Vamos falar de masturbação feminina… Parte II

Olá!! Estou de volta para a prometida segunda parte deste artigo. Para quem não leu a primeira (onde eu partilho a minha experiência pessoal com a masturbação enquanto criança) aqui fica o link.

Sabem que hoje (dia 28 de Maio), se celebra o Dia da Masturbação e o direito ao auto-prazer? De acordo com a Wikipedia este dia foi declarado pela primeira vez como Dia Nacional da Masturbação em 1995, nos EUA, em honra de Joycelyn Elders – que ocupava a posição de “Surgeon General” (basicamente o cargo de mais alto responsável pelos assuntos de saúde pública nos EUA) até 1994 quando foi demitida, pelo então presidente Bill Clinton, por sugerir que a masturbação deveria fazer parte do currículo das aulas de educação sexual. Este dia celebrativo estendeu-se mais tarde a todo o mês de Maio que passou a ser Mês da Masturbação. 

Continuando com a minha história. Pouco tempo depois de descobrir que a masturbação era algo natural e saudável comecei a experimentar mais com o meu corpo e a minha sexualidade, a descobrir o erotismo e a pornografía (que há 20 anos passava nalguns canais generalistas para lá da meia noite e depois passou a existir em canais por cabo como o velho canal 18), mas sobretudo a fantasiar usando a minha própria imaginação. Masturbava-me para experimentar e descobrir como obter diferentes formas de prazer, para desfrutar de momentos de solitude, para aliviar o stress e tensões da vida diária, para passar o tempo, depois de ter ficado excitada com alguma cena erótica da novela da noite ou enquanto, às escondidas, via os tais filmes que davam depois da meia noite e que a minha mãe dizia não serem para a minha idade.  

Não me lembro da primeira vez que tive um orgasmo, não faço a mais pequena ideia, na realidade nem tenho memória dos tempos em que não conhecia essa sensação. Quando comecei a experimentar a sexualidade como algo que envolvia o contacto físico com outra pessoa já controlava bastante bem os ritmos do meu corpo. Lembro-me bem da primeira vez que tive um orgasmo com um rapaz, enquanto dava uns amassos com a roupa vestida, ao meu namorado da secundária. Lembro-me de ele me perguntar se tinha sido o meu primeiro (orgasmo) e de eu responder “claro que não”.   

Há uns tempos mandaram-me este cartoon:

Educação sexual?

Será que a pessoa que mo enviou ou acha que a educação sexual é desnecessária numa idade em que muitos dos jovens já iniciaram a sua vida sexual ou que falar de masturbação aos mais novos é desnecessário? Eu olho para este cartoon e penso: que “foder” e saber dar prazer à parceira/ao parceiro são coisas bem diferentes, que sexo não é só penetração, que o parvo que faz a pergunta à professora talvez não tenha nada a aprender com relação à auto-masturbação mas provavelmente não sabe como tocar uma vulva, etc.. Eu penso que a educação sexual devia ser ensinada nas escolas e que o currículo devia ir muito mais além dos métodos contraceptivos, do sistema reprodutor e do planeamento familiar – afinal 99,9% das vezes que fazemos sexo a coisa não tem nada a ver com procriação e tudo a ver com prazer, intimidade, partilha, vulnerabilidade, desejo, erotismo, excitação, paixão, etc.   

Na mesma altura as minhas amigas também começavam as suas actividades sexuais com parceiros mas ninguém falava muito de prazer feminino.  Com a maturidade e a perda de alguns tabus as conversas sobre sexo e prazer começaram aumentar e comecei a perceber que algumas amigas nunca tinham tido um orgasmo, isso sobretudo acontecia com as que também nunca se tinham masturbado. Realmente acho que posso contar pelos dedos duma mão as conversas que tive com amigas sobre masturbação antes de chegar aos 25, já sem falar no facto de que a masturbação feminina nunca era tema de conversa em grupos mistos. Mas creio recordar que possivelmente na minha adolescência e princípio da idade adulta tenha ouvido falar de “punhetas” pelo menos duas vezes por semana.  

Em meados de 2019 o fenómeno do Satisfyer Pro invadiu as redes sociais, os meios convencionais e os diálogos entre amigos. Aqui em Valência (onde vivo) até na rua às vezes se podiam apanhar pedaços de conversas sobre este novo vibrador. Para mim o mais interessante do fenómeno não foram os relatos sobre a eficiência do aparelho, nem a forma como se esgotava nas lojas, em poucas horas, sempre que o stock era reposto; o mais interessante foi a banalidade com a qual finalmente se começou a falar do auto-prazer feminino. De repente um montão de mulheres (ao falarem sobre as suas experiências com o famoso “succionador” de clitóris) admitiram publicamente que se masturbavam. E isso trouxe, para o espaço público, o tema da masturbação feminina, com uma normalidade nunca antes vista. 

Entre os “reviews” que li e ouvi, os mais comuns contam como algumas mulheres, graças a este aparelho, finalmente puderam descobrir como era ter um orgasmo e como outras estão super felizes por agora conseguirem atingir o clímax em muito menos tempo (muitas falando em dois minutos). Apesar de ficar feliz por todas elas não posso deixar de questionar se isto não é mais uma pseudo-solução daquelas que a nossa sociedade acelerada e hiper-consumista tem tendência para produzir. Acho que é uma falsa solução porque acredito que o problema parte do facto de essas mesmas mulheres não terem passado o tempo necessário a descobrir os seus próprios corpos, as suas próprias vulvas, os seus próprios clitóris, não terem praticado o auto prazer o suficiente para conhecerem os seus próprios gostos e ritmos. O Satisfyer Pro ajuda-as a ter o orgasmo, mas se o aparelho ficar sem bateria lá se vai a possibilidade de ter o prazer desejado. Ou pior, provavelmente numa relação sexual com outra pessoa continuam sem saber guiar x outrx no caminho para levá-las ao clímax. 

Pessoalmente este aparelho em especial não me despertou muita curiosidade, nunca tive problemas para atingir o orgasmo auto-induzido, quanto à rapidez geralmente tento fazer o prazer durar mais tempo e fazer o orgasmo chegar mais tarde, mas se quiser também consigo ter um orgasmo em menos de um minuto. Talvez eu seja uma sortuda e biologicamente sei que todas somos diferentes mas custa-me crer que quem realmente pratique não consiga aperfeiçoar a técnica. 

Voltando ao início desta reflexão acho que se a masturbação feminina fosse parte da conversa sobre uma sexualidade saudável e sem tabus, que se se falasse sobre este tema de maneira menos tímida, que se entre amigas houvesse espaço para partilhar experiências e falar abertamente sobre prazer, que se em educação sexual se falasse sobre outros assuntos que também são importantes (além dos já falados), talvez menos mulheres se queixassem de que não têm relações sexuais satisfatórias. Porque está claro que é importante que x parceirx tenha em conta o nosso prazer, mas se nem nós sabemos aquilo de que gostamos é muito difícil que alguém o descubra. 

Hoje não vou deixar questões para vocês. Animo-vos a que deixem as questões ou os comentários que acharem pertinentes. Porque é necessário que comecemos a falar disto como falamos de receitas, de desporto, e de outras coisas do dia-a-dia. Se não for agora, quando? Se não fores tu, quem? 

Feliz dia Internacional da Masturbação para todxs!! 

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Vamos falar de masturbação feminina… yep isso mesmo MASTURBAÇÃO FEMININA. Parte I

Na minha opinião, a masturbação feminina, assim como outros temas “femininos” (como a menstruação) ainda é um grande tabu na nossa sociedade. Só agora (em plena segunda década do século XXI) é que os meios de comunicação e entretenimento começam a falar deste tema (mesmo que na maioria das vezes seja entre risos nervosos) de forma mais ou menos aberta. Há uns meses surgiu o fenómeno do “Satisfyer Pro” que veio dar mais um empurrão à normalização do auto prazer feminino. 

Mas isto por aqui (Portugal, Península Ibérica, Europa, mundo ocidental…) não foi sempre assim, e numa grande parte do mundo ainda não é. 

Quem já leu dois ou três dos meus artigos sabe que gosto de abordar quase todos os temas desde a minha própria experiência. Primeiro porque acho que é a maneira mais verdadeira de falar sobre as coisas e depois porque acho que partilhar as minhas experiências pode sempre ajudar alguém. 

Este tema é para mim um dos temas mais importantes no que diz respeito à luta pela equidade de género. E é um tema que me diz muito pessoalmente porque carreguei, durante toda a minha infância e parte da minha adolescência, um trauma relacionado com o tabu da masturbação feminina (que se há 15 anos atrás ainda era um grande tabu, mais ainda há 30 anos)

A minha experiência com a masturbação começou quando ainda nem sabia nada sobre sexo, nem sobre desejo sexual. Por estranho que possa parecer a algumas pessoas (e isso será ainda efeito do velho tabu) não é raro que as meninas pequenas descubram sozinhas que a estimulação da zona genital é muito prazerosa. Eu devia ter cerca de 2 ou 3 anos quando inocentemente me comecei a esfregar nas almofadas (literalmente). 

A masturbação nessas idades é uma gratificação meramente sensorial, não há, em situações normais, qualquer carácter sexual e esse era também o meu caso. A prova disso é que o fazia à frente de toda a gente. Para mim aquilo era algo prazeroso, como coçar-me se tivesse uma comichão, ou comer doces (sempre fui gulosa), na minha cabeça não havia qualquer revelação de que aquilo era (no mundo dos adultos) considerado inapropriado.

O meu pediatra da altura disse à minha mãe que por causa dos meus comportamentos precoces a minha vida sexual começaria muito cedo (WTF?!) O tabu não existia só entre os profissionais de saúde mas também dentro da minha família. A minha mãe não soube como lidar com a situação (não sei se o meu pai tem alguma constância desta história) e falou com algumas mulheres da familia para a ajudar a resolver o “problema”. Uma tia disse-me que eu ficaria com as pernas tortas. A minha avó paterna uma vez apanhou-me a faze-lo no sofá da sala, levantou as mãos à cabeça e zangou-se muito dizendo algo sobre o demónio. Mas a “estratégia” que mais teve impacto foi a de outra familiar que teve a excelente ideia (alerta de sarcasmo) de me contar uma história assustadora de como, se eu continuasse a fazer “aquilo”, o meu osso púbico ía se desgastar e desaparecer. Isto enquanto ilustrava o que aconteceria ao meu “osso do pipi” esfregando uma cenoura na bancada de mármore da cozinha (e esta se desfazia perante o meu olhar aterrorizado). 

O “problema” não era o facto de eu me masturbar (a masturbação é algo natural e saudável em todas as idades), mas sim o facto de o fazer em público. O que as pessoas informadas fazem quando se deparam com uma criança que se masturba em público é explicar a essa criança (todas as vezes que forem necessárias) que “aquilo” apesar de não ser “mau”, é algo privado que devemos fazer quando estamos sozinhas, não à frente de outras pessoas e menos ainda de desconhecidos.  

Agora vocês perguntam: a estratégias aplicadas funcionaram? Sim, mas não como elas esperavam. Eu não deixei de me masturbar, mas comecei a fazê-lo às escondidas, não porque aquilo era algo íntimo e privado, mas porque era algo mau para mim, para a minha saúde, e se alguém me visse fazê-lo de certeza que se zangariam comigo. Eu masturbava-me com um enorme sentimento de culpa, porque pensava que ao fazê-lo estava a pôr em risco a minha saúde. E foi assim durante quase 10 anos. 

Nesses anos a minha relação com a masturbação foi mudando, começou (como também é natural) a ter um carácter mais erótico, mas como era tabu eu continuava a pensar que “aquilo” que eu fazia era vergonhoso porque era mau para mim. Eu não sabia que “aquilo” era uma coisa natural, que se chamava masturbação

Até um certo dia em que fui ao teatro com a minha mãe ver uma peça durante a qual usavam muitas vezes uma palavra que eu nunca tinha ouvido: “masturbação”. Quando saímos do teatro eu perguntei à minha mãe o que significava e ela explicou-me que era quando as pessoas davam prazer a elas próprias através da estimulação dos genitais e que era algo natural e saudável, a menos que houvesse uma espécie de vício (estou a parafrasear, já não me lembro das palavras exactas que ela usou… isto foi à mais de 20 anos). E depois acrescentou algo como: “aquilo que tu fazias quando eras pequenina, não sei se ainda te lembras”. O mundo parou de girar. 

Então afinal “aquilo” não era mau, era natural e saudável? Afinal o meu osso púbico não se ía desintegrar? E as minhas pernas não iam ficar tortas? Afinal todo aquele sentimento de culpa tinha sido desnecessário? Todas as vezes que tinha sofrido em silêncio eram escusadas? Todos os pesadelos em que me aconteciam coisas terríveis por me masturbar podiam ter sido evitados?

Acho que poucas vezes me senti tão revoltada, mas não o demonstrei, tive vergonha. A minha mãe nunca soube que aquela intervenção teve um grande impacto no meu desenvolvimento psicológico e sexual. Ainda hoje tenho pesadelos relacionados com o sentimento de culpa que a masturbação acarretou durante quase uma década. 

Socialmente, mais cedo ou mais tarde, espera-se que os rapazes se comecem a tocar e a masturbar. Quando os adultos veem o bebé a tocar na pilinha acham piada, riem-se e acham normal, mais tarde quando os rapazes se começam a masturbar toda a gente aceita isso como natural e normal, tanto que geralmente (e corrijam-me e se estou incorreta) os progenitores dão alguma privacidade aos rapazes para não acontecerem “constrangimentos”. A minha percepção da nossa sociedade leva-me a pensar que isto não é exatamente assim (ou não o era há 30 anos atrás) no caso das raparigas .

Eu própria tenho muitas questões sobre esta parte da história. O resto da história, a parte após saber o que era a masturbação, fica para o meu próximo artigo, fiquem atentxs!

Algumas das minhas perguntas são:

Teriam as coisas sido diferentes se na altura o meu médico pediatra fosse alguém mais evoluído e menos conservador? Relembro que ele fez um paralelismo entre duas coisas que não têm nada a ver: o facto de me masturbar aos 3 anos de idade e como isso iria acelerar a minha entrada na vida sexual (não foi o caso, eu comecei a minha vida sexual aos 16/17 anos, tudo muito dentro da “normalidade” e não há nenhum estudo que indique que as pessoas que se começam a masturbar mais cedo também começam a vida sexual mais cedo – eu pesquisei). 

Será que a opinião da minha mãe mudou durante esses 10 anos? Porque se não, que sentido teve que ela tentasse que eu deixasse de fazer algo que era perfeitamente natural e saudável, quando me podia ter apenas explicado que devia fazê-lo quando me encontrasse sozinha?

Também achas que é importante “normalizar” a masturbação infantil feminina? Devia falar-se mais sobre isso? Será que hoje em dia já é diferente? Será que as mães e pais de hoje em dia estão no geral preparados para lidar com meninas que se masturbam em publico de forma sensata e não traumática? Achas que a minha experiência foi uma agulha no palheiro e que a maioria da sociedade da época (sendo a minha família uma excepção) já via a masturbação infantil feminina como algo natural?

E tu, achas que a masturbação é algo natural e normal? Com que idade é que te começaste a masturbar? Queres a partilhar algo da tua história comigo? Connosco? Tens perguntas para mim?

 


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#ficaemcasa e deixa as #mamaslivres

O meu texto mais lido na plataforma Medium é um em que conto como me libertei dos sutiãs (no blog podem encontrá-lo aqui). O que eu me esqueci de mencionar nesta publicação foi que o que me levou a tomar os primeiros passos para essa liberação foi um momento da minha vida que na realidade tem algo em comum com o momento presente. 

Há 3 anos atrás tinha acabado a parte presencial do mestrado (as aulas), estava dedicada ao projecto final e ao mesmo tempo trabalhava como designer freelancer para duas marcas diferentes, ou seja todo o meu trabalho era feito sobretudo a partir de casa – quase como agora (em circunstâncias diferentes, está claro). O facto de passar a maior parte dos meus dias dentro de casa e sem sutiã foi muito importante porque me desabituei dos apertos e a dita peça de roupa começou a parecer-me ainda mais incómoda das poucas vezes, e durante as poucas horas, que a usava. 

Porque é que venho trazer à tona este tema novamente? Porque neste momento muitas mulheres estão a ter que trabalhar desde casa e com ainda menos razões para sair que as que eu tinha na altura. Este artigo é um convite. Um convite para experimentares (tu mulher que me lês) ser “bra -free” durante esta quarentena. 

Desde que começou a quarentena tens usado sutiã dentro de casa? Sim? Por comodidade ou por hábito? Porque te sentes menos atrativa sem ou porque achas que as mamas vão descair se não estiverem todo o tempo suportadas pelo sutiã? Não? Mas sentes a necessidade de o pôr para ir à rua passear o cão ou até quando vais levar o lixo ao contentor que tens a dois ou três metros de casa? Sentes a necessidade de vestir o sutiã para receber uma encomenda ou para falar com os teus amigos e família por videoconferência? Porquê? 

Incentivo-te a aproveitar este momento de retiro obrigatório, no qual o ritmo de vida abrandou consideravelmente (se és como eu umx dxs privilegiadxs que pode trabalhar desde casa), para questionar aquelas coisas que não questionas normalmente, como a razão pela qual usas sutiã.  

É óbvio que falo desde uma experiência muito pessoal, e tenho que aceitar que haverão pessoas que se sentem mais cómodas com o sutiã vestido do que sem ele (mas no fundo acho que isso é mais o hábito e a cultura a falar que a verdadeira comodidade física). Por outro lado acho que é o momento ideal para experimentar mudar hábitos para ver o que acontece.

E se deixas completamente de usar sutiã durante um par de semanas (ou um mês que isto vai para longo) e descobres que podes respirar melhor, que tens menos dores de costas e de cabeça, que tens mais autoestima, que te preocupas menos com o que os outros pensam e que a as tuas mamas afinal não desceram? Se calhar depois desse período de prova até te apetece continuar com a experiência e com mais tempo de mamas livres talvez descubras que tens menos tendência para criar quistos (um problema que muitas mulheres têm), que já não sofres de dores no peito nem nos mamilos ou até mesmo que as tuas mamas estão mais firmes do que nunca. Isto sem falar de algo que não vais sentir: que provavelmente reduziste bastante o risco de teres cancro de mama.  

Talvez estejas a pensar que estou a exagerar um pouco (ou muito) com todos estes benefícios por abandonar os sutiãs. Como te disse falo a partir da minha própria experiência, mas neste caso não só. Convido-te a dar uma vista de olhos neste recente estudo preliminar que analisou os efeitos experimentados por mais de 1000 mulheres que deixaram de usar sutiã. E se decidires dar uma oportunidade a esta experiência também podes fazer parte do estudo que ainda está a ser desenvolvido. Para encontrares mais informações visita este site: https://brafreestudy.com/

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As “questionallers” estão de volta!

Há já quase um ano, dia 1 de Maio de 2019, foi a última vez que publicámos no blog. Na altura ambas (Nico e Tico) estávamos muito ocupadas entre trabalho, novos projectos, viagens e retiros. Hoje encontramo-nos com mais tempo livre, dadas as circunstâncias, porque mesmo que ambas continuemos a trabalhar desde casa e continuemos a ter outros projectos, há um tempo que se poupa ao não termos que preparamos para sair de casa e não termos que nos deslocar para ir nem para voltar. 

Nos dias de hoje é difícil não ocupar o tempo “a mais” com demasiadas séries “on demand” ou vídeos do YouTube e isso era o que nos estava a acontecer a ambas nos primeiros dias desta quarentena “voluntária”. Até que começamos a pensar que este seria o momento ideal para voltar a dedicar-nos a este projecto que nos une, não só às duas, mas de alguma maneira também a todxs xs que gostam de nos ler. As duas estamos cheias de ideias sobre temas que queremos questionar com a vossa ajuda. 

Desta vez vamos fazer as coisas de forma um pouco diferente. Para já não vamos ter um dia fixo para publicar, vamos deixar que seja mais orgânico e livre. Quando publicarmos algo no blog, que agora voltou a ser https://questionallers.wordpress.com/, faremos um post a anunciar a nova publicação na página de Facebook do “questionallers”, no perfil de Instagram do blog (@questionallers) e também nas nossas redes sociais pessoais. 

Outra novidade é que passaremos a escrever apenas em dois idiomas a partir de agora: Português e Inglês. A versão em português será publicada directamente no blog  (https://questionallers.wordpress.com/) e a versão em inglês será publicada através da nossa publicação na plataforma Medium (https://medium.com/questionallers). 

Esperamos voltar a poder contar com o vosso apoio nesta nova fase do projecto e mais ainda esperamos que de alguma forma vos possamos ser úteis, para vos levar a novos “questionamentos”, para vos encorajar a procurar mais informação, para gerar novas e ricas discussões, e para vos entreter para que estes tempos conturbados vos sejam também um pouco mais leves. 

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens (EN)

Desnuda. Lo que aprendí con la experiencia de posar sin ropa para Spencer Tunick (ES)

A nu. O que aprendi com a experiência de posar despida para Spencer Tunick (PT)

No dia 28 de Março, num dos grupos de WhatsApp em que estou, alguém publicou a notícia de que o fotógrafo Spencer Tunick, famoso pelas fotos de multidões despidas, ia estar em Valência, a fazer das suas, dentro de dois dias, e que quem quisesse participar só tinha que inscrever-se. Quem me conhece sabe que o pudor não é característica que me defina. A primeira coisa que pensei foi “isto deve ser uma experiência memorável” e depois pensei “está um bocado frio”. Sem pensar muito mais (o potencial da experiência sobrepunha-se ao medo de congelar), inscrevi-me. Depois partilhei a notícia com alguns amigos, que disseram logo que não tinham coragem de o fazer, e com o meu namorado, que respondeu que ia ponderar sobre o tema e mais tarde decidiria. Uns minutos depois recebi um email com a confirmação de que estava efectivamente inscrita, a informação do local onde teria que ir nesse dia e a hora do início do evento. Este último detalhe voltou a fazer-me pensar na questão do frio.

Dia 30 (um Sábado) às 5h da manhã encontrava-me à porta do edifício onde tudo começaria. Havia muitas pessoas, mais das que eu esperava encontrar, de quase todas as idades (dos 18 aos 80 mais ou menos) mas diria que a maioria tinha entre 25 e 45 anos. Havia algum nervosismo no ar, muitas pessoas tinham vindo em grupo, outras estavam sozinhas como eu.

Finalmente abriram a porta do centro cultural e apareceram duas pessoas que começaram a dar instruções aos participantes. Uma dessas instruções era que homens e mulheres se separariam em dois grupos distintos e que cada grupo deveria esperar mais instruções num dos claustros do centro. As mulheres ficavam no primeiro claustro, os homens seguiam caminho até ao seguinte.

Já dentro do centro observei o que se passava à minha volta. Olhei para as outras pessoas e tentei imaginar o que as motivava a estar ali. Será que tinham muita curiosidade em experienciar uma instalação artística daquela envergadura, será que tinham vontade de sair da sua zona de conforto, ou de fazer algo muito diferente das suas rotinas habituais de fim-de-semana, será que sentiam a necessidade de saber o que se sente quando a nudez é o dress code ou será que queriam testar o quão cómodas estavam com os seus próprios corpos. Poderiam haver mil e uma razões mas na verdade todas as que me ocorriam eram alguns dos motivos pelos quais eu própria tinha decidido ir até ali.  

Podia sentir-se a expectativa no ar. O ambiente estava animado e havia uma boa onda geral, tod@s pareciam estar bem dispost@s e pront@s para passar uma manhã diferente e divertida. Entretanto o José (o meu namorado) apareceu e dissemos “até já” (relembro que homens e mulheres deviam estar separados).

Depois de mais de uma hora da abertura de portas vieram dar-nos as últimas instruções. Desta vez era para explicar como se processaria o momento das fotos, que posturas teríamos que adoptar e a que hora teríamos de sair do centro. Faltavam cerca de 15 minutos para o momento em que nos teríamos que despir, deixando todos as nossas roupas e objetos pessoais no chão daquele claustro e sair para o meio da rua completamente nu@s e descalç@s. A temperatura mantinha-se baixas e o sol ainda estava agora a começar a nascer. Algumas pessoas começaram a saltar e a fazer movimentos para aquecer o corpo, outras começaram a despir-se, talvez para se irem habituando. Eu entretive-me conversando com outras mulheres.

Quando a hora H chegou membros da organização avisaram que tinha chegado o momento de tirar a roupa e dirigirmo-nos para a saída. Apesar de já estar muita gente despida quando deram o aviso, e de quase todas nos termos despido em menos de 30 segundos, parecia que todas esperávamos que alguém tomasse a iniciativa de avançar para a saída. Eu e a mulher com a que falava naquele momento olhamos uma para a outra e sem palavras (mas como quem diz “porque não nós?”) dirigimo-nos para a portão onde já esperavam membros da organização para nos guiarem até à primeira localização da sessão de fotos. Também a dirigir-se para a porta ia outra mulher com quem começamos a falar.

De repente as três olhamos para trás e demo-nos conta de que já estávamos no meio da rua e encabeçávamos um grupo de centenas de mulheres. Eu nao sei o que elas sentiram, mas eu tive uma enorme sensação de liberdade; uma revelação de beleza e até de perfeição, atingida através da diversidade; um sentimento de conexão com todas aquelas mulheres, talvez até com todas AS mulheres, senti a força da sororidade, que juntas podemos chegar a qualquer lado e realmente mudar o mundo.

Chegámos à primeira localização, exactamente em frente do monumento mais icónico da cidade – as Torres de Serranos, e pouco depois (o que pareceu ter sido uma eternidade por causa do frio) chegaram os participantes do género masculino. Por mais estranho que possa parecer, a chegada de centenas de homens pelados (havia cerca de um terço mais de homens que de mulheres) não transformou o momento em algo mais sexual, nem sequer tornou a nudez (própria e dos demais) mais embaraçosa. É claro que só posso falar desde a minha perspectiva, mas no momento observei @s outr@s participantes e não me pareceu que os sinais de desconforto tivessem aumentado (pelo menos da parte das mulheres).

Na verdade com a adição dos homens as sensações anteriores só aumentaram. Senti que realmente somos todos iguais apesar das pequenas diferenças – a objectiva diferença física entre um homem e uma mulher pode chegar a ser menor que entre duas pessoas do mesmo sexo. E senti que de alguma forma todos estamos ligados e que juntos podemos conseguir grandes mudanças.  

Como seres humanos cujas culturas exigem que tenhamos partes do corpo cobertas a maior parte do tempo, tendemos a esquecer-nos do quão normal e vasta é a variedade de formas e feitios dessas partes. As formas selecionadas e editadas às que temos acesso, nos meios de comunicação em massa, fazem-nos olvidar essa variedade. O que às vezes nos faz ver os nossos próprios corpos como feios, imperfeitos, estranhos, etc., apenas porque não são parecidos aos que estamos acostumad@s a ver. Talvez se as nossas sociedades aceitassem e encorajassem mais a nudez, teríamos mais facilidade em aceitar as nossas características físicas e também as das outras pessoas, sem tantos juízos de valor.

Por outro lado senti que a nudez também nos aproxima da nossa essência. Esquecemos constantemente que somos apenas um animal, uma espécie de primata, que teve uma evolução, digamos, diferente. Todos os dias vemos animais nus (o que nos parece caricato é que os outros animais estejam vestidos) e não nos parece estranho, nem temos tendência para olhar para as “partes” equivalentes às que como humanos levamos constantemente tapadas. Isso também acontece depois de estarmos durante algum tempo rodeados por humanos nus, o que era estranho passa a ser normal, os olhos deixam de procurar constantemente aquelas “partes” e quando as vêem passam por elas com a mesma naturalidade com que passam pelas outras.

Uma coisa de que gostei muito foi o facto de que o corpo masculino e o corpo feminino fosse tratados com o mesmo respeito. Infelizmente ainda (espero que um dia deixe de ser assim) vivemos numa sociedade que exige um maior número de “partes a esconder” ao corpo feminino do que ao masculino. Não esquecendo que há culturas que escondem ainda mais partes do corpo da mulher. Felizmente Tunick não censura partes dos corpos segundo sexos (como muitos fotógrafos e artistas) e também não censura segundo cânones de beleza. Foi inspirador ver entre os participantes por exemplo mulheres que tinham passado por mastectomias e pessoas com todo o tipo de diferenças fisionómicas.

O resto do evento em termos práticos pode resumir-se em: passar duas horas ao frio, seguir indicações para ocupar os espaços e mudar de postura, esperar em poses estáticas e deslocar-se para as seguintes localizações. No final voltámos ao centro para nos vestirmos e recuperar as nossas coisas.

Para mim foi sem dúvida uma experiência com saldo positivo. Até a questão do frio acabou por trazer algo bom. Além de ter ganhado uma certa resistência ao frio, que durou ainda por uns dias, mais tarde comecei a estudar sobre a importância dos sistemas que possuímos para regular a nossa temperatura. Ser friorenta às vezes pode ser bastante limitador. Agora sei que ser menos friorenta depende muito de mim, não é algo imutável. Para tal tenho tentado adaptar-me ao frio sem recorrer tanto a peças de roupa nem a aquecedores. E a verdade é que está a resultar.  

E tu, terias participado num evento deste género? Porquê ou porque não?  A nudez trás-te desconforto? Como lidas com a nudez alheia? Como sempre gostava de saber o que pensas sobre tudo isto.  


 

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens (EN)

On the 28th of March, in one of the WhatsApp groups that I’m in, someone posted that the photographer Spencer Tunick – famous for its pictures of crowds of naked people – would be shooting in Valencia, in a couple days, and whomever would like to be part of it just had to sign up. If you know me, you also know that I’m not ruled by pudor. My first thought was “this might be a memorable experience” and after that I realised how cold it would be. I enrolled without further ado (this experience’s potential was bigger than the apprehension of freezing my butt off). Then I shared the news with some friends that promptly expressed their lack of courage to do such thing, and with my boyfriend that would make up his mind later. Minutes later I received an email confirming my participation as well as the time and place of the event. This last detail made me rethink about the weather.

At 5am, on the 30th of March (Saturday), there I was standing at this building’s door where the event would take place. There were many people, more than I was expecting, from all age ranges (from 18 to 80 years old), mostly between 25 and 45 years old. I could feel some nervousness in the air, many people came in groups, others were alone just like me.

Finally the cultural center’s doors were opened and two people showed up to give instructions to all participants. One of those instructions was to separate men and women into two different groups and each one should wait for further instructions in a central cloister. Woman stayed in the first cloister and men proceeded to the next one.

Already in the women’s cloister, I observed what was going on around me. Looking at the people I started to wonder what would be their motivation to be there. Perhaps they were very curious to experience such art installation, maybe they were willing to get out of their comfort zone, or to do something unusual and different from their weekend routines, maybe they felt the urge to know how does it feel to have nudity as a dress code or possibly they were just interested in testing themselves to know how comfortable they were in their own bodies. There could be thousands of reasons but the truth is that all the purposes I could think of were the ones that made me decide to do such thing.

You could feel the excitement in the air. The atmosphere was enthusiastic, with a great vibe, everybody seemed to be in a high spirit and ready to spend a cheerful and different morning. Meanwhile Jose (my boyfriend) arrived and we briefly greeted (reminding that men and women should be separated).

More than one hour later, we got the last instructions. This time to explain about the pictures, what poses were required and timing to leave the cloister. 15 minutes remained to the moment where we all needed to undress, leaving our clothes and personal belongings behind and leave the building to the middle of the street, completely naked and barefoot. The temperature remained low and the sun was now raising. Some people started jumping to warm up their bodies, others started to undress, maybe to get used to it. I kept chatting with other women.

When it came to the crunch, staff members from the organisation informed us that that was the moment to take off our clothes and proceed to the exit. Despite many people being already naked by this moment, and most of us got undressed in 30 seconds, it seemed like we all waited for someone to take the lead to leave the premises. The woman with whom I was chatting at that moment and myself looked at each other and without saying a single word (but already thinking “why not us?”) proceeded to the exit where staff members awaited to bring us to the first location for the photo session. A third woman joined us.

Suddenly, the three of us looked behind and realised that we were already in the middle of the street, spearheading hundreds of other naked women. I don’t know what they have felt, however I felt an enormous freedom; a beauty and even perfection revelation, reached by diversity; a connection feeling with all of those women, perhaps even with ALL women, I felt the empowerment that together we can achieve anything and really change the world.

Soon after (but what felt like an eternity due to the coolness) we arrived to the first location, facing the most iconic monument of the city – the Serranos Towers, the male participants reached us. It might sound strange, yet the arrival of hundreds of naked men (there were roughly a third more men than women) didn’t make the moment in a more sexual one, nor did it turn the nudity (self and others) more embarrassing. Obviously I can only speak for myself, but at that moment I observed all the other participants and didn’t see any increase of uneasiness (at least from the woman’s side).

In fact with the addition of men the previous sensations only increased. I felt that we really are all equal despite the small differences – the objective physical difference between a man and a woman can be less than between two people of the same sex. And I felt that somehow we are all connected and that together we can achieve great changes.

As human beings whose cultures require that we have certain body parts covered most of the time, we tend to forget how normal and vast is the variety of forms and shapes of those parts. The selected and edited forms to which we have access, in the mass media, make us forget this variety. Which sometimes leads us into perceiving our own bodies as ugly, imperfect, strange, etc., just because they are not similar to the bodies we are accustomed to see. Perhaps if our societies accepted and encouraged more nudity, it would be easier to accept our own as well as other people’s physical characteristics, without so much value judgments.

On the other hand I felt that nudity also brings us closer to our essence. We are constantly forgetting that we are just an animal species, a kind of primate, which has evolved, let us say, differently. Every day we see naked animals (what seems a caricature to us is seeing the other animals dressed) and that doesn’t seems strange to us, nor do we tend to stare at the “parts” equivalent to those that we as humans are constantly covering. This also happens after being surrounded by naked humans for a while, what was strange becomes normal, the eyes stop searching constantly for those “parts” and when we see them we just pass through them as naturally as with any other body parts.

One thing I liked very much was that the male body and the female body were treated with the same respect. Unfortunately, we still live in a society that demands a greater number of “hidden parts” from females than from the males. Not forgetting that there are cultures that hide even more parts of the woman’s body. Luckily Tunick does not censure parts of bodies by sex (like many photographers and artists do) and also does not censor according to beauty standards. It was inspiring to see for example, women who had undergone mastectomies and people with all kinds of physiognomic differences among the participants.

In practical terms, the rest of the event can be summarised as: two hours spent in the cold, following directions to change postures and positions, waiting in static poses and moving to the following locations. In the end we went back to the center to get dressed and get our things back.

For me it was undoubtedly an experience with a positive balance. Even the cold issue  ended up bringing something good. In addition to gaining some resistance to the cold, which lasted for a few days, I later on began to study the importance of the systems we have to regulate our temperature. Being too cold at times can be quite limiting. Now I know that being less sensitive to cold depends a lot on me, it’s not something immutable. For this I have tried to adapt to the cold without resorting to clothes or heaters. And the truth is that it is working.

And you, would you have participated in such an event? Why would you or why not? Does nudity bring you discomfort? How do you deal with the nakedness of others? As always I would like to know what do you think about all this.


 

Desnuda. Lo que aprendí con la experiencia de posar sin ropa para Spencer Tunick (ES)

El 28 de marzo, en uno de los grupos de WhatsApp en que estoy, alguien publicó la noticia de que el fotógrafo Spencer Tunick, famoso por las fotos de multitudes desnudas, iba a estar en Valencia, para hacer una de sus sesiones, dentro de dos días, y que quien quisiera participar sólo tenía que inscribirse. Quien me conoce sabe que el pudor no es característica que me defina. La primera cosa que pensé fue “esto tiene que ser una experiencia memorable” y luego pensé “hace frío”. Sin pensar mucho más (el potencial de la experiencia se superponía al miedo de congelar), me inscribí. Después compartí la noticia con algunos amigos, que dijeron pronto que no tenían el coraje de hacerlo, y con mi novio, que respondió que iba a reflexionar sobre el tema y más tarde decidiera. Unos minutos después recibí un email con la confirmación de que estaba efectivamente inscrita, la información del lugar donde tendría que ir ese día y la hora del inicio del evento. Este último detalle volvió a hacerme pensar en la cuestión del frío.

Día 30 (un sábado) a las 5 de la mañana me encontraba a la puerta del edificio donde todo empezaba. Había muchas personas, más de las que esperaba encontrar, de casi todas las edades (de los 18 a los 80 más o menos) pero diría que la mayoría tenía entre 25 y 45 años. Había algún nerviosismo en el aire, muchas personas habían venido en grupo, otras estaban solas como yo. Hasta media hora después, no estaba segura si mi novio vendría.

Finalmente abrieron la puerta del centro cultural y aparecieron dos personas que comenzaron a dar instrucciones a los participantes. Una de esas instrucciones era que hombres y mujeres se separarían en dos grupos distintos y que cada grupo debía esperar más instrucciones en uno de los claustros del centro. Las mujeres se quedaban en el primer claustro, los hombres seguían camino hasta el siguiente.

Ya dentro del centro observé lo que pasaba a mi alrededor. Miré a las otras personas e intenté imaginar lo que las motivaba a estar allí. ¿Quizás tenían mucha curiosidad en experimentar una instalación artística de aquella envergadura, tendrían ganas de salir de su zona de confort, o de hacer algo muy diferente de sus rutinas habituales de fin de semana, a lo mejor sentían la necesidad de saber lo que se siente cuando la desnudez es el dress code, o querían saber lo cuanto cómodas estaban con sus propios cuerpos. Podrían haber mil y una razones pero en verdad todas las que me ocurrían eran algunos de los motivos por los que yo había decidido ir hasta allí.

Podía sentir la expectativa en el aire. El ambiente estaba animado y había una buena energía general, tod@s parecían estar list@s para pasar una mañana diferente y divertida. Mientras esperaba encontré a José (mi novio) y dijimos “hasta ahora” (recuerdo que hombres y mujeres debían estar separados).

Después de más de una hora de la apertura de puertas vinieron a darnos las últimas instrucciones. Esta vez era para explicar cómo se procesaría el momento de las fotos, qué posturas tendríamos que adoptar y a qué hora tendríamos que salir del centro. Faltaban cerca de 15 minutos para el momento en que tendríamos que desnudarnos, dejando toda nuestra ropa y objetos personales en el suelo de aquel claustro y salir para la calle completamente desnud@s y descalz@s. Las temperaturas se mantenían bajas y el sol todavía estaba empezando a nacer. Algunas personas empezaron a saltar y a hacer movimientos para calentar el cuerpo, otras comenzaron a desnudarse, quizás para acostumbrarse. Me entretuve conversando con otras mujeres.

Cuando llegó la hora H,  miembros de la organización avisaron que había llegado el momento de quitarse la ropa y dirigirse hacia la salida. A pesar de que ya estaba mucha gente desnuda, y de que casi todas se desnudaron en menos de 30 segundos, parecía que esperábamos que alguien tomara la iniciativa de avanzar hacia la salida. Yo y la mujer con la que hablaba en aquel momento miramos la una a la otra y sin palabras (pero como quien dice “por qué no nosotras?”) Nos dirigimos hacia la puerta donde ya esperaban miembros de la organización para guiarnos hasta la ubicación de la primera sesión de fotos. A medio camino se juntó a nosotras otra mujer y las tres seguimos camino mientras hablábamos.

De repente las tres miramos hacia atrás y percibimos que estábamos en medio de la calle y encabezamos un grupo de cientos de mujeres desnudas. No sé lo que han sentido ellas, pero yo tuve una enorme sensación de libertad; una revelación de belleza e incluso de perfección, alcanzada a través de la diversidad; un sentimiento de conexión con todas aquellas mujeres, tal vez hasta con todas LAS Mujeres, sentí la fuerza de la sororidad, que juntas podemos llegar a cualquier lado y realmente cambiar el mundo.

Llegamos a la primera ubicación, justo frente al monumento más icónico de la ciudad – las Torres de Serranos, y poco después (lo que parecía haber sido una eternidad a causa del frío) llegaron los participantes del género masculino. Por extraño que parezca, la llegada de cientos de hombres desnudos (había cerca de un tercio más de hombres que de mujeres) no transformó el momento en algo más sexual, ni siquiera la desnudez (propia y de los demás) más embarazosa. Es claro que sólo puedo hablar desde mi perspectiva, pero en el momento he observado a los participantes y no me pareció que las señales de incomodidad hubieran aumentado (al menos por parte de las mujeres).

En realidad con la adición de los hombres las sensaciones anteriores sólo aumentaron. Sentí que realmente somos todos igual a pesar de las pequeñas diferencias – la objetiva diferencia física entre un hombre y una mujer puede llegar a ser menor que entre dos personas del mismo sexo. Y sentí que de alguna forma todos estamos conectados y que juntos podemos lograr grandes cambios.

Como seres humanos cuyas culturas exigen que tengamos partes del cuerpo cubiertas la mayor parte del tiempo, tendemos a olvidarnos de lo normal y amplia es la variedad de formas y hechuras de esas partes. Las formas seleccionadas y editadas a las que tenemos acceso, en los medios de comunicación masiva, nos hacen olvidar esa variedad. Lo que a veces nos hace ver nuestros propios cuerpos como feos, imperfectos, extraños, etc., sólo porque no son parecidos a los que estamos acostumbrad@s a ver. Tal vez si nuestras sociedades aceptaran y alentar más la desnudez, tendríamos más facilidad en aceptar nuestras características físicas y también las de las otras personas, sin tantos juicios de valor.

Por otro lado sentí que la desnudez también nos acerca a nuestra esencia. Olvidamos constantemente que somos sólo animales, una especie de primates, que han tenido una evolución, digamos, diferente. Todos los días vemos animales desnudos (lo que nos parece caricato es que los demás animales estén vestidos) y no nos parece raro, ni tenemos tendencia a mirar a las “partes” equivalentes a las que como humanos llevamos constantemente tapadas. Esto también ocurre después de estarmos rodeados por humanos desnudos durante algún tiempo, lo que era extraño pasa a ser normal, los ojos dejan de buscar constantemente aquellas “partes” y cuando las ven pasan por ellas con la misma naturalidad con que pasan por las otras.

Una cosa que me gustó mucho fue el hecho de que el cuerpo masculino y el cuerpo femenino fueran tratados con el mismo respeto. Lamentablemente todavía (espero que un día deje de ser así) vivimos en una sociedad que exige un mayor número de “partes que esconder” al cuerpo femenino que al masculino. No olvidando que hay culturas que ocultan aún más partes del cuerpo de la mujer. Afortunadamente Tunick no censura partes de los cuerpos según sexos (como muchos fotógrafos y artistas) y tampoco censura según cánones de belleza. Fue inspirador ver entre los participantes por ejemplo mujeres que habían pasado por mastectomías y personas con todo tipo de diferencias fisionómicas.

El resto del evento en términos prácticos puede resumirse en: pasar dos horas al frío, seguir indicaciones para ocupar los espacios y cambiar de postura, esperar en poses estáticas y desplazarse a las siguientes ubicaciones. Al final volvimos al centro para vestirnos y recuperar nuestras cosas.

Para mí fue sin duda una experiencia con saldo positivo. Hasta la cuestión del frío acabó por traer algo bueno. Además de haber ganado cierta resistencia al frío, que duró todavía unos días, más tarde empecé a estudiar sobre la importancia de los sistemas que poseemos para regular nuestra temperatura. Ser friolera puede ser bastante limitador a veces. Ahora sé que ser menos friolera depende mucho de mí, no es algo inmutable. Para ello estoy intentando adaptarme al frío sin recurrir tanto a prendas de ropa ni a calentadores. Y la verdad es que está resultando.

Y tú, habrías participado en un evento de este género? ¿Por qué o por qué no? ¿La desnudez te trae incomodidad? ¿Cómo leídas con la desnudez ajena? Como siempre me gustaba saber lo que piensas de todo esto.

Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose?

Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose? (EN)

Moda por un lado y ideales por el otro, tendré que elegir? (ES)

Moda por um lado, ideais por outro, terei que escolher? (PT)

É possível estar comprometid@ com valores sociais & meio ambientais e ao mesmo tempo ser apaixonad@ por moda?

Desde a perspectiva ambiental, o ciclo de consumo de recursos naturais, a contaminação e a produção de resíduos gerados pela indústria da moda são um problema grave com sérios efeitos no planeta. Pelo lado da dimensão humana e social, a roupa é muitas vezes manufaturada em países em vias de desenvolvimento que carecem de leis de trabalho para garantir que os trabalhadores recebam salários dignos e trabalhem sob boas condições de segurança, higiene e saúde.

Mas isto não é razão para desanimar-se! O problema não se vai solucionar sozinho e o melhor é que todos podemos contribuir para revertê-lo. Tendemos a pensar que as nossas decisões não são tão importantes porque no final de contas os culpados destas calamidades são as grandes empresas e os monstros industriais, isso está certo.. e também errado.  Os gigantes da indústria tem uma grande responsabilidade, é verdade, mas o nosso papel também é muito importante.

Cada vez que consumimos votamos a favor de algo e dizemos ao mercado que continue, que “isso” é o que queremos. Igualmente, de cada vez que não compramos algo mostramos que “isso” não nos serve, que não é o que queremos. Estas parecem ser razões suficientes para consumir de acordo com os valores que defendemos, certo? Vamos consumir (ou não consumir) conscientemente, deixando claro aquilo com que concordamos e aquilo com que não estamos de acordo.

Se gostas tanto de moda como eu, deves saber que tens muitas opções, não só para usar moda de acordo com os teus valores éticos mas também para ajudar o movimento “slow fashion” a crescer em detrimento da chamada “fast fashion”.

a. Usa o usado: Não há dúvida de que uma das opções mais sustentáveis é usar o que já temos ou que já “foi consumido”. Ao comprar “vintage” ou de segunda mão, ao intercambiar roupa com outras pessoas e ao arranjar ou redesenhar coisas que já tens mas que por alguma razão já não usas, estás a “dizer” ao mercado que não é necessário produzir tanto nem tão depressa. Além disso, desta forma podes conseguir peças originais e diferentes do típico top da H&M que adoraste mas que agora vês multiplicado por todo o lado sempre que sais à rua. E sabes que mais? Esta opção tem o “bonus” de ser também amigável para a tua conta bancária!

b. Desacelera: Uma das razões pelas quais a nossa relação com a moda é insustentável é porque compramos demasiado. A moda rápida alimenta o consumismo desenfreado com preços tão baixos que não temos que perguntar-nos se precisamos ou realmente gostamos daquilo que vamos comprar. Os preços baixos da “fast-fashion” parecem, à primeira vista, ser uma vantagem mas realmente são prejudiciais para o ambiente e para as comunidades que fabricam essas roupas. Da próxima vez que sentires o impulso de comprar por comprar, pensa em algo que realmente te faça falta, ou algo que realmente desejas. Calcula quantas coisas baratas, que comprarias num determinado espaço de tempo, terás que deixar de comprar para para poder comprar essa coisa. Faz uma espécie de “jejum de compras” até que tenhas juntado o valor que necessitas para comprá-la. Quando a comprares terás uma coisa à qual darás mais valor durante mais tempo, uma coisa especial com valor acrescentado porque sabes que fizeste um esforço de consumir menos para conseguir algo que realmente querias.

c. Compra aos pequenos: O artesanato está a perder-se e os pequenos negócios não podem competir em preço com as produções em massa. Comprar algo feito à mão, ou de pequenas produções, muitas vezes significa um produto melhor, mais duradouro e mais exclusivo. Comprar local também é uma parte importante desta opção e está geralmente a par com ela. Ao comprar local não só ajudas os negócios mais pequenos a sobreviver e proliferar mas também reduzes o impacto do teu consumo já que esse objecto não teve de ser transportado desde um produtor distante.  

d. Investiga e instiga as marcas: Cada vez há mais marcas com valores éticos e ambientais, e muitas marcas que antes não o faziam começam a oferecer também produtos que têm em conta esses valores. Na era da informação, não é tão difícil estar informad@ sobre que marcas oferecem opções sustentáveis, basta pesquisar no Google. Outra coisa que recomendo é que escrevas às tuas marcas favoritas. Se estas ainda não se abriram às possibilidades da sustentabilidade, diz-lhes que gostarias de continuar a comprar os seus productos mas que para isso têm que oferecer opções cujos materiais tenham um menor impacto e com processos de produção mais transparentes. Pensa que se todos os consumidores interessados comunicarem este tipo de exigências às marcas elas terão que ouvir.

Estas são apenas algumas sugestões daquilo que podes fazer, mas há muitas mais possibilidades. Às vezes o debate sobre a sustentabilidade pode parecer uma discussão exclusiva para especialistas, mas a realidade é que não se trata de um conceito estéril nem fechado. Para que tenha sentido para ti, a sustentabilidade deve poder aplicar-se ao contexto da tua própria vida. Reflete e pensa o que é que tu podes fazer, de certeza que te surgem algumas ideias além daquelas que acabo de partilhar contigo.

A moda sustentável não é uma ideia utópica, é um ideal que pretende ajudar o planeta e os seus habitantes – uma necessidade sobre a qual todos estamos de acordo. As coisas simples que fazemos todos os dias – como vestir-se – podem ajudar a marcar a diferença.


Fashion on one hand, ideals on the other, will I have to choose? (EN)

Is it possible to be committed to social & environmental values and at the same time be passionate about fashion?

From the environmental perspective, the cycle of consumption of natural resources, contamination and waste production generated by the fashion industry is a serious problem with severe effects on the planet. From the human and social perspective, clothing is often manufactured in developing countries that lack labor laws to ensure that workers receive decent wages and work under good  safety, hygiene and health conditions.

But this is no reason to be discouraged! The problem is not going to solve itself and the best is that we can all contribute to reverse it. We tend to think that our decisions are not so important because in the end the culprits of these calamities are the big companies and the industrial monsters, that’s right… and also wrong. The industry giants have a great responsibility, it’s true, but our role is also very important.

Each time we consume we vote for something we are telling the market to continue producing, that “this” is what we want. Likewise, every time we do not buy something we show that “that” does not serve us, it is not what we want. These seem to be enough reasons to consume according to the values we stand for, right? Let’s consume (or not consume) consciously, making a point of what we agree with and what we don’t.

If you like fashion as much as I do, you should know that you have many options, not only to use fashion in accordance with your ethical values but also to help the “slow fashion” movement grow to the detriment of the so-called “fast fashion”.

a. Use the used: There is no doubt that one of the most sustainable options is to use what we already have or what has already been “consumed”. When buying “vintage” or second-hand clothes, when you exchange or swap clothes with other people and when you repair or redesign things you already have, but for some reason no longer use, you are “telling” the market that it is not necessary to produce so much nor so quickly. In addition, in this way you can get pieces that are original and different then the typical H&M top that you loved but now you see multiplied everywhere whenever you go out on the street. And you know what? This option has the “bonus” of being also friendly with your bank account!

b. Slow down: One of the reasons why our relationship with fashion is so unsustainable is because we buy too much. Fast fashion feeds rampant consumerism with prices so low that we do not have to ask ourselves if we really need or like what we are buying. The low prices of “fast-fashion” seem to be an advantage at first glance but are actually detrimental to the environment and to the communities that manufacture these clothes. The next time you feel that you are buying by impulse, think of something you really need or want. Calculate how many cheap things that you could buy, in a certain amount of time, you will have to refrain from buying in order to buy this thing. Make a “shopping fasting” until you have put together the value you need to purchase this new item. When you do buy it you will have something that you will value more and for longer, a special thing with added value because you know that you made an effort to consume less in order to get something that you really wanted.

c. Buy from the small guys: Crafts are disappearing and small businesses can’t compete price wise with mass productions. Buying something handmade, or from small productions, often means a better, longer lasting and more exclusive product. Buying local is also an important part of this option and usually goes with it. Buying local not only helps smaller businesses to survive and proliferate but also reduces the impact of your consumption since this item won’t have to be transported from a distant producer.

d. Investigate and instigate the brands: There are more and more brands that seem to have ethical and environmental values, and many other brands that have started offering products that take these values ​​into account. In this age, it is not so difficult to be informed about brands that offer sustainable options, just Google it. Another thing I recommend is that you write to your favourite brands. If they are not opened to the possibilities of sustainability, tell them that you would like to continue to buy their products but in order to do so they have to offer options whose materials have less impact and that have more transparent production processes. Just think that if all interested consumers communicate these types of demands to the brands they will have to listen.

These are just a few suggestions of what you can do, but there are many more possibilities. Sometimes the debate about sustainability may seem like an discussion exclusive to experts, but the reality is that it is not a sterile or closed concept. For sustainability to make sense to you, you must be able to apply it to the context of your own life. Reflect and think what else can you do, for sure you’ll get ideas other than the ones I just shared with you.

Sustainable fashion is not an utopian idea, it is an ideal that aims to help the planet and its inhabitants – a need on which we all agree. The simple things we do every day – like dressing – can help make a difference.


 Moda por un lado y ideales por el otro, tendré que elegir? (ES)

¿Será posible estar comprometido con valores sociales & medioambientales y a la vez amar a la moda?

Desde la perspectiva ambiental, el ciclo de consumición de recursos naturales, contaminación y creación de residuos generados por la industria de la moda es un problema grave con serios efectos en el planeta. Por el lado de la dimensión humana y social, las prendas son muchas veces manufacturadas en países en vías de desarrollo que carecen de suficientes leyes de trabajo para certificar que los trabajadores reciban salarios dignos y trabajen bajo buenas condiciones de seguridad, higiene y salud.

!Pero esto no es para desanimarse! El problema no se va a solucionar sólo y lo mejor es que todos podemos contribuir para revertirlo. Solemos pensar que nuestras decisiones no son tan importantes porque al final los grandes culpables de estas calamidades son las grandes empresas y los monstruos industriales, pero no es así… exactamente. Los gigantes de la industria tienen una gran responsabilidad, es cierto, pero nuestro papel también es muy importante.

Cada vez que consumimos estamos votando a favor de algo, diciendo al mercado que continúe, que eso es lo que queremos. De la misma manera cada vez que no compramos algo estamos demostrando que eso no nos vale, que no es lo que queremos. ¿Entonces por qué no hacerlo de acuerdo con los valores que defendemos? Vamos a consumir (o a no consumir) conscientemente, enviando el mensaje de lo que es aquello con lo que estamos de acuerdo y aquello con lo que no.

Si te gusta la moda tanto como a mi has de saber que tienes un montón de opciones no solo de usar moda de acuerdo a valores éticos sino de hacer que la moda “slow” crezca en detrimento de la “fast”. 

a. Usa lo usado: No hay duda que una de las opciones más sostenibles es usar lo que ya existe. Al comprar “vintage” o segunda mano, al intercambiar ropa con otras personas y al arreglar o rediseñar cosas que ya tenías pero que por alguna razón no servían estás “diciendo” al mercado que no es necesario producir tanto ni tan rápido. Además de esta forma puedes conseguir prendas originales al contrario de la típica camiseta de H&M que te encantó pero que ahora ves multiplicada por ahí siempre que sales a la calle. ¿Y sabes que? !Esta opción tiene el “bonus” de ser también respetuosa con tu cuenta bancaria!!

b. Desacelera: Una de las razones por la cual la nuestra relación con la moda es insostenible es por que compramos demasiado. La moda rápida alimenta el consumismo desenfrenado con precios tan bajos que no tenemos que preguntarnos si necesitamos o nos gusta realmente la cosa que vamos a comprar. Los precios bajos de la “fast fashion” parecen ser una ventaja a primera vista pero realmente son dañinos para el ambiente y para las comunidades que fabrican esas prendas. La próxima vez que te entre el ímpetu de comprar por comprar piensa en algo que realmente te haga falta, o que realmente desees. Calcula cuántas cosas baratas que comprarías en un determinado espacio de tiempo tendrás que dejar de comprar para conseguir esa cosa. Hazte una especie de “ayuno de compras” hasta que hayas juntado el valor que necesitas para comprarlo y cuando lo compres tendrás una cosa que valorarás durante bastante más tiempo, una cosa especial con valor añadido porque sabes que has consumido menos para conseguir obtener lo que realmente querías.

c. Compra a los pequeños: Las artesanías se están perdiendo y los pequeños negocios no pueden competir en precio con las producciones en masa. Comprar hecho a mano o de pequeñas producciones muchas veces significa un producto mejor, más duradero y más exclusivo. Comprar local también es una parte importante de esta opción y está generalmente a par con ella. Al comprar local no sólo estás ayudando al pequeño negocio a sobrevivir y proliferar sino que también estás reduciendo el impacto de tu consumo ya que esa compra no tuvo que ser transportada tan lejos del productor hasta ti.

d. Investiga y instiga las marcas: Cada vez hay más marcas con valores éticos y ambientales y muchas marcas que antes no lo hacían empiezan a ofrecer productos más respetuosos. En la era de la información informarse sobre qué marcas ofrecen opciones sostenibles no es tan difícil, basta con buscarlo en Google. Otra buena opción es escribir a tus marcas favoritas, si estas aún no se han abierto para las posibilidades de la sostenibilidad diles que te gustaría seguir comprando sus productos pero que para eso los materiales tienen que ser de menor impacto y las condiciones de fabricación más transparentes. Piensa que si todos los consumidores interesados comunican este tipo de demanda a las marcas ellas tendrán que escuchar.

Estas son apenas algunas sugerencias de lo que puedes hacer, pero hay muchas más posibilidades. A veces la conversación alrededor de la sostenibilidad puede parecer una discusión exclusiva para expertos pero la realidad es que no es un concepto cerrado ni estéril. Para que tenga algún sentido para ti, la sostenibilidad debe poder funcionar en el contexto de tu propia vida. Reflexiona y piensa que es lo que tu puedes hacer, seguro que te surgirán ideas además de las que comparto contigo.

La moda sostenible no es una idea utópica, es un ideal que pretende ayudar al planeta y sus habitantes – una necesidad sobre la cual todos estamos de acuerdo. Las cosas sencillas que hacemos todos los días – cómo vestirse – pueden ayudar a marcar la diferencia!

What happened when I stopped wearing a bra

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

O que aconteceu quando deixei de usar sutiã (PT)

Quando era miúda, ainda nem me tinham começado a crescer as maminhas e já dizia à minha mãe que queria usar sutiã. Lembro-me perfeitamente do primeiro conjuntinho de roupa interior, com cuequinha e top, que a minha mãe me comprou. Nesse dia fiz questão de posar para uma sessão de fotos caseira, vestida com esse conjunto e usando as minhas sandálias de salto alto (que tinham apenas três centímetros). Essas fotos vivem nalgum dos álbuns de família.

Comecei então a usar sutiã (ou algo parecido) quando ainda nem tinha mamas para ‘suster’. A pouco e pouco o seu uso começou a ser cada vez mais frequente – à medida que as minhas mamas também cresciam – até que passou a ser constante. Sair à rua sem sutiã passou a ser tão impensável como sair de casa sem cuecas. Sem sutiã sentia-me nua e desprotegida. Além disso durante muito tempo usei sutiãs que davam aos meus seios o aspecto que eu achava que eles deviam ter. O tamanho (maiores), forma (mais redondos) e localização (mais para cima) que eu achava que me fazia parecer mais desejável. Os sutiãs que usava davam volume através de esponjas e enchimentos, que apertavam os peitos em direcção ao centro e os puxavam para cima através de caixas com aros e muitos apertos.

Por outro lado, com o passar do tempo, o uso do sutiã começou a trazer cada vez mais desconforto. Ao ponto de ser a primeira coisa que tirava quando chegava a casa (muitas vezes até antes de descalçar os sapatos). A pouco e pouco deixei de usar sutiãs com “enchimento” e depois deixei de usar sutiãs com caixa. Durante uns anos usei sutiãs que se pareciam um pouco aos primeiros tops que a minha mãe me comprou quando era miúda, só que com tecidos e formas mais sexys e muito menos infantis. Ainda assim esses tecidos não eram a coisa mais confortável para mim, e os elásticos ainda apertavam.

Há um par de anos comecei a deixar de vestir o sutiã para ir à rua quando saía para fazer algo rápido, como deitar o lixo no contentor ou ir comprar algo à mercearia ao final da minha rua. Ao princípio sentia a tal sensação de nudez, de que estava a fazer algo errado ou até um pouco vergonhoso. Depois percebi que aquela sensação não era mais que isso, uma simples sensação, sem razão real. Essa sensação foi-se desvanecendo, e comecei a transgredir a norma cada vez mais vezes. Transgredir era exactamente o que comecei a sentir que fazia, cada vez que saía de casa sem o sutiã. Também essa sensação se foi desvanecendo, até que um dia percebi que não fazia sentido vestir algo que fisicamente me causava tanto desconforto.

Decidi deixar de usar sutiã no final do Inverno há dois anos atrás. Depois de um par de meses, livre de apertos, mas com várias camadas de roupa que ajudavam a que não se notasse tanto a falta dessa peça de roupa, veio o tempo dos tops, vestidos e t-shirts. Veio o tempo de assumir realmente a minha decisão. Agora era bastante evidente que não usava sutiã. O relevo dos meus mamilos era perceptível às vezes, a localização real dos meus seios também (uns bons três ou quatro centímetros mais abaixo da sua versão ‘sustentada’). O que a princípio causou algum constrangimento tornou-se verdadeiramente libertador. Além disso comecei a usar algumas peças de roupa que até então não usava porque não me agradava a forma como o sutiã ficava visível.

Antes de ter deixado de usar sutiã já era frequente fazer “top-less” na praia, depois deixou de me fazer qualquer sentido usar a parte superior do bikini. Só havia uma ocasião na qual ainda usava sutiã: para correr e fazer exercício. Ainda acreditava no mito que o peito podia sofrer algum tipo de lesão causada pelo seu livre movimento durante saltos e movimentos mais bruscos. Cerca de um ano depois de ter deixado de usar sutiã no dia-a-dia decidi sair para correr sem o sutiã desportivo porque não tinha nenhum lavado. Tal foi a minha surpresa quando, ao correr, o movimento não me causou nenhum tipo de dor nem desconforto. Quando há uns anos atrás até com o sutiã me doía o peito ao correr ou saltar!

Desde então sou 100% “bra free”. Desde então as minhas mamas estão mais firmes (apesar de já ter passado dos 30) e nunca mais ficaram doloridas depois de uma corrida. “Bra free” é como o movimento “barefoot” mas para as mamas, é mais um tipo de minimalismo, trata-se se eliminar algo que, no meu caso pelo menos, não trazia nenhum benefício mais além da prescrição social.

Alguns estudos apontam para a relação entre o uso de sutiãs e o cancro de mama, e já são muitas as plataformas que preconizam que deixar o sutiã não só traz conforto mas também pode ajudar a acabar com alguns tipos de dores de cabeça e de costas, melhorar a respiração e aumentar a auto-estima, entre outros benefícios. Eu tenho o peito pequeno, bem sei, mas não pensem que só as pessoas com o peito pequeno podem ser “bra free”. Na verdade há pela internet fora vários relatos, de mulheres com mamas de todos os tamanhos, que contam como o abandono dos sutiãs melhorou a sua qualidade de vida.

Afinal para que servem os sutiãs? Sutiã, vem do francês “soutien” que significa apoio ou suporte. Em português, apesar de não muito usado, outro nome para esta peça de roupa interior é “porta-seios” e a sua definição no dicionário é: Peça de vestuário feminino destinado a acomodar, acondicionar ou apoiar os seios”. Mas na realidade parece haver alguns indícios de que os seios afinal não beneficiam do suporte artificial.

Usamos sutiã porque aprendemos que é uma peça de roupa indispensável e normalmente não questionamos a sua real necessidade. Usamo-lo porque, na nossa sociedade, há uma dessas regras não escritas que diz que os mamilos femininos são ofensivos ou libidinosos e por isso merecedores de censura, ao passo que os mamilos masculinos não. A sociedade também dita que as mamas se querem bem puxadas para cima (para agradar à vista) mas sem que se movam demasiado (para não chamar demasiado a atenção para si mesmas?!).

Há mulheres que gostam de usar sutiã ou não se sentem cómodas sem ele. O propósito do movimento “Bra free” (e deste artigo) não é fazer com que todas as mulheres deixem de usar sutiã, nem muito menos criticar as que não abdicam desta peça de roupa, mas sim defender a liberdade de escolha para usar ou não sutiã, sem ter a preocupação da aceitação social, nem a pressão de mitos sem fundamento.

Estudos sobre o uso de sutiã e a sua relação com o cancro

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Alguns relatos de mulheres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

Indícios de que os seios não precisam de suporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

My chest was still completely flat when I started asking my mother if I could get a bra.  I remember perfectly the first set of underwear with panties and top that she bought me. On that same day I posed for a homemade photo shoot, wearing that set and my high-heeled sandals (which were actually only three centimetres high). These photos live somewhere in one of the many family photo albums.

So I started wearing a bra (or something alike) when I did not even had breasts to be ‘hold’. Little by little the use of this piece of clothing became more frequent – as my breasts also grew – until it became constant. Getting out to the street without a bra became as unthinkable as going outside without panties. Without bra I felt naked and unprotected. Also for a long time I wore bras that gave my breasts the looks I thought they should have. The size (larger), shape (more rounded) and location (higher up) that I thought made me look more desirable. The bras I wore created volume through sponges and fillers, tightened my breasts toward the center and pulled them up through wires and grips.

On the other hand, as time passed by, the use of the bra began to bring more and more discomfort. To the point of being the first thing I took off when I got home (often even before taking my shoes off). I then avoided wearing “filled” bras and afterwards stopped using underwired bras. For some years I wore bras that looked more like the first tops my mother bought me when I was a small girl, but with sexier fabrics and shapes. Yet these fabrics were not the most comfortable thing for me as the elastic bands were tightened .

A couple years ago I slowly stopped wearing bra when going out to do something fast, such as taking out  the trash or running some errands at the end of my street. At first I felt a sense of nakedness and that I was doing something wrong or even a little bit shameful. Then I realised that the sensation was just that, a simple sensation, with no real reason. That feeling faded, and I began transgressing more and more often. Transgressing was exactly what I felt I was doing every time I left home without my bra. That feeling also faded away, until one day I realised that it no longer made sense to wear something which physically caused me so much discomfort.

I decided to stop wearing bra two years ago, by the end of the winter. After a couple of months of freedom, but with several layers of clothing that helped concealing the lack of that piece of clothing, there came the tops, dresses and t-shirts season. The time to really put up with my decision had come. Now it was pretty obvious that I was not wearing a bra. The shape of my nipples was noticeable at times, the actual location of my breasts too (a good eight or nine inches lower than their ‘sustained’ version). What initially caused some embarrassment became truly liberating. Plus I started wearing some clothes that I had not used before because I did not like the way the bra was visible when I wore them.

Even before I stopped wearing bras I would go top-less on the beach, but now it was just nonsense to wear a full bikini. There was only one occasion when I still wore a bra: for running and exercising. I still believed in the myth that the breasts could suffer some kind of injury caused by its free movement during jumps and more abrupt movements. One day, about a year after I had stopped wearing a bra on a daily basis, I decided to go jogging without a sports bra. And I was really surprised that when running, the movement did not cause me any kind of pain or discomfort. Only the year before I would get my breasts sore when running or jumping!

Since then I am 100% “bra free”. Since then, my breasts are firmer (though I’m past 30) and never got sore again after a jog. “Bra free” is like the “barefoot movement” but for the breasts, it is one more type of minimalism, it is about eliminating something that, in my case at least, did not bring any benefit beyond the social prescription.

Some studies point to the correlation between the use of bras and breast cancer, and there are already many platforms that advocate that ditching the bra brings not only comfort but can also help to fix some types of headaches and backaches, improve breathing and increases self-esteem, among other benefits. I know I have a small pair of daisies, but do not think that only people with small boobs can be “bra free”. In fact there are a few online personal testimonies of women, with all breasts sizes, who explain how ditching the bra improved their lives.

So, what are bras for? “Bra” is short for “brassiere” that comes from the French word “brassière” – shoulder strap (17c.) – and/or from the Old French braciere – arm guard (14c.). Its definition in the dictionary is: “a piece of women’s underwear that supports the breasts.” Well, in reality there seems to be some evidence that the breasts ultimately do not benefit from artificial support.

We wear bras because we learn that it is an indispensable garment and we do not normally question its real need. We use it because in our society there is one of these unwritten rules that says that female nipples are offensive or libidinous, and therefore worthy of censorship, while male nipples are not. Society also states that breasts should be pulled up (to please the eye) but should not move too much (as so not to draw too much attention to themselves?!).

There are women who like to wear a bra or do not feel comfortable without it. The purpose of the “Bra free” movement (and this article) is not to make all women stop wearing bras, let alone criticise those who do not give up this garment. But to defend the freedom of choice of either wearing or not wearing bra, without the concern of social acceptance nor the pressure of unsubstantiated health myths.

Studies on the use of bra and its relation with cancer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

 “Bra Free” platforms

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Bra Free women testimonies

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Evidence that breasts do not need support

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

Aún no me habían empezado a crecer las tetitas cuando empecé a decir a mi madre que quería usar sujetador. Recuerdo el primer conjunto de ropa interior con braguitas y top que mi madre me compró. En ese día quise hacer una sesión de fotos casera, vestida con ese conjunto y usando mis sandalias de tacón alto (que tenían sólo tres centímetros). Esas fotos viven en alguno de los muchos álbumes de familia.

Empecé entonces a usar sujetador (o algo parecido) cuando aún no tenía tetas para ‘sostener’. A poco y poco su uso empezó a ser cada vez más frecuente – a medida que mis pechos también crecían – hasta que pasó a ser constante. Salir a la calle sin sujetador pasó a ser tan impensable como salir de casa sin bragas. Sin sujetador me sentía desnuda y desprotegida. Además, durante mucho tiempo usé sujetadores que daban a mis senos el aspecto que creía que debían tener. El tamaño (más grande), la forma (más redondos) y la ubicación (más arriba) que creía que me hacía parecer más deseable. Los sujetadores que usaba daban volumen a través de esponjas y rellenos, apretaban los pechos hacia el centro y los empujaban hacia arriba a través de cajas con aros y muchos aprietos.

Por otro lado, con el paso del tiempo el uso del sujetador comenzó a traer cada vez más incomodidad. Al punto de ser la primera cosa que me quitaba al llegar a casa (muchas veces hasta antes de quitarme los zapatos). A poco y poco dejé de usar sujetadores con “relleno” y luego dejé de usar sujetadores con caja. Durante unos años usé sujetadores que se parecían a los primeros tops que mi madre me compró cuando era niña, pero con tejidos y formas más sexys y mucho menos infantiles. Sin embargo, esos tejidos no eran la cosa más cómoda para mí, y las gomas todavía aprietaban.

Hace un par de años empecé a dejar de poner el sujetador cuando salía para hacer algo rápido, como tirar la basura o ir a comprar algo a la frutería al final de mi calle. Al principio sentía esa sensación de desnudez, de que estaba haciendo algo malo o vergonzoso. Después percibí que aquella sensación no era más que eso, una simple sensación, sin razón real. Esta sensación se desvaneció, y empecé a transgredir la norma cada vez más veces. Transgredir fue lo que pasé a sentir que hacía, cada vez que salía sin el sujetador. También esa sensación se fue desvaneciendo, hasta que un día percibí que no tenía sentido vestir algo que físicamente me causaba tanto incomodidad.

Decidí dejar de usar sujetador al final del Invierno, hace dos años. Después de un par de meses, libre de apretones, pero con varias capas de ropa que ayudaban a que no se notara tanto la falta de esa prenda, vino el tiempo de los tops, de los vestidos y las camisetas. Vino el tiempo de asumir realmente mi decisión. Ahora era bastante evidente que no usaba sujetador. El relieve de mis pezones era perceptible a veces, la ubicación real de mis senos también (unos buenos tres o cuatro centímetros más abajo de su versión “sujetada”). Lo que al principio causó cierta vergüenza se volvió verdaderamente liberador. Además, empecé a usar algunas prendas que hasta entonces no usaba porque no me gustaba la forma cómo el sujetador quedaba visible.

Antes de dejar de usar sujetador ya era frecuente hacer “top-less” en la playa, pero después dejó de hacer cualquier sentido usar la parte superior del bikini. Sólo había una ocasión en la que todavía usaba sujetador: para correr y hacer ejercicio. Todavía creía en el mito que el pecho podía sufrir algún tipo de lesión causada por su libre movimiento durante saltos y movimientos más bruscos. Um dia, al cabo de un año después de haber dejado de usar sujetador en el día a día, decidí salir para correr sin el sujetador deportivo. Tal fue mi sorpresa cuando al correr el movimiento no me causó ningún tipo de dolor ni molestia. ¡Cuando un año antes hasta con el sujetador me dolía el pecho al correr o saltar!

Desde entonces soy 100% “bra free”. Desde entonces mis tetas están más firmes (a pesar de ya haber pasado de los 30) y nunca más quedaron doloridas después de una carrera. “Bra free” es como el movimiento “barefoot” pero para las tetas, es más un tipo de minimalismo, se trata de eliminar algo que, en mi caso por lo menos, no traía ningún beneficio más allá de la prescripción social.

Algunos estudios apuntan a la relación entre el uso de sujetadores y el cáncer de mama, y ​​ya son muchas las plataformas que preconizan que dejar el sujetador trae no sólo comodidad pero también puede ayudar a acabar con algunos tipos de dolores de cabeza y de espalda, mejorar la respiración y aumentar la autoestima, entre otros beneficios. Yo tengo el pecho pequeño, bien sé, pero no piensen que sólo las personas con el pecho pequeño pueden ser “bra free”. En realidad hay por internet fuera varios relatos, de mujeres con tetas de todos los tamaños, que cuentan cómo el abandono de los sujetadores mejoró su calidad de vida.

Al final, para qué sirven los sujetadores? “Sujetador” es algo que sujeta. Otro nombre para esta prenda de ropa interior es “sostén” o sea “cosa que sostiene”… Pero en realidad parecen haber algunos indicios de que los senos al final no se benefician del soporte artificial.

Usamos sujetador porque aprendemos que es una pieza de ropa indispensable y normalmente no cuestionamos su real necesidad. Lo usamos porque en nuestra sociedad hay una de esas reglas no escritas que dice que los pezones femeninos son ofensivos o libidinosos, y por eso merecedores de censura, mientras que los pezones masculinos no. La sociedad también dice que las tetas se quieren bien tiradas hacia arriba (para agradar a la vista) pero también de manera que no se muevan demasiado (para no llamar demasiado la atención hacia sí mismas ?!).

A algunas mujeres les gusta usar sujetador o no se sienten cómodas sin él. El propósito del movimiento “Bra free” (y de este artículo) no es hacer que todas las mujeres dejen de usar sujetador, ni mucho menos criticar a las que no abdican de esta prenda. Sino defender la libertad de elección para usar o no el sujetador, sin tener la preocupación de la aceptación social ni la presión de mitos sin fundamento.

Estudios sobre el uso de sujetador y su relación con el cáncer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

 Algunos relatos de mujeres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Indicios de que los senos no necesitan soporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/

Physical re-education

Physical re-education (EN)

Reeducación física (ES)

Reeducaçao física (PT)

Sabias que, ao contrário de muito do que se diz por aí, podes reeducar o teu corpo, mudá-lo e pô-lo a funcionar como deve de ser?

A primeira vez que me deparei com uma oportunidade de reeducar o meu corpo foi quando ainda era miúda. Eu metia os pés um pouco para dentro ao caminhar, um deles um pouco mais que o outro. Mais pequena ainda, tinha usado sapatos ortopédicos sem grande resultado. Algum adulto disse-me que devia tentar caminhar com os pés direitos ou andaría com os pés metidos para dentro para sempre. Lembro-me perfeitamente de ir no caminho para a escola concentrada na minha forma de caminhar. No meu inconsciente a posição dos meus pés por defeito era para dentro, e isso era o que os meus sentidos percebiam como “normal”, ao centrá-los tinha a impressão de que estava a caminhar com eles completamente virados para fora (tipo como as bailarinas). Eventualmente a nova forma de caminhar tornou-se o novo “normal”, e hoje em dia ninguém diria que andava com os pés para dentro quando era criança.

Bastantes anos mais tarde, já depois de adulta, comecei a fazer Yoga e percebi que não sabia respirar. Respirava quase sempre pela boca e só usava a parte superior dos meus pulmões. Nessa altura o Yoga ajudou-me a tomar consciência da minha respiração e aprendi a respirar utilizando todo o pulmão, pelo nariz e de forma mais tranquila. Levei o que aprendia para a minha vida diária, sempre que podia tentava estar consciente da minha respiração, e respirar de maneira mais eficaz.

Com o tempo o corpo habituou-se e rara é a vez que respiro pela boca durante o tempo em que estou acordada. Já não preciso estar sempre a pensar em como respirar corretamente, mas o hábito de analisar de vez enquanto a minha respiração ficou. Essa análise esporádica, mas mais ou menos constante, ajuda-me a analisar também o meu estado de espírito.

Uma das reeducações físicas mais impactantes pelas que já passei foi a segunda vez que decidi mudar a forma como caminho. Essa tem sido uma longa “caminhada” cheia de aprendizagem sobre o funcionamento do meu próprio corpo. Tudo começou quando, à semelhança da Tico, comecei a pesquisar sobre o movimento barefoot e os benefícios de andar descalç@ (e os malefícios de usar os sapatos convencionais). Comprei os meus FiveFingers mais ou menos na mesma altura que ela mas usava-os pouco, intercalando com o uso de calçado convencional.

No verão passado decidi comprar umas sandálias minimalistas que seriam o meu calçado para todo o verão. Levei-as na viagem para visitar a Tico ao Canadá e depois de vários dias de passeio, em que percorremos entre 10 e 30 quilometros por dia, percebi que não havia nada melhor para grandes caminhadas. Sempre tive o pé chato e isso fazia com que, depois de caminhar muito tempo com sapatos muito rasos, me começassem a doer os pés na zona do arco (que não tinha) e por vezes também os tornozelos. Eu pensava que isso era normal, eu tinha o pé chato e isso era irreversível por isso tinha que usar sobretudo sapatos com algum desnível e com suporte para o arco do pé.

Quando estava a fazer a mochila para o Caminho de Santiago (Buen Camino) decidi que ia apenas levar dois pares de calçado, as minhas sandálias minimalistas e os meus FiveFingers. No primeiro dia do caminho, depois de cerca de três horas de caminhada, lá me começou a doer o arco do pé esquerdo. Quando olhei para o meu pé enquanto caminhava (com as sandálias minimalistas, sem desnível nem apoio para o arco, era fácil de ver) percebi que apoiava demasiado a parte interior deste (onde o arco é suposto estar) e pouco a parte exterior. Então decidi fazer uma experiência. Para poder fazê-lo teria que me concentrar nos meus movimentos e caminhar de forma consciente. Decidi tentar apoiar o pé com mais ênfase na parte exterior (que vai do dedo mindinho até ao meio do calcanhar). Ao final de alguns quilometros vi o resultado, a dor no pé diminuía.

Até ao final do caminho (115km) fiz esse esforço de caminhar de forma consciente apoiando melhor a parte exterior do pé. Nos primeiros dias sempre que me distraía lá me começava a doer o pé e isso era sinal de que não estava a caminhar correctamente. No ultimo dia já tinha incorporado no meu inconsciente esta nova forma de caminhar. Desde que voltei do Caminho de Santiago nunca mais voltei a usar calçado que não cumpra os requisitos barefoot, com a única excepção dos 5 dias de muita chuva distribuídos pelo inverno Valenciano (em Valência quase nunca chove) em que tive que usar umas botas realmente impermeáveis que não são barefoot.

Nunca mais me doeu o pé naquele sítio (nem noutro verdade seja dita) e agora os meus pés já não são chatos. MAGIA!!! A reeducação da minha forma de caminhar e a utilização de calçado human friendly fizeram com que os arcos, que nunca se tinham formado em 31 anos de existência, finalmente e a pouco e pouco começassem a surgir.  

Mas essa transformação não acabou aí. Talvez por se ter processado de maneira mais deliberada e consciente, levou a que continuasse a pesquisar e a perceber que realmente ainda haviam ajustes a fazer. Ainda estou em processo de melhorar a minha postura e de reabilitar a total mobilidade dos meus pés, ancas e tornozelos mas posso dizer que vejo a evolução de semana para semana.

Entretanto, numa visita a um consultório de uma dentista que tem uma abordagem mais holística com relação à medicina dentária, encontrei uma possível solução para outro problema físico que há algum tempo queria resolver mas sem saber como. Uns parágrafos acima falo da minha primeira reeducação respiratória. Neste momento estou no início da segunda! O facto é que quando estou desperta consigo respirar de uma forma correcta, mas quando estou a dormir respiro geralmente com a boca aberta. Isto faz com que, além de despertar várias vezes durante a noite com a boca seca, entre menos ar nos meus pulmões. O que resulta em pesadelos, sonos pouco profundos, alguns episódios de apneia, amígdalas inchadas e umas valentes olheiras que tenho desde sempre, entre outras coisas.

Sei que vai parecer estranho mas parte desta reeducação respiratória passa por dormir com um adesivo na boca. Se te estás a rir não és @ unic@! Eu cada vez que penso nisso escangalho-me a rir, e muitas vezes quando me preparo para dormir (e colo a minha boca com adesivo) não consigo evitar umas gargalhadas (mudas, porque já tenho a boca colada). Ainda é cedo para falar de resultados a longo prazo. Será que o meu inconsciente se habituará à boca fechada durante o sono como o “novo normal”? Será que algum dia vou conseguir dormir de boca fechada mas sem a sinistra “fita-cola”? O que posso dizer é que tenho realmente dormido melhor, já não desperto a meio da noite com a necessidade de beber água e tenho a impressão de ter mais energia durante o dia e maior capacidade de concentração.

Acho que é importante que estejamos mais conscientes do poder que temos para mudar a nossa condição física. Volto a dizer (como disse neste artigo) que tomar as rédeas da própria vida, e neste caso do próprio corpo, não é para todos na medida em que é uma questão de responsabilizar menos a nossa genética, o nosso contexto sócio-cultural e as outras pessoas, responsabilizando-nos mais a nós próprios. Coisa que nem todos estão dispostos a fazer, pois é mais fácil queixarmo-nos e culpar fatores externos.

Também achas que há muito que podemos fazer pelo aperfeiçoamento dos nossos corpos? Já fizeste algum tipo de reeducação física? Este artigo encorajou-te a tomar mais responsabilidade sobre o teu próprio corpo? Achas que o que digo não faz sentido nenhum? Como sempre, estou curiosa para saber a tua opinião!


 

Physical re-education (EN)

Did you know that, in contrary of what is said for the most part, you can re-educate your body, change it and make it work properly in an autonomous way?

The first time I came across an opportunity to re-educate my body was when I was a child. I used to have my feet pointing inward while walking, one of them a little more than the other. Before that I had already worn orthopaedic shoes without much success. Some adult told me that I should try to walk with my feet straight otherwise I would walk like that forever. I remember, as if it was today, going the to school while focusing on my way of walking. In my unconscious the position of my feet was by default inward, and this was what my senses perceived as “normal”, when I centred them I had the impression that I was walking with them completely turned outwards (like the ballet dancers do). Eventually the new form of walking became the new “normal”, and nowadays no one could tell that back then I used to walk with my feet pointing inwards.

Many years later, when I was already an adult, I began practicing Yoga and realised that I did not knew how to breathe. I would mostly breathe through my mouth and only using the upper part of my lungs. At that time Yoga helped me to become aware of my breathing and I learned how to breathe through the nose, using my whole lungs and in a more relaxed way. I brought what I learned to my daily life, whenever I could I would try to be aware of my breathing to do it more efficiently.

Over time my body became accustomed and since then I rarely breathe through my mouth when I’m awake. I no longer have to think about how to breathe correctly, however the habit of analysing my breath stayed. This sporadic but more or less constant analysis helps me to get in touch with my state of mind as well.

One of the most impactful physical re-educations I’ve ever experienced was the second time I’ve decided to change the way I walk. This has been a long journey where I’ve been learning about the functioning of my own body. It all started when, like Tico, I started to research about the barefoot movement and the benefits of walking barefoot (and damaging effects of wearing conventional shoes). I bought my FiveFingers more or less at the same time as she did, but I didn’t wear them as much and would rather intercalate with conventional footwear.

Last summer I decided to buy some minimalist sandals that would be my footwear for the whole summer. I took them on the trip to visit Tico in Canada and after several days of walking between 10 and 30 kilometres a day, I realised that there was nothing better for long walks. I used to have flat feet and after walking in flat shoes for a long time my feet would always hurt, especially around the area where the arch should be (I didn’t had any) and sometimes also the ankles would get sore. I thought this was normal, that my feet were flat and this was irreversible so I had to wear mostly shoes with some heel and with some kind of arch support.

When I was  packing my backpack for the Camino de Santiago (Buen Camino) I decided that I would only take two pairs of shoes, my minimalist sandals and my FiveFinger shoes. On the first day of the trip, after about three hours hiking, my left foot started hurting. When I looked at my feet as I walked (with minimalist sandals, with no drop or arch support, it was easy to see) I realised that I was planting my feet on the ground with hard pressure on the inside part of the foot (where the bow is supposed to be) and less pressure on the outer part. So I decided to do an experiment. In order to do so I would have to concentrate on my movements and walk consciously. I decided to try to land my feet with more emphasis on the outside (that goes from the little finger to the middle of the heel) they on the inside. At the end of a few kilometres I saw the result, the pain started decreasing.

Until the end of the path (115km) I made this effort to walk consciously supporting the outer part of the foot better. In the first days whenever I was distracted my feet started hurting and this was a sign that I was not walking properly. On the last day I had already incorporated into my unconscious this new way of walking. Since I returned from the Camino de Santiago I have never used shoes that do not meet the barefoot standards, with the exception of the 5 days of heavy rain distributed in the winter (it rarely rains in Valencia) that I had to wear waterproof boots that are not barefoot.

The pain on my feet never came back and now they aren’t flat anymore. MAGIC!!! The locomotion re-education and the use of “human friendly” footwear made my feet arches slowly and gradually take form after 31 years of existence with no arch whatsoever.

But this transformation did not end there. Perhaps because it had been processed more deliberately and consciously, it led me to continue researching and realising that there were still some adjustments to be made. I am still in the process of improving my posture and rehabilitating the total mobility of my feet, hips and ankles but I can say that I see the evolution every week.

Not long ago, when visiting a dentist with a more holistic approach to dental medicine, I found a possible solution to another physical problem that I had wanted to solve for some time although not knowing how. A few paragraphs above I talked about my first respiratory re-education. At this moment I am at the beginning of the second one! The fact is that when I’m awake I can breathe properly, but when I’m asleep I usually breathe with my mouth open. This not only causes less air to get into my lungs but in addition I wake up several times during the night with a dry mouth. This leads to nightmares, shallow sleeps, some episodes of apnea, swollen tonsils, and some serious dark circles, among other things.

I know it’s going to sound strange, but part of this respiratory re-education process is sleeping with some kind of duct tape covering my mouth. If you’re laughing, you’re not the only one! Every time I think about it I laugh as well, and many times when I get ready to go to sleep (and close my mouth with hypoallergenic tape) I cannot help laughing (but silently because by then my mouth is already duct taped). It’s too early to talk about long-term results. Will my unconscious get used to my shut mouth while sleeping as the “new normal”? Will I ever be able to sleep with my mouth closed without the sinister duct tape? What I can say is that I have actually slept better, I no longer wake up in the middle of the night with the need to drink water and I have the impression of having more energy and greater focus during the day.

I think it’s important that we become more aware of the power we have to change our physical condition. Once again, as I said in this article, taking the reins of one’s life, and in this case one’s own body, is not for everyone because it is a question of no longer blaming our genetics, socio-cultural context and other people, making ourselves more accountable. This is something that not everyone is willing to do, because it is easier to complain and blame external factors.

Do you also think that we can do much more to further perfecting our bodies? Have you done any kind of physical re-education? Did this article encourage you to take more responsibility over your own body? Do you think that what I said makes no sense at all? As always, I’m curious to hear your opinion!


 

Reeducación física (ES)

¿Sabías que, al contrario de mucho de lo que se dice por ahí, puedes reeducar tu cuerpo, cambiarlo y hacerlo funcionar correctamente?

La primera vez que me encontré con una oportunidad de reeducar mi cuerpo fue cuando aún era niña. Ponía los pies un poco hacia adentro al caminar, uno de ellos un poco más que el otro. Antes había usado zapatos ortopédicos sin mucho resultado. Un adulto me dijo que debía intentar caminar con los pies derechos o estaría destinada a caminar con los pies metidos hacia dentro para siempre. Recuerdo perfectamente ir de camino a la escuela concentrada en mi forma de caminar. En mi inconsciente la posición de mis pies era por defecto hacia adentro, y eso era lo que mis sentidos percibían como “normal”. Al centrarlos, tenía la impresión de que estaba caminando con ellos completamente orientados hacia fuera (como las bailarinas). Eventualmente, la nueva forma de caminar se convirtió en el nuevo “normal”, y hoy en día nadie diría que andaba con los pies hacia dentro cuando era pequeña.

Bastantes años más tarde, siendo adulta, empecé a hacer yoga y percibí que no sabía respirar. Respiraba casi siempre por la boca y sólo usaba la parte superior de mis pulmones. En ese momento, el Yoga me ayudó a tomar conciencia de mi respiración y aprendí a respirar utilizando todo el pulmón, de forma nasal y más tranquila. Trasladé lo que aprendí  a mi vida diaria, siempre que podía trataba de estar consciente de mi respiración para respirar de manera más eficaz.

Con el tiempo, el cuerpo se ha acostumbrado y rara vez respiro por la boca mientras estoy despierta. Ya no necesito estar pendiente de mi respiración para respirar correctamente, pero el hábito de analizar  mi respiración de vez en cuando se quedó. Este análisis esporádico, pero más o menos constante, me ayuda también a analizar mi estado de ánimo.

Una de las reeducaciones físicas más impactantes por las que ya pasé fue la segunda vez que decidí cambiar mi forma de caminar . Esta ha sido una larga “caminata” llena de aprendizaje sobre el funcionamiento de mi propio cuerpo. Todo empezó cuando, igual que  mi hermana Tico, empecé a investigar sobre el movimiento barefoot y los beneficios de andar descalzo (y los inconvenientes de usar los zapatos convencionales). Compré mis FiveFingers más o menos a la vez  que ella, pero los usaba poco, intercalando con el uso de calzado convencional.

El  verano pasado decidí comprar unas sandalias minimalistas que serían mi calzado para todo el verano. Las llevé en el viaje para visitar a Tico en Canadá y, después de varios días de paseo en los que recorrimos entre 10 y 30 kilómetros por día, percibí que no había nada mejor para grandes caminatas. Siempre tuve el pie plano y eso hacía que, después de caminar mucho tiempo con zapatos muy planos, me empezaran a doler los pies en la zona del arco (que no tenía) y a veces también los tobillos. Yo pensaba que eso era normal, yo tenía los pies planos y eso era irreversible, por lo que tenía que usar sobre todo zapatos con algún desnivel y con soporte para el arco del pie.

Cuando estaba haciendo la mochila para el Camino de Santiago (Buen Camino) decidí que iba a llevar dos pares de calzado: mis sandalias minimalistas y mis FiveFingers. En el primer día del camino, después de unas tres horas de caminata, me empezó a doler el arco del pie izquierdo. Cuando miré mi pie mientras caminaba (con las sandalias minimalistas, sin desnivel ni apoyo para el arco, era fácil de ver) percibí que apoyaba demasiado la parte interior de éste (donde se supone que está el arco) y poco la parte exterior. Entonces decidí hacer un experimento . Para poder hacerlo, tendría que concentrarme en mis movimientos y caminar de forma consciente. Decidí intentar apoyar el pie con más énfasis en la parte exterior (que va del dedo meñique hasta el medio del talón). Al final de algunos kilómetros vi el resultado: el dolor en el pie disminuía.

Hasta el final del camino (115km) hice este esfuerzo de caminar de forma consciente apoyando mejor la parte exterior del pie. En los primeros días, siempre que me distraía me empezaba a doler el pie y eso era señal de que no estaba caminando correctamente. En el último día ya había incorporado en mi inconsciente esta nueva forma de caminar. Desde que volví del Camino de Santiago no he vuelto a usar calzado que no cumpliera los requisitos barefoot, con la única excepción de los 5 días de diluvio distribuidos por el invierno valenciano (en Valencia casi nunca llueve) durante los que tuve que usar unas botas realmente impermeables que no son barefoot.

No me volvió a doler el pie en aquel sitio (ni en otro en realidad) y ahora mis pies ya no son planos. ¡¡¡MAGIA!!! La reeducación de mi forma de caminar y la utilización de calzado human friendly hicieron que los arcos, que nunca se habían formado en 31 años de existencia, finalmente y poco a poco comenzaran a surgir.

Pero esa transformación no terminó ahí. Quizás por haberse procesado de manera más deliberada y consciente, llevó a que continuara investigando y percibiendo que realmente todavía había ajustes que hacer. Todavía estoy en proceso de mejorar mi postura y de rehabilitar la total movilidad de mis pies, caderas y tobillos pero puedo decir que veo la evolución semana tras semana.

Hace poco, en una visita a una dentista que tiene un enfoque más holístico con relación a la medicina dental, encontré una posible solución a otro problema físico que hace algún tiempo quería resolver pero no sabía  cómo. Unos párrafos arriba hablo de mi primera reeducación respiratoria. ¡En este momento estoy iniciando la segunda! El hecho es que cuando estoy despierta puedo respirar correctamente, pero cuando estoy durmiendo respiro generalmente por la boca. Esto hace que, además de despertar varias veces durante la noche con la boca seca, entre menos aire en mis pulmones. Lo que resulta en pesadillas, sueños poco profundos, algunos episodios de apnea, amígdalas hinchadas y unas ojeras que tengo desde siempre, entre otras cosas.

Sé que va a parecer extraño, pero una parte de esta reeducación respiratoria es dormir con esparadrapo en la boca. Si te estás riendo no estás sol@! Cada vez que pienso en ello me meo de risa, y muchas veces cuando me preparo para dormir (y pego mi boca con el estropajo) no puedo evitar unas carcajadas (mudas, porque ya tengo la boca pegada). Todavía es temprano para hablar de resultados a largo plazo. ¿Registrará mi inconsciente a la boca cerrada durante el sueño como el “nuevo normal”? ¿Podré dormir   algún día con la boca cerrada, pero sin la siniestra “cinta adhesiva”? Lo que puedo decir es que realmente estoy durmiendo mejor, ya no despierto en la mitad de la noche con la necesidad de beber agua y creo que tengo más energía durante el día y mayor capacidad de concentración.

Creo que es importante que seamos más conscientes del poder que tenemos para cambiar nuestra condición física. Vuelvo a decir (como he dicho en este artículo) que tomar las riendas de la propia vida, y en este caso del propio cuerpo, no es para tod@s, porque es cuestión de culpar menos a nuestra genética, nuestro contexto sociocultural y las otras personas, responsabilizándonos más a nosotros mismos. Cosa que no todos están dispuestos a hacer, pues es más fácil quejarnos y culpar a factores externos.

¿También crees que hay mucho que podemos hacer para perfeccionar  nuestros cuerpos? ¿Has hecho algún tipo de reeducación física? ¿Te ha animado este artículo a tomar más responsabilidad sobre tu propio cuerpo? ¿Crees que lo que digo no tiene sentido alguno? ¡Como siempre, tengo curiosidad de saber tu opinión!

Heart and mind in dissonance

Heart and mind in dissonance (EN)

Corazón y mente en disonancia (ES)

Coração e mente em dissonância (PT)

Leon Festinger (1919- 1989), pai do conceito “dissonância cognitiva”, defendia que os seres humanos necessitam manter uma certa coerência psicológica de forma a poder funcionar mentalmente no mundo real. Uma pessoa que vivencia inconsistências internas tende a ficar psicologicamente desconfortável e é motivada (pelos próprios mecanismos de defesa) a reduzir a dissonância cognitiva. Para reduzir a dissonância causada pela incoerência entre opiniões, comportamentos, valores e/ou crenças há que mudar de alguma forma uma dessas variáveis. Uma das maneiras de fazê-lo é reajustando ou substituindo uma ou mais opiniões, comportamentos, valores e/ou crenças; outra maneira é procurando e adquirindo novas informações ou crenças que aumentem a consonância. Mas a maneira mais fácil (mas também menos eficaz, na minha opinião) é tentar esquecer ou reduzir a importância das cognições que provocam a dissonância. Quanto mais enraizada uma crença estiver, na cultura e nas práticas diárias de uma pessoa, mais forte será a necessidade de negar, substituir, esquecer ou reduzir a importância de crenças que se lhe oponham.

Quem me conhece sabe que nunca fui uma “amante dos animais”. Até aos 12 anos tive fobia de cães (cinofobia), e os gatos nunca me despertaram muito interesse. A maioria das aves e outros animais com asas, como os morcegos e as borboletas, causam-me uma sensação de desconforto físico que me provoca arrepios (não consigo explicar melhor). Sempre achei uma certa piada a esquilos nunca foi mais do que vê-los a passear-se pelos parques. Em resumo nunca fui uma daquelas pessoas que se derretem com todos os cães e gatos que veem na rua, e nunca tive vontade de ter um animal para que me fizesse companhia.

A minha mãe também não era uma “amante dos animais”, mas era bastante empática para com eles. Quando começava o calor não havia dia em que ela não pusesse um, ou vários, recipientes de água no quintal, para que os passarinhos pudessem beber e sobreviver ao verão alentejano. Lembro-me, como se fosse hoje, de um dia em que o meu pai apareceu lá em casa com um grilo, que ele próprio tinha apanhado, dentro de uma mini gaiola. A minha irmã e eu achamos piada no momento, mas quando o meu pai se foi embora e deixou o grilo connosco a minha mãe explicou-nos que era cruel manter o bichinho numa jaula e fomos logo com ela soltá-lo no jardim. Ela também não gostava das matanças do porco (“festa” tradicional em que família e amigos se juntam para matar um ou mais porcos e depois repartir tarefas de transformação do cadáver em vários tipos de “comida”) nem de touradas, nem de ver animais no circo.

A minha mãe sabia que os outros animais também sofrem, sentem dor, alegria e de alguma forma conhecem a diferença entre conforto e desconforto, liberdade e cativeiro. Empatia é isso, a capacidade de pôr-se na posição do outro. Mas a empatia para com os outros animais geralmente causa um certo grau (dependendo da capacidade empática) de dissonância cognitiva. Acho que a minha mãe lidava com a dissonância cognitiva, que se produz ao ser simultaneamente empático para com os outros animais e ao mesmo tempo gostar de comê-los (uma das refeições preferidas da minha mãe era “passarinhos fritos” – codornizes mais especificamente mas não tão diferentes dos pássaros que tentava ajudar todos os verões), da mesma maneira que a maioria das pessoas lida, e como eu própria lidei durante a maior parte da minha vida. Por um lado ela agarrava-se à crença de que é necessário, para ter uma boa saúde, comer produtos de origem animal, por outro ela pensava que o facto de comer animais ser “normal” (toda a gente o faz) e “natural” (porque os seres humanos “sempre o fizeram”) eram razões fortes o suficiente para fazê-lo. Mas mais ainda, ela recorria à tal maneira fácil de lidar com a dissonância cognitiva: simplesmente “esquecia-se” de que o que comia eram partes de animais que tinham vivido antes de chegar ao seu prato, e que para que isso acontecesse eles tivessem que viver em cativeiro e ser assassinados depois de ver os seus semelhantes passar pelo mesmo.

A minha mãe era o que eu gosto de chamar uma “vegana não praticante”. Acredito realmente que se ela estivesse viva hoje, depois de a Tico e eu nos termos tornado veganas, a minha mãe também se teria tornado verdadeiramente vegana. Na verdade já vi isso acontecer em muitas famílias de amigos veganos. E é natural, aprendermos sobre empatia, e sobre muitas outras coisas, através do exemplo de quem nos cria desde pequenos, e essas pessoas, quando veem as suas criaturas fazer uma mudança tão profunda nas suas crenças e comportamentos, sentem-se motivadas a repensar os seus próprios valores e hábitos. Famílias inteiras tornam-se veganas depois de um membro mudar a estratégia para lidar com a sua dissonância cognitiva, mas desta vez de maneira permanente, sem fazer o esforço de “esquecer” que ainda que eles não pudessem fazer mal a nenhum animal, pagam constantemente a outras pessoas para fazê-lo.

Conheço muitas pessoas que são, à primeira vista, muito mais empáticas que eu com relação aos outros animais. Uma delas não aguenta ver documentários sobre a vida selvagem porque fica com o coração nas mãos quando vê as presas serem abocanhadas pelos predadores. Outra adotou um cão que ama como se fosse um filho e desenvolveu um interesse especial pela espécie canina mas sei que se ela tivesse a oportunidade de conhecer outro animal (um porco por exemplo) profundamente na sua vida cotidiana, estaria tão comprometida em defender os direitos dessa espécie como os direitos da espécie do seu filho não humano . Outra ainda é talvez a pessoa mais empática que eu conheço com relação a pessoas, mas que, eu suspeito bastante também, com relação aos outros animais e acho que no seu caso a dissonância cognitiva já nem deixa que o seu corpo digira bem alimentos de origem animal, o que faz com que ela tenha muitos problemas digestivos.

Até o meu pai, que faz a matança do porco e os mata com as próprias mãos e que adora touradas, muitas vezes demonstra empatia por outros animais. Uma das maiores surpresas que tive na minha vida foi saber que o meu pai queria ter sido veterinário, a minha admiração por ele cresceu ainda mais nesse dia. No seu caso a dissonância cognitiva fez com que fortalecesse a crença de que há espécies que merecem carinho, proteção e respeito, outras que só servem para satisfazer os humanos e são coisas, como objectos sem sentidos nem sentimentos, e outras ainda que são “pragas” que nem sequer deveriam existir.

Todos nós temos que encontrar maneiras de lidar com as nossas próprias dissonâncias cognitivas, não só neste aspecto da relação com as outras espécies de animais, mas com muitos outros aspectos como crenças sociais e políticas dissonantes, inconsistências ao nível dos nossos valores e comportamentos, incoerências com relação a como nos vemos a nós própri@s e aos outros, etc.. Pela minha experiência nada dá mais paz de espírito do que acabar com as dissonâncias cognitivas mudando os comportamentos que estão em desacordo com os nossos valores, dentro dos possíveis para cada um.

Quais são as tuas dissonâncias cognitivas? Sentes por vezes o incómodo mental que provoca a empatia para com os outros animais conjugada com os hábitos alimentares “normais”? Conheces mais “vegan@s não praticantes” ou consideraste um@? Como sempre são bem vindas as vossas opiniões sobre este assunto.


Heart and mind in dissonance (EN)

Leon Festinger (1919- 1989), father of the “cognitive dissonance” concept, claimed that human beings need to maintain a certain psychological coherence in order to be able to mentally function in the real world. Someone who lives with internal inconsistencies tends to become psychologically uneasy and is motivated (by their own defence mechanisms) to reduce their cognitive dissonance. To lower the dissonance, which is caused by incoherence between opinions, behaviours, values and/or beliefs, one of those variables has to be changed. One way of doing so is by re-adjusting or replacing one or more opinions, behaviours, values and/ or beliefs; another way is to search and acquire new information that increases consonance. However the easier way (but in my opinion, less effective) is to try to forget, ignore or decrease the importance of the cognitions that cause the dissonance. The more deep-rooted a belief is in one’s culture and daily life practices, the strongest will be the need to deny, replace or reduce the beliefs that are objected.

Those who know me, know that I never was an “animal lover”. Until I was 12 years old I had and irrational fear of dogs (cynophobia) and cats never sparked me much interest. Most birds and other animals who have wings, such as bats and butterflies, make me physically uncomfortable and give me chills (I can’t explain it in a better way). I guess squirrels always made me smile but the fun was mostly seeing them running around in parks. In short, I was never one of those people crazy to pet every single dog and cat they encounter on the street, nor did it ever crossed my mind to get a pet to keep me some company.

My mother wasn’t either an “animal lover”, though she was very empathetic towards them. Whenever the days started getting warm , she would leave some containers with water in our backyard so that the birds could drink it and survive our supper hot summer. I recall, as if it was today, when one afternoon my father showed up with a cricket, that he had caught himself, inside a mini cage. My sister and I found it cool but as soon as my father left, my mother explained us how cruel it was to leave the little critter shut in a cage and we promptly set it free in the yard. She also didn’t like those traditional pig slaughter events(“party” where family and friends get together to kill one or more pigs and then distribute tasks to transform the corpse into various types of “food”) nor bullfights, or even seeing animals in circus.

My mother knew that other animals also suffer, feel pain, joy and somehow understand the difference between comfort and discomfort, freedom and captivity. This is empathy, the ability to “put yourself in other’s shoes”. However, the empathy towards other animals causes a certain level of cognitive dissonance (depending on one’s empathic ability). I think my mother coped with this cognitive dissonance provoked by being simultaneously empathetic with other animals and at the same time enjoying eating them, just like most people do, and just like I did most of my life. One of my mother’s favourite food was fried quail, a bird that is not so different from the other birds she used to help every summer. In one hand she held to the belief that is was necessary, in order to be healthy, to eat animal products. On the other hand she thought that eating animals was “normal” (everybody does it) and “natural” (because human beings have always done it) and that those were strong enough reasons to do so. Moreover, she turned to the easy way to deal with cognitive dissonance: she would simply “forget” that what she was eating was parts of animals that had lived before reaching her plate, and thus for that to happen they had to be in captivity and afterwards be assassinated after seeing their fellows go through the same process.

My mother was what I like to call a “non-practicing vegan”. If she was still alive, I truly believe she would have followed Tico and I and become vegan as well. I actually saw that happening in some of my vegan friend’s families. It is natural to learn about empathy, just like many other things, by the example from the people who raised us since we were small kids. And when these educators/caretakers see their children making such a profound change in their beliefs and behaviours, they too feel motivated to rethink their own habits and values. Entire families go vegan after a family member change their way to deal with cognitive dissonance, but now for good, and no longer “forgetting” that even though they would not hurt an animal themselves, they would still pay someone else to do so.

I know many people who, at first sight, are much more empathic than I am when it comes to other animals. One of them cannot stand watching wildlife documentaries as it’s too hard to see preys being bitten by their predators. Another one that adopted a dog and loves him as if he was her child and thus developed a special interest by the canine species, but I know that if she was to deeply meet another animal (a pig for instance) in her daily life, she would be as committed to defend that species rights just as she already does with her own pet. Another person is maybe the most empathetic human being I know, in relationship to people, however I suspect that she is also with animals as well and I also think that in her case the cognitive dissonance is such that no longer allows her body to properly digest animal products and thus making her suffer with many digestive issues.

Even my father, who slaughtered pigs with his own hands (in those traditional parties) and who loves bullfights, many times shows empathy for other animals. I was astonished when I learn that my father wanted to be a veterinary and my admiration for him grew up even more by knowing that. In his case, the cognitive dissonance made him strongly believe that some species are worthy of affection, protection and respect while others only exist to fulfil human beings needs and are things, just like objects without feelings nor senses, and some other species are “plagues” that should no longer exist.

All of us need to find out ways to handle our own cognitive dissonances, not just regarding relationships with other animal species, but also with many other aspects such as social beliefs and dissonant politics, values and behaviour inconsistencies, incoherence to how we see ourselves and others, etc.. My own experience tells me that nothing gives more peace of mind than being done with cognitive dissonances through changing behaviours that are in dispute with our own values, within reasonable limits to each person.

What are your cognitive dissonances? Do you sometimes feel the mental nuisance that causes empathy towards other animals combined with “normal” eating habits? Do you know any “non-practicing vegans” or do you consider yourself one of them? As always, your opinions are more than welcome.

 


Corazón y mente en disonancia (ES)

León Festinger (1919- 1989), padre del concepto “disonancia cognitiva”, defendía que los seres humanos necesitan mantener una cierta coherencia psicológica para poder funcionar mentalmente en el mundo real. Una persona que vive inconsistencias internas tiende a quedar psicológicamente incómoda y es motivada (por los propios mecanismos de defensa) a reducir la disonancia cognitiva. Para reducir la disonancia causada por la incoherencia entre opiniones, comportamientos, valores y / o creencias hay que cambiar de alguna forma una de esas variables. Una de las maneras de hacerlo es reajustando o sustituyendo una o más opiniones, comportamientos, valores y / o creencias; otra manera es buscar y adquirir nuevas informaciones o creencias que aumenten la consonancia. Pero la manera más fácil (pero también menos eficaz, en mi opinión) es intentar olvidar o reducir la importancia de las cogniciones que provocan la disonancia. Cuanto más enraizada una creencia esté, en la cultura y en las prácticas diarias de una persona, más fuerte será la necesidad de negar, sustituir, olvidar o reducir la importancia de las creencias que se le oponen.

Quien me conoce sabe que nunca he sido una “amante de los animales”. Hasta los 12 años tuve fobia de perros (cinofobia), y los gatos nunca me despertaron mucho interés. La mayoría de las aves y otros animales con alas, como los murciélagos y las mariposas, me causan una sensación de incomodidad física que me provoca escalofríos (no puedo explicar mejor). Siempre me han parecido graciosas las ardillas, pero la gracia nunca fue más allá de verlas paseando por los parques. En resumen nunca fui una de aquellas personas que se derriten con todos los perros y gatos que ven en la calle, y nunca tuve ganas de tener un animal para que me hiciera compañía.

Mi madre tampoco era una “amante de los animales”, pero era bastante empática con ellos. Cuando comenzaba el calor todos los días ponía uno o varios recipientes de agua en el patio, para que los pajaritos pudieran beber y sobrevivir al duro y seco verano del interior. Me recuerdo, como si fuera hoy, de un día en que mi padre apareció con un grillo, que él mismo había cogido, dentro de una mini jaula. A mi hermana y a mi nos pareció gracioso en el momento, pero cuando mi padre se fue y dejó el grillo con nosotras mi madre nos explicó que era cruel mantener el bichito en una jaula y fuimos a soltarlo inmediatamente en el jardín. A ella tampoco le gustaban las matanzas del cerdo (“fiesta” tradicional en que familia y amigos se unen para matar a uno o más cerdos y después repartir tareas de transformación del cadáver en varios tipos de “comida”) ni de corridas de toros, ni de ver animales en el circo.

Mi madre sabía que los otros animales también sufren, sienten dolor, alegría y de alguna manera conocen la diferencia entre comodidad e incomodidad, libertad y cautiverio. La empatía es eso, la capacidad de ponerse en la posición del otro. Pero la empatía hacia los demás animales generalmente causa un cierto grado de disonancia cognitiva (dependiendo de la capacidad empática de cada uno). Creo que mi madre lidiaba con la disonancia cognitiva, que se produce al ser simultáneamente empático para con los otros animales y al mismo tiempo tener gusto en comerlos de la misma manera que la mayoría de la gente leía, y como yo misma lidié durante la mayor parte de mi vida. Una de las comidas preferidas de mi madre era “pajaritos fritos” – codornices más específicamente pero no tan diferentes de los pájaros que intentaba ayudar todos los veranos. Por un lado ella se aferraba a la creencia de que es necesario, para tener una buena salud, comer productos de origen animal y por otro ella pensaba que el hecho de comer animales ser considerado “normal” (todo el mundo lo hace) y “natural “(Porque los seres humanos” siempre lo hicieron “) era razón suficientemente fuerte para hacerlo. Pero más aún, ella recurría a tal manera fácil de lidiar con la disonancia cognitiva: simplemente “se olvidaba” de que lo que comía eran partes de animales que habían vivido antes de llegar a su plato, y que para que eso sucediera ellos tuvieran que vivir en cautiverio y ser asesinados después de ver a sus semejantes pasar por el mismo.

Mi madre era lo que me gusta llamar una “vegana no practicante”. Creo realmente que si estuviera viva hoy, después de que Tico y yo nos volvimos veganas, mi madre también se habría vuelto verdaderamente vegana. En realidad ya lo he visto en muchas familias de amigos veganos. Y es natural, aprendemos sobre la empatía, y sobre muchas otras cosas, a través del ejemplo de quien nos crea desde pequeños, y esas personas, cuando ven sus criaturas hacer un cambio tan profundo en sus creencias y comportamientos, se sienten motivadas a repensar sus propios valores y hábitos. Familias enteras se vuelven veganas después de que un miembro cambie la estrategia para lidiar con su disonancia cognitiva, pero esta vez de manera permanente, sin hacer el esfuerzo de “olvidar” que aunque no pudieran hacer daño a ningún animal, pagan constantemente a otras personas para hacerlo.

Conozco a muchas personas que son, a primera vista, mucho más empáticas que yo con respecto a otros animales. Una de ellas no aguanta ver documentales sobre la vida salvaje porque se queda con el corazón en las manos cuando ve a las presas ser abocadas por los predadores. Otra adoptó un perro que ama como si fuera un hijo y desarrolló un interés especial por la especie canina, pero sé que si ella tuviera la oportunidad de conocer otro animal (un cerdo por ejemplo) profundamente en su vida cotidiana, estaría tan comprometida en defender los derechos de esa especie como los derechos de la especie de su hijo no humano. Otra es quizás la persona más empática que conozco con respecto a las personas, y también, lo sospecho, que con respecto a los otros animales. En su caso la disonancia cognitiva ya no deja que su cuerpo digiera bien alimentos de origen animal, lo que hace que tenga muchos problemas digestivos.

Hasta mi padre, que hace la matanza del cerdo y los mata con sus propias manos y que adora las corridas de toros, a menudo demuestra empatía por otros animales. Una de las mayores sorpresas que tuve en mi vida fue saber que mi padre quería haber sido veterinario, mi admiración por él creció aún más en ese día. En su caso la disonancia cognitiva hizo que fortaleciera la creencia de que hay especies que merecen cariño, protección y respeto, otras que sólo sirven para satisfacer a los humanos y son cosas, como objetos sin sentidos ni sentimientos, y otras son solo “plagas ” y que ni siquiera deberían existir.

Tod@s tenemos que encontrar maneras de lidiar con nuestras propias disonancias cognitivas, no sólo en el aspecto de la relación con las otras especies de animales, pero con muchos otros aspectos como creencias sociales y políticas disonantes, inconsistencias a nivel de nuestros valores y comportamientos, incoherencias con respecto a cómo nos vemos a nosotr@s mism@s a y los otros, etc. Por mi experiencia nada da más paz de espíritu que acabar con las disonancias cognitivas cambiando los comportamientos que están en desacuerdo con nuestros valores, dentro de los posibles para cada uno uno.

¿Cuáles son tus disonancias cognitivas? ¿Siente a veces la molestia mental que provoca la empatía hacia los otros animales conjugada con los hábitos alimentarios “normales”? ¿Conoces más “vegan@s no practicantes” o te consideras un@? Como siempre, vuestras opiniones sobre este asunto son muy bienvenidas.

Love Stories

Love Stories (EN)

Historias de Amor (ES)

Histórias de Amor (PT)

Lembrar-me que o dia de São Valentim é amanhã fez-me pensar um pouco nalguns dos “questionamentos” que tenho exercido sobre o amor e as relações amorosas.

Primeiro Amor

Tive o meu primeiro namorado com 16 anos. Esse namoro durou cerca de 3 anos. A minha primeira relação amorosa marcou-me para a vida (como creio que marcam quase todas as primeiras vezes). Esta relação ensinou-me sobretudo a saber onde estão os meus limites, especialmente porque os esticou até rebentarem. Aos 16 anos tinha um namorado ciumento, possessivo e paranóico. E eu era muito jovem e inexperiente para perceber que a nossa relação não era uma relação amorosa saudável. Aos 17 anos tinha deixado de encontrar-me sozinha com todos os meus amigos do sexo masculino e estava sempre em cheque auto-analisando as minhas acções para com o sexo oposto, não fosse fazer algo que gerasse a desconfiança ou o ciúme do meu namorado. Mas mesmo assim mais dia menos dia acabava a chorar, tendo que me explicar, provar que não tinha feito nada de errado ou pedir desculpas por algo que ele considerasse passível de despertar os seus ciúmes ou paranóia. Perdi-me nesta relação, quando acabou eu tinha 19 anos e já não sabia quem era. Tinha mudado tantas coisas para conseguir manter aquele namoro que quando ele acabou senti-me profundamente esgotada e sem vontade de voltar a ter namorado nem nenhum outro tipo de relação do género. Demorei 2 anos para me reconstruir e para voltar a dar oportunidade ao amor.

Hoje em dia não me arrependo desses 3 anos. Mas questiono-me sobre as coisas que podiam ter feito com que eu me apercebesse antes que aquilo era uma relação tóxica. Lembro-me perfeitamente do momento em que a minha mãe se apercebeu que eu começara a ter uma vida sexual. Primeiro ela entrou em pânico (suponho que seja normal), zangou-se comigo e fez alguma chantagem emocional para, pensava ela, atrasar um pouco o processo. Mas uns dias depois percebeu que aquele não era o melhor caminho, foi aí que nos sentámos para falar como adultas sobre aquilo que ela considerava mais importante: evitar DST’s e gravidezes indesejadas. Hoje sei que teria sido mais proveitosa outro tipo de conversa. Com 16 anos já sabia quase tudo o que havia para saber sobre preservativos. Mas sabia pouco sobre relações amorosas. Porque é que não se fala mais sobre isso em casa? Eu sei que provavelmente, naquela altura, se a minha mãe me perguntasse como era a minha relação com o meu namorado, eu acharia que ela se estava a meter na minha vida e não lhe contaria muito. Mas, e se falar sobre relações (já sejam elas amorosas, de amizade ou de outros tipos) fosse algo mais habitual entre pais e filhos? Provavelmente no dia em que o meu namorado da altura começou a fazer cenas de ciúmes, eu tivesse percebido que aquilo não era bom nem saudável. Neste momento há adolescentes e jovens (e pessoas adultas também) a passar pelo que eu passei ou por outros problemas semelhantes, e aos pais não se lhes ocorre “ter “a conversa” e incluir nela não só os métodos de contracepção mas também falar sobre relacionamentos.

Quando/ se tiver filh@s vou falar com el@s sobre ciúme, possessão, confiança no outro, auto-estima, etc. E quanto às conversas sobre sexo vou-me focar em temas como o consentimento e a importância da intimidade e do prazer partilhado.

Amor Próprio

Até há uns anos atrás sabotava todas as minhas relações pelo facto de precisar delas. Odiava estar sozinha e precisava de ter, além de uma vida social activa, algum tipo de relação íntima que preenchesse o vazio. Todas as minhas relações começavam de forma casual, sem muito compromisso, mas quando eu dava por isso tinha criado uma forte dependência à pessoas com a que tinha um relacionamento naquele momento. Essa dependência fazia de mim alguém que fazia de tudo para agradar a outra pessoa, os gostos da outra pessoa tornavam-se os meus gostos e as minhas vontades deixavam de ter importância. Ao final de algum tempo todas as relações falhavam porque na verdade eu deixava de ser a pessoa pela qual os meus pares se tinham interessado no início.  

Foi há uns anos atrás, depois de mais uma ruptura, que percebi que para meu bem tinha que enfrentar o tal vazio que procurava preencher, percebê-lo e desconstruí-lo para poder estar bem comigo mesma, deixar de “precisar” e de depender das relações amorosas para ser feliz. Hoje em dia tenho alguma dificuldade em perceber como o fiz realmente, porque não foi algo premeditado, nem programado. Acho que simplesmente deixei o vazio existir sem resistir a ele, e depois percebi que não fazia falta ninguém para o preencher e que o amor próprio chegava. Mais do que isso, descobri que sentir-me acompanhada por mim mesma preenchia o vazio realmente e permanentemente. Essa mudança tão subtil a nível interior fez com que a minha maneira de ver as relações (amorosas, familiares, de amizade, profissionais, etc.) mudasse completamente. De facto aquilo que parece uma mentalidade egoísta (pensar que não preciso da companhia constante de outras pessoas para ser feliz) fez com que passasse a pensar mais no que é que posso dar de mim aos outros e menos naquilo que posso obter deles.

Sei que muitas pessoas sentem esse vazio e a necessidade de preenchê-lo. Na verdade a sociedade empurra-nos para isso com histórias sobre “almas gémeas” e “outras metades da laranja”. Aprendemos que as nossas vidas não estão completas, ou até mesmo que não tem sentido até encontrar “@ tal”. A minha experiência diz-me que não é possível ter uma vida completa com outra pessoa se não te sentes preenchido pela tua própria riqueza interior. Porque é que a sociedade te faz acreditar que precisas encontrar “alguém te faça feliz”?

Amor Actual

A relação amorosa que mantenho agora é curiosamente com a mesma pessoa com a qual tive a ruptura que me levou a mudar a minha maneira de ver as relações. Depois da mudança essa pessoa voltou a surgir na minha vida e quando tive que decidir se queria voltar a estar com ela tive este pensamento: “Não preciso desta pessoa para ser feliz, no entanto será que esta relação pode enriquecer as nossas vidas, ajudar-nos a crescer e a melhorar?”. A resposta foi sim.

Com a lição anterior aprendida, apesar de estar com a mesma pessoa que havia estado meio ano antes, a nossa relação passou a ser algo muito diferente daquilo que tinha sido. Além de ter deixado de acreditar na história do príncipe encantado sem o qual a vida da princesa não faz sentido, comecei a questionar outros aspectos das relações comuns. Porque é que os casais “tem” que dormir juntos? – Ironicamente toda vida odiei dormir sozinha, agora é como gosto mais. – Porque é que, a uma certa idade se espera que vivam na mesma casa e porque é que a sociedade faz tanta pressão para isso? – Não acredito que o simples facto de viver juntos seja significado de maior estabilidade na relação. Porque é que a partir do momento que se sabe que temos uma relação ‘séria’ o ‘cônjuge’ fica automaticamente convidado para quase todos os eventos para que a outra pessoa é convidada? E porque é que quando uma pessoa do casal decide comparecer sozinha isso é tido como algo estranho? Afinal as vidas sociais dos casais não tem porque se viver exclusivamente em casal.

Atenção, isto não significa que eu esteja à partida contra todas as convenções sociais sobre as relações dos casais, nem que eu as rejeite todas. Apenas gosto de me questionar sobre elas e decidir quais se adequam realmente à minha vida e quais as que prefiro descartar em vez de simplesmente as aceitar todas.

Que perguntas te fazes sobre o amor, sobre as relações, sobre a maneira como se fala delas e sobre as convenções sociais que muitas vezes as delimitam?

Paradoxalmente, a capacidade de estar sozinho é a condição para a capacidade de amar.― Erich Fromm, A Arte de Amar


 

Love Stories (EN)

Realising that Valentine’s day is tomorrow, made me think about some of the “questionings” I’ve been doing about love and love relationships.

First Love

I had my first boyfriend when I was 16 years old. That relationship lasted nearly 3 years. This first love relationship left on me a deep mark (as most first loves do). This relationship taught me above all to get to know my limits, as they were stretched until bursting. At 16 years old I had a jealous, possessive and paranoid boyfriend. And I was very young and inexperienced to understand that our love relationship was not a healthy one. At 17 years old I had given up on meeting all my male friends by myself and was constantly checking with self-examination my actions towards the opposite sex, to avoid triggering any suspicion or jealousy in my boyfriend. But still, sooner or later, I would end up crying, having to explain myself, prove that I had done nothing wrong or apologize for something that he considered capable of awakening his jealousy or paranoia. I lost myself in this relationship, when it came to an end I was 19 and no longer knew who I was. I had changed so many things to keep that relationship and when It was over I felt profoundly drained and with no desire to have a future boyfriend nor a similar relationship. It took me 2 years to rebuilt and give a second chance to love.

Nowadays I do not regret those 3 years. But I do question about the things which could have been done so that I would realize before that this was a toxic relationship. I remember vividly the moment when my mother found out that my sex life had started. Firstly she panicked (I suppose it is normal), got mad and emotionally blackmailed me so that, so she would think, the process would be delayed. However, some days later, she understood that this wasn’t the best approach, so we sat down to talk like adults about what she considered most important: avoid STDs and unwanted pregnancies. Today I know that another conversation would have been more useful. At 16 years old I already knew almost everything about condoms. But knew very little about love relationships. Why don’t people really talk about this at home? I know that probably, at that time, if my mother had asked me how my relationship with my boyfriend was, I would think that it was none of her business and wouldn’t tell her much. But what if talking about relationships (whether it is love, friendship or other types of relationships) was something more usual between parents and brood? Probably by the first day that my boyfriend at the time had done his first jealousy scene, I would have figured that that wasn’t good nor healthy. At this moment there are teenagers and juveniles (and adults as well) going through the same problems I had, or similar issues, and parents that don’t include in “the talk” both contraceptive methods and relationships.

When/ if I have children I will talk about jealousy, possession, trust, self-esteem, etc. And when it comes to sex I’ll focus on themes such as consent and the importance of intimacy and shared pleasure.

Self Love

Until a few years ago I would sabotage all my relationships because I needed them. I hated being alone and needed to have, not just a very active social life, but also a more intimate relationship to fill in the void. All my relationships would start casually, without much commitment, but when I realised that, I had already become strongly dependent on a person with whom I was having a relationship at that time. That dependency would make me someone that was willing to do anything to please the other person, the other person’s likes would become my likes and my own desires were no longer important. All my relationships would fail some time later because the truth is that I was not the person that my partners had fell for anymore.

A few years ago, after another breakup, I realised that for my own good I needed to face this void that I was trying to fill in, understand it and deconstruct it so that I could feel good in my own skin, setting aside the “need” and dependency on relationships to be happy. Nowadays I have a bit of a difficulty in knowing how exactly I have done that, because it wasn’t something premeditated or programmed. I guess I simply let the void exist without resisting to it, and further on understood that I didn’t need anyone to fill it in and that self-love was enough. Furthermore, I found out that feeling accompanied by myself filled in the void completely and permanently. This subtle change on the internal side, completely changed my way of seeing relationships (love, family, friend and professional relationships). What in truth seems like a selfish mindset (thinking that I don’t need the constant companionship of others to be happy) ended up making me think more often on what can I give to others and less of what I can get from them.

I know that many people feel that void and the need to fulfil it. Actually society shoves us into this with stories about “soulmates” and “better halves”. We learn that our lives aren’t complete, or even have no purpose, until we find “the one”. My experience tells me that it’s not possible to have a fulfilling life with someone else if you don’t feel fulfilled with your inner wealth.

Why does society makes you believe that you need to find “someone that makes you happy”?

Current Love

The love relationship I have at the present moment is interestingly with the same person with which I had the breakup that led me to change the way of seeing relationships. After this change, that same person got back in my life and when I had to decide if I wanted to be with them again, I had this thought: “I don’t need this person to be happy, however can this relationship promote value into our lives, help us grow and be better people?”. The answer was yes.

With the previous lesson learned, despite being again with the same person I was six months prior, our relationship became very different from what it had been. Aside from no longer believing in the enchanted prince story that makes the princess life complete, I started to question other standard relationships aspects. Why do couples “have to” sleep together? – ironically all my life I’ve hated sleeping alone, now it’s the way I prefer. – Why at certain age, people expect couples to live in the same house and why does society makes so much pressure on it? – I don’t believe that living together is what makes the relationship more solid. Why is that, from the moment a couple has a “serious” relationship, the partner is automatically invited to most of the events to which the other person is invited to? And why is that, when one element of the couple decides to show up by themself, that’s considered as something odd? After all the social life of couples don’t have to be lived exclusively as a couple.

Keep in mind that this doesn’t mean that I’m against all social conventions regarding couple’s relationships, nor do I reject them all. I just like to question them and decide which match my life and which I prefer to rule out, instead of simply accept them all.

What questions do you make yourself regarding love, relationships, the way we talk about them and about the social conventions that many times dictate the rules?

Paradoxically, the ability to be alone is the condition for the ability to love. – Erich Fromm, The Art of Loving


 

Historias de amor (ES)

Recordarme que el día de San Valentín es mañana me hizo pensar un poco sobre algunos de los “cuestionamientos” que he ejercido acerca del amor y las relaciones amorosas.

Primero Amor

Tuve mi primer novio con 16 años. Esta relación duró cerca de 3 años. Mi primera relación amorosa me marcó para la vida (como creo que marcan casi todas las primeras). Esta relación me enseñó sobre todo a saber dónde están mis límites, especialmente porque los estiró hasta reventar. A los 16 años tenía un novio celoso, posesivo y paranoico. Y yo era muy joven e inexperta para percibir que nuestra relación no era una relación amorosa sana. A los 17 años había dejado de encontrarme sola con todos mis amigos del sexo masculino y estaba siempre auto-analizando mis acciones hacia el sexo opuesto, no fuera hacer algo que generara la desconfianza o los celos de mi novio. Pero aún así, más día menos día terminaba llorando, teniendo que explicarme, probar que no había hecho nada malo o pedir disculpas por algo que él considerara pasible de despertar sus celos o paranoia. Me perdí en esta relación, cuando acabó yo tenía 19 años y ya no sabía quién era. Había cambiado tantas cosas para conseguir mantener esta pareja que cuando rompimos definitivamente me sentía profundamente agotada y sin ganas de volver a tener novio ni ningún otro tipo de relación del género. Tardé 2 años para reconstruirme y para volver a dar oportunidad al amor.

Hoy en día no me arrepiento de esos 3 años. Pero me questiono sobre las cosas que podían haber hecho com que yo que me diera cuenta antes de que aquello era una relación tóxica. Recuerdo perfectamente el momento en el que mi madre se dio cuenta de que había empezado a tener una vida sexual. Primero entró en pánico (supongo que es normal), se enfadó conmigo e hizo algún chantaje emocional para, pensaba ella, retrasar un poco el proceso. Pero unos días después percibió que aquel no era el mejor camino, fue ahí donde nos sentamos para hablar como adultas sobre lo que ella consideraba más importante: evitar DST’s y embarazos no deseados. Hoy sé que habría sido más provechoso otro tipo de conversación. Con 16 años ya sabía casi todo lo que había para saber sobre preservativos. Pero sabía muy poco sobre las relaciones amorosas. ¿Por qué no se habla más sobre esto en casa? Yo sé que probablemente si, en ese momento, mi madre me hubiera preguntado cómo era mi relación con mi novio, yo pensaría que ella se estaba metiendo en mi vida y no le contaría mucho. Pero, y si hablar sobre relaciones (ya sean ellas amorosas, de amistad o de otros tipos) fuese algo más habitual entre padres e hijos? Probablemente en mismo el día en que mi novio de entonces empezó a hacer escenas de celos, yo habría percibido que aquello no era bueno ni sano. En este momento hay adolescentes y jóvenes (y personas adultas también) a pasar por lo que he pasado o por otros problemas similares, y a los padres no se les ocurre “tener la conversación” e incluir en ella no sólo los métodos de contracepción, sino también hablar sobre las relaciones.

En el caso de que algún día tenga hij@s hablare con el@s sobre celos, posesión, confianza en el otro, autoestima, etc. Y en cuanto a las conversaciones sobre sexo me voy a enfocar en temas como el consentimiento y la importancia de la intimidad y del placer compartido.

Amor Propio

Hasta hace unos años saboteaba todas mis relaciones por el hecho de necesitarlas. Odiaba estar sola y necesitaba tener, además de una vida social activa, algún tipo de relación íntima que llenase el vacío. Todas mis relaciones comenzaban de forma casual, sin mucho compromiso, pero cuando yo me daba cuenta ya había creado una fuerte dependencia a la persona con la que tenía una relación en aquel momento. Esta dependencia hacía de mí alguien que hacía todo para agradar a la otra persona, los gustos de la otra persona se convirtieron en mis gustos y mis voluntades dejaban de tener importancia. Al final de algún tiempo todas las relaciones fallaban porque en realidad yo dejaba de ser la persona por la cual mis parejas se habían interesado al principio.

Fue hace unos años, después de otra ruptura, que percibí que tenía que enfrentar el vacío que buscaba llenar, percibirlo y deconstruirlo para poder estar bien conmigo misma, debía dejar de “necesitar” y de depender de las relaciones amorosas para ser feliz. Hoy en día tengo alguna dificultad en percibir cómo lo hice realmente, porque no fue algo premeditado, ni programado. Creo que simplemente dejé el vacío existir sin resistir a él, y después me di cuenta de que no le falta a nadie para llenarlo y que el amor propio llegaba. Más que eso, descubrí que sentirme acompañada por mí misma llenaba el vacío realmente y permanentemente. Este cambio tan sutil a nivel interior ha hecho que mi manera de ver las relaciones (amorosas, familiares, de amistad, profesionales, etc.) cambiara completamente. De hecho lo que parece una mentalidad egoísta (pensar que no necesito la compañía constante de otras personas para ser feliz) hizo que pasara a pensar más en lo que puedo dar de mí a los demás y menos en lo que puedo obtener de ellos.

Sé que muchas personas sienten ese vacío y la necesidad de llenarlo. En realidad la sociedad nos empuja hacia eso con historias sobre “almas gemelas” y “otras mitades de la naranja”. Aprendemos que nuestras vidas no están completas, o incluso que no tiene sentido hasta encontrar “la persona ideal”. Mi experiencia me dice que no es posible tener una vida completa con otra persona si no te sientes realizado por tu propia riqueza interior. ¿Por qué es que la sociedad te hace creer que necesitas encontrar “alguien te haga feliz”?

Amor Actual

La pareja que mantengo ahora es curiosamente la misma persona con la que tuve la ruptura que me llevó a cambiar mi manera de ver las relaciones. Después del cambio esa persona volvió a surgir en mi vida y cuando tuve que decidir si quería volver a estar con ella tuvo este pensamiento: “No necesito a esta persona para ser feliz, sin embargo será que esta relación puede enriquecer nuestras vidas, ayudándonos a crecer y a mejorar? “. La respuesta fue sí.

Con la lección anterior aprendida, a pesar de estar con la misma persona que había estado medio año antes, nuestra relación pasó a ser algo muy diferente de lo que había sido. Además de haber dejado de creer en la historia del príncipe encantado sin el cual la vida de la princesa no tiene sentido, empecé a cuestionar otros aspectos de las relaciones comunes. ¿Por qué es que las parejas “tienen” que dormir juntas? – Irónicamente toda la vida odié dormir sola, ahora es como me gusta más. – ¿Por qué, a partir de cierta edad, se espera que vivan en la misma casa y por qué la sociedad hace tanta presión para ello? – No creo que el simple hecho de vivir juntos sea significado de mayor estabilidad en la relación. ¿Por qué a partir del momento en que se sabe que tenemos una relación ‘seria’ la pareja queda automáticamente invitada a casi todos los eventos a los que nos han invitado? ¿Y por qué es que cuando una persona de la pareja decide asistir sola a esos eventos la gente lo ve como algo raro? Al final las vidas sociales de las parejas no tienen porque experimentarse exclusivamente en pareja.

Atención, esto no significa que yo esté de antemano contra todas las convenciones sociales sobre las relaciones de las parejas, ni que yo las rechace a todas. Sólo me gusta questionarme sobre ellas y decidir cuáles se adecuan realmente a mi vida y cuáles prefiero descartar, en lugar de simplemente aceptarlas todas.

¿Qué preguntas te haces sobre el amor, sobre las relaciones, sobre la manera como se habla de ellas y sobre las convenciones sociales que muchas veces las delimitan?

Paradójicamente, la capacidad de estar solo es la condición para la capacidad de amar. ― Erich Fromm, El Arte de Amar