Este artigo é muito questionável

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Tudo começou com um post no Facebook no qual alguém partilhou um artigo que afirmava que mais de 13 mil bebés não estavam a ser vacinados em Portugal e que o sarampo poderia regressar. A mulher que partilhou o artigo intitulou o seu post dizendo “Por favor não deixem de vacinar os vossos filhos!”.

Curiosa por natureza, não consegui ignorar o post mas sim perguntar-me se a mulher que o tinha partilhado teria pensado sobre este tema alguma vez na vida. Então decidi fazer um comentário que não denunciaria a minha posição insignificante sobre este ou outro assunto – “Por favor não se deixem influenciar pelo que os media dizem ou qualquer outra entidade e façam a vossa própria pesquisa sobre vacinas.”. Fui imediatamente inundada de reações, digamos, um tanto ou quanto agressivas por parte de outras mulheres e acusada de ter um pensamento anti-vacina quase criminoso.

O que me levou a escrever este artigo foi o que uma mulher escreveu em resposta ao meu comentário: “O que a leva a pesquisar sobre vacinas?”.

O que é que me faz pesquisar sobre vacinas? Li bem?

Para deixar bem claro, este não é um artigo sobre vacinas mas sim sobre como a maioria das pessoas não se questiona sobre o que quer que seja, incluindo eu por vezes. 

Vamos rebobinar um bom bocado. (Para passar esta mensagem vou generalizar e meter toda a gente no mesmo saco. Algum ego magoado que me desculpe). Vamos voltar àqueles tempos em que éramos crianças pequenas,  na altura em que começámos a aprender o que era “bom” e o que era “mau”. Guiados por aqueles que nos cuidam , somos ensinados através de frases como: “se não fizeres o que te digo és mal comportad@”, “faz isso como eu te estou a dizer”, “faz isso porque eu te estou a dizer e eu sou a tua mãe”, etc., etc. Desde cedo somos encorajad@s a deixar de questionar coisas, a portamo-nos “bem”, a obedecer sem “nem mais uma pergunta”. 

Depois entrámos para a escola. Sentados atrás de uma secretária começamos a obedecer a outra figura, desta vez não pertencente à família. Um@ professor@ que nos guia consoante os seus ideais, formas de pensar e com os seus próprios preconceitos. Ainda não é aqui que nos metem a pensar pelas nossas cabeças. Aprendemos história sem um mínimo de pensamento crítico, somente seguindo livros antiquados. Livros estes aprovados por um governo que nos quer fazer ver as coisas por um determinado prisma (e por consequência cada país pode contar uma história diferente sobre o mesmo evento). Aprendemos a decifrar textos de um poeta famoso da forma que “tem de ser” e não somos encorajados a desenvolver a nossa sensibilidade ou fazer a nossa própria interpretação. E, sem sequer nos apercebermos disso, estamos mais tarde a ponto  de entrar num curso universitário sem nunca ter questionado aquilo que as “autoridades” (família e professores) nos disseram até aqui. Talvez o curso nem é bem aquele que queremos, mas tivemos umas ideias implantadas nas nossas cabecinhas de que daríamos excelentes advogados, engenheiros, médicos, etc. E sem esquecer que aqueles que uma vez foram as nossas “autoridades”, foram ensinados assim como nós por outras “autoridades”.

Mais tarde começamos a interessar-nos por diferentes movimentos e assuntos – política, ambiente, ética, economia. Lemos, ouvimos e absorvemos tudo o que é dito na TV, jornais, por amigos, família, redes sociais, comunidade. Tomamos decisões, votamos, tomamos partido e participamos em discussões. Arranjamos um trabalho e sentimo-nos confortáveis com o horário (não tivéssemos nós sido treinados para isso nos anos de escola). Temos um chefe e mais uma vez estamos preparados para responder a mais uma “autoridade” que nos diz o que fazer. Talvez não tenhamos um chefe porque somos “O/A chefe” mas o que é facto é que as “autoridades” continuam lá – o governo, os bancos, as empresas farmacêuticas, etc.

Ao longo deste tempo, raramente parámos para questionar se o que a nossa mãe disse estava certo, se o que @ professor@ disse fazia sentido, se o que @ chefe disse era duvidoso, se o que o médico disse era a melhor hipótese, se o que o primeiro ministro disse era verdade. Somente assumimos que, aquilo que é dito por alguém hierarquicamente acima de nós, é para o nosso bem, do nosso interesse, e quase nunca refletimos sobre isso.

Outras vezes seguimos o que os nossos pares dizem e fazem, só porque sim. Honestamente não nos culpo… fomos criados dessa forma, bem como os nossos pais e os pais deles e por aí em diante.

Mas isso não significa que devemos deixar que isso continue a acontecer e perpetuar com as futuras gerações. Agora é tempo de acordar (se ainda não acordaste). É hora de começar a questionar se aquilo que te foi ensinado é ou não a verdade. A tua verdade. A verdade que te convém mais, consoante a vida que queres para ti.

Nós humanos estamos muito bem programados para seguir o rebanho:

Exemplo 1 – Sabias que antigamente (há vários séculos atrás), as pessoas pensavam que o planeta Terra era o centro do sistema solar? Quem disse isso? Um astrónomo, aluno do filósofo Platão. Teria ele conhecimento suficiente sobre planetas, estrelas ou via láctea? Sim! Isto significa que tudo o que ele disse sobre esta temática estava correto? Negativo! Seguimo-nos agora por outra teoria chamada de Heliocentrismo? Sim. É essa a verdade? Talvez… até que alguém justifique uma nova.

Exemplo 2 –  Sabias que nos dias de hoje as vacinas são conhecidas como a forma mais eficiente de prevenir doenças? Quem disse isso? A Organização Mundial de Saúde. Terão esses especialistas que trabalham para a OMS conhecimento suficiente sobre vírus, doenças, ADN? Sim! Isso significa que tudo o que eles dizem está correcto? Negativo. Estarão vários interesses e dinheiro envolvido nestas (e noutras) organizações que beneficiam da venda de produtos farmacêuticos? Claro como a água! Haverão vários documentários, pesquisas e entrevistas a médicos e cientistas afirmando que as vacinas podem causar mais danos do que benefícios ? Sim! Estarão certos? Talvez MAS cabe a cada um de nós decidir aquilo em que queremos acreditar depois de realmente nos instruirmos sobre isso.

Voltando à pergunta “O que a leva a pesquisar sobre vacinas?”. O que me leva a pesquisar sobre vacinas ou qualquer coisa que vá meter no meu corpo é saber que, não obstante o que cada especialista diz, há sempre uma possibilidade de que essa não seja a verdade. O que me leva a pesquisar sobre aquilo que como, bebo, visto e aplico na minha pele é saber que por vezes o que as marcas querem não tem como objectivo o nosso bem-estar mas sim fazer dinheiro e talvez manter as farmacêuticas ativas. E por último, o que me leva a pesquisar sobre o que quer que seja é tomar responsabilidade pelas minhas acções e não deixar a minha vida nas mãos de outrem.

Ah e nunca se esqueçam de ver quem foi o autor da pesquisa/ estudo. Terá sido a indústria do leite a conduzir um estudo para afirmar que o leite é bom para a saúde? Ou a indústria do açúcar a conduzir um estudo para culpar a gordura de doenças relacionadas com o excesso de açúcar?

O que é que acontece se nós não nos questionarmos e não fizermos a nossa própria pesquisa? Tornamo-nos ovelhinhas muito facilmente manipuláveis no rebanho. Continuamos a fazer o que eles dizem, como dizem que se faz e quando é suposto fazer-lo. E depois perguntamo-nos… “como é que fiquei doente?, “Como é que me endividei tanto”, “porque é que não consigo ser verdadeiramente feliz?”, e continuamos a acreditar em toda e qualquer coisa que as autoridades dizem sem verificar duas vezes. 

Reflectir, pensar, questionar e pesquisar ocupa muito tempo. No entanto, talvez compense por aquilo que podes descobrir, por sentires que tens o comando da tua vida ou simplesmente só para verificar algo pelos teus próprios meios. 

Isto faz algum sentido? Vais questionar o que escrevi? Eu questionaria 🙂

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