Little steps towards a better world

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Little steps towards a better world (EN)

I was still in elementary school when I first heard about recycling. The teacher explained how different materials belonged to different bins and that each one of them had a different colour. The green was for glass, the blue was for paper and cardboard, the yellow for plastic and metal and the red one for batteries. Even though most people were already recycling glass (as there were big containers to deposit glass spread throughout the neighbourhoods), the other materials were left out all together in the waste bin.

My generation was probably the first one that learned about it in school. When going home, I tried to explain to my mother that we should separate the trash. Unfortunately living in a small city didn’t give us that option because there were no recycling containers yet. Only a few years later the colourful bins started to be seen. However, there were only a few in the city and we had to drive to places in order to deposit the different materials. So we only recycled sometimes. We didn’t do our part because we had excuses: the bins were too far, we didn’t have much space in the kitchen to pile up the garbage, it would leave the house smelly or the myth that the trash would all end up mixed together at some point.

Only when I moved to Lisbon I started to separate the garbage as my condo had all the proper bins. I had no more excuses. A couple years later I moved to Germany to study. Recycling was taken very seriously over there. There were specific days of the week/ month where the different trash had to be taken outside the house so that a truck would pass by and collect them. If the separation wasn’t well done and for instance the plastic bag had non-plastic items inside, we could be charged with a fine.

Nowadays my hometown has plenty of recycling bins and in Portugal there are currently more than 43 thousand bins spread out to all cities. Slowly people in the western world started waking up for the importance of recycling, reusing and reducing. We have the infrastructures, the information, and the education, which means we shouldn’t have a single excuse not to do so.

Those who know me can testify that I avoid buying plastic at all cost, I bring my own fabric bags to the market and try to buy in bulk when possible. Currently I’m traveling in India and the reality here is very different. Buying bottles of water is something I need to on daily basis as the tap water can lack treatment and therefore is unfit for consumption. I’m not happy at all with the amount of trash I’m generating here and I still avoid plastic bags and straws for the most part. In some places is difficult to find trash bins, let alone recycling bins. The other day I bought a cake that was handed out to me in newspaper, after eating the cake I was searching for a bin and asked someone where I could find one. The answer I got was simply “you can just throw the trash on the floor because someone later will pick it up”. As much as this is not acceptable in my culture I have to be open enough to understand that things here work in another level. The streets are very dirty with all kinds of garbage, people throw waste through the car windows and I constantly step on trash. It becomes the norm after a couple weeks of travel.

I don’t have enough knowledge about the education in India as the only things I know are from asking people I’ve been meeting around. I came to know that in fact they now learn in school about recycling. Also there is a big campaign all over India called “Clean India Mission” and the logotype is Gandhi’s glasses with written “clean” and “India” in each lens to try to get people to place the garbage to where it belongs. India has a population of 1.37 Billion. New Delhi alone has around 11 million inhabitants (the same as Portugal) so I get that it might be very difficult to get everybody on the same page. Some basic needs are not even met for millions of people, let alone the concept of recycling.

In the western world we have the tools to do better, to reuse more, to buy less, to stop using plastic or at least drastically reduce its use. We sure have treated water in most places and buying a good water filter to get the purest form of water is an option. We no longer need to buy plastic bottled water, we can choose to buy the unwrapped fruits and veggies, we can buy in bulk, we can say “no” to plastic bags, straws, sanitary pads and tampons etc. We vote with our money every time we purchase an item. Alternatives are made all the time by big corporations because they will do everything and anything to make us buy their products. We cannot expect them to be the ones to stop selling bananas wrapped up in plastic. We have to take that responsibility ourselves. If they know that their consumers are not buying those bananas due to the plastic, they will take measures.

Recycling is great! But we know that some types of materials are not even recyclable, such as straws, plastic bags, coffee cups, tissues etc. So, better avoid buying it.

I’m not criticizing India by any means, in fact I’m thanking India for my first lesson. What I’m trying to say with this article is how sometimes seeing another realities makes us understand better that our own reality can make improvements too, specially when we have the power and tools to do so.

Here is a list for “zero waste” alternatives to make our lives easier: http://trashisfortossers.com/zero-waste-alternatives-ultimate-lis/

Do you do your part?

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Estava ainda na escola primária quando ouvi falar de reciclagem pela primeira vez. A professora explicou como diferentes materiais pertenciam em contentores específicos e que cada um deles tinha uma cor respectiva. O verde era para o vidro, o azul para o papel e cartão, o amarelo para embalagens e finalmente o vermelho para as pilhas. Ainda que por esta altura a maior parte das pessoas já fizessem reciclagem de vidro (haviam “vidrões” espalhados pelos bairros da cidade), os outros materiais tinham todos o mesmo destino – o contentor do lixo indiferenciado.

A minha geração foi provavelmente a primeira a aprender isto na escola. Quando cheguei a casa tentei explicar à minha mãe que devíamos separar o lixo. Infelizmente viver numa cidade pequena como Évora não nos dava a opção de reciclar por não haverem ainda ecopontos. Só uns anos mais tarde é que os contentores coloridos começaram a aparecer na cidade. No entanto, os contentores eram poucos e tínhamos que ir de carro até eles para depositar os diferentes materiais. Por essa razão só reciclavamos de vez em quando. Não fazíamos a nossa parte porque tinhamos desculpas: os ecopontos estavam longe, não havia espaço suficiente na cozinha para acumular lixo, a casa ficava com mau cheiro, ou o mito de que nem valia a pena separar o lixo pois no fim das contas este acabaria todo no mesmo sítio. Só quando fui morar para Lisboa comecei de facto a fazer reciclagem.  Como no meu condomínio havia ecopontos não tinha desculpa nenhuma .

Um par de anos depois fui estudar para a Alemanha. Reciclar é algo que os alemães levam muito a sério. Haviam dias específicos da semana/ mês onde os diferentes tipos de lixo eram levados para a porta de casa para depois serem recolhidos por camiões. Se a separação do lixo não fosse bem feita e ,por exemplo, o saco do plástico contivesse algo que não fosse plástico, podíamos ter que pagar uma multa.

Hoje em dia, a minha cidade natal já tem vários ecopontos. E por todo o país estão espalhados cerca de 43 mil contentores. Devagarinho as pessoas do mundo ocidental começam a acordar para a importância da reciclagem, reutilização e redução. Temos as infra-estruturas, a informação e a educação, o que significa que não temos qualquer desculpa para não o fazer.

Aqueles que me conhecem sabem que tento evitar a todo o custo comprar itens que contenham plástico, levo os meus sacos de pano para o mercado e tento comprar a granel sempre que possível. De momento encontro-me a viajar pela Índia e a realidade deste lado é muito diferente. Comprar garrafas de água é algo que tenho de fazer diariamente, já que a água da torneira não está tratada e é imprópria para consumo. Fico triste com a quantidade de lixo que estou a gerar aqui e tento ao máximo evitar sacos de plástico e palhinhas. Em alguns lugares é difícil de encontrar contentores ou caixotes do lixo, quanto mais ecopontos. No outro dia comprei um bolo que vinha embrulhado num jornal, depois de comer o bolo não encontrei nenhum caixote para colocar o lixo e decidi perguntar a alguém o que fazer, ao que me foi respondido “podes atirar o lixo para o chão pois mais tarde alguém virá limpar-lo”. Por mais que isto não seja aceitável na minha cultura tenho que ser aberta o suficiente para perceber que as coisas aqui acontecem a um nível diferente. As ruas estão extremamente sujas com todo o tipo de lixo, as pessoas atiram coisas pelas janelas dos carros e ando constantemente a pisar lixo. Torna-se normal depois de umas semanas de viagem.

Não tenho conhecimento suficiente sobre o sistema de educação na Índia e o pouco que sei é através de perguntas que faço a pessoas que vou conhecendo. Aprendi que de facto os indianos já começam a aprender na escola sobre a importância da reciclagem. Há também uma campanha por toda a Índia, com o fim de incentivar as pessoas a colocarem o lixo nos seus devidos locais. Chama-se de “Clean India Mission” ( Missão Índia Limpa) e o logótipo são os óculos do Gandhi com as palavras “Índia” e “Limpa” em cada lente, Na índia vivem cerca de 1.37 Biliões de pessoas. Só Nova Deli tem 11 Milhões de habitantes, os mesmos que em Portugal inteiro, por isso eu entendo o quão difícil é fazer com que  tanta gente colabore para um mesmo fim. Milhões de pessoas não têm sequer acesso a algumas das necessidades básicas, é normal que não percebam a importância da reciclagem.

No mundo ocidental temos os mecanismos para melhorar, reutilizando mais, comprando menos, parando de usar plástico ou pelo menos reduzindo drasticamente o seu uso. Temos água tratada na maior parte dos sítios e podemos adquirir um bom filtro para ter água ainda mais pura. Não há necessidade de comprar garrafas de água, podemos escolher não comprar vegetais e frutas que venham embalados em plástico, podemos comprar a granel, podemos dizer “não” aos sacos de plástico, palhinhas, pensos higiénicos e tampões, etc. Votamos, com o nosso dinheiro, de cada vez que compramos um item. As grandes corporações criam alternativas a toda a hora, pois o que lhe interessa é vender e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para que compremos os seus produtos. Não podemos esperar que sejam eles a parar de vender bananas embaladas em plástico. Temos que ser nós, consumidores, a tomar a responsabilidade de diminuir a demanda. Se eles souberem que os seus consumidores não compram aquelas bananas por causa do plástico, tomarão medidas.

Reciclar é ótimo! Mas também sabemos que alguns tipos de materiais não são recicláveis como por exemplo as palhinhas, os sacos de plástico, os copos de café, as toalhitas etc. Por isso nada melhor que evitar o seu consumo.

Não quero criticar a Índia de forma alguma, de facto agradeço ter aprendido aqui esta primeira lição. O que quero dizer com este artigo é que, às vezes, ver outras realidades faz-nos entender melhor a nossa própria realidade e podemos melhorá-la também, especialmente quando temos o poder e as ferramentas para o fazer.

Aqui vão algumas alternativas “desperdício zero”  para um mundo melhor: https://mindthetrash.pt/category/alternativas-ao-plastico/?fbclid=IwAR3ZmPm_fm6ZE_ws4zrVPL5IjsYr1Ebrn13m7y6G6CPYr0lp2IxX4X8VbVQ

E um podcast bastante esclarecedor sobre reciclagem: https://sofiadeassuncao.com/podcast-ana-milhazes/

E tu, fazes a tua parte?

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Estaba en la escuela primaria cuando oí hablar de reciclaje por primera vez. La profesora explicó cómo diferentes materiales pertenecían en contenedores específicos y que cada uno de ellos tenía un color respectivo. El verde era para el cristal, el azul para el papel y el cartón, el amarillo para los embalajes y el rojo para las pilas. Aunque la mayoría de las personas ya hacían reciclaje de vidrio (había contenedores verdes repartidos por los barrios de la ciudad), los demás materiales acababan  todos el contenedor de la basura indiferenciada.

Mi generación fue probablemente la primera en aprender esto en la escuela. Cuando llegué a casa intenté explicar a mi madre que debíamos separar la basura. Desgraciadamente vivir en una pequeña ciudad como Évora no nos daba la opción de reciclar por no haber aún puntos de recorrida. Sólo unos años más tarde, los contenedores de colores comenzaron a aparecer en la ciudad. Sin embargo, los contenedores eran pocos y teníamos que ir en coche para reciclar los diferentes materiales. Por esa razón sólo reciclabamos a veces. No hacíamos nuestra parte porque teníamos disculpas: los contenedores estaban lejos, no había suficiente espacio en la cocina para acumular basura, la casa casa olía, o el mito de que no valía la pena separar la basura pues al final todo acabaría en el mismo sitio. Sólo cuando me mudé a Lisboa empecé realmente a hacer reciclaje. Como en mi edifício (incluso en mi planta) había contenedores de recicláge, no tenía excusa alguna.

Un par de años después fui a estudiar a Alemania. Reciclar es algo que los alemanes toman muy en serio. Había días específicos de la semana para dejar  los diferentes tipos de basura en la puerta de casa, luego serían recogidos por camiones. Si la separación de la basura no estaba bien hecha y, por ejemplo, la bolsa del plástico contenía algo que no fuera plástico, podríamos tener que pagar una multa.

Hoy en día, mi ciudad natal ya tiene un buen sistema de reciclaje. Y por todo el país están repartidos cerca de 43 mil contenedores. La gente del mundo occidental empieza a despertar para la importancia del reciclaje, la reutilización y la reducción. Tenemos las infraestructuras, la información y la educación, lo que significa que no tenemos ninguna excusa para no hacerlo.

Aquellos que me conocen saben que intento evitar a toda costa comprar artículos que contengan plástico, llevo mis bolsas de tela al mercado y trato de comprar a granel siempre que posible. De momento estoy viajando por India y la realidad de este lado es muy diferente. Comprar botellas de agua es algo que tengo que hacer diariamente, ya que el agua del grifo no está tratada y es impropio para el consumo. Me siento triste con la cantidad de basura que estoy generando aquí y trato de evitar bolsas de plástico y pajitas. En algunos lugares es difícil encontrar papeleras, imagina contenedores de reciclaje. El otro día compré un pastel que venía envuelto en un periódico, después de comer el pastel no encontré ninguna papelera para tirar la basura y decidí preguntar a alguien donde que hacer, a lo que me contestaron “puedes tirar la basura al suelo, más tarde alguien vendrá a limpiarlo”. Por más que esto no sea aceptable en mi cultura, tengo que ser abierta lo suficiente para percibir que las cosas aqui suceden a un nivel diferente. Las calles están extremadamente sucias con todo tipo de basura, la gente tira cosas por las ventanas de los coches y voy pisando basura constantemente. Se hace normal después de unas semanas.

No tengo suficiente conocimiento sobre el sistema de educación en la India y lo poco que sé es a través conversaciones con personas que voy conociendo. Aprendí que, de hecho, los indios ya aprenden sobre la importancia del reciclaje en la escuela . Hay también una campaña por toda la India, con el fin de alentar a las personas a colocar la basura en sus debidos lugares. Se llama “Clean India Mission” y el logotipo son las gafas de Gandhi con las palabras “India” y “Limpia” en cada lente. En la India viven alrededor de 1.37 millones de personas, Nueva Delhi tiene 11 millones de habitantes, lo misma cantidad que Portugal entero, por lo que entiendo lo difícil que es hacer que tantas personas colaboren en algo. Millones de personas no tienen siquiera acceso a algunas de las necesidades básicas, es normal que no perciban la importancia del reciclaje.

En el mundo occidental tenemos los mecanismos para mejorar, reutilizando más, comprando menos, dejando de usar plástico o al menos reduciendo drásticamente su uso. Tenemos agua tratada en la mayoría de los sitios y podemos adquirir un buen filtro para tener agua aún más pura. No hay necesidad de comprar botellas de agua, podemos elegir no comprar vegetales y frutas que vengan envasados ​​en plástico, podemos comprar a granel, podemos decir “no” a las bolsas de plástico, pajitas, compresas y tampones, etc. Votamos, con nuestro dinero, cada vez que compramos un artículo. Las grandes corporaciones crean alternativas porque les interesa vender y hacen todo lo que esté a su alcance para que compremos sus productos. No podemos esperar que sean ellos a dejar de vender plátanos envasados ​​en plástico. Tenemos que ser nosotr@s, l@s consumidor@s, a tomar la responsabilidad de disminuir la demanda. Si ellos saben que sus consumidores no compran esos plátanos a causa del plástico, tomarán medidas.

¡Reciclar es genial! Pero también sabemos que algunos tipos de materiales no son reciclables, como por ejemplo las pajitas, las bolsas de plástico, los vasos de café descartables, las toallitas, etc. Por eso nada mejor que evitar su consumo.

No quiero criticar a la India de ninguna manera, de hecho agradezco haber aprendido aquí esta primera lección. Lo que quiero decir con este artículo es que a veces ver otras realidades nos hace entender mejor nuestra propia realidad y podemos mejorarla también, especialmente cuando tenemos el poder y las herramientas para hacerlo.

Aquí está una lista de productos “sin desperdicio” alternativos para simplificar un poco nuestras vidas: http://orgranico.com/recopilatorio-11-alternativas-zero-waste/

Y tú, haces tu parte?

A meditative state of mind

Um estado de espirito meditativo (PT)

Un estado de espíritu meditativo (ES)

A meditative state of mind (EN)

Imagine yourself in a room full of people. Around 120 people. Males are sitting on the left side of the room and females on the right side, forming rows. Everybody is sitting facing two masters – the female Master is sitting facing the female’s rows and the male Master faces the male’s rows. Pillows are piled up underneath each individual’s bottom to make a crossed leg position more bearable. There’s silence. So much silence that you don’t have to make any effort to hear the breath of the person sitting right next to you, the drizzling rain outside the door or the singing stomachs of other people. Everyone has their eyes closed. You close your eyes too. The journey starts.

I had researched about meditation, watched some videos, downloaded an app. But somehow I didn’t fully grasped what meditation was all about. I only knew that it was supposed to give you peace of mind, ground you, reduce stress and depression, etc. just like many research articles show. Something so simple such as closing your eyes, sitting in a comfortable position and let go of your thoughts was too hard. I got frustrated at times because nothing seemed to happen. I had read so many testimonials of people that had changed their lives after starting to practice meditation regularly, or started to notice that they could meditate longer and longer each week. Some would even say that they had contacted other entities during meditation. I had so many expectations due to this success stories but I guessed it wasn’t working for me. Maybe meditation wasn’t for everybody. But I didn’t give up on trying.

Back in 2016, still living in Amsterdam, I had an introduction to Mindfulness meditation class. Maybe I needed some guidance and would finally understand how it worked. I remember that in the end of that class, which lasted one hour, the teacher mentioned that she had recently completed a silent retreat that went on for ten days, called Vipassana. I was in awe. It was something so new for me that my first thought was: “why would people want to be in silence and sit still for ten days?”. This was another level! If I couldn’t even sit still, without having a million thoughts in my head, for ten minutes straight, I could not imagine how would it be possible for ten days. Although I had this introduction to meditation class, I didn’t continue practicing it on a regular basis afterwards.

Months later, while traveling in S.E. Asia I met several people that had done Vipassana or were about to do. It got me more curious. Even though this was becoming to me a very well known “thing” that more and more people were talking about, I never asked too much about it nor researched. I knew I would like to do it eventually, in the near future, and wanted to be surprised somehow. I can’t tell why, but if there’s anything that can potentially challenge myself and make me grow as a person and see things from another perspective, I’m on board sooner or later. From the feedback I got, some people liked the experience, others not so much but all of them had learned something from it. I went on and applied for it in Malaysia, however because there were only so many vacancies, I stayed on the waiting list. I ended up not being called and understood that maybe it wasn’t the right time just yet. Instead I figured that maybe was the time for me to give it a go and start meditating without expectations. It would be a good preparation, and less of a shock, for when I would get accepted into a meditation retreat. I did it on-and-off, from five to ten minutes maximum.

One year and a half later I was in Spain doing Vipassana.

Vipassana, which means “to see things as they really are”, is an ancient meditation technique rediscovered by Buddha more than 2500 years ago. It focus on the interconnection between mind and body through self-observation and is teached by S.N. Goenka. This retreats are available worldwide and are donation based to be accessible to everyone.

The first paragraph of this article relates how it all started. I knew that in order to meditate I would be sitting for several hours – about 10h or 11h (with small breaks in between). What I didn’t know, because had not experienced it yet, was how uncomfortable you can get after a couple hours sitting in the same position. Everything hurts on a physical level, you feel itchiness and want to scratch your head, a fly lands on your nose. And you try to focus on the technique and try not to move. Vipassana teaches you equanimity, which is to observe those sensations and not react to them. It’s not easy by any means but it is achievable (even if for brief moments). I learned not only on a physical level that that is possible, but most importantly on a mental level. Anything that happens in your life, good or bad, will pass just like the itchiness in your head does.

Being in silence 24/7 was the best part for me. I couldn’t gossip (a big flaw of mine), meaningless chit-chat didn’t happen, groups didn’t form. Each individual was focused on themselves. Males and females had two different access routes, dorms, canteens and never crossed paths to avoid distractions.  

On the second day of the retreat was my 30th birthday. I obviously didn’t have access to my cell phone and Wi-Fi to receive birthday messages. But during that day, a rainy day, I never stop thinking about the people that I love and love me back. Including those that I miss dearly and are in another dimension but, I believe, are still in my life. A massive rainbow in the sky smiled at me among the clouds and made my day. Such a simple thing that we don’t do justice to in our day-to-day busy lives but was huge to me in this context.

Everyday in the retreat is basically the same, you even create your own routine. What changes is the level of difficulty that the technique demands every single day. And you start to change as well. It’s a long time spent with yourself, your thoughts, in your head.

After an experience like this, I wish everybody could try it once in life. It’s so uncomfortable to be with our own self for such a long period of time. However, in opposite to what I used to think, I believe that meditation is for everybody. In order to meditate you don’t need to go to a retreat, you don’t need to research and you don’t even need to be sitting with closed eyes. Today I go for long walks to meditate, I wash my dishes or cook in a meditative state. What it means to meditate can vary depending on the technique but there’s not even a need to follow a specific technique. You can simply be present and with every single thought that appears in your mind, you accept it and lay it aside. If another thought comes up, you do the same – you let it aside. And so on and so on. Just by trying to do so, you are already meditating.

Do you practice or have you practiced any kind of meditation? If not, why? Did this article made you at least a little bit curious about meditation or Vipassana?

I leave you with some very interesting scientific data about meditation and some of the effects it can have on your lifestyle and mental health:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Um estado de espirito meditativo (PT)
Imagina-te numa sala cheia de pessoas. Cerca de 120 pessoas. Os homens estão sentados do lado esquerdo da sala e as mulheres do lado direito, formando filas. À frente estão dois mestres – a Mestra está sentada de frente para as filas femininas e o Mestre em frente às filas masculinas.

Há almofadas empilhadas por baixo do rabo de cada indivíduo para que a posição sentada com as pernas cruzadas sejam mais tolerável. Há silêncio. Tanto silêncio que não tens que fazer nenhum esforço para ouvir a respiração da pessoa ao teu lado, o barulho da chuva miudinha lá fora ou os estômagos cantantes de outras pessoas. Todos tem os olhos fechados. Tu fechas os teus olhos também. A viajem começa.

Eu tinha pesquisado sobre meditação, tinha visto alguns vídeos, fiz download de uma app. No entanto não entendia bem o que era de facto a meditação. Só sabia que era suposto dar paz de espírito, fazer-nos estar mais presentes, reduzir stress e depressão, etc. assim como mostram muitos artigos de estudos feitos. Algo tão simples como fechar os olhos, estar sentado numa posição confortável e deixar de lado os pensamentos era demasiado difícil. Por vezes sentia-me frustrada porque nada parecia acontecer. Tinha lido tantos testemunhos de pessoas que mudaram as suas vidas após começarem a praticar meditação regularmente, ou começaram a notar que conseguiam meditar cada mais e mais tempo a cada semana. Algumas pessoas diziam até que tinham conseguido contactar outras entidades durante a meditação. Eu tinha altas expectativas por saber destas histórias de sucesso e já começava a achar que talvez não estivesse a resultar comigo. Talvez meditação não fosse para toda a gente. Mesmo assim não desisti.

Em 2016, ainda a viver em Amesterdão, fui a uma aula de introdução à meditação “Mindfulness”. Talvez o que eu precisava era de alguma orientação para perceber finalmente como é que isto funcionava. Lembro-me que no final da aula, que durou uma hora, a professora mencionou que recentemente tinha estado a fazer um retiro de silêncio com a duração de dez dias, chamado Vipassana. Eu fiquei pasmada. Era algo tão novo para mim que o meu primeiro pensamento foi: “mas por que raio é que as pessoas querem estar em silêncio e sentadas sem quase se mexerem durante dez dias?”. Isto era um nível muito à frente! Se eu mal conseguia estar sentada, por dez minutos seguidos, sem que milhares de pensamentos me ocorressem na cabeça, não imaginava como era possível fazê-lo por dez dias. Mesmo depois desta aula de introdução à meditação acabei por não praticar com regularidade.

Meses mais tarde, a viajar no Sudeste Asiático, conheci várias pessoas que tinham feito Vipassana ou estavam prestes a fazer. Fiquei com mais curiosidade. Embora para mim isto se tivesse a tornar uma “coisa” conhecida, que cada vez mais pessoas falavam, nunca perguntei muito sobre isso nem fiz muita pesquisa. Sabia que eventualmente gostaria de fazê-lo num futuro próximo e queria surpreender-me de alguma forma. Não sei explicar porquê, mas se houver alguma coisa que me possa desafiar potencialmente, fazer-me crescer como pessoa e ver as coisas de outra perspectiva, eu acabo por querer experimentar mais cedo ou mais tarde. Daquel@s que já tinham feito, ouvi comentários positivos, outros nem tanto, mas tod@s el@s diziam que tinham aprendido alguma coisa. Fui em frente e inscrevi-me no retiro na Malásia mas infelizmente todas as vagas já tinha sido preenchidas e eu fiquei em lista de espera. No fim das contas não fui chamada e percebi que talvez ainda não fosse a hora certa. Em vez disso, pensei que estivesse na hora de dar uma outra oportunidade e começar a meditar sem expectativas. Seria uma boa preparação, e menos chocante, para quando fosse aceite num retiro de meditação. Fi-lo sem grande regularidade, de cinco a dez minutos no máximo.

Um ano e meio depois, estava eu em Espanha a fazer Vipassana.

Vipassana, que significa “ver as coisas como elas realmente são”, é uma técnica de meditação ancestral redescoberta por Buda, há mais de 2500 anos. Foca-se na interconexão entre mente e corpo através de auto-observação e é ensinada por S.N. Goenka. Estes retiros estão disponíveis no mundo inteiro e baseiam-se em doações para seres acessíveis a qualquer pessoa.

O primeiro parágrafo deste artigo relata como tudo começou. Eu sabia que para meditar teria de estar sentada várias horas – cerca de 10h ou 11h (com pequenas pausas). O que eu não sabia, porque nunca tinha experienciado, era o quão desconfortável te podes sentir umas horas depois de estares sentado na mesma posição. Tudo dói a nível físico, sentes comichão e queres coçar a cabeça, uma mosca aterra no teu nariz. E tu tentas-te focar na técnica e tentas não te mexer. Vipassana ensina-te equanimidade, que é o observar essas sensações sem que reajas a elas. Não é fácil de modo nenhum mas é alcançável (nem que seja por breves momentos). Eu aprendi que isto é possível não só a nível físico, mas mais importante, a nível mental. Tudo o que aconteça na tua vida, bom ou mau, vai passar assim como a comichão na cabeça passa.

Estar em silêncio 24 sob 24 horas foi a melhor parte para mim. Não podia fofocar (um grande defeito meu), não se fazia conversa fiada, não se formavam grupos. Cada indivídu@ estava focad@ nel@ mesm@. Homens e mulheres tinham dois caminhos de acesso, cantinas e dormitórios distintos e nunca se cruzavam para evitar distrações.

No segundo dia do retiro era o meu aniversário de 30 anos. Obviamente não tinha acesso ao meu telemóvel nem WI-FI para receber mensagens de parabéns. Mas durante aquele dia, bem chuvoso, nunca parei de ter em mente as pessoas que amo e me amam a mim. Incluindo aquelas de quem tenho tantas saudades e estão noutra dimensão mas que, acredito eu, estão ainda na minha vida. No céu um arco-íris enorme sorriu pra mim por entre as nuvens e fez o meu dia. Uma coisa tão simples à qual não damos muito valor no nosso dia-a-dia atarefado mas que neste contexto teve muito significado.

Todos os dias no retiro são basicamente iguais, até crias a tua própria rotina. O que se altera é o nível de dificuldade que a técnica demanda a cada dia. E tu começas a mudar também. É muito o tempo que passas contigo mesmo, os teus pensamentos, dentro da tua cabeça.

Depois de uma experiência destas, gostava que todas as pessoas pudessem experimentá-la uma vez na vida. É tão desconfortável estarmos connosco próprios por um longo período de tempo. Ainda assim, contrariando o que eu costumava pensar, acredito que a meditação é sim para toda a gente. Para meditares não precisas de fazer um retiro, não precisas de pesquisar sobre isso e nem precisas de te sentar de olhos fechados. Hoje faço caminhadas longas para meditar, lavou a loiça ou cozinho num estado meditativo. O tipo de meditação pode variar consoante a técnica utilizada mas nem sequer é necessário seguir uma técnica específica. Podes estar simplesmente presente e a cada pensamento que apareça na tua mente, tu aceita-o e deixa-o ir. Se outro pensamento vier fazes o mesmo – deixa-o ir. E assim por diante. Só pelo facto de tentares fazê-lo, já estás a meditar.

Praticas ou já praticaste algum tipo de meditação? Se não, porquê? Este artigo deixou-te um pouco mais curios@ sobre a meditação ou sobre Vipassana?

Deixo-te com os seguintes artigos científicas, muito interessantes acerca da meditação e alguns dos seus efeitos a nível de estilo de vida e saúde mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

 

Un estado de espíritu meditativo (ES)

Imagínate en una sala llena de gente. Cerca de 120 personas. Los hombres están sentados en el lado izquierdo de la sala y las mujeres del lado derecho, formando filas. Delante están dos maestros – la Maestra está sentada frente a las filas femeninas y el Maestro frente a las filas masculinas.

Hay cojines apilados debajo del culo de cada individu@ para que la posición sentada con las piernas cruzadas sea más tolerable. Hay silencio. Tanto silencio que no tienes que hacer ningún esfuerzo para oír la respiración de la persona a tu lado, el ruido de la lluvia en el exterior o los estómagos cantantes de otras personas. Todos tienen los ojos cerrados. Tú cierras tus ojos también. El viaje comienza.

Yo había investigado acerca de la meditación, había visto algunos vídeos, descargué una aplicación. Sin embargo, no entendía bien lo que era de hecho la meditación. Sólo sabía que se suponía dar paz de espíritu, hacernos estar más presentes, reducir el estrés y la depresión, etc. así como muestran muchos artículos de estudios hechos. Algo tan simple como cerrar los ojos, estar sentado en una posición cómoda y dejar de lado los pensamientos era demasiado difícil. A veces me sentía frustrada porque nada parecía suceder. Había leído tantos testimonios de personas que cambiaron sus vidas después de comenzar a practicar meditación regularmente, o empezaron a notar que podían meditar cada vez más cada semana. Algunas personas decían hasta que habían logrado contactar a otras entidades durante la meditación. Yo tenía altas expectativas por saber de estas historias de éxito y ya empezaba a pensar que quizás no resultara conmigo. Quizás la meditación no era para todo el mundo. Sin embargo, no desisti.

En 2016, aún viviendo en Amsterdam, fui a una clase de introducción a la meditación “Mindfulness”. Quizás lo que necesitaba era de alguna orientación para percibir finalmente cómo funcionaba. Recuerdo que al final de la clase, que duró una hora, la profesora mencionó que recientemente había hecho un retiro de silencio con la duración de diez días, llamado Vipassana. Me quedé pasmada. Era algo tan nuevo para mí que mi primer pensamiento fue: “¿pero por qué es que la gente quiere estar en silencio y sentada sin moverse durante diez días?”. ¡Esto era un nivel muy por delante! Si yo apenas podía estar sentada por diez minutos seguidos, sin que miles de pensamientos me ocurrieran en la cabeza, no imaginaba cómo era posible hacerlo por diez días. Incluso después de esta clase de introducción a la meditación después terminé por no practicar con regularidad.

Meses más tarde, viajando en el Sudeste Asiático, conocí a varias personas que habían hecho Vipassana o estaban a punto de hacerlo. Me quedé con más curiosidad. Aunque para mí, esto se convirtió en una “cosa” conocida, de la que cada vez más personas hablaban, nunca pregunté mucho sobre ello ni hice mucha investigación. Sabía que eventualmente quisiera hacerlo en un futuro próximo y quería sorprenderme de alguna manera. No sé explicar por qué, pero si hay algo que me pueda desafiar potencialmente, hacerme crecer como persona y ver las cosas desde otra perspectiva, lo probaré tarde o temprano. De l@s que ya lo habían hecho, oí algunos comentarios positivos, otros no tanto, pero tod@s el@s decían que habían aprendido algo. Fui adelante y me inscribí en un retiro en Malasia pero desafortunadamente todas las vacantes ya habían sido llenadas y me quedé en lista de espera. Al final de cuentas no me llamaron y me di cuenta de que quizás no fuera el momento ideal. En vez de eso, pensé que era  la hora de darle otra oportunidad y empezar a meditar sin expectativas. Sería una buena preparación, y menos drástica, para cuando fuera aceptada en un retiro de meditación. Lo hice sin gran regularidad, entre cinco a diez minutos como máximo.

Un año y medio después yo estaba en España haciendo Vipassana.

Vipassana, que significa “ver las cosas como realmente son”, es una técnica de meditación ancestral redescubierta por Buda, hace más de 2500 años. Se centra en la interconexión entre la mente y el cuerpo a través de la auto-observación y es enseñada por S.N. Goenka. Estos retiros están disponibles en todo el mundo y se basan en donaciones para ser accesibles a cualquier persona.

El primer párrafo de este artículo relata cómo empezó todo. Sabía que para meditar tendría que estar sentada varias horas – alrededor de 10h o 11h (con pequeñas pausas). Lo que no sabía, porque nunca había experimentado, era lo incómodo que te puedes sentir después de estar sentado en la misma posición al largo de algunas horas. Todo duele a nivel físico, sientes picor y quieres rascarte la cabeza, una mosca aterriza en tu nariz. Y tú te intentas enfocar en la técnica e intentas no moverte. Vipassana te enseña ecuanimidad, que es el observar esas sensaciones sin reaccionar a ellas. No es fácil pero es alcanzable (ni que sea por breves momentos). He aprendido que esto es posible no sólo a nivel físico, sino también a nivel mental. Todo lo que suceda en tu vida, bueno o malo, pasará así como pasó aquel picor en la cabeza.

Estar en silencio todo aquel tiempo fue la mejor parte para mí. No podía marujear (un gran defecto mío), no se charlava, no se formaban grupos. Cada individu@ estaba enfocado en si mism@. Hombres y mujeres tenían dos caminos de acceso diferentes, cantinas y dormitorios distintos y nunca se cruzaban para evitar distracciones.

En el segundo día del retiro era mi 30º cumpleaños. Obviamente no tenía acceso a mi teléfono móvil ni al WI-FI para recibir mensajes de felicitaciones. Pero durante ese día, bien lluvioso, nunca dejé de tener en mente a las personas que amo y me aman a mí. Incluyendo aquellas que echo mucho de menos y están en otra dimensión pero que, creo yo, todavía están en mi vida. En el cielo un arco iris enorme me sonrió por entre las nubes e hizo mi día. Una cosa tan simple a la que no daría mucho valor en mi día a día en este contexto tuvo mucho significado.

Todos los días en el retiro son básicamente iguales, hasta creas tu propia rutina. Lo que se altera es el nivel de dificultad que la técnica demanda cada día. Y tú empiezas a cambiar también. Es mucho el tiempo que pasas contigo mismo, tus pensamientos, dentro de tu cabeza.

Después de una experiencia de estas, me gustaba que todas las personas pudieran experimentarlo una vez en la vida. Es muy incómodo estar con nosotros mismos por un largo período de tiempo. Sin embargo, contrariando lo que yo solía pensar, creo que la meditación es para todo el mundo. Para meditar no necesitas hacer un retiro, no necesitas investigar sobre ello y no necesitas sentarte con los ojos cerrados. Hoy hago caminatas largas para meditar, friego las vajillas o cocino en un estado meditativo. El tipo de meditación puede variar según la técnica utilizada, pero ni siquiera es necesario seguir una técnica específica. Podrás estar simplemente presente y aceptar cada pensamiento que aparezca en tu mente y dejándolo irse. Si otro pensamiento viene haces lo mismo lo dejar irse. Sólo por el hecho de intentar hacerlo, ya estás meditando.

¿Practicas o has practicado algún tipo de meditación? Si no, ¿por qué? Este artículo te dejó un poco más curios@ sobre la meditación o sobre el Vipassana?

Te dejo con los siguientes artículos científicos, muy interesantes acerca de la meditación y algunos de sus efectos a nivel de estilo de vida y salud mental:

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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29614706

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29420050

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29906030

When your body talks to you

When your body talks to you. (EN)

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

Quando o teu corpo fala contigo. (PT)

Ouves o teu corpo? O que te diz? Quando tens um problema (uma dor, uma doença, uma sensação física estranha, etc.) percebes o que te quer dizer?

Tem sido uma verdadeira benção começar a ouvir e a entender o meu corpo ao longo dos últimos anos. Antes de ter começado a ouvir o meu corpo sentia muitas vezes que ele era meu inimigo. Quando estava doente, enjoada ou com alguma dor pensava coisas como: “que chatice”, “porquê eu?”, “ficar doente agora não dá jeito nenhum”, “mas agora qual é o problema?”. E lá ia queixar-me ao médico, ou tomar aqueles medicamentos que estão sempre ao alcance. Mas na realidade nunca pensava no que era que o meu corpo me estava a querer dizer.

No meu primeiro artigo falei de como tive, durante muitos anos, frequentes enjoos matinais. Despertava com uma enorme sensação de fraqueza e quando me levantava tinha de me sentar ou deitar imediatamente. Até que bebesse água com açúcar o enjoo não passava e cheguei até a desmaiar. Tinha me queixado das tonturas matinais a vários médicos ao longo dos anos e todos diziam que isso era falta de açúcar no sangue e que devia comer algo doce à noite antes de dormir. Quem leu esse artigo talvez se lembre que mais  tarde descobri que na verdade o problema era exactamente o contrário. Na realidade aqueles enjoos matinais não eram nada mais que o meu corpo a alertar-me para o facto de que tinha que parar com o consumo exagerado de açúcar refinado. Olhando para trás não gosto nem de imaginar o que poderia ter acontecido se tivesse ignorado esses sinais durante muito mais tempo.   

Desde muito pequena que sofro com o “flagelo” do herpes labial. Não me lembro de existir sem episódios mais ou menos frequentes de “herpes simplex” a acontecerem no meu lábio superior. Sempre relativamente ao centro de maneira que, às vezes, quando a inflamação piorava, eu ficava com o lábio a tocar na ponta do nariz. Estas crises sempre mexeram muito com a minha auto-estima e com a minha qualidade de vida. Quando tinha uma crise de herpes não tinha vontade nem de existir. A dor física misturada com comichão que o vírus provoca, aliada ao inchaço e à erupção de pus amarelo, que se traduz visualmente em algo bastante nojento, faziam com que falar e comer fosse um tormento, e com que sair de casa e expor-me aos olhares das outras pessoas parecesse um pesadelo. Mas a verdade é que acontecia demasiadas vezes para que a minha vida normal pudesse realmente parar cada vez que tinha uma crise. Fui bastantes vezes ao médico por causa de crises de herpes que pareciam não ter fim. Os médicos nunca me deram muita esperança de que alguma vez pudesse controlar os episódios de herpes, receitavam os típicos anti-virais em comprimido ou em pomada e diziam-me que não havia nada mais a fazer.  

Desde à uns anos para cá, comecei a tentar observar a relação que o herpes tinha com o meu humor e estado mental, com a minha alimentação, e com o meu ciclo menstrual.

Desde que tive o período pela primeira vez, lá para os 13 anos de idade, lembro-me de ter dores menstruais lancinantes. Essas dores diminuíram um pouco durante os anos em que tomei a pílula anticoncepcional e voltaram em força quando deixei de a tomar. Durante cerca de três ou quatro horas, no primeiro dia do meu ciclo, ficava completamente incapacitada pela dor. Não conseguia nem pensar, estar de pé ou sentada era muito difícil, tinha enjoos, tonturas e calafrios, muitas cólicas, diarreia, sentia todo o corpo dorido, a vulva inchada, as pernas pesadas. Passava essas horas entre a casa de banho e o sofá, enrolada em posição fetal. Mais uma vez os médicos não ajudaram muito, a pílula anticoncepcional era a única solução apontada e os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios eram receitados para “poder fazer uma vida normal”.

Há algum tempo comecei também a perguntar-me se realmente teria que viver com aquelas dores mensais até à menopausa. Comecei a ler sobre o assunto e também a falar sobre isso com a minha irmã, especialmente a partir do momento em que ela começou a estudar nutrição holística.

Voltando à questão do herpes. Percebi que o herpes “aparecia” sobretudo se pelo menos dois destes factores se juntavam:

  • Ter momentos de grande stress emocional, como discussões, ter que tocar em temas sensíveis com alguém importante para mim, ou quando algo me causa muita vergonha ou sensação de desmerecimento;  
  • Consumir grandes quantidades de chocolate ou frutos secos e sementes (ou a junção de todos);
  • Estar no final do ciclo menstrual (fase lútea).

Além disso percebi que normalmente o meu estado de ânimo piorava bastante no final do ciclo menstrual, o que fazia com que nessa altura os momentos de stress emocional também fossem mais propícios.

As coisas começaram a fazer ainda mais sentido quando a Tico me comentou que tinha aprendido nas aulas dela, que a ativação do herpes e o seu agravamento, estavam bastante relacionados com um aminoácido chamado arginina. O que ela me explicou, e que eu depois pude verificar através de artigos científicos online, foi que este aminoácido é necessário para a expressão das funções do vírus, ou seja essencial para que o vírus latente desperte e se manifeste (quem tem herpes vive com ele no estado latente até que volta “a aparecer”, e quando a lesão se cura o vírus volta ao estado adormecido). Por outro lado existe um aminoácido análogo à arginina, a lisina, que ajuda na supressão do vírus. A lisina é reconhecida pelo vírus como se fosse arginina mas ao contrário da segunda não possibilita a sua multiplicação.

Nesse sentido, tanto como forma de prevenção como de luta contra o herpes, a alimentação é muito importante. Pois tanto a arginina como a lisina se encontram em doses maiores ou menores na maioria dos alimentos. – Talvez seja também importante referir que embora estes dois aminoácidos sejam muito importantes para o normal e saudável funcionamento do organismo, apenas a lisina é considerada um aminoácido essencial (não é produzida no corpo humano tendo que se obter do exterior, através da alimentação ou suplementação), pois a arginina pode sintetizada endogenamente por humanos saudáveis. – Por exemplo o chocolate, o coco, os frutos secos e as sementes têm uma grande quantidade de arginina e muito pouca lisina. Por outro lado a beterraba, a maçã, a manga, o abacate, os figos e os pêssegos, entre outras frutas e vegetais têm grandes quantidades de lisina e menores quantidades de arginina.

Como os episódios de manifestação do herpes me acontecem maioritariamente durante os 12 dias antes do período decidi, nessa fase do meu ciclo, cortar com os alimentos que aportavam grandes doses de arginina e baixas de lisina e, para ajudar na prevenção, comprei um suplemento de lisina para tomar caso achasse que as possibilidades de despertar o herpes (por causa de algum pico de stress imprevisto) tivessem aumentado nalgum momento específico.

O resultado com relação à prevenção do herpes tem sido extraordinário. Vão fazer 5 meses que comecei esta experiência e tenho conseguido manter o vírus adormecido.

Mas o melhor é que esta simples mudança cíclica de alimentação também veio apaziguar as minhas dores menstruais. Entretanto andei a pesquisar sobre isso e, apesar de não haver muita informação científica disponível, parece que o consumo de frutos secos e sementes (e neste caso o seu não consumo) podem ajudar a reequilibrar os desequilíbrios hormonais que podem ser a causa de oscilações de humor e menstruações dolorosas.

Resumindo, mais uma vez, ao ouvir o meu corpo, não só aquilo o que ele me diz fisicamente mas também as expressões físicas dos meus estados emocionais, e ao analisar a minha alimentação e redesenhá-la, consegui melhorar bastante a minha qualidade de vida no que diz respeito a estes dois problemas crónicos, tudo isto sem a ajuda de medicamentos nem de médicos.

No outro dia veio-me um velho e recorrente pensamento à cabeça: “Que bom que seria que pudesse curar o raio do herpes definitivamente”.  Mas surpreendentemente outro pensamento se seguiu: “Não, na realidade não. Na verdade o herpes é uma das maneiras que o meu corpo tem de me dizer que estou a fazer algo mal. Quando me apercebo que o meu herpes labial está a ponto de despontar (quem o tem sabe que uma sensação muito particular, como um ardor localizado, precede o primeiro sinal visível) já sei que é porque me estou a deixar levar pelo stress e pelos pensamentos negativos, se não fosse esse aviso quem sabe os danos que poderia provocar até que o corpo me desse outro sinal mais forte.

Estas não foram as únicas vezes que o meu corpo me disse que algo não estava bem e eu ouvi. Mas basta uma ou duas para ilustrar o como a minha vida mudou quando percebi que uma dor não é o corpo “a ser chato” mas sim a ser o meu melhor companheiro.

Espero não ter sido eu a chata com tantos detalhes técnicos ou pouco agradáveis, o meu objectivo com este texto não é mais do que empoderar-te para ouvir o teu corpo e procurar soluções a longo prazo, sem riscos nem efeitos secundários, para os teus próprios problemas de saúde.

Escuta o teu corpo. Sentes alguma coisa fora do comum? Sentes algo que já vem sendo habitual mas que sabes que não é normal? O que vais fazer quanto a isso? Meter tudo para baixo do tapete com um remédio rápido mas de curta duração? Ou vais parar para ouvir realmente, dialogar com o teu corpo, analisar os teus comportamentos e investigar o que podes fazer para solucionar o problema?


 

When your body talks to you. (EN)

Do you listen to your body? what does it tell you? When you have a problem (a pain, a disease, an odd physical sensation, etc.) do you understand what it wants to tell you?

It has been a real blessing to start listening and understanding my body throughout the last few years. Before I started to listen to my body I used to feel that it was my enemy.  When I was hill, sick to my stomach or having any ache I used to think: “what a pain in the ass”, “why me?”, “this is the worst timing to be sick!”, “what is wrong with me now?”. And there I was complaining to the doctor or taking those meds that are very accessible. In truth I never thought of what my body was trying to tell me.

In my first article I wrote about my frequent morning sickness that went on for many years. I would wake up with a huge weakness sensation and when standing up, I would have to seat or lay down immediately. I even passed out at times and this sickness would only go away after drinking sugar water. Over the years I had complaint to several doctors about my dizziness and all of them said the same, that it was low blood sugar and therefore I should eat something sweet at night before bed time. Whoever read that article might recall that later I found out that in truth the problem was the exact opposite. The morning sickness was indeed my body trying to alert myself for the fact that I was consuming way too much refined sugar. Looking back I can’t imagine what might have happened if I had ignored those symptoms for a longer period of time.

Since I was a little child that I suffer with cold sores. Since I can remember I always had those episodes more or less frequent of herpes simplex, in my upper lip. Right in the center of my lip which sometimes, when the inflammation got worse, my lip would touch the tip of my nose. Those flares always disturbed my self-esteem and quality of life. I didn’t even feel like being alive once a herpes flare started to show up. The physical pain mixed up with the itchiness provoked by the virus, plus the swelling and the yellow pus outbreak (that visually turns out pretty disgusting), would make eating or talking a real torment, and leaving the house to get exposed to prying eyes seemed like a nightmare. Actually, this would happen so often that my regular life couldn’t stop every time a herpes outbreak would start. I’ve seen the doctor many times due to this attacks that seemed to be endless. Doctors never gave me any hope to believe that those episodes would ever be in control, they would prescribe the standard antiviral pills or ointment and just say that there wasn’t anything else that could be done.

Since a few years ago, I began observing the relationship between the cold sores and my mood and state of mind, with my diet and with my menstrual cycle.

Since when I had my first period, I think by the age of 13, I remember having harrowing menstrual cramps. These pain subsided a little during the years I took the contraceptive pill and came back when I stopped taking it. For about three or four hours, on the first day of my cycle, I was completely incapacitated by the pain. I couldn’t even think, standing or sitting was very difficult, I had nausea, dizziness and chills, many cramps, diarrhea, my whole body ached, my vulva felt swollen and my legs heavy. I would spend these hours between the bathroom and the sofa, rolled up in fetal position. Again the doctors did not help much, the contraceptive pill was the only solution pointed out and the analgesic and anti-inflammatory drugs were prescribed to “be able to lead a normal life.”

Some time ago I also began to wonder if I really would have to live with those monthly aches until reaching the menopause. I started reading about it and also talking about it with my sister, especially from the time she started studying holistic nutrition.

Back to the herpes subject. I noticed that cold sores “appeared” especially if at least two of these factors happened:

  • Having moments of great emotional stress, such as fights and arguments, having to touch sensitive subjects with someone important to me, or when something causes me a lot of embarrassment or a sense of unworthiness;
  • Consuming large quantities of chocolate or nuts and seeds (or the mix of it all);
  • Being at the end of the menstrual cycle (luteal phase).

Besides this, I realised that my mood usually got worse at the end of the menstrual cycle, which also made the emotional stress moments more propitious.

Things started to make even more sense when Tico told me that she had learned in her classes that herpes activation and its aggravation were closely related to an amino acid called arginine. What she explained to me, and which I later verified through online scientific articles, was that this amino acid is necessary for the expression of virus functions, meaning that it is essential for the latent virus to awaken and manifest itself (whoever has herpes lives with it latently until it bursts again, and when the lesion heals the virus returns to its dormant state). On the other hand there is an amino acid analogous to arginine, this one named lysine, which helps in suppressing the virus. Lysine is recognised by the virus as if it were arginine but unlike the second it does not allow its multiplication.

In this sense, nutrition is very important when it comes to prevention and fighting herpes. Because both arginine and lysine are found in higher or lower doses in most foods. – It may also be important to note that although these two amino acids are very important for the normal and healthy functioning of the body, only lysine is considered to be an essential amino acid (it is not produced by the human body and has to be obtained through food or supplements), since arginine can be synthesized endogenously by healthy humans. – For example, chocolate, coconut, nuts and seeds have a large amount of arginine and very little lysine. On the other hand beets, apples, mangoes, avocados, figs and peaches, among other fruits and vegetables have large amounts of lysine and smaller amounts of arginine.

Since my herpes outbreaks occur mostly during the 12 days before menstruation, I decided to cut back on foods that had large doses of arginine and low lysine, at this stage of my cycle, and to help with prevention I got a lysine supplement to take if I thought that the chances of a cold sore bursting (because of some unforeseen peak of stress for example) had increased in some specific moment.

The result regarding herpes prevention has been extraordinary. It has been close to 5 months since I started this experiment and I have managed to keep the virus at bay.

But the best thing is that this simple cyclical shift in the foods I eat has also come to appease my menstrual cramps. In the meantime I have been researching this, and although there is not much scientific information available, it seems that the consumption of nuts and seeds (and in this case their non-consumption) can help to rebalance the hormonal imbalances that may be the cause of oscillations of mood and painful periods.

Summing up, once again, by listening to my body, not only what it tells me physically but also the physical expressions of my emotional states, and by analysing my diet and redesigning it, I was able to improve my quality of life a lot with regard to these two chronic problems, all without the help of medicines or doctors.

The other day an old recurring thought came to me: “It would be so nice if I could cure the damn herpes for good.” But surprisingly another thought followed: “No, not really. In fact cold sores are one of the ways my body has to tell me that I am doing something wrong. When I realize that my cold sores are on the verge of emerging (whoever has them knows that a very particular sensation, like a localised burning, precedes the first visible signs) I already know that it is because I am letting myself go with stress and negative thoughts, if it had not been for this warning who knows the damage it could cause until the body gave me another stronger warning.

These were not the only times my body told me that something was not right and I heard it. But I guess just one or two are enough to illustrate how my life changed when I realised that pain is not my body being “a jerk” but rather being my best friend.

I hope I have not been too boring with so many technical or unpleasant details, my goal with this text is to empower you to listen to your body and look for long-term solutions, without risks or side effects, for your health problems.

Listen to your body. Do you feel anything out of the ordinary? Do you feel something that is already usual but you know it is not normal? What are you going to do about it? Put everything underneath the carpet with a quick but short-lasting remedy? Or are you going to stop to really listen and dialogue with your body, analyse your behaviours and investigate what you can do to solve the problem?


 

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

¿Oyes tu cuerpo? ¿Qué te dice? Cuando tienes un problema (un dolor, una enfermedad, una sensación física extraña, etc.) te das cuenta de lo que quieres decir?

Ha sido una verdadera bendición empezar a escuchar y entender mi cuerpo a lo largo de los últimos años. Antes de haber comenzado a oír mi cuerpo sentía muchas veces que él era mi enemigo. Cuando estaba enferma, mareada o con algún dolor pensaba cosas como: “que desastre”, “¿por qué yo?”, “ponerme enferma ahora no me va nada bien”, “¿pero ahora cuál es el problema?”. Y luego me iba a quejarme al médico, o tomaba esos medicamentos que están siempre al alcance. Pero en realidad nunca pensaba en lo que mi cuerpo me quería decir.

En mi primer artículo hablé de cómo tuve, durante muchos años, frecuentes mareos matutinos. Despertaba con una enorme sensación de debilidad y cuando me levantaba tenía que sentarme o acostarme inmediatamente. Hasta que bebiera agua con azúcar el mareo no pasaba y llegué hasta a desmayarme. Me quejé de los mareos matutinos a varios médicos a lo largo de los años y todos decían que aquello era falta de azúcar en la sangre y que tenía que comer algo dulce por la noche antes de dormir. Quienes han leído este artículo quizás recuerden que más tarde descubrí que en realidad el problema era exactamente lo contrario. En realidad, esos mareos matinales no eran más que mi cuerpo advirtiéndome del hecho de que tenía que parar con el consumo exagerado de azúcar refinado. Mirando hacia atrás no me gusta ni imaginar lo que podría haber ocurrido si hubiera ignorado esas señales durante mucho más tiempo.

Desde muy pequeña que sufro con el “flagelo” del herpes labial. No recuerdo mi existencia sin episodios más o menos frecuentes de “herpes simplex” ocurriendo en mi labio superior. Siempre relativamente al centro de manera que, a veces, cuando la inflamación empeoraba, el labio me llegaba a tocar la punta de la nariz. Estas crisis siempre se han bajado mucho mi autoestima y mi calidad de vida. Cuando tenía una crisis de herpes no tenía ganas ni de existir. El dolor físico mezclado con picor que el virus provoca, aliado a la hinchazón y la erupción de pus amarillo, que se traduce visualmente en algo bastante asqueroso, hacían que hablar y comer fuera un tormento, y que salir de casa y exponerme a las miradas de las otras personas pareciera una pesadilla. Pero la verdad es que sucedía demasiadas veces para que mi vida normal pudiera realmente parar cada vez que tenía una crisis. Fui bastantes veces al médico a causa de crisis de herpes que parecían no tener fin. Los médicos nunca me dieron mucha esperanza de que alguna vez pudiera controlar los episodios de herpes, recetaban los típicos anti-virales en comprimido o en crema y me decían que no había nada más que hacer.

Desde hace unos años, empecé a observar la relación que el herpes tenía con mi estado de ánimo y estado mental, con mi alimentación, y con mi ciclo menstrual.

Desde que tuve la regla por primera vez, creo que a los 13 años, me acuerdo de tener dolores menstruales lancinantes. Estos dolores disminuyeron un poco durante los años en que tomé la píldora anticonceptiva y volvieron en fuerza cuando dejé de tomarla. Durante cerca de tres o cuatro horas, en el primer día de mi ciclo, estaba completamente incapacitada por el dolor. No podía ni pensar, estar de pie o sentada era muy difícil, tenía mareos y escalofríos, muchos cólicos, diarrea, sentía todo el cuerpo dolorido, la vulva hinchada, las piernas pesadas. Pasaba esas horas entre el baño y el sofá, enrollada en posición fetal. Una vez más los médicos no ayudaron mucho, la píldora anticonceptiva era la única solución apuntada y los medicamentos analgésicos y anti-inflamatorios eran recetados para “poder hacer una vida normal”.

Hace algún tiempo empecé también a preguntarme si realmente tendría que vivir con esos dolores mensuales hasta la menopausia. Comencé a leer sobre el tema y también a hablar de ello con mi hermana, especialmente a partir del momento en que ella empezó a estudiar nutrición holística.

Volviendo al tema del herpes. Percibí que el herpes “aparecía” sobre todo si al menos dos de estos factores se juntaban:

  • Tener momentos de gran estrés emocional, como discusiones, tener que tocar en temas sensibles con alguien importante para mí, o cuando algo me causa mucha vergüenza o sensación de desmerecimiento;
  • Consumir grandes cantidades de chocolate o frutos secos y semillas (o la unión de todos);
  • Estar al final del ciclo menstrual (fase lútea).

Además, percibí que normalmente mi estado de ánimo empeoraba bastante al final del ciclo menstrual, lo que hacía que en ese momento los picos de estrés emocional también fueran más propicios.

Las cosas empezaron a hacer aún más sentido cuando Tico me comentó que había aprendido en sus clases, que la activación del herpes y su agravamiento, estaban bastante relacionados con un aminoácido llamado arginina. Lo que ella me explicó, y que después pude comprobar a través de artículos científicos online, fue que este aminoácido es necesario para la expresión de las funciones del virus, o sea esencial para que el virus latente despierte y se manifieste (quien tiene herpes vive con en el estado latente hasta que vuelve “a aparecer”, y cuando la lesión se cura el virus vuelve al estado dormido). Por otro lado existe un aminoácido análogo a la arginina, la lisina, que ayuda a la supresión del virus. La lisina es reconocida por el virus como si fuera arginina pero al contrario de la segunda no posibilita su multiplicación.

En ese sentido, tanto como forma de prevención como de lucha contra el virus, la alimentación es muy importante. Pues tanto la arginina como la lisina se encuentran en dosis mayores o menores en la mayoría de los alimentos. – Quizás sea también importante señalar que aunque estos dos aminoácidos son muy importantes para el normal y saludable funcionamiento del organismo, sólo la lisina se considera un aminoácido esencial (no se produce en el cuerpo humano teniendo que obtenerse del exterior, a través de la alimentación o suplementación), pues la arginina puede ser sintetizada endógenamente por los humanos sanos. – Por ejemplo el chocolate, el coco, los frutos secos y las semillas tienen una gran cantidad de arginina y muy poca lisina. Por otro lado la remolacha, la manzana, la manga, el aguacate, el higo y le melocotón, entre otras frutas y vegetales tienen grandes cantidades de lisina y menores cantidades de arginina.

Como los episodios de manifestación del herpes me suceden mayoritariamente durante los 12 días antes del período, decidí, en esa fase de mi ciclo, cortar con los alimentos que aportan grandes dosis de arginina y bajas de lisina y, para ayudar en la prevención, compré un suplemento de lisina para tomar veo que las posibilidades de despertar el herpes (debido a algún pico de estrés imprevisto) han aumentado en algún momento específico.

El resultado con respecto a la prevención del herpes ha sido extraordinario. Hace 5 meses que empecé esta experiencia y hasta ahora he conseguido mantener el virus dormido.

Pero lo mejor  de todo es que este simple cambio cíclico de alimentación también vino a apaciguar mis dolores menstruales. He estado investigando sobre esto y, a pesar de que no hay mucha información científica disponible, parece que el consumo de frutos secos y semillas (y en este caso su no consumo) pueden ayudar a re-equilibrar los desequilibrios hormonales que pueden ser la causa de oscilaciones de humor y menstruaciones dolorosas.

Resumiendo, una vez más, al oír mi cuerpo, no sólo lo que él me dice físicamente, sino también las expresiones físicas de mis estados emocionales, y al analizar mi alimentación y rediseñarla, logré mejorar bastante mi calidad de vida en lo que se refiere a estos dos problemas crónicos, todo ello sin la ayuda de medicamentos ni de médicos.

El otro día me vino un viejo y recurrente pensamiento a la cabeza: “Qué bueno que sería si pudiera curar el maldito del herpes de una vez”. Pero sorprendentemente otro pensamiento se siguió: “No, en realidad no. En realidad el herpes es una de las maneras que mi cuerpo tiene para decirme que estoy haciendo algo mal. Cuando me doy cuenta de que mi herpes labial está a punto de despuntar (quien lo tiene sabe que una sensación muy particular, como un ardor localizado, precede la primera señal visible) ya sé que es porque me estoy dejando llevar por el estrés y los pensamientos negativos, si no fuera ese aviso quien sabe los daños que podría provocar hasta que el cuerpo me diera otra señal más fuerte.

Estas no fueron las únicas veces que mi cuerpo me dijo que algo no estaba bien y lo oí. Pero basta con una o dos para ilustrar cómo mi vida cambió cuando percibí que un dolor no es el cuerpo “fastidiando” sino siendo mi mejor compañero.

Espero no haber sido muy aburrida con tantos detalles técnicos o poco agradables, mi objetivo con este texto no es más que empoderarte para oír tu cuerpo y buscar soluciones a largo plazo, sin riesgos ni efectos secundarios, para los tuyos propios problemas de salud.

Escucha tu cuerpo. ¿Sientes algo fuera de lo común? ¿Sientes algo que ya viene siendo habitual pero que sabes que no es normal? ¿Qué vas a hacer en cuanto a eso? ¿Meter todo bajo la alfombra con un remedio rápido pero de corta duración? ¿O vas a parar para escuchar realmente, dialogar con tu cuerpo, analizar tus comportamientos e investigar lo que puedes hacer para solucionar el problema?

Vine with a soul

Videira com alma (PT)

Vid con alma (ES)

Vine with a soul (EN)

In some of my previous articles, I briefly talked about Peru and how my life changed after that trip. What I didn’t say is that there was a special event that occurred in the Amazon that made me see life with “new eyes”.

To better contextualise what my life looked like at that moment, I have to go back in time to when my mother got sick. Diagnosed with a brain tumour, she was operated twice which left her without talking, reading, writing and very limited motion. This went on for an entire year that never seemed to come to an end. When she died, I “ran away” from Portugal (my country) and settled down in Amsterdam with my boyfriend at the time. After a couple of unfulfilling jobs, unsuccessful attempts to change my career and now a broken relationship, here I was with a plane ticket to Peru.

Immersed in the Amazon rainforest, I was fortunate enough to learn about plants with an instructor and a Shaman. One day, we went on a hike and passed by some Psychotria Viridis trees (a.k.a. Chocruna) and start picking some leaves. Later on, we mixed them up with Banisteriopsis Caapi (a.k.a. Ayahuasca) vine and other herbs and brewed it all for about eight hours straight. This remedy, most known as Ayahuasca in the ancient language of Quechua, translates to something like “vine with a soul”, has been used by indigenous people in ceremonies for thousands of years.

What happens on a chemistry level is that Chocruna contains a very high amount of DMT – a neurotransmitter found in the human body as well but broken down by enzymes. On the other hand, Ayahuasca has the capacity to inhibit those enzymes from breaking down the DMT, allowing access to altered states of consciousness.

Ayahuasca was “calling me” for a couple years at this point. I had watched documentaries, read about the plants and knew that one day I would be taking it. Perhaps I was manifesting it all along. (An article about manifestation will come out soon).

At nightfall, the Shaman got dressed up with his special garment, gathered some members of the community and four “gringos” (including myself) and the ceremony began. Facing the sunrise side, with a small glass in my hand containing the drink, I was encouraged to think about some insights I was looking for with this experience as well as giving thanks to the plants. However, as I had read before, I knew that the things plants show us are what we need and not what we want. I focused mainly in two things: connect to my mother & know the reason behind my low tolerance to pain issues and passing out quite a lot.   *

I drank the shot, sat down and waited for the effect with a peaceful mindset. When the Ayahuasca kicked in, I started seeing neon lines that formed strange shapes. These images in my mind were quite exhausting to look at and I was getting tired of it. Suddenly, I fainted and could see myself and all the others from above, as if I was out of my body. I knew that I was in another dimension. The same place that I normally go when I pass out. It is like being in a dream but with a special frequency, where I can only go when passing out. At that moment I got a download of information (very difficult to explain but something that occurs in many Ayahuasca or magic mushrooms experiences) and I simply knew that passing out was a reminder of a parallel/ passed life I had. In other words, I wasn’t supposed to forget the other life, during this lifetime and fainting was a way of being connected and reminded of that.

I then “woke up” from passing out and sat down again. I started thinking about my mother and all the pain that came with her disease and passing away – “Why did she leave us so soon? Why her? What was she going through and could not share with us? Was she mad at me for some reason?”. I felt her presence. I couldn’t see her but I knew she was around. She told me that nothing we had done differently could have stopped her from leaving us. From leaving this dimension. She had to go through everything during that year in order to learn her lessons. I couldn’t stop crying. It’s like I was crying the tears that I couldn’t cry during that year because I had to be strong. My experience went for about six hours and I saw many more things.

Ayahuasca is considered a drug in Western culture because on this side of the world most people are not as connected to plants. We are used to “put all drugs in the same bag” as if they are all addictive, damaging and disgraceful. I could not disagree more. The synthetic substances, made in labs, toxic, using specific parts of plants rather than the whole plant, alcohol etc. – those are the dangerous drugs.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro and many more plants can be used as medicine. They have been used for thousands of years and have numerous benefits, without causing addiction. In fact some of these remedies help people with addictions, depression, anxiety and so on. Plants should be handled by those that deeply know them and can conduct ceremonies in order to help others.

Drugs on the other side, are those things we get prescribed every time we go to the doctor and complain of something. Drugs that we can get addicted to, drugs that are far more dangerous than we think, drugs that only mask the root causes of our problems. Drugs that many of us drink on a daily basis and are packed in cans or in bottles. But those drugs no one question about because they are socially acceptable.

This special event that happened in the Amazon was an Ayahuasca ceremony and it helped me tremendously with those questions I had always on my mind regarding my mother’s sickness and death. It made me accept better my issue with fainting. It changed my habit of thinking way too much about the past and brought me peace.

*  All my life I have had this undiagnosed condition, which is to faint for anything and everything. Whereas is for seeing blood, getting hurt, falling, being scared, having pain, feeling weak, draw blood, receiving bad news etc. At some point in my life I would faint a couple times a week, then it got better but never stopped happening.

Videira com alma (PT)

Nalguns dos artigos que escrevi anteriormente, falei por alto sobre o Peru e sobre como a minha vida mudou depois daquela viagem. O que eu não disse, foi que houve um acontecimento especial na Amazónia que me fez ver a vida com outros olhos.

Para melhor contextualizar como estava a minha vida naquele momento, tenho que ir atrás no tempo e parar na altura em que a minha mãe ficou doente. Diagnosticada com um tumor cerebral, foi operada duas vezes, o que a deixou sem falar, ler, escrever e com uma capacidade muito limitada de se movimentar em geral. Assim esteve durante um ano inteiro. Esse ano pareceu não ter fim. Quando ela morreu, eu “fugi” de Portugal e fui assentar em Amesterdão com o namorado que tinha na altura. Anos depois, com trabalhos que não me preenchiam, tentativas falhadas de mudar de rumo e agora de namoro terminado, ali estava eu com um bilhete de avião com destino ao Peru.

Imersa na floresta tropical da Amazónia, tive o privilégio de aprender sobre plantas com um instrutor e um Xamã. Um dia, fizemos uma caminhada onde passamos por árvores de Psychotria Viridis (mais conhecida como Chocruna) e começámos a apanhar as suas folhas. Mais tarde, misturámo-las com a videira Banisteriopsis Caapi (mais conhecida como Ayahuasca) e outras ervas para fazer uma decocção que durou cerca de oito horas. Este remédio, que se dá pelo nome de Ayahuasca na língua anciã Quechua, traduz-se para algo como “videira com alma” e tem vindo a ser usado por comunidades indígenas há milhares de anos em cerimónias.

O que acontece a nível químico é que a Chocruna contém uma dose alta de DMT – um neurotransmissor que também se encontra no corpo humano mas é decomposto por enzimas. A Ayahuasca por sua vez, tem a capacidade de impedir que as enzimas decomponham o DMT, permitindo assim o acesso a estados alterados de consciência.

A Ayahuasca já me “chamava” há um par de anos. Vi vários documentários, li sobre as plantas e sabia que um dia a iria tomar. Talvez estivesse a manifestar esta intenção já desde aí. (Um artigo sobre manifestação estará para breve.)

Ao cair da noite, o Xamã vestiu-se a rigor com uma indumentária especial, juntou alguns membros da comunidade mais quatro “gringos” (incluindo eu) e a cerimónia começou. Voltada para o lado em que nasce o sol, com um pequeno copo na mão contendo a bebida, fui encorajada a pensar na experiência que aí vinha bem como agradecer às plantas. No entanto sabia, como tinha lido anteriormente, que o que as plantas nos mostram é aquilo que nós precisamos e não aquilo que nós queremos. Foquei-me sobretudo em duas coisas: contactar com a minha mãe & saber a razão por detrás da minha baixa tolerância às dores e o facto de desmaiar demasiadas vezes.* 

Assim que o efeito da Ayahuasca arrancou, comecei a ver linhas néon que formava formas estranhas. Essas imagens na minha cabeça eram muito exaustivas e eu comecei a ficar cansada de as ver. Subitamente desmaiei e conseguia ver-me ali deitada no chão e a todos os outros participantes na cerimónia de uma perspectiva de cima, como se estivesse fora do meu corpo. Sabia que estava noutra dimensão. O mesmo sítio para onde vou sempre que desmaio. É como se estivesse num sonho mas com uma frequência muito própria à qual só tenho acesso quando desmaio. Nesse momento tive uma “transferência” de informação (muito difícil de explicar mas é algo que acontece com muitas pessoas que tomam Ayahuasca ou cogumelos mágicos) e simplesmente sabia agora que desmaiar era um lembrete de uma vida paralela/ passada que eu tive. Por outras palavras, durante esta minha vida era suposto eu não me esquecer daquela outra vida e desmaiar era assim a forma de me manter ligada a ela.

Depois “despertei” do desmaio e sentei-me de novo. Comecei a pensar na minha mãe e na tamanha dor que veio com a doença e morte dela – “Porque é que ela nos deixou tão cedo? Porquê ela? Quais seriam as coisas pelas quais ela tinha passado e não podia partilhar connosco naquela condição? Estaria ela zangada comigo por alguma razão?” Senti a sua presença. Não a conseguia ver mas sabia que ela estava ali comigo. Ela disse-me que mesmo que as coisas tivessem sido feitas de forma diferente aquando da sua doença, nada iria mudar o seu rumo. Que ela tinha que passar por tudo aquilo que passou durante aquele ano para que pudesse aprender as suas lições. Nada que nós fizéssemos iria prevenir aquele fim e deixar esta dimensão. Eu não conseguia parar de chorar. Era como se tivesse a derramar as lágrimas que não pude chorar durante um ano inteiro pois tinha que ser forte. A minha experiência durou cerca de seis horas e vi muitas outras coisas.

A Ayahuasca é considerada uma droga na cultura ocidental porque neste lado do mundo a maior parte das pessoas não estão assim tão ligadas às plantas. Estamos habituados a meter as drogas “todas no mesmo saco” como se todas fossem viciantes, prejudiciais e indignas. Eu não poderia estar mais em desacordo. As substâncias sintéticas, feitas em laboratório, tóxicas, usando apenas partes específicas das plantas, álcool etc. – essas são as drogas prejudiciais.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro entre muitas outras plantas podem ser usadas como medicamento. São usadas há milhares de anos e têm inúmeros benefícios, sem causar dependências. Na realidade alguns destes remédios podem ajudar pessoas com vícios, depressão, ansiedade e por aí fora. As plantas deveriam ser usadas por aqueles que as conhecem e que sabem conduzir cerimónias para ajudar os outros.

Drogas no sentido da palavra, são aquelas coisas que nos receitam sempre que vamos ao médico queixando-nos de alguma coisa. Drogas que nos deixam dependentes, drogas que são muito mais perigosas do que nós pensamos, drogas que só mascaram a raiz ou a causa dos nossos problemas. Drogas que muitas pessoas consomem diariamente e que estão embaladas em latas, garrafas e pacotes de cartão.. Mas essas drogas ninguém questiona porque são socialmente aceites.

Este acontecimento especial que vivi na Amazónia chamado “cerimónia de Ayahuasca” ajudou-me tremendamente com aquelas questões que tinha sempre na minha cabeça sobre a doença e morte da minha mãe. Fez-me aceitar melhor a minha tendência para desmaiar. Mudou o meu hábito de pensar demasiado sobre o passado e trouxe-me paz.

*  Toda a minha vida tive esta condição sem diagnóstico que faz com que eu desmaie por tudo e por nada. Seja por ver sangue, magoar-me, cair, assustar-me, sentir dor, sentir fraqueza, tirar sangue, receber más notícias etc. Numa altura da minha vida desmaiava duas vezes por semana, depois melhorou mas nunca deixou de acontecer.

Vid con alma (ES)

En algunos de los artículos que escribí anteriormente, hablé por encima sobre mi viaje a Perú y sobre cómo mi vida cambió después de aquel viaje. Lo que no dije, fue que hubo un acontecimiento especial en Amazonia, que me hizo ver la vida con otros ojos.

Para mejor contextualizar cómo estaba mi vida en ese momento, tendré que retroceder en el tiempo y parar en el momento en que mi madre se enfermó. Diagnosticada con un tumor cerebral, fue operada dos veces, lo que la dejó sin hablar, leer, escribir y con una capacidad muy limitada de moverse en general. Así estuvo durante un año entero. Este año pareció no tener fin. Cuando murió, me “escapé” de Portugal y me establecí en Amsterdam con el novio que tenía en el momento. Años después, con trabajos que no me llenaban, intentos fallidos de cambiar de rumbo y ahora la ruptura con mi pareja, allí estaba yo con un billete de avión con destino a Perú.

Inmersa en la selva tropical de la Amazonia, tuve el privilegio de aprender sobre plantas con un instructor y un chamán. Un día, hicimos una caminata donde pasamos por árboles de Psychotria Viridis (más conocida como Chochuna) y empezamos a coger sus hojas. Más tarde, las mezclamos con la vid Banisteriopsis Caapi (más conocida como Ayahuasca) y otras hierbas para hacer una decocción que duró cerca de ocho horas. Este remedio, que se da por el nombre de Ayahuasca en la lengua anciana Quechua, se traduce a algo como “vid con alma” y ha sido utilizado en ceremonias por comunidades indígenas desde hace miles de años hasta los días de hoy.

Lo que ocurre a nivel químico es que la Chocuna contiene una dosis alta de DMT – un neurotransmisor que también se encuentra en el cuerpo humano pero es descompuesto por enzimas. La Ayahuasca a su vez, tiene la capacidad de impedir que las enzimas descompongan el DMT, permitiendo así el acceso a estados alterados de conciencia.

La Ayahuasca ya me ”llamaba” hace un par de años. Vi varios documentales, leí sobre las plantas y sabía que un día la tomaría. Quizás estuviera manifestando esta intención desde entonces. (Un artículo sobre manifestación estará para breve.)

Al caer la noche, el chamán se arregló y vistió una indumentaria especial, juntó a algunos miembros de la comunidad y a cuatro “gringos” (incluyendo yo) y la ceremonia comenzó. Vuelta hacia el lado en que nace el sol, con un pequeño vaso en la mano conteniendo la bebida, fui alentada a pensar en la experiencia que que me esperaba bien como a agradecer a las plantas. Sin embargo sabía, como había leído anteriormente, que lo que las plantas nos muestran es lo que necesitamos ver y no lo que queremos. Me enfoqué sobretodo en dos cosas: contactar con mi madre y saber la razón detrás de mi baja tolerancia a los dolores y el hecho de desmayarme demasiadas veces. *

Cuando el efecto de la Ayahuasca arrancó, empecé a ver líneas neón que formaban formas extrañas. Estas imágenes en mi cabeza eran muy exhaustivas y empecé a cansarme de verlas. De repente me desmayé y conseguí verme allí acostada en el suelo y a todos los demás participantes en la ceremonia desde una perspectiva de arriba, como si estuviera fuera de mi cuerpo. Sabía que estaba en otra dimensión. El mismo sitio donde voy siempre cuando desmayo. Es como si estuviera en un sueño pero con una frecuencia muy propia a la que sólo tengo acceso cuando desmayo. En ese momento tuve una “transferencia” de información (muy difícil de explicar pero es algo que sucede con muchas personas que toman Ayahuasca o hongos mágicos) y simplemente ahora sabía que desmayarme era un recordatorio de una vida paralela / pasada que tuve. En otras palabras, durante esta vida se suponía que no debía olvidarme de aquella otra vida y desmayarme era una forma de mantenerme ligada a ella.

Después “desperté” del desmayo y me senté otra vez. Empecé a pensar en mi madre y en el dolor que vino con su enfermedad y muerte – ¿Por qué nos dejó tan temprano? ¿Porque ella? ¿Cuáles serían las cosas por las que había pasado y no podía compartir con nosotros en aquella condición? ¿Estaría mi madre enfadada conmigo por alguna razón?Sentí su presencia. No la podía ver pero sabía que ella estaba allí conmigo. Me dijo que aunque las cosas se hubieran hecho de forma diferente durante su enfermedad, nada cambiaría su rumbo. Que ella tenía que pasar por todo lo que pasó durante aquel año para que pudiera aprender sus lecciones. Nada que hiciéramos podría haber impedido aquél final ni que dejara esta dimensión. Yo no podía parar de llorar. Era como si tuviera que derramar todas las lágrimas que no pude llorar durante todo un año entero porque en aquel momento tenía que ser fuerte. Mi experiencia duró unas seis horas y vi muchas más cosas.

La Ayahuasca es considerada una droga en la cultura occidental porque en este lado del mundo la mayor parte de las personas no están muy conectada com las plantas. Estamos acostumbrados a meter todas las drogas “en la misma caja” como si todas fueran adictivas, perjudiciales e indignas. No podría estar más en desacuerdo. Las sustancias sintéticas, hechas en laboratorio, tóxicas, usando sólo partes específicas de las plantas, alcohol, etc. – éstas son las drogas perjudiciales.

Ayahuasca, Peyote, San Pedro entre muchas otras plantas pueden ser usadas como medicinas. Se utilizan desde hace miles de años y tienen innumerables beneficios, sin causar dependencias. En realidad algunas de estas medicinas pueden ayudar a las personas con adicciones, depresión, ansiedad y por ahí. Las plantas deberían ser usadas por aquellos que las conocen y que saben conducir ceremonias para ayudar a los demás.

Drogas en el sentido de la palabra, son aquellas cosas que nos recetan siempre que vamos al médico quejándonos de algo. Drogas que nos dejan adictos, drogas que son mucho más peligrosas de lo que pensamos, drogas que sólo enmascaran la raíz o la causa de nuestros problemas. Drogas que muchas personas consumen diariamente y que están envasadas en latas, botellas y paquetes de cartón .. Pero esas drogas nadie cuestiona porque están aceptadas socialmente.

Este acontecimiento especial que viví en Amazonia llamado “ceremonia de Ayahuasca” me ayudó tremendamente con aquellas cuestiones que tenía siempre en mi cabeza sobre la enfermedad y muerte de mi madre. Me hizo aceptar mejor mi tendencia a desmayarme. Cambió mi hábito de pensar demasiado sobre el pasado y me trajo paz.

*  Toda mi vida he tenido esta condición sin diagnóstico que me hace desmayar por todo y por nada. Por ver sangre, hacerme daño, caer, asustarme, sentir dolor, sentir debilidad, sacar sangre para analiticas, recibir malas noticias, etc. En una época de mi vida se desmayaba dos veces por semana, después mejoró pero nunca dejó de suceder.

Barefoot

Barefoot (EN)

Descalz@ (ES)

Descalç@ (PT)

Quando estava a trabalhar em hotelaria em Amesterdão, lembro-me de ver pessoas a andarem descalças não só no interior mas também na rua. Várias foram as vezes em que meti conversa com essas pessoas para tentar perceber o porquê de tal coisa. A maioria delas eram Australianas ou Neozelandesas e, como eu nunca tinha visitado esses dois países, não sabia se era um costume ou apenas coincidência.

Isto para dizer que, naquela altura, só pensava o quão malucas eram aquelas pessoas por andarem descalças… Mas então para que é que a humanidade tinha inventado os sapatos? Não era para prevenir que lesionassemos os pés?

Anos mais tarde mas ainda em Amesterdão, quando comecei a questionar várias coisas, comecei também a mudar muitos dos hábitos que tinha anteriormente. Hábitos esses que daqueles que tod@s nós temos e nunca paramos para questionar pois foi assim que aprendemos. Ainda que os meus horizontes se estivessem a abrir cada vez mais, eu continuava sem perceber esta ideia de andar descalç@.

No Peru conheci uma rapariga brasileira que era tão aventureira, “terra a terra”, um verdadeiro espírito livre e comecei a admirá-la muito. Ela tinha uns sapatos fora do normal, com dedinhos, o que me chamou a atenção. Como ela era esta miúda com muita pinta, eu queria ter uns sapatos como os dela. Então assim que cheguei a casa comprei os meus primeiros “five fingers” da marca Vibram. Posso dizer que a partir desse momento nunca mais os deixei. Usei-os durante todas as minhas viagens, e se tivesse ter que escolher apenas um par de sapatos para usar sempre, esses seriam a minha escolha.

No entanto, só mais recentemente, já a morar em Vancouver é que finalmente mergulhei numa pesquisa que mudou a forma como eu via o calçado. Sim, eu continuava a calçar os meus “five fingers” que se mantinham os sapatos mais confortáveis até à data mas eu não sabia o porquê. Esta minha pesquisa levou-me ao mundo do calçado minimalista e “barefoot”, onde profissionais desta área afirmam que os “sapatos normais”, aqueles que calçamos diariamente (como os da Nike, Aldo, Toms, Ugg, etc.) deformam os nossos pés. No início fiquei um bocado surpreendida mas, sabendo já que outros conceitos convencionais estavam completamente errados, rendi-me completamente a esta nova ideia.

Depois comecei a recordar-me de como eram os pés das pessoas nativas do Peru, Tailândia ou Indonésia, aquelas que viviam na selva ou perto da natureza e que só calçavam chinelos ocasionalmente. @s miúd@s corriam por todo o lado e subiam a árvores descalços. Os pés del@s tinham uma forma estranha a meu ver. Os dedos eram mais separados que os nossos – o que cria estabilidade. Os seus pés tinham arcos fortes – o que está diretamente conectado com as ancas e postura – e também eram rijos e capazes de enfrentar obstáculos sofrendo apenas danos ligeiros. Aposto que se eu fosse andar por ali de pés descalços como eles, ficaria cheia de feridas e lesões em todo o lado.

Bom, se os nossos pés foram como os deles em determinado momento, porque razão os “encapsulamos”?

Aqui está explicado aquilo que fazemos aos nossos pés, e por consequência ao resto do corpo, só por usarmos calçado comum:

  • Os dedos dos pés amontoam-se em cima uns dos outros;
  • O dedo grande do pé tem uma diferença grande em comparação com os outros dedos, no que toca à sua altura;
  • Pés chatos;
  • Deformidades como joanetes, dedos em martelo, unhas encravadas, etc.;
  • Dores e lesões nas costas, pescoço, joelhos e ancas;
  • Os sapatos de salto alto fazem com que os músculos quadríceps sejam mais dominantes tornando os glúteos mais fracos e causam problemas nos joelhos e tornozelos;
  • Bolhas, ferimentos, micoses, maus cheiros etc.

Os pés daqueles que pouco usam sapatos são realmente muito parecidos com os pés dos bebés. Os pés dos bebés ainda são perfeitos, até os começarmos a restringir. Assim crescemos até nos tornarmos adultos com todos os problemas e mais alguns, não só a nível de pés mas também no resto do corpo, e nem temos a mais pequena ideia acerca disso.

Idealmente deveríamos andar mais descalços na natureza ou sempre que tivermos oportunidade (evitando andar descalço em sítios onde pode não ser seguro). O tempo restante, deveríamos ao menos simular andar descalço e para isso temos ótimas opções nos dias de hoje.  O calçado “barefoot” protege os pés de danos, deixando-os respirar, permitindo a separação dos dedos e, acima de tudo, permite que os pés funcionem como se estivéssemos descalços. Este tipo de calçado pode também reverter os danos que sapatos convencionais fizeram aos nossos pés.

Desde que comecei a usar sapatos “barefoot” que deixei de me queixar com dores nos pés. Muitos quilómetros se fizeram com eles calçados, pelo caminho de Santiago, desfiladeiros, grutas, várias caminhadas e os meus pés nunca sofreram com ferimentos ou lesões. A minha irmã Nico pode bem confirmar o que digo pois andámos juntas em muitas destas aventuras. Algumas pessoas que encontrávamos pelo caminho, “metiam-se” connosco por acharem estranho o que levávamos calçado e não conseguiam entender a ideia de que os “sapatos normais” podem de facto ser prejudiciais para nós. Verdade seja dita, essas mesmas pessoas queixavam-se de dores e nós não.

Para o caso de começares a questionar-te sobre calçado “barefoot”, aqui fica um apanhado de informação que te pode ajudar. Elementos que deverás ter em conta quando comprares sapatos: *

  • Rasos: sem salto elevado – o ideal é que não haja nenhuma diferença de altura entre o calcanhar e o resto pé. Os humanos não estão adaptados para andarem com rampas nos pés o dia inteiro e isso contribui para problemas de postura;
  • Flexíveis: se não consegues dobrar, girar e mover os sapatos em todas as direções, irá impedir o movimento do teu pé, criando articulações rígidas e por vezes dolorosas;
  • Suporte do arco: os músculos do teu pé estão lá por alguma razão. Não os enfraqueças com suportes artificiais;
  • Amortecimento: ao contrário do que as marcas querem que tu acredites, amortecedores impedem o teu pé de funcionar da melhor forma e afectam de forma negativa o seu movimento.

* Fonte- The Foot Collective

Barefoot (EN)

Back when I was working in Hotels in Amsterdam, I recall seeing people walking barefoot not just inside the premises but also out in the street. I often nattered with them to figure why would they do such thing. Most of these people were “Aussies” or “Kiwis” and as I had never been in Australia or New Zealand, I couldn’t tell if it was a cultural thing or just coincidence.

This to say that, at the time, I just thought how crazy they were for walking barefoot… I mean, why did humans invented the shoes then? Wasn’t it to prevent us from injuring our feet?

Years latter but still in Amsterdam, when I started questioning various things, I also started changing many habits that I had before. Habits that we have and we would never second guess because that’s how we learned them. Despite getting more and more open minded, I still couldn’t understand the barefoot topic.

In Peru I met a Brazilian girl that was so adventurous, down to earth and a true free spirit and I really admired her for that. She had unusual shoes with fingers that immediately draw my attention. Because she was this kick-ass cool girl, I kind of wanted to have the same shoes. So I went home and bought my first “five fingers” from Vibram. I can say that since then I never left them behind. I brought them to all my trips and if I could only have one pair of shoes, those would be it.

However, it wasn’t up until recently, while living in Vancouver that I truly dived into a research that completely changed the way I saw footwear. Yes, I was still wearing the “five fingers” and they were still the most comfortable shoes I have ever had but I didn’t really know why. My research brought me to minimal footwear and barefoot shoes. These feet experts were saying that our “normal shoes”, the ones that we wear daily (such as from Nike, Aldo, Toms, Ugg etc.) were deforming our feet. At first I was a bit shocked but knowing already that other mainstream things are completely wrong, I completely surrendered to this new idea.

I started to remember how the feet of native people in Peru, Thailand or Indonesia looked like. Those living in the jungle or very close to nature would only occasionally put some flip-flops on. The kids would run around and climb on trees barefoot. Their feet were shaped funny to me. The toes were spread apart – which creates stability. Their feet had arches – which is directly connected with the hips and posture. Their feet were sturdy and could bare all nature obstacles with minor injuries. I bet that if I were to run around barefoot like them, I would get painful cuts and bruises everywhere.

Well, if our feet were just like theirs at some point, why did we “encapsulate” them?

Here is what we have done to our feet and rest of the body by wearing regular footwear:

  • Our toes overlap each other;
  • The big toe has a huge size difference compared to the other fingers, when it comes to its height;
  • Flat arches;
  • Deformities such as bunions, hammer toes, ingrown toenail, etc.;
  • Back, neck, knee and hip injuries or pain;
  • High heeled shoes make quads muscles more dominant and the glutes muscles week & cause knee and ankles problems;
  • Blisters, bruises, mycoses, stinky feet etc.

Native people’s feet are indeed similar to babies feet. Babies feet are still perfect until we start restraining them and then we grow up to adults with all kinds of issues derived from our feet and we don’t even know about it.

Ideally we should walk more barefoot in nature or every time we have a chance (avoiding walking barefoot in the street as it can surely be unsafe). The rest of the time, we should at least mimic what is like to be barefoot and for that we have great options nowadays. Barefoot shoes protect our feet from damage, let them breathe, let the toes spread and above all, allow the feet to function as if we were barefoot. They can also start reversing what regular shoes did to our feet.

Since I started wearing barefoot shoes I stopped complaining of pain in my feet. Many kilometers were done while walking the Camino de Santiago, canyons, caves, hikes and my feet never ended up with bruises or injuries. My sister Nico can confirm as we were together in some of those adventures. People along the way would approach us because they found it rather odd and couldn’t wrap their head around the idea that regular shoes are not proper for us. Truth is, those people complaint of pain and we didn’t.

In case you’ll start questioning about barefoot footwear, here is some homework done to help you. Elements you should look for when buying shoes: *

  • Flat: no elevated heel. Humans aren’t adapted to walking around on ramps all day and it contributes to postural problems;
  • Flexible: if you can’t bend, twist and move a shoe around in every direction it will inhibit movement at your foot creating stiff and sometimes painful joints;
  • Arch support: The muscles of your foot are there for a reason. Don’t weaken them with artificial support;
  • Cushioning: contrary to what shoe companies want you to believe, cushioning actually prevents your foot from working optimally (as a ground sensor) and will negatively affect your movement.

* Resource – The Foot Collective

 

Descalz@ (ES)

Cuando estaba trabajando en hotelería en Amsterdam, recuerdo que veía algunas personas caminando descalzas no sólo en el interior, sino también en la calle. Varias veces empecé conversaciones con esas personas para intentar percibir el porqué de ello. La mayoría de ellas eran Australianas o Neozelandesas y como nunca había visitado estos dos países, no sabía si era una costumbre o apenas coincidencia.
Esto para decir que, en ese momento, sólo pensaba lo locas que eran aquellas personas por ir descalzas … Pero entonces, ¿para qué había la humanidad inventado los zapatos? ¿No era para prevenir que lesionáramos los pies?

Años más tarde pero aún en Ámsterdam, cuando empecé a cuestionar varias otras cosas empecé también a cambiar muchos de los hábitos que tenía anteriormente. Hábitos de esos que tod@s tenemos y nunca paramos para cuestionar pues fue así que los aprendemos. Aunque mis horizontes se abrían cada vez más, yo seguía sin entender esta idea de ir descalzo.

En Perú conocí a una chica brasileña que era tan aventurera, “pies en la tierra”, un verdadero espíritu libre y la admiraba mucho. Ella tenía unos zapatos fuera de lo normal, con deditos, lo que me llamó la atención. Como ella era esta chica muy guay, yo quería tener unos zapatos como los suyos. Conforme volví a casa me compré mis primeros “five fingers” de la marca Vibram. Puedo decir que a partir de ese momento nunca más los dejé. Los usé durante todos mis viajes, y si tuviera que elegir sólo un par de zapatos para usar siempre, esos serían mi elección.

Sin embargo, sólo más recientemente, ya viviendo en Vancouver fue cuando finalmente me sumergí en una investigación que cambió la forma en que veía el calzado. Sí, yo seguía calzando mis “five fingers” que seguían siendo los zapatos más cómodos hasta la fecha, pero no sabía el por qué. Mi búsqueda me llevó al mundo del calzado minimalista y “barefoot “, donde profesionales de la área afirman que los “zapatos normales”, los que calzamos diariamente (como los de Nike, Aldo, Toms, Ugg, etc.) deforman nuestros los pies. Al principio me sorprendió un poco, pero, sabiendo ya qué otros conceptos convencionales estaban completamente equivocados, me rendí completamente a esta nueva idea.

Después empecé a recordar cómo eran los pies de las personas nativas de Perú, Tailandia o Indonesia, aquellas que vivían en la selva o cerca de la naturaleza y que sólo calzaban chanclas de vez en cuando. L@s niñ@s corrían por todas partes y subían a los árboles descalzos. Me parecía que sus pies de tenían una forma rara. Los dedos eran más separados que los nuestros – lo que crea estabilidad, tenían arcos marcados – lo que está directamente conectado con las caderas y la postura – y también eran fuertes y capaces de enfrentarse a obstáculos sufriendo sólo daños ligeros. Me parece que si yo fuera a caminar por allí de pies descalzos como ellos, se me harían heridas y lesiones por todas partes.

Bueno, si nuestros pies fueron como los de ellos en determinado momento, porque razón los “encapsulamos”?

Aquí se explica lo que hacemos a nuestros pies, y en consecuencia al resto del cuerpo, sólo por usar calzado común:

  • Los dedos de los pies se amontonan encima unos de otros;
  • El dedo grande del pie tiene una diferencia grande en comparación con los otros dedos, en lo que toca a su altura;
  • Pies planos;
  • Deformidades como juanetes, dedos en martillo, uñas enclavadas, etc .;
  • Dolores y lesiones en la espalda, cuello, rodillas y caderas;
  • Los zapatos de tacón alto hacen que los músculos cuadríceps sean más dominantes haciendo los glúteos más débiles y causan problemas en las rodillas y tobillos;
  • Ampollas, heridas, hongos, malos olores, etc.

Los pies de gente que no usa zapatos son realmente muy parecidos a los pies de los bebés. Los pies de los bebés todavía son perfectos, hasta que empezamos a restringirlos. Así crecimos hasta llegar a ser adultos con todos los problemas no sólo a nivel de pies, sino también en el resto del cuerpo, y ni lo imaginamos.

Idealmente deberíamos caminar más veces descalzos en la naturaleza o siempre que tengamos oportunidad (evitando andar descalzo en sitios donde puede no ser seguro). El tiempo restante, deberíamos al menos simular andar descalzo, y para eso tenemos óptimas opciones en los días de hoy. El calzado “barefoot” protege los pies de daño, dejándolos respirar, permitiendo la separación de los dedos y, por encima de todo, permite que los pies funcionen como si estuviéramos descalzos. Este tipo de calzado también puede revertir el daño que los zapatos convencionales ha hecho a nuestros pies.

Desde que empecé a usar zapatos “barefoot” que dejé de quejarme de dolores en los pies. Muchos kilómetros se hicieron con ellos calzados, por el camino de Santiago, cañones, cuevas, varias caminatas y mis pies nunca sufrieron heridas o lesiones. Mi hermana Nico puede confirmar bien lo que digo porque hemos estado juntos en muchas de estas aventuras. Algunas personas que encontrábamos por el camino, “se metían” con nosotras porque les parecía raro lo que llevábamos calzado, y no podían entender la idea de que los “zapatos normales” pueden de hecho ser perjudiciales para nosotr@s. La verdad es que esas mismas personas se quejaban de dolores en los pies y nosotr@s no.

Para el caso de empezar a cuestionarte sobre calzado “barefoot”, aquí dejo un recopilado de información que te puede ayudar. Elementos que deberás tener en cuenta al comprar zapatos: *

Planos: sin tacón alto – lo ideal es que no haya diferencia de altura entre el talón y el resto del pie. Los humanos no estamos adaptados para caminar con rampas en los pies todo el día, y eso contribuye a problemas de postura;

Flexibles: si no puedes doblar, girar y mover los zapatos en todas las direcciones, entonces van a impedir el movimiento de tus pies, creando articulaciones rígidas ya veces dolorosas;

Soporte del arco: los músculos de tu pie están allí por alguna razón. No los debilites con soportes artificiales;

Amortiguación: al contrario de lo que las marcas quieren que tú creas, amortiguadores impiden tu pie de funcionar de la mejor forma y afectan de forma negativa a tu movimiento.

* Fuente – The Foot Collective

What do queuing and fake news have in common?

What do queuing and fake news have in common? (EN)

¿Qué tienen en común hacer cola y las noticias falsas? (ES)

O que têm em comum uma fila e uma notícia falsa? (PT)

Talvez alguns de vós não saibam que a Tico tem uma certa “alergia” a filas. Mas não é pela fila em si, no sentido em que há que fazer fila e esperar, é porque muitas vezes as filas são filas (e das grandes) porque as pessoas se metem nelas só porque veem que há lá mais pessoas, e que por isso acham que deve ser onde elas também devem estar. Lembro-me de estarmos na Expo98 e de ouvir a minha irmã dizer: “As pessoas são mesmo ovelhas”, ela tinha apenas 10 anos. Eu nessa altura achava que ela estava a exagerar.

Hoje em dia acho que não é correcto ofender as ovelhas… Há umas semanas estivemos as duas numa espécie de congresso. À parte do evento em si estar bastante mal organizado (talvez algum dia escrevamos sobre esse evento), quando chegámos vimos que havia uma fila gigante. Mas a Tico é perita nisto das filas e foi logo averiguar o que se passava. O que se passava era que a maioria das pessoas não tinha percebido que havia 4 filas diferentes lá mais à frente, perto da entrada, e que as pessoas se deviam distribuir, segundo o seu tipo de passe, por cada uma das filas. A maioria das pessoas não se preocupava em ir averiguar (lá mais à frente) porque é que havia uma fila tão grande, elas apenas entravam na fila maior, que era a que acabava mais atrás, e nem se apercebiam que havia outras filas (filas essas que provavelmente eram as que correspondiam aos seus passes de entrada no evento). Este fenómeno acontece onde quer que haja muita gente, e não só em forma de filas.

Na verdade este artigo nem é sobre filas, é sobre a facilidade que as pessoas têm em “ir atrás” ou “seguir o rebanho” de maneira praticamente cega. Porque as pessoas não se questionam! Isto é algo que vejo acontecer prácticamente todos os dias nas redes sociais. Hoje (escrevo este artigo no dia 2 de Dezembro), por exemplo, deparei-me com uma partilha no facebook cujo texto começava com a frase: “O PAN apresentou uma proposta para proibir que os pobres e os sem abrigo pudessem ter animais” e acabava com “Quem não gosta de pessoas não pode gostar de animais!” logo a seguir tinha um link.

Eu, como a maioria das pessoas, tive uma reação imediata, que foi pensar “Que estupidez!!”, e  depois pensei “Como assim o PAN apresentou uma proposta para proibir que os pobres e os sem abrigo pudessem ter animais?”. Só que depois eu fiz algo que muitas das pessoas que partilharam ou comentaram essa publicação não fizerem: cliquei no link!! O link abria um documento com o título “Proposta de Regulamento Municipal do Animal Município de Lisboa”. Um documento que eu me dei ao trabalho de ler, ao contrário das pessoas que se apressaram em partilhar ou comentar demonstrando a sua revolta para com o partido animalista. Nesse documento, onde por acaso o nome do PAN nem aparece em lado nenhum, figuram uma série de propostas de protecção e bem estar animal bastante dentro do que a maioria das pessoas consideraria dentro do bom senso (ora cliquem no link e leiam com os vossos próprios olhos). Em nenhum lado havia algo que dizia que queriam proibir os pobres de ter animais, nem muito menos da leitura daquele documento, que podia nem ser da autoria do PAN, podemos retirar a ideia de que o partido animalista “não gosta de pessoas”.

A publicação em causa tinha sido feita no dia 20 de Novembro e tinha (no momento em que eu escrevia este artigo) 859 comentários, 2715 partilhas e mais de 1860 gostos. E tinha sido feita por um senhor que nitidamente sabe que a maioria das pessoas não se preocuparia em clicar no link e ler o documento. Um senhor que sem dúvida quer denegrir a imagem do PAN, e que de certa forma o conseguiu, de maneira tão simples como escrever umas frases polémicas e colocar um link que figura como fonte daquilo que declara, mas que na realidade sabia que (quase) ninguém ia abrir.

A mesma suposta notícia (com base no tal documento) poderia ter sido: “O PAN apresentou uma proposta que defende que, para ter animais, se devem ter certas condições mínimas para garantir o seu bem estar”. A linguagem é muito importante, como já escrevi num artigo anterior, e a maneira como dizemos as coisas é um exemplo disso, pois uma maneira ou outra podem alterar completamente a resposta que as pessoas têm a uma mesma ideia. O senhor que fez a tal publicação também sabia isso demasiado bem.

Tanto nas filas como nas redes sociais, para nosso próprio bem e para garantir que estamos realmente informad@s, para que não sejamos apenas mais um@ a seguir cegamente o rebanho, devemos sempre verificar o que de facto se passa. Pessoalmente considero que estar bem informad@ não é um privilégio mas sim um dever de cidadania. E perpetuar publicações falsas e tendenciosas é nocivo para tod@s e de facto muito vergonhoso para quem o faz.


What do queuing and fake news have in common? (EN)

Maybe some of you might not know that Tico has a certain “allergy” to queuing. But it is not for the queue itself, in the sense that it is necessary to queue and wait, it is because queues are often formed into queues (and big ones) as people get in them just because and they see that there are more people there waiting and so they think it must be where they should be too. I remember being at the Expo98 and hearing my sister say: “People are so like sheep,” she was only 10 years old. At that point I thought she was exaggerating.

Nowadays I think it is not right to offend the sheep … A few weeks ago we were both in a kind of congress. Apart from the event itself being rather poorly organised (maybe one day we will write about this event), when we arrived we saw that there was a giant queue. But Tico is an expert when it comes to queueing issues and was fast to find out what was going on. What was happening was that most people did not realize that there were four different queues further near the entrance, and that people were to distribute themselves, according to their type of admission ticket, by each of the queues. Most people did not bother to find out why there was such a big queue, they just entered the larger queue, which was the one that ended up further back, and they didn’t even realised that there were other queues (which were probably the ones that matched their entry tickets for the event). This phenomenon happens wherever lots of people come together, and not only in the form of queues.

Actually this article isn’t even supposed to be about queuing, it’s about how easily people engage in “following the herd” in a virtually blind fashion. Because people aren’t used to questioning! This is something I see happen practically every day on social networks. For example, the other day I came upon a post on Facebook whose text began with the phrase: “The PAN party put forward a proposal to prohibit the poor and the homeless from having animals” and ended with “Those who don’t like people can’t love animals!”. At the end of the text there was a link.

Note to non Portuguese readers: PAN : People–Animals–Nature is a Portuguese political party, founded in 2009. Since 2015, they have one seat in the Portuguese parliament.

I had an immediate reaction to the post, as most people did, and thought “How stupid is that!!”, and then I thought “How did PAN put forward a proposal to prevent the poor from having animals?”. But then I did something that many people didn’t: I clicked on the link!! The link would open a document entitled “Proposal for Animal Municipal Regulation of the Municipality of Lisbon”. I then bother myself to read it, unlike all of those who rushed to share or comment on the post, demonstrating their outrage towards the PAN party. This document, where the PAN party name never appears, presents a series of animal protection and welfare proposals, which I’m sure most people would consider within common sense. Nowhere in this document, that might not even be written by PAN, can we find a piece of text that states that they “don’t like people” nor that they have some kind of agenda against the poor or the homeless.  

The post in question had been posted on November 20th and had already (at the time I wrote this article) 859 comments, 2715 shares and more than 1860 likes. And it had been posted by a “gentleman” who clearly knows that most people would not bother clicking on the link and reading the document. A man who undoubtedly wants to denigrate the image of the PAN party, and who somehow managed to do so. In such a simple way as writing some controversial sentences and posting a link that would look like a genuine source of what he declares, but that in reality no one was going to check (and hell, he knew that so well).

The same alleged news (based on such document) could have been: “The PAN party has submitted a proposal that advocates that in order to adopt animals people must have certain minimum conditions to guarantee their well-being.”. Language is very important, as I wrote in a previous article, and the way we say things is very important too because it can completely change the response that others have to the same idea. The “gentleman” who made that post also knew this too well.

Regarding both queues and social networks, for our own good and to ensure that we are really informed, so that we are not just another one blindly “following the herd”, we should always check what is actually happening. Personally I consider that being well informed is not a privilege but a duty of citizenship. And perpetuating false and biased publications is harmful to all and indeed very shameful for the ones who do it.


¿Qué tienen en común hacer cola y las noticias falsas? (ES)

Quizás algun@s de ustedes no sepan qué Tico tiene una cierta “alergia” a filas. Pero no es por la fila en sí, en el sentido en que hay que hacer cola y esperar, es porque muchas veces las filas son filas (y de las grandes) porque las personas se meten en ellas sólo porque ven que allí hay más gente, y por ello creen que es donde ellas también deben estar. Me acuerdo de estar en la Expo98 y escuchar a mi hermana diciendo: “Las personas son como ovejas”, ella tenía sólo 10 años. En ese momento yo creía que ella estaba exagerando.

Hoy en día creo que no está correcto ofender a las ovejas … Hace unas semanas estuvimos las dos en una especie de congreso. A parte del evento en sí estar bastante mal organizado (quizás algún día escribamos sobre ese evento), cuando llegamos vimos que había una cola gigante. Pero Tico es experta en esto de las filas y pronto averiguó lo que pasaba. Lo que pasaba era que la mayoría de la gente no se había dado cuenta que había 4 filas diferentes más allá, cerca de la entrada, y que las personas se tenían que distribuir, según su tipo de bono, por cada una de las filas. La mayoría de la gente no se preocupaba de ir a averiguar (allí un poco más adelante) porque estaba tan grande la cola, ell@s solamente se incorporaban a la fila más larga, que era la que acababa más atrás, y ni siquiera se percibían que había otras filas (filas esas que probablemente eran las que correspondían a sus bonos de entrada en el evento). Este fenómeno ocurre dondequiera que haya mucha gente, y no sólo en forma de filas.

En realidad este artículo ni siquiera va sobre colas, va sobre la facilidad con la que la gente “sigue la manada” a ciegas. ¡Porque la gente no se cuestiona! Esto es algo que veo suceder prácticamente todos los días en las redes sociales. Por ejemplo, hace pocos días vi un ‘post’ en facebook cuyo texto empezaba con la frase: “El partido PAN presentó una propuesta para prohibir que los pobres y los sin techo puedan tener animales” y el texto terminaba con: “A quien no le gusta a la gente no le gustan los animales!” a continuación tenía el enlace.

Nota para l@s lector@s no portugueses: PAN: Personas – Animales – Naturaleza es un partido político portugués, fundado en 2009. Desde 2015, tienen un escaño en el parlamento portugués. Los ideales de este partido son bastante semejantes a los del partido PACMA en España.

Yo, como la mayoría de la gente, tuve una reacción inmediata que fue pensar “¡Qué estupidez !”, y luego pensé: “¿Cómo es posible que PAN haya presentado una propuesta para prohibir que los pobres y los sin techo tengan animales?”. Pero después yo hice algo que la mayoría de personas que compartió y comentó la publicación no hicieron: ¡hice clic en el enlace! El enlace se abriría para un documento titulado “Propuesta de Reglamento Municipal de Animales del Ayuntamiento de Lisboa.”. Luego me di al trabajo de leer dicho documento, también al contrario de todas las personas que se apresuraron a compartir o comentar, demostrando su enojo hacia el partido animalista. En ese documento, donde por casualidad el nombre del PAN no aparece en ninguna parte, figuran una serie de propuestas de protección y bienestar animal bastante dentro de lo que la mayoría de las personas consideraría dentro del sentido común. En ningún lado había algo que decía que querían prohibir a los pobres de tener animales, ni mucho menos de la lectura de ese documento, que puede ni ser de la autoría del PAN, podemos sacar la idea de que al partido animalista “no le gusta a las personas”.

El post del que hablo se había publicado en Facebook el 20 de Noviembre y (en el momento en el que yo escribía este post) tenía 859 comentarios, más de 1860 “me gusta” y había sido compartido 2715 veces. Y había sido publicado por un señor que nítidamente sabe que la mayoría de la gente no se preocuparía por hacer clic en el enlace ni leer el documento. Un señor que sin duda quiere denigrar la imagen del PAN, y que de cierta forma lo consiguió, de manera tan simple como escribir unas frases polémicas y colocar un enlace que figura como fuente de lo que declara, pero que en realidad sabía que (casi) nadie iba a abrir.

La misma supuesta noticia (con base en dicho documento) podría haber sido: “PAN presentó una propuesta que defiende que, para tener animales, se deben tener ciertas condiciones mínimas para garantizar su bienestar”. El lenguaje es muy importante, como ya he escrito en un artículo anterior, y la forma como decimos las cosas es un ejemplo de ello porque puede cambiar completamente la reacción que las personas tienen a una misma idea. El señor que hizo esa publicación probablemente también lo sabe.

Tanto en las colas como en las redes sociales, para nuestro propio bien y para garantizar que estamos realmente informad@s, para que no seamos sólo un@ más siguiendo ciegamente la manada, debemos siempre verificar lo que de hecho pasa. Personalmente considero que estar bien informad@ no es un privilegio sino un deber de ciudadanía. Y perpetuar publicaciones falsas y tendenciosas es nocivo para todos y de hecho muy vergonzoso para quien lo hace.