many available bibliography on basic emotions, “joy” and “happiness” are used as synonyms and there’s where I venture to disagree. In my opinion joy is an emotion, in other words a set of physical and psychic reactions that are triggered by an occurrence (that can be interior just like a memory or exterior such as an argument). I don’t consider happiness an emotion but instead a state or way of being in life.

Consequently I do believe that one can be happy and have sad moments or be unhappy and feel joy at times because those concepts are not opposite and do not preclude one another. To me happiness has to do with being in peace, with a constant satisfaction and to accept life unwinding in from of us. On the other hand, joy is related with fun, excitement or enthusiasm.

In my first article i briefly talked about an episode where I finally mourned my mother’s death. It wasn’t immediately after she died but a few years later, during the funeral of a close friend’s mother. In that moment I felt truly sad, for my friend and her sister (because I knew exactly what they where going through), for her grandmother (which cried of pain, the poor lady) and for me (I could not bare any longer the dam that was holding on so much sadness inside). But at the same time I felt peace, I knew that my friend and her family would overcome the pain, I knew that ends bring new beginnings, and felt a huge relief by letting out all of that sadness. I learned that I kept being a happy person, maybe even happier than before.

A huge finding of mine in the most recent times was to understand that, in order to be happier, one of the things I need to work on myself is allowing more sadness. It seems like a contradiction, but it isn’t. I know I still have a long way to go because I keep having issues dealing with sadness but think that with diligence I’ll get there sooner or later.

What about you, do you suppress any of those four basic emotions or think you can deal with them all? Think about an emotion that makes you feel uncomfortable or if there is any emotion from which you tend to run away. Question yourself if you tend to transform an emotion into another one just like I do. Do you also think that happiness is something else than a momentary emotion like joy? Or you do you reckon that the two are the exact same? Have you ever felt sad and happy at the same time? As always I would love to know your opinion regarding all of this.


Ser feliz estando triste. (ES)

Desde hace bastante tiempo que la psicología y la neurociencia tratan de resolver los misterios de las emociones humanas. Hay estudios que apuntan al hecho de que hay un número reducido de emociones primarias o básicas, y muchos investigadores (como Turner y Plutchik) piensan incluso que las emociones desempeñaron un papel muy importante en la evolución de nuestra especie. Sin embargo, no existe todavía un consenso general sobre estos temas. Algunos estudios apuntan a varios abanicos de emociones básicas que varían entre cuatro a diez emociones diferentes.

De lo que he leído y aprendido, estoy bastante cómoda con la idea de que hay cuatro emociones principales: alegría, tristeza, miedo y ira. Creo que todas las otras emociones más complejas parten de esas cuatro y que en ellas podemos encontrar la clave para comprender nuestros estados emocionales.

Muchas veces estamos tomados por una de esas emociones sin saberlo. Hace poco, Tico escribió sobre los celos y sobre cómo en un momento de su vida no tenía control sobre ese sentimiento. Los sentimientos son interpretaciones conscientes de las emociones. Los celos no son más que una interpretación del miedo de que a la persona que te gusta, le guste más una tercera persona que tu.

Desafortunadamente muchos de nosotros hemos aprendido desde temprano a suprimir nuestras emociones más básicas. Hace relativamente poco tiempo, a través de mucho autoanálisis y con alguna ayuda exterior, descubrí que tengo una tendencia muy fuerte para suprimir la tristeza. Esta tendencia tiene varias razones siendo una de ellas el ejemplo (o la falta de él).

Como con todas las otras herramientas básicas para vivir, aprendemos a gestionar y controlar nuestras emociones de pequeños y a través del ejemplo. No recuerdo ver a mi madre triste nunca, excepto por el fallecimiento de seres queridos. Mi madre era una mujer trabajadora, divorciada y con dos hijas para crear. Creo que era un mecanismo de defensa y preservación que tenía, una manera de mostrarse a ella ya los demás como “fuerte”. Ella transformaba toda la tristeza que pudiera sentir en ira. Y también el miedo siempre estaba un poco disfrazado de ira en el caso de mi madre. Por esto sólo me acuerdo de ella alegre o enfadada. En realidad también sólo vi a mi padre triste una o dos veces aunque lo he visto alegre y enfadado muchas más.

Lamentablemente la tristeza (así como el miedo) es tenida como sinónimo de debilidad en nuestra sociedad y yo, aunque sabiendo que eso no es verdad (que de hecho saber lidiar con la tristeza y con el miedo son señales de fuerza y madurez), tengo también tendencia a suprimir esa emoción. Así como hacía mi madre, cuando un acontecimiento me provoca tristeza yo “reciclo” inmediatamente la emoción y la transformo en ira. No de forma consciente, como dije sólo hace poco tiempo me di cuenta de esto.

Una de las cosas que me hizo constatar mi dificultad para lidiar con la tristeza fue conocer a una persona que había suprimido la ira durante gran parte de su vida. Esta persona había nacido en una familia bastante diferente de la mía, donde lo que estaba mal visto era expresar furia, rabia o indignación, donde nadie gritaba ni se enfadaba nunca.

Hay personas que suprimen sus emociones de alegría porque crecieron o viven en contextos donde estar alegre no parece correcto y muchas otras suprimen el miedo porque creen que expresar esa emoción las hace parecer menos valientes. Lo que es un hecho es que suprimir las emociones crea problemas y desequilibrios emocionales.

En mucha de la bibliografía disponible sobre la cuestión de las emociones básicas, “alegría” y “felicidad” se utilizan como sinónimo y ahí es donde yo me opongo a desacuerdo. En mi opinión la alegría sí es una emoción, o sea un conjunto de reacciones físicas y psíquicas que son desencadenadas por un acontecimiento (que puede ser interior como una memoria o exterior como una discusión). Pero no considero que la felicidad sea una emoción sino un estado o un modo de ser y estar en la vida.

Como tal creo que se puede ser feliz y tener momentos tristes o ser infeliz y estar a veces alegre pues esos conceptos no son opuestos y no se impiden entre sí. Para mí la felicidad tiene que ver con estar en paz, con un contentamiento constante y con aceptar la vida que se desarrolla frente a nosotros. A su vez la alegría está relacionada con la diversión, la animación, el entusiasmo o la gracia.

En mi primer artículo hablo rápidamente del episodio en el que finalmente lloré la muerte de mi madre. No fue inmediatamente después de que ella falleciera, sino unos años después durante el funeral de la madre de una gran amiga. En ese momento me sentía profundamente triste, por mi amiga y por su hermana (porque sabía muy bien por lo que estaban pasando), por su abuela (que lloraba y gritaba de dolor, la pobre señora) y por mí (finalmente no pude aguantar más el dique que sostenía toda aquella tristeza que guardaba dentro). Pero al mismo tiempo me sentía en paz, sabía que mi amiga y su familia iban a superar el dolor, sabía que los finales traen nuevos comienzos, y sentí un gran alivio por finalmente dejar que esa tristeza saliera. Supe que seguía siendo una persona feliz, quizás incluso más feliz que antes.

Uno de los mayores descubrimientos de los últimos tiempos para mí fue percibir que para ser más feliz, una de las cosas en las que tengo que trabajar es permitirme más tristeza. Parece una contradicción, pero no lo es. Sé que todavía tengo mucho trabajo por delante porque todavía tengo dificultades para lidiar con la tristeza, pero creo que con ahínco lo lograré más tarde o más temprano.

Y tú, tienes el hábito de suprimir alguna de las cuatro emociones básicas o crees que leídas bien con todas ellas? Piensa si hay alguna emoción que te hace sentir especialmente incómodo, si hay alguna emoción de la que sueles huir. O incluso si, como yo, tienes tendencia para procesar esa emoción transformándola en otra. También piensas que la felicidad es algo más que una emoción momentánea como la alegría? ¿O crees que ambas son lo mismo? ¿Alguna vez te sentiste triste mientras estando feliz? Como siempre quiero saber tu opinión sobre este asunto.

Believe in those who believe in you

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Cree en los que creen en ti (ES)

Believe in those who believe in you (EN)

After being away from my own country for seven years, I decided to give it a go and come back for unlimited time. Even more, after being away from my own hometown for thirteen years, I decided to give it a go and see what’s here for me.

Some acquaintances, that know that I was living somewhere else, were curious in the beginning to find out what brought me here. Unknown people, that I have been meeting since my arrival, are in awe once I tell them that I just arrived some months ago, after being away living in other countries. It’s odd to be from a place and not knowing street names, where specific supermarkets are located, where do people my age meet for a drink etc. One of these days, I decided to go on (what I thought was a) shortcut and end up being lost through a tangle of streets and alleys. Was fun!

The second most asked question, done in many different ways, since I came back – after the question “Are you already working?” (Work in progress) – is “What are you doing here?”, “How come you decided to come back?”, “What’s here for you in this lethargic place?”.

I get that I’m living in a small city (very subjective), with a population of about 55 thousand, and obviously there’s less to do here than in a capital city or a bigger city. But those questions kind of threw me off a little. Here I was, quite excited to be back, in peace with my city, looking forward to be with my friends and family but for some reason I felt like “yeah, maybe I don’t belong here”. If my compatriots were the ones questioning my return maybe the truth is that there was nothing here for me.

Then I started my business and some people were very sceptical about it, saying that this area (holistic nutrition) was way too advanced for this city’s mentality. Telling me that it would be very difficult to get clients, that people were not opened enough yet to new ideas. However, that was exactly why I came here in a way, because I wanted to “awake” some people and help them with better choices, to live better lives and thrive.  

On the other hand, I had (have) some friends and family that cheer me up and help me with what they can and I’m truly grateful for their support. That gives me way more power than those people who don’t believe in change.

I choose to believe in those who encourage me in doing what I like instead of getting slammed with negative and outdated mentalities.  So I keep going.

By coming back I never intended to stay here forever. I just wanted to try and see how things are here, what has changed, what’s in trend. I also wanted to experience again having a sunny winter, speaking my own language, being close to friends and family, eating local food, having my own garden with fruits and veggies.  Those are the pros of coming back.

Living abroad connected me to people from all over the world; I grew up as a person by struggling and having to do things on my own; speaking a different language (English) became second nature to me; it made me appreciate the warm and sunny days; I became an outdoorsy person; it made me re-evaluate the way I think continually by meeting new realities; I was stimulated culture wise. Those were the pros of living abroad.

I won’t write about the cons of either living abroad or the cons of being back to my home country, as I don’t want to concentrate on the negative points. Instead I would like to encourage those who have plans to start something new or change something in their lives, to go ahead and focus on what makes them happy. More, surround yourself with the people that love you, encourage you and support you instead with those who don’t believe in your success. Your success will be a way of honouring and thanking those that had your back. And hopefully it will encourage them to pursue their goals too.

 

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Depois de estar fora do meu país por sete anos, decidi dar uma oportunidade e voltar por tempo indeterminado. Mais ainda, depois de estar fora da cidade onde nasci por treze anos, decidi dar-lhe uma oportunidade e ver o que há aqui para mim.

Alguns conhecidos, que sabiam que eu tinha vivido fora do país, estavam curiosos no início para saberem o que me trazia aqui. Desconhecidos, com quem privei ao longo destes meses, ficaram estupefactos quando lhes disse que estava a viver fora mas que agora tinha decidido voltar. É estranho ser-se de um sítio e não se saber o nome das ruas, onde ficam certas lojas, onde é que as pessoas da minha idade se encontram para tomar uma bebida etc. Um dia destes, decidi enveredar por o que pensava ser um corta-mato e acabei perdida por ruas e ruelas. Foi engraçado!

A segunda pergunta que mais me fazem desde que cheguei, logo atrás da pergunta “Já arranjaste trabalho?” (Trabalho em curso) é feita de formas diferentes – “O que vieste aqui fazer?”, “Por que motivos decidiste voltar?”, “O que vieste fazer à pasmaceira desta cidade?”.

Compreendo que estou a viver numa cidade pequena (muito subjectivo), com 55 mil habitantes, e obviamente há menos para se fazer aqui do que numa capital ou cidade grande. Mas aquelas perguntas desanimaram-me um pouco. Aqui estava eu, toda animada por estar de volta, em paz com a minha cidade, desejosa de estar com os meus amigos e família mas por alguma razão senti que “bom, talvez eu afinal não pertença aqui”. Se os meus conterrâneos questionavam o meu regresso, talvez não houvesse mesmo nada aqui para mim.

Entretanto comecei o meu negócio e algumas pessoas mostravam-se muito sépticas quanto a isso, diziam que a minha área (nutrição holística) era muito “à frente” para a mentalidade desta cidade. Diziam que seria muito difícil arranjar clientes pois as pessoas não estão ainda abertas a ideias novas. No entanto, era essa uma das razões pela qual eu tinha decidido voltar, porque queria ajudar as pessoas a “despertar” e a fazerem melhores escolhas alimentares para que tivessem uma vida melhor a todos os níveis.

Por outro lado, tinha (e tenho) alguns amigos e familiares que me animam e ajudam como podem e eu estou verdadeiramente grata pelo seu apoio. Isso dá-me muito mais força do que aqueles que não acreditam em mudanças.

Eu escolho acreditar naqueles que me encorajam a fazer o que eu gosto do que nos outros que têm mentalidades retrógradas e negativas. Então continuo em frente.

Voltar para mim nunca significou ficar aqui para sempre. Eu só queria tentar e ver como as coisas estão por aqui, o que mudou, o que está na moda. Queria também lembrar-me do que era um Inverno solarengo, falar a minha língua materna, estar perto de amigos de longa data e familiares, comer coisas locais, ter o meu jardim com frutas e vegetais. Estes são os prós de ter retornado.

Viver noutros países conectou-me com pessoas do mundo inteiro; cresci como pessoa por ter passado algumas dificuldades sozinha; ajudou-me a poder falar uma segunda língua (Inglês) de forma automática; fez-me dar valor aos dias quentes e ao sol; tornei-me numa pessoa que gosta de fazer actividades na natureza; fez-me reavaliar a forma como penso continuamente por ter conhecido realidades tão diferentes da minha; fui estimulada culturalmente. Estes foram os prós de viver fora.

Não escreverei agora sobre os “contras” de viver no meu país ou fora dele pois não me quero centrar em pontos negativos. Em vez disso quero encorajar aquel@s que têm planos para começar algo de novo ou mudar qualquer coisa nas suas vidas, a irem em frente e focarem-se naquilo que os faz feliz. Mais, rodearem-se daqueles que vos amam, encorajam e dão apoio em vez de estarem com aquel@s que não acreditam no vosso sucesso. O vosso sucesso será uma forma de honrar e agradecer aquel@s que acreditaram em vocês. E talvez el@s própri@s se sintam inspirados a correrem atrás dos seus objectivos.

 

Cree en los que creen en ti (ES)

Después de estar fuera de mi país durante siete años, decidí dar una oportunidad y volver por tiempo indefinido. Más aún, después de estar fuera de la ciudad donde nacía por trece años, decidí darle una oportunidad y ver lo que hay aquí para mí.

Algunos conocidos, que sabían que yo había vivido fuera del país, estaban curiosos al principio para saber lo que me traía aquí. Desconocidos, con quienes prive a lo largo de estos meses, se sorprendieron cuando les dije que había estado fuera y que ahora había decidido volver. Es extraño ser de un sitio y no saber el nombre de las calles, donde están ciertas tiendas, donde las personas de mi edad se encuentran para tomar una copa, etc. Un día de estos, decidí emprender por lo que pensaba ser un camino más corto y acabé perdida por calles y callejuelas. ¡Fue divertido!

La segunda pregunta que más me hacen desde que llegué, justo después de la pregunta “¿Ya tienes trabajo?” (Trabajo en curso) se hace de formas diferentes – “¿Qué has venido a hacer aquí?”, “¿Por qué motivos decidiste volver?”, “¿Porque has vuelto a esta ciudad tan parada?”.

Entiendo que estoy viviendo en una ciudad pequeña (muy subjetivo), con 55 mil habitantes, y obviamente hay menos cosas que hacer aquí que en una capital o ciudad grande. Pero esas preguntas me desanimaron un poco. Aquí estaba yo, toda animada por haber vuelto, en paz con mi ciudad, deseosa de estar con mis amigos y familia, pero por alguna razón sentí que “bueno, tal vez yo no pertenezca aquí”. Si mis compatriotas cuestionaban mi regreso, quizás no hubiera nada aquí para mí.

Después empecé mi propio negocio y algunas personas se mostraban muy sépticas en cuanto a eso, decían que mi área (nutrición holística) estaba muy “por delante” para la mentalidad de esta ciudad. Dijeron que sería muy difícil conseguir clientes porque la gente no está todavía abierta a nuevas ideas. Sin embargo, esa era una de las razones por las que había decidido volver, porque quería ayudar a la gente a “despertar” y hacer mejores elecciones alimentarias para que tuvieran una vida mejor a todos los niveles.

Por otro lado, tenía (y tengo) algunos amigos y familiares que me animan y ayudan como pueden y estoy realmente agradecida por su apoyo. Esto me da mucho más fuerza que los que no creen en los cambios.

Yo elijo creer en aquellos que me animan a hacer lo que me gusta y no en los demás que tienen mentalidades retrógradas y negativas. Entonces sigo adelante.

Volver a mí cuidad nunca significó quedarme aquí para siempre. Sólo quería intentar y ver cómo las cosas están por aquí, lo que cambió, lo que está de moda. Quería también recordarme lo que era un invierno soleado, hablar mi lengua materna, estar cerca de los amigos de siempre y de mi familia, comer platos tradicionales, tener mi huerto con frutas y verduras. Estos son los pros de haber regresado.

Vivir en otros países me conectó con personas de todo el mundo; crecí como persona por haber pasado algunas dificultades sola; me ayudó a poder hablar una segunda lengua (Inglés) de forma automática; me hizo dar valor a los días calientes y al sol; me he converti en una persona que le gusta hacer actividades en la naturaleza; me hizo reevaluar mi forma de pensar continuamente por haber conocido realidades tan diferentes de la mía; me estimuló culturalmente. Estos fueron los pros de vivir fuera.

No escribiré ahora sobre los “contras” de vivir en mi país o fuera de él porque no quiero centrarme en puntos negativos. En vez de eso quiero animar a aquell@s que tienen planes para comenzar algo nuevo o cambiar cualquier cosa en sus vidas, a seguir adelante y enfocarse en lo que les hace felices. Más, os animo a rodearse de aquellos que os quieren, alientan y dan apoyo en vez de estar con aquellos que no creen en vuestro éxito. Vuestro éxito será una forma de honrar y agradecer a los que creyeron en vosotr@s. Y quizás ellos mismos se sientan inspirados a perseguir sus objetivos.

My own #10YearChallenge

My own #10YearChallenge (EN)

Mi propio #10YearChallenge (ES)

O meu próprio #10YearChallenge (PT)

Para as pessoas que estão mais desligadas das redes sociais o “10 Year Challenge” (desafio dos dez anos) é a última tendência viral desses meios. Para participar basta publicar duas fotos lado a lado, uma tirada em 2009 e outra actual (2019).

Esta coisa do #10YearChallenge pôs-me a pensar, não nas diferenças físicas entre a Nico actual de 31 anos e a Nico dez anos mais nova de 2009, mas nas diferenças a nível de estilo de vida e mentalidade. É fácil esquecer quem fomos há dez anos atrás, eu já não me lembro de muitas coisas. Para ajudar na recordação dessa época recorri ao histórico do Facebook, e fui bisbilhotar o que me pareceu ser a vida de outra pessoa, só que era a minha.

Através dessa pesquisa recordei que nessa altura adorava sair à noite com as minhas amigas e amigos. A minha vida era ir à faculdade e sair à noite. Tinha uma vida social super activa com montes de coisas a acontecer, sempre que não estava barricada na Faculdade de Arquitectura numa corrida contra o tempo para acabar algum projecto que tinha deixado para a última (na verdade deixava-os sempre todos). Mas até as noites sem dormir passadas a trabalhar na faculdade eram uma festa. Pelo Facebook percebo também que era bastante mais activa nessa rede social. Todos os dias atualizava o meu status com alguma frase que achava engraçada ou arrojada – ao ler essas frases sinto aqueles arrepios de vergonha alheia (só que é própria) – e fazia montes de comentários nas fotos e status das outras pessoas.  

Em 2009 estava no 1º ano do Mestrado em Design de Moda (mestrado esse que afinal não acabei) e tentava estar no centro do pequeno mundo da moda português o mais que podia, mergulhando de cabeça em todas as oportunidades profissionais que se me apresentassem. Acho que imaginava que em 10 anos estaria a trabalhar como “Senior Designer” nalguma marca de ready-to-wear mais ou menos famosa.  

Nesses tempos demorava mais de uma hora para me arranjar depois de experimentar vários looks e olhar-me ao espelho algumas dezenas de vezes. Dava muito valor à minha imagem, mas principalmente ao que os outros pensavam sobre ela. Sempre me achei naturalmente bonita e para mim o verdadeiro desafio – ao vestir-me, pentear-me, escolher os acessórios e maquilhar-me – sempre foi parecer ousada, fora do comum e ”com estilo”.  E claro parte do desafio era fazer com que tudo aquilo parecesse natural e sem esforço. Na verdade tudo isto me criava muita ansiedade e frustração, porque nem todos os dias conseguia atingir estes objectivos e quando saía de casa a pensar que não estava no “meu melhor” o dia já ia ser uma grande merda. Perdia muito tempo.

Tento lembrar-me de como era a minha saúde naquela época. Ainda tinha muitos dos problemas de saúde que já referi noutros artigos, como as alergias respiratórias, as tonturas matinais e os problemas digestivos. Acho que tinha uma vida pouco sedentária apesar de não ter actividades físicas ligadas ao desporto. Bebia bastante álcool e a minha alimentação era à base de massa, queijo, ovos, carne e pão.

Na verdade não me lembro de muito mais, e tenho mesmo a sensação de serem apenas memórias de uma vida passada. Mas com algum esforço reconheço que não. De facto o que aconteceu foram algumas (bastantes) mudanças no contexto e algum (talvez nem tanto) amadurecimento. Não sei se a Nico de há 10 anos atrás se poderia reconhecer nesta versão actualizada e à primeira vista tão diferente.

Penso que o mais importante neste tipo de reflexão é não nos fixarmos (como acho que a maioria tendemos a fazer) só nas coisas que mudaram para melhor ou para pior, mas tentar perceber o que aprendemos com o passado e o que ele ainda tem para nos ensinar.

Já sabes (se leste alguns artigos anteriores) que me sinto mais em sintonia com o meu corpo e imagem que no passado, e que agradeço todos acontecimentos que me levaram a tomar as rédeas da minha alimentação o que melhorou bastante a minha saúde.

Mas com relação à minha vida social, por exemplo, acho que tenho muito que aprender com a jovem Nico. Hoje em dia mantenho vivas grandes amizades do passado. Essas amizades enchem-me de energia renovada sempre que tenho oportunidade de as reviver, mas esses momentos são escassos. Viver com o suporte de uma rede de amigos próximos fisicamente, com os quais possas estar no dia a dia e com os quais possas contar para ir tomar um café para falar da vida e descontrair, é tão importante para a saúde (mental e física) como ter uma boa alimentação e estar ativo fisicamente. A Nico de 21 anos não gostava nada de estar sozinha, começo a achar que a Nico de 31 gosta demasiado.

Esta reflexão fez-me chegar à conclusão de que tenho que fazer um esforço para alimentar novas amizades, com pessoas que estejam mais perto e que tenham interesses comuns.

Com relação à minha vida profissional tenho que refletir mais um pouco. Tenho a sensação que também ainda há algo que a Nico universitária me poderia ensinar.

Como eras há dez anos atrás? O que consegues lembrar dessa época? O que achas que podias ensinar à tua versão mais jovem? O que é que ela te pode ensinar a ti?


 

My own #10YearChallenge (EN)

To those people that are not familiar with the “10 Year Challenge”, it’s the last trend on social media. To take part, you only need to post two pictures side by side, one being from 2009 and a current one (from 2019).

This #10YearChallenge thing made me think, not so much about the physical differences between the 31 years old Nico and the ten years younger version, but rather the differences concerning lifestyle and mentality. It’s easy to forget who we were ten years ago, I cannot remember many things. To better recall that period I consulted Facebook’s history and took a snoop to what seemed to me the life of another person, but was actually my own.

Through that research, I recalled that at that time I used to love going out at night to party with my friends. My life was all about going to the University and going out at night. When I was not barricaded at the Faculty of Architecture in a race against time to finish some project that wasn’t done till the last moment (in fact I left them all to the last moment), I had a very sociable life, with lots going on. Even the nights that I didn’t get any sleep, because I was working, where fun. Through Facebook I can also see that I was very active in this networking website. I used to update my status on daily basis with some sort of sentence that I found funny or bold – while reading those sentences I feel quite a second hand embarrassment (but in fact a first hand) – and used to comment pictures and status from other people.

In 2009 I was in the first year of my Master in Fashion Design (a master that I never got to conclude) and was trying to be as much as possible in the hub of the Portuguese fashion scene, taking the plunge in every professional opportunity. I think I pictured myself working, 10 years from then, as a “Senior Designer” in some more or less famous ready-to-wear brand.

Back then, I used to take more than an hour to get ready after trying out various outfits and look at my reflection in the mirror dozens of times. I used to value my image so much, but mostly what others would think of it. I always thought of me as a pretty girl and to me the true challenge – by dressing, styling my hair, choosing accessories and doing my make up – was to look edgy, unusual and “stylish”. And obviously, part of the challenge was to make as if all of that was effortless and natural. In truth, all of this ended up giving me anxiety and frustration, because not every day I could achieve those goals and when I would leave the house thinking that I wasn’t looking my best, the day was doomed to be a shitty one. I would waste so much time.

Now trying to remember how my health was back then. I still had many of my health issues that I talked about in previous articles, such as breathing allergies, morning dizziness and digestive problems. I guess I didn’t have much of a sedentary lifestyle although I didn’t have any physical activity related to sports. I used to drink tons of alcoholic beverages and my meals consisted mainly of pasta, cheese, eggs, meat and bread.

In fact I can’t recall much more, and really feel like those are memories from a past life. But with some effort I recognise it wasn’t. What really happened were some (many) changes in the context and some (maybe not so much) maturation. I can’t tell if Nico from 10 years ago could recognise herself in this current version, so different at first sight.

I think that most important in this type of reflexion is not to focus (as I think most of us do) only on those things that changed for the better, or for the worst, but instead to understand what we learned from the past and what it still has to teach us.

You know (if you have read previous articles) that I feel more aligned with my body and self image than I used to feel in the past, and that I’m grateful for all events that led me to take the lead of my nutrition which improved significantly my health.

But when it comes to my social life, for instance, I think I have a lot to learn with the younger Nico. Nowadays I keep alive great past friendships. Those friendships fill me up with renewed energy every time I revive them, but those moments are scarce. Having the support of a network of friends that live close physically, with whom you can be daily and able to count on to go for a stroll and have a coffee to speak about life and chill, is as important to health (mental and physical) just as getting proper nutrition and being physically active. 21 years old Nico didn’t like to be alone, I start to think that the 31 years old Nico likes it way to much.

This reflexion made me come to conclusion that I have to make a better effort to feed new friendships, with like minded people close by.

When it comes to my professional life I have to reflect a little more. I have the feeling that college Nico still has something to teach me about that.

How were you ten years ago? What can you recall from that period? What do you think you could teach your younger version? What can your younger self teach you?


 

Mi propio #10YearChallenge (ES)

Para las personas que están más desconectadas de las redes sociales, el “10 Year Challenge” (desafío de los diez años) es la última tendencia viral de esos medios. Para participar basta publicar dos fotos lado a lado, una hecha en 2009 y otra actual (2019).

Esto del #10YearChallenge me puso a pensar, no en las diferencias físicas entre la Nico actual de 31 años y la Nico diez años más joven de 2009, pero en las diferencias a nivel de estilo de vida y mentalidad. Es fácil olvidar quién un@ fue hace diez años, yo ya no recuerdo muchas cosas. Para ayudar en el recuerdo de esa época recurrí al historial de Facebook, y me puse a husmear lo que me pareció ser la vida de otra persona, pero que era la mía.

A través de esa investigación recordé que en ese momento adoraba salir de fiesta con mis amigas y amigos. Mi vida era ir a la universidad y salir por la noche. En el caso de que no estuviera en la Facultad de Arquitectura en una carrera contra el tiempo para acabar algún proyecto que había dejado para la última hora (en realidad los dejaba siempre todos). Pero hasta las noches sin dormir pasadas trabajando en la universidad eran una fiesta. Por Facebook percibo también que era bastante más activa en esa red social. Todos los días actualizaba mi status con alguna frase que creía graciosa o arrojada – al leer esas frases siento aquellos escalofríos de vergüenza ajena (sólo que es propia) – y hacía muchos de comentarios en las fotos y status de las otras personas.

En 2009 estaba cursando el primer año (en Portugal los másteres son de dos años) del Máster en Diseño de Moda (que no llegué a terminar) y intentaba estar en el centro del pequeño mundo de la moda portuguesa tanto como podía, aprovechando todas las oportunidades profesionales que surgían. Creo que pensaba que en 10 años estaría trabajando como “Diseñadora Senior” en una marca de ready-to-wear más o menos famosa.

En esos tiempos tardaba más de una hora para arreglarme después de probar varios looks y mirarme al espejo algunas decenas de veces. Daba mucho valor a mi imagen, pero principalmente a lo que los demás pensaban sobre ella. Siempre me vi naturalmente guapa y para mí el verdadero desafío – al vestirme, peinarme, escoger los accesorios y maquillarme – siempre fue parecer audaz, fuera de lo común y con estilo. Y claro parte del reto era hacer que todo aquello pareciera natural y sin esfuerzo. En realidad todo esto me creaba mucha ansiedad y frustración, porque no todos los días conseguía alcanzar estos objetivos y cuando salía de casa pensando que no estaba en “mi mejor” el día ya iba a ser una gran mierda. Perdía mucho tiempo.

Intento recordar cómo era mi salud en aquella época. Todavía tenía muchos de los problemas de salud que ya he mencionado en otros artículos, como las alergias respiratorias, los mareos matutinos y los problemas digestivos. Creo que tenía una vida poco sedentaria a pesar de no tener actividades físicas de deporte. Bebía bastante alcohol y mi alimentación era a base de pasta, queso, huevos, carne y pan.

En realidad no recuerdo mucho más, y tengo la sensación de que esto son memorias de una vida pasada. Pero con algún esfuerzo reconozco que no. De hecho lo que sucedió fueron algunos (bastantes) cambios en el contexto y alguna (tal vez ni tanta) madurez. No sé si la Nico de hace 10 años se podría reconocer en esta versión actualizada y a primera vista tan diferente.

Creo que lo más importante en este tipo de reflexión es no fijarnos (como creo que la mayoría tendemos a hacer) sólo en las cosas que cambiaron para mejor (en el caso de algunas personas) o para peor (en el caso de otras), pero tratar de percibir lo que aprendemos con el pasado y lo que él todavía tiene para enseñarnos.

Ya sabes (si al este algunos artículos anteriores) que me siento ahora más en sintonía con mi cuerpo e imagen que en el pasado, y que agradezco todos los acontecimientos que me llevaron a tomar las riendas de mi alimentación, lo que mejoró bastante mi salud.

Pero con respecto a mi vida social, por ejemplo, creo que tengo mucho que aprender de la joven Nico. Hoy en día mantengo vivas grandes amistades del pasado. Esas amistades me llenan de energía renovada siempre que tengo oportunidad de revivirlas, pero esos momentos son escasos. Vivir con el apoyo de una red de amigos cercanos físicamente, con los que puedas estar en el día a día y con los que puedas contar para ir a tomar un café, para hablar de la vida y relajarte, es tan importante para la salud (mental y física) como tener una buena alimentación y estar activo físicamente. A la Nico de 21 años no le gustaba nada estar sola, empiezo a pensar que a la Nico de 31 años le gusta demasiado.

Esta reflexión me hizo llegar a la conclusión de que tengo que hacer un esfuerzo para alimentar nuevas amistades, con personas que estén más cerca y que cob intereses comunes.

Con respecto a mi vida profesional tengo que reflexionar un poco más. Tengo la sensación de que todavía hay algo que la Nico universitaria me podría enseñar.

¿Cómo eras hace diez años? ¿Qué puedes recordar de esa época? ¿Qué crees que podrías enseñar a tu versión más joven? ¿Qué te puede enseñar ella a ti?

Work in progress

Trabalho em curso (PT)

Trabajo en curso (ES)

Work in progress (EN)

Intro

Every job has its pros and cons. I had six different jobs throughout my life, from working on entertainment shows on TV to cocktail bar back, from handling passengers at the airport to being a clerk in a “9 to 5” job. In fact the latter was the only job that I had with such schedule and it only lasted for a couple months. I’ll get back to this job a little further on.

Peculiar schedules

Having to wake up early was something truly difficult for me since I was a child. My sister was an early bird and as soon as she was up, she would go to the living room to watch cartoons. I would stay in bed till later. In teenage years I would only wake up at noon, as most teenagers, and I recall that it was really hard to wake up to attend morning classes in high school. Later in University years, I got the chance to choose afternoon classes and was able to avoid the upsetting alarm. This made me understand that I was a much happier person with this type of schedule – staying up late, working or watching series and waking up just before noon. I got my projects done much better at night as I felt like the creative part of me was truly awakened. (This changed in most recent years, for some reason, and I’m now a “morning person”).

Playing make believe

Then I got my first “earnest” job. I was fortunate again to be able to choose the schedule and the same happened later on with other jobs – except for the clerk job! That 9 to 5 job was clearly not my cup of tea. As an organized person, the tasks given to me were all done before lunchtime. My boss at the time did not understand how I was able to get the tasks done so quickly and well as the previous clerk had the exact same tasks and complaint of too much work. As there was nothing else for me to do after lunch, I asked my boss if I could go part-time. She denied my proposal because a clerk is supposed to pick up calls and I was encouraged to find a way of keeping myself busy. In other words, my words, I was basically asked to “pretend I was working”. So my job in the afternoon was to “look as if I was busy” and pick up calls every now and then. Calls that everybody else in that office could pick-up. In fact my job was to transfer calls to the right department, meaning that I couldn’t solve any problem from suppliers or clients. This to say that, even though I was offering to get the same job done as a part-timer (and was full aware that I would get a smaller payment), my employer wouldn’t accept it because of a predefined timetable. That’s how formatted the system is. In my mind, I could not comprehend that. I mean, I would rather have less money but more time to do other useful things, than being in that office just because. For me was a waste of my time all along.

Generation gaps

I think that most of the people from my generation, called “Millennials”, don’t put up with this kind of rules. We prefer to do something with meaning, something that gives us some pleasure, something to value our time. Also something that most of the people form the previous generation, our parents generation, doesn’t fully understand. As they are used to work from “9 to 5” their whole lives, with 30+ years of career (sometimes in the exact same office) it’s quite usual for them to think how odd it is to work weekends, to have rotating shifts or to work from home. I don’t mean to criticize this form of thinking as we all have different backgrounds. However, in order for both generations to get along, we need to accept each other’s ways of living. It’s a work in progress.

The comeback

Since I arrived in my hometown, after seven years of living abroad, the most asked questions I have been getting are: “Are you working?”, “Where do you work now?”, “Are you looking for a job?”. When my answer is “Yes, I have a job! I’m a freelancer, working from home and doing what I love.”, people’s reactions are hilarious. They don’t call that a job. Because from their point of view, a job is something you kind of have to do, just so you have a payment every month, even if you don’t like it, and you better comply with it.

How does it work?

Life teached me that our time here is way too short for me to comply with something that I kind of have to do just so others can kind of accept me, understand me or take me seriously. So yes, I work at home, I work from home, I can work all day in my pyjamas. I can also choose not to work for an entire day just like other people do during their days off or weekends. But I probably work more hours than “9 to 5 jobs” because I don’t leave the office and I don’t close the store. I might be on social media because that’s part of my job and most of the times I cannot even differentiate weather if I’m working or if I’m on a break. Because I love what I do and it seems that I’m playing the whole day but that doesn’t mean that I’m not working. In fact if you are a freelancer, you need to be organized, a goal setter, a go-getter and a strong-willed person. You cannot rely on “pretending that you’re working” because that won’t pay your bills.

I can also work from anywhere at anytime, as some of my services can be done via skype, whatsapp and online platforms. Working and being a nomad requires extra effort and discipline, otherwise you won’t get any work done, neither will you enjoy the beautiful landscapes and sunsets outside the window.

Questions for you

Are you the kind of person that only considers a job serious if there’s some distress along the way?  What makes you think that you need to have a job that doesn’t fulfill you? What do you think about jobs that don’t seem like jobs because you can actually have fun working on them? What keeps you from having a job doing something that you like? Do you think that society judges those that do what they love?

Trabalho em curso (PT)

Introdução

Todos os trabalhos têm os seus prós e contras. Eu tive seis trabalhos diferentes ao longo da vida, desde trabalhar em programas de entretenimento na TV a servir cocktails em bares, desde técnica de tráfego aéreo no aeroporto a secretária num trabalho das “9h às 17h”. De facto este trabalho como secretária foi o único que tive como este tipo de horário e durou apenas um par de meses. Voltarei a falar neste trabalho um pouco mais à frente.

Horários peculiares

Ter de acordar cedo foi sempre algo muito difícil para mim desde pequena. A minha irmã era madrugadora e assim que acordava, ia para a sala de estar para ver desenhos-animados. Eu gostava de ficar na cama até mais tarde. Na adolescência acordava à hora de almoço, assim como muitas adolescentes, e recordo-me que era realmente difícil para mim ter de acordar cedo para estar presente nas aulas da manhã no Secundário. Depois, já na Universidade, tive a oportunidade de escolher as aulas da tarde, evitando assim aquele despertador ingrato. Isso fez com que eu percebesse que era uma pessoa mais feliz com este tipo de horário – estar acordada até tarde, a trabalhar ou ver séries e acordar quase às 12h. Os meus projectos faziam-se muito melhor à noite quando eu sentia que a minha parte criativa estava verdadeiramente desperta. (Isto alterou-se mais recentemente, por alguma razão, e sou agora uma “pessoa matinal”).

Brincar ao faz-de-conta

Depois tive o meu primeiro “trabalho a sério”. Tive novamente a sorte de poder escolher o meu horário e o mesmo aconteceu com trabalhos que se seguiram – excepto o tal trabalho de secretária! Esse trabalho das 9h às 17h não era de todo “a minha praia”. Como sou bastante organizada, as tarefas que me eram dadas no início da jornada ficavam facilmente concluídas até à hora de almoço. A minha chefe não compreendia como era possível que eu completasse as tarefas tão rapidamente quando a secretária anterior se queixava frequentemente de demasiado trabalho. Por não ter mais nada que fazer depois de almoço, sugeri à minha chefe fazer o trabalho em part-time. Ela recusou essa proposta, porque uma secretária supostamente deve também atender telefonemas, e fui encorajada a arranjar forma de me ocupar. Por outras palavras, as minhas palavras, fui basicamente incentivada a “fazer-de-conta” que trabalhava. Então o meu trabalho na parte da tarde era parecer que estava ocupada e atender chamadas de vez em quando. Chamadas essas que qualquer pessoa naquele escritório poderia atender. Na verdade o meu trabalho era transferir chamadas para o departamento adequado, o que quer dizer que eu nem sequer poderia resolver nenhum problema com fornecedores ou clientes. Isto para dizer que, mesmo estando eu a oferecer fazer o mesmo trabalho mas a tempo parcial (e aceitando que o pagamento seria mais baixo), o meu empregador não queria aceitar por causa de um horário estipulado. O sistema é assim: formatado. Na minha cabeça eu não compreendia aquilo. Eu preferia ganhar menos dinheiro mas ter mais tempo para fazer outras coisas úteis, do que estar ali naquele escritório só porque sim. Era uma perca de tempo no fim das contas.

Diferenças entre gerações

Julgo que a maior parte das pessoas da minha geração, designada por “Millennials”, não atura estas regras. Preferimos fazer algo mais substancial, algo que nos dê mais prazer, algo que valorize o nosso tempo. Também algo que a maior parte das pessoas das gerações anteriores, como a geração dos nossos pais, não compreendem bem. Como estão habituados a trabalhar “das 9h às 17h” a vida toda, com trinta ou mais anos de carreira (às vezes no mesmíssimo escritório) é normal que achem estranho que se trabalhe durante fins-de-semana, ter horários rotativos or trabalhar a partir casa. Eu não escrevo com o intuito de criticar essa forma de pensar pois todos temos diferentes procedências. Ainda assim, para que as duas gerações se consigam entender, temos que aceitar a forma de viver de cada um. É um trabalho em curso.

O regresso

Desde que regressei à minha cidade natal, depois de sete anos a viver no estrangeiro, as perguntas que mais me fazem são: “Já estás a trabalhar?”, “Onde trabalhas agora?”, “Estás à procura de trabalho?”. Quando a minha resposta é “Sim, eu trabalho! Sou trabalhadora independente, trabalho a partir de casa e adoro o que faço.”, a reacção das pessoas é hilariante. Elas não acham que isso seja um trabalho. Porque, do ponto de vista delas, um trabalho é algo que tu tens de fazer para que um salário te caia na conta todos os meses, mesmo que não gostes do que fazes, e é bom que te conformes com isso.

Como é que isso funciona?

A vida ensinou-me que o nosso tempo aqui é curto demais para eu me conformar com algo que eu tenho que fazer, para que os outros me possam aceitar, compreender ou levar a sério. Então sim, eu trabalho em casa, eu trabalho a partir de casa, eu posso trabalhar o dia todo de pijama. Também me posso dar ao luxo de não trabalhar um dia inteiro assim como as outras pessoas fazem durante as suas folgas ou fins-de-semana. Eu provavelmente até trabalho mais horas do que se estivesse num trabalho das “9h às 17h” porque eu não me vou embora do escritório e não fecho a loja ao final do dia. Posso estar muito nas redes sociais porque isso faz parte do meu trabalho e a maior parte das vezes nem eu consigo perceber se estou a trabalhar ou numa pausa. Porque eu adoro o que faço pode parecer que eu estou a brincar o dia todo, mas isso não significa que não esteja a trabalhar. Na verdade se fores um@ trabalhad@r independente, precisas de ser organizad@, ter objectivos, batalhar e ter força de vontade. Não podes “encostar-te” à ideia de fazer-de-conta que estás a trabalhar porque isso não te irá pagar as contas.

Também posso trabalhar de onde quiser ás horas que quiser pois alguns dos meus serviços podem ser proporcionados por skype, WhatsApp ou outras plataformas online. Ser nómada e trabalhar requer extra disciplina e esforço, senão o trabalho não será feito nem tampouco aproveitada sa vistas maravilhosas e os pôr-do-sol que se vêm da janela.

Perguntas para ti

És o tipo de pessoa que só considera que um trabalho é sério se houver algum sacrifício? O que te faz pensar que tens que ter um trabalho que não te realiza? O que achas dos trabalhos que não parecem trabalhos porque podes desfrutar deles? O que te impede de ter um trabalho que gostes? Achas que a sociedade julga aqueles que fazem o que gostam?

 

Trabajo en curso (ES)

Introducción

Todos los trabajos tienen sus pros y sus contras. He tenido seis trabajos diferentes a lo largo de la vida, desde trabajar en programas de entretenimiento en la televisión a servir cócteles en bares, pasando por técnica de tráfico aéreo en el aeropuerto hasta secretaria en un trabajo de 9 a 5. De hecho este trabajo como secretaria fue el único que tuve como este tipo de horario y duró sólo un par de meses. Volvemos a hablar sobre este trabajo un poco más adelante.

Horarios peculiares

Despertarme temprano siempre fue algo muy difícil para mí , incluso cuando era pequeña. Mi hermana era madrugadora y se despertaba pronto para ver dibujos animados. A mi me gustaba quedarme en la cama hasta más tarde. En la adolescencia me despertaba casi a la hora de comer  y recuerdo que era realmente difícil para mí tener que despertar temprano para estar presente en las clases de la mañana en el Bachiller. Después, ya en la Universidad, tuve la oportunidad de escoger el turno de la tarde, evitando así ese despertador ingrato. Esto hizo que me diera cuenta de que era una persona más feliz con este tipo de horario – estar despierta hasta tarde, trabajando o viendo series y despertar casi a las 12h. Mis proyectos se hacían mucho mejor por la noche cuando sentía que mi parte creativa estaba verdaderamente despierta. (Esto se ha cambiado más recientemente, por alguna razón, y ahora soy una “persona matinal”).

Fingir que se hace

Después tuve mi primer “trabajo en serio”. Tuve la suerte de poder elegir mi horario y lo mismo sucedió con los trabajos que siguieron – excepto el trabajo de secretaria! Este trabajo de las 9h a las 17h no era en absoluto para mi. Como soy bastante organizada, las tareas que me daban al inicio de la jornada quedaban fácilmente concluidas hasta la hora de comer. Mi jefa no comprendía cómo era posible que yo completara las tareas tan deprisa cuando la secretaria anterior se quejaba a menudo de demasiado trabajo. Por no tener nada que hacer después de comer, sugerí a mi jefa hacer el trabajo a media jornada. Ella rechazó esa propuesta, porque una secretaria supuestamente debe también coger llamadas telefónicas, y me animó a buscar otra forma de ocuparme. En otras palabras, mis palabras, fui incentivada a pasar las tardes fingiendo que trabajaba. Entonces mi trabajo por la tarde era parecer que estaba ocupada y contestar a algunas llamadas de vez en cuando. Llamadas esas que cualquier persona en la oficina podría coger. De hecho, mi trabajo era transferir llamadas al departamento adecuado, lo que quiere decir que ni siquiera podría resolver ningún problema con los proveedores o los clientes. Esto para decir que, aunque yo hubiese ofrecido la posibilidad de hacer el mismo trabajo pero a media jornada (y aceptando que el pago sería más bajo), mi empleador no quería aceptar a causa de un horario estipulado. El sistema es así: formateado. En mi cabeza no comprendía eso. Yo preferiría ganar menos dinero pero tener más tiempo para hacer otras cosas útiles, que estar allí en esa oficina sólo porque sí. Era una pérdida de tiempo al final de cuentas.

Diferencias entre generaciones

Creo que la mayoría de la gente de mi generación, denominada “Millennials”, no tolera reglas. Preferimos hacer algo más sustancial, algo que nos dé más placer, algo que valore nuestro tiempo. Esto es algo que la mayoría de las personas de las generaciones anteriores, como la generación de nuestros padres, no entiende. Como están acostumbrados a trabajar “de las 9 a las 5” toda la vida, con treinta o más años de carrera profesional (a veces en la mismísima oficina) es normal que vean raro que se trabaje durante los fines de semana, tener horarios rotativos o trabajar desde casa. Yo no escribo con la intención de criticar esa forma de pensar pues todos tenemos diferentes procedencias. Sin embargo, para que las dos generaciones se consigan entender, tenemos que aceptar la forma de vivir de cada uno. Es un trabajo en curso.

El regreso

Desde que regresé a mi ciudad natal, después de siete años viviendo en el extranjero, las preguntas que la gente más me hace son: “¿Ya estás trabajando?”, “¿Dónde trabajas ahora?”, “¿Estás buscando trabajo?”. Cuando mi respuesta es “Sí, yo trabajo! Soy trabajadora independiente, trabajo desde casa y adoro lo que hago.”, La reacción de las personas es hilarante. Ellas no creen que eso sea un trabajo. Porque desde su punto de vista, un trabajo es algo que tienes que hacer para que un salario te caiga en la cuenta bancária todos los meses, aunque no te guste lo que haces, y es bueno que te conformes con eso.

¿Cómo funciona?

La vida me enseñó que nuestro tiempo aquí es demasiado corto para conformarme con algo que tengo que hacer para que los demás me puedan aceptar, comprender o tomar en serio. Así que sí trabajo en casa, trabajo desde casa, puedo trabajar todo el día en pijama. También me puedo dar el lujo de no trabajar un día entero como las otras personas hacen durante en los festivos o fines de semana. Probablemente incluso trabaje más horas que si estuviera en un trabajo de 9 a 5 porque no me voy de la oficina ni cierro la tienda al final del día. Paso mucho tiempo en las redes sociales porque eso es parte de mi trabajo y a  veces ni siquiera puedo percibir si estoy trabajando o en una pausa. Porque me encanta lo que hago, puede parecer que estoy jugando todo el día, pero eso no significa que no esté trabajando. En realidad si eres un@ trabajador@ independiente, necesitas ser organizad@, tener objetivos, batallar y tener fuerza de voluntad. No puedes fingir que estás trabajando, porque eso no te va a pagar las cuentas. 

También puedo trabajar desde donde quiera a las horas que quiera porque algunos de mis servicios pueden ser proporcionados por Skype, WhatsApp u otras plataformas online. Ser nómada y trabajar requiere extra disciplina y esfuerzo, sino el trabajo no será hecho y la vista maravillosa que se ve de la ventana tampoco la aprovechas.

Preguntas para ti

¿Eres el tipo de persona que sólo considera que un trabajo es serio si hay algún sacrificio? ¿Qué te hace pensar que tienes que tener un trabajo que no te realiza? ¿Qué crees de los trabajos que no parecen trabajos porque puedes disfrutar de ellos? ¿Qué te impide tener un trabajo que te guste? ¿Crees que la sociedad juzga a aquellos que hacen lo que les gusta?