As “questionallers” estão de volta!

Há já quase um ano, dia 1 de Maio de 2019, foi a última vez que publicámos no blog. Na altura ambas (Nico e Tico) estávamos muito ocupadas entre trabalho, novos projectos, viagens e retiros. Hoje encontramo-nos com mais tempo livre, dadas as circunstâncias, porque mesmo que ambas continuemos a trabalhar desde casa e continuemos a ter outros projectos, há um tempo que se poupa ao não termos que preparamos para sair de casa e não termos que nos deslocar para ir nem para voltar. 

Nos dias de hoje é difícil não ocupar o tempo “a mais” com demasiadas séries “on demand” ou vídeos do YouTube e isso era o que nos estava a acontecer a ambas nos primeiros dias desta quarentena “voluntária”. Até que começamos a pensar que este seria o momento ideal para voltar a dedicar-nos a este projecto que nos une, não só às duas, mas de alguma maneira também a todxs xs que gostam de nos ler. As duas estamos cheias de ideias sobre temas que queremos questionar com a vossa ajuda. 

Desta vez vamos fazer as coisas de forma um pouco diferente. Para já não vamos ter um dia fixo para publicar, vamos deixar que seja mais orgânico e livre. Quando publicarmos algo no blog, que agora voltou a ser https://questionallers.wordpress.com/, faremos um post a anunciar a nova publicação na página de Facebook do “questionallers”, no perfil de Instagram do blog (@questionallers) e também nas nossas redes sociais pessoais. 

Outra novidade é que passaremos a escrever apenas em dois idiomas a partir de agora: Português e Inglês. A versão em português será publicada directamente no blog  (https://questionallers.wordpress.com/) e a versão em inglês será publicada através da nossa publicação na plataforma Medium (https://medium.com/questionallers). 

Esperamos voltar a poder contar com o vosso apoio nesta nova fase do projecto e mais ainda esperamos que de alguma forma vos possamos ser úteis, para vos levar a novos “questionamentos”, para vos encorajar a procurar mais informação, para gerar novas e ricas discussões, e para vos entreter para que estes tempos conturbados vos sejam também um pouco mais leves. 

The authentic meaning of traveling

O autêntico significado de viajar (PT)

El auténtico significado de viajar (ES)

The authentic meaning of traveling (EN)

I don’t think that there is a right or a wrong way of traveling. Every person has different aims when traveling and is searching for a subjective experience. Some people’s way of traveling doesn’t involve engaging with the locals and are more introspective, experiencing the trip from a spectator view. Others engage with locals if they can communicate with them, asking for tips. Others get quite close with locals and become friends, having access to their private life. I get a mix of all this ways depending on my mindset and phases I go through while traveling.

My way of traveling is no better than any other way. It is just what has been working for me and what I align with. In South East Asia I was being warned a lot about the danger of some countries that were in my list to be visited. Once in Thailand, I was advised by some people to be very careful when going to Vietnam. In Malaysia I was advised to skip my visit to Cambodia as a solo female traveler. I did not listen. I never felt unsafe in any of my destinations. Yes, there were some sketchy situations; I saw some schemes while crossing country’s borders by land and was fooled with fake currency a couple of times. There are honest and dishonest people in every single country. I can say that I felt more afraid and unsafe in my own country than in any other part of the world. When studying in Lisbon, I was chased a couple times and was almost robbed by thieves. Also carrying my laptop on my bag in certain parts of the city made me very nervous.

Before coming to India, where I’m currently traveling, I heard that (similar to what I was told in my trip in SEA) it wasn’t safe to come as a female solo traveler. I was told that many rapes were happening in India, that men stared at women leaving them very uncomfortable, that I would have a culture shock etc. No opinion can replace your own experience. And my experience here so far tells me that I get stared a lot, not only by men but also by women, due to being different. They do look with a curious eye. Our skin tones are different, our features are different and our manners are different too. I call it a wonder stare. And then I open a big smile and they always smile back. Any awkwardness can be dismantled by this action. We are all the same, all human beings and the smile brings us together. It also opens opportunities for conversation, for being asked to take “selfies” or even to be asked for a hug. If it gets overwhelming there’s always a chance to keep walking and not respond.

My way of traveling involves being alert and relaxed at the same time.  There’s always some common sense and some skills required to understand when you are possibly in a dangerous/ sketchy situation or if it is your imagination that is making you second-guess every step you take. Common sense tells me not to wander around in the dark peach night, to stay in control (without being a control-freak) and to be aware of the people surrounding me. The exact same as I do in my own country or even in my hometown. By staying in control I mean that I can go to a party from someone I just met, however I’ll be responsible enough to stay sober. I still have loads of fun and will remember those moments forever.

I’m a very relaxed traveler. I don’t recall worrying about anything in my solo trips. Once I was in Kuala Lumpur’s airport about to board to my next destination: Vietnam. The airline staff did not allow me to get in the airplane because apparently I needed a visa requirement (each airline has its specific requirements). I remember that I set down on the floor, took my laptop and started looking into the cheapest flights available. In 20 minutes I had another destination. Instead of Vietnam I went to Langkawi, a beautiful island in Malaysia. Being relaxed allows me to be flexible with dates, events and locations. In this way nothing ruins my plans because I go exactly where I’m supposed to go. It’s like being in permanent adventure where nothing can go wrong. Having too many plans and booked accommodation can limit your experience very quickly. For me, there’s always the opportunity to stay extra days in a place if it seems reasonable or to stay only for a half day in a city which is not exciting me in any way.

What’s more important to me is trying to blend as much as I can in the different cultures. In the first days I observe the locals to see how do they cross the street, how does the public transportation work, how do they eat, learn some basic words, understand their body language etc. Then I copy them and ask for help if there’s something I can’t wrap my head around. I don’t need to do things that I’m not comfortable with or things that I don’t agree with. However being open is crucial.

After a couple weeks I feel integrated. I grab any chance I have to talk to locals about their culture, traditions, habits and way of thinking. Even when is hard to communicate, there’s always something I can take in. Then I gather all of that precious information which gives me a tiny bit of knowledge about the place and its people.

To me, the meaning of traveling is to know other life perspectives and integrate the best parts in my own life. What does traveling mean to you?

O autêntico significado de viajar (PT)

Não acho que haja uma forma correcta ou errada de se viajar. Cada pessoa tem diferentes objetivos com as suas viagens, procurando experiências subjectivas. Algumas pessoas não se relacionam com os cidadãos locais e são mais introspectivas, experienciando a viagem de um ponto de vista de espectador. Outras falam com os locais, se conseguirem comunicar com eles, fazendo perguntas e pedindo dicas. Outras conseguem relacionar-se com os locais, têm acesso às suas vidas privadas e acabam por criar relações de amizade. Eu consigo ter um misto de todas estas formas de viajar, dependendo da fase em que me encontro ou da minha disponibilidade psicológica para socializar. A minha forma de viajar não é melhor ou pior que qualquer outra. É somente a forma que melhor funciona para mim e aquela com a que mais me alinho.

No Sudeste Asiático fui alertada várias vezes sobre os perigos de visitar alguns países que estavam na minha lista. Na Tailândia aconselharam-me a ter muita cautela ao viajar no Vietname. Na Malásia aconselharam-me a tirar o Camboja da minha lista por ser uma rapariga a viajar sozinha. Não lhes dei ouvidos. Nunca me senti em perigo em nenhum dos meus destinos. Sim, há situações estranhas; testemunhei cenários bizarros ao atravessar fronteiras de países por terra e fui enganada com dinheiro falso um par de vezes. Há pessoas honestas e desonestas em todos os países. Posso dizer que já me senti mais insegura e com medo no meu próprio país do que em qualquer outra parte do mundo. Quando estava a estudar em Lisboa, fui perseguida e quase assaltada mais do que uma vez. Por vezes carregar o meu computador na mochila, em algumas partes da cidade, deixava-me muito nervosa.

Antes de vir para a Índia, por onde estou a viajar de momento, ouvi (similarmente ao que me disseram no Sudeste Asiático) que não era um país seguro para mulheres viajarem sozinhas. Ouvi tantas vezes dizer que há imensos casos de violações, que os homens olham tanto para as mulheres (turistas) que as deixam desconfortáveis, que eu teria um choque cultural etc.. Não existe opinião que possa substituir a tua própria experiência. E a minha experiência aqui por enquanto diz-me que, não só os homens como também as mulheres olham de facto muito para mim, porque sou diferente deles. Eles olham com curiosidade. Os nossos tons de pele são diferentes, as nossas feições são diferentes e os nossos modos também são diferentes. Eu chamo a isso um olhar curioso. E a seguir esboço um sorrizão que é sempre correspondido. Qualquer desconforto é desmanchado imediatamente com este acto. Somos no fundo todos iguais, todos seres humanos e o sorriso aproxima-nos. Também abre oportunidades para conversas, para pedidos de “selfies” ou até para pedirem um abraço. Se isto for demasiado, há sempre a hipótese de se continuar a andar sem dar resposta.

A minha forma de viajar implica estar alerta e relaxada ao mesmo tempo. São necessários senso comum e alguns conhecimentos para que se tenha noção se estamos numa situação perigosa ou se é apenas a nossa imaginação a pregar-nos partidas. O senso comum diz-me que vaguear pela rua no meio da noite não é boa ideia, que é bom estar em controlo (sem que haja obsessão) e para estar atenta às pessoas que me rodeiam. Exatamente a mesma coisa que faço no meu país e até na minha cidade. Estar em controlo significa que posso aceitar o convite para uma festa de uma pessoa que acabei de conhecer, no entanto ser responsável o suficiente para manter-me  sóbria. Assim consigo divertir-me na mesma e irei recordar aqueles momentos para sempre.

Sou de facto uma viajante relaxada. Não me recordo de estar preocupada com o que quer que seja nas minhas viagens solitárias. Uma vez estava no aeroporto de Kuala Lumpur prestes a embarcar para o meu próximo destino: Vietname. O staff da companhia não me permitiu entrar no avião porque aparentemente precisava de um pedido de visto à chegada (cada companhia tem as suas regras). Lembro-me que me sentei no chão, abri o meu computador e comecei a pesquisar pelos voos mais baratos disponíveis naquele momento. Em 20 minutos tinha outro destino. Em vez do Vietname voei para Langkawi, uma ilha maravilhosa na Malásia. Ser relaxada possibilita-me ser bastante flexível com datas, eventos e locais. Deste modo nada arruina os meus planos porque acabo por chegar exatamente aos sítios onde devo estar. Ter demasiados planos e alojamentos marcados pode limitar a experiência. Para mim, há sempre a hipótese de ficar mais alguns dias num sítio se me parece necessário ou pelo contrário ficar somente meio dia num lugar que não me entusiasme.

A meu ver, o mais importante é estar integrada o máximo possível nas diferentes culturas. Nos primeiros dias observo os locais para ver como passam a estrada, como é que comem, como funcionam os transportes públicos, aprender palavras básicas, entender a sua linguagem corporal etc. Depois copio gestos e peço ajuda se houver algo que não consigo perceber o porquê de se fazer. Não preciso de fazer algo com o qual não me sinta confortável ou não concorde. Contudo, estar-se aberto é crucial.

Duas semanas depois já me sinto integrada. Agarro qualquer oportunidade que tenho de falar com os locais sobre a sua cultura, tradições, hábitos e forma de pensar. Ainda que por vezes seja difícil a comunicação, há sempre alguma coisa que se aprende. Por fim, junto toda essa informação preciosa que me dá um pouco de conhecimento sobre os sítios e as suas pessoas.

Para mim, o autêntico significado de viajar é conhecer outras perspectivas de vida e integrar o melhor de cada uma na minha própria vida. Para ti, o que significa viajar?

 

El auténtico significado de viajar (ES)

No creo que haya una forma correcta o equivocada de viajar. Cada persona tiene diferentes objetivos con sus viajes, buscando experiencias subjetivas. Algunas personas no se relacionan con los ciudadanos locales y son más introspectivas, experimentando el viaje desde un punto de vista espectador. Otros hablan con los locales, si pueden comunicarse con ellos, haciendo preguntas y pidiendo consejos. Otras consiguen relacionarse con los locales, tienen acceso a sus vidas privadas y acaban por crear relaciones de amistad. Yo busco tener una mezcla de todas estas formas de viajar, dependiendo de la fase en que me encuentro o de mi disponibilidad psicológica para socializar. Mi forma de viajar no es mejor o peor que cualquier otra. Es sólo la forma que mejor funciona para mí y aquella con la que más me siento alineada.

En el Sudeste Asiático me advirtieron varias veces sobre los peligros de visitar algunos países que estaban en mi lista. En Tailandia me aconsejaron tener mucha precaución al viajar en Vietnam. En Malasia me aconsejaron eliminar a Camboya de mi lista por ser una chica viajando sola. No les hago mucho caso. Nunca me sentí en peligro en ninguno de mis destinos. Sí, hay situaciones extrañas; fui testigo de escenas extrañas al atravesar por tierra las fronteras de algunos países y fui engañada con dinero falso un par de veces. Hay personas honestas y deshonestas en todos los países. Puedo decir que ya me sentí más insegura y con más miedo en mi propio país que en cualquier otra parte del mundo. Cuando estudiaba en Lisboa, fui perseguido y casi fui atracada más de una vez. A veces llevar mi ordenador en la mochila, en algunas partes de la ciudad, me dejaba muy nerviosa.

Antes de venir a la India, por donde estoy viajando ahora, oí (similar a lo que me dijeron en el Sudeste Asiático) que no era un país seguro para las mujeres que viajan solas. Oí tantas veces decir que hay muchos casos de violaciones, que los hombres miran mucho a las mujeres (turistas) lo que las deja muy incómodas, que yo tendría un choque cultural, etc. No existe opinión que pueda sustituir a tu propia experiencia. Y mi experiencia aquí por ahora me dice que no sólo los hombres, como también las mujeres, miran de hecho mucho para mí, porque soy diferente de ellos. Ellos miran con curiosidad. Nuestros tonos de piel son diferentes, nuestras características son diferentes y nuestros modos también son diferentes. Yo lo llamo una mirada curiosa. Y luego les ofrezco una sonrisa enorme que siempre es correspondida. Cualquier incomodidad se deshace inmediatamente con este acto. Somos en el fondo todos iguales, todos somos seres humanos y la sonrisa nos acerca. También abre oportunidades para conversaciones, para pedidos de “selfies” o incluso para pedir un abrazo. Si esto es demasiado, siempre hay la posibilidad de seguir caminando sin dar respuesta.

Mi forma de viajar implica estar alerta y relajada al mismo tiempo. Es necesario mucho sentido común y algunos conocimientos para saber si estamos en una situación peligrosa o si son sólo nuestra imaginación y nuestros prejuicios los que nos hacen pensar que algo no está bien. El sentido común me dice que pasear por una calle oscura y vacía en medio de la noche no es buena idea, que es bueno tener el control de la situación (sin que haya obsesión) y que hay que estar atenta a las personas que me rodean. Exactamente lo mismo que hago en mi país y hasta en mi ciudad. Tener control significa que puedo aceptar la invitación para la fiesta alguien que acabo de conocer a la vez siendo responsable lo suficiente para mantenerme sobria. Así a la vez que me divierto sé que recordaré aquellos momentos para siempre.

Soy de hecho una viajera relajada. No me recuerdo de estar preocupada por lo que sea en mis viajes solitarios. Una vez estaba en el aeropuerto de Kuala Lumpur a punto de embarcar rumbo a mi próximo destino: Vietnam. El personal de la compañía no me permitió entrar en el avión porque aparentemente necesitaba una solicitud de visa a la llegada (cada compañía tiene sus reglas). Recuerdo que me senté en el suelo, abrí mi ordenador y empecé a buscar los vuelos más baratos disponibles en ese momento. En 20 minutos tenía otro destino. En vez de a Vietnam volé a Langkawi, una isla maravillosa en Malasia. Ser relajada me permite ser bastante flexible con fechas, eventos y lugares. De este modo nada arruina mis planes porque siempre siento que  voy exactamente a los sitios donde debería haber ido. Tener demasiados planes y alojamientos marcados puede limitar la experiencia. Para mí, siempre hay la posibilidad de quedarme unos días más en un sitio si me parece necesario o por el contrario quedarme sólo medio día en un lugar que no me entusiasma.

En mi opinión, lo más importante es estar integrada lo máximo posible en las diferentes culturas. En los primeros días observo los locales para ver cómo cruzan la carretera, cómo comen, cómo funcionan los transportes públicos, para aprender palabras básicas, entender su lenguaje corporal, etc. Después copio gestos y pido ayuda si hay algo que no puedo percibir cómo se hace. No necesito hacer algo con lo que no me sienta cómodo o no esté de acuerdo. Sin embargo, estar abierto es crucial.

Dos semanas después me siento integrada. Agarro cualquier oportunidad que tengo de hablar con los locales sobre su cultura, tradiciones, hábitos y formas de pensar. Aunque a veces sea difícil la comunicación, siempre hay algo que aprender. Por fin, junto a toda esa información preciosa que me da un poco de conocimiento sobre los sitios y sus personas.

Para mí, el auténtico significado de viajar es conocer otras perspectivas de vida e integrar lo mejor de cada una en mi propia vida. ¿Cuál es tu significado de viajar?

Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose?

Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose? (EN)

Moda por un lado y ideales por el otro, tendré que elegir? (ES)

Moda por um lado, ideais por outro, terei que escolher? (PT)

É possível estar comprometid@ com valores sociais & meio ambientais e ao mesmo tempo ser apaixonad@ por moda?

Desde a perspectiva ambiental, o ciclo de consumo de recursos naturais, a contaminação e a produção de resíduos gerados pela indústria da moda são um problema grave com sérios efeitos no planeta. Pelo lado da dimensão humana e social, a roupa é muitas vezes manufaturada em países em vias de desenvolvimento que carecem de leis de trabalho para garantir que os trabalhadores recebam salários dignos e trabalhem sob boas condições de segurança, higiene e saúde.

Mas isto não é razão para desanimar-se! O problema não se vai solucionar sozinho e o melhor é que todos podemos contribuir para revertê-lo. Tendemos a pensar que as nossas decisões não são tão importantes porque no final de contas os culpados destas calamidades são as grandes empresas e os monstros industriais, isso está certo.. e também errado.  Os gigantes da indústria tem uma grande responsabilidade, é verdade, mas o nosso papel também é muito importante.

Cada vez que consumimos votamos a favor de algo e dizemos ao mercado que continue, que “isso” é o que queremos. Igualmente, de cada vez que não compramos algo mostramos que “isso” não nos serve, que não é o que queremos. Estas parecem ser razões suficientes para consumir de acordo com os valores que defendemos, certo? Vamos consumir (ou não consumir) conscientemente, deixando claro aquilo com que concordamos e aquilo com que não estamos de acordo.

Se gostas tanto de moda como eu, deves saber que tens muitas opções, não só para usar moda de acordo com os teus valores éticos mas também para ajudar o movimento “slow fashion” a crescer em detrimento da chamada “fast fashion”.

a. Usa o usado: Não há dúvida de que uma das opções mais sustentáveis é usar o que já temos ou que já “foi consumido”. Ao comprar “vintage” ou de segunda mão, ao intercambiar roupa com outras pessoas e ao arranjar ou redesenhar coisas que já tens mas que por alguma razão já não usas, estás a “dizer” ao mercado que não é necessário produzir tanto nem tão depressa. Além disso, desta forma podes conseguir peças originais e diferentes do típico top da H&M que adoraste mas que agora vês multiplicado por todo o lado sempre que sais à rua. E sabes que mais? Esta opção tem o “bonus” de ser também amigável para a tua conta bancária!

b. Desacelera: Uma das razões pelas quais a nossa relação com a moda é insustentável é porque compramos demasiado. A moda rápida alimenta o consumismo desenfreado com preços tão baixos que não temos que perguntar-nos se precisamos ou realmente gostamos daquilo que vamos comprar. Os preços baixos da “fast-fashion” parecem, à primeira vista, ser uma vantagem mas realmente são prejudiciais para o ambiente e para as comunidades que fabricam essas roupas. Da próxima vez que sentires o impulso de comprar por comprar, pensa em algo que realmente te faça falta, ou algo que realmente desejas. Calcula quantas coisas baratas, que comprarias num determinado espaço de tempo, terás que deixar de comprar para para poder comprar essa coisa. Faz uma espécie de “jejum de compras” até que tenhas juntado o valor que necessitas para comprá-la. Quando a comprares terás uma coisa à qual darás mais valor durante mais tempo, uma coisa especial com valor acrescentado porque sabes que fizeste um esforço de consumir menos para conseguir algo que realmente querias.

c. Compra aos pequenos: O artesanato está a perder-se e os pequenos negócios não podem competir em preço com as produções em massa. Comprar algo feito à mão, ou de pequenas produções, muitas vezes significa um produto melhor, mais duradouro e mais exclusivo. Comprar local também é uma parte importante desta opção e está geralmente a par com ela. Ao comprar local não só ajudas os negócios mais pequenos a sobreviver e proliferar mas também reduzes o impacto do teu consumo já que esse objecto não teve de ser transportado desde um produtor distante.  

d. Investiga e instiga as marcas: Cada vez há mais marcas com valores éticos e ambientais, e muitas marcas que antes não o faziam começam a oferecer também produtos que têm em conta esses valores. Na era da informação, não é tão difícil estar informad@ sobre que marcas oferecem opções sustentáveis, basta pesquisar no Google. Outra coisa que recomendo é que escrevas às tuas marcas favoritas. Se estas ainda não se abriram às possibilidades da sustentabilidade, diz-lhes que gostarias de continuar a comprar os seus productos mas que para isso têm que oferecer opções cujos materiais tenham um menor impacto e com processos de produção mais transparentes. Pensa que se todos os consumidores interessados comunicarem este tipo de exigências às marcas elas terão que ouvir.

Estas são apenas algumas sugestões daquilo que podes fazer, mas há muitas mais possibilidades. Às vezes o debate sobre a sustentabilidade pode parecer uma discussão exclusiva para especialistas, mas a realidade é que não se trata de um conceito estéril nem fechado. Para que tenha sentido para ti, a sustentabilidade deve poder aplicar-se ao contexto da tua própria vida. Reflete e pensa o que é que tu podes fazer, de certeza que te surgem algumas ideias além daquelas que acabo de partilhar contigo.

A moda sustentável não é uma ideia utópica, é um ideal que pretende ajudar o planeta e os seus habitantes – uma necessidade sobre a qual todos estamos de acordo. As coisas simples que fazemos todos os dias – como vestir-se – podem ajudar a marcar a diferença.


Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose? (EN)

Is it possible to be committed to social & environmental values and at the same time be passionate about fashion?

From the environmental perspective, the cycle of consumption of natural resources, contamination and waste production generated by the fashion industry is a serious problem with severe effects on the planet. From the human and social perspective, clothing is often manufactured in developing countries that lack labor laws to ensure that workers receive decent wages and work under good  safety, hygiene and health conditions.

But this is no reason to be discouraged! The problem is not going to solve itself and the best is that we can all contribute to reverse it. We tend to think that our decisions are not so important because in the end the culprits of these calamities are the big companies and the industrial monsters, that’s right… and also wrong. The industry giants have a great responsibility, it’s true, but our role is also very important.

Each time we consume we vote for something we are telling the market to continue producing, that “this” is what we want. Likewise, every time we do not buy something we show that “that” does not serve us, it is not what we want. These seem to be enough reasons to consume according to the values we stand for, right? Let’s consume (or not consume) consciously, making a point of what we agree with and what we don’t.

If you like fashion as much as I do, you should know that you have many options, not only to use fashion in accordance with your ethical values but also to help the “slow fashion” movement grow to the detriment of the so-called “fast fashion”.

a. Use the used: There is no doubt that one of the most sustainable options is to use what we already have or what has already been “consumed”. When buying “vintage” or second-hand clothes, when you exchange or swap clothes with other people and when you repair or redesign things you already have, but for some reason no longer use, you are “telling” the market that it is not necessary to produce so much nor so quickly. In addition, in this way you can get pieces that are original and different then the typical H&M top that you loved but now you see multiplied everywhere whenever you go out on the street. And you know what? This option has the “bonus” of being also friendly with your bank account!

b. Slow down: One of the reasons why our relationship with fashion is so unsustainable is because we buy too much. Fast fashion feeds rampant consumerism with prices so low that we do not have to ask ourselves if we really need or like what we are buying. The low prices of “fast-fashion” seem to be an advantage at first glance but are actually detrimental to the environment and to the communities that manufacture these clothes. The next time you feel that you are buying by impulse, think of something you really need or want. Calculate how many cheap things that you could buy, in a certain amount of time, you will have to refrain from buying in order to buy this thing. Make a “shopping fasting” until you have put together the value you need to purchase this new item. When you do buy it you will have something that you will value more and for longer, a special thing with added value because you know that you made an effort to consume less in order to get something that you really wanted.

c. Buy from the small guys: Crafts are disappearing and small businesses can’t compete price wise with mass productions. Buying something handmade, or from small productions, often means a better, longer lasting and more exclusive product. Buying local is also an important part of this option and usually goes with it. Buying local not only helps smaller businesses to survive and proliferate but also reduces the impact of your consumption since this item won’t have to be transported from a distant producer.

d. Investigate and instigate the brands: There are more and more brands that seem to have ethical and environmental values, and many other brands that have started offering products that take these values ​​into account. In this age, it is not so difficult to be informed about brands that offer sustainable options, just Google it. Another thing I recommend is that you write to your favourite brands. If they are not opened to the possibilities of sustainability, tell them that you would like to continue to buy their products but in order to do so they have to offer options whose materials have less impact and that have more transparent production processes. Just think that if all interested consumers communicate these types of demands to the brands they will have to listen.

These are just a few suggestions of what you can do, but there are many more possibilities. Sometimes the debate about sustainability may seem like an discussion exclusive to experts, but the reality is that it is not a sterile or closed concept. For sustainability to make sense to you, you must be able to apply it to the context of your own life. Reflect and think what else can you do, for sure you’ll get ideas other than the ones I just shared with you.

Sustainable fashion is not an utopian idea, it is an ideal that aims to help the planet and its inhabitants – a need on which we all agree. The simple things we do every day – like dressing – can help make a difference.


 Moda por un lado y ideales por el otro, tendré que elegir? (ES)

¿Será posible estar comprometido con valores sociales & medioambientales y a la vez amar a la moda?

Desde la perspectiva ambiental, el ciclo de consumición de recursos naturales, contaminación y creación de residuos generados por la industria de la moda es un problema grave con serios efectos en el planeta. Por el lado de la dimensión humana y social, las prendas son muchas veces manufacturadas en países en vías de desarrollo que carecen de suficientes leyes de trabajo para certificar que los trabajadores reciban salarios dignos y trabajen bajo buenas condiciones de seguridad, higiene y salud.

!Pero esto no es para desanimarse! El problema no se va a solucionar sólo y lo mejor es que todos podemos contribuir para revertirlo. Solemos pensar que nuestras decisiones no son tan importantes porque al final los grandes culpables de estas calamidades son las grandes empresas y los monstruos industriales, pero no es así… exactamente. Los gigantes de la industria tienen una gran responsabilidad, es cierto, pero nuestro papel también es muy importante.

Cada vez que consumimos estamos votando a favor de algo, diciendo al mercado que continúe, que eso es lo que queremos. De la misma manera cada vez que no compramos algo estamos demostrando que eso no nos vale, que no es lo que queremos. ¿Entonces por qué no hacerlo de acuerdo con los valores que defendemos? Vamos a consumir (o a no consumir) conscientemente, enviando el mensaje de lo que es aquello con lo que estamos de acuerdo y aquello con lo que no.

Si te gusta la moda tanto como a mi has de saber que tienes un montón de opciones no solo de usar moda de acuerdo a valores éticos sino de hacer que la moda “slow” crezca en detrimento de la “fast”. 

a. Usa lo usado: No hay duda que una de las opciones más sostenibles es usar lo que ya existe. Al comprar “vintage” o segunda mano, al intercambiar ropa con otras personas y al arreglar o rediseñar cosas que ya tenías pero que por alguna razón no servían estás “diciendo” al mercado que no es necesario producir tanto ni tan rápido. Además de esta forma puedes conseguir prendas originales al contrario de la típica camiseta de H&M que te encantó pero que ahora ves multiplicada por ahí siempre que sales a la calle. ¿Y sabes que? !Esta opción tiene el “bonus” de ser también respetuosa con tu cuenta bancaria!!

b. Desacelera: Una de las razones por la cual la nuestra relación con la moda es insostenible es por que compramos demasiado. La moda rápida alimenta el consumismo desenfrenado con precios tan bajos que no tenemos que preguntarnos si necesitamos o nos gusta realmente la cosa que vamos a comprar. Los precios bajos de la “fast fashion” parecen ser una ventaja a primera vista pero realmente son dañinos para el ambiente y para las comunidades que fabrican esas prendas. La próxima vez que te entre el ímpetu de comprar por comprar piensa en algo que realmente te haga falta, o que realmente desees. Calcula cuántas cosas baratas que comprarías en un determinado espacio de tiempo tendrás que dejar de comprar para conseguir esa cosa. Hazte una especie de “ayuno de compras” hasta que hayas juntado el valor que necesitas para comprarlo y cuando lo compres tendrás una cosa que valorarás durante bastante más tiempo, una cosa especial con valor añadido porque sabes que has consumido menos para conseguir obtener lo que realmente querías.

c. Compra a los pequeños: Las artesanías se están perdiendo y los pequeños negocios no pueden competir en precio con las producciones en masa. Comprar hecho a mano o de pequeñas producciones muchas veces significa un producto mejor, más duradero y más exclusivo. Comprar local también es una parte importante de esta opción y está generalmente a par con ella. Al comprar local no sólo estás ayudando al pequeño negocio a sobrevivir y proliferar sino que también estás reduciendo el impacto de tu consumo ya que esa compra no tuvo que ser transportada tan lejos del productor hasta ti.

d. Investiga y instiga las marcas: Cada vez hay más marcas con valores éticos y ambientales y muchas marcas que antes no lo hacían empiezan a ofrecer productos más respetuosos. En la era de la información informarse sobre qué marcas ofrecen opciones sostenibles no es tan difícil, basta con buscarlo en Google. Otra buena opción es escribir a tus marcas favoritas, si estas aún no se han abierto para las posibilidades de la sostenibilidad diles que te gustaría seguir comprando sus productos pero que para eso los materiales tienen que ser de menor impacto y las condiciones de fabricación más transparentes. Piensa que si todos los consumidores interesados comunican este tipo de demanda a las marcas ellas tendrán que escuchar.

Estas son apenas algunas sugerencias de lo que puedes hacer, pero hay muchas más posibilidades. A veces la conversación alrededor de la sostenibilidad puede parecer una discusión exclusiva para expertos pero la realidad es que no es un concepto cerrado ni estéril. Para que tenga algún sentido para ti, la sostenibilidad debe poder funcionar en el contexto de tu propia vida. Reflexiona y piensa que es lo que tu puedes hacer, seguro que te surgirán ideas además de las que comparto contigo.

La moda sostenible no es una idea utópica, es un ideal que pretende ayudar al planeta y sus habitantes – una necesidad sobre la cual todos estamos de acuerdo. Las cosas sencillas que hacemos todos los días – cómo vestirse – pueden ayudar a marcar la diferencia!

Little steps towards a better world

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Little steps towards a better world (EN)

I was still in elementary school when I first heard about recycling. The teacher explained how different materials belonged to different bins and that each one of them had a different colour. The green was for glass, the blue was for paper and cardboard, the yellow for plastic and metal and the red one for batteries. Even though most people were already recycling glass (as there were big containers to deposit glass spread throughout the neighbourhoods), the other materials were left out all together in the waste bin.

My generation was probably the first one that learned about it in school. When going home, I tried to explain to my mother that we should separate the trash. Unfortunately living in a small city didn’t give us that option because there were no recycling containers yet. Only a few years later the colourful bins started to be seen. However, there were only a few in the city and we had to drive to places in order to deposit the different materials. So we only recycled sometimes. We didn’t do our part because we had excuses: the bins were too far, we didn’t have much space in the kitchen to pile up the garbage, it would leave the house smelly or the myth that the trash would all end up mixed together at some point.

Only when I moved to Lisbon I started to separate the garbage as my condo had all the proper bins. I had no more excuses. A couple years later I moved to Germany to study. Recycling was taken very seriously over there. There were specific days of the week/ month where the different trash had to be taken outside the house so that a truck would pass by and collect them. If the separation wasn’t well done and for instance the plastic bag had non-plastic items inside, we could be charged with a fine.

Nowadays my hometown has plenty of recycling bins and in Portugal there are currently more than 43 thousand bins spread out to all cities. Slowly people in the western world started waking up for the importance of recycling, reusing and reducing. We have the infrastructures, the information, and the education, which means we shouldn’t have a single excuse not to do so.

Those who know me can testify that I avoid buying plastic at all cost, I bring my own fabric bags to the market and try to buy in bulk when possible. Currently I’m traveling in India and the reality here is very different. Buying bottles of water is something I need to on daily basis as the tap water can lack treatment and therefore is unfit for consumption. I’m not happy at all with the amount of trash I’m generating here and I still avoid plastic bags and straws for the most part. In some places is difficult to find trash bins, let alone recycling bins. The other day I bought a cake that was handed out to me in newspaper, after eating the cake I was searching for a bin and asked someone where I could find one. The answer I got was simply “you can just throw the trash on the floor because someone later will pick it up”. As much as this is not acceptable in my culture I have to be open enough to understand that things here work in another level. The streets are very dirty with all kinds of garbage, people throw waste through the car windows and I constantly step on trash. It becomes the norm after a couple weeks of travel.

I don’t have enough knowledge about the education in India as the only things I know are from asking people I’ve been meeting around. I came to know that in fact they now learn in school about recycling. Also there is a big campaign all over India called “Clean India Mission” and the logotype is Gandhi’s glasses with written “clean” and “India” in each lens to try to get people to place the garbage to where it belongs. India has a population of 1.37 Billion. New Delhi alone has around 11 million inhabitants (the same as Portugal) so I get that it might be very difficult to get everybody on the same page. Some basic needs are not even met for millions of people, let alone the concept of recycling.

In the western world we have the tools to do better, to reuse more, to buy less, to stop using plastic or at least drastically reduce its use. We sure have treated water in most places and buying a good water filter to get the purest form of water is an option. We no longer need to buy plastic bottled water, we can choose to buy the unwrapped fruits and veggies, we can buy in bulk, we can say “no” to plastic bags, straws, sanitary pads and tampons etc. We vote with our money every time we purchase an item. Alternatives are made all the time by big corporations because they will do everything and anything to make us buy their products. We cannot expect them to be the ones to stop selling bananas wrapped up in plastic. We have to take that responsibility ourselves. If they know that their consumers are not buying those bananas due to the plastic, they will take measures.

Recycling is great! But we know that some types of materials are not even recyclable, such as straws, plastic bags, coffee cups, tissues etc. So, better avoid buying it.

I’m not criticizing India by any means, in fact I’m thanking India for my first lesson. What I’m trying to say with this article is how sometimes seeing another realities makes us understand better that our own reality can make improvements too, specially when we have the power and tools to do so.

Here is a list for “zero waste” alternatives to make our lives easier: http://trashisfortossers.com/zero-waste-alternatives-ultimate-lis/

Do you do your part?

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Estava ainda na escola primária quando ouvi falar de reciclagem pela primeira vez. A professora explicou como diferentes materiais pertenciam em contentores específicos e que cada um deles tinha uma cor respectiva. O verde era para o vidro, o azul para o papel e cartão, o amarelo para embalagens e finalmente o vermelho para as pilhas. Ainda que por esta altura a maior parte das pessoas já fizessem reciclagem de vidro (haviam “vidrões” espalhados pelos bairros da cidade), os outros materiais tinham todos o mesmo destino – o contentor do lixo indiferenciado.

A minha geração foi provavelmente a primeira a aprender isto na escola. Quando cheguei a casa tentei explicar à minha mãe que devíamos separar o lixo. Infelizmente viver numa cidade pequena como Évora não nos dava a opção de reciclar por não haverem ainda ecopontos. Só uns anos mais tarde é que os contentores coloridos começaram a aparecer na cidade. No entanto, os contentores eram poucos e tínhamos que ir de carro até eles para depositar os diferentes materiais. Por essa razão só reciclavamos de vez em quando. Não fazíamos a nossa parte porque tinhamos desculpas: os ecopontos estavam longe, não havia espaço suficiente na cozinha para acumular lixo, a casa ficava com mau cheiro, ou o mito de que nem valia a pena separar o lixo pois no fim das contas este acabaria todo no mesmo sítio. Só quando fui morar para Lisboa comecei de facto a fazer reciclagem.  Como no meu condomínio havia ecopontos não tinha desculpa nenhuma .

Um par de anos depois fui estudar para a Alemanha. Reciclar é algo que os alemães levam muito a sério. Haviam dias específicos da semana/ mês onde os diferentes tipos de lixo eram levados para a porta de casa para depois serem recolhidos por camiões. Se a separação do lixo não fosse bem feita e ,por exemplo, o saco do plástico contivesse algo que não fosse plástico, podíamos ter que pagar uma multa.

Hoje em dia, a minha cidade natal já tem vários ecopontos. E por todo o país estão espalhados cerca de 43 mil contentores. Devagarinho as pessoas do mundo ocidental começam a acordar para a importância da reciclagem, reutilização e redução. Temos as infra-estruturas, a informação e a educação, o que significa que não temos qualquer desculpa para não o fazer.

Aqueles que me conhecem sabem que tento evitar a todo o custo comprar itens que contenham plástico, levo os meus sacos de pano para o mercado e tento comprar a granel sempre que possível. De momento encontro-me a viajar pela Índia e a realidade deste lado é muito diferente. Comprar garrafas de água é algo que tenho de fazer diariamente, já que a água da torneira não está tratada e é imprópria para consumo. Fico triste com a quantidade de lixo que estou a gerar aqui e tento ao máximo evitar sacos de plástico e palhinhas. Em alguns lugares é difícil de encontrar contentores ou caixotes do lixo, quanto mais ecopontos. No outro dia comprei um bolo que vinha embrulhado num jornal, depois de comer o bolo não encontrei nenhum caixote para colocar o lixo e decidi perguntar a alguém o que fazer, ao que me foi respondido “podes atirar o lixo para o chão pois mais tarde alguém virá limpar-lo”. Por mais que isto não seja aceitável na minha cultura tenho que ser aberta o suficiente para perceber que as coisas aqui acontecem a um nível diferente. As ruas estão extremamente sujas com todo o tipo de lixo, as pessoas atiram coisas pelas janelas dos carros e ando constantemente a pisar lixo. Torna-se normal depois de umas semanas de viagem.

Não tenho conhecimento suficiente sobre o sistema de educação na Índia e o pouco que sei é através de perguntas que faço a pessoas que vou conhecendo. Aprendi que de facto os indianos já começam a aprender na escola sobre a importância da reciclagem. Há também uma campanha por toda a Índia, com o fim de incentivar as pessoas a colocarem o lixo nos seus devidos locais. Chama-se de “Clean India Mission” ( Missão Índia Limpa) e o logótipo são os óculos do Gandhi com as palavras “Índia” e “Limpa” em cada lente, Na índia vivem cerca de 1.37 Biliões de pessoas. Só Nova Deli tem 11 Milhões de habitantes, os mesmos que em Portugal inteiro, por isso eu entendo o quão difícil é fazer com que  tanta gente colabore para um mesmo fim. Milhões de pessoas não têm sequer acesso a algumas das necessidades básicas, é normal que não percebam a importância da reciclagem.

No mundo ocidental temos os mecanismos para melhorar, reutilizando mais, comprando menos, parando de usar plástico ou pelo menos reduzindo drasticamente o seu uso. Temos água tratada na maior parte dos sítios e podemos adquirir um bom filtro para ter água ainda mais pura. Não há necessidade de comprar garrafas de água, podemos escolher não comprar vegetais e frutas que venham embalados em plástico, podemos comprar a granel, podemos dizer “não” aos sacos de plástico, palhinhas, pensos higiénicos e tampões, etc. Votamos, com o nosso dinheiro, de cada vez que compramos um item. As grandes corporações criam alternativas a toda a hora, pois o que lhe interessa é vender e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para que compremos os seus produtos. Não podemos esperar que sejam eles a parar de vender bananas embaladas em plástico. Temos que ser nós, consumidores, a tomar a responsabilidade de diminuir a demanda. Se eles souberem que os seus consumidores não compram aquelas bananas por causa do plástico, tomarão medidas.

Reciclar é ótimo! Mas também sabemos que alguns tipos de materiais não são recicláveis como por exemplo as palhinhas, os sacos de plástico, os copos de café, as toalhitas etc. Por isso nada melhor que evitar o seu consumo.

Não quero criticar a Índia de forma alguma, de facto agradeço ter aprendido aqui esta primeira lição. O que quero dizer com este artigo é que, às vezes, ver outras realidades faz-nos entender melhor a nossa própria realidade e podemos melhorá-la também, especialmente quando temos o poder e as ferramentas para o fazer.

Aqui vão algumas alternativas “desperdício zero”  para um mundo melhor: https://mindthetrash.pt/category/alternativas-ao-plastico/?fbclid=IwAR3ZmPm_fm6ZE_ws4zrVPL5IjsYr1Ebrn13m7y6G6CPYr0lp2IxX4X8VbVQ

E um podcast bastante esclarecedor sobre reciclagem: https://sofiadeassuncao.com/podcast-ana-milhazes/

E tu, fazes a tua parte?

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Estaba en la escuela primaria cuando oí hablar de reciclaje por primera vez. La profesora explicó cómo diferentes materiales pertenecían en contenedores específicos y que cada uno de ellos tenía un color respectivo. El verde era para el cristal, el azul para el papel y el cartón, el amarillo para los embalajes y el rojo para las pilas. Aunque la mayoría de las personas ya hacían reciclaje de vidrio (había contenedores verdes repartidos por los barrios de la ciudad), los demás materiales acababan  todos el contenedor de la basura indiferenciada.

Mi generación fue probablemente la primera en aprender esto en la escuela. Cuando llegué a casa intenté explicar a mi madre que debíamos separar la basura. Desgraciadamente vivir en una pequeña ciudad como Évora no nos daba la opción de reciclar por no haber aún puntos de recorrida. Sólo unos años más tarde, los contenedores de colores comenzaron a aparecer en la ciudad. Sin embargo, los contenedores eran pocos y teníamos que ir en coche para reciclar los diferentes materiales. Por esa razón sólo reciclabamos a veces. No hacíamos nuestra parte porque teníamos disculpas: los contenedores estaban lejos, no había suficiente espacio en la cocina para acumular basura, la casa casa olía, o el mito de que no valía la pena separar la basura pues al final todo acabaría en el mismo sitio. Sólo cuando me mudé a Lisboa empecé realmente a hacer reciclaje. Como en mi edifício (incluso en mi planta) había contenedores de recicláge, no tenía excusa alguna.

Un par de años después fui a estudiar a Alemania. Reciclar es algo que los alemanes toman muy en serio. Había días específicos de la semana para dejar  los diferentes tipos de basura en la puerta de casa, luego serían recogidos por camiones. Si la separación de la basura no estaba bien hecha y, por ejemplo, la bolsa del plástico contenía algo que no fuera plástico, podríamos tener que pagar una multa.

Hoy en día, mi ciudad natal ya tiene un buen sistema de reciclaje. Y por todo el país están repartidos cerca de 43 mil contenedores. La gente del mundo occidental empieza a despertar para la importancia del reciclaje, la reutilización y la reducción. Tenemos las infraestructuras, la información y la educación, lo que significa que no tenemos ninguna excusa para no hacerlo.

Aquellos que me conocen saben que intento evitar a toda costa comprar artículos que contengan plástico, llevo mis bolsas de tela al mercado y trato de comprar a granel siempre que posible. De momento estoy viajando por India y la realidad de este lado es muy diferente. Comprar botellas de agua es algo que tengo que hacer diariamente, ya que el agua del grifo no está tratada y es impropio para el consumo. Me siento triste con la cantidad de basura que estoy generando aquí y trato de evitar bolsas de plástico y pajitas. En algunos lugares es difícil encontrar papeleras, imagina contenedores de reciclaje. El otro día compré un pastel que venía envuelto en un periódico, después de comer el pastel no encontré ninguna papelera para tirar la basura y decidí preguntar a alguien donde que hacer, a lo que me contestaron “puedes tirar la basura al suelo, más tarde alguien vendrá a limpiarlo”. Por más que esto no sea aceptable en mi cultura, tengo que ser abierta lo suficiente para percibir que las cosas aqui suceden a un nivel diferente. Las calles están extremadamente sucias con todo tipo de basura, la gente tira cosas por las ventanas de los coches y voy pisando basura constantemente. Se hace normal después de unas semanas.

No tengo suficiente conocimiento sobre el sistema de educación en la India y lo poco que sé es a través conversaciones con personas que voy conociendo. Aprendí que, de hecho, los indios ya aprenden sobre la importancia del reciclaje en la escuela . Hay también una campaña por toda la India, con el fin de alentar a las personas a colocar la basura en sus debidos lugares. Se llama “Clean India Mission” y el logotipo son las gafas de Gandhi con las palabras “India” y “Limpia” en cada lente. En la India viven alrededor de 1.37 millones de personas, Nueva Delhi tiene 11 millones de habitantes, lo misma cantidad que Portugal entero, por lo que entiendo lo difícil que es hacer que tantas personas colaboren en algo. Millones de personas no tienen siquiera acceso a algunas de las necesidades básicas, es normal que no perciban la importancia del reciclaje.

En el mundo occidental tenemos los mecanismos para mejorar, reutilizando más, comprando menos, dejando de usar plástico o al menos reduciendo drásticamente su uso. Tenemos agua tratada en la mayoría de los sitios y podemos adquirir un buen filtro para tener agua aún más pura. No hay necesidad de comprar botellas de agua, podemos elegir no comprar vegetales y frutas que vengan envasados ​​en plástico, podemos comprar a granel, podemos decir “no” a las bolsas de plástico, pajitas, compresas y tampones, etc. Votamos, con nuestro dinero, cada vez que compramos un artículo. Las grandes corporaciones crean alternativas porque les interesa vender y hacen todo lo que esté a su alcance para que compremos sus productos. No podemos esperar que sean ellos a dejar de vender plátanos envasados ​​en plástico. Tenemos que ser nosotr@s, l@s consumidor@s, a tomar la responsabilidad de disminuir la demanda. Si ellos saben que sus consumidores no compran esos plátanos a causa del plástico, tomarán medidas.

¡Reciclar es genial! Pero también sabemos que algunos tipos de materiales no son reciclables, como por ejemplo las pajitas, las bolsas de plástico, los vasos de café descartables, las toallitas, etc. Por eso nada mejor que evitar su consumo.

No quiero criticar a la India de ninguna manera, de hecho agradezco haber aprendido aquí esta primera lección. Lo que quiero decir con este artículo es que a veces ver otras realidades nos hace entender mejor nuestra propia realidad y podemos mejorarla también, especialmente cuando tenemos el poder y las herramientas para hacerlo.

Aquí está una lista de productos “sin desperdicio” alternativos para simplificar un poco nuestras vidas: http://orgranico.com/recopilatorio-11-alternativas-zero-waste/

Y tú, haces tu parte?

What happened when I stopped wearing a bra

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

O que aconteceu quando deixei de usar sutiã (PT)

Quando era miúda, ainda nem me tinham começado a crescer as maminhas e já dizia à minha mãe que queria usar sutiã. Lembro-me perfeitamente do primeiro conjuntinho de roupa interior, com cuequinha e top, que a minha mãe me comprou. Nesse dia fiz questão de posar para uma sessão de fotos caseira, vestida com esse conjunto e usando as minhas sandálias de salto alto (que tinham apenas três centímetros). Essas fotos vivem nalgum dos álbuns de família.

Comecei então a usar sutiã (ou algo parecido) quando ainda nem tinha mamas para ‘suster’. A pouco e pouco o seu uso começou a ser cada vez mais frequente – à medida que as minhas mamas também cresciam – até que passou a ser constante. Sair à rua sem sutiã passou a ser tão impensável como sair de casa sem cuecas. Sem sutiã sentia-me nua e desprotegida. Além disso durante muito tempo usei sutiãs que davam aos meus seios o aspecto que eu achava que eles deviam ter. O tamanho (maiores), forma (mais redondos) e localização (mais para cima) que eu achava que me fazia parecer mais desejável. Os sutiãs que usava davam volume através de esponjas e enchimentos, que apertavam os peitos em direcção ao centro e os puxavam para cima através de caixas com aros e muitos apertos.

Por outro lado, com o passar do tempo, o uso do sutiã começou a trazer cada vez mais desconforto. Ao ponto de ser a primeira coisa que tirava quando chegava a casa (muitas vezes até antes de descalçar os sapatos). A pouco e pouco deixei de usar sutiãs com “enchimento” e depois deixei de usar sutiãs com caixa. Durante uns anos usei sutiãs que se pareciam um pouco aos primeiros tops que a minha mãe me comprou quando era miúda, só que com tecidos e formas mais sexys e muito menos infantis. Ainda assim esses tecidos não eram a coisa mais confortável para mim, e os elásticos ainda apertavam.

Há um par de anos comecei a deixar de vestir o sutiã para ir à rua quando saía para fazer algo rápido, como deitar o lixo no contentor ou ir comprar algo à mercearia ao final da minha rua. Ao princípio sentia a tal sensação de nudez, de que estava a fazer algo errado ou até um pouco vergonhoso. Depois percebi que aquela sensação não era mais que isso, uma simples sensação, sem razão real. Essa sensação foi-se desvanecendo, e comecei a transgredir a norma cada vez mais vezes. Transgredir era exactamente o que comecei a sentir que fazia, cada vez que saía de casa sem o sutiã. Também essa sensação se foi desvanecendo, até que um dia percebi que não fazia sentido vestir algo que fisicamente me causava tanto desconforto.

Decidi deixar de usar sutiã no final do Inverno há dois anos atrás. Depois de um par de meses, livre de apertos, mas com várias camadas de roupa que ajudavam a que não se notasse tanto a falta dessa peça de roupa, veio o tempo dos tops, vestidos e t-shirts. Veio o tempo de assumir realmente a minha decisão. Agora era bastante evidente que não usava sutiã. O relevo dos meus mamilos era perceptível às vezes, a localização real dos meus seios também (uns bons três ou quatro centímetros mais abaixo da sua versão ‘sustentada’). O que a princípio causou algum constrangimento tornou-se verdadeiramente libertador. Além disso comecei a usar algumas peças de roupa que até então não usava porque não me agradava a forma como o sutiã ficava visível.

Antes de ter deixado de usar sutiã já era frequente fazer “top-less” na praia, depois deixou de me fazer qualquer sentido usar a parte superior do bikini. Só havia uma ocasião na qual ainda usava sutiã: para correr e fazer exercício. Ainda acreditava no mito que o peito podia sofrer algum tipo de lesão causada pelo seu livre movimento durante saltos e movimentos mais bruscos. Cerca de um ano depois de ter deixado de usar sutiã no dia-a-dia decidi sair para correr sem o sutiã desportivo porque não tinha nenhum lavado. Tal foi a minha surpresa quando, ao correr, o movimento não me causou nenhum tipo de dor nem desconforto. Quando há uns anos atrás até com o sutiã me doía o peito ao correr ou saltar!

Desde então sou 100% “bra free”. Desde então as minhas mamas estão mais firmes (apesar de já ter passado dos 30) e nunca mais ficaram doloridas depois de uma corrida. “Bra free” é como o movimento “barefoot” mas para as mamas, é mais um tipo de minimalismo, trata-se se eliminar algo que, no meu caso pelo menos, não trazia nenhum benefício mais além da prescrição social.

Alguns estudos apontam para a relação entre o uso de sutiãs e o cancro de mama, e já são muitas as plataformas que preconizam que deixar o sutiã não só traz conforto mas também pode ajudar a acabar com alguns tipos de dores de cabeça e de costas, melhorar a respiração e aumentar a auto-estima, entre outros benefícios. Eu tenho o peito pequeno, bem sei, mas não pensem que só as pessoas com o peito pequeno podem ser “bra free”. Na verdade há pela internet fora vários relatos, de mulheres com mamas de todos os tamanhos, que contam como o abandono dos sutiãs melhorou a sua qualidade de vida.

Afinal para que servem os sutiãs? Sutiã, vem do francês “soutien” que significa apoio ou suporte. Em português, apesar de não muito usado, outro nome para esta peça de roupa interior é “porta-seios” e a sua definição no dicionário é: Peça de vestuário feminino destinado a acomodar, acondicionar ou apoiar os seios”. Mas na realidade parece haver alguns indícios de que os seios afinal não beneficiam do suporte artificial.

Usamos sutiã porque aprendemos que é uma peça de roupa indispensável e normalmente não questionamos a sua real necessidade. Usamo-lo porque, na nossa sociedade, há uma dessas regras não escritas que diz que os mamilos femininos são ofensivos ou libidinosos e por isso merecedores de censura, ao passo que os mamilos masculinos não. A sociedade também dita que as mamas se querem bem puxadas para cima (para agradar à vista) mas sem que se movam demasiado (para não chamar demasiado a atenção para si mesmas?!).

Há mulheres que gostam de usar sutiã ou não se sentem cómodas sem ele. O propósito do movimento “Bra free” (e deste artigo) não é fazer com que todas as mulheres deixem de usar sutiã, nem muito menos criticar as que não abdicam desta peça de roupa, mas sim defender a liberdade de escolha para usar ou não sutiã, sem ter a preocupação da aceitação social, nem a pressão de mitos sem fundamento.

Estudos sobre o uso de sutiã e a sua relação com o cancro

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Alguns relatos de mulheres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

Indícios de que os seios não precisam de suporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

My chest was still completely flat when I started asking my mother if I could get a bra.  I remember perfectly the first set of underwear with panties and top that she bought me. On that same day I posed for a homemade photo shoot, wearing that set and my high-heeled sandals (which were actually only three centimetres high). These photos live somewhere in one of the many family photo albums.

So I started wearing a bra (or something alike) when I did not even had breasts to be ‘hold’. Little by little the use of this piece of clothing became more frequent – as my breasts also grew – until it became constant. Getting out to the street without a bra became as unthinkable as going outside without panties. Without bra I felt naked and unprotected. Also for a long time I wore bras that gave my breasts the looks I thought they should have. The size (larger), shape (more rounded) and location (higher up) that I thought made me look more desirable. The bras I wore created volume through sponges and fillers, tightened my breasts toward the center and pulled them up through wires and grips.

On the other hand, as time passed by, the use of the bra began to bring more and more discomfort. To the point of being the first thing I took off when I got home (often even before taking my shoes off). I then avoided wearing “filled” bras and afterwards stopped using underwired bras. For some years I wore bras that looked more like the first tops my mother bought me when I was a small girl, but with sexier fabrics and shapes. Yet these fabrics were not the most comfortable thing for me as the elastic bands were tightened .

A couple years ago I slowly stopped wearing bra when going out to do something fast, such as taking out  the trash or running some errands at the end of my street. At first I felt a sense of nakedness and that I was doing something wrong or even a little bit shameful. Then I realised that the sensation was just that, a simple sensation, with no real reason. That feeling faded, and I began transgressing more and more often. Transgressing was exactly what I felt I was doing every time I left home without my bra. That feeling also faded away, until one day I realised that it no longer made sense to wear something which physically caused me so much discomfort.

I decided to stop wearing bra two years ago, by the end of the winter. After a couple of months of freedom, but with several layers of clothing that helped concealing the lack of that piece of clothing, there came the tops, dresses and t-shirts season. The time to really put up with my decision had come. Now it was pretty obvious that I was not wearing a bra. The shape of my nipples was noticeable at times, the actual location of my breasts too (a good eight or nine inches lower than their ‘sustained’ version). What initially caused some embarrassment became truly liberating. Plus I started wearing some clothes that I had not used before because I did not like the way the bra was visible when I wore them.

Even before I stopped wearing bras I would go top-less on the beach, but now it was just nonsense to wear a full bikini. There was only one occasion when I still wore a bra: for running and exercising. I still believed in the myth that the breasts could suffer some kind of injury caused by its free movement during jumps and more abrupt movements. One day, about a year after I had stopped wearing a bra on a daily basis, I decided to go jogging without a sports bra. And I was really surprised that when running, the movement did not cause me any kind of pain or discomfort. Only the year before I would get my breasts sore when running or jumping!

Since then I am 100% “bra free”. Since then, my breasts are firmer (though I’m past 30) and never got sore again after a jog. “Bra free” is like the “barefoot movement” but for the breasts, it is one more type of minimalism, it is about eliminating something that, in my case at least, did not bring any benefit beyond the social prescription.

Some studies point to the correlation between the use of bras and breast cancer, and there are already many platforms that advocate that ditching the bra brings not only comfort but can also help to fix some types of headaches and backaches, improve breathing and increases self-esteem, among other benefits. I know I have a small pair of daisies, but do not think that only people with small boobs can be “bra free”. In fact there are a few online personal testimonies of women, with all breasts sizes, who explain how ditching the bra improved their lives.

So, what are bras for? “Bra” is short for “brassiere” that comes from the French word “brassière” – shoulder strap (17c.) – and/or from the Old French braciere – arm guard (14c.). Its definition in the dictionary is: “a piece of women’s underwear that supports the breasts.” Well, in reality there seems to be some evidence that the breasts ultimately do not benefit from artificial support.

We wear bras because we learn that it is an indispensable garment and we do not normally question its real need. We use it because in our society there is one of these unwritten rules that says that female nipples are offensive or libidinous, and therefore worthy of censorship, while male nipples are not. Society also states that breasts should be pulled up (to please the eye) but should not move too much (as so not to draw too much attention to themselves?!).

There are women who like to wear a bra or do not feel comfortable without it. The purpose of the “Bra free” movement (and this article) is not to make all women stop wearing bras, let alone criticise those who do not give up this garment. But to defend the freedom of choice of either wearing or not wearing bra, without the concern of social acceptance nor the pressure of unsubstantiated health myths.

Studies on the use of bra and its relation with cancer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

 “Bra Free” platforms

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Bra Free women testimonies

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Evidence that breasts do not need support

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

Aún no me habían empezado a crecer las tetitas cuando empecé a decir a mi madre que quería usar sujetador. Recuerdo el primer conjunto de ropa interior con braguitas y top que mi madre me compró. En ese día quise hacer una sesión de fotos casera, vestida con ese conjunto y usando mis sandalias de tacón alto (que tenían sólo tres centímetros). Esas fotos viven en alguno de los muchos álbumes de familia.

Empecé entonces a usar sujetador (o algo parecido) cuando aún no tenía tetas para ‘sostener’. A poco y poco su uso empezó a ser cada vez más frecuente – a medida que mis pechos también crecían – hasta que pasó a ser constante. Salir a la calle sin sujetador pasó a ser tan impensable como salir de casa sin bragas. Sin sujetador me sentía desnuda y desprotegida. Además, durante mucho tiempo usé sujetadores que daban a mis senos el aspecto que creía que debían tener. El tamaño (más grande), la forma (más redondos) y la ubicación (más arriba) que creía que me hacía parecer más deseable. Los sujetadores que usaba daban volumen a través de esponjas y rellenos, apretaban los pechos hacia el centro y los empujaban hacia arriba a través de cajas con aros y muchos aprietos.

Por otro lado, con el paso del tiempo el uso del sujetador comenzó a traer cada vez más incomodidad. Al punto de ser la primera cosa que me quitaba al llegar a casa (muchas veces hasta antes de quitarme los zapatos). A poco y poco dejé de usar sujetadores con “relleno” y luego dejé de usar sujetadores con caja. Durante unos años usé sujetadores que se parecían a los primeros tops que mi madre me compró cuando era niña, pero con tejidos y formas más sexys y mucho menos infantiles. Sin embargo, esos tejidos no eran la cosa más cómoda para mí, y las gomas todavía aprietaban.

Hace un par de años empecé a dejar de poner el sujetador cuando salía para hacer algo rápido, como tirar la basura o ir a comprar algo a la frutería al final de mi calle. Al principio sentía esa sensación de desnudez, de que estaba haciendo algo malo o vergonzoso. Después percibí que aquella sensación no era más que eso, una simple sensación, sin razón real. Esta sensación se desvaneció, y empecé a transgredir la norma cada vez más veces. Transgredir fue lo que pasé a sentir que hacía, cada vez que salía sin el sujetador. También esa sensación se fue desvaneciendo, hasta que un día percibí que no tenía sentido vestir algo que físicamente me causaba tanto incomodidad.

Decidí dejar de usar sujetador al final del Invierno, hace dos años. Después de un par de meses, libre de apretones, pero con varias capas de ropa que ayudaban a que no se notara tanto la falta de esa prenda, vino el tiempo de los tops, de los vestidos y las camisetas. Vino el tiempo de asumir realmente mi decisión. Ahora era bastante evidente que no usaba sujetador. El relieve de mis pezones era perceptible a veces, la ubicación real de mis senos también (unos buenos tres o cuatro centímetros más abajo de su versión “sujetada”). Lo que al principio causó cierta vergüenza se volvió verdaderamente liberador. Además, empecé a usar algunas prendas que hasta entonces no usaba porque no me gustaba la forma cómo el sujetador quedaba visible.

Antes de dejar de usar sujetador ya era frecuente hacer “top-less” en la playa, pero después dejó de hacer cualquier sentido usar la parte superior del bikini. Sólo había una ocasión en la que todavía usaba sujetador: para correr y hacer ejercicio. Todavía creía en el mito que el pecho podía sufrir algún tipo de lesión causada por su libre movimiento durante saltos y movimientos más bruscos. Um dia, al cabo de un año después de haber dejado de usar sujetador en el día a día, decidí salir para correr sin el sujetador deportivo. Tal fue mi sorpresa cuando al correr el movimiento no me causó ningún tipo de dolor ni molestia. ¡Cuando un año antes hasta con el sujetador me dolía el pecho al correr o saltar!

Desde entonces soy 100% “bra free”. Desde entonces mis tetas están más firmes (a pesar de ya haber pasado de los 30) y nunca más quedaron doloridas después de una carrera. “Bra free” es como el movimiento “barefoot” pero para las tetas, es más un tipo de minimalismo, se trata de eliminar algo que, en mi caso por lo menos, no traía ningún beneficio más allá de la prescripción social.

Algunos estudios apuntan a la relación entre el uso de sujetadores y el cáncer de mama, y ​​ya son muchas las plataformas que preconizan que dejar el sujetador trae no sólo comodidad pero también puede ayudar a acabar con algunos tipos de dolores de cabeza y de espalda, mejorar la respiración y aumentar la autoestima, entre otros beneficios. Yo tengo el pecho pequeño, bien sé, pero no piensen que sólo las personas con el pecho pequeño pueden ser “bra free”. En realidad hay por internet fuera varios relatos, de mujeres con tetas de todos los tamaños, que cuentan cómo el abandono de los sujetadores mejoró su calidad de vida.

Al final, para qué sirven los sujetadores? “Sujetador” es algo que sujeta. Otro nombre para esta prenda de ropa interior es “sostén” o sea “cosa que sostiene”… Pero en realidad parecen haber algunos indicios de que los senos al final no se benefician del soporte artificial.

Usamos sujetador porque aprendemos que es una pieza de ropa indispensable y normalmente no cuestionamos su real necesidad. Lo usamos porque en nuestra sociedad hay una de esas reglas no escritas que dice que los pezones femeninos son ofensivos o libidinosos, y por eso merecedores de censura, mientras que los pezones masculinos no. La sociedad también dice que las tetas se quieren bien tiradas hacia arriba (para agradar a la vista) pero también de manera que no se muevan demasiado (para no llamar demasiado la atención hacia sí mismas ?!).

A algunas mujeres les gusta usar sujetador o no se sienten cómodas sin él. El propósito del movimiento “Bra free” (y de este artículo) no es hacer que todas las mujeres dejen de usar sujetador, ni mucho menos criticar a las que no abdican de esta prenda. Sino defender la libertad de elección para usar o no el sujetador, sin tener la preocupación de la aceptación social ni la presión de mitos sin fundamento.

Estudios sobre el uso de sujetador y su relación con el cáncer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

 Algunos relatos de mujeres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Indicios de que los senos no necesitan soporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/

Buen Camino!

Buen Camino! (PT)

Buen Camino! (ES)

Buen Camino! (EN)

Some years ago I went on a family trip to the north of Portugal and Galicia (Spain). When getting to Santiago de Compostela I started to see all of these people with backpacks and hiking poles that were walking the “Camino de Santiago”. Nico and I agreed that one day we would do it together. Although it seemed to me something very difficult and that we would need months of preparation and a strong will to do so. Therefore, I imagined it happening only when I was fit enough to be up for the challenge.

Little did we know that three years later we would be finally walking the Camino. Funny enough, I was actually in a very bad shape, after one year of studying and working in Vancouver that had left me drained, overweight and with some vitamins and minerals deficiencies. I knew this would be definitely a challenge.

Nico programmed most of the trip. She had researched where we were staying, how many kilometers we were walking per day and all the logistics. We started in Sarria, which meant that we would have to walk around 110 km in five days. We came up with a plan to wake up quite early (around 7am), walk for about two hours, take a break for the breakfast, keep walking until we reached the destination for the day, go to the hostel to take a shower and drop the backpacks, go to a restaurant to have a late lunch and chill out the entire afternoon in a park. Our bags were not heavy but every kilogram counts when you are hiking for so many hours up and down hills. You can feel that extra liter in the water bottle you carry. 

The first day was quite easy and fun. We encountered countless people along the way wishing a “buen camino” (translates for “have a good walk”), all kinds of people from all over the world, in all different age groups, some in better shape than others. Some were doing it for the first time, just like we were, others had been walking the Camino every year for several years. Some had just started the walk, others were walking for almost one month. Some did it as a physical exercise, others for spiritual reasons or even just for the adventure. Some were alone, others came in groups.

The following days got a bit tougher and harder due to the muscle pain from walking so many kilometers. Sometimes it was really painful to start walking again after having a small break. At some point I lost count of how many people were full of bruises and blisters and I could almost feel their pain just by looking at the way they were walking. Luckily Nico and I didn’t have any feet problems as we were wearing barefoot shoes (Barefoot) but we had other aches and pains in our legs and backs.

To me, doing the Camino is not just about overcoming the physical struggles but above all the mental obstacles we face along the way. Even though Nico and I decided to do this together, it didn’t mean we had to walk together. In fact, for the most part we decided to split and walk with our own individual pace. That meant being alone with our own minds and thoughts for hours on end. There were some things I learned from this experience and would like to share:

Every body has a different rhythm. Some people were supper fit, overtaking everyone they would pass through, others on the other hand, were walking in an extremely slow pace as they probably had some physical issues. However, all of them got to Santiago (the final destination) at some point. The exact same happens in our day to day life. If there’s a goal we want to achieve, we can start walking towards that goal in a pace we feel comfortable to do so. We will eventually get there sooner rather than later.

The physical struggles we encounter by walking endless meters are surpassed minute-by-minute, hour-by-hour, day-by-day. Meaning that it is more about our mental strength than being in a good shape. If I could walk in pain, with hunger and a heating sun over my head, than I guess I can face daily routine problems as well. Transforming those struggles in victories.

Carrying a small backpack along the way, with just the necessary items, made me understand of how little we can live with. I used the same t-shirt and leggings during those five days and even though they were dirty and dusty most of the time (I only washed them once), I didn’t feel the need for more clothing items. The remaining carried weight was due to water, fruit and snacks I carried around to give me fuel to keep me going. In our day-to-day life we carry way to many concerns, beliefs and struggles that we don’t need as well. If we only take the essential, we end up living with those things that are really meaningful and important to us.

After walking for so long during the first part of the day, we made sure we would have our well-deserved rest for the second part of the day. We chilled in parks, did some stretching, played cards and had long conversations. Which made me think of how in our busy lives we often don’t get to spend quality time with those we love and doing the things we enjoy. Rest and quality time are crucial to keep a healthy and sane lifestyle.

Most of the Camino has amazing pathways in such a diverse nature: mountains, plains, grass fields, plantations, streams, old villages and ruins. In order to hike up and down hill you need to be present, otherwise you can stumble on a rock or step on cow manure. Just like in our daily routine, if you are not present in every moment you can make mistakes, get ill or hurt and eventually be in “shitty” situations ☺.

In order to learn something, we need to put ourselves out there, outside our comfort zone. There’s where growth takes place.

I truly advise everybody to do something like this. You don’t need to walk for five days in a row, just getting out there in nature, carrying your own belonging along the way (to really see how little you need) and most important be present with yourself and your own thoughts.

I can’t wait to do it again soon!

Buen Camino! (PT)
Há alguns anos fiz uma viagem com a família ao norte de Portugal e Galiza (Espanha). Quando chegámos a Santiago de Compostela comecei a ver imensos mochileiros com bastões que tinham feito o “Caminho de Santiago”. A Nico e eu acordámos que um dia o faríamos juntas. No entanto pareceu-me a mim algo muito difícil e que precisaríamos de meses de preparação física e muita força de vontade para o fazermos. Desse modo, imaginei fazê-lo só quando tivesse em forma suficiente para este desafio.

Mal sabia eu que três anos mais tarde estaríamos nós a fazer o Camino. O mais engraçado é que eu estava em péssima forma física, depois de um ano a trabalhar e estudar em Vancouver que me deixou esgotada, com algum peso a mais e com várias deficiências a nível nutricional. Sabia que isto seria de facto um grande desafio.

A Nico programou a maior parte da viagem. Pesquisou onde ficaríamos a dormir, quantos quilómetros faríamos por dia e todas as outras questões de logística. Começámos em Sarria, o que significava termos de percorrer cerca de 110 km em cinco dias. Fizemos um plano e decidimos acordar cedo (por volta das 7h00), andar por cerca de duas horas, fazer uma pausa para o pequeno-almoço, continuar a caminhada até chegar ao destino desse dia, ir ao hostel para tomar banho e deixar as mochilas, escolher um restaurante para almoçarmos e relaxar o resto do dia num parque. As nossas malas não estavam pesadas mas todos os quilos contam quando estás a caminhar por tantas horas com subidas e descidas. Um litro a mais ou a menos na garrafa de água fazia-se logo notar.

O primeiro dia foi relativamente fácil e divertido. Passámos por várias pessoas que nos iam desejando “buen camino”, todo o tipo de pessoas de todas as partes do mundo, de todas as faixas etárias, alguns em melhor forma que outros. Umas estavam a fazê-lo pela primeira vez, tal como nós, outros faziam o Caminho todos os anos. Umas tinham começado o Caminho há pouco tempo, outras já caminhavam há quase um mês. Umas faziam-no como forma de exercício físico, outras por razões espirituais e havia quem quisesse apenas ter a experiência daquela aventura. Umas estavam sozinhas, outras vinham em grupos.

Os dias que se seguiram tornaram-se um pouco mais duros e difíceis devido às dores nos músculos por andar tantos quilómetros. Às vezes era muito doloroso voltar a mexer as pernas depois de uma curta pausa. A certa altura perdi conta às pessoas, pelas quais passava, que estavam cheias de feridas ou bolhas nos pés e eu quase conseguia sentir as suas dores só de olhar para a forma como elas caminhavam. Felizmente a Nico e eu não tivemos esse tipo de problemas nos pés porque andámos com sapatos “barefoot” (Descalç@), mas tínhamos outras dores e mazelas nas pernas e costas.

Para mim, fazer o Caminho não é apenas uma questão de ultrapassar as dificuldades a nível físico mas, mais que tudo, os obstáculos mentais que enfrentamos a cada passo. Ainda que a Nico e eu tenhamos decidido fazê-lo juntas, não significava que teríamos de caminhar juntas. Na verdade, a maior parte do tempo andávamos separadas, cada uma no seu ritmo. Isso fez com que estivéssemos sozinhas com as nossas mentes e pensamentos por horas a fio. Houveram algumas coisas que aprendi com esta experiência e gostava de partilhar:

Cada corpo tem um ritmo diferente. Algumas pessoas estavam em ótima forma e iam ultrapassando toda a gente pelo caminho, outras por outro lado caminhavam num passo lentíssimo, talvez por sofrerem de algum problema motor. No entanto, todas essas pessoas chegaram a Santiago (o destino final) a seu tempo. O mesmo acontece nas nossas vidas. Se há algum objectivo que queremos atingir, podemos começar a andar na sua direção num passo que seja confortável para nós. Eventualmente chegaremos lá, mais cedo ou mais tarde.

Os problemas a nível físico que encontramos ao caminharmos quilometros que parecem não ter fim, vão sendo ultrapassados minuto a minuto, hora a hora, dia a dia. O que significa que a nossa força de vontade é mais importante do que a nossa forma física. Se eu consegui andar suportando dores, fome e o sol quente a bater na cabeça, então também consigo enfrentar problemas da rotina diária. Transformando essas dificuldades em vitórias.

Carregar uma mochila pequena pelo caminho, com apenas os itens necessários, fez-me perceber que necessitamos de muito pouco pra viver. Usei a mesma t-shirt e leggings durante aqueles cinco dias e mesmo que tivessem alguma sujidade e pó a maior parte das vezes (só as lavei uma vez), não senti necessidade de ter mais roupa. O restante peso era devido à água, fruta e snacks que carregava para me darem energia e assim conseguir prosseguir na caminhada. No nosso dia-a-dia carregamos demasiados problemas, crenças e dificuldades dos quais também não precisamos. Se só levarmos o essencial, acabamos por viver com aquelas coisas que são realmente importantes e relevantes para nós.

Depois de caminharmos por tanto tempo na primeira parte do dia, fizemos questão de garantir o tão merecido descanso na segunda metade. Relaxámos-nos em parques, fizemos alongamentos, jogámos às cartas e tivemos longas conversas. O que me fez pensar que nos nossos dias tão ocupados acabamos por não passar tempo de qualidade com aqueles que amamos nem a fazer aquilo que gostamos. Descanso e tempo de qualidade é essencial para manter um estilo de vida saudável.

A maior parte do Caminho tem paisagens maravilhosas e muita diversidade natural: montanhas, planícies, campos de erva, plantações, riachos, vilas antigas e ruínas. Para descer e subir tantas colinas é preciso caminhar com consciência e estar presentes no momento, de outra forma corremos o risco de tropeçar numa pedra ou pisar esterco de vaca. Assim como na nossa rotina diária, se não estivermos presentes no momento podemos cometer erros, ficar doentes e eventualmente acabar em situações de merda☺.

Para que consigamos aprender alguma coisa, temos que nos colocar fora da nossa zona de conforto. É aí que o crescimento pessoal acontece.

Eu aconselho vivamente a toda a gente fazer algo deste género. Não é necessário andar por cinco dia seguidos, basta passar algum tempo na natureza apenas carregando o essencial, e o mais importante é estar presente no momento e consciente dos próprios pensamentos.

Mal posso esperar por fazê-lo novamente!

Buen Camino! (ES)

Hace unos años hice un viaje con la familia al norte de Portugal y Galicia. Cuando llegamos a Santiago de Compostela empecé a ver muchos mochileros con bastones que habían hecho el “Camino de Santiago”. Nico y yo nos comprometemos a que un día lo haríamos juntas. Sin embargo, me pareció algo muy difícil y que necesitaríamos meses de preparación física y mucha fuerza de voluntad para hacerlo. De ese modo, pensé hacerlo sólo cuando estuviera en forma lo suficiente para este desafío.

Mal sabía que tres años más tarde estaríamos haciendo el Camino. Lo más gracioso es que yo estaba en pésima forma física, después de un año trabajando y estudiando en Vancouver que me dejó agotada, con algún sobrepeso y con varias deficiencias a nivel nutricional. Sabía que sería realmente un gran desafío.

Nico ha programó la mayor parte del viaje. Planeó dónde dormíamos, cuántos kilómetros haríamos al día y todas las demás cuestiones de logística. Comenzamos en Sarria, lo que significaba que iríamos a recorrer unos 110 km en cinco días. Hicimos un plan y decidimos despertar temprano (alrededor de las 7:00), caminar cerca de dos horas, hacer una pausa para desayunar, continuar la caminata hasta llegar al destino de ese día, ir al hostel para bañarnos y dejar las mochilas, elegir un restaurante para comer y relajar el resto del día en el césped de un parque. Nuestras mochilas no estaban pesadas pero todos los kilos cuentan cuando estás caminando por tantas horas con subidas y bajadas. Un litro más o menos en la botella de agua se hacía notar.

El primer día fue relativamente fácil y divertido. Pasamos por varias personas que nos iban deseando “buen camino”, todo tipo de personas de todas partes del mundo, de todas las edades, algunos en mejor forma que otros. Unas estaban haciéndolo por primera vez, al igual que nosotras, otras hacían el Camino todos los años. Unas habían comenzado el Camino hace poco, otras ya caminaban hacia casi un mes. Unas lo hacían como forma de ejercicio físico, otras por razones espirituales y había quien quisiera apenas tener la experiencia de aquella aventura. Unas estaban solas, otras venían en grupos.

Los días que siguieron fueron un poco más duros y difíciles debido a los dolores musculares por caminar tantos kilómetros. A veces era muy doloroso volver a mover las piernas después de una corta pausa. A cierta altura perdí cuenta a las personas, por las que pasaba, que estaban llenas de heridas o ampollas en los pies. Yo casi conseguía sentir sus dolores sólo de mirar la forma en que ellas caminaban. Afortunadamente a Nico y yo no tuvimos ese tipo de problemas en los pies porque caminamos con zapatos “barefoot” (Descalz@), pero teníamos otros dolores y molestias en las piernas y en la espalda.

Para mí, hacer el Camino no es sólo una cuestión de superar las dificultades a nivel físico sino, más que todo, los obstáculos mentales que enfrentamos a cada paso. Aunque Nico y yo hemos decidido hacerlo juntas, no significaba que tendríamos que caminar juntas todo el rato. En realidad, la mayor parte del tiempo caminábamos separados, cada una a su ritmo. Esto hizo que estuviéramos solas con nuestras mentes y pensamientos por muchas horas. Hubo algunas cosas que aprendí de esta experiencia y me gustaría compartirlo:

Cada cuerpo tiene un ritmo diferente. Algunas personas están en gran forma y se adelantan a todo el mundo, otras caminan en un paso lentísimo, quizás por sufrir algún problema motor. Sin embargo, todas esas personas llegan a Santiago (el destino final) a su tiempo. Lo mismo sucede en nuestras vidas. Si hay algún objetivo que queremos alcanzar, podemos empezar a caminar en su dirección en un paso que sea cómodo para nosotr@s. Finalmente llegaremos allí, tarde o temprano.

Los problemas a nivel físico que encontramos al caminar muchos kilómetros, van siendo superados a cada minuto, a cada hora, a cada día. Lo que significa que nuestra fuerza de voluntad es más importante que nuestra forma física. Si yo puedo caminar soportando dolores, hambre y el sol caliente sobre mi cabeza, entonces pienso que también consigo enfrentar problemas de la rutina diaria. Transformando esas dificultades en victorias.

Cargar una mochila pequeña por el camino, con sólo los elementos necesarios, me hizo percibir que necesitamos de poco para vivir. He utilizado la misma camiseta y leggings durante esos cinco días y aunque tuvieron alguna suciedad y polvo la mayor parte de las veces (sólo las lavé una vez), no sentía necesidad de tener más ropa. El resto del peso era debido al agua, fruta y snacks que cargaba para darme energía y así conseguir proseguir en la caminata. En nuestro día a día cargamos demasiados problemas, creencias y dificultades de los que tampoco necesitamos. Si sólo llevamos lo esencial, acabamos por vivir con aquellas cosas que son realmente importantes y relevantes para nosotros.

Después de caminar por tanto tiempo en la primera parte del día, hicimos cuestión de garantizar el tan merecido descanso en la segunda mitad. Nos relajamos en parques, hicimos estiramientos, jugamos a las cartas y tuvimos largas conversaciones. Lo que me hizo pensar que en nuestros días tan ocupados acabamos por no pasar tiempo de calidad con aquellos que amamos ni a hacer lo que nos gusta. El descanso y el tiempo de calidad son esenciales para mantener un estilo de vida saludable.

La mayor parte del Camino tiene paisajes maravillosos y mucha diversidad natural: montañas, llanuras, campos de hierba, plantaciones, arroyos, villas antiguas y ruinas. Para bajar y subir tantas colinas hay que caminar con conciencia y estar presentes en el momento, de otra forma corres el riesgo de tropezar en una piedra o pisar estiércol de vaca. Así como en nuestra rutina diaria, si no estamos presentes en el momento podemos cometer errores, ponernos enfermos y eventualmente acabar en situaciones de mierda ☺.

Para que podamos aprender algo, tenemos que colocarnos fuera de nuestra zona de confort. Es ahí donde ocurre el crecimiento personal.

Yo aconsejo vivamente a todo el mundo hacer algo de este género. No es necesario caminar por cinco días seguidos, basta pasar algún tiempo en la naturaleza apenas cargando lo esencial, y lo más importante es estar presente en el momento y consciente de los propios pensamientos.

No puedo esperar para hacerlo de nuevo!

A meditative state of mind

Um estado de espirito meditativo (PT)

Un estado de espíritu meditativo (ES)

A meditative state of mind (EN)

Imagine yourself in a room full of people. Around 120 people. Males are sitting on the left side of the room and females on the right side, forming rows. Everybody is sitting facing two masters – the female Master is sitting facing the female’s rows and the male Master faces the male’s rows. Pillows are piled up underneath each individual’s bottom to make a crossed leg position more bearable. There’s silence. So much silence that you don’t have to make any effort to hear the breath of the person sitting right next to you, the drizzling rain outside the door or the singing stomachs of other people. Everyone has their eyes closed. You close your eyes too. The journey starts.

I had researched about meditation, watched some videos, downloaded an app. But somehow I didn’t fully grasped what meditation was all about. I only knew that it was supposed to give you peace of mind, ground you, reduce stress and depression, etc. just like many research articles show. Something so simple such as closing your eyes, sitting in a comfortable position and let go of your thoughts was too hard. I got frustrated at times because nothing seemed to happen. I had read so many testimonials of people that had changed their lives after starting to practice meditation regularly, or started to notice that they could meditate longer and longer each week. Some would even say that they had contacted other entities during meditation. I had so many expectations due to this success stories but I guessed it wasn’t working for me. Maybe meditation wasn’t for everybody. But I didn’t give up on trying.

Back in 2016, still living in Amsterdam, I had an introduction to Mindfulness meditation class. Maybe I needed some guidance and would finally understand how it worked. I remember that in the end of that class, which lasted one hour, the teacher mentioned that she had recently completed a silent retreat that went on for ten days, called Vipassana. I was in awe. It was something so new for me that my first thought was: “why would people want to be in silence and sit still for ten days?”. This was another level! If I couldn’t even sit still, without having a million thoughts in my head, for ten minutes straight, I could not imagine how would it be possible for ten days. Although I had this introduction to meditation class, I didn’t continue practicing it on a regular basis afterwards.

Months later, while traveling in S.E. Asia I met several people that had done Vipassana or were about to do. It got me more curious. Even though this was becoming to me a very well known “thing” that more and more people were talking about, I never asked too much about it nor researched. I knew I would like to do it eventually, in the near future, and wanted to be surprised somehow. I can’t tell why, but if there’s anything that can potentially challenge myself and make me grow as a person and see things from another perspective, I’m on board sooner or later. From the feedback I got, some people liked the experience, others not so much but all of them had learned something from it. I went on and applied for it in Malaysia, however because there were only so many vacancies, I stayed on the waiting list. I ended up not being called and understood that maybe it wasn’t the right time just yet. Instead I figured that maybe was the time for me to give it a go and start meditating without expectations. It would be a good preparation, and less of a shock, for when I would get accepted into a meditation retreat. I did it on-and-off, from five to ten minutes maximum.

One year and a half later I was in Spain doing Vipassana.

Vipassana, which means “to see things as they really are”, is an ancient meditation technique rediscovered by Buddha more than 2500 years ago. It focus on the interconnection between mind and body through self-observation and is teached by S.N. Goenka. This retreats are available worldwide and are donation based to be accessible to everyone.

The first paragraph of this article relates how it all started. I knew that in order to meditate I would be sitting for several hours – about 10h or 11h (with small breaks in between). What I didn’t know, because had not experienced it yet, was how uncomfortable you can get after a couple hours sitting in the same position. Everything hurts on a physical level, you feel itchiness and want to scratch your head, a fly lands on your nose. And you try to focus on the technique and try not to move. Vipassana teaches you equanimity, which is to observe those sensations and not react to them. It’s not easy by any means but it is achievable (even if for brief moments). I learned not only on a physical level that that is possible, but most importantly on a mental level. Anything that happens in your life, good or bad, will pass just like the itchiness in your head does.

Being in silence 24/7 was the best part for me. I couldn’t gossip (a big flaw of mine), meaningless chit-chat didn’t happen, groups didn’t form. Each individual was focused on themselves. Males and females had two different access routes, dorms, canteens and never crossed paths to avoid distractions.  

On the second day of the retreat was my 30th birthday. I obviously didn’t have access to my cell phone and Wi-Fi to receive birthday messages. But during that day, a rainy day, I never stop thinking about the people that I love and love me back. Including those that I miss dearly and are in another dimension but, I believe, are still in my life. A massive rainbow in the sky smiled at me among the clouds and made my day. Such a simple thing that we don’t do justice to in our day-to-day busy lives but was huge to me in this context.

Everyday in the retreat is basically the same, you even create your own routine. What changes is the level of difficulty that the technique demands every single day. And you start to change as well. It’s a long time spent with yourself, your thoughts, in your head.

After an experience like this, I wish everybody could try it once in life. It’s so uncomfortable to be with our own self for such a long period of time. However, in opposite to what I used to think, I believe that meditation is for everybody. In order to meditate you don’t need to go to a retreat, you don’t need to research and you don’t even need to be sitting with closed eyes. Today I go for long walks to meditate, I wash my dishes or cook in a meditative state. What it means to meditate can vary depending on the technique but there’s not even a need to follow a specific technique. You can simply be present and with every single thought that appears in your mind, you accept it and lay it aside. If another thought comes up, you do the same – you let it aside. And so on and so on. Just by trying to do so, you are already meditating.

Do you practice or have you practiced any kind of meditation? If not, why? Did this article made you at least a little bit curious about meditation or Vipassana?

I leave you with some very interesting scientific data about meditation and some of the effects it can have on your lifestyle and mental health:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Um estado de espirito meditativo (PT)
Imagina-te numa sala cheia de pessoas. Cerca de 120 pessoas. Os homens estão sentados do lado esquerdo da sala e as mulheres do lado direito, formando filas. À frente estão dois mestres – a Mestra está sentada de frente para as filas femininas e o Mestre em frente às filas masculinas.

Há almofadas empilhadas por baixo do rabo de cada indivíduo para que a posição sentada com as pernas cruzadas sejam mais tolerável. Há silêncio. Tanto silêncio que não tens que fazer nenhum esforço para ouvir a respiração da pessoa ao teu lado, o barulho da chuva miudinha lá fora ou os estômagos cantantes de outras pessoas. Todos tem os olhos fechados. Tu fechas os teus olhos também. A viajem começa.

Eu tinha pesquisado sobre meditação, tinha visto alguns vídeos, fiz download de uma app. No entanto não entendia bem o que era de facto a meditação. Só sabia que era suposto dar paz de espírito, fazer-nos estar mais presentes, reduzir stress e depressão, etc. assim como mostram muitos artigos de estudos feitos. Algo tão simples como fechar os olhos, estar sentado numa posição confortável e deixar de lado os pensamentos era demasiado difícil. Por vezes sentia-me frustrada porque nada parecia acontecer. Tinha lido tantos testemunhos de pessoas que mudaram as suas vidas após começarem a praticar meditação regularmente, ou começaram a notar que conseguiam meditar cada mais e mais tempo a cada semana. Algumas pessoas diziam até que tinham conseguido contactar outras entidades durante a meditação. Eu tinha altas expectativas por saber destas histórias de sucesso e já começava a achar que talvez não estivesse a resultar comigo. Talvez meditação não fosse para toda a gente. Mesmo assim não desisti.

Em 2016, ainda a viver em Amesterdão, fui a uma aula de introdução à meditação “Mindfulness”. Talvez o que eu precisava era de alguma orientação para perceber finalmente como é que isto funcionava. Lembro-me que no final da aula, que durou uma hora, a professora mencionou que recentemente tinha estado a fazer um retiro de silêncio com a duração de dez dias, chamado Vipassana. Eu fiquei pasmada. Era algo tão novo para mim que o meu primeiro pensamento foi: “mas por que raio é que as pessoas querem estar em silêncio e sentadas sem quase se mexerem durante dez dias?”. Isto era um nível muito à frente! Se eu mal conseguia estar sentada, por dez minutos seguidos, sem que milhares de pensamentos me ocorressem na cabeça, não imaginava como era possível fazê-lo por dez dias. Mesmo depois desta aula de introdução à meditação acabei por não praticar com regularidade.

Meses mais tarde, a viajar no Sudeste Asiático, conheci várias pessoas que tinham feito Vipassana ou estavam prestes a fazer. Fiquei com mais curiosidade. Embora para mim isto se tivesse a tornar uma “coisa” conhecida, que cada vez mais pessoas falavam, nunca perguntei muito sobre isso nem fiz muita pesquisa. Sabia que eventualmente gostaria de fazê-lo num futuro próximo e queria surpreender-me de alguma forma. Não sei explicar porquê, mas se houver alguma coisa que me possa desafiar potencialmente, fazer-me crescer como pessoa e ver as coisas de outra perspectiva, eu acabo por querer experimentar mais cedo ou mais tarde. Daquel@s que já tinham feito, ouvi comentários positivos, outros nem tanto, mas tod@s el@s diziam que tinham aprendido alguma coisa. Fui em frente e inscrevi-me no retiro na Malásia mas infelizmente todas as vagas já tinha sido preenchidas e eu fiquei em lista de espera. No fim das contas não fui chamada e percebi que talvez ainda não fosse a hora certa. Em vez disso, pensei que estivesse na hora de dar uma outra oportunidade e começar a meditar sem expectativas. Seria uma boa preparação, e menos chocante, para quando fosse aceite num retiro de meditação. Fi-lo sem grande regularidade, de cinco a dez minutos no máximo.

Um ano e meio depois, estava eu em Espanha a fazer Vipassana.

Vipassana, que significa “ver as coisas como elas realmente são”, é uma técnica de meditação ancestral redescoberta por Buda, há mais de 2500 anos. Foca-se na interconexão entre mente e corpo através de auto-observação e é ensinada por S.N. Goenka. Estes retiros estão disponíveis no mundo inteiro e baseiam-se em doações para seres acessíveis a qualquer pessoa.

O primeiro parágrafo deste artigo relata como tudo começou. Eu sabia que para meditar teria de estar sentada várias horas – cerca de 10h ou 11h (com pequenas pausas). O que eu não sabia, porque nunca tinha experienciado, era o quão desconfortável te podes sentir umas horas depois de estares sentado na mesma posição. Tudo dói a nível físico, sentes comichão e queres coçar a cabeça, uma mosca aterra no teu nariz. E tu tentas-te focar na técnica e tentas não te mexer. Vipassana ensina-te equanimidade, que é o observar essas sensações sem que reajas a elas. Não é fácil de modo nenhum mas é alcançável (nem que seja por breves momentos). Eu aprendi que isto é possível não só a nível físico, mas mais importante, a nível mental. Tudo o que aconteça na tua vida, bom ou mau, vai passar assim como a comichão na cabeça passa.

Estar em silêncio 24 sob 24 horas foi a melhor parte para mim. Não podia fofocar (um grande defeito meu), não se fazia conversa fiada, não se formavam grupos. Cada indivídu@ estava focad@ nel@ mesm@. Homens e mulheres tinham dois caminhos de acesso, cantinas e dormitórios distintos e nunca se cruzavam para evitar distrações.

No segundo dia do retiro era o meu aniversário de 30 anos. Obviamente não tinha acesso ao meu telemóvel nem WI-FI para receber mensagens de parabéns. Mas durante aquele dia, bem chuvoso, nunca parei de ter em mente as pessoas que amo e me amam a mim. Incluindo aquelas de quem tenho tantas saudades e estão noutra dimensão mas que, acredito eu, estão ainda na minha vida. No céu um arco-íris enorme sorriu pra mim por entre as nuvens e fez o meu dia. Uma coisa tão simples à qual não damos muito valor no nosso dia-a-dia atarefado mas que neste contexto teve muito significado.

Todos os dias no retiro são basicamente iguais, até crias a tua própria rotina. O que se altera é o nível de dificuldade que a técnica demanda a cada dia. E tu começas a mudar também. É muito o tempo que passas contigo mesmo, os teus pensamentos, dentro da tua cabeça.

Depois de uma experiência destas, gostava que todas as pessoas pudessem experimentá-la uma vez na vida. É tão desconfortável estarmos connosco próprios por um longo período de tempo. Ainda assim, contrariando o que eu costumava pensar, acredito que a meditação é sim para toda a gente. Para meditares não precisas de fazer um retiro, não precisas de pesquisar sobre isso e nem precisas de te sentar de olhos fechados. Hoje faço caminhadas longas para meditar, lavou a loiça ou cozinho num estado meditativo. O tipo de meditação pode variar consoante a técnica utilizada mas nem sequer é necessário seguir uma técnica específica. Podes estar simplesmente presente e a cada pensamento que apareça na tua mente, tu aceita-o e deixa-o ir. Se outro pensamento vier fazes o mesmo – deixa-o ir. E assim por diante. Só pelo facto de tentares fazê-lo, já estás a meditar.

Praticas ou já praticaste algum tipo de meditação? Se não, porquê? Este artigo deixou-te um pouco mais curios@ sobre a meditação ou sobre Vipassana?

Deixo-te com os seguintes artigos científicas, muito interessantes acerca da meditação e alguns dos seus efeitos a nível de estilo de vida e saúde mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Un estado de espíritu meditativo (ES)

Imagínate en una sala llena de gente. Cerca de 120 personas. Los hombres están sentados en el lado izquierdo de la sala y las mujeres del lado derecho, formando filas. Delante están dos maestros – la Maestra está sentada frente a las filas femeninas y el Maestro frente a las filas masculinas.

Hay cojines apilados debajo del culo de cada individu@ para que la posición sentada con las piernas cruzadas sea más tolerable. Hay silencio. Tanto silencio que no tienes que hacer ningún esfuerzo para oír la respiración de la persona a tu lado, el ruido de la lluvia en el exterior o los estómagos cantantes de otras personas. Todos tienen los ojos cerrados. Tú cierras tus ojos también. El viaje comienza.

Yo había investigado acerca de la meditación, había visto algunos vídeos, descargué una aplicación. Sin embargo, no entendía bien lo que era de hecho la meditación. Sólo sabía que se suponía dar paz de espíritu, hacernos estar más presentes, reducir el estrés y la depresión, etc. así como muestran muchos artículos de estudios hechos. Algo tan simple como cerrar los ojos, estar sentado en una posición cómoda y dejar de lado los pensamientos era demasiado difícil. A veces me sentía frustrada porque nada parecía suceder. Había leído tantos testimonios de personas que cambiaron sus vidas después de comenzar a practicar meditación regularmente, o empezaron a notar que podían meditar cada vez más cada semana. Algunas personas decían hasta que habían logrado contactar a otras entidades durante la meditación. Yo tenía altas expectativas por saber de estas historias de éxito y ya empezaba a pensar que quizás no resultara conmigo. Quizás la meditación no era para todo el mundo. Sin embargo, no desisti.

En 2016, aún viviendo en Amsterdam, fui a una clase de introducción a la meditación “Mindfulness”. Quizás lo que necesitaba era de alguna orientación para percibir finalmente cómo funcionaba. Recuerdo que al final de la clase, que duró una hora, la profesora mencionó que recientemente había hecho un retiro de silencio con la duración de diez días, llamado Vipassana. Me quedé pasmada. Era algo tan nuevo para mí que mi primer pensamiento fue: “¿pero por qué es que la gente quiere estar en silencio y sentada sin moverse durante diez días?”. ¡Esto era un nivel muy por delante! Si yo apenas podía estar sentada por diez minutos seguidos, sin que miles de pensamientos me ocurrieran en la cabeza, no imaginaba cómo era posible hacerlo por diez días. Incluso después de esta clase de introducción a la meditación después terminé por no practicar con regularidad.

Meses más tarde, viajando en el Sudeste Asiático, conocí a varias personas que habían hecho Vipassana o estaban a punto de hacerlo. Me quedé con más curiosidad. Aunque para mí, esto se convirtió en una “cosa” conocida, de la que cada vez más personas hablaban, nunca pregunté mucho sobre ello ni hice mucha investigación. Sabía que eventualmente quisiera hacerlo en un futuro próximo y quería sorprenderme de alguna manera. No sé explicar por qué, pero si hay algo que me pueda desafiar potencialmente, hacerme crecer como persona y ver las cosas desde otra perspectiva, lo probaré tarde o temprano. De l@s que ya lo habían hecho, oí algunos comentarios positivos, otros no tanto, pero tod@s el@s decían que habían aprendido algo. Fui adelante y me inscribí en un retiro en Malasia pero desafortunadamente todas las vacantes ya habían sido llenadas y me quedé en lista de espera. Al final de cuentas no me llamaron y me di cuenta de que quizás no fuera el momento ideal. En vez de eso, pensé que era  la hora de darle otra oportunidad y empezar a meditar sin expectativas. Sería una buena preparación, y menos drástica, para cuando fuera aceptada en un retiro de meditación. Lo hice sin gran regularidad, entre cinco a diez minutos como máximo.

Un año y medio después yo estaba en España haciendo Vipassana.

Vipassana, que significa “ver las cosas como realmente son”, es una técnica de meditación ancestral redescubierta por Buda, hace más de 2500 años. Se centra en la interconexión entre la mente y el cuerpo a través de la auto-observación y es enseñada por S.N. Goenka. Estos retiros están disponibles en todo el mundo y se basan en donaciones para ser accesibles a cualquier persona.

El primer párrafo de este artículo relata cómo empezó todo. Sabía que para meditar tendría que estar sentada varias horas – alrededor de 10h o 11h (con pequeñas pausas). Lo que no sabía, porque nunca había experimentado, era lo incómodo que te puedes sentir después de estar sentado en la misma posición al largo de algunas horas. Todo duele a nivel físico, sientes picor y quieres rascarte la cabeza, una mosca aterriza en tu nariz. Y tú te intentas enfocar en la técnica e intentas no moverte. Vipassana te enseña ecuanimidad, que es el observar esas sensaciones sin reaccionar a ellas. No es fácil pero es alcanzable (ni que sea por breves momentos). He aprendido que esto es posible no sólo a nivel físico, sino también a nivel mental. Todo lo que suceda en tu vida, bueno o malo, pasará así como pasó aquel picor en la cabeza.

Estar en silencio todo aquel tiempo fue la mejor parte para mí. No podía marujear (un gran defecto mío), no se charlava, no se formaban grupos. Cada individu@ estaba enfocado en si mism@. Hombres y mujeres tenían dos caminos de acceso diferentes, cantinas y dormitorios distintos y nunca se cruzaban para evitar distracciones.

En el segundo día del retiro era mi 30º cumpleaños. Obviamente no tenía acceso a mi teléfono móvil ni al WI-FI para recibir mensajes de felicitaciones. Pero durante ese día, bien lluvioso, nunca dejé de tener en mente a las personas que amo y me aman a mí. Incluyendo aquellas que echo mucho de menos y están en otra dimensión pero que, creo yo, todavía están en mi vida. En el cielo un arco iris enorme me sonrió por entre las nubes e hizo mi día. Una cosa tan simple a la que no daría mucho valor en mi día a día en este contexto tuvo mucho significado.

Todos los días en el retiro son básicamente iguales, hasta creas tu propia rutina. Lo que se altera es el nivel de dificultad que la técnica demanda cada día. Y tú empiezas a cambiar también. Es mucho el tiempo que pasas contigo mismo, tus pensamientos, dentro de tu cabeza.

Después de una experiencia de estas, me gustaba que todas las personas pudieran experimentarlo una vez en la vida. Es muy incómodo estar con nosotros mismos por un largo período de tiempo. Sin embargo, contrariando lo que yo solía pensar, creo que la meditación es para todo el mundo. Para meditar no necesitas hacer un retiro, no necesitas investigar sobre ello y no necesitas sentarte con los ojos cerrados. Hoy hago caminatas largas para meditar, friego las vajillas o cocino en un estado meditativo. El tipo de meditación puede variar según la técnica utilizada, pero ni siquiera es necesario seguir una técnica específica. Podrás estar simplemente presente y aceptar cada pensamiento que aparezca en tu mente y dejándolo irse. Si otro pensamiento viene haces lo mismo lo dejar irse. Sólo por el hecho de intentar hacerlo, ya estás meditando.

¿Practicas o has practicado algún tipo de meditación? Si no, ¿por qué? Este artículo te dejó un poco más curios@ sobre la meditación o sobre el Vipassana?

Te dejo con los siguientes artículos científicos, muy interesantes acerca de la meditación y algunos de sus efectos a nivel de estilo de vida y salud mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

Believe in those who believe in you

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Cree en los que creen en ti (ES)

Believe in those who believe in you (EN)

After being away from my own country for seven years, I decided to give it a go and come back for unlimited time. Even more, after being away from my own hometown for thirteen years, I decided to give it a go and see what’s here for me.

Some acquaintances, that know that I was living somewhere else, were curious in the beginning to find out what brought me here. Unknown people, that I have been meeting since my arrival, are in awe once I tell them that I just arrived some months ago, after being away living in other countries. It’s odd to be from a place and not knowing street names, where specific supermarkets are located, where do people my age meet for a drink etc. One of these days, I decided to go on (what I thought was a) shortcut and end up being lost through a tangle of streets and alleys. Was fun!

The second most asked question, done in many different ways, since I came back – after the question “Are you already working?” (Work in progress) – is “What are you doing here?”, “How come you decided to come back?”, “What’s here for you in this lethargic place?”.

I get that I’m living in a small city (very subjective), with a population of about 55 thousand, and obviously there’s less to do here than in a capital city or a bigger city. But those questions kind of threw me off a little. Here I was, quite excited to be back, in peace with my city, looking forward to be with my friends and family but for some reason I felt like “yeah, maybe I don’t belong here”. If my compatriots were the ones questioning my return maybe the truth is that there was nothing here for me.

Then I started my business and some people were very sceptical about it, saying that this area (holistic nutrition) was way too advanced for this city’s mentality. Telling me that it would be very difficult to get clients, that people were not opened enough yet to new ideas. However, that was exactly why I came here in a way, because I wanted to “awake” some people and help them with better choices, to live better lives and thrive.  

On the other hand, I had (have) some friends and family that cheer me up and help me with what they can and I’m truly grateful for their support. That gives me way more power than those people who don’t believe in change.

I choose to believe in those who encourage me in doing what I like instead of getting slammed with negative and outdated mentalities.  So I keep going.

By coming back I never intended to stay here forever. I just wanted to try and see how things are here, what has changed, what’s in trend. I also wanted to experience again having a sunny winter, speaking my own language, being close to friends and family, eating local food, having my own garden with fruits and veggies.  Those are the pros of coming back.

Living abroad connected me to people from all over the world; I grew up as a person by struggling and having to do things on my own; speaking a different language (English) became second nature to me; it made me appreciate the warm and sunny days; I became an outdoorsy person; it made me re-evaluate the way I think continually by meeting new realities; I was stimulated culture wise. Those were the pros of living abroad.

I won’t write about the cons of either living abroad or the cons of being back to my home country, as I don’t want to concentrate on the negative points. Instead I would like to encourage those who have plans to start something new or change something in their lives, to go ahead and focus on what makes them happy. More, surround yourself with the people that love you, encourage you and support you instead with those who don’t believe in your success. Your success will be a way of honouring and thanking those that had your back. And hopefully it will encourage them to pursue their goals too.

 

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Depois de estar fora do meu país por sete anos, decidi dar uma oportunidade e voltar por tempo indeterminado. Mais ainda, depois de estar fora da cidade onde nasci por treze anos, decidi dar-lhe uma oportunidade e ver o que há aqui para mim.

Alguns conhecidos, que sabiam que eu tinha vivido fora do país, estavam curiosos no início para saberem o que me trazia aqui. Desconhecidos, com quem privei ao longo destes meses, ficaram estupefactos quando lhes disse que estava a viver fora mas que agora tinha decidido voltar. É estranho ser-se de um sítio e não se saber o nome das ruas, onde ficam certas lojas, onde é que as pessoas da minha idade se encontram para tomar uma bebida etc. Um dia destes, decidi enveredar por o que pensava ser um corta-mato e acabei perdida por ruas e ruelas. Foi engraçado!

A segunda pergunta que mais me fazem desde que cheguei, logo atrás da pergunta “Já arranjaste trabalho?” (Trabalho em curso) é feita de formas diferentes – “O que vieste aqui fazer?”, “Por que motivos decidiste voltar?”, “O que vieste fazer à pasmaceira desta cidade?”.

Compreendo que estou a viver numa cidade pequena (muito subjectivo), com 55 mil habitantes, e obviamente há menos para se fazer aqui do que numa capital ou cidade grande. Mas aquelas perguntas desanimaram-me um pouco. Aqui estava eu, toda animada por estar de volta, em paz com a minha cidade, desejosa de estar com os meus amigos e família mas por alguma razão senti que “bom, talvez eu afinal não pertença aqui”. Se os meus conterrâneos questionavam o meu regresso, talvez não houvesse mesmo nada aqui para mim.

Entretanto comecei o meu negócio e algumas pessoas mostravam-se muito sépticas quanto a isso, diziam que a minha área (nutrição holística) era muito “à frente” para a mentalidade desta cidade. Diziam que seria muito difícil arranjar clientes pois as pessoas não estão ainda abertas a ideias novas. No entanto, era essa uma das razões pela qual eu tinha decidido voltar, porque queria ajudar as pessoas a “despertar” e a fazerem melhores escolhas alimentares para que tivessem uma vida melhor a todos os níveis.

Por outro lado, tinha (e tenho) alguns amigos e familiares que me animam e ajudam como podem e eu estou verdadeiramente grata pelo seu apoio. Isso dá-me muito mais força do que aqueles que não acreditam em mudanças.

Eu escolho acreditar naqueles que me encorajam a fazer o que eu gosto do que nos outros que têm mentalidades retrógradas e negativas. Então continuo em frente.

Voltar para mim nunca significou ficar aqui para sempre. Eu só queria tentar e ver como as coisas estão por aqui, o que mudou, o que está na moda. Queria também lembrar-me do que era um Inverno solarengo, falar a minha língua materna, estar perto de amigos de longa data e familiares, comer coisas locais, ter o meu jardim com frutas e vegetais. Estes são os prós de ter retornado.

Viver noutros países conectou-me com pessoas do mundo inteiro; cresci como pessoa por ter passado algumas dificuldades sozinha; ajudou-me a poder falar uma segunda língua (Inglês) de forma automática; fez-me dar valor aos dias quentes e ao sol; tornei-me numa pessoa que gosta de fazer actividades na natureza; fez-me reavaliar a forma como penso continuamente por ter conhecido realidades tão diferentes da minha; fui estimulada culturalmente. Estes foram os prós de viver fora.

Não escreverei agora sobre os “contras” de viver no meu país ou fora dele pois não me quero centrar em pontos negativos. Em vez disso quero encorajar aquel@s que têm planos para começar algo de novo ou mudar qualquer coisa nas suas vidas, a irem em frente e focarem-se naquilo que os faz feliz. Mais, rodearem-se daqueles que vos amam, encorajam e dão apoio em vez de estarem com aquel@s que não acreditam no vosso sucesso. O vosso sucesso será uma forma de honrar e agradecer aquel@s que acreditaram em vocês. E talvez el@s própri@s se sintam inspirados a correrem atrás dos seus objectivos.

 

Cree en los que creen en ti (ES)

Después de estar fuera de mi país durante siete años, decidí dar una oportunidad y volver por tiempo indefinido. Más aún, después de estar fuera de la ciudad donde nacía por trece años, decidí darle una oportunidad y ver lo que hay aquí para mí.

Algunos conocidos, que sabían que yo había vivido fuera del país, estaban curiosos al principio para saber lo que me traía aquí. Desconocidos, con quienes prive a lo largo de estos meses, se sorprendieron cuando les dije que había estado fuera y que ahora había decidido volver. Es extraño ser de un sitio y no saber el nombre de las calles, donde están ciertas tiendas, donde las personas de mi edad se encuentran para tomar una copa, etc. Un día de estos, decidí emprender por lo que pensaba ser un camino más corto y acabé perdida por calles y callejuelas. ¡Fue divertido!

La segunda pregunta que más me hacen desde que llegué, justo después de la pregunta “¿Ya tienes trabajo?” (Trabajo en curso) se hace de formas diferentes – “¿Qué has venido a hacer aquí?”, “¿Por qué motivos decidiste volver?”, “¿Porque has vuelto a esta ciudad tan parada?”.

Entiendo que estoy viviendo en una ciudad pequeña (muy subjetivo), con 55 mil habitantes, y obviamente hay menos cosas que hacer aquí que en una capital o ciudad grande. Pero esas preguntas me desanimaron un poco. Aquí estaba yo, toda animada por haber vuelto, en paz con mi ciudad, deseosa de estar con mis amigos y familia, pero por alguna razón sentí que “bueno, tal vez yo no pertenezca aquí”. Si mis compatriotas cuestionaban mi regreso, quizás no hubiera nada aquí para mí.

Después empecé mi propio negocio y algunas personas se mostraban muy sépticas en cuanto a eso, decían que mi área (nutrición holística) estaba muy “por delante” para la mentalidad de esta ciudad. Dijeron que sería muy difícil conseguir clientes porque la gente no está todavía abierta a nuevas ideas. Sin embargo, esa era una de las razones por las que había decidido volver, porque quería ayudar a la gente a “despertar” y hacer mejores elecciones alimentarias para que tuvieran una vida mejor a todos los niveles.

Por otro lado, tenía (y tengo) algunos amigos y familiares que me animan y ayudan como pueden y estoy realmente agradecida por su apoyo. Esto me da mucho más fuerza que los que no creen en los cambios.

Yo elijo creer en aquellos que me animan a hacer lo que me gusta y no en los demás que tienen mentalidades retrógradas y negativas. Entonces sigo adelante.

Volver a mí cuidad nunca significó quedarme aquí para siempre. Sólo quería intentar y ver cómo las cosas están por aquí, lo que cambió, lo que está de moda. Quería también recordarme lo que era un invierno soleado, hablar mi lengua materna, estar cerca de los amigos de siempre y de mi familia, comer platos tradicionales, tener mi huerto con frutas y verduras. Estos son los pros de haber regresado.

Vivir en otros países me conectó con personas de todo el mundo; crecí como persona por haber pasado algunas dificultades sola; me ayudó a poder hablar una segunda lengua (Inglés) de forma automática; me hizo dar valor a los días calientes y al sol; me he converti en una persona que le gusta hacer actividades en la naturaleza; me hizo reevaluar mi forma de pensar continuamente por haber conocido realidades tan diferentes de la mía; me estimuló culturalmente. Estos fueron los pros de vivir fuera.

No escribiré ahora sobre los “contras” de vivir en mi país o fuera de él porque no quiero centrarme en puntos negativos. En vez de eso quiero animar a aquell@s que tienen planes para comenzar algo nuevo o cambiar cualquier cosa en sus vidas, a seguir adelante y enfocarse en lo que les hace felices. Más, os animo a rodearse de aquellos que os quieren, alientan y dan apoyo en vez de estar con aquellos que no creen en vuestro éxito. Vuestro éxito será una forma de honrar y agradecer a los que creyeron en vosotr@s. Y quizás ellos mismos se sientan inspirados a perseguir sus objetivos.

My own #10YearChallenge

My own #10YearChallenge (EN)

Mi propio #10YearChallenge (ES)

O meu próprio #10YearChallenge (PT)

Para as pessoas que estão mais desligadas das redes sociais o “10 Year Challenge” (desafio dos dez anos) é a última tendência viral desses meios. Para participar basta publicar duas fotos lado a lado, uma tirada em 2009 e outra actual (2019).

Esta coisa do #10YearChallenge pôs-me a pensar, não nas diferenças físicas entre a Nico actual de 31 anos e a Nico dez anos mais nova de 2009, mas nas diferenças a nível de estilo de vida e mentalidade. É fácil esquecer quem fomos há dez anos atrás, eu já não me lembro de muitas coisas. Para ajudar na recordação dessa época recorri ao histórico do Facebook, e fui bisbilhotar o que me pareceu ser a vida de outra pessoa, só que era a minha.

Através dessa pesquisa recordei que nessa altura adorava sair à noite com as minhas amigas e amigos. A minha vida era ir à faculdade e sair à noite. Tinha uma vida social super activa com montes de coisas a acontecer, sempre que não estava barricada na Faculdade de Arquitectura numa corrida contra o tempo para acabar algum projecto que tinha deixado para a última (na verdade deixava-os sempre todos). Mas até as noites sem dormir passadas a trabalhar na faculdade eram uma festa. Pelo Facebook percebo também que era bastante mais activa nessa rede social. Todos os dias atualizava o meu status com alguma frase que achava engraçada ou arrojada – ao ler essas frases sinto aqueles arrepios de vergonha alheia (só que é própria) – e fazia montes de comentários nas fotos e status das outras pessoas.  

Em 2009 estava no 1º ano do Mestrado em Design de Moda (mestrado esse que afinal não acabei) e tentava estar no centro do pequeno mundo da moda português o mais que podia, mergulhando de cabeça em todas as oportunidades profissionais que se me apresentassem. Acho que imaginava que em 10 anos estaria a trabalhar como “Senior Designer” nalguma marca de ready-to-wear mais ou menos famosa.  

Nesses tempos demorava mais de uma hora para me arranjar depois de experimentar vários looks e olhar-me ao espelho algumas dezenas de vezes. Dava muito valor à minha imagem, mas principalmente ao que os outros pensavam sobre ela. Sempre me achei naturalmente bonita e para mim o verdadeiro desafio – ao vestir-me, pentear-me, escolher os acessórios e maquilhar-me – sempre foi parecer ousada, fora do comum e ”com estilo”.  E claro parte do desafio era fazer com que tudo aquilo parecesse natural e sem esforço. Na verdade tudo isto me criava muita ansiedade e frustração, porque nem todos os dias conseguia atingir estes objectivos e quando saía de casa a pensar que não estava no “meu melhor” o dia já ia ser uma grande merda. Perdia muito tempo.

Tento lembrar-me de como era a minha saúde naquela época. Ainda tinha muitos dos problemas de saúde que já referi noutros artigos, como as alergias respiratórias, as tonturas matinais e os problemas digestivos. Acho que tinha uma vida pouco sedentária apesar de não ter actividades físicas ligadas ao desporto. Bebia bastante álcool e a minha alimentação era à base de massa, queijo, ovos, carne e pão.

Na verdade não me lembro de muito mais, e tenho mesmo a sensação de serem apenas memórias de uma vida passada. Mas com algum esforço reconheço que não. De facto o que aconteceu foram algumas (bastantes) mudanças no contexto e algum (talvez nem tanto) amadurecimento. Não sei se a Nico de há 10 anos atrás se poderia reconhecer nesta versão actualizada e à primeira vista tão diferente.

Penso que o mais importante neste tipo de reflexão é não nos fixarmos (como acho que a maioria tendemos a fazer) só nas coisas que mudaram para melhor ou para pior, mas tentar perceber o que aprendemos com o passado e o que ele ainda tem para nos ensinar.

Já sabes (se leste alguns artigos anteriores) que me sinto mais em sintonia com o meu corpo e imagem que no passado, e que agradeço todos acontecimentos que me levaram a tomar as rédeas da minha alimentação o que melhorou bastante a minha saúde.

Mas com relação à minha vida social, por exemplo, acho que tenho muito que aprender com a jovem Nico. Hoje em dia mantenho vivas grandes amizades do passado. Essas amizades enchem-me de energia renovada sempre que tenho oportunidade de as reviver, mas esses momentos são escassos. Viver com o suporte de uma rede de amigos próximos fisicamente, com os quais possas estar no dia a dia e com os quais possas contar para ir tomar um café para falar da vida e descontrair, é tão importante para a saúde (mental e física) como ter uma boa alimentação e estar ativo fisicamente. A Nico de 21 anos não gostava nada de estar sozinha, começo a achar que a Nico de 31 gosta demasiado.

Esta reflexão fez-me chegar à conclusão de que tenho que fazer um esforço para alimentar novas amizades, com pessoas que estejam mais perto e que tenham interesses comuns.

Com relação à minha vida profissional tenho que refletir mais um pouco. Tenho a sensação que também ainda há algo que a Nico universitária me poderia ensinar.

Como eras há dez anos atrás? O que consegues lembrar dessa época? O que achas que podias ensinar à tua versão mais jovem? O que é que ela te pode ensinar a ti?


 

My own #10YearChallenge (EN)

To those people that are not familiar with the “10 Year Challenge”, it’s the last trend on social media. To take part, you only need to post two pictures side by side, one being from 2009 and a current one (from 2019).

This #10YearChallenge thing made me think, not so much about the physical differences between the 31 years old Nico and the ten years younger version, but rather the differences concerning lifestyle and mentality. It’s easy to forget who we were ten years ago, I cannot remember many things. To better recall that period I consulted Facebook’s history and took a snoop to what seemed to me the life of another person, but was actually my own.

Through that research, I recalled that at that time I used to love going out at night to party with my friends. My life was all about going to the University and going out at night. When I was not barricaded at the Faculty of Architecture in a race against time to finish some project that wasn’t done till the last moment (in fact I left them all to the last moment), I had a very sociable life, with lots going on. Even the nights that I didn’t get any sleep, because I was working, where fun. Through Facebook I can also see that I was very active in this networking website. I used to update my status on daily basis with some sort of sentence that I found funny or bold – while reading those sentences I feel quite a second hand embarrassment (but in fact a first hand) – and used to comment pictures and status from other people.

In 2009 I was in the first year of my Master in Fashion Design (a master that I never got to conclude) and was trying to be as much as possible in the hub of the Portuguese fashion scene, taking the plunge in every professional opportunity. I think I pictured myself working, 10 years from then, as a “Senior Designer” in some more or less famous ready-to-wear brand.

Back then, I used to take more than an hour to get ready after trying out various outfits and look at my reflection in the mirror dozens of times. I used to value my image so much, but mostly what others would think of it. I always thought of me as a pretty girl and to me the true challenge – by dressing, styling my hair, choosing accessories and doing my make up – was to look edgy, unusual and “stylish”. And obviously, part of the challenge was to make as if all of that was effortless and natural. In truth, all of this ended up giving me anxiety and frustration, because not every day I could achieve those goals and when I would leave the house thinking that I wasn’t looking my best, the day was doomed to be a shitty one. I would waste so much time.

Now trying to remember how my health was back then. I still had many of my health issues that I talked about in previous articles, such as breathing allergies, morning dizziness and digestive problems. I guess I didn’t have much of a sedentary lifestyle although I didn’t have any physical activity related to sports. I used to drink tons of alcoholic beverages and my meals consisted mainly of pasta, cheese, eggs, meat and bread.

In fact I can’t recall much more, and really feel like those are memories from a past life. But with some effort I recognise it wasn’t. What really happened were some (many) changes in the context and some (maybe not so much) maturation. I can’t tell if Nico from 10 years ago could recognise herself in this current version, so different at first sight.

I think that most important in this type of reflexion is not to focus (as I think most of us do) only on those things that changed for the better, or for the worst, but instead to understand what we learned from the past and what it still has to teach us.

You know (if you have read previous articles) that I feel more aligned with my body and self image than I used to feel in the past, and that I’m grateful for all events that led me to take the lead of my nutrition which improved significantly my health.

But when it comes to my social life, for instance, I think I have a lot to learn with the younger Nico. Nowadays I keep alive great past friendships. Those friendships fill me up with renewed energy every time I revive them, but those moments are scarce. Having the support of a network of friends that live close physically, with whom you can be daily and able to count on to go for a stroll and have a coffee to speak about life and chill, is as important to health (mental and physical) just as getting proper nutrition and being physically active. 21 years old Nico didn’t like to be alone, I start to think that the 31 years old Nico likes it way to much.

This reflexion made me come to conclusion that I have to make a better effort to feed new friendships, with like minded people close by.

When it comes to my professional life I have to reflect a little more. I have the feeling that college Nico still has something to teach me about that.

How were you ten years ago? What can you recall from that period? What do you think you could teach your younger version? What can your younger self teach you?


 

Mi propio #10YearChallenge (ES)

Para las personas que están más desconectadas de las redes sociales, el “10 Year Challenge” (desafío de los diez años) es la última tendencia viral de esos medios. Para participar basta publicar dos fotos lado a lado, una hecha en 2009 y otra actual (2019).

Esto del #10YearChallenge me puso a pensar, no en las diferencias físicas entre la Nico actual de 31 años y la Nico diez años más joven de 2009, pero en las diferencias a nivel de estilo de vida y mentalidad. Es fácil olvidar quién un@ fue hace diez años, yo ya no recuerdo muchas cosas. Para ayudar en el recuerdo de esa época recurrí al historial de Facebook, y me puse a husmear lo que me pareció ser la vida de otra persona, pero que era la mía.

A través de esa investigación recordé que en ese momento adoraba salir de fiesta con mis amigas y amigos. Mi vida era ir a la universidad y salir por la noche. En el caso de que no estuviera en la Facultad de Arquitectura en una carrera contra el tiempo para acabar algún proyecto que había dejado para la última hora (en realidad los dejaba siempre todos). Pero hasta las noches sin dormir pasadas trabajando en la universidad eran una fiesta. Por Facebook percibo también que era bastante más activa en esa red social. Todos los días actualizaba mi status con alguna frase que creía graciosa o arrojada – al leer esas frases siento aquellos escalofríos de vergüenza ajena (sólo que es propia) – y hacía muchos de comentarios en las fotos y status de las otras personas.

En 2009 estaba cursando el primer año (en Portugal los másteres son de dos años) del Máster en Diseño de Moda (que no llegué a terminar) y intentaba estar en el centro del pequeño mundo de la moda portuguesa tanto como podía, aprovechando todas las oportunidades profesionales que surgían. Creo que pensaba que en 10 años estaría trabajando como “Diseñadora Senior” en una marca de ready-to-wear más o menos famosa.

En esos tiempos tardaba más de una hora para arreglarme después de probar varios looks y mirarme al espejo algunas decenas de veces. Daba mucho valor a mi imagen, pero principalmente a lo que los demás pensaban sobre ella. Siempre me vi naturalmente guapa y para mí el verdadero desafío – al vestirme, peinarme, escoger los accesorios y maquillarme – siempre fue parecer audaz, fuera de lo común y con estilo. Y claro parte del reto era hacer que todo aquello pareciera natural y sin esfuerzo. En realidad todo esto me creaba mucha ansiedad y frustración, porque no todos los días conseguía alcanzar estos objetivos y cuando salía de casa pensando que no estaba en “mi mejor” el día ya iba a ser una gran mierda. Perdía mucho tiempo.

Intento recordar cómo era mi salud en aquella época. Todavía tenía muchos de los problemas de salud que ya he mencionado en otros artículos, como las alergias respiratorias, los mareos matutinos y los problemas digestivos. Creo que tenía una vida poco sedentaria a pesar de no tener actividades físicas de deporte. Bebía bastante alcohol y mi alimentación era a base de pasta, queso, huevos, carne y pan.

En realidad no recuerdo mucho más, y tengo la sensación de que esto son memorias de una vida pasada. Pero con algún esfuerzo reconozco que no. De hecho lo que sucedió fueron algunos (bastantes) cambios en el contexto y alguna (tal vez ni tanta) madurez. No sé si la Nico de hace 10 años se podría reconocer en esta versión actualizada y a primera vista tan diferente.

Creo que lo más importante en este tipo de reflexión es no fijarnos (como creo que la mayoría tendemos a hacer) sólo en las cosas que cambiaron para mejor (en el caso de algunas personas) o para peor (en el caso de otras), pero tratar de percibir lo que aprendemos con el pasado y lo que él todavía tiene para enseñarnos.

Ya sabes (si al este algunos artículos anteriores) que me siento ahora más en sintonía con mi cuerpo e imagen que en el pasado, y que agradezco todos los acontecimientos que me llevaron a tomar las riendas de mi alimentación, lo que mejoró bastante mi salud.

Pero con respecto a mi vida social, por ejemplo, creo que tengo mucho que aprender de la joven Nico. Hoy en día mantengo vivas grandes amistades del pasado. Esas amistades me llenan de energía renovada siempre que tengo oportunidad de revivirlas, pero esos momentos son escasos. Vivir con el apoyo de una red de amigos cercanos físicamente, con los que puedas estar en el día a día y con los que puedas contar para ir a tomar un café, para hablar de la vida y relajarte, es tan importante para la salud (mental y física) como tener una buena alimentación y estar activo físicamente. A la Nico de 21 años no le gustaba nada estar sola, empiezo a pensar que a la Nico de 31 años le gusta demasiado.

Esta reflexión me hizo llegar a la conclusión de que tengo que hacer un esfuerzo para alimentar nuevas amistades, con personas que estén más cerca y que cob intereses comunes.

Con respecto a mi vida profesional tengo que reflexionar un poco más. Tengo la sensación de que todavía hay algo que la Nico universitaria me podría enseñar.

¿Cómo eras hace diez años? ¿Qué puedes recordar de esa época? ¿Qué crees que podrías enseñar a tu versión más joven? ¿Qué te puede enseñar ella a ti?

Work in progress

Trabalho em curso (PT)

Trabajo en curso (ES)

Work in progress (EN)

Intro

Every job has its pros and cons. I had six different jobs throughout my life, from working on entertainment shows on TV to cocktail bar back, from handling passengers at the airport to being a clerk in a “9 to 5” job. In fact the latter was the only job that I had with such schedule and it only lasted for a couple months. I’ll get back to this job a little further on.

Peculiar schedules

Having to wake up early was something truly difficult for me since I was a child. My sister was an early bird and as soon as she was up, she would go to the living room to watch cartoons. I would stay in bed till later. In teenage years I would only wake up at noon, as most teenagers, and I recall that it was really hard to wake up to attend morning classes in high school. Later in University years, I got the chance to choose afternoon classes and was able to avoid the upsetting alarm. This made me understand that I was a much happier person with this type of schedule – staying up late, working or watching series and waking up just before noon. I got my projects done much better at night as I felt like the creative part of me was truly awakened. (This changed in most recent years, for some reason, and I’m now a “morning person”).

Playing make believe

Then I got my first “earnest” job. I was fortunate again to be able to choose the schedule and the same happened later on with other jobs – except for the clerk job! That 9 to 5 job was clearly not my cup of tea. As an organized person, the tasks given to me were all done before lunchtime. My boss at the time did not understand how I was able to get the tasks done so quickly and well as the previous clerk had the exact same tasks and complaint of too much work. As there was nothing else for me to do after lunch, I asked my boss if I could go part-time. She denied my proposal because a clerk is supposed to pick up calls and I was encouraged to find a way of keeping myself busy. In other words, my words, I was basically asked to “pretend I was working”. So my job in the afternoon was to “look as if I was busy” and pick up calls every now and then. Calls that everybody else in that office could pick-up. In fact my job was to transfer calls to the right department, meaning that I couldn’t solve any problem from suppliers or clients. This to say that, even though I was offering to get the same job done as a part-timer (and was full aware that I would get a smaller payment), my employer wouldn’t accept it because of a predefined timetable. That’s how formatted the system is. In my mind, I could not comprehend that. I mean, I would rather have less money but more time to do other useful things, than being in that office just because. For me was a waste of my time all along.

Generation gaps

I think that most of the people from my generation, called “Millennials”, don’t put up with this kind of rules. We prefer to do something with meaning, something that gives us some pleasure, something to value our time. Also something that most of the people form the previous generation, our parents generation, doesn’t fully understand. As they are used to work from “9 to 5” their whole lives, with 30+ years of career (sometimes in the exact same office) it’s quite usual for them to think how odd it is to work weekends, to have rotating shifts or to work from home. I don’t mean to criticize this form of thinking as we all have different backgrounds. However, in order for both generations to get along, we need to accept each other’s ways of living. It’s a work in progress.

The comeback

Since I arrived in my hometown, after seven years of living abroad, the most asked questions I have been getting are: “Are you working?”, “Where do you work now?”, “Are you looking for a job?”. When my answer is “Yes, I have a job! I’m a freelancer, working from home and doing what I love.”, people’s reactions are hilarious. They don’t call that a job. Because from their point of view, a job is something you kind of have to do, just so you have a payment every month, even if you don’t like it, and you better comply with it.

How does it work?

Life teached me that our time here is way too short for me to comply with something that I kind of have to do just so others can kind of accept me, understand me or take me seriously. So yes, I work at home, I work from home, I can work all day in my pyjamas. I can also choose not to work for an entire day just like other people do during their days off or weekends. But I probably work more hours than “9 to 5 jobs” because I don’t leave the office and I don’t close the store. I might be on social media because that’s part of my job and most of the times I cannot even differentiate weather if I’m working or if I’m on a break. Because I love what I do and it seems that I’m playing the whole day but that doesn’t mean that I’m not working. In fact if you are a freelancer, you need to be organized, a goal setter, a go-getter and a strong-willed person. You cannot rely on “pretending that you’re working” because that won’t pay your bills.

I can also work from anywhere at anytime, as some of my services can be done via skype, whatsapp and online platforms. Working and being a nomad requires extra effort and discipline, otherwise you won’t get any work done, neither will you enjoy the beautiful landscapes and sunsets outside the window.

Questions for you

Are you the kind of person that only considers a job serious if there’s some distress along the way?  What makes you think that you need to have a job that doesn’t fulfill you? What do you think about jobs that don’t seem like jobs because you can actually have fun working on them? What keeps you from having a job doing something that you like? Do you think that society judges those that do what they love?

Trabalho em curso (PT)

Introdução

Todos os trabalhos têm os seus prós e contras. Eu tive seis trabalhos diferentes ao longo da vida, desde trabalhar em programas de entretenimento na TV a servir cocktails em bares, desde técnica de tráfego aéreo no aeroporto a secretária num trabalho das “9h às 17h”. De facto este trabalho como secretária foi o único que tive como este tipo de horário e durou apenas um par de meses. Voltarei a falar neste trabalho um pouco mais à frente.

Horários peculiares

Ter de acordar cedo foi sempre algo muito difícil para mim desde pequena. A minha irmã era madrugadora e assim que acordava, ia para a sala de estar para ver desenhos-animados. Eu gostava de ficar na cama até mais tarde. Na adolescência acordava à hora de almoço, assim como muitas adolescentes, e recordo-me que era realmente difícil para mim ter de acordar cedo para estar presente nas aulas da manhã no Secundário. Depois, já na Universidade, tive a oportunidade de escolher as aulas da tarde, evitando assim aquele despertador ingrato. Isso fez com que eu percebesse que era uma pessoa mais feliz com este tipo de horário – estar acordada até tarde, a trabalhar ou ver séries e acordar quase às 12h. Os meus projectos faziam-se muito melhor à noite quando eu sentia que a minha parte criativa estava verdadeiramente desperta. (Isto alterou-se mais recentemente, por alguma razão, e sou agora uma “pessoa matinal”).

Brincar ao faz-de-conta

Depois tive o meu primeiro “trabalho a sério”. Tive novamente a sorte de poder escolher o meu horário e o mesmo aconteceu com trabalhos que se seguiram – excepto o tal trabalho de secretária! Esse trabalho das 9h às 17h não era de todo “a minha praia”. Como sou bastante organizada, as tarefas que me eram dadas no início da jornada ficavam facilmente concluídas até à hora de almoço. A minha chefe não compreendia como era possível que eu completasse as tarefas tão rapidamente quando a secretária anterior se queixava frequentemente de demasiado trabalho. Por não ter mais nada que fazer depois de almoço, sugeri à minha chefe fazer o trabalho em part-time. Ela recusou essa proposta, porque uma secretária supostamente deve também atender telefonemas, e fui encorajada a arranjar forma de me ocupar. Por outras palavras, as minhas palavras, fui basicamente incentivada a “fazer-de-conta” que trabalhava. Então o meu trabalho na parte da tarde era parecer que estava ocupada e atender chamadas de vez em quando. Chamadas essas que qualquer pessoa naquele escritório poderia atender. Na verdade o meu trabalho era transferir chamadas para o departamento adequado, o que quer dizer que eu nem sequer poderia resolver nenhum problema com fornecedores ou clientes. Isto para dizer que, mesmo estando eu a oferecer fazer o mesmo trabalho mas a tempo parcial (e aceitando que o pagamento seria mais baixo), o meu empregador não queria aceitar por causa de um horário estipulado. O sistema é assim: formatado. Na minha cabeça eu não compreendia aquilo. Eu preferia ganhar menos dinheiro mas ter mais tempo para fazer outras coisas úteis, do que estar ali naquele escritório só porque sim. Era uma perca de tempo no fim das contas.

Diferenças entre gerações

Julgo que a maior parte das pessoas da minha geração, designada por “Millennials”, não atura estas regras. Preferimos fazer algo mais substancial, algo que nos dê mais prazer, algo que valorize o nosso tempo. Também algo que a maior parte das pessoas das gerações anteriores, como a geração dos nossos pais, não compreendem bem. Como estão habituados a trabalhar “das 9h às 17h” a vida toda, com trinta ou mais anos de carreira (às vezes no mesmíssimo escritório) é normal que achem estranho que se trabalhe durante fins-de-semana, ter horários rotativos or trabalhar a partir casa. Eu não escrevo com o intuito de criticar essa forma de pensar pois todos temos diferentes procedências. Ainda assim, para que as duas gerações se consigam entender, temos que aceitar a forma de viver de cada um. É um trabalho em curso.

O regresso

Desde que regressei à minha cidade natal, depois de sete anos a viver no estrangeiro, as perguntas que mais me fazem são: “Já estás a trabalhar?”, “Onde trabalhas agora?”, “Estás à procura de trabalho?”. Quando a minha resposta é “Sim, eu trabalho! Sou trabalhadora independente, trabalho a partir de casa e adoro o que faço.”, a reacção das pessoas é hilariante. Elas não acham que isso seja um trabalho. Porque, do ponto de vista delas, um trabalho é algo que tu tens de fazer para que um salário te caia na conta todos os meses, mesmo que não gostes do que fazes, e é bom que te conformes com isso.

Como é que isso funciona?

A vida ensinou-me que o nosso tempo aqui é curto demais para eu me conformar com algo que eu tenho que fazer, para que os outros me possam aceitar, compreender ou levar a sério. Então sim, eu trabalho em casa, eu trabalho a partir de casa, eu posso trabalhar o dia todo de pijama. Também me posso dar ao luxo de não trabalhar um dia inteiro assim como as outras pessoas fazem durante as suas folgas ou fins-de-semana. Eu provavelmente até trabalho mais horas do que se estivesse num trabalho das “9h às 17h” porque eu não me vou embora do escritório e não fecho a loja ao final do dia. Posso estar muito nas redes sociais porque isso faz parte do meu trabalho e a maior parte das vezes nem eu consigo perceber se estou a trabalhar ou numa pausa. Porque eu adoro o que faço pode parecer que eu estou a brincar o dia todo, mas isso não significa que não esteja a trabalhar. Na verdade se fores um@ trabalhad@r independente, precisas de ser organizad@, ter objectivos, batalhar e ter força de vontade. Não podes “encostar-te” à ideia de fazer-de-conta que estás a trabalhar porque isso não te irá pagar as contas.

Também posso trabalhar de onde quiser ás horas que quiser pois alguns dos meus serviços podem ser proporcionados por skype, WhatsApp ou outras plataformas online. Ser nómada e trabalhar requer extra disciplina e esforço, senão o trabalho não será feito nem tampouco aproveitada sa vistas maravilhosas e os pôr-do-sol que se vêm da janela.

Perguntas para ti

És o tipo de pessoa que só considera que um trabalho é sério se houver algum sacrifício? O que te faz pensar que tens que ter um trabalho que não te realiza? O que achas dos trabalhos que não parecem trabalhos porque podes desfrutar deles? O que te impede de ter um trabalho que gostes? Achas que a sociedade julga aqueles que fazem o que gostam?

 

Trabajo en curso (ES)

Introducción

Todos los trabajos tienen sus pros y sus contras. He tenido seis trabajos diferentes a lo largo de la vida, desde trabajar en programas de entretenimiento en la televisión a servir cócteles en bares, pasando por técnica de tráfico aéreo en el aeropuerto hasta secretaria en un trabajo de 9 a 5. De hecho este trabajo como secretaria fue el único que tuve como este tipo de horario y duró sólo un par de meses. Volvemos a hablar sobre este trabajo un poco más adelante.

Horarios peculiares

Despertarme temprano siempre fue algo muy difícil para mí , incluso cuando era pequeña. Mi hermana era madrugadora y se despertaba pronto para ver dibujos animados. A mi me gustaba quedarme en la cama hasta más tarde. En la adolescencia me despertaba casi a la hora de comer  y recuerdo que era realmente difícil para mí tener que despertar temprano para estar presente en las clases de la mañana en el Bachiller. Después, ya en la Universidad, tuve la oportunidad de escoger el turno de la tarde, evitando así ese despertador ingrato. Esto hizo que me diera cuenta de que era una persona más feliz con este tipo de horario – estar despierta hasta tarde, trabajando o viendo series y despertar casi a las 12h. Mis proyectos se hacían mucho mejor por la noche cuando sentía que mi parte creativa estaba verdaderamente despierta. (Esto se ha cambiado más recientemente, por alguna razón, y ahora soy una “persona matinal”).

Fingir que se hace

Después tuve mi primer “trabajo en serio”. Tuve la suerte de poder elegir mi horario y lo mismo sucedió con los trabajos que siguieron – excepto el trabajo de secretaria! Este trabajo de las 9h a las 17h no era en absoluto para mi. Como soy bastante organizada, las tareas que me daban al inicio de la jornada quedaban fácilmente concluidas hasta la hora de comer. Mi jefa no comprendía cómo era posible que yo completara las tareas tan deprisa cuando la secretaria anterior se quejaba a menudo de demasiado trabajo. Por no tener nada que hacer después de comer, sugerí a mi jefa hacer el trabajo a media jornada. Ella rechazó esa propuesta, porque una secretaria supuestamente debe también coger llamadas telefónicas, y me animó a buscar otra forma de ocuparme. En otras palabras, mis palabras, fui incentivada a pasar las tardes fingiendo que trabajaba. Entonces mi trabajo por la tarde era parecer que estaba ocupada y contestar a algunas llamadas de vez en cuando. Llamadas esas que cualquier persona en la oficina podría coger. De hecho, mi trabajo era transferir llamadas al departamento adecuado, lo que quiere decir que ni siquiera podría resolver ningún problema con los proveedores o los clientes. Esto para decir que, aunque yo hubiese ofrecido la posibilidad de hacer el mismo trabajo pero a media jornada (y aceptando que el pago sería más bajo), mi empleador no quería aceptar a causa de un horario estipulado. El sistema es así: formateado. En mi cabeza no comprendía eso. Yo preferiría ganar menos dinero pero tener más tiempo para hacer otras cosas útiles, que estar allí en esa oficina sólo porque sí. Era una pérdida de tiempo al final de cuentas.

Diferencias entre generaciones

Creo que la mayoría de la gente de mi generación, denominada “Millennials”, no tolera reglas. Preferimos hacer algo más sustancial, algo que nos dé más placer, algo que valore nuestro tiempo. Esto es algo que la mayoría de las personas de las generaciones anteriores, como la generación de nuestros padres, no entiende. Como están acostumbrados a trabajar “de las 9 a las 5” toda la vida, con treinta o más años de carrera profesional (a veces en la mismísima oficina) es normal que vean raro que se trabaje durante los fines de semana, tener horarios rotativos o trabajar desde casa. Yo no escribo con la intención de criticar esa forma de pensar pues todos tenemos diferentes procedencias. Sin embargo, para que las dos generaciones se consigan entender, tenemos que aceptar la forma de vivir de cada uno. Es un trabajo en curso.

El regreso

Desde que regresé a mi ciudad natal, después de siete años viviendo en el extranjero, las preguntas que la gente más me hace son: “¿Ya estás trabajando?”, “¿Dónde trabajas ahora?”, “¿Estás buscando trabajo?”. Cuando mi respuesta es “Sí, yo trabajo! Soy trabajadora independiente, trabajo desde casa y adoro lo que hago.”, La reacción de las personas es hilarante. Ellas no creen que eso sea un trabajo. Porque desde su punto de vista, un trabajo es algo que tienes que hacer para que un salario te caiga en la cuenta bancária todos los meses, aunque no te guste lo que haces, y es bueno que te conformes con eso.

¿Cómo funciona?

La vida me enseñó que nuestro tiempo aquí es demasiado corto para conformarme con algo que tengo que hacer para que los demás me puedan aceptar, comprender o tomar en serio. Así que sí trabajo en casa, trabajo desde casa, puedo trabajar todo el día en pijama. También me puedo dar el lujo de no trabajar un día entero como las otras personas hacen durante en los festivos o fines de semana. Probablemente incluso trabaje más horas que si estuviera en un trabajo de 9 a 5 porque no me voy de la oficina ni cierro la tienda al final del día. Paso mucho tiempo en las redes sociales porque eso es parte de mi trabajo y a  veces ni siquiera puedo percibir si estoy trabajando o en una pausa. Porque me encanta lo que hago, puede parecer que estoy jugando todo el día, pero eso no significa que no esté trabajando. En realidad si eres un@ trabajador@ independiente, necesitas ser organizad@, tener objetivos, batallar y tener fuerza de voluntad. No puedes fingir que estás trabajando, porque eso no te va a pagar las cuentas. 

También puedo trabajar desde donde quiera a las horas que quiera porque algunos de mis servicios pueden ser proporcionados por Skype, WhatsApp u otras plataformas online. Ser nómada y trabajar requiere extra disciplina y esfuerzo, sino el trabajo no será hecho y la vista maravillosa que se ve de la ventana tampoco la aprovechas.

Preguntas para ti

¿Eres el tipo de persona que sólo considera que un trabajo es serio si hay algún sacrificio? ¿Qué te hace pensar que tienes que tener un trabajo que no te realiza? ¿Qué crees de los trabajos que no parecen trabajos porque puedes disfrutar de ellos? ¿Qué te impide tener un trabajo que te guste? ¿Crees que la sociedad juzga a aquellos que hacen lo que les gusta?