Vamos falar de masturbação feminina… yep isso mesmo MASTURBAÇÃO FEMININA. Parte I

Na minha opinião, a masturbação feminina, assim como outros temas “femininos” (como a menstruação) ainda é um grande tabu na nossa sociedade. Só agora (em plena segunda década do século XXI) é que os meios de comunicação e entretenimento começam a falar deste tema (mesmo que na maioria das vezes seja entre risos nervosos) de forma mais ou menos aberta. Há uns meses surgiu o fenómeno do “Satisfyer Pro” que veio dar mais um empurrão à normalização do auto prazer feminino. 

Mas isto por aqui (Portugal, Península Ibérica, Europa, mundo ocidental…) não foi sempre assim, e numa grande parte do mundo ainda não é. 

Quem já leu dois ou três dos meus artigos sabe que gosto de abordar quase todos os temas desde a minha própria experiência. Primeiro porque acho que é a maneira mais verdadeira de falar sobre as coisas e depois porque acho que partilhar as minhas experiências pode sempre ajudar alguém. 

Este tema é para mim um dos temas mais importantes no que diz respeito à luta pela equidade de género. E é um tema que me diz muito pessoalmente porque carreguei, durante toda a minha infância e parte da minha adolescência, um trauma relacionado com o tabu da masturbação feminina (que se há 15 anos atrás ainda era um grande tabu, mais ainda há 30 anos)

A minha experiência com a masturbação começou quando ainda nem sabia nada sobre sexo, nem sobre desejo sexual. Por estranho que possa parecer a algumas pessoas (e isso será ainda efeito do velho tabu) não é raro que as meninas pequenas descubram sozinhas que a estimulação da zona genital é muito prazerosa. Eu devia ter cerca de 2 ou 3 anos quando inocentemente me comecei a esfregar nas almofadas (literalmente). 

A masturbação nessas idades é uma gratificação meramente sensorial, não há, em situações normais, qualquer carácter sexual e esse era também o meu caso. A prova disso é que o fazia à frente de toda a gente. Para mim aquilo era algo prazeroso, como coçar-me se tivesse uma comichão, ou comer doces (sempre fui gulosa), na minha cabeça não havia qualquer revelação de que aquilo era (no mundo dos adultos) considerado inapropriado.

O meu pediatra da altura disse à minha mãe que por causa dos meus comportamentos precoces a minha vida sexual começaria muito cedo (WTF?!) O tabu não existia só entre os profissionais de saúde mas também dentro da minha família. A minha mãe não soube como lidar com a situação (não sei se o meu pai tem alguma constância desta história) e falou com algumas mulheres da familia para a ajudar a resolver o “problema”. Uma tia disse-me que eu ficaria com as pernas tortas. A minha avó paterna uma vez apanhou-me a faze-lo no sofá da sala, levantou as mãos à cabeça e zangou-se muito dizendo algo sobre o demónio. Mas a “estratégia” que mais teve impacto foi a de outra familiar que teve a excelente ideia (alerta de sarcasmo) de me contar uma história assustadora de como, se eu continuasse a fazer “aquilo”, o meu osso púbico ía se desgastar e desaparecer. Isto enquanto ilustrava o que aconteceria ao meu “osso do pipi” esfregando uma cenoura na bancada de mármore da cozinha (e esta se desfazia perante o meu olhar aterrorizado). 

O “problema” não era o facto de eu me masturbar (a masturbação é algo natural e saudável em todas as idades), mas sim o facto de o fazer em público. O que as pessoas informadas fazem quando se deparam com uma criança que se masturba em público é explicar a essa criança (todas as vezes que forem necessárias) que “aquilo” apesar de não ser “mau”, é algo privado que devemos fazer quando estamos sozinhas, não à frente de outras pessoas e menos ainda de desconhecidos.  

Agora vocês perguntam: a estratégias aplicadas funcionaram? Sim, mas não como elas esperavam. Eu não deixei de me masturbar, mas comecei a fazê-lo às escondidas, não porque aquilo era algo íntimo e privado, mas porque era algo mau para mim, para a minha saúde, e se alguém me visse fazê-lo de certeza que se zangariam comigo. Eu masturbava-me com um enorme sentimento de culpa, porque pensava que ao fazê-lo estava a pôr em risco a minha saúde. E foi assim durante quase 10 anos. 

Nesses anos a minha relação com a masturbação foi mudando, começou (como também é natural) a ter um carácter mais erótico, mas como era tabu eu continuava a pensar que “aquilo” que eu fazia era vergonhoso porque era mau para mim. Eu não sabia que “aquilo” era uma coisa natural, que se chamava masturbação

Até um certo dia em que fui ao teatro com a minha mãe ver uma peça durante a qual usavam muitas vezes uma palavra que eu nunca tinha ouvido: “masturbação”. Quando saímos do teatro eu perguntei à minha mãe o que significava e ela explicou-me que era quando as pessoas davam prazer a elas próprias através da estimulação dos genitais e que era algo natural e saudável, a menos que houvesse uma espécie de vício (estou a parafrasear, já não me lembro das palavras exactas que ela usou… isto foi à mais de 20 anos). E depois acrescentou algo como: “aquilo que tu fazias quando eras pequenina, não sei se ainda te lembras”. O mundo parou de girar. 

Então afinal “aquilo” não era mau, era natural e saudável? Afinal o meu osso púbico não se ía desintegrar? E as minhas pernas não iam ficar tortas? Afinal todo aquele sentimento de culpa tinha sido desnecessário? Todas as vezes que tinha sofrido em silêncio eram escusadas? Todos os pesadelos em que me aconteciam coisas terríveis por me masturbar podiam ter sido evitados?

Acho que poucas vezes me senti tão revoltada, mas não o demonstrei, tive vergonha. A minha mãe nunca soube que aquela intervenção teve um grande impacto no meu desenvolvimento psicológico e sexual. Ainda hoje tenho pesadelos relacionados com o sentimento de culpa que a masturbação acarretou durante quase uma década. 

Socialmente, mais cedo ou mais tarde, espera-se que os rapazes se comecem a tocar e a masturbar. Quando os adultos veem o bebé a tocar na pilinha acham piada, riem-se e acham normal, mais tarde quando os rapazes se começam a masturbar toda a gente aceita isso como natural e normal, tanto que geralmente (e corrijam-me e se estou incorreta) os progenitores dão alguma privacidade aos rapazes para não acontecerem “constrangimentos”. A minha percepção da nossa sociedade leva-me a pensar que isto não é exatamente assim (ou não o era há 30 anos atrás) no caso das raparigas .

Eu própria tenho muitas questões sobre esta parte da história. O resto da história, a parte após saber o que era a masturbação, fica para o meu próximo artigo, fiquem atentxs!

Algumas das minhas perguntas são:

Teriam as coisas sido diferentes se na altura o meu médico pediatra fosse alguém mais evoluído e menos conservador? Relembro que ele fez um paralelismo entre duas coisas que não têm nada a ver: o facto de me masturbar aos 3 anos de idade e como isso iria acelerar a minha entrada na vida sexual (não foi o caso, eu comecei a minha vida sexual aos 16/17 anos, tudo muito dentro da “normalidade” e não há nenhum estudo que indique que as pessoas que se começam a masturbar mais cedo também começam a vida sexual mais cedo – eu pesquisei). 

Será que a opinião da minha mãe mudou durante esses 10 anos? Porque se não, que sentido teve que ela tentasse que eu deixasse de fazer algo que era perfeitamente natural e saudável, quando me podia ter apenas explicado que devia fazê-lo quando me encontrasse sozinha?

Também achas que é importante “normalizar” a masturbação infantil feminina? Devia falar-se mais sobre isso? Será que hoje em dia já é diferente? Será que as mães e pais de hoje em dia estão no geral preparados para lidar com meninas que se masturbam em publico de forma sensata e não traumática? Achas que a minha experiência foi uma agulha no palheiro e que a maioria da sociedade da época (sendo a minha família uma excepção) já via a masturbação infantil feminina como algo natural?

E tu, achas que a masturbação é algo natural e normal? Com que idade é que te começaste a masturbar? Queres a partilhar algo da tua história comigo? Connosco? Tens perguntas para mim?

 


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What happened when I stopped wearing a bra

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

O que aconteceu quando deixei de usar sutiã (PT)

Quando era miúda, ainda nem me tinham começado a crescer as maminhas e já dizia à minha mãe que queria usar sutiã. Lembro-me perfeitamente do primeiro conjuntinho de roupa interior, com cuequinha e top, que a minha mãe me comprou. Nesse dia fiz questão de posar para uma sessão de fotos caseira, vestida com esse conjunto e usando as minhas sandálias de salto alto (que tinham apenas três centímetros). Essas fotos vivem nalgum dos álbuns de família.

Comecei então a usar sutiã (ou algo parecido) quando ainda nem tinha mamas para ‘suster’. A pouco e pouco o seu uso começou a ser cada vez mais frequente – à medida que as minhas mamas também cresciam – até que passou a ser constante. Sair à rua sem sutiã passou a ser tão impensável como sair de casa sem cuecas. Sem sutiã sentia-me nua e desprotegida. Além disso durante muito tempo usei sutiãs que davam aos meus seios o aspecto que eu achava que eles deviam ter. O tamanho (maiores), forma (mais redondos) e localização (mais para cima) que eu achava que me fazia parecer mais desejável. Os sutiãs que usava davam volume através de esponjas e enchimentos, que apertavam os peitos em direcção ao centro e os puxavam para cima através de caixas com aros e muitos apertos.

Por outro lado, com o passar do tempo, o uso do sutiã começou a trazer cada vez mais desconforto. Ao ponto de ser a primeira coisa que tirava quando chegava a casa (muitas vezes até antes de descalçar os sapatos). A pouco e pouco deixei de usar sutiãs com “enchimento” e depois deixei de usar sutiãs com caixa. Durante uns anos usei sutiãs que se pareciam um pouco aos primeiros tops que a minha mãe me comprou quando era miúda, só que com tecidos e formas mais sexys e muito menos infantis. Ainda assim esses tecidos não eram a coisa mais confortável para mim, e os elásticos ainda apertavam.

Há um par de anos comecei a deixar de vestir o sutiã para ir à rua quando saía para fazer algo rápido, como deitar o lixo no contentor ou ir comprar algo à mercearia ao final da minha rua. Ao princípio sentia a tal sensação de nudez, de que estava a fazer algo errado ou até um pouco vergonhoso. Depois percebi que aquela sensação não era mais que isso, uma simples sensação, sem razão real. Essa sensação foi-se desvanecendo, e comecei a transgredir a norma cada vez mais vezes. Transgredir era exactamente o que comecei a sentir que fazia, cada vez que saía de casa sem o sutiã. Também essa sensação se foi desvanecendo, até que um dia percebi que não fazia sentido vestir algo que fisicamente me causava tanto desconforto.

Decidi deixar de usar sutiã no final do Inverno há dois anos atrás. Depois de um par de meses, livre de apertos, mas com várias camadas de roupa que ajudavam a que não se notasse tanto a falta dessa peça de roupa, veio o tempo dos tops, vestidos e t-shirts. Veio o tempo de assumir realmente a minha decisão. Agora era bastante evidente que não usava sutiã. O relevo dos meus mamilos era perceptível às vezes, a localização real dos meus seios também (uns bons três ou quatro centímetros mais abaixo da sua versão ‘sustentada’). O que a princípio causou algum constrangimento tornou-se verdadeiramente libertador. Além disso comecei a usar algumas peças de roupa que até então não usava porque não me agradava a forma como o sutiã ficava visível.

Antes de ter deixado de usar sutiã já era frequente fazer “top-less” na praia, depois deixou de me fazer qualquer sentido usar a parte superior do bikini. Só havia uma ocasião na qual ainda usava sutiã: para correr e fazer exercício. Ainda acreditava no mito que o peito podia sofrer algum tipo de lesão causada pelo seu livre movimento durante saltos e movimentos mais bruscos. Cerca de um ano depois de ter deixado de usar sutiã no dia-a-dia decidi sair para correr sem o sutiã desportivo porque não tinha nenhum lavado. Tal foi a minha surpresa quando, ao correr, o movimento não me causou nenhum tipo de dor nem desconforto. Quando há uns anos atrás até com o sutiã me doía o peito ao correr ou saltar!

Desde então sou 100% “bra free”. Desde então as minhas mamas estão mais firmes (apesar de já ter passado dos 30) e nunca mais ficaram doloridas depois de uma corrida. “Bra free” é como o movimento “barefoot” mas para as mamas, é mais um tipo de minimalismo, trata-se se eliminar algo que, no meu caso pelo menos, não trazia nenhum benefício mais além da prescrição social.

Alguns estudos apontam para a relação entre o uso de sutiãs e o cancro de mama, e já são muitas as plataformas que preconizam que deixar o sutiã não só traz conforto mas também pode ajudar a acabar com alguns tipos de dores de cabeça e de costas, melhorar a respiração e aumentar a auto-estima, entre outros benefícios. Eu tenho o peito pequeno, bem sei, mas não pensem que só as pessoas com o peito pequeno podem ser “bra free”. Na verdade há pela internet fora vários relatos, de mulheres com mamas de todos os tamanhos, que contam como o abandono dos sutiãs melhorou a sua qualidade de vida.

Afinal para que servem os sutiãs? Sutiã, vem do francês “soutien” que significa apoio ou suporte. Em português, apesar de não muito usado, outro nome para esta peça de roupa interior é “porta-seios” e a sua definição no dicionário é: Peça de vestuário feminino destinado a acomodar, acondicionar ou apoiar os seios”. Mas na realidade parece haver alguns indícios de que os seios afinal não beneficiam do suporte artificial.

Usamos sutiã porque aprendemos que é uma peça de roupa indispensável e normalmente não questionamos a sua real necessidade. Usamo-lo porque, na nossa sociedade, há uma dessas regras não escritas que diz que os mamilos femininos são ofensivos ou libidinosos e por isso merecedores de censura, ao passo que os mamilos masculinos não. A sociedade também dita que as mamas se querem bem puxadas para cima (para agradar à vista) mas sem que se movam demasiado (para não chamar demasiado a atenção para si mesmas?!).

Há mulheres que gostam de usar sutiã ou não se sentem cómodas sem ele. O propósito do movimento “Bra free” (e deste artigo) não é fazer com que todas as mulheres deixem de usar sutiã, nem muito menos criticar as que não abdicam desta peça de roupa, mas sim defender a liberdade de escolha para usar ou não sutiã, sem ter a preocupação da aceitação social, nem a pressão de mitos sem fundamento.

Estudos sobre o uso de sutiã e a sua relação com o cancro

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Alguns relatos de mulheres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

Indícios de que os seios não precisam de suporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

My chest was still completely flat when I started asking my mother if I could get a bra.  I remember perfectly the first set of underwear with panties and top that she bought me. On that same day I posed for a homemade photo shoot, wearing that set and my high-heeled sandals (which were actually only three centimetres high). These photos live somewhere in one of the many family photo albums.

So I started wearing a bra (or something alike) when I did not even had breasts to be ‘hold’. Little by little the use of this piece of clothing became more frequent – as my breasts also grew – until it became constant. Getting out to the street without a bra became as unthinkable as going outside without panties. Without bra I felt naked and unprotected. Also for a long time I wore bras that gave my breasts the looks I thought they should have. The size (larger), shape (more rounded) and location (higher up) that I thought made me look more desirable. The bras I wore created volume through sponges and fillers, tightened my breasts toward the center and pulled them up through wires and grips.

On the other hand, as time passed by, the use of the bra began to bring more and more discomfort. To the point of being the first thing I took off when I got home (often even before taking my shoes off). I then avoided wearing “filled” bras and afterwards stopped using underwired bras. For some years I wore bras that looked more like the first tops my mother bought me when I was a small girl, but with sexier fabrics and shapes. Yet these fabrics were not the most comfortable thing for me as the elastic bands were tightened .

A couple years ago I slowly stopped wearing bra when going out to do something fast, such as taking out  the trash or running some errands at the end of my street. At first I felt a sense of nakedness and that I was doing something wrong or even a little bit shameful. Then I realised that the sensation was just that, a simple sensation, with no real reason. That feeling faded, and I began transgressing more and more often. Transgressing was exactly what I felt I was doing every time I left home without my bra. That feeling also faded away, until one day I realised that it no longer made sense to wear something which physically caused me so much discomfort.

I decided to stop wearing bra two years ago, by the end of the winter. After a couple of months of freedom, but with several layers of clothing that helped concealing the lack of that piece of clothing, there came the tops, dresses and t-shirts season. The time to really put up with my decision had come. Now it was pretty obvious that I was not wearing a bra. The shape of my nipples was noticeable at times, the actual location of my breasts too (a good eight or nine inches lower than their ‘sustained’ version). What initially caused some embarrassment became truly liberating. Plus I started wearing some clothes that I had not used before because I did not like the way the bra was visible when I wore them.

Even before I stopped wearing bras I would go top-less on the beach, but now it was just nonsense to wear a full bikini. There was only one occasion when I still wore a bra: for running and exercising. I still believed in the myth that the breasts could suffer some kind of injury caused by its free movement during jumps and more abrupt movements. One day, about a year after I had stopped wearing a bra on a daily basis, I decided to go jogging without a sports bra. And I was really surprised that when running, the movement did not cause me any kind of pain or discomfort. Only the year before I would get my breasts sore when running or jumping!

Since then I am 100% “bra free”. Since then, my breasts are firmer (though I’m past 30) and never got sore again after a jog. “Bra free” is like the “barefoot movement” but for the breasts, it is one more type of minimalism, it is about eliminating something that, in my case at least, did not bring any benefit beyond the social prescription.

Some studies point to the correlation between the use of bras and breast cancer, and there are already many platforms that advocate that ditching the bra brings not only comfort but can also help to fix some types of headaches and backaches, improve breathing and increases self-esteem, among other benefits. I know I have a small pair of daisies, but do not think that only people with small boobs can be “bra free”. In fact there are a few online personal testimonies of women, with all breasts sizes, who explain how ditching the bra improved their lives.

So, what are bras for? “Bra” is short for “brassiere” that comes from the French word “brassière” – shoulder strap (17c.) – and/or from the Old French braciere – arm guard (14c.). Its definition in the dictionary is: “a piece of women’s underwear that supports the breasts.” Well, in reality there seems to be some evidence that the breasts ultimately do not benefit from artificial support.

We wear bras because we learn that it is an indispensable garment and we do not normally question its real need. We use it because in our society there is one of these unwritten rules that says that female nipples are offensive or libidinous, and therefore worthy of censorship, while male nipples are not. Society also states that breasts should be pulled up (to please the eye) but should not move too much (as so not to draw too much attention to themselves?!).

There are women who like to wear a bra or do not feel comfortable without it. The purpose of the “Bra free” movement (and this article) is not to make all women stop wearing bras, let alone criticise those who do not give up this garment. But to defend the freedom of choice of either wearing or not wearing bra, without the concern of social acceptance nor the pressure of unsubstantiated health myths.

Studies on the use of bra and its relation with cancer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

 “Bra Free” platforms

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Bra Free women testimonies

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Evidence that breasts do not need support

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

Aún no me habían empezado a crecer las tetitas cuando empecé a decir a mi madre que quería usar sujetador. Recuerdo el primer conjunto de ropa interior con braguitas y top que mi madre me compró. En ese día quise hacer una sesión de fotos casera, vestida con ese conjunto y usando mis sandalias de tacón alto (que tenían sólo tres centímetros). Esas fotos viven en alguno de los muchos álbumes de familia.

Empecé entonces a usar sujetador (o algo parecido) cuando aún no tenía tetas para ‘sostener’. A poco y poco su uso empezó a ser cada vez más frecuente – a medida que mis pechos también crecían – hasta que pasó a ser constante. Salir a la calle sin sujetador pasó a ser tan impensable como salir de casa sin bragas. Sin sujetador me sentía desnuda y desprotegida. Además, durante mucho tiempo usé sujetadores que daban a mis senos el aspecto que creía que debían tener. El tamaño (más grande), la forma (más redondos) y la ubicación (más arriba) que creía que me hacía parecer más deseable. Los sujetadores que usaba daban volumen a través de esponjas y rellenos, apretaban los pechos hacia el centro y los empujaban hacia arriba a través de cajas con aros y muchos aprietos.

Por otro lado, con el paso del tiempo el uso del sujetador comenzó a traer cada vez más incomodidad. Al punto de ser la primera cosa que me quitaba al llegar a casa (muchas veces hasta antes de quitarme los zapatos). A poco y poco dejé de usar sujetadores con “relleno” y luego dejé de usar sujetadores con caja. Durante unos años usé sujetadores que se parecían a los primeros tops que mi madre me compró cuando era niña, pero con tejidos y formas más sexys y mucho menos infantiles. Sin embargo, esos tejidos no eran la cosa más cómoda para mí, y las gomas todavía aprietaban.

Hace un par de años empecé a dejar de poner el sujetador cuando salía para hacer algo rápido, como tirar la basura o ir a comprar algo a la frutería al final de mi calle. Al principio sentía esa sensación de desnudez, de que estaba haciendo algo malo o vergonzoso. Después percibí que aquella sensación no era más que eso, una simple sensación, sin razón real. Esta sensación se desvaneció, y empecé a transgredir la norma cada vez más veces. Transgredir fue lo que pasé a sentir que hacía, cada vez que salía sin el sujetador. También esa sensación se fue desvaneciendo, hasta que un día percibí que no tenía sentido vestir algo que físicamente me causaba tanto incomodidad.

Decidí dejar de usar sujetador al final del Invierno, hace dos años. Después de un par de meses, libre de apretones, pero con varias capas de ropa que ayudaban a que no se notara tanto la falta de esa prenda, vino el tiempo de los tops, de los vestidos y las camisetas. Vino el tiempo de asumir realmente mi decisión. Ahora era bastante evidente que no usaba sujetador. El relieve de mis pezones era perceptible a veces, la ubicación real de mis senos también (unos buenos tres o cuatro centímetros más abajo de su versión “sujetada”). Lo que al principio causó cierta vergüenza se volvió verdaderamente liberador. Además, empecé a usar algunas prendas que hasta entonces no usaba porque no me gustaba la forma cómo el sujetador quedaba visible.

Antes de dejar de usar sujetador ya era frecuente hacer “top-less” en la playa, pero después dejó de hacer cualquier sentido usar la parte superior del bikini. Sólo había una ocasión en la que todavía usaba sujetador: para correr y hacer ejercicio. Todavía creía en el mito que el pecho podía sufrir algún tipo de lesión causada por su libre movimiento durante saltos y movimientos más bruscos. Um dia, al cabo de un año después de haber dejado de usar sujetador en el día a día, decidí salir para correr sin el sujetador deportivo. Tal fue mi sorpresa cuando al correr el movimiento no me causó ningún tipo de dolor ni molestia. ¡Cuando un año antes hasta con el sujetador me dolía el pecho al correr o saltar!

Desde entonces soy 100% “bra free”. Desde entonces mis tetas están más firmes (a pesar de ya haber pasado de los 30) y nunca más quedaron doloridas después de una carrera. “Bra free” es como el movimiento “barefoot” pero para las tetas, es más un tipo de minimalismo, se trata de eliminar algo que, en mi caso por lo menos, no traía ningún beneficio más allá de la prescripción social.

Algunos estudios apuntan a la relación entre el uso de sujetadores y el cáncer de mama, y ​​ya son muchas las plataformas que preconizan que dejar el sujetador trae no sólo comodidad pero también puede ayudar a acabar con algunos tipos de dolores de cabeza y de espalda, mejorar la respiración y aumentar la autoestima, entre otros beneficios. Yo tengo el pecho pequeño, bien sé, pero no piensen que sólo las personas con el pecho pequeño pueden ser “bra free”. En realidad hay por internet fuera varios relatos, de mujeres con tetas de todos los tamaños, que cuentan cómo el abandono de los sujetadores mejoró su calidad de vida.

Al final, para qué sirven los sujetadores? “Sujetador” es algo que sujeta. Otro nombre para esta prenda de ropa interior es “sostén” o sea “cosa que sostiene”… Pero en realidad parecen haber algunos indicios de que los senos al final no se benefician del soporte artificial.

Usamos sujetador porque aprendemos que es una pieza de ropa indispensable y normalmente no cuestionamos su real necesidad. Lo usamos porque en nuestra sociedad hay una de esas reglas no escritas que dice que los pezones femeninos son ofensivos o libidinosos, y por eso merecedores de censura, mientras que los pezones masculinos no. La sociedad también dice que las tetas se quieren bien tiradas hacia arriba (para agradar a la vista) pero también de manera que no se muevan demasiado (para no llamar demasiado la atención hacia sí mismas ?!).

A algunas mujeres les gusta usar sujetador o no se sienten cómodas sin él. El propósito del movimiento “Bra free” (y de este artículo) no es hacer que todas las mujeres dejen de usar sujetador, ni mucho menos criticar a las que no abdican de esta prenda. Sino defender la libertad de elección para usar o no el sujetador, sin tener la preocupación de la aceptación social ni la presión de mitos sin fundamento.

Estudios sobre el uso de sujetador y su relación con el cáncer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

 Algunos relatos de mujeres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Indicios de que los senos no necesitan soporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/

Physical re-education

Physical re-education (EN)

Reeducación física (ES)

Reeducaçao física (PT)

Sabias que, ao contrário de muito do que se diz por aí, podes reeducar o teu corpo, mudá-lo e pô-lo a funcionar como deve de ser?

A primeira vez que me deparei com uma oportunidade de reeducar o meu corpo foi quando ainda era miúda. Eu metia os pés um pouco para dentro ao caminhar, um deles um pouco mais que o outro. Mais pequena ainda, tinha usado sapatos ortopédicos sem grande resultado. Algum adulto disse-me que devia tentar caminhar com os pés direitos ou andaría com os pés metidos para dentro para sempre. Lembro-me perfeitamente de ir no caminho para a escola concentrada na minha forma de caminhar. No meu inconsciente a posição dos meus pés por defeito era para dentro, e isso era o que os meus sentidos percebiam como “normal”, ao centrá-los tinha a impressão de que estava a caminhar com eles completamente virados para fora (tipo como as bailarinas). Eventualmente a nova forma de caminhar tornou-se o novo “normal”, e hoje em dia ninguém diria que andava com os pés para dentro quando era criança.

Bastantes anos mais tarde, já depois de adulta, comecei a fazer Yoga e percebi que não sabia respirar. Respirava quase sempre pela boca e só usava a parte superior dos meus pulmões. Nessa altura o Yoga ajudou-me a tomar consciência da minha respiração e aprendi a respirar utilizando todo o pulmão, pelo nariz e de forma mais tranquila. Levei o que aprendia para a minha vida diária, sempre que podia tentava estar consciente da minha respiração, e respirar de maneira mais eficaz.

Com o tempo o corpo habituou-se e rara é a vez que respiro pela boca durante o tempo em que estou acordada. Já não preciso estar sempre a pensar em como respirar corretamente, mas o hábito de analisar de vez enquanto a minha respiração ficou. Essa análise esporádica, mas mais ou menos constante, ajuda-me a analisar também o meu estado de espírito.

Uma das reeducações físicas mais impactantes pelas que já passei foi a segunda vez que decidi mudar a forma como caminho. Essa tem sido uma longa “caminhada” cheia de aprendizagem sobre o funcionamento do meu próprio corpo. Tudo começou quando, à semelhança da Tico, comecei a pesquisar sobre o movimento barefoot e os benefícios de andar descalç@ (e os malefícios de usar os sapatos convencionais). Comprei os meus FiveFingers mais ou menos na mesma altura que ela mas usava-os pouco, intercalando com o uso de calçado convencional.

No verão passado decidi comprar umas sandálias minimalistas que seriam o meu calçado para todo o verão. Levei-as na viagem para visitar a Tico ao Canadá e depois de vários dias de passeio, em que percorremos entre 10 e 30 quilometros por dia, percebi que não havia nada melhor para grandes caminhadas. Sempre tive o pé chato e isso fazia com que, depois de caminhar muito tempo com sapatos muito rasos, me começassem a doer os pés na zona do arco (que não tinha) e por vezes também os tornozelos. Eu pensava que isso era normal, eu tinha o pé chato e isso era irreversível por isso tinha que usar sobretudo sapatos com algum desnível e com suporte para o arco do pé.

Quando estava a fazer a mochila para o Caminho de Santiago (Buen Camino) decidi que ia apenas levar dois pares de calçado, as minhas sandálias minimalistas e os meus FiveFingers. No primeiro dia do caminho, depois de cerca de três horas de caminhada, lá me começou a doer o arco do pé esquerdo. Quando olhei para o meu pé enquanto caminhava (com as sandálias minimalistas, sem desnível nem apoio para o arco, era fácil de ver) percebi que apoiava demasiado a parte interior deste (onde o arco é suposto estar) e pouco a parte exterior. Então decidi fazer uma experiência. Para poder fazê-lo teria que me concentrar nos meus movimentos e caminhar de forma consciente. Decidi tentar apoiar o pé com mais ênfase na parte exterior (que vai do dedo mindinho até ao meio do calcanhar). Ao final de alguns quilometros vi o resultado, a dor no pé diminuía.

Até ao final do caminho (115km) fiz esse esforço de caminhar de forma consciente apoiando melhor a parte exterior do pé. Nos primeiros dias sempre que me distraía lá me começava a doer o pé e isso era sinal de que não estava a caminhar correctamente. No ultimo dia já tinha incorporado no meu inconsciente esta nova forma de caminhar. Desde que voltei do Caminho de Santiago nunca mais voltei a usar calçado que não cumpra os requisitos barefoot, com a única excepção dos 5 dias de muita chuva distribuídos pelo inverno Valenciano (em Valência quase nunca chove) em que tive que usar umas botas realmente impermeáveis que não são barefoot.

Nunca mais me doeu o pé naquele sítio (nem noutro verdade seja dita) e agora os meus pés já não são chatos. MAGIA!!! A reeducação da minha forma de caminhar e a utilização de calçado human friendly fizeram com que os arcos, que nunca se tinham formado em 31 anos de existência, finalmente e a pouco e pouco começassem a surgir.  

Mas essa transformação não acabou aí. Talvez por se ter processado de maneira mais deliberada e consciente, levou a que continuasse a pesquisar e a perceber que realmente ainda haviam ajustes a fazer. Ainda estou em processo de melhorar a minha postura e de reabilitar a total mobilidade dos meus pés, ancas e tornozelos mas posso dizer que vejo a evolução de semana para semana.

Entretanto, numa visita a um consultório de uma dentista que tem uma abordagem mais holística com relação à medicina dentária, encontrei uma possível solução para outro problema físico que há algum tempo queria resolver mas sem saber como. Uns parágrafos acima falo da minha primeira reeducação respiratória. Neste momento estou no início da segunda! O facto é que quando estou desperta consigo respirar de uma forma correcta, mas quando estou a dormir respiro geralmente com a boca aberta. Isto faz com que, além de despertar várias vezes durante a noite com a boca seca, entre menos ar nos meus pulmões. O que resulta em pesadelos, sonos pouco profundos, alguns episódios de apneia, amígdalas inchadas e umas valentes olheiras que tenho desde sempre, entre outras coisas.

Sei que vai parecer estranho mas parte desta reeducação respiratória passa por dormir com um adesivo na boca. Se te estás a rir não és @ unic@! Eu cada vez que penso nisso escangalho-me a rir, e muitas vezes quando me preparo para dormir (e colo a minha boca com adesivo) não consigo evitar umas gargalhadas (mudas, porque já tenho a boca colada). Ainda é cedo para falar de resultados a longo prazo. Será que o meu inconsciente se habituará à boca fechada durante o sono como o “novo normal”? Será que algum dia vou conseguir dormir de boca fechada mas sem a sinistra “fita-cola”? O que posso dizer é que tenho realmente dormido melhor, já não desperto a meio da noite com a necessidade de beber água e tenho a impressão de ter mais energia durante o dia e maior capacidade de concentração.

Acho que é importante que estejamos mais conscientes do poder que temos para mudar a nossa condição física. Volto a dizer (como disse neste artigo) que tomar as rédeas da própria vida, e neste caso do próprio corpo, não é para todos na medida em que é uma questão de responsabilizar menos a nossa genética, o nosso contexto sócio-cultural e as outras pessoas, responsabilizando-nos mais a nós próprios. Coisa que nem todos estão dispostos a fazer, pois é mais fácil queixarmo-nos e culpar fatores externos.

Também achas que há muito que podemos fazer pelo aperfeiçoamento dos nossos corpos? Já fizeste algum tipo de reeducação física? Este artigo encorajou-te a tomar mais responsabilidade sobre o teu próprio corpo? Achas que o que digo não faz sentido nenhum? Como sempre, estou curiosa para saber a tua opinião!


 

Physical re-education (EN)

Did you know that, in contrary of what is said for the most part, you can re-educate your body, change it and make it work properly in an autonomous way?

The first time I came across an opportunity to re-educate my body was when I was a child. I used to have my feet pointing inward while walking, one of them a little more than the other. Before that I had already worn orthopaedic shoes without much success. Some adult told me that I should try to walk with my feet straight otherwise I would walk like that forever. I remember, as if it was today, going the to school while focusing on my way of walking. In my unconscious the position of my feet was by default inward, and this was what my senses perceived as “normal”, when I centred them I had the impression that I was walking with them completely turned outwards (like the ballet dancers do). Eventually the new form of walking became the new “normal”, and nowadays no one could tell that back then I used to walk with my feet pointing inwards.

Many years later, when I was already an adult, I began practicing Yoga and realised that I did not knew how to breathe. I would mostly breathe through my mouth and only using the upper part of my lungs. At that time Yoga helped me to become aware of my breathing and I learned how to breathe through the nose, using my whole lungs and in a more relaxed way. I brought what I learned to my daily life, whenever I could I would try to be aware of my breathing to do it more efficiently.

Over time my body became accustomed and since then I rarely breathe through my mouth when I’m awake. I no longer have to think about how to breathe correctly, however the habit of analysing my breath stayed. This sporadic but more or less constant analysis helps me to get in touch with my state of mind as well.

One of the most impactful physical re-educations I’ve ever experienced was the second time I’ve decided to change the way I walk. This has been a long journey where I’ve been learning about the functioning of my own body. It all started when, like Tico, I started to research about the barefoot movement and the benefits of walking barefoot (and damaging effects of wearing conventional shoes). I bought my FiveFingers more or less at the same time as she did, but I didn’t wear them as much and would rather intercalate with conventional footwear.

Last summer I decided to buy some minimalist sandals that would be my footwear for the whole summer. I took them on the trip to visit Tico in Canada and after several days of walking between 10 and 30 kilometres a day, I realised that there was nothing better for long walks. I used to have flat feet and after walking in flat shoes for a long time my feet would always hurt, especially around the area where the arch should be (I didn’t had any) and sometimes also the ankles would get sore. I thought this was normal, that my feet were flat and this was irreversible so I had to wear mostly shoes with some heel and with some kind of arch support.

When I was  packing my backpack for the Camino de Santiago (Buen Camino) I decided that I would only take two pairs of shoes, my minimalist sandals and my FiveFinger shoes. On the first day of the trip, after about three hours hiking, my left foot started hurting. When I looked at my feet as I walked (with minimalist sandals, with no drop or arch support, it was easy to see) I realised that I was planting my feet on the ground with hard pressure on the inside part of the foot (where the bow is supposed to be) and less pressure on the outer part. So I decided to do an experiment. In order to do so I would have to concentrate on my movements and walk consciously. I decided to try to land my feet with more emphasis on the outside (that goes from the little finger to the middle of the heel) they on the inside. At the end of a few kilometres I saw the result, the pain started decreasing.

Until the end of the path (115km) I made this effort to walk consciously supporting the outer part of the foot better. In the first days whenever I was distracted my feet started hurting and this was a sign that I was not walking properly. On the last day I had already incorporated into my unconscious this new way of walking. Since I returned from the Camino de Santiago I have never used shoes that do not meet the barefoot standards, with the exception of the 5 days of heavy rain distributed in the winter (it rarely rains in Valencia) that I had to wear waterproof boots that are not barefoot.

The pain on my feet never came back and now they aren’t flat anymore. MAGIC!!! The locomotion re-education and the use of “human friendly” footwear made my feet arches slowly and gradually take form after 31 years of existence with no arch whatsoever.

But this transformation did not end there. Perhaps because it had been processed more deliberately and consciously, it led me to continue researching and realising that there were still some adjustments to be made. I am still in the process of improving my posture and rehabilitating the total mobility of my feet, hips and ankles but I can say that I see the evolution every week.

Not long ago, when visiting a dentist with a more holistic approach to dental medicine, I found a possible solution to another physical problem that I had wanted to solve for some time although not knowing how. A few paragraphs above I talked about my first respiratory re-education. At this moment I am at the beginning of the second one! The fact is that when I’m awake I can breathe properly, but when I’m asleep I usually breathe with my mouth open. This not only causes less air to get into my lungs but in addition I wake up several times during the night with a dry mouth. This leads to nightmares, shallow sleeps, some episodes of apnea, swollen tonsils, and some serious dark circles, among other things.

I know it’s going to sound strange, but part of this respiratory re-education process is sleeping with some kind of duct tape covering my mouth. If you’re laughing, you’re not the only one! Every time I think about it I laugh as well, and many times when I get ready to go to sleep (and close my mouth with hypoallergenic tape) I cannot help laughing (but silently because by then my mouth is already duct taped). It’s too early to talk about long-term results. Will my unconscious get used to my shut mouth while sleeping as the “new normal”? Will I ever be able to sleep with my mouth closed without the sinister duct tape? What I can say is that I have actually slept better, I no longer wake up in the middle of the night with the need to drink water and I have the impression of having more energy and greater focus during the day.

I think it’s important that we become more aware of the power we have to change our physical condition. Once again, as I said in this article, taking the reins of one’s life, and in this case one’s own body, is not for everyone because it is a question of no longer blaming our genetics, socio-cultural context and other people, making ourselves more accountable. This is something that not everyone is willing to do, because it is easier to complain and blame external factors.

Do you also think that we can do much more to further perfecting our bodies? Have you done any kind of physical re-education? Did this article encourage you to take more responsibility over your own body? Do you think that what I said makes no sense at all? As always, I’m curious to hear your opinion!


 

Reeducación física (ES)

¿Sabías que, al contrario de mucho de lo que se dice por ahí, puedes reeducar tu cuerpo, cambiarlo y hacerlo funcionar correctamente?

La primera vez que me encontré con una oportunidad de reeducar mi cuerpo fue cuando aún era niña. Ponía los pies un poco hacia adentro al caminar, uno de ellos un poco más que el otro. Antes había usado zapatos ortopédicos sin mucho resultado. Un adulto me dijo que debía intentar caminar con los pies derechos o estaría destinada a caminar con los pies metidos hacia dentro para siempre. Recuerdo perfectamente ir de camino a la escuela concentrada en mi forma de caminar. En mi inconsciente la posición de mis pies era por defecto hacia adentro, y eso era lo que mis sentidos percibían como “normal”. Al centrarlos, tenía la impresión de que estaba caminando con ellos completamente orientados hacia fuera (como las bailarinas). Eventualmente, la nueva forma de caminar se convirtió en el nuevo “normal”, y hoy en día nadie diría que andaba con los pies hacia dentro cuando era pequeña.

Bastantes años más tarde, siendo adulta, empecé a hacer yoga y percibí que no sabía respirar. Respiraba casi siempre por la boca y sólo usaba la parte superior de mis pulmones. En ese momento, el Yoga me ayudó a tomar conciencia de mi respiración y aprendí a respirar utilizando todo el pulmón, de forma nasal y más tranquila. Trasladé lo que aprendí  a mi vida diaria, siempre que podía trataba de estar consciente de mi respiración para respirar de manera más eficaz.

Con el tiempo, el cuerpo se ha acostumbrado y rara vez respiro por la boca mientras estoy despierta. Ya no necesito estar pendiente de mi respiración para respirar correctamente, pero el hábito de analizar  mi respiración de vez en cuando se quedó. Este análisis esporádico, pero más o menos constante, me ayuda también a analizar mi estado de ánimo.

Una de las reeducaciones físicas más impactantes por las que ya pasé fue la segunda vez que decidí cambiar mi forma de caminar . Esta ha sido una larga “caminata” llena de aprendizaje sobre el funcionamiento de mi propio cuerpo. Todo empezó cuando, igual que  mi hermana Tico, empecé a investigar sobre el movimiento barefoot y los beneficios de andar descalzo (y los inconvenientes de usar los zapatos convencionales). Compré mis FiveFingers más o menos a la vez  que ella, pero los usaba poco, intercalando con el uso de calzado convencional.

El  verano pasado decidí comprar unas sandalias minimalistas que serían mi calzado para todo el verano. Las llevé en el viaje para visitar a Tico en Canadá y, después de varios días de paseo en los que recorrimos entre 10 y 30 kilómetros por día, percibí que no había nada mejor para grandes caminatas. Siempre tuve el pie plano y eso hacía que, después de caminar mucho tiempo con zapatos muy planos, me empezaran a doler los pies en la zona del arco (que no tenía) y a veces también los tobillos. Yo pensaba que eso era normal, yo tenía los pies planos y eso era irreversible, por lo que tenía que usar sobre todo zapatos con algún desnivel y con soporte para el arco del pie.

Cuando estaba haciendo la mochila para el Camino de Santiago (Buen Camino) decidí que iba a llevar dos pares de calzado: mis sandalias minimalistas y mis FiveFingers. En el primer día del camino, después de unas tres horas de caminata, me empezó a doler el arco del pie izquierdo. Cuando miré mi pie mientras caminaba (con las sandalias minimalistas, sin desnivel ni apoyo para el arco, era fácil de ver) percibí que apoyaba demasiado la parte interior de éste (donde se supone que está el arco) y poco la parte exterior. Entonces decidí hacer un experimento . Para poder hacerlo, tendría que concentrarme en mis movimientos y caminar de forma consciente. Decidí intentar apoyar el pie con más énfasis en la parte exterior (que va del dedo meñique hasta el medio del talón). Al final de algunos kilómetros vi el resultado: el dolor en el pie disminuía.

Hasta el final del camino (115km) hice este esfuerzo de caminar de forma consciente apoyando mejor la parte exterior del pie. En los primeros días, siempre que me distraía me empezaba a doler el pie y eso era señal de que no estaba caminando correctamente. En el último día ya había incorporado en mi inconsciente esta nueva forma de caminar. Desde que volví del Camino de Santiago no he vuelto a usar calzado que no cumpliera los requisitos barefoot, con la única excepción de los 5 días de diluvio distribuidos por el invierno valenciano (en Valencia casi nunca llueve) durante los que tuve que usar unas botas realmente impermeables que no son barefoot.

No me volvió a doler el pie en aquel sitio (ni en otro en realidad) y ahora mis pies ya no son planos. ¡¡¡MAGIA!!! La reeducación de mi forma de caminar y la utilización de calzado human friendly hicieron que los arcos, que nunca se habían formado en 31 años de existencia, finalmente y poco a poco comenzaran a surgir.

Pero esa transformación no terminó ahí. Quizás por haberse procesado de manera más deliberada y consciente, llevó a que continuara investigando y percibiendo que realmente todavía había ajustes que hacer. Todavía estoy en proceso de mejorar mi postura y de rehabilitar la total movilidad de mis pies, caderas y tobillos pero puedo decir que veo la evolución semana tras semana.

Hace poco, en una visita a una dentista que tiene un enfoque más holístico con relación a la medicina dental, encontré una posible solución a otro problema físico que hace algún tiempo quería resolver pero no sabía  cómo. Unos párrafos arriba hablo de mi primera reeducación respiratoria. ¡En este momento estoy iniciando la segunda! El hecho es que cuando estoy despierta puedo respirar correctamente, pero cuando estoy durmiendo respiro generalmente por la boca. Esto hace que, además de despertar varias veces durante la noche con la boca seca, entre menos aire en mis pulmones. Lo que resulta en pesadillas, sueños poco profundos, algunos episodios de apnea, amígdalas hinchadas y unas ojeras que tengo desde siempre, entre otras cosas.

Sé que va a parecer extraño, pero una parte de esta reeducación respiratoria es dormir con esparadrapo en la boca. Si te estás riendo no estás sol@! Cada vez que pienso en ello me meo de risa, y muchas veces cuando me preparo para dormir (y pego mi boca con el estropajo) no puedo evitar unas carcajadas (mudas, porque ya tengo la boca pegada). Todavía es temprano para hablar de resultados a largo plazo. ¿Registrará mi inconsciente a la boca cerrada durante el sueño como el “nuevo normal”? ¿Podré dormir   algún día con la boca cerrada, pero sin la siniestra “cinta adhesiva”? Lo que puedo decir es que realmente estoy durmiendo mejor, ya no despierto en la mitad de la noche con la necesidad de beber agua y creo que tengo más energía durante el día y mayor capacidad de concentración.

Creo que es importante que seamos más conscientes del poder que tenemos para cambiar nuestra condición física. Vuelvo a decir (como he dicho en este artículo) que tomar las riendas de la propia vida, y en este caso del propio cuerpo, no es para tod@s, porque es cuestión de culpar menos a nuestra genética, nuestro contexto sociocultural y las otras personas, responsabilizándonos más a nosotros mismos. Cosa que no todos están dispuestos a hacer, pues es más fácil quejarnos y culpar a factores externos.

¿También crees que hay mucho que podemos hacer para perfeccionar  nuestros cuerpos? ¿Has hecho algún tipo de reeducación física? ¿Te ha animado este artículo a tomar más responsabilidad sobre tu propio cuerpo? ¿Crees que lo que digo no tiene sentido alguno? ¡Como siempre, tengo curiosidad de saber tu opinión!

Buen Camino!

Buen Camino! (PT)

Buen Camino! (ES)

Buen Camino! (EN)

Some years ago I went on a family trip to the north of Portugal and Galicia (Spain). When getting to Santiago de Compostela I started to see all of these people with backpacks and hiking poles that were walking the “Camino de Santiago”. Nico and I agreed that one day we would do it together. Although it seemed to me something very difficult and that we would need months of preparation and a strong will to do so. Therefore, I imagined it happening only when I was fit enough to be up for the challenge.

Little did we know that three years later we would be finally walking the Camino. Funny enough, I was actually in a very bad shape, after one year of studying and working in Vancouver that had left me drained, overweight and with some vitamins and minerals deficiencies. I knew this would be definitely a challenge.

Nico programmed most of the trip. She had researched where we were staying, how many kilometers we were walking per day and all the logistics. We started in Sarria, which meant that we would have to walk around 110 km in five days. We came up with a plan to wake up quite early (around 7am), walk for about two hours, take a break for the breakfast, keep walking until we reached the destination for the day, go to the hostel to take a shower and drop the backpacks, go to a restaurant to have a late lunch and chill out the entire afternoon in a park. Our bags were not heavy but every kilogram counts when you are hiking for so many hours up and down hills. You can feel that extra liter in the water bottle you carry. 

The first day was quite easy and fun. We encountered countless people along the way wishing a “buen camino” (translates for “have a good walk”), all kinds of people from all over the world, in all different age groups, some in better shape than others. Some were doing it for the first time, just like we were, others had been walking the Camino every year for several years. Some had just started the walk, others were walking for almost one month. Some did it as a physical exercise, others for spiritual reasons or even just for the adventure. Some were alone, others came in groups.

The following days got a bit tougher and harder due to the muscle pain from walking so many kilometers. Sometimes it was really painful to start walking again after having a small break. At some point I lost count of how many people were full of bruises and blisters and I could almost feel their pain just by looking at the way they were walking. Luckily Nico and I didn’t have any feet problems as we were wearing barefoot shoes (Barefoot) but we had other aches and pains in our legs and backs.

To me, doing the Camino is not just about overcoming the physical struggles but above all the mental obstacles we face along the way. Even though Nico and I decided to do this together, it didn’t mean we had to walk together. In fact, for the most part we decided to split and walk with our own individual pace. That meant being alone with our own minds and thoughts for hours on end. There were some things I learned from this experience and would like to share:

Every body has a different rhythm. Some people were supper fit, overtaking everyone they would pass through, others on the other hand, were walking in an extremely slow pace as they probably had some physical issues. However, all of them got to Santiago (the final destination) at some point. The exact same happens in our day to day life. If there’s a goal we want to achieve, we can start walking towards that goal in a pace we feel comfortable to do so. We will eventually get there sooner rather than later.

The physical struggles we encounter by walking endless meters are surpassed minute-by-minute, hour-by-hour, day-by-day. Meaning that it is more about our mental strength than being in a good shape. If I could walk in pain, with hunger and a heating sun over my head, than I guess I can face daily routine problems as well. Transforming those struggles in victories.

Carrying a small backpack along the way, with just the necessary items, made me understand of how little we can live with. I used the same t-shirt and leggings during those five days and even though they were dirty and dusty most of the time (I only washed them once), I didn’t feel the need for more clothing items. The remaining carried weight was due to water, fruit and snacks I carried around to give me fuel to keep me going. In our day-to-day life we carry way to many concerns, beliefs and struggles that we don’t need as well. If we only take the essential, we end up living with those things that are really meaningful and important to us.

After walking for so long during the first part of the day, we made sure we would have our well-deserved rest for the second part of the day. We chilled in parks, did some stretching, played cards and had long conversations. Which made me think of how in our busy lives we often don’t get to spend quality time with those we love and doing the things we enjoy. Rest and quality time are crucial to keep a healthy and sane lifestyle.

Most of the Camino has amazing pathways in such a diverse nature: mountains, plains, grass fields, plantations, streams, old villages and ruins. In order to hike up and down hill you need to be present, otherwise you can stumble on a rock or step on cow manure. Just like in our daily routine, if you are not present in every moment you can make mistakes, get ill or hurt and eventually be in “shitty” situations ☺.

In order to learn something, we need to put ourselves out there, outside our comfort zone. There’s where growth takes place.

I truly advise everybody to do something like this. You don’t need to walk for five days in a row, just getting out there in nature, carrying your own belonging along the way (to really see how little you need) and most important be present with yourself and your own thoughts.

I can’t wait to do it again soon!

Buen Camino! (PT)
Há alguns anos fiz uma viagem com a família ao norte de Portugal e Galiza (Espanha). Quando chegámos a Santiago de Compostela comecei a ver imensos mochileiros com bastões que tinham feito o “Caminho de Santiago”. A Nico e eu acordámos que um dia o faríamos juntas. No entanto pareceu-me a mim algo muito difícil e que precisaríamos de meses de preparação física e muita força de vontade para o fazermos. Desse modo, imaginei fazê-lo só quando tivesse em forma suficiente para este desafio.

Mal sabia eu que três anos mais tarde estaríamos nós a fazer o Camino. O mais engraçado é que eu estava em péssima forma física, depois de um ano a trabalhar e estudar em Vancouver que me deixou esgotada, com algum peso a mais e com várias deficiências a nível nutricional. Sabia que isto seria de facto um grande desafio.

A Nico programou a maior parte da viagem. Pesquisou onde ficaríamos a dormir, quantos quilómetros faríamos por dia e todas as outras questões de logística. Começámos em Sarria, o que significava termos de percorrer cerca de 110 km em cinco dias. Fizemos um plano e decidimos acordar cedo (por volta das 7h00), andar por cerca de duas horas, fazer uma pausa para o pequeno-almoço, continuar a caminhada até chegar ao destino desse dia, ir ao hostel para tomar banho e deixar as mochilas, escolher um restaurante para almoçarmos e relaxar o resto do dia num parque. As nossas malas não estavam pesadas mas todos os quilos contam quando estás a caminhar por tantas horas com subidas e descidas. Um litro a mais ou a menos na garrafa de água fazia-se logo notar.

O primeiro dia foi relativamente fácil e divertido. Passámos por várias pessoas que nos iam desejando “buen camino”, todo o tipo de pessoas de todas as partes do mundo, de todas as faixas etárias, alguns em melhor forma que outros. Umas estavam a fazê-lo pela primeira vez, tal como nós, outros faziam o Caminho todos os anos. Umas tinham começado o Caminho há pouco tempo, outras já caminhavam há quase um mês. Umas faziam-no como forma de exercício físico, outras por razões espirituais e havia quem quisesse apenas ter a experiência daquela aventura. Umas estavam sozinhas, outras vinham em grupos.

Os dias que se seguiram tornaram-se um pouco mais duros e difíceis devido às dores nos músculos por andar tantos quilómetros. Às vezes era muito doloroso voltar a mexer as pernas depois de uma curta pausa. A certa altura perdi conta às pessoas, pelas quais passava, que estavam cheias de feridas ou bolhas nos pés e eu quase conseguia sentir as suas dores só de olhar para a forma como elas caminhavam. Felizmente a Nico e eu não tivemos esse tipo de problemas nos pés porque andámos com sapatos “barefoot” (Descalç@), mas tínhamos outras dores e mazelas nas pernas e costas.

Para mim, fazer o Caminho não é apenas uma questão de ultrapassar as dificuldades a nível físico mas, mais que tudo, os obstáculos mentais que enfrentamos a cada passo. Ainda que a Nico e eu tenhamos decidido fazê-lo juntas, não significava que teríamos de caminhar juntas. Na verdade, a maior parte do tempo andávamos separadas, cada uma no seu ritmo. Isso fez com que estivéssemos sozinhas com as nossas mentes e pensamentos por horas a fio. Houveram algumas coisas que aprendi com esta experiência e gostava de partilhar:

Cada corpo tem um ritmo diferente. Algumas pessoas estavam em ótima forma e iam ultrapassando toda a gente pelo caminho, outras por outro lado caminhavam num passo lentíssimo, talvez por sofrerem de algum problema motor. No entanto, todas essas pessoas chegaram a Santiago (o destino final) a seu tempo. O mesmo acontece nas nossas vidas. Se há algum objectivo que queremos atingir, podemos começar a andar na sua direção num passo que seja confortável para nós. Eventualmente chegaremos lá, mais cedo ou mais tarde.

Os problemas a nível físico que encontramos ao caminharmos quilometros que parecem não ter fim, vão sendo ultrapassados minuto a minuto, hora a hora, dia a dia. O que significa que a nossa força de vontade é mais importante do que a nossa forma física. Se eu consegui andar suportando dores, fome e o sol quente a bater na cabeça, então também consigo enfrentar problemas da rotina diária. Transformando essas dificuldades em vitórias.

Carregar uma mochila pequena pelo caminho, com apenas os itens necessários, fez-me perceber que necessitamos de muito pouco pra viver. Usei a mesma t-shirt e leggings durante aqueles cinco dias e mesmo que tivessem alguma sujidade e pó a maior parte das vezes (só as lavei uma vez), não senti necessidade de ter mais roupa. O restante peso era devido à água, fruta e snacks que carregava para me darem energia e assim conseguir prosseguir na caminhada. No nosso dia-a-dia carregamos demasiados problemas, crenças e dificuldades dos quais também não precisamos. Se só levarmos o essencial, acabamos por viver com aquelas coisas que são realmente importantes e relevantes para nós.

Depois de caminharmos por tanto tempo na primeira parte do dia, fizemos questão de garantir o tão merecido descanso na segunda metade. Relaxámos-nos em parques, fizemos alongamentos, jogámos às cartas e tivemos longas conversas. O que me fez pensar que nos nossos dias tão ocupados acabamos por não passar tempo de qualidade com aqueles que amamos nem a fazer aquilo que gostamos. Descanso e tempo de qualidade é essencial para manter um estilo de vida saudável.

A maior parte do Caminho tem paisagens maravilhosas e muita diversidade natural: montanhas, planícies, campos de erva, plantações, riachos, vilas antigas e ruínas. Para descer e subir tantas colinas é preciso caminhar com consciência e estar presentes no momento, de outra forma corremos o risco de tropeçar numa pedra ou pisar esterco de vaca. Assim como na nossa rotina diária, se não estivermos presentes no momento podemos cometer erros, ficar doentes e eventualmente acabar em situações de merda☺.

Para que consigamos aprender alguma coisa, temos que nos colocar fora da nossa zona de conforto. É aí que o crescimento pessoal acontece.

Eu aconselho vivamente a toda a gente fazer algo deste género. Não é necessário andar por cinco dia seguidos, basta passar algum tempo na natureza apenas carregando o essencial, e o mais importante é estar presente no momento e consciente dos próprios pensamentos.

Mal posso esperar por fazê-lo novamente!

Buen Camino! (ES)

Hace unos años hice un viaje con la familia al norte de Portugal y Galicia. Cuando llegamos a Santiago de Compostela empecé a ver muchos mochileros con bastones que habían hecho el “Camino de Santiago”. Nico y yo nos comprometemos a que un día lo haríamos juntas. Sin embargo, me pareció algo muy difícil y que necesitaríamos meses de preparación física y mucha fuerza de voluntad para hacerlo. De ese modo, pensé hacerlo sólo cuando estuviera en forma lo suficiente para este desafío.

Mal sabía que tres años más tarde estaríamos haciendo el Camino. Lo más gracioso es que yo estaba en pésima forma física, después de un año trabajando y estudiando en Vancouver que me dejó agotada, con algún sobrepeso y con varias deficiencias a nivel nutricional. Sabía que sería realmente un gran desafío.

Nico ha programó la mayor parte del viaje. Planeó dónde dormíamos, cuántos kilómetros haríamos al día y todas las demás cuestiones de logística. Comenzamos en Sarria, lo que significaba que iríamos a recorrer unos 110 km en cinco días. Hicimos un plan y decidimos despertar temprano (alrededor de las 7:00), caminar cerca de dos horas, hacer una pausa para desayunar, continuar la caminata hasta llegar al destino de ese día, ir al hostel para bañarnos y dejar las mochilas, elegir un restaurante para comer y relajar el resto del día en el césped de un parque. Nuestras mochilas no estaban pesadas pero todos los kilos cuentan cuando estás caminando por tantas horas con subidas y bajadas. Un litro más o menos en la botella de agua se hacía notar.

El primer día fue relativamente fácil y divertido. Pasamos por varias personas que nos iban deseando “buen camino”, todo tipo de personas de todas partes del mundo, de todas las edades, algunos en mejor forma que otros. Unas estaban haciéndolo por primera vez, al igual que nosotras, otras hacían el Camino todos los años. Unas habían comenzado el Camino hace poco, otras ya caminaban hacia casi un mes. Unas lo hacían como forma de ejercicio físico, otras por razones espirituales y había quien quisiera apenas tener la experiencia de aquella aventura. Unas estaban solas, otras venían en grupos.

Los días que siguieron fueron un poco más duros y difíciles debido a los dolores musculares por caminar tantos kilómetros. A veces era muy doloroso volver a mover las piernas después de una corta pausa. A cierta altura perdí cuenta a las personas, por las que pasaba, que estaban llenas de heridas o ampollas en los pies. Yo casi conseguía sentir sus dolores sólo de mirar la forma en que ellas caminaban. Afortunadamente a Nico y yo no tuvimos ese tipo de problemas en los pies porque caminamos con zapatos “barefoot” (Descalz@), pero teníamos otros dolores y molestias en las piernas y en la espalda.

Para mí, hacer el Camino no es sólo una cuestión de superar las dificultades a nivel físico sino, más que todo, los obstáculos mentales que enfrentamos a cada paso. Aunque Nico y yo hemos decidido hacerlo juntas, no significaba que tendríamos que caminar juntas todo el rato. En realidad, la mayor parte del tiempo caminábamos separados, cada una a su ritmo. Esto hizo que estuviéramos solas con nuestras mentes y pensamientos por muchas horas. Hubo algunas cosas que aprendí de esta experiencia y me gustaría compartirlo:

Cada cuerpo tiene un ritmo diferente. Algunas personas están en gran forma y se adelantan a todo el mundo, otras caminan en un paso lentísimo, quizás por sufrir algún problema motor. Sin embargo, todas esas personas llegan a Santiago (el destino final) a su tiempo. Lo mismo sucede en nuestras vidas. Si hay algún objetivo que queremos alcanzar, podemos empezar a caminar en su dirección en un paso que sea cómodo para nosotr@s. Finalmente llegaremos allí, tarde o temprano.

Los problemas a nivel físico que encontramos al caminar muchos kilómetros, van siendo superados a cada minuto, a cada hora, a cada día. Lo que significa que nuestra fuerza de voluntad es más importante que nuestra forma física. Si yo puedo caminar soportando dolores, hambre y el sol caliente sobre mi cabeza, entonces pienso que también consigo enfrentar problemas de la rutina diaria. Transformando esas dificultades en victorias.

Cargar una mochila pequeña por el camino, con sólo los elementos necesarios, me hizo percibir que necesitamos de poco para vivir. He utilizado la misma camiseta y leggings durante esos cinco días y aunque tuvieron alguna suciedad y polvo la mayor parte de las veces (sólo las lavé una vez), no sentía necesidad de tener más ropa. El resto del peso era debido al agua, fruta y snacks que cargaba para darme energía y así conseguir proseguir en la caminata. En nuestro día a día cargamos demasiados problemas, creencias y dificultades de los que tampoco necesitamos. Si sólo llevamos lo esencial, acabamos por vivir con aquellas cosas que son realmente importantes y relevantes para nosotros.

Después de caminar por tanto tiempo en la primera parte del día, hicimos cuestión de garantizar el tan merecido descanso en la segunda mitad. Nos relajamos en parques, hicimos estiramientos, jugamos a las cartas y tuvimos largas conversaciones. Lo que me hizo pensar que en nuestros días tan ocupados acabamos por no pasar tiempo de calidad con aquellos que amamos ni a hacer lo que nos gusta. El descanso y el tiempo de calidad son esenciales para mantener un estilo de vida saludable.

La mayor parte del Camino tiene paisajes maravillosos y mucha diversidad natural: montañas, llanuras, campos de hierba, plantaciones, arroyos, villas antiguas y ruinas. Para bajar y subir tantas colinas hay que caminar con conciencia y estar presentes en el momento, de otra forma corres el riesgo de tropezar en una piedra o pisar estiércol de vaca. Así como en nuestra rutina diaria, si no estamos presentes en el momento podemos cometer errores, ponernos enfermos y eventualmente acabar en situaciones de mierda ☺.

Para que podamos aprender algo, tenemos que colocarnos fuera de nuestra zona de confort. Es ahí donde ocurre el crecimiento personal.

Yo aconsejo vivamente a todo el mundo hacer algo de este género. No es necesario caminar por cinco días seguidos, basta pasar algún tiempo en la naturaleza apenas cargando lo esencial, y lo más importante es estar presente en el momento y consciente de los propios pensamientos.

No puedo esperar para hacerlo de nuevo!

A meditative state of mind

Um estado de espirito meditativo (PT)

Un estado de espíritu meditativo (ES)

A meditative state of mind (EN)

Imagine yourself in a room full of people. Around 120 people. Males are sitting on the left side of the room and females on the right side, forming rows. Everybody is sitting facing two masters – the female Master is sitting facing the female’s rows and the male Master faces the male’s rows. Pillows are piled up underneath each individual’s bottom to make a crossed leg position more bearable. There’s silence. So much silence that you don’t have to make any effort to hear the breath of the person sitting right next to you, the drizzling rain outside the door or the singing stomachs of other people. Everyone has their eyes closed. You close your eyes too. The journey starts.

I had researched about meditation, watched some videos, downloaded an app. But somehow I didn’t fully grasped what meditation was all about. I only knew that it was supposed to give you peace of mind, ground you, reduce stress and depression, etc. just like many research articles show. Something so simple such as closing your eyes, sitting in a comfortable position and let go of your thoughts was too hard. I got frustrated at times because nothing seemed to happen. I had read so many testimonials of people that had changed their lives after starting to practice meditation regularly, or started to notice that they could meditate longer and longer each week. Some would even say that they had contacted other entities during meditation. I had so many expectations due to this success stories but I guessed it wasn’t working for me. Maybe meditation wasn’t for everybody. But I didn’t give up on trying.

Back in 2016, still living in Amsterdam, I had an introduction to Mindfulness meditation class. Maybe I needed some guidance and would finally understand how it worked. I remember that in the end of that class, which lasted one hour, the teacher mentioned that she had recently completed a silent retreat that went on for ten days, called Vipassana. I was in awe. It was something so new for me that my first thought was: “why would people want to be in silence and sit still for ten days?”. This was another level! If I couldn’t even sit still, without having a million thoughts in my head, for ten minutes straight, I could not imagine how would it be possible for ten days. Although I had this introduction to meditation class, I didn’t continue practicing it on a regular basis afterwards.

Months later, while traveling in S.E. Asia I met several people that had done Vipassana or were about to do. It got me more curious. Even though this was becoming to me a very well known “thing” that more and more people were talking about, I never asked too much about it nor researched. I knew I would like to do it eventually, in the near future, and wanted to be surprised somehow. I can’t tell why, but if there’s anything that can potentially challenge myself and make me grow as a person and see things from another perspective, I’m on board sooner or later. From the feedback I got, some people liked the experience, others not so much but all of them had learned something from it. I went on and applied for it in Malaysia, however because there were only so many vacancies, I stayed on the waiting list. I ended up not being called and understood that maybe it wasn’t the right time just yet. Instead I figured that maybe was the time for me to give it a go and start meditating without expectations. It would be a good preparation, and less of a shock, for when I would get accepted into a meditation retreat. I did it on-and-off, from five to ten minutes maximum.

One year and a half later I was in Spain doing Vipassana.

Vipassana, which means “to see things as they really are”, is an ancient meditation technique rediscovered by Buddha more than 2500 years ago. It focus on the interconnection between mind and body through self-observation and is teached by S.N. Goenka. This retreats are available worldwide and are donation based to be accessible to everyone.

The first paragraph of this article relates how it all started. I knew that in order to meditate I would be sitting for several hours – about 10h or 11h (with small breaks in between). What I didn’t know, because had not experienced it yet, was how uncomfortable you can get after a couple hours sitting in the same position. Everything hurts on a physical level, you feel itchiness and want to scratch your head, a fly lands on your nose. And you try to focus on the technique and try not to move. Vipassana teaches you equanimity, which is to observe those sensations and not react to them. It’s not easy by any means but it is achievable (even if for brief moments). I learned not only on a physical level that that is possible, but most importantly on a mental level. Anything that happens in your life, good or bad, will pass just like the itchiness in your head does.

Being in silence 24/7 was the best part for me. I couldn’t gossip (a big flaw of mine), meaningless chit-chat didn’t happen, groups didn’t form. Each individual was focused on themselves. Males and females had two different access routes, dorms, canteens and never crossed paths to avoid distractions.  

On the second day of the retreat was my 30th birthday. I obviously didn’t have access to my cell phone and Wi-Fi to receive birthday messages. But during that day, a rainy day, I never stop thinking about the people that I love and love me back. Including those that I miss dearly and are in another dimension but, I believe, are still in my life. A massive rainbow in the sky smiled at me among the clouds and made my day. Such a simple thing that we don’t do justice to in our day-to-day busy lives but was huge to me in this context.

Everyday in the retreat is basically the same, you even create your own routine. What changes is the level of difficulty that the technique demands every single day. And you start to change as well. It’s a long time spent with yourself, your thoughts, in your head.

After an experience like this, I wish everybody could try it once in life. It’s so uncomfortable to be with our own self for such a long period of time. However, in opposite to what I used to think, I believe that meditation is for everybody. In order to meditate you don’t need to go to a retreat, you don’t need to research and you don’t even need to be sitting with closed eyes. Today I go for long walks to meditate, I wash my dishes or cook in a meditative state. What it means to meditate can vary depending on the technique but there’s not even a need to follow a specific technique. You can simply be present and with every single thought that appears in your mind, you accept it and lay it aside. If another thought comes up, you do the same – you let it aside. And so on and so on. Just by trying to do so, you are already meditating.

Do you practice or have you practiced any kind of meditation? If not, why? Did this article made you at least a little bit curious about meditation or Vipassana?

I leave you with some very interesting scientific data about meditation and some of the effects it can have on your lifestyle and mental health:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Um estado de espirito meditativo (PT)
Imagina-te numa sala cheia de pessoas. Cerca de 120 pessoas. Os homens estão sentados do lado esquerdo da sala e as mulheres do lado direito, formando filas. À frente estão dois mestres – a Mestra está sentada de frente para as filas femininas e o Mestre em frente às filas masculinas.

Há almofadas empilhadas por baixo do rabo de cada indivíduo para que a posição sentada com as pernas cruzadas sejam mais tolerável. Há silêncio. Tanto silêncio que não tens que fazer nenhum esforço para ouvir a respiração da pessoa ao teu lado, o barulho da chuva miudinha lá fora ou os estômagos cantantes de outras pessoas. Todos tem os olhos fechados. Tu fechas os teus olhos também. A viajem começa.

Eu tinha pesquisado sobre meditação, tinha visto alguns vídeos, fiz download de uma app. No entanto não entendia bem o que era de facto a meditação. Só sabia que era suposto dar paz de espírito, fazer-nos estar mais presentes, reduzir stress e depressão, etc. assim como mostram muitos artigos de estudos feitos. Algo tão simples como fechar os olhos, estar sentado numa posição confortável e deixar de lado os pensamentos era demasiado difícil. Por vezes sentia-me frustrada porque nada parecia acontecer. Tinha lido tantos testemunhos de pessoas que mudaram as suas vidas após começarem a praticar meditação regularmente, ou começaram a notar que conseguiam meditar cada mais e mais tempo a cada semana. Algumas pessoas diziam até que tinham conseguido contactar outras entidades durante a meditação. Eu tinha altas expectativas por saber destas histórias de sucesso e já começava a achar que talvez não estivesse a resultar comigo. Talvez meditação não fosse para toda a gente. Mesmo assim não desisti.

Em 2016, ainda a viver em Amesterdão, fui a uma aula de introdução à meditação “Mindfulness”. Talvez o que eu precisava era de alguma orientação para perceber finalmente como é que isto funcionava. Lembro-me que no final da aula, que durou uma hora, a professora mencionou que recentemente tinha estado a fazer um retiro de silêncio com a duração de dez dias, chamado Vipassana. Eu fiquei pasmada. Era algo tão novo para mim que o meu primeiro pensamento foi: “mas por que raio é que as pessoas querem estar em silêncio e sentadas sem quase se mexerem durante dez dias?”. Isto era um nível muito à frente! Se eu mal conseguia estar sentada, por dez minutos seguidos, sem que milhares de pensamentos me ocorressem na cabeça, não imaginava como era possível fazê-lo por dez dias. Mesmo depois desta aula de introdução à meditação acabei por não praticar com regularidade.

Meses mais tarde, a viajar no Sudeste Asiático, conheci várias pessoas que tinham feito Vipassana ou estavam prestes a fazer. Fiquei com mais curiosidade. Embora para mim isto se tivesse a tornar uma “coisa” conhecida, que cada vez mais pessoas falavam, nunca perguntei muito sobre isso nem fiz muita pesquisa. Sabia que eventualmente gostaria de fazê-lo num futuro próximo e queria surpreender-me de alguma forma. Não sei explicar porquê, mas se houver alguma coisa que me possa desafiar potencialmente, fazer-me crescer como pessoa e ver as coisas de outra perspectiva, eu acabo por querer experimentar mais cedo ou mais tarde. Daquel@s que já tinham feito, ouvi comentários positivos, outros nem tanto, mas tod@s el@s diziam que tinham aprendido alguma coisa. Fui em frente e inscrevi-me no retiro na Malásia mas infelizmente todas as vagas já tinha sido preenchidas e eu fiquei em lista de espera. No fim das contas não fui chamada e percebi que talvez ainda não fosse a hora certa. Em vez disso, pensei que estivesse na hora de dar uma outra oportunidade e começar a meditar sem expectativas. Seria uma boa preparação, e menos chocante, para quando fosse aceite num retiro de meditação. Fi-lo sem grande regularidade, de cinco a dez minutos no máximo.

Um ano e meio depois, estava eu em Espanha a fazer Vipassana.

Vipassana, que significa “ver as coisas como elas realmente são”, é uma técnica de meditação ancestral redescoberta por Buda, há mais de 2500 anos. Foca-se na interconexão entre mente e corpo através de auto-observação e é ensinada por S.N. Goenka. Estes retiros estão disponíveis no mundo inteiro e baseiam-se em doações para seres acessíveis a qualquer pessoa.

O primeiro parágrafo deste artigo relata como tudo começou. Eu sabia que para meditar teria de estar sentada várias horas – cerca de 10h ou 11h (com pequenas pausas). O que eu não sabia, porque nunca tinha experienciado, era o quão desconfortável te podes sentir umas horas depois de estares sentado na mesma posição. Tudo dói a nível físico, sentes comichão e queres coçar a cabeça, uma mosca aterra no teu nariz. E tu tentas-te focar na técnica e tentas não te mexer. Vipassana ensina-te equanimidade, que é o observar essas sensações sem que reajas a elas. Não é fácil de modo nenhum mas é alcançável (nem que seja por breves momentos). Eu aprendi que isto é possível não só a nível físico, mas mais importante, a nível mental. Tudo o que aconteça na tua vida, bom ou mau, vai passar assim como a comichão na cabeça passa.

Estar em silêncio 24 sob 24 horas foi a melhor parte para mim. Não podia fofocar (um grande defeito meu), não se fazia conversa fiada, não se formavam grupos. Cada indivídu@ estava focad@ nel@ mesm@. Homens e mulheres tinham dois caminhos de acesso, cantinas e dormitórios distintos e nunca se cruzavam para evitar distrações.

No segundo dia do retiro era o meu aniversário de 30 anos. Obviamente não tinha acesso ao meu telemóvel nem WI-FI para receber mensagens de parabéns. Mas durante aquele dia, bem chuvoso, nunca parei de ter em mente as pessoas que amo e me amam a mim. Incluindo aquelas de quem tenho tantas saudades e estão noutra dimensão mas que, acredito eu, estão ainda na minha vida. No céu um arco-íris enorme sorriu pra mim por entre as nuvens e fez o meu dia. Uma coisa tão simples à qual não damos muito valor no nosso dia-a-dia atarefado mas que neste contexto teve muito significado.

Todos os dias no retiro são basicamente iguais, até crias a tua própria rotina. O que se altera é o nível de dificuldade que a técnica demanda a cada dia. E tu começas a mudar também. É muito o tempo que passas contigo mesmo, os teus pensamentos, dentro da tua cabeça.

Depois de uma experiência destas, gostava que todas as pessoas pudessem experimentá-la uma vez na vida. É tão desconfortável estarmos connosco próprios por um longo período de tempo. Ainda assim, contrariando o que eu costumava pensar, acredito que a meditação é sim para toda a gente. Para meditares não precisas de fazer um retiro, não precisas de pesquisar sobre isso e nem precisas de te sentar de olhos fechados. Hoje faço caminhadas longas para meditar, lavou a loiça ou cozinho num estado meditativo. O tipo de meditação pode variar consoante a técnica utilizada mas nem sequer é necessário seguir uma técnica específica. Podes estar simplesmente presente e a cada pensamento que apareça na tua mente, tu aceita-o e deixa-o ir. Se outro pensamento vier fazes o mesmo – deixa-o ir. E assim por diante. Só pelo facto de tentares fazê-lo, já estás a meditar.

Praticas ou já praticaste algum tipo de meditação? Se não, porquê? Este artigo deixou-te um pouco mais curios@ sobre a meditação ou sobre Vipassana?

Deixo-te com os seguintes artigos científicas, muito interessantes acerca da meditação e alguns dos seus efeitos a nível de estilo de vida e saúde mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Un estado de espíritu meditativo (ES)

Imagínate en una sala llena de gente. Cerca de 120 personas. Los hombres están sentados en el lado izquierdo de la sala y las mujeres del lado derecho, formando filas. Delante están dos maestros – la Maestra está sentada frente a las filas femeninas y el Maestro frente a las filas masculinas.

Hay cojines apilados debajo del culo de cada individu@ para que la posición sentada con las piernas cruzadas sea más tolerable. Hay silencio. Tanto silencio que no tienes que hacer ningún esfuerzo para oír la respiración de la persona a tu lado, el ruido de la lluvia en el exterior o los estómagos cantantes de otras personas. Todos tienen los ojos cerrados. Tú cierras tus ojos también. El viaje comienza.

Yo había investigado acerca de la meditación, había visto algunos vídeos, descargué una aplicación. Sin embargo, no entendía bien lo que era de hecho la meditación. Sólo sabía que se suponía dar paz de espíritu, hacernos estar más presentes, reducir el estrés y la depresión, etc. así como muestran muchos artículos de estudios hechos. Algo tan simple como cerrar los ojos, estar sentado en una posición cómoda y dejar de lado los pensamientos era demasiado difícil. A veces me sentía frustrada porque nada parecía suceder. Había leído tantos testimonios de personas que cambiaron sus vidas después de comenzar a practicar meditación regularmente, o empezaron a notar que podían meditar cada vez más cada semana. Algunas personas decían hasta que habían logrado contactar a otras entidades durante la meditación. Yo tenía altas expectativas por saber de estas historias de éxito y ya empezaba a pensar que quizás no resultara conmigo. Quizás la meditación no era para todo el mundo. Sin embargo, no desisti.

En 2016, aún viviendo en Amsterdam, fui a una clase de introducción a la meditación “Mindfulness”. Quizás lo que necesitaba era de alguna orientación para percibir finalmente cómo funcionaba. Recuerdo que al final de la clase, que duró una hora, la profesora mencionó que recientemente había hecho un retiro de silencio con la duración de diez días, llamado Vipassana. Me quedé pasmada. Era algo tan nuevo para mí que mi primer pensamiento fue: “¿pero por qué es que la gente quiere estar en silencio y sentada sin moverse durante diez días?”. ¡Esto era un nivel muy por delante! Si yo apenas podía estar sentada por diez minutos seguidos, sin que miles de pensamientos me ocurrieran en la cabeza, no imaginaba cómo era posible hacerlo por diez días. Incluso después de esta clase de introducción a la meditación después terminé por no practicar con regularidad.

Meses más tarde, viajando en el Sudeste Asiático, conocí a varias personas que habían hecho Vipassana o estaban a punto de hacerlo. Me quedé con más curiosidad. Aunque para mí, esto se convirtió en una “cosa” conocida, de la que cada vez más personas hablaban, nunca pregunté mucho sobre ello ni hice mucha investigación. Sabía que eventualmente quisiera hacerlo en un futuro próximo y quería sorprenderme de alguna manera. No sé explicar por qué, pero si hay algo que me pueda desafiar potencialmente, hacerme crecer como persona y ver las cosas desde otra perspectiva, lo probaré tarde o temprano. De l@s que ya lo habían hecho, oí algunos comentarios positivos, otros no tanto, pero tod@s el@s decían que habían aprendido algo. Fui adelante y me inscribí en un retiro en Malasia pero desafortunadamente todas las vacantes ya habían sido llenadas y me quedé en lista de espera. Al final de cuentas no me llamaron y me di cuenta de que quizás no fuera el momento ideal. En vez de eso, pensé que era  la hora de darle otra oportunidad y empezar a meditar sin expectativas. Sería una buena preparación, y menos drástica, para cuando fuera aceptada en un retiro de meditación. Lo hice sin gran regularidad, entre cinco a diez minutos como máximo.

Un año y medio después yo estaba en España haciendo Vipassana.

Vipassana, que significa “ver las cosas como realmente son”, es una técnica de meditación ancestral redescubierta por Buda, hace más de 2500 años. Se centra en la interconexión entre la mente y el cuerpo a través de la auto-observación y es enseñada por S.N. Goenka. Estos retiros están disponibles en todo el mundo y se basan en donaciones para ser accesibles a cualquier persona.

El primer párrafo de este artículo relata cómo empezó todo. Sabía que para meditar tendría que estar sentada varias horas – alrededor de 10h o 11h (con pequeñas pausas). Lo que no sabía, porque nunca había experimentado, era lo incómodo que te puedes sentir después de estar sentado en la misma posición al largo de algunas horas. Todo duele a nivel físico, sientes picor y quieres rascarte la cabeza, una mosca aterriza en tu nariz. Y tú te intentas enfocar en la técnica e intentas no moverte. Vipassana te enseña ecuanimidad, que es el observar esas sensaciones sin reaccionar a ellas. No es fácil pero es alcanzable (ni que sea por breves momentos). He aprendido que esto es posible no sólo a nivel físico, sino también a nivel mental. Todo lo que suceda en tu vida, bueno o malo, pasará así como pasó aquel picor en la cabeza.

Estar en silencio todo aquel tiempo fue la mejor parte para mí. No podía marujear (un gran defecto mío), no se charlava, no se formaban grupos. Cada individu@ estaba enfocado en si mism@. Hombres y mujeres tenían dos caminos de acceso diferentes, cantinas y dormitorios distintos y nunca se cruzaban para evitar distracciones.

En el segundo día del retiro era mi 30º cumpleaños. Obviamente no tenía acceso a mi teléfono móvil ni al WI-FI para recibir mensajes de felicitaciones. Pero durante ese día, bien lluvioso, nunca dejé de tener en mente a las personas que amo y me aman a mí. Incluyendo aquellas que echo mucho de menos y están en otra dimensión pero que, creo yo, todavía están en mi vida. En el cielo un arco iris enorme me sonrió por entre las nubes e hizo mi día. Una cosa tan simple a la que no daría mucho valor en mi día a día en este contexto tuvo mucho significado.

Todos los días en el retiro son básicamente iguales, hasta creas tu propia rutina. Lo que se altera es el nivel de dificultad que la técnica demanda cada día. Y tú empiezas a cambiar también. Es mucho el tiempo que pasas contigo mismo, tus pensamientos, dentro de tu cabeza.

Después de una experiencia de estas, me gustaba que todas las personas pudieran experimentarlo una vez en la vida. Es muy incómodo estar con nosotros mismos por un largo período de tiempo. Sin embargo, contrariando lo que yo solía pensar, creo que la meditación es para todo el mundo. Para meditar no necesitas hacer un retiro, no necesitas investigar sobre ello y no necesitas sentarte con los ojos cerrados. Hoy hago caminatas largas para meditar, friego las vajillas o cocino en un estado meditativo. El tipo de meditación puede variar según la técnica utilizada, pero ni siquiera es necesario seguir una técnica específica. Podrás estar simplemente presente y aceptar cada pensamiento que aparezca en tu mente y dejándolo irse. Si otro pensamiento viene haces lo mismo lo dejar irse. Sólo por el hecho de intentar hacerlo, ya estás meditando.

¿Practicas o has practicado algún tipo de meditación? Si no, ¿por qué? Este artículo te dejó un poco más curios@ sobre la meditación o sobre el Vipassana?

Te dejo con los siguientes artículos científicos, muy interesantes acerca de la meditación y algunos de sus efectos a nivel de estilo de vida y salud mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

When your body talks to you

When your body talks to you. (EN)

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

Quando o teu corpo fala contigo. (PT)

Ouves o teu corpo? O que te diz? Quando tens um problema (uma dor, uma doença, uma sensação física estranha, etc.) percebes o que te quer dizer?

Tem sido uma verdadeira benção começar a ouvir e a entender o meu corpo ao longo dos últimos anos. Antes de ter começado a ouvir o meu corpo sentia muitas vezes que ele era meu inimigo. Quando estava doente, enjoada ou com alguma dor pensava coisas como: “que chatice”, “porquê eu?”, “ficar doente agora não dá jeito nenhum”, “mas agora qual é o problema?”. E lá ia queixar-me ao médico, ou tomar aqueles medicamentos que estão sempre ao alcance. Mas na realidade nunca pensava no que era que o meu corpo me estava a querer dizer.

No meu primeiro artigo falei de como tive, durante muitos anos, frequentes enjoos matinais. Despertava com uma enorme sensação de fraqueza e quando me levantava tinha de me sentar ou deitar imediatamente. Até que bebesse água com açúcar o enjoo não passava e cheguei até a desmaiar. Tinha me queixado das tonturas matinais a vários médicos ao longo dos anos e todos diziam que isso era falta de açúcar no sangue e que devia comer algo doce à noite antes de dormir. Quem leu esse artigo talvez se lembre que mais  tarde descobri que na verdade o problema era exactamente o contrário. Na realidade aqueles enjoos matinais não eram nada mais que o meu corpo a alertar-me para o facto de que tinha que parar com o consumo exagerado de açúcar refinado. Olhando para trás não gosto nem de imaginar o que poderia ter acontecido se tivesse ignorado esses sinais durante muito mais tempo.   

Desde muito pequena que sofro com o “flagelo” do herpes labial. Não me lembro de existir sem episódios mais ou menos frequentes de “herpes simplex” a acontecerem no meu lábio superior. Sempre relativamente ao centro de maneira que, às vezes, quando a inflamação piorava, eu ficava com o lábio a tocar na ponta do nariz. Estas crises sempre mexeram muito com a minha auto-estima e com a minha qualidade de vida. Quando tinha uma crise de herpes não tinha vontade nem de existir. A dor física misturada com comichão que o vírus provoca, aliada ao inchaço e à erupção de pus amarelo, que se traduz visualmente em algo bastante nojento, faziam com que falar e comer fosse um tormento, e com que sair de casa e expor-me aos olhares das outras pessoas parecesse um pesadelo. Mas a verdade é que acontecia demasiadas vezes para que a minha vida normal pudesse realmente parar cada vez que tinha uma crise. Fui bastantes vezes ao médico por causa de crises de herpes que pareciam não ter fim. Os médicos nunca me deram muita esperança de que alguma vez pudesse controlar os episódios de herpes, receitavam os típicos anti-virais em comprimido ou em pomada e diziam-me que não havia nada mais a fazer.  

Desde à uns anos para cá, comecei a tentar observar a relação que o herpes tinha com o meu humor e estado mental, com a minha alimentação, e com o meu ciclo menstrual.

Desde que tive o período pela primeira vez, lá para os 13 anos de idade, lembro-me de ter dores menstruais lancinantes. Essas dores diminuíram um pouco durante os anos em que tomei a pílula anticoncepcional e voltaram em força quando deixei de a tomar. Durante cerca de três ou quatro horas, no primeiro dia do meu ciclo, ficava completamente incapacitada pela dor. Não conseguia nem pensar, estar de pé ou sentada era muito difícil, tinha enjoos, tonturas e calafrios, muitas cólicas, diarreia, sentia todo o corpo dorido, a vulva inchada, as pernas pesadas. Passava essas horas entre a casa de banho e o sofá, enrolada em posição fetal. Mais uma vez os médicos não ajudaram muito, a pílula anticoncepcional era a única solução apontada e os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios eram receitados para “poder fazer uma vida normal”.

Há algum tempo comecei também a perguntar-me se realmente teria que viver com aquelas dores mensais até à menopausa. Comecei a ler sobre o assunto e também a falar sobre isso com a minha irmã, especialmente a partir do momento em que ela começou a estudar nutrição holística.

Voltando à questão do herpes. Percebi que o herpes “aparecia” sobretudo se pelo menos dois destes factores se juntavam:

  • Ter momentos de grande stress emocional, como discussões, ter que tocar em temas sensíveis com alguém importante para mim, ou quando algo me causa muita vergonha ou sensação de desmerecimento;  
  • Consumir grandes quantidades de chocolate ou frutos secos e sementes (ou a junção de todos);
  • Estar no final do ciclo menstrual (fase lútea).

Além disso percebi que normalmente o meu estado de ânimo piorava bastante no final do ciclo menstrual, o que fazia com que nessa altura os momentos de stress emocional também fossem mais propícios.

As coisas começaram a fazer ainda mais sentido quando a Tico me comentou que tinha aprendido nas aulas dela, que a ativação do herpes e o seu agravamento, estavam bastante relacionados com um aminoácido chamado arginina. O que ela me explicou, e que eu depois pude verificar através de artigos científicos online, foi que este aminoácido é necessário para a expressão das funções do vírus, ou seja essencial para que o vírus latente desperte e se manifeste (quem tem herpes vive com ele no estado latente até que volta “a aparecer”, e quando a lesão se cura o vírus volta ao estado adormecido). Por outro lado existe um aminoácido análogo à arginina, a lisina, que ajuda na supressão do vírus. A lisina é reconhecida pelo vírus como se fosse arginina mas ao contrário da segunda não possibilita a sua multiplicação.

Nesse sentido, tanto como forma de prevenção como de luta contra o herpes, a alimentação é muito importante. Pois tanto a arginina como a lisina se encontram em doses maiores ou menores na maioria dos alimentos. – Talvez seja também importante referir que embora estes dois aminoácidos sejam muito importantes para o normal e saudável funcionamento do organismo, apenas a lisina é considerada um aminoácido essencial (não é produzida no corpo humano tendo que se obter do exterior, através da alimentação ou suplementação), pois a arginina pode sintetizada endogenamente por humanos saudáveis. – Por exemplo o chocolate, o coco, os frutos secos e as sementes têm uma grande quantidade de arginina e muito pouca lisina. Por outro lado a beterraba, a maçã, a manga, o abacate, os figos e os pêssegos, entre outras frutas e vegetais têm grandes quantidades de lisina e menores quantidades de arginina.

Como os episódios de manifestação do herpes me acontecem maioritariamente durante os 12 dias antes do período decidi, nessa fase do meu ciclo, cortar com os alimentos que aportavam grandes doses de arginina e baixas de lisina e, para ajudar na prevenção, comprei um suplemento de lisina para tomar caso achasse que as possibilidades de despertar o herpes (por causa de algum pico de stress imprevisto) tivessem aumentado nalgum momento específico.

O resultado com relação à prevenção do herpes tem sido extraordinário. Vão fazer 5 meses que comecei esta experiência e tenho conseguido manter o vírus adormecido.

Mas o melhor é que esta simples mudança cíclica de alimentação também veio apaziguar as minhas dores menstruais. Entretanto andei a pesquisar sobre isso e, apesar de não haver muita informação científica disponível, parece que o consumo de frutos secos e sementes (e neste caso o seu não consumo) podem ajudar a reequilibrar os desequilíbrios hormonais que podem ser a causa de oscilações de humor e menstruações dolorosas.

Resumindo, mais uma vez, ao ouvir o meu corpo, não só aquilo o que ele me diz fisicamente mas também as expressões físicas dos meus estados emocionais, e ao analisar a minha alimentação e redesenhá-la, consegui melhorar bastante a minha qualidade de vida no que diz respeito a estes dois problemas crónicos, tudo isto sem a ajuda de medicamentos nem de médicos.

No outro dia veio-me um velho e recorrente pensamento à cabeça: “Que bom que seria que pudesse curar o raio do herpes definitivamente”.  Mas surpreendentemente outro pensamento se seguiu: “Não, na realidade não. Na verdade o herpes é uma das maneiras que o meu corpo tem de me dizer que estou a fazer algo mal. Quando me apercebo que o meu herpes labial está a ponto de despontar (quem o tem sabe que uma sensação muito particular, como um ardor localizado, precede o primeiro sinal visível) já sei que é porque me estou a deixar levar pelo stress e pelos pensamentos negativos, se não fosse esse aviso quem sabe os danos que poderia provocar até que o corpo me desse outro sinal mais forte.

Estas não foram as únicas vezes que o meu corpo me disse que algo não estava bem e eu ouvi. Mas basta uma ou duas para ilustrar o como a minha vida mudou quando percebi que uma dor não é o corpo “a ser chato” mas sim a ser o meu melhor companheiro.

Espero não ter sido eu a chata com tantos detalhes técnicos ou pouco agradáveis, o meu objectivo com este texto não é mais do que empoderar-te para ouvir o teu corpo e procurar soluções a longo prazo, sem riscos nem efeitos secundários, para os teus próprios problemas de saúde.

Escuta o teu corpo. Sentes alguma coisa fora do comum? Sentes algo que já vem sendo habitual mas que sabes que não é normal? O que vais fazer quanto a isso? Meter tudo para baixo do tapete com um remédio rápido mas de curta duração? Ou vais parar para ouvir realmente, dialogar com o teu corpo, analisar os teus comportamentos e investigar o que podes fazer para solucionar o problema?


 

When your body talks to you. (EN)

Do you listen to your body? what does it tell you? When you have a problem (a pain, a disease, an odd physical sensation, etc.) do you understand what it wants to tell you?

It has been a real blessing to start listening and understanding my body throughout the last few years. Before I started to listen to my body I used to feel that it was my enemy.  When I was hill, sick to my stomach or having any ache I used to think: “what a pain in the ass”, “why me?”, “this is the worst timing to be sick!”, “what is wrong with me now?”. And there I was complaining to the doctor or taking those meds that are very accessible. In truth I never thought of what my body was trying to tell me.

In my first article I wrote about my frequent morning sickness that went on for many years. I would wake up with a huge weakness sensation and when standing up, I would have to seat or lay down immediately. I even passed out at times and this sickness would only go away after drinking sugar water. Over the years I had complaint to several doctors about my dizziness and all of them said the same, that it was low blood sugar and therefore I should eat something sweet at night before bed time. Whoever read that article might recall that later I found out that in truth the problem was the exact opposite. The morning sickness was indeed my body trying to alert myself for the fact that I was consuming way too much refined sugar. Looking back I can’t imagine what might have happened if I had ignored those symptoms for a longer period of time.

Since I was a little child that I suffer with cold sores. Since I can remember I always had those episodes more or less frequent of herpes simplex, in my upper lip. Right in the center of my lip which sometimes, when the inflammation got worse, my lip would touch the tip of my nose. Those flares always disturbed my self-esteem and quality of life. I didn’t even feel like being alive once a herpes flare started to show up. The physical pain mixed up with the itchiness provoked by the virus, plus the swelling and the yellow pus outbreak (that visually turns out pretty disgusting), would make eating or talking a real torment, and leaving the house to get exposed to prying eyes seemed like a nightmare. Actually, this would happen so often that my regular life couldn’t stop every time a herpes outbreak would start. I’ve seen the doctor many times due to this attacks that seemed to be endless. Doctors never gave me any hope to believe that those episodes would ever be in control, they would prescribe the standard antiviral pills or ointment and just say that there wasn’t anything else that could be done.

Since a few years ago, I began observing the relationship between the cold sores and my mood and state of mind, with my diet and with my menstrual cycle.

Since when I had my first period, I think by the age of 13, I remember having harrowing menstrual cramps. These pain subsided a little during the years I took the contraceptive pill and came back when I stopped taking it. For about three or four hours, on the first day of my cycle, I was completely incapacitated by the pain. I couldn’t even think, standing or sitting was very difficult, I had nausea, dizziness and chills, many cramps, diarrhea, my whole body ached, my vulva felt swollen and my legs heavy. I would spend these hours between the bathroom and the sofa, rolled up in fetal position. Again the doctors did not help much, the contraceptive pill was the only solution pointed out and the analgesic and anti-inflammatory drugs were prescribed to “be able to lead a normal life.”

Some time ago I also began to wonder if I really would have to live with those monthly aches until reaching the menopause. I started reading about it and also talking about it with my sister, especially from the time she started studying holistic nutrition.

Back to the herpes subject. I noticed that cold sores “appeared” especially if at least two of these factors happened:

  • Having moments of great emotional stress, such as fights and arguments, having to touch sensitive subjects with someone important to me, or when something causes me a lot of embarrassment or a sense of unworthiness;
  • Consuming large quantities of chocolate or nuts and seeds (or the mix of it all);
  • Being at the end of the menstrual cycle (luteal phase).

Besides this, I realised that my mood usually got worse at the end of the menstrual cycle, which also made the emotional stress moments more propitious.

Things started to make even more sense when Tico told me that she had learned in her classes that herpes activation and its aggravation were closely related to an amino acid called arginine. What she explained to me, and which I later verified through online scientific articles, was that this amino acid is necessary for the expression of virus functions, meaning that it is essential for the latent virus to awaken and manifest itself (whoever has herpes lives with it latently until it bursts again, and when the lesion heals the virus returns to its dormant state). On the other hand there is an amino acid analogous to arginine, this one named lysine, which helps in suppressing the virus. Lysine is recognised by the virus as if it were arginine but unlike the second it does not allow its multiplication.

In this sense, nutrition is very important when it comes to prevention and fighting herpes. Because both arginine and lysine are found in higher or lower doses in most foods. – It may also be important to note that although these two amino acids are very important for the normal and healthy functioning of the body, only lysine is considered to be an essential amino acid (it is not produced by the human body and has to be obtained through food or supplements), since arginine can be synthesized endogenously by healthy humans. – For example, chocolate, coconut, nuts and seeds have a large amount of arginine and very little lysine. On the other hand beets, apples, mangoes, avocados, figs and peaches, among other fruits and vegetables have large amounts of lysine and smaller amounts of arginine.

Since my herpes outbreaks occur mostly during the 12 days before menstruation, I decided to cut back on foods that had large doses of arginine and low lysine, at this stage of my cycle, and to help with prevention I got a lysine supplement to take if I thought that the chances of a cold sore bursting (because of some unforeseen peak of stress for example) had increased in some specific moment.

The result regarding herpes prevention has been extraordinary. It has been close to 5 months since I started this experiment and I have managed to keep the virus at bay.

But the best thing is that this simple cyclical shift in the foods I eat has also come to appease my menstrual cramps. In the meantime I have been researching this, and although there is not much scientific information available, it seems that the consumption of nuts and seeds (and in this case their non-consumption) can help to rebalance the hormonal imbalances that may be the cause of oscillations of mood and painful periods.

Summing up, once again, by listening to my body, not only what it tells me physically but also the physical expressions of my emotional states, and by analysing my diet and redesigning it, I was able to improve my quality of life a lot with regard to these two chronic problems, all without the help of medicines or doctors.

The other day an old recurring thought came to me: “It would be so nice if I could cure the damn herpes for good.” But surprisingly another thought followed: “No, not really. In fact cold sores are one of the ways my body has to tell me that I am doing something wrong. When I realize that my cold sores are on the verge of emerging (whoever has them knows that a very particular sensation, like a localised burning, precedes the first visible signs) I already know that it is because I am letting myself go with stress and negative thoughts, if it had not been for this warning who knows the damage it could cause until the body gave me another stronger warning.

These were not the only times my body told me that something was not right and I heard it. But I guess just one or two are enough to illustrate how my life changed when I realised that pain is not my body being “a jerk” but rather being my best friend.

I hope I have not been too boring with so many technical or unpleasant details, my goal with this text is to empower you to listen to your body and look for long-term solutions, without risks or side effects, for your health problems.

Listen to your body. Do you feel anything out of the ordinary? Do you feel something that is already usual but you know it is not normal? What are you going to do about it? Put everything underneath the carpet with a quick but short-lasting remedy? Or are you going to stop to really listen and dialogue with your body, analyse your behaviours and investigate what you can do to solve the problem?


 

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

¿Oyes tu cuerpo? ¿Qué te dice? Cuando tienes un problema (un dolor, una enfermedad, una sensación física extraña, etc.) te das cuenta de lo que quieres decir?

Ha sido una verdadera bendición empezar a escuchar y entender mi cuerpo a lo largo de los últimos años. Antes de haber comenzado a oír mi cuerpo sentía muchas veces que él era mi enemigo. Cuando estaba enferma, mareada o con algún dolor pensaba cosas como: “que desastre”, “¿por qué yo?”, “ponerme enferma ahora no me va nada bien”, “¿pero ahora cuál es el problema?”. Y luego me iba a quejarme al médico, o tomaba esos medicamentos que están siempre al alcance. Pero en realidad nunca pensaba en lo que mi cuerpo me quería decir.

En mi primer artículo hablé de cómo tuve, durante muchos años, frecuentes mareos matutinos. Despertaba con una enorme sensación de debilidad y cuando me levantaba tenía que sentarme o acostarme inmediatamente. Hasta que bebiera agua con azúcar el mareo no pasaba y llegué hasta a desmayarme. Me quejé de los mareos matutinos a varios médicos a lo largo de los años y todos decían que aquello era falta de azúcar en la sangre y que tenía que comer algo dulce por la noche antes de dormir. Quienes han leído este artículo quizás recuerden que más tarde descubrí que en realidad el problema era exactamente lo contrario. En realidad, esos mareos matinales no eran más que mi cuerpo advirtiéndome del hecho de que tenía que parar con el consumo exagerado de azúcar refinado. Mirando hacia atrás no me gusta ni imaginar lo que podría haber ocurrido si hubiera ignorado esas señales durante mucho más tiempo.

Desde muy pequeña que sufro con el “flagelo” del herpes labial. No recuerdo mi existencia sin episodios más o menos frecuentes de “herpes simplex” ocurriendo en mi labio superior. Siempre relativamente al centro de manera que, a veces, cuando la inflamación empeoraba, el labio me llegaba a tocar la punta de la nariz. Estas crisis siempre se han bajado mucho mi autoestima y mi calidad de vida. Cuando tenía una crisis de herpes no tenía ganas ni de existir. El dolor físico mezclado con picor que el virus provoca, aliado a la hinchazón y la erupción de pus amarillo, que se traduce visualmente en algo bastante asqueroso, hacían que hablar y comer fuera un tormento, y que salir de casa y exponerme a las miradas de las otras personas pareciera una pesadilla. Pero la verdad es que sucedía demasiadas veces para que mi vida normal pudiera realmente parar cada vez que tenía una crisis. Fui bastantes veces al médico a causa de crisis de herpes que parecían no tener fin. Los médicos nunca me dieron mucha esperanza de que alguna vez pudiera controlar los episodios de herpes, recetaban los típicos anti-virales en comprimido o en crema y me decían que no había nada más que hacer.

Desde hace unos años, empecé a observar la relación que el herpes tenía con mi estado de ánimo y estado mental, con mi alimentación, y con mi ciclo menstrual.

Desde que tuve la regla por primera vez, creo que a los 13 años, me acuerdo de tener dolores menstruales lancinantes. Estos dolores disminuyeron un poco durante los años en que tomé la píldora anticonceptiva y volvieron en fuerza cuando dejé de tomarla. Durante cerca de tres o cuatro horas, en el primer día de mi ciclo, estaba completamente incapacitada por el dolor. No podía ni pensar, estar de pie o sentada era muy difícil, tenía mareos y escalofríos, muchos cólicos, diarrea, sentía todo el cuerpo dolorido, la vulva hinchada, las piernas pesadas. Pasaba esas horas entre el baño y el sofá, enrollada en posición fetal. Una vez más los médicos no ayudaron mucho, la píldora anticonceptiva era la única solución apuntada y los medicamentos analgésicos y anti-inflamatorios eran recetados para “poder hacer una vida normal”.

Hace algún tiempo empecé también a preguntarme si realmente tendría que vivir con esos dolores mensuales hasta la menopausia. Comencé a leer sobre el tema y también a hablar de ello con mi hermana, especialmente a partir del momento en que ella empezó a estudiar nutrición holística.

Volviendo al tema del herpes. Percibí que el herpes “aparecía” sobre todo si al menos dos de estos factores se juntaban:

  • Tener momentos de gran estrés emocional, como discusiones, tener que tocar en temas sensibles con alguien importante para mí, o cuando algo me causa mucha vergüenza o sensación de desmerecimiento;
  • Consumir grandes cantidades de chocolate o frutos secos y semillas (o la unión de todos);
  • Estar al final del ciclo menstrual (fase lútea).

Además, percibí que normalmente mi estado de ánimo empeoraba bastante al final del ciclo menstrual, lo que hacía que en ese momento los picos de estrés emocional también fueran más propicios.

Las cosas empezaron a hacer aún más sentido cuando Tico me comentó que había aprendido en sus clases, que la activación del herpes y su agravamiento, estaban bastante relacionados con un aminoácido llamado arginina. Lo que ella me explicó, y que después pude comprobar a través de artículos científicos online, fue que este aminoácido es necesario para la expresión de las funciones del virus, o sea esencial para que el virus latente despierte y se manifieste (quien tiene herpes vive con en el estado latente hasta que vuelve “a aparecer”, y cuando la lesión se cura el virus vuelve al estado dormido). Por otro lado existe un aminoácido análogo a la arginina, la lisina, que ayuda a la supresión del virus. La lisina es reconocida por el virus como si fuera arginina pero al contrario de la segunda no posibilita su multiplicación.

En ese sentido, tanto como forma de prevención como de lucha contra el virus, la alimentación es muy importante. Pues tanto la arginina como la lisina se encuentran en dosis mayores o menores en la mayoría de los alimentos. – Quizás sea también importante señalar que aunque estos dos aminoácidos son muy importantes para el normal y saludable funcionamiento del organismo, sólo la lisina se considera un aminoácido esencial (no se produce en el cuerpo humano teniendo que obtenerse del exterior, a través de la alimentación o suplementación), pues la arginina puede ser sintetizada endógenamente por los humanos sanos. – Por ejemplo el chocolate, el coco, los frutos secos y las semillas tienen una gran cantidad de arginina y muy poca lisina. Por otro lado la remolacha, la manzana, la manga, el aguacate, el higo y le melocotón, entre otras frutas y vegetales tienen grandes cantidades de lisina y menores cantidades de arginina.

Como los episodios de manifestación del herpes me suceden mayoritariamente durante los 12 días antes del período, decidí, en esa fase de mi ciclo, cortar con los alimentos que aportan grandes dosis de arginina y bajas de lisina y, para ayudar en la prevención, compré un suplemento de lisina para tomar veo que las posibilidades de despertar el herpes (debido a algún pico de estrés imprevisto) han aumentado en algún momento específico.

El resultado con respecto a la prevención del herpes ha sido extraordinario. Hace 5 meses que empecé esta experiencia y hasta ahora he conseguido mantener el virus dormido.

Pero lo mejor  de todo es que este simple cambio cíclico de alimentación también vino a apaciguar mis dolores menstruales. He estado investigando sobre esto y, a pesar de que no hay mucha información científica disponible, parece que el consumo de frutos secos y semillas (y en este caso su no consumo) pueden ayudar a re-equilibrar los desequilibrios hormonales que pueden ser la causa de oscilaciones de humor y menstruaciones dolorosas.

Resumiendo, una vez más, al oír mi cuerpo, no sólo lo que él me dice físicamente, sino también las expresiones físicas de mis estados emocionales, y al analizar mi alimentación y rediseñarla, logré mejorar bastante mi calidad de vida en lo que se refiere a estos dos problemas crónicos, todo ello sin la ayuda de medicamentos ni de médicos.

El otro día me vino un viejo y recurrente pensamiento a la cabeza: “Qué bueno que sería si pudiera curar el maldito del herpes de una vez”. Pero sorprendentemente otro pensamiento se siguió: “No, en realidad no. En realidad el herpes es una de las maneras que mi cuerpo tiene para decirme que estoy haciendo algo mal. Cuando me doy cuenta de que mi herpes labial está a punto de despuntar (quien lo tiene sabe que una sensación muy particular, como un ardor localizado, precede la primera señal visible) ya sé que es porque me estoy dejando llevar por el estrés y los pensamientos negativos, si no fuera ese aviso quien sabe los daños que podría provocar hasta que el cuerpo me diera otra señal más fuerte.

Estas no fueron las únicas veces que mi cuerpo me dijo que algo no estaba bien y lo oí. Pero basta con una o dos para ilustrar cómo mi vida cambió cuando percibí que un dolor no es el cuerpo “fastidiando” sino siendo mi mejor compañero.

Espero no haber sido muy aburrida con tantos detalles técnicos o poco agradables, mi objetivo con este texto no es más que empoderarte para oír tu cuerpo y buscar soluciones a largo plazo, sin riesgos ni efectos secundarios, para los tuyos propios problemas de salud.

Escucha tu cuerpo. ¿Sientes algo fuera de lo común? ¿Sientes algo que ya viene siendo habitual pero que sabes que no es normal? ¿Qué vas a hacer en cuanto a eso? ¿Meter todo bajo la alfombra con un remedio rápido pero de corta duración? ¿O vas a parar para escuchar realmente, dialogar con tu cuerpo, analizar tus comportamientos e investigar lo que puedes hacer para solucionar el problema?

Barefoot

Barefoot (EN)

Descalz@ (ES)

Descalç@ (PT)

Quando estava a trabalhar em hotelaria em Amesterdão, lembro-me de ver pessoas a andarem descalças não só no interior mas também na rua. Várias foram as vezes em que meti conversa com essas pessoas para tentar perceber o porquê de tal coisa. A maioria delas eram Australianas ou Neozelandesas e, como eu nunca tinha visitado esses dois países, não sabia se era um costume ou apenas coincidência.

Isto para dizer que, naquela altura, só pensava o quão malucas eram aquelas pessoas por andarem descalças… Mas então para que é que a humanidade tinha inventado os sapatos? Não era para prevenir que lesionassemos os pés?

Anos mais tarde mas ainda em Amesterdão, quando comecei a questionar várias coisas, comecei também a mudar muitos dos hábitos que tinha anteriormente. Hábitos esses que daqueles que tod@s nós temos e nunca paramos para questionar pois foi assim que aprendemos. Ainda que os meus horizontes se estivessem a abrir cada vez mais, eu continuava sem perceber esta ideia de andar descalç@.

No Peru conheci uma rapariga brasileira que era tão aventureira, “terra a terra”, um verdadeiro espírito livre e comecei a admirá-la muito. Ela tinha uns sapatos fora do normal, com dedinhos, o que me chamou a atenção. Como ela era esta miúda com muita pinta, eu queria ter uns sapatos como os dela. Então assim que cheguei a casa comprei os meus primeiros “five fingers” da marca Vibram. Posso dizer que a partir desse momento nunca mais os deixei. Usei-os durante todas as minhas viagens, e se tivesse ter que escolher apenas um par de sapatos para usar sempre, esses seriam a minha escolha.

No entanto, só mais recentemente, já a morar em Vancouver é que finalmente mergulhei numa pesquisa que mudou a forma como eu via o calçado. Sim, eu continuava a calçar os meus “five fingers” que se mantinham os sapatos mais confortáveis até à data mas eu não sabia o porquê. Esta minha pesquisa levou-me ao mundo do calçado minimalista e “barefoot”, onde profissionais desta área afirmam que os “sapatos normais”, aqueles que calçamos diariamente (como os da Nike, Aldo, Toms, Ugg, etc.) deformam os nossos pés. No início fiquei um bocado surpreendida mas, sabendo já que outros conceitos convencionais estavam completamente errados, rendi-me completamente a esta nova ideia.

Depois comecei a recordar-me de como eram os pés das pessoas nativas do Peru, Tailândia ou Indonésia, aquelas que viviam na selva ou perto da natureza e que só calçavam chinelos ocasionalmente. @s miúd@s corriam por todo o lado e subiam a árvores descalços. Os pés del@s tinham uma forma estranha a meu ver. Os dedos eram mais separados que os nossos – o que cria estabilidade. Os seus pés tinham arcos fortes – o que está diretamente conectado com as ancas e postura – e também eram rijos e capazes de enfrentar obstáculos sofrendo apenas danos ligeiros. Aposto que se eu fosse andar por ali de pés descalços como eles, ficaria cheia de feridas e lesões em todo o lado.

Bom, se os nossos pés foram como os deles em determinado momento, porque razão os “encapsulamos”?

Aqui está explicado aquilo que fazemos aos nossos pés, e por consequência ao resto do corpo, só por usarmos calçado comum:

  • Os dedos dos pés amontoam-se em cima uns dos outros;
  • O dedo grande do pé tem uma diferença grande em comparação com os outros dedos, no que toca à sua altura;
  • Pés chatos;
  • Deformidades como joanetes, dedos em martelo, unhas encravadas, etc.;
  • Dores e lesões nas costas, pescoço, joelhos e ancas;
  • Os sapatos de salto alto fazem com que os músculos quadríceps sejam mais dominantes tornando os glúteos mais fracos e causam problemas nos joelhos e tornozelos;
  • Bolhas, ferimentos, micoses, maus cheiros etc.

Os pés daqueles que pouco usam sapatos são realmente muito parecidos com os pés dos bebés. Os pés dos bebés ainda são perfeitos, até os começarmos a restringir. Assim crescemos até nos tornarmos adultos com todos os problemas e mais alguns, não só a nível de pés mas também no resto do corpo, e nem temos a mais pequena ideia acerca disso.

Idealmente deveríamos andar mais descalços na natureza ou sempre que tivermos oportunidade (evitando andar descalço em sítios onde pode não ser seguro). O tempo restante, deveríamos ao menos simular andar descalço e para isso temos ótimas opções nos dias de hoje.  O calçado “barefoot” protege os pés de danos, deixando-os respirar, permitindo a separação dos dedos e, acima de tudo, permite que os pés funcionem como se estivéssemos descalços. Este tipo de calçado pode também reverter os danos que sapatos convencionais fizeram aos nossos pés.

Desde que comecei a usar sapatos “barefoot” que deixei de me queixar com dores nos pés. Muitos quilómetros se fizeram com eles calçados, pelo caminho de Santiago, desfiladeiros, grutas, várias caminhadas e os meus pés nunca sofreram com ferimentos ou lesões. A minha irmã Nico pode bem confirmar o que digo pois andámos juntas em muitas destas aventuras. Algumas pessoas que encontrávamos pelo caminho, “metiam-se” connosco por acharem estranho o que levávamos calçado e não conseguiam entender a ideia de que os “sapatos normais” podem de facto ser prejudiciais para nós. Verdade seja dita, essas mesmas pessoas queixavam-se de dores e nós não.

Para o caso de começares a questionar-te sobre calçado “barefoot”, aqui fica um apanhado de informação que te pode ajudar. Elementos que deverás ter em conta quando comprares sapatos: *

  • Rasos: sem salto elevado – o ideal é que não haja nenhuma diferença de altura entre o calcanhar e o resto pé. Os humanos não estão adaptados para andarem com rampas nos pés o dia inteiro e isso contribui para problemas de postura;
  • Flexíveis: se não consegues dobrar, girar e mover os sapatos em todas as direções, irá impedir o movimento do teu pé, criando articulações rígidas e por vezes dolorosas;
  • Suporte do arco: os músculos do teu pé estão lá por alguma razão. Não os enfraqueças com suportes artificiais;
  • Amortecimento: ao contrário do que as marcas querem que tu acredites, amortecedores impedem o teu pé de funcionar da melhor forma e afectam de forma negativa o seu movimento.

* Fonte- The Foot Collective

Barefoot (EN)

Back when I was working in Hotels in Amsterdam, I recall seeing people walking barefoot not just inside the premises but also out in the street. I often nattered with them to figure why would they do such thing. Most of these people were “Aussies” or “Kiwis” and as I had never been in Australia or New Zealand, I couldn’t tell if it was a cultural thing or just coincidence.

This to say that, at the time, I just thought how crazy they were for walking barefoot… I mean, why did humans invented the shoes then? Wasn’t it to prevent us from injuring our feet?

Years latter but still in Amsterdam, when I started questioning various things, I also started changing many habits that I had before. Habits that we have and we would never second guess because that’s how we learned them. Despite getting more and more open minded, I still couldn’t understand the barefoot topic.

In Peru I met a Brazilian girl that was so adventurous, down to earth and a true free spirit and I really admired her for that. She had unusual shoes with fingers that immediately draw my attention. Because she was this kick-ass cool girl, I kind of wanted to have the same shoes. So I went home and bought my first “five fingers” from Vibram. I can say that since then I never left them behind. I brought them to all my trips and if I could only have one pair of shoes, those would be it.

However, it wasn’t up until recently, while living in Vancouver that I truly dived into a research that completely changed the way I saw footwear. Yes, I was still wearing the “five fingers” and they were still the most comfortable shoes I have ever had but I didn’t really know why. My research brought me to minimal footwear and barefoot shoes. These feet experts were saying that our “normal shoes”, the ones that we wear daily (such as from Nike, Aldo, Toms, Ugg etc.) were deforming our feet. At first I was a bit shocked but knowing already that other mainstream things are completely wrong, I completely surrendered to this new idea.

I started to remember how the feet of native people in Peru, Thailand or Indonesia looked like. Those living in the jungle or very close to nature would only occasionally put some flip-flops on. The kids would run around and climb on trees barefoot. Their feet were shaped funny to me. The toes were spread apart – which creates stability. Their feet had arches – which is directly connected with the hips and posture. Their feet were sturdy and could bare all nature obstacles with minor injuries. I bet that if I were to run around barefoot like them, I would get painful cuts and bruises everywhere.

Well, if our feet were just like theirs at some point, why did we “encapsulate” them?

Here is what we have done to our feet and rest of the body by wearing regular footwear:

  • Our toes overlap each other;
  • The big toe has a huge size difference compared to the other fingers, when it comes to its height;
  • Flat arches;
  • Deformities such as bunions, hammer toes, ingrown toenail, etc.;
  • Back, neck, knee and hip injuries or pain;
  • High heeled shoes make quads muscles more dominant and the glutes muscles week & cause knee and ankles problems;
  • Blisters, bruises, mycoses, stinky feet etc.

Native people’s feet are indeed similar to babies feet. Babies feet are still perfect until we start restraining them and then we grow up to adults with all kinds of issues derived from our feet and we don’t even know about it.

Ideally we should walk more barefoot in nature or every time we have a chance (avoiding walking barefoot in the street as it can surely be unsafe). The rest of the time, we should at least mimic what is like to be barefoot and for that we have great options nowadays. Barefoot shoes protect our feet from damage, let them breathe, let the toes spread and above all, allow the feet to function as if we were barefoot. They can also start reversing what regular shoes did to our feet.

Since I started wearing barefoot shoes I stopped complaining of pain in my feet. Many kilometers were done while walking the Camino de Santiago, canyons, caves, hikes and my feet never ended up with bruises or injuries. My sister Nico can confirm as we were together in some of those adventures. People along the way would approach us because they found it rather odd and couldn’t wrap their head around the idea that regular shoes are not proper for us. Truth is, those people complaint of pain and we didn’t.

In case you’ll start questioning about barefoot footwear, here is some homework done to help you. Elements you should look for when buying shoes: *

  • Flat: no elevated heel. Humans aren’t adapted to walking around on ramps all day and it contributes to postural problems;
  • Flexible: if you can’t bend, twist and move a shoe around in every direction it will inhibit movement at your foot creating stiff and sometimes painful joints;
  • Arch support: The muscles of your foot are there for a reason. Don’t weaken them with artificial support;
  • Cushioning: contrary to what shoe companies want you to believe, cushioning actually prevents your foot from working optimally (as a ground sensor) and will negatively affect your movement.

* Resource – The Foot Collective

 

Descalz@ (ES)

Cuando estaba trabajando en hotelería en Amsterdam, recuerdo que veía algunas personas caminando descalzas no sólo en el interior, sino también en la calle. Varias veces empecé conversaciones con esas personas para intentar percibir el porqué de ello. La mayoría de ellas eran Australianas o Neozelandesas y como nunca había visitado estos dos países, no sabía si era una costumbre o apenas coincidencia.
Esto para decir que, en ese momento, sólo pensaba lo locas que eran aquellas personas por ir descalzas … Pero entonces, ¿para qué había la humanidad inventado los zapatos? ¿No era para prevenir que lesionáramos los pies?

Años más tarde pero aún en Ámsterdam, cuando empecé a cuestionar varias otras cosas empecé también a cambiar muchos de los hábitos que tenía anteriormente. Hábitos de esos que tod@s tenemos y nunca paramos para cuestionar pues fue así que los aprendemos. Aunque mis horizontes se abrían cada vez más, yo seguía sin entender esta idea de ir descalzo.

En Perú conocí a una chica brasileña que era tan aventurera, “pies en la tierra”, un verdadero espíritu libre y la admiraba mucho. Ella tenía unos zapatos fuera de lo normal, con deditos, lo que me llamó la atención. Como ella era esta chica muy guay, yo quería tener unos zapatos como los suyos. Conforme volví a casa me compré mis primeros “five fingers” de la marca Vibram. Puedo decir que a partir de ese momento nunca más los dejé. Los usé durante todos mis viajes, y si tuviera que elegir sólo un par de zapatos para usar siempre, esos serían mi elección.

Sin embargo, sólo más recientemente, ya viviendo en Vancouver fue cuando finalmente me sumergí en una investigación que cambió la forma en que veía el calzado. Sí, yo seguía calzando mis “five fingers” que seguían siendo los zapatos más cómodos hasta la fecha, pero no sabía el por qué. Mi búsqueda me llevó al mundo del calzado minimalista y “barefoot “, donde profesionales de la área afirman que los “zapatos normales”, los que calzamos diariamente (como los de Nike, Aldo, Toms, Ugg, etc.) deforman nuestros los pies. Al principio me sorprendió un poco, pero, sabiendo ya qué otros conceptos convencionales estaban completamente equivocados, me rendí completamente a esta nueva idea.

Después empecé a recordar cómo eran los pies de las personas nativas de Perú, Tailandia o Indonesia, aquellas que vivían en la selva o cerca de la naturaleza y que sólo calzaban chanclas de vez en cuando. L@s niñ@s corrían por todas partes y subían a los árboles descalzos. Me parecía que sus pies de tenían una forma rara. Los dedos eran más separados que los nuestros – lo que crea estabilidad, tenían arcos marcados – lo que está directamente conectado con las caderas y la postura – y también eran fuertes y capaces de enfrentarse a obstáculos sufriendo sólo daños ligeros. Me parece que si yo fuera a caminar por allí de pies descalzos como ellos, se me harían heridas y lesiones por todas partes.

Bueno, si nuestros pies fueron como los de ellos en determinado momento, porque razón los “encapsulamos”?

Aquí se explica lo que hacemos a nuestros pies, y en consecuencia al resto del cuerpo, sólo por usar calzado común:

  • Los dedos de los pies se amontonan encima unos de otros;
  • El dedo grande del pie tiene una diferencia grande en comparación con los otros dedos, en lo que toca a su altura;
  • Pies planos;
  • Deformidades como juanetes, dedos en martillo, uñas enclavadas, etc .;
  • Dolores y lesiones en la espalda, cuello, rodillas y caderas;
  • Los zapatos de tacón alto hacen que los músculos cuadríceps sean más dominantes haciendo los glúteos más débiles y causan problemas en las rodillas y tobillos;
  • Ampollas, heridas, hongos, malos olores, etc.

Los pies de gente que no usa zapatos son realmente muy parecidos a los pies de los bebés. Los pies de los bebés todavía son perfectos, hasta que empezamos a restringirlos. Así crecimos hasta llegar a ser adultos con todos los problemas no sólo a nivel de pies, sino también en el resto del cuerpo, y ni lo imaginamos.

Idealmente deberíamos caminar más veces descalzos en la naturaleza o siempre que tengamos oportunidad (evitando andar descalzo en sitios donde puede no ser seguro). El tiempo restante, deberíamos al menos simular andar descalzo, y para eso tenemos óptimas opciones en los días de hoy. El calzado “barefoot” protege los pies de daño, dejándolos respirar, permitiendo la separación de los dedos y, por encima de todo, permite que los pies funcionen como si estuviéramos descalzos. Este tipo de calzado también puede revertir el daño que los zapatos convencionales ha hecho a nuestros pies.

Desde que empecé a usar zapatos “barefoot” que dejé de quejarme de dolores en los pies. Muchos kilómetros se hicieron con ellos calzados, por el camino de Santiago, cañones, cuevas, varias caminatas y mis pies nunca sufrieron heridas o lesiones. Mi hermana Nico puede confirmar bien lo que digo porque hemos estado juntos en muchas de estas aventuras. Algunas personas que encontrábamos por el camino, “se metían” con nosotras porque les parecía raro lo que llevábamos calzado, y no podían entender la idea de que los “zapatos normales” pueden de hecho ser perjudiciales para nosotr@s. La verdad es que esas mismas personas se quejaban de dolores en los pies y nosotr@s no.

Para el caso de empezar a cuestionarte sobre calzado “barefoot”, aquí dejo un recopilado de información que te puede ayudar. Elementos que deberás tener en cuenta al comprar zapatos: *

Planos: sin tacón alto – lo ideal es que no haya diferencia de altura entre el talón y el resto del pie. Los humanos no estamos adaptados para caminar con rampas en los pies todo el día, y eso contribuye a problemas de postura;

Flexibles: si no puedes doblar, girar y mover los zapatos en todas las direcciones, entonces van a impedir el movimiento de tus pies, creando articulaciones rígidas ya veces dolorosas;

Soporte del arco: los músculos de tu pie están allí por alguna razón. No los debilites con soportes artificiales;

Amortiguación: al contrario de lo que las marcas quieren que tú creas, amortiguadores impiden tu pie de funcionar de la mejor forma y afectan de forma negativa a tu movimiento.

* Fuente – The Foot Collective

O algodão não engana

Clean cotton (EN)

El algodón no engaña (ES)

O algodão não engana (PT)

Quantos produtos de beleza, higiene e limpeza diferentes usas no teu dia a dia? Se me recordo bem, eu cheguei a usar: champô, amaciador e máscara para lavar e hidratar o cabelo, mais cera, espuma ou gel para o pentear; pasta dentífrica e elixir para a boca e dentes; sabão ou gel de limpeza específico para a cara, desmaquilhante, tónico e hidratante para além de toda a panóplia de maquilhagem e claro, o perfume. Sem passar do pescoço já podemos estar a falar de pelo menos 15 produtos diferentes!! Quando falamos dos produtos de limpeza da casa o mesmo ocorre. Geralmente usamos um detergente de limpeza especial para cada superfície, um detergente da roupa para cada tipo de tecido, e ainda os ambientadores, os amaciadores e os abrilhantadores.

Mas o que é importante aqui é que utilizamos tudo isto sem realmente nos perguntarmos se é realmente necessário. Mais, não falamos sobre algumas coisas relacionadas com a higiene porque são consideradas tabu e praticamos uma série de contradições sem nenhum cabimento.

Falemos de algumas dessas contradições:

  • Lavamos o cabelo diariamente (ou quase), com uma quantidade de detergente* e afinco que muitas vezes nem despendemos para lavar as mãos antes de ir para a mesa. Se pensarmos um pouco sobre isso, vemos que lavamos os nossos cabelos como se eles andassem diariamente em contacto com superfícies sujas ou contaminadas. Depois de lhes tirarmos todo o seu óleo natural, que está lá para o proteger, substituímo-lo por outros óleos, mais ou menos sintéticos acompanhados de mais perfume. Porque o cabelo não deve cheirar a cabelo, isso não é lá muito civilizado.
  • Lavamos também cara e corpo com bastante detergente* e com uma bela esfrega, da mesma maneira que faríamos se estivéssemos mesmo sujos de lama. E, adivinha, depois de retirarmos, com tanto detergente*, água quente e esponjas esfoliantes, a gordura que a própria pele produz para se auto limpar e proteger, besuntamo-nos com uma mistura de produtos (à que chamamos creme hidratante) que não sabemos o que são, nem o que fazem, mas que certamente não comeríamos, e que a pele absorve e eventualmente acabam por circular dentro do nosso organismo.
  • Usamos desodorantes anti-transpirantes que, além de muitas vezes acentuarem o cheiro da transpiração (ao conjugarem-na com outros cheiros fortes), nos impedem de transpirar, impossibilitando uma função muito importante da pele que nos ajuda a eliminar toxinas (que mais uma vez é um sistema natural de limpeza do corpo).
  • Assoamos-nos com lenços de papel porque os lenços de tecido que se usavam no tempo dos nossos avós não são muito higiénicos. Tão preocupados que estamos de poder espalhar os nossos micróbios e vírus, mas acabamos por nos esquecermos dos lenços de papel enrolados nos bolsos dos casacos. E não, não lavamos as mãos de cada vez que lhes tocamos. O que acaba por fazer deles algo tão higiénico como os lenços de pano que se põe para lavar ao final do dia.
  • Lavamos as t-shirts e as camisas porque as usámos uma, ou vá lá, duas vezes, mesmo que elas não estejam realmente sujas nem com mau cheiro. Mas como já não cheira a “Violetas do Bosque” ou a “Orquídeas Douradas” também já não as consideramos limpas.
  • Compramos detergentes com embalagens diferentes e que expressamente nos são vendidos para um único fim (para o chão, para madeira, para a sanita, para o fogão, etc.), mas na verdade têm mais ou menos todos o mesmo conteúdo a nível de ingredientes. Como ninguém se questiona, as empresas que os vendem fazem muito mais dinheiro e nós enchemos o meio ambiente com uma maior diversidade de embalagens.

Quando comecei a questionar-me sobre as questões da nutrição e da alimentação, também me comecei a interessar pela questão da quantidade de produtos tóxicos que inadvertidamente colocamos no nosso corpo através de todos estes detergentes* e cremes, a quantidade de recursos que desperdiçamos sem necessidade real, e principalmente, a quantidade de vezes que realizamos verdadeiros rituais de limpeza só porque aprendemos (em casa ou através da publicidade) que era assim que se fazia.

Depois de muita pesquisa, experimentação e algumas conversas com a Tico posso dizer que reduzi o meu leque de produtos de limpeza, higiene e beleza para cerca de 10 produtos diferentes no total (falando de produtos para a casa e para todo o corpo). Quando tomo banho só uso sabão em duas os três pequenas zonas do corpo. Lavo o cabelo apenas uma vez por semana, com água corrente e uma solução diluída de vinagre de maçã para suavizar. Apenas lavo a minha roupa se cheirar mal ou tiver alguma sujidade. Uso lenços de pano em vez de lenços de papel. Raramente sinto a necessidade de hidratar a minha pele e quando o faço é com azeite ou com algum óleo natural.

Isto é o que funciona para mim. Sei que para diminuir o meu impacto ambiental, sem comprometer a minha saúde e conforto, ainda há coisas que posso mudar. Aqui a questão não é dizer que eu estou certa e quem não faz o mesmo está equivocado. O meu objectivo é encorajar-te a questionar e não fazer só porque todos o fazem, mas sim porque é o que queres fazer em consciência, porque achas que tens razões para tal. E que essas maneiras de fazer as coisas estejam de acordo com os valores que defendes e com as preocupações sócio-ambientais que tens. Cria os teus próprios rituais!

É que na verdade o “teste do algodão” é um grande engano.

* Nota da autora: a palavra detergente aparece neste texto muitas vezes em substituição de outras como champô ou gel de banho. Essa substituição é propositada pois por um lado esses produtos são exactamente isso – detergentes – e por outro porque a sua composição muitas vezes não difere assim tanto da composição dos detergentes de limpeza da casa.

 


El algodón no engaña (ES)

¿Cuántos productos diferentes de belleza, higiene y limpieza usas en tu día a día? Si me recuerdo bien, yo llegué a usar: champú, suavizante y máscara para lavar e hidratar el cabello, además de cera, espuma o gomina para peinarme; pasta dentífrica y elixir para la boca y los dientes; jabón o gel de limpieza específico para la cara, desmaquillante, tónico e hidratante además de toda la gama de maquillaje y claro, el perfume. ¡Sin pasar del cuello ya podemos estar hablando de al menos 15 productos diferentes! Cuando hablamos de los productos de limpieza de la casa lo mismo ocurre. Generalmente usamos un detergente de limpieza especial para cada superficie, un detergente de la ropa para cada tipo de tejido, y además los ambientadores, los suavizadores y los abrillantadores.

Pero lo que es importante aquí es que utilizamos todo esto sin realmente preguntarnos si es realmente necesario. Más, no hablamos de algunas cosas relacionadas con la higiene porque son consideradas tabú y practicamos una serie de contradicciones sin ningún sentido.

Hablemos de algunas de estas contradicciones:

  • Lavamos el cabello diariamente (o casi), con una cantidad de detergente * y ahínco que muchas veces no se gasta ni para lavarse las manos antes de sentarse la mesa. – Si pensamos un poco sobre eso, vemos que lavamos nuestros cabellos como si ellos estuvieran diariamente en contacto con superficies sucias o contaminadas. – Después de quitarle todo su aceite natural, que está allí para protegerlo, lo sustituimos por otros aceites, más o menos sintéticos acompañados de más perfume. Porque el pelo no debe oler a pelo, eso no es muy civilizado.
  • Lavamos también cara y cuerpo con bastante detergente * y con un buen fregado, de la misma manera que haríamos si estuviéramos realmente sucios de lodo. Y, adivina, después de retirar, con tanto detergente *, agua caliente y esponjas exfoliantes, la grasa que la propia piel produce para auto-limpiarse y protegerse, nos untamos con una mezcla de productos (a la que llamamos crema hidratante) que no sabemos lo que son, ni lo que hacen, pero que ciertamente no comeríamos, y que la piel absorbe y eventualmente acaban por circular dentro de nuestro organismo.
  • Usamos desodorantes anti-transpirantes que, además de muchas veces acentuar el olor de la transpiración (al conjugarse con otros olores fuertes), nos impiden transpirar, imposibilitando una función muy importante de la piel que nos ayuda a eliminar toxinas (que una vez más es un sistema natural de limpieza del cuerpo).
  • Nos sonamos las narices con pañuelos de papel porque los pañuelos de tela que llevaban nuestros abuelos no son muy higiénicos. Estamos tan preocupados por no esparcir nuestros microbios y virus, pero acabamos por olvidar los pañuelos de papel enrollados en los bolsillos de las chaquetas. Y no, no lavamos las manos de todas las veces que les tocamos. Lo que acaba por hacer de ellos algo tan higiénico como los pañuelos de tela que se ponen para lavar al final del día.
  • Lavamos las camisetas y las camisas porque las usamos una o dos veces, aunque no estén realmente sucias ni con malos olores. Pero como ya no huelen a “Campo de Flores” o a “Frescor y Pureza” tampoco las consideramos limpias.
  • Compramos detergentes con envases diferentes y que expresamente se venden para un único fin (para el suelo, para madera, para el inodoro, para la cocina, etc.), pero en realidad tienen más o menos todos los mismos contenidos a nivel de ingredientes. Como nadie se cuestiona, las empresas que los venden hacen mucho más dinero y quienes los compramos llenamos el medio ambiente con una mayor diversidad de envases.

Cuando empecé a cuestionarme sobre las cuestiones de la nutrición y la alimentación, también gané interés por el tema de la cantidad de productos tóxicos que inadvertidamente colocamos en nuestro cuerpo a través de todos estos detergentes * y cremas, la cantidad de recursos que desperdiciamos sin necesidad real, y principalmente, la cantidad de veces que realizamos verdaderos rituales de limpieza sólo porque aprendemos (en casa o a través de la publicidad) que así que se hace.

Después de mucha investigación, experimentación y algunas conversaciones con Tico puedo decir que he reducido mi gama de productos de limpieza, higiene y belleza para alrededor de 10 productos diferentes en total (hablando de productos para la casa y para todo el cuerpo). Cuando tomo baño solo uso jabón en dos las tres pequeñas zonas del cuerpo. Lavo el pelo sólo una vez por semana, con agua corriente y una solución diluida de vinagre de manzana para suavizar. Solo lavo mi ropa si huele mal o tiene alguna suciedad. Uso pañuelos de tela en lugar de pañuelos de papel. Rara vez siento la necesidad de hidratar mi piel y cuando lo hago es con aceite de oliva o con otro aceite natural.

Esto es lo que funciona para mí. Sé que para disminuir mí impacto ambiental, sin comprometer mi salud y comodidad, todavía hay cosas que puedo cambiar. Aquí la cuestión no es decir que estoy cierta y quien no hace lo mismo está equivocado. Mi objetivo es alentarte a cuestionar y no hacer las cosas sólo porque todos lo hacen, sino porque es lo que quieres hacer en conciencia, porque crees que tienes razones para ello. Y que esas maneras de hacer las cosas estén de acuerdo con los valores que defiendes y con las preocupaciones socio-ambientales que tienes. ¡Crea tus propios rituales!

Es que en realidad el “test del algodón” es una gran estafa.

* Nota de la autora: la palabra detergente aparece en este texto muchas veces en sustitución de otras como champú o gel de baño. Esta sustitución se hace deliberadamente porque, por un lado, estos productos son exactamente eso – detergentes – y por otro, porque su composición a menudo no difiere tanto de la composición de los detergentes de limpieza de la casa.

 


Espelho mágico

Magic mirror (EN)

Espejo mágico (ES)

Espelho mágico (PT)

Espelho meu, espelho meu…

O que pensas quando te olhas ao espelho? Gostas do que vês? Gostavas que algo fosse diferente? Até onde irias para mudar algo no teu aspecto físico? Fazer dieta, fazer mais desporto, mudar os hábitos de alimentação e movimento, fazer um tratamento, passar por uma cirurgia plástica?

Eu sempre fui vaidosa, quem me viu crescer deu por mim mais de uma vez a dançar em frente ao espelho, a fazer caretas, ou simplesmente a admirar o bem que ficava com o vestido novo. Mas a partir da adolescência o espelho deixou de ser tão simpático. Sempre tive uma certa gordurinha abdominal (mesmo quando era criança e tinha as pernas tão magras como dois palitos) mas até aos 14 anos isso não me importava. Apareceram-me varizes aos 16 anos (por causa da pílula contraceptiva, história que deixarei para outro artigo), quando me mudei de Évora (onde vivi até aos 18 anos), para ir viver e estudar em Lisboa, engordei uns 7/ 8 quilos, e já não me lembro quando percebi que tinha celulite. Lembro-me de achar que tinha a cintura pouco marcada e que tinha pouco peito (o que me fazia usar sutiãs “push-up” com enchimento, sem eles sentia que não era ninguém). Lembro-me de não comprar certas peças de roupa porque “me faziam as coxas largas”.

Um conjunto de factores (como a morte da minha mãe, o Yoga e outros dos quais acabarei por falar eventualmente noutros artigos) fez com que chegasse aos 29 com uma total aceitação do meu corpo. Não me lembro do momento em que o espelho deixou de ser um crítico de beleza, até porque acho que não foi da noite para o dia.

O Yoga foi definitivamente um dos fatores que contribuiu para mudar a minha relação com o meu corpo. Uma das características do Yoga é que o praticante deve estar consciente do seu corpo durante a prática. O que muitos professores chamam de “ouvir o teu corpo” é na verdade a melhor ferramenta para manter o equilíbrio entre desafiar o corpo mais um pouco sem abusar e produzir lesões. Esta concentração nas capacidades e limites do meu corpo, durante a hora e meia de cada prática, faz-me reconectar com este instrumento maravilhoso que a natureza me deu.

O Yoga alterou completamente os objectivos que tinha quando praticava outras actividades físicas. Deixei de fazer exercícios abdominais para ter uma barriga mais lisa, para passar a fazê-los para fortalecer o meu centro e poder evoluir dentro da prática. Deixei de querer ter umas pernas mais finas e mais tonificadas e passei a concentrar-me em ter umas pernas mais fortes e mais flexíveis. Deixei, aos poucos, de querer ter um corpo que parecesse assim ou assado, para passar a trabalhar para ter um corpo que pudesse fazer isto ou aquilo. Como ter mais autonomia na hora de levantar e carregar coisas pesadas ou poder chegar a ser uma velhota com muita genica que não precise de ajuda para as tarefas do dia a dia.

O Yoga ensinou-me esta lição mas não precisamos ir tod@s practicar Yoga para a aprender. Basta termos mais consciência dos nossos corpos. Quando te baixares para apertar o sapato, baixa-te lentamente, percebe até onde vai o teu tronco sem dobrares as pernas. Se não consegues chegar aos atacadores então dobra as pernas o suficiente para chegar. E quando estiveres lá em baixo, ouve o teu corpo, percebe o que te diz. Podes fazer isto com outros movimentos, ou fazê-lo enquanto estiveres no ginásio, ou no cross-fit. Até quando estiveres a tomar banho, concentra-te na tua pele e na sua resposta à temperatura da água.

Quando crias uma relação de amizade e confiança com o teu corpo, o que ele parece segundo o reflexo do espelho deixa de importar, o que importa agora é o como te sentes dentro dele.

…quem é mais bela do que eu?

Quantas vezes já ouviram uma amiga dizer “Quem me dera ter um corpo como o da ______”? – Preencher o espaço em branco com o nome de qualquer famosa que seja nacional ou internacionalmente reconhecida como ‘“boazona’”. – Quantas vezes já o pensaste tu? – Falo directamente às mulheres, pois a minha experiência não me permite entender tão bem como os homens vivem estas questões da aceitação do próprio corpo.

Há uns dois ou três anos atrás, falava com uma amiga e ela disse: “Ai, se eu tivesse o corpo da _____…”. A frase acabou aqui claro, acaba sempre. É uma frase que fica suspensa. E fica suspensa porque quem a diz não chega a pensar realmente na outra parte. O “se” é uma conjunção subordinativa condicional, o que significa que, neste contexto, indica uma hipótese. Mas nunca ninguém diz o que aconteceria “se tivesse aquele corpo”. Para surpresa da minha amiga eu decidi perguntar: “Se tivesses o corpo da ______, o quê? O que aconteceria? O que seria diferente?”.

A minha amiga é uma rapariga normal, como uma massa corporal bastante dentro do que é considerado saudável, ela não tem nenhum problema ao nível da mobilidade e faz até desporto e dança. Apesar de não haver realmente nada de errado com o seu corpo, ela não tem o que a nossa sociedade considera um “corpo perfeito”.

Então, de que lhe serviria ter um “corpo perfeito”? De que serve a qualquer um@ de nós? Seríamos tod@s modelos ou atrizes/actores famos@s? Mas e quem não quer ter uma profissão relacionada com a beleza física? Ter um “corpo perfeito” será sinónimo de felicidade? Ou sinónimo de uma vida amorosa de sonho? Basta pensarmos um bocado para percebermos que não, apesar de ser essa a mensagem que recebemos dos meios de comunicação e das redes sociais a toda a hora, ISSO NÃO É VERDADE. E no fundo tod@s o sabemos. Também bastam alguns “clicks” para percebermos que @s que supostamente já têm o “corpo perfeito” estão obcecad@s por mantê-lo, ou, na maioria acham que ainda não o atingiram. Hum… isto parece-me mais uma daquelas buscas intermináveis por um ideal incansável.

Atenção, ninguém está a dizer que devemos deixar de fazer qualquer tipo de exercício físico, nem começar a comer sem qualquer controlo, por que a forma física não importa. Ela importa, importa que estejamos saudáveis, que tenhamos força, que mantenhamos o corpo e flexível e preparado, para aquela corrida até à porta do autocarro que está quase a partir, ou para carregar aquelas caixas da mudança de casa. Para que no futuro tenhamos energía e saúde para brincar com os netos ou para ser @ próxim@ Iron Nun. Importa muito que nos sintamos bem no nosso corpo, que o amemos e respeitemos, até que a morte nos separe… dele.


Espejo mágico (ES)

Espejito, espejito, dime una cosa…

¿Qué piensas cuando te miras al espejo? ¿Te gusta lo que ves? ¿Te gustaría que algo fuera diferente? ¿Hasta dónde irías para cambiar algo en tu aspecto físico? Hacer dieta, hacer más deporte, cambiar los hábitos de alimentación y movimiento, hacer un tratamiento, pasar por una cirugía plástica?

Yo siempre fui vanidosa, quien me vio crecer me encontró más de una vez bailando frente al espejo, o haciendo muecas, o simplemente admirando lo bien que me quedaba el vestido nuevo. Pero a partir de la adolescencia el espejo dejó de ser tan simpático. Siempre tuve una cierta grasa abdominal (incluso cuando era niña y tenía las piernas tan delgadas como dos palillos) pero hasta los 14 años eso no me importaba. A los 16 años me salieron varices (a causa de la píldora anticonceptiva, una historia que dejo para otro artículo), cuando me mudé de Évora (donde viví hasta los 18 años), para ir a vivir y a estudiar en Lisboa, gané unos 7/8 kilos, y ya no recuerdo cuando fué que percibí que tenía celulitis. Me acuerdo pensar que tenía la cintura poco marcada, y que tenía poco pecho (lo que me hacía usar sujetadores ‘push-up’ con ‘relleno’, sin ellos sentía que no era nadie). Me acuerdo de no comprar ciertas prendas porque “me hacían los muslos anchos”.

Un conjunto de factores (como la muerte de mi madre, el Yoga y otros de los cuales acabaré por hablar eventualmente en otros artículos) hizo que llegase a los 29 con una total aceptación de mi cuerpo. No recuerdo el momento en que el espejo dejó de ser un crítico de belleza, incluso porque creo que no fue de la noche a la mañana.

El Yoga fue definitivamente uno de los factores que contribuyó para cambiar mi relación con el cuerpo. Una de las características del Yoga es que el practicante debe ser consciente de su cuerpo durante la práctica. Lo que muchos profesores llaman “oír tu cuerpo” es en realidad la mejor herramienta para mantener el equilibrio entre desafiar al cuerpo un poco más pero sin abusar y producir lesiones. Esta concentración en las capacidades y límites de mi cuerpo, durante la hora y media de cada práctica, me hace reconectar con este maravilloso instrumento que la naturaleza me ha dado.

El Yoga cambió completamente los objetivos que tenía cuando practicaba otras actividades físicas. Dejé de hacer ejercicios abdominales para tener una barriga más lisa, para pasar a hacerlos para fortalecer mi centro y poder evolucionar dentro de la práctica. Dejé de querer tener unas piernas más finas y más tonificadas y pasé a concentrarme en tener unas piernas más fuertes y más flexibles. Dejé, poco a poco, de querer tener un cuerpo que pareciera así o asá, para pasar a trabajar para tener un cuerpo que pudiera hacer esto o aquello. Como tener más autonomía a la hora de levantar y cargar cosas pesadas o poder llegar a ser una vieja con mucha vitalidad y que no necesite ayuda para las tareas del día a día.

El Yoga me enseñó esta lección pero no es necesario practicar Yoga aprenderla. Basta con tener más conciencia de nuestros cuerpos. Cuando te bajes para apretar los zapatos, bájate lentamente, percibe hasta donde va tu torso, sin doblar las piernas. Si no puedes llegar a los cordones, entonces dobla las piernas, pero solo lo suficiente para llegar. Y cuando estés allá abajo, oye tu cuerpo, percibe lo que te dice. Puedes hacer esto con otros movimientos, o hacerlo mientras estés en el gimnasio, o en el cross-fit. Hasta lo puedes hacer mientras que estés duchando, concentrándote en tu piel y en su respuesta a la temperatura del agua.

Cuando creas una relación de amistad y confianza con tu cuerpo, lo que él parece según el reflejo del espejo deja de importar, lo que importa ahora es lo que sientes desde dentro de él.

…¿quién en este reino es la más hermosa?

¿Cuántas veces has escuchado a una amiga decir “Ojalá tuviera el cuerpo como el de ______”? – Rellenar el espacio en blanco con el nombre de cualquier famosa que esté reconocida nacional o internacionalmente como ‘muy buena’. – ¿Cuántas veces lo has pensado tú? – Hablo directamente a las mujeres, porque mi experiencia no me permite entender tan bien como viven los hombres estas cuestiones de la aceptación del propio cuerpo.

Hace unos dos o tres años, hablaba con una amiga y ella dijo: “Ay, si yo tuviera el cuerpo de ______…”. La frase acabó aquí claro, siempre acaba aquí. Es una frase que se suspende. Y queda suspendida porque quien la dice no llega a pensar realmente en la otra parte. El “si” es una conjunción condicional, lo que significa que, en este contexto, indica una hipótesis. Pero nunca nadie dice lo que sucedería “si tuviera ese cuerpo”. Para sorpresa de mi amiga decidí preguntarle: “Si tuvieras el cuerpo de  ______, ¿qué? ¿Qué sucedería? ¿Qué sería diferente?”.

Mi amiga es una chica normal, como una masa corporal bastante dentro de lo que se considera sano, no tiene ningún problema al nivel de la movilidad y hace hasta deporte y danza. A pesar de que no hay realmente nada malo con su cuerpo, no tiene lo que nuestra sociedad considera un “cuerpo perfecto”.

Entonces, ¿de qué le serviría tener un “cuerpo perfecto”? ¿De qué sirve a cualquier@ de nosotr@s? ¿Seríamos tod@s modelos o actrices/actores famos@s? Pero, ¿y quién no quiere tener una profesión relacionada con la belleza física? ¿Tener un “cuerpo perfecto” es sinónimo de felicidad? ¿O sinónimo de una vida amorosa de sueño? Basta pensar un poco para percibir que no, a pesar de ser ese el mensaje que recibimos de los medios de comunicación y de las redes sociales a toda hora, ESO NO ES VERDAD. Y en el fondo tod@s lo sabemos. También bastan algunos “clicks” para percibir que l@s que supuestamente ya tienen el “cuerpo perfecto” están obcecad@s por mantenerlo, o la mayoría creen que aún no lo han alcanzado. Jo … esto me parece una de aquellas búsquedas interminables por un ideal inalcanzable.

Atención, nadie está diciendo que debemos dejar de hacer cualquier tipo de ejercicio físico, ni empezar a comer sin ningún control, por qué la forma física no importa. Si que importa, es importante que estemos san@s, que tengamos fuerza, que mantengamos el cuerpo flexible y preparado para aquella carrera hacia la puerta del autobús que está a punto de salir, o para mover esas cajas de la mudanza de casa. Para que en el futuro tengamos energía y salud para jugar con los nietos o para ser la próxima Iron Nun. Importa mucho que nos sintamos bien en nuestro cuerpo, que lo amemos y lo respetemos, hasta que la muerte nos separe… de él.

The beginning of questioning by Nico

The beginning of questioning (EN)

El principio del cuestionamiento (ES)

O princípio do questionamento (PT)

Capítulo 1. A ponta do iceberg.

No Verão de 2010 sentia-me profundamente vazia e não sabia porquê. Para me animar decidi ir a um festival de Verão colando-me a uma amiga. Liguei-lhe e perguntei-lhe se me podia juntar a ela e aos seus amigos que eu mal conhecia. Tive uma grande surpresa quando percebi que a minha amiga realmente não queria que eu fosse porque, segundo ela, eu era muito stressada, pouco sociável e estava sempre a levantar problemas. Nesse momento o mundo caiu-me aos pés, especialmente quando vi que, exageros à parte, eu realmente era uma chata. Quando desliguei o telefone fiz as primeiras de muitas perguntas: E se eu não quiser mais ser assim? Posso mudar a minha personalidade? Seria mais feliz se fosse menos rezingona e mais relaxada? Nem me dei tempo para me responder, decidi que tinha que experimentar para saber as respostas. Dez minutos depois voltei a ligar à minha amiga e prometi-lhe que ia ser a pessoa mais descontraída do mundo e comecei a sê-lo naquele exacto momento, tanto que ela fez um esforço para acreditar e aceitou levar-me.

Aquele festival foi um dos momentos mais divertidos da minha vida até então. Hoje em dia olhando para trás sei que foi uma das primeiras vezes em que vivi no presente. Lembro-me de momentos chave em que tive que pôr um grande travão à chata que estava habituada a ser e pensar em micro-segundos como reagiria esta nova pessoa que queria tornar-me. Pela primeira vez estava consciente dos meus próprios pensamentos e começava a desconfiar de alguma forma que aquilo (que pensava) não era eu. Tinha mudado tanto que a minha amiga não me reconhecia e estava realmente admirada que eu estivesse a cumprir a minha promessa.

Com o final do festival veio o medo de que tudo voltasse a ser como antes. Sabia que voltando aos mesmos cenários quotidianos de sempre, o mais provável era que eu voltasse à minha versão mais resmungona. Decidi que ia tentar que isso não acontecesse. Mal sabia eu, que aquela pequena grande mudança de atitude perante a vida, acabaria por salvar-me de cair num poço sem fundo apenas umas semanas mais tarde.

Capítulo 2. O grande abanão.

Umas semanas depois soube que a minha mãe tinha um cancro cerebral. Sempre fui muito apegada à minha mãe, ela era o meu porto seguro. O meu maior medo desde pequena era que ela deixasse de estar ali (nem na minha cabeça me atrevia a formular a ideia de morte). Mas a minha nova maneira de ver o mundo desde um prisma menos stressado e mais presente ajudou-me a manter-me à deriva durante todo o pesadelo.

Os “tratamentos” foram avançando e a minha mãe só piorava, cada procedimento só a deixava pior.  Achei que tinha que haver algo mais e comecei a pesquisar tudo o que eram tratamentos alternativos para o cancro. Essas pesquisas levaram-me a estudos bastante convincentes, que defendiam que a carne e o açúcar eram dois grandes alimentadores do cancro e de várias outras doenças crónicas e mortais. – É de recordar que isto aconteceu uns bons anos antes dos malefícios da carne e do açúcar começarem a ser relatados nos meios de comunicação generalistas e nas redes sociais. – De repente o mundo parecía estar de cabeça para baixo. No hospital, a minha mãe era alimentada à base de carne, cereais e farinhas refinados e sobremesas carregadas de açúcar, tudo o que supostamente só servia para alimentar o maldito cancro. E as pessoas que a visitavam não faziam outra coisa que trazer-lhe mais doces e mais carne. A minha mãe já tinha muita dificuldade em comunicar e a comunicação entre os vários membros da família também se foi deteriorando. Eu era muito jovem e não conseguia fazer-me ouvir e o pior é que não conseguia ajudar a minha mãe com aquilo que estava a aprender.

De repente a carne começou a dar-me nojo e essa repulsa fez que eu deixasse de consumi-la. Também reduzi bastante o meu consumo de açúcar – hoje sei que era estupidamente alto. Comecei a sentir melhorias bastante óbvias na minha qualidade de vida. As dores de barriga que tinha frequentemente, e com as quais pensava que teria que viver até ao resto da minha vida desapareceram (mais tarde soube que o meu corpo tinha muita dificuldade para dirigir a carne). Deixei de ter as tonturas matinais que me tinham acompanhado quase toda a vida, e que sei hoje que eram causadas pelo excesso de açúcar. Também deixei de beber leite e as minhas alergias melhoraram bastante (hoje sei que ambas coisas estão relacionadas). Em geral sentia-me com mais energia e comecei a comer coisas que até então odiava. O meu paladar também tinha mudado. Abriu-se todo um novo mundo de sabores com novos vegetais e frutas que até então não tocava.

Começou a desenrolar-se um sem fim de questionamentos. Afinal todos os meus problemas de saúde crónicos se tinham resolvido com algumas mudanças de alimentação? Mas como é que até à data nenhum médico me tinha perguntado o que é que comia se, pelos vistos, a alimentação era tão importante? Porque é que me tinham dado apenas medicação que disfarçava sintomas, sem nunca tentarem resolver a raiz dos problemas?

Entretanto quase um ano tinha passado, a minha mãe continuava a piorar e essas questões começaram a ser cada vez mais dolorosas. O mesmo tipo de medicina à qual ela estava entregue para curar um cancro já tinha provado falhar em a problemas muito mais ligeiros no meu caso.

Uns meses antes do falecimento da minha mãe consegui confrontar uma das suas médicas e percebi que não havia mais esperança (pelo menos da parte dos médicos) mas por outro lado continuavam a dar-lhe quimioterapia, isto fazia ainda menos sentido! Finalmente a minha irmã e eu conseguimos falar com o resto da família e parar os tratamentos de “quimio” que já tinham causado tanto sofrimento à minha mãe e não tinham ajudado em nada.

Capítulo 3. Depois da tempestade.

No final de Julho de 2011 a minha mãe morreu. Não chorei. Não chorei a morte da minha mãe até uns anos depois quando a mãe de uma grande amiga faleceu, e uma profunda empatia desbloqueou os sentimentos com os quais não consegui lidar naquele momento. Naquele momento o sentimento maior foi de alívio. A minha mãe já não estava a sofrer, todas as pessoas implicadas podiam finalmente retomar as suas vidas.

Parte desse “seguir em frente” foi dar um destino à casa em que a minha mãe vivia. Fiquei encarregue de sozinha (nunca me senti tão sozinha) esvaziar a casa onde a minha mãe vivera mais de 20 anos. A casa onde a minha irmã e eu tínhamos crescido e passado toda a nossa infância e adolescência, mas também a casa onde a minha mãe tinha passado os últimos meses de vida, com todas as memórias que tudo isso pode acarretar.

Comecei primeiro pelo meu quarto (era mais fácil desfazer-me das minhas coisas do que de coisas que nunca me tinham pertencido directamente). O meu quarto de adolescente, onde eu já só ficava quando vinha de visita um ou outro fim de semana por mês desde que tinha ido viver para a Lisboa. Além de muitos elementos decorativos e objectos pessoais esquecidos, havia caixas com recordações (diários, postais, bilhetes de cinema e concertos, aquela flor seca que um dos primeiros namorados ofereceu, etc.). Aquilo tudo era para quê? Porque é que eu guardava aquilo? Afinal muitas daquelas coisas, guardadas na tentativa de preservar a memória que elas representavam, já não me diziam nada, a maioria só me faziam lembrar, muito geralmente, que tinha sido ainda mais jovem um dia, mas eu não precisava de recordatórios fechados em caixas para lembrar-me disso. Naquele momento decidi não voltar a acumular tralha sem utilidade practica real. Deitei todas essas “caixas de memórias” fora, encaixotei roupa e  outras coisas para dar e juntei em sacos aquilo que não podia ter outro fim se não o contentor do lixo. A minha irmã já tinha levado tudo o que era importante do seu quarto e deu-me desde Amsterdão (onde estava a viver) luz verde para eu fazer o que quisesse com o resto. Usei para o quarto dela os mesmos critérios que tinha usado para o meu. Esta tinha sido a parte mais fácil.

Faltava o resto da casa. Só que o resto da casa era parte das memórias que eu tinha da minha mãe. Demorei meses a separar coisas, perdi-me em memórias, encontrei tesouros, frustrei-me muito porque o trabalho parecia não ter fim. Vendi moveis, fiz mais caixas com roupa para dar mas principalmente deparei-me com a realidade de que ao longo da vida a maioria das pessoas vai acumulando muita coisa que não precisa. E para quê? Para que é que serve tanta coisa? Tanta roupa, tantos utensílios de cozinha, tantos objectos de decoração, tantos “gadgets”, tanta tralha? Ao final 90% era tralha, quase nada tinha realmente significado nem valor emocional. E vi que eu, na minha casa em Lisboa, estava a fazer o mesmo: a juntar tralha, a rodear-me de mais e mais objectos desnecessários e sem significado. Decidi que não o faria mais.

Quando voltei a Lisboa desfiz-me de literalmente metade das minhas coisas em poucas semanas. Muita gente pensava que tinha enlouquecido. “Como é que consegues dar os teus livros e os teus CDs? Não tens pena?”- perguntavam. Mas eu já sabia que eram só coisas, coisas das quais não precisava. Saiu-me um peso de cima, foi libertador. Tão libertador que foi isso que me permitiu criar asas e finalmente ganhar coragem para ir viver uma experiência fora do país.

 

Acho que estes foram os três momentos chave na minha vida, que me levaram a questionar tudo. Primeiro vieram as questões sobre a personalidade – Eu sou a minha personalidade ou sou algo mais profundo que isso e posso mudar de personalidade e continuar a ser eu?; depois comecei a questionar-me sobre a alimentação (mais tarde essas questões fizeram com que acabasse por me tornar vegan assim como a Tico) e a medicina convencional (no futuro haverão artigos que tocam este assunto com mais profundidade), e finalmente comecei a questionar-me sobre o sentido do materialismo (o que foi o início de um rol de questões que me levaram ao Yoga e a um estilo de vida mais desapegado).  Claro que houveram mais momentos e mais questões, mesmo no meio desses que conto neste artigo. Tod@s temos momentos nos quais nos apercebemos que não podemos simplesmente seguir a manada e fazer o mesmo que @s outr@s fazem só porque é mais fácil. Consegues reconhecer um desses momentos na tua vida? Revês-te nalguma das coisas que conto? E nas que a Tico conta no seu relato? Queres fazer-nos perguntas? Responde ou pergunta através do nosso formulário de contacto.


 

The beginning of questioning (EN)

Chapter 1. The tip of the iceberg.

In the Summer of 2010 I was feeling profoundly empty and didn’t know why. To cheer me up, I thought of going to a Summer festival and join a friend that already had it all figured out. I called her to ask if I could join her and her friends that I didn’t really know very well. I was very surprised to find out that actually my friend didn’t want me to join them because, in her opinion, I was always stressed, not very sociable and couldn’t stop forging problems. In that moment my whole world fell apart, especially when I realised that in fact I could be quite annoying. When I hanged up the phone, my first questions started popping up: What if I don’t want to be that person anymore? Can I change my personality? Could I be a happier person if I was to be less grumpy and more relaxed? I didn’t even allow any time to ponder but instead I decided to put this into practice in order to find out the answers. Ten minutes later, I called my friend again and promised that I would be a much more easy going person. In fact I started to behave more relaxed right away and that’s why she made an effort to believe me and accepted to take me in with her to the festival.

That festival ended up being one of the coolest moments of my life until then. Looking back, I know now that this event was probably one of the first times I experienced living in the present. I recall specific moments in which I had to stop that annoying girl that I used to be and think in a fraction of a second how would this new person I was willing to be react. For the first time I was conscious of my own thoughts and was starting to somehow suspect that that (what I was thinking ) wasn’t me. I had changed so much that my own friend didn’t recognise me and was truly in aw to see that I had kept my promise.

With the ending of the festival came the fear of everything becoming the old same again. I knew that going back to the same daily routine, the grumpy version of myself could come back to life. I was determined to avoid that at all cost. Little did I know that such a change in my attitude towards life would save me from collapsing in a bottomless pit a couple weeks later.

Chapter 2. The big shakeup

A few weeks later, I learned that my mother had a brain cancer. I was always very close to my mom as she was my safe haven. My biggest fear, since I was a little girl, was that one day she wouldn’t be there anymore (I didn’t even formulate the idea of death in my mind). However, my new way of perceiving the world, through a more present and less stressed lens, helped me to keep my head above the water during the whole nightmare that was to come.

The “treatments” kept on going and my mother only got worse and worse with every procedure. It got me thinking that some other alternatives could be out there and I started making my own research on alternative cancer treatments. Those researches took me to some credible studies stating that meat and sugar were the two biggest foods responsible for feeding cancer, among other chronic and terminal diseases. – Reminding that this happened some good years before mainstream allegations regarding meat and sugar being on general and social media. – Suddenly the world seemed to be upside down. At the hospital, my mother’s meals were based on meat, refined cereals as well as full on sugar desserts. All the foods that supposedly only kept feeding the damned cancer. On top of that, the people who visited her would bring more treats and more meat as they didn’t know better. My mother had extreme difficulty communicating with us and the communication with the remaining family members was going down the hill. I was very young and couldn’t get my voice to be heard and the worst part was that I couldn’t help my mom with the things I was learning.

Suddenly, the meat started to seem disgusting to me which made me give up on eating it. I also decreased my consumption of sugar that was incredibly high, I can see now. My life quality improved significantly with those changes. The stomachaches I had frequently disappeared ( later on I found out that my body had great difficulty to digest meat). The dizziness I had most of my mornings also went away. I know now that it was caused by excessive sugar intake. I quit drinking milk and my allergies got much better as well (as those two things are very much linked). In general, I felt more energised and started to eat foods that I couldn’t stand until then. My taste buds had an upgrade. A new world of flavours opened up together with fruits and vegetables that I never got to try.

A never ending questioning started to unfold. After all this time, all my chronic health problems got cured with some food habit changes? How come, no doctor ever asked me what was I eating, if nutrition is something crucial? Why was I given meds that only concealed my symptoms rather then trying to solve the root cause of my problems?

Meanwhile, nearly a year had passed and my mother continued to get worse and those questions of mine only became more painful. The same medicine applied to her, in order to cure the cancer, had already proved to me its failure when it came to much smaller issues.

A couple months prior to my mother’s death, I confronted one of her doctors and understood that there was no more hope for her case (at least from the doctor’s point of view) but even then, they continued to prescribe chemotherapy. Such thing didn’t make sense whatsoever! Finally, my sister and I were able to talk to the rest of the family and stop with the chemo treatments that had caused so much suffering to my mother and never got to help her in any way, shape or form.

Chapter 3. After the storm.

In the end of July 2011 my mother died. I didn’t cry. I didn’t cry the death of my mother until a few years later, when the mother of a very good friend died and a profound empathy unblocked the feelings that I couldn’t deal with in that moment. In that moment all that I could feel was relieve. My mother wasn’t suffering anymore and everyone involved could finally resume their own lives.

Part of that moving on process was to give a destiny to my mother’s belongings. I alone (never felt so alone) was in charge of emptying the house where my  mother lived for 20 years. The house where my sister and I grew up and spent our childhood and adolescence, but also the house where my mother had lived in her last days of life, with all the memories that all of this can entail.

First I started with my own bedroom (it was easier to get rid of my own things rather than other stuff that wasn’t mine). My teenager bedroom, where I would stay when visiting over from Lisbon (sometimes less than a couple weekends a month). Besides lots of decorative items and forgotten personal objects, there were boxes filled with memories (diaries, postcards, concert tickets, that dry flower that one of my first boyfriends once offered). What was all that for? Why did I keep them? After all, many of those things, kept in the attempt to preserve the memory they represented, no longer told me anything. Most of it only reminded me, very generally, that I had been even younger one day, but I didn’t need memories closed in boxes to remind me of this. In that moment I decided I would stop accumulating useless junk. I threw away all those “memory boxes”, I boxed stuff to donate and put in garbage bags everything that couldn’t have another destination besides the trash. My sister had already taken everything that was important from her room and gave the green light for me to do whatever I wanted with the rest. I used for her room the same criteria I had used for mine. This was the easiest part.

The following part was to deal with all the rest. But the rest of the house was a big part of the memories I had of my mother. It took me months to separate things, I lost myself in memories, I found treasures, I became very frustrated because this work seemed never ending. I sold furniture, gathered more boxes with clothes to donate, but mostly I realised that throughout life most people accumulate a lot of stuff that they do not need. And for what? What’s the use of so many things? So much clothing, so many cooking tools, so many decorative objects, so many gadgets, so much stuff? In the end 90% of it was junk, almost nothing had really meaning nor emotional value. And I realised that I was doing the same exact thing in my apartment in Lisbon: gathering stuff, surrounding myself with more and more unnecessary and meaningless objects. I decided I would not do it anymore.

When I got back to Lisbon, I literally got rid of half of my stuff in a few weeks. A lot of people thought I had gone crazy. “How can you give your books and your CDs? Won’t you be sorry?”- They asked. But I already knew it was all just things, things I did not need. A weight came out of my shoulders, it was liberating. So liberating that it was this that allowed me to create wings and finally get the courage to go live an experience out of the country.

 

I think these were the three key moments in my life, which led me to question everything. First came the questions about personality – Am I my personality or am I something deeper than that and can I change my personality while still being me?; then I began questioning about food (later these issues made me become vegan like Tico) and conventional medicine (in the future there will be articles on this subject with more depth). And finally I began to question about materialism (which was the beginning of a series of questions that led me to Yoga and a much more detached lifestyle). Of course there were more moments and more questions, even simultaneously to the ones I expose in this article. We all have moments when we realise that we cannot simply follow the herd and do the same thing that others do just because it’s easier. Can you recognise one of those moments in your life? Do you see yourself in any of it? And what about in Tico’s story? Do you want to ask us questions? Please respond or ask via our contact form.


 

El principio del cuestionamiento (ES)

Capítulo 1. La punta del iceberg.

En el verano de 2010 me sentía profundamente vacía y no sabía el porqué. Para animarme decidí ir a un festival de música. Llamé a una amiga que iba a ir con amigos de ella que yo casi no conocía. Tuve una gran sorpresa cuando me enteré de que mi amiga realmente no quería mi compañía por que yo, en su opinión, era muy estresada, poco sociable y encontraba problemas en todas partes. En ese momento se me cayó el mundo en la cabeza, especialmente cuando entendí que, exageros aparte, yo realmente era muy pesada a veces. Cuando colgué la llamada hice las primeras de muchas preguntas: Y si no quisiera más ser así? Puedo cambiar mi personalidad? Sería más feliz si fuera menos gruñona y más relajada? No me di tiempo para contestar, decidí que que había que probarlo para saber las respuestas. Diez minutos después volví a llamar a mi amiga y le prometí que iba a ser la persona más tranquila del mundo, y empecé a serlo en el mismo momento. Tanto que mi amiga finalmente aceptó que me juntara a ellos.

Aquel festival fue, hasta entonces, uno de los momentos más divertidos de mi vida. Hoy en día mirando hacia detrás se que fue una de las primeras veces en las logré vivir en el presente. Me acuerdo de momentos clave en los que tuve que poner un freno a la chica pesada que estaba acostumbrada a ser, y pensar en micro-segundos cómo reaccionaría esa nueva persona en la que quería transformarme. Por primera vez era consciente de mis propios pensamientos y empezaba a sospechar que de alguna manera aquello (que pensaba) no era yo. Había cambiado tanto que mi amiga casi no me reconocía pero yo era la que estaba más sorprendida.

Con el final del festival vino el miedo de que todo volviera a ser igual que antes. Sabía que volviendo a las mismas situaciones de siempre, lo más probable era que yo volviera a mi versión más gruñona. Decidí que iba a intentar que eso no pasase. Lo que no sabía entonces era que aquel pequeño gran cambio de actitud ante la vida acabaría por salvarme de caer en un pozo sin fondo tan solo unas semanas más tarde.  

Capítulo 2. La gran sacudida.

Unas semanas después supe que mi madre tenía un cáncer cerebral. Estaba muy apegada a mi madre desde siempre, ella era mi puerto seguro. Mi peor miedo desde pequeña era que ella dejara de estar allí (ni en mi cabeza me atrevía a formular la idea de muerte). Pero mi nueva manera de ver el mundo desde un prisma menos estresado y más presente me ayudó a mantenerme a la deriva durante toda la pesadilla.

Los “tratamientos” avanzaban y mi madre solo empeoraba, cada procedimiento solo la dejaba peor. Pensé que tenía que haber algo más y empecé a investigar todo tipo de tratamientos alternativos para el cáncer. Esas búsquedas me llevaron unos estudios bastante convincentes, que defendían que la carne y el azúcar eran dos de los mayores alimentadores del cáncer y de muchas otras enfermedades crónicas y mortales. – Te recuerdo que esto pasó unos buenos años antes de que los malefícios de la carne y del azúcar fueran publicados en los medios de comunicación generalistas. – De pronto el mundo parecía estar patas arriba. En el hospital mi madre era alimentada a base de carne, cereales refinados y postres cargados de azúcar, todo lo que se suponía que alimentaba aún más el maldito cáncer. Además las personas que la visitaban no hacían otra cosa que traerle más dulces y más carne. A mi madre ya le costaba mucho comunicar, y la comunicación entre los demás miembros de la família también se fue deteriorando. Yo era muy joven, no podía hacerme oír y lo peor era que no podía ayudar a mi madre con todo lo que estaba aprendiendo.

De repente la carne empezó a provocarme asco y esa repulsión hizo que dejara de consumirla. También reduje bastante mi consumición de azúcar (hoy se que era estúpidamente alta). Empecé a sentir mejoras bastante obvias en mi calidad de vida. Los dolores de vientre que tenía frecuentemente y con los cuáles ya me había conformado, desaparecieron (más tarde supe que realmente mi cuerpo tenía mucha dificultad para digerir la carne). Dejé de sentir los mareos matinales que me habían acompañado casi toda mi vida (hoy sé que eran causadas por el exceso de azúcar). También dejé de beber leche de vaca y mis alergias mejoraron bastante (hoy se que ambas cosas están relacionadas). En general me sentía con más energía y empecé a comer cosas que hasta entonces odiaba. Mi paladar también había cambiado. Se abrió todo un nuevo mundo de sabores con nuevos vegetales y frutas que hasta entonces no tocaba.  

Empezó a desarrollarse un sinfín de cuestionamientos.¿Al final todos los problemas crónicos de salud que tenía se habían solucionado con algunos cambios en la alimentación? ¿Cómo era posible que hasta entonces ningún médico hubiera preguntado cómo ni el qué comía, si la alimentación era tan importante? ¿Por qué me habían dado medicamentos que sólo disfrazaban los síntomas sin tratar de resolver los problemas desde la la raíz?

Mientras tanto casi un año había pasado, mi madre seguía empeorando y esas cuestiones empezaron a ser cada vez más dolorosas. El mismo tipo de medicina a la que ella estaba sometida para curar un cáncer ya había probado fallar en problemas mucho más ligeros en mi caso.

Unos meses antes del fallecimiento de mi madre pude confrontar a una de sus médicas y percibí que no había más esperanza (al menos por parte de los médicos), pero por otro lado seguían dándole quimioterapia, ¡esto hacía aún menos sentido! Finalmente mi hermana y yo convencimos el resto de la familia que lo mejor sería parar los tratamientos de “quimio” que ya habían causado tanto sufrimiento a mi madre y no habían ayudado en nada.

Capítulo 3. Después de la tormenta.

A finales de Julio de 2011 mi madre murió. No lloré. No lloré la muerte de mi madre hasta unos años después, cuando la madre de una gran amiga falleció y una profunda empatía desbloqueó los sentimientos con los que no logré lidiar en aquel momento. En aquel momento el sentimiento mayor fue el de alivio. Mi madre ya no estaba sufriendo, todas las personas implicadas podían finalmente retomar sus vidas.

Parte de ese seguir adelante fue dar un destino a la casa donde había vivido mi madre. Me quedé sola (nunca me había sentido tan sola)  , de encargada de vaciar la casa donde mi madre había vivido más de 20 años. La casa donde mi hermana y yo habíamos crecido y pasado toda nuestra infancia y adolescencia, pero también la casa donde mi madre había pasado los últimos meses de vida, con todas las memorias que todo eso puede acarrear.

Empecé primero por mi cuarto (era más fácil deshacerme de mis cosas que de cosas que nunca me habían pertenecido directamente). Mi habitación de la adolescencia, en la que ya solo me quedaba un u otro finde al mes, desde cuándo me había ido a vivir a Lisboa. Además de muchos elementos decorativos y objetos personales olvidados, había cajas con recuerdos (diarios, postales, entradas de conciertos, aquella flor seca que uno de los primeros novios regaló, etc.). ¿Para qué servía todo aquello? ¿Por qué lo guardaba? Al final muchas de esas cosas, guardadas en el intento de preservar la memoria que ellas representaban, ya no me decían nada, la mayoría sólo me recordaban, muy generalmente, que había sido aún más joven un día, pero yo no necesitaba recordatorios cerrados en cajas para recordarme de eso. En aquel momento decidí no volver a guardar trastos sin utilidad práctica real. Tiré todas esas “cajas de recuerdos”, metí ropa y otras cosas para donar en cajas, y junté en bolsas aquello que no podía tener otro destino sino el contenedor de la basura. Mi hermana ya se había llevado todo lo que era importante de su habitación y me dio desde Amsterdam (donde estaba viviendo) luz verde para hacer lo que quisiera con el resto. Utilicé para su habitación los mismos criterios que había utilizado para la mía. Esta había sido la parte más fácil.

Faltaba el resto de la casa. Pero el resto de la casa era parte de las memorias que tenía de mi madre. Tardé meses en separar cosas, me perdí en recuerdos, encontré tesoros, me frustré mucho porque el trabajo parecía no tener fin. Vendí muebles y hice cajas con ropa para donar, pero principalmente me encontré con la realidad de que al largo de la vida la mayoría de las personas acumula muchas cosas de las cuales no necesita.  ¿Y para qué? ¿Para qué sirve tanta cosa? ¿Tanta ropa, tantas cosas de cocina, tantos objetos de decoración, tantos aparatos, tantos trastos? Al final el 90% eran trastos,, casi nada tenía realmente significado ni valor emocional. Y vi que en mi casa en Lisboa estaba haciendo lo mismo: acumulando trastos, rodeándome cada vez más de objetos innecesarios y sin sentido. Decidí que no lo haría más.

Cuando regresé a Lisboa me deshice literalmente la mitad de mis cosas en unas pocas semanas. Mucha gente pensaba que me había vuelto majara. “¿Cómo puedes dar tus libros y tus CDs? ¿No te dá lástima?” – preguntaban. Pero yo ya sabía que eran sólo cosas, cosas de las que no necesitaba. Me salió un peso de encima, fue liberador. Tan liberador que fue eso que me permitió crear alas y finalmente ganar coraje para ir a vivir una experiencia fuera del país.

 

Creo que estos fueron los tres momentos clave en mi vida, que me llevaron a cuestionarlo todo. Primero vinieron las preguntas sobre la personalidad – ¿Yo soy mi personalidad o soy algo más profundo que eso y puedo cambiar de personalidad y seguir siendo yo?; después empecé a cuestionarme sobre la alimentación (más tarde esas cuestiones hicieron que acabara por hacerme vegana como Tico) y finalmente empecé a cuestionarme sobre el sentido del materialismo (lo que fue el inicio de un rol de cuestiones que me llevaron al Yoga y a un estilo de vida más desapegado). Claro que hubo más momentos y más cuestiones, incluso en medio de los que cuento en este artículo. Tod@s tenemos momentos en los que nos damos cuenta que no podemos simplemente seguir la manada y hacer lo mismo que l@s demás sólo porque es más fácil. ¿Puedes reconocer uno de esos momentos en tu vida? ¿Te ves en alguna de las cosas que cuento? ¿Y en las que Tico cuenta en su relato? ¿Quieres hacernos preguntas? Responde o pregunta a través de nuestro formulario de contacto.