Vamos falar de masturbação feminina… yep isso mesmo MASTURBAÇÃO FEMININA. Parte I

Na minha opinião, a masturbação feminina, assim como outros temas “femininos” (como a menstruação) ainda é um grande tabu na nossa sociedade. Só agora (em plena segunda década do século XXI) é que os meios de comunicação e entretenimento começam a falar deste tema (mesmo que na maioria das vezes seja entre risos nervosos) de forma mais ou menos aberta. Há uns meses surgiu o fenómeno do “Satisfyer Pro” que veio dar mais um empurrão à normalização do auto prazer feminino. 

Mas isto por aqui (Portugal, Península Ibérica, Europa, mundo ocidental…) não foi sempre assim, e numa grande parte do mundo ainda não é. 

Quem já leu dois ou três dos meus artigos sabe que gosto de abordar quase todos os temas desde a minha própria experiência. Primeiro porque acho que é a maneira mais verdadeira de falar sobre as coisas e depois porque acho que partilhar as minhas experiências pode sempre ajudar alguém. 

Este tema é para mim um dos temas mais importantes no que diz respeito à luta pela equidade de género. E é um tema que me diz muito pessoalmente porque carreguei, durante toda a minha infância e parte da minha adolescência, um trauma relacionado com o tabu da masturbação feminina (que se há 15 anos atrás ainda era um grande tabu, mais ainda há 30 anos)

A minha experiência com a masturbação começou quando ainda nem sabia nada sobre sexo, nem sobre desejo sexual. Por estranho que possa parecer a algumas pessoas (e isso será ainda efeito do velho tabu) não é raro que as meninas pequenas descubram sozinhas que a estimulação da zona genital é muito prazerosa. Eu devia ter cerca de 2 ou 3 anos quando inocentemente me comecei a esfregar nas almofadas (literalmente). 

A masturbação nessas idades é uma gratificação meramente sensorial, não há, em situações normais, qualquer carácter sexual e esse era também o meu caso. A prova disso é que o fazia à frente de toda a gente. Para mim aquilo era algo prazeroso, como coçar-me se tivesse uma comichão, ou comer doces (sempre fui gulosa), na minha cabeça não havia qualquer revelação de que aquilo era (no mundo dos adultos) considerado inapropriado.

O meu pediatra da altura disse à minha mãe que por causa dos meus comportamentos precoces a minha vida sexual começaria muito cedo (WTF?!) O tabu não existia só entre os profissionais de saúde mas também dentro da minha família. A minha mãe não soube como lidar com a situação (não sei se o meu pai tem alguma constância desta história) e falou com algumas mulheres da familia para a ajudar a resolver o “problema”. Uma tia disse-me que eu ficaria com as pernas tortas. A minha avó paterna uma vez apanhou-me a faze-lo no sofá da sala, levantou as mãos à cabeça e zangou-se muito dizendo algo sobre o demónio. Mas a “estratégia” que mais teve impacto foi a de outra familiar que teve a excelente ideia (alerta de sarcasmo) de me contar uma história assustadora de como, se eu continuasse a fazer “aquilo”, o meu osso púbico ía se desgastar e desaparecer. Isto enquanto ilustrava o que aconteceria ao meu “osso do pipi” esfregando uma cenoura na bancada de mármore da cozinha (e esta se desfazia perante o meu olhar aterrorizado). 

O “problema” não era o facto de eu me masturbar (a masturbação é algo natural e saudável em todas as idades), mas sim o facto de o fazer em público. O que as pessoas informadas fazem quando se deparam com uma criança que se masturba em público é explicar a essa criança (todas as vezes que forem necessárias) que “aquilo” apesar de não ser “mau”, é algo privado que devemos fazer quando estamos sozinhas, não à frente de outras pessoas e menos ainda de desconhecidos.  

Agora vocês perguntam: a estratégias aplicadas funcionaram? Sim, mas não como elas esperavam. Eu não deixei de me masturbar, mas comecei a fazê-lo às escondidas, não porque aquilo era algo íntimo e privado, mas porque era algo mau para mim, para a minha saúde, e se alguém me visse fazê-lo de certeza que se zangariam comigo. Eu masturbava-me com um enorme sentimento de culpa, porque pensava que ao fazê-lo estava a pôr em risco a minha saúde. E foi assim durante quase 10 anos. 

Nesses anos a minha relação com a masturbação foi mudando, começou (como também é natural) a ter um carácter mais erótico, mas como era tabu eu continuava a pensar que “aquilo” que eu fazia era vergonhoso porque era mau para mim. Eu não sabia que “aquilo” era uma coisa natural, que se chamava masturbação

Até um certo dia em que fui ao teatro com a minha mãe ver uma peça durante a qual usavam muitas vezes uma palavra que eu nunca tinha ouvido: “masturbação”. Quando saímos do teatro eu perguntei à minha mãe o que significava e ela explicou-me que era quando as pessoas davam prazer a elas próprias através da estimulação dos genitais e que era algo natural e saudável, a menos que houvesse uma espécie de vício (estou a parafrasear, já não me lembro das palavras exactas que ela usou… isto foi à mais de 20 anos). E depois acrescentou algo como: “aquilo que tu fazias quando eras pequenina, não sei se ainda te lembras”. O mundo parou de girar. 

Então afinal “aquilo” não era mau, era natural e saudável? Afinal o meu osso púbico não se ía desintegrar? E as minhas pernas não iam ficar tortas? Afinal todo aquele sentimento de culpa tinha sido desnecessário? Todas as vezes que tinha sofrido em silêncio eram escusadas? Todos os pesadelos em que me aconteciam coisas terríveis por me masturbar podiam ter sido evitados?

Acho que poucas vezes me senti tão revoltada, mas não o demonstrei, tive vergonha. A minha mãe nunca soube que aquela intervenção teve um grande impacto no meu desenvolvimento psicológico e sexual. Ainda hoje tenho pesadelos relacionados com o sentimento de culpa que a masturbação acarretou durante quase uma década. 

Socialmente, mais cedo ou mais tarde, espera-se que os rapazes se comecem a tocar e a masturbar. Quando os adultos veem o bebé a tocar na pilinha acham piada, riem-se e acham normal, mais tarde quando os rapazes se começam a masturbar toda a gente aceita isso como natural e normal, tanto que geralmente (e corrijam-me e se estou incorreta) os progenitores dão alguma privacidade aos rapazes para não acontecerem “constrangimentos”. A minha percepção da nossa sociedade leva-me a pensar que isto não é exatamente assim (ou não o era há 30 anos atrás) no caso das raparigas .

Eu própria tenho muitas questões sobre esta parte da história. O resto da história, a parte após saber o que era a masturbação, fica para o meu próximo artigo, fiquem atentxs!

Algumas das minhas perguntas são:

Teriam as coisas sido diferentes se na altura o meu médico pediatra fosse alguém mais evoluído e menos conservador? Relembro que ele fez um paralelismo entre duas coisas que não têm nada a ver: o facto de me masturbar aos 3 anos de idade e como isso iria acelerar a minha entrada na vida sexual (não foi o caso, eu comecei a minha vida sexual aos 16/17 anos, tudo muito dentro da “normalidade” e não há nenhum estudo que indique que as pessoas que se começam a masturbar mais cedo também começam a vida sexual mais cedo – eu pesquisei). 

Será que a opinião da minha mãe mudou durante esses 10 anos? Porque se não, que sentido teve que ela tentasse que eu deixasse de fazer algo que era perfeitamente natural e saudável, quando me podia ter apenas explicado que devia fazê-lo quando me encontrasse sozinha?

Também achas que é importante “normalizar” a masturbação infantil feminina? Devia falar-se mais sobre isso? Será que hoje em dia já é diferente? Será que as mães e pais de hoje em dia estão no geral preparados para lidar com meninas que se masturbam em publico de forma sensata e não traumática? Achas que a minha experiência foi uma agulha no palheiro e que a maioria da sociedade da época (sendo a minha família uma excepção) já via a masturbação infantil feminina como algo natural?

E tu, achas que a masturbação é algo natural e normal? Com que idade é que te começaste a masturbar? Queres a partilhar algo da tua história comigo? Connosco? Tens perguntas para mim?

 


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Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens (EN)

Desnuda. Lo que aprendí con la experiencia de posar sin ropa para Spencer Tunick (ES)

A nu. O que aprendi com a experiência de posar despida para Spencer Tunick (PT)

No dia 28 de Março, num dos grupos de WhatsApp em que estou, alguém publicou a notícia de que o fotógrafo Spencer Tunick, famoso pelas fotos de multidões despidas, ia estar em Valência, a fazer das suas, dentro de dois dias, e que quem quisesse participar só tinha que inscrever-se. Quem me conhece sabe que o pudor não é característica que me defina. A primeira coisa que pensei foi “isto deve ser uma experiência memorável” e depois pensei “está um bocado frio”. Sem pensar muito mais (o potencial da experiência sobrepunha-se ao medo de congelar), inscrevi-me. Depois partilhei a notícia com alguns amigos, que disseram logo que não tinham coragem de o fazer, e com o meu namorado, que respondeu que ia ponderar sobre o tema e mais tarde decidiria. Uns minutos depois recebi um email com a confirmação de que estava efectivamente inscrita, a informação do local onde teria que ir nesse dia e a hora do início do evento. Este último detalhe voltou a fazer-me pensar na questão do frio.

Dia 30 (um Sábado) às 5h da manhã encontrava-me à porta do edifício onde tudo começaria. Havia muitas pessoas, mais das que eu esperava encontrar, de quase todas as idades (dos 18 aos 80 mais ou menos) mas diria que a maioria tinha entre 25 e 45 anos. Havia algum nervosismo no ar, muitas pessoas tinham vindo em grupo, outras estavam sozinhas como eu.

Finalmente abriram a porta do centro cultural e apareceram duas pessoas que começaram a dar instruções aos participantes. Uma dessas instruções era que homens e mulheres se separariam em dois grupos distintos e que cada grupo deveria esperar mais instruções num dos claustros do centro. As mulheres ficavam no primeiro claustro, os homens seguiam caminho até ao seguinte.

Já dentro do centro observei o que se passava à minha volta. Olhei para as outras pessoas e tentei imaginar o que as motivava a estar ali. Será que tinham muita curiosidade em experienciar uma instalação artística daquela envergadura, será que tinham vontade de sair da sua zona de conforto, ou de fazer algo muito diferente das suas rotinas habituais de fim-de-semana, será que sentiam a necessidade de saber o que se sente quando a nudez é o dress code ou será que queriam testar o quão cómodas estavam com os seus próprios corpos. Poderiam haver mil e uma razões mas na verdade todas as que me ocorriam eram alguns dos motivos pelos quais eu própria tinha decidido ir até ali.  

Podia sentir-se a expectativa no ar. O ambiente estava animado e havia uma boa onda geral, tod@s pareciam estar bem dispost@s e pront@s para passar uma manhã diferente e divertida. Entretanto o José (o meu namorado) apareceu e dissemos “até já” (relembro que homens e mulheres deviam estar separados).

Depois de mais de uma hora da abertura de portas vieram dar-nos as últimas instruções. Desta vez era para explicar como se processaria o momento das fotos, que posturas teríamos que adoptar e a que hora teríamos de sair do centro. Faltavam cerca de 15 minutos para o momento em que nos teríamos que despir, deixando todos as nossas roupas e objetos pessoais no chão daquele claustro e sair para o meio da rua completamente nu@s e descalç@s. A temperatura mantinha-se baixas e o sol ainda estava agora a começar a nascer. Algumas pessoas começaram a saltar e a fazer movimentos para aquecer o corpo, outras começaram a despir-se, talvez para se irem habituando. Eu entretive-me conversando com outras mulheres.

Quando a hora H chegou membros da organização avisaram que tinha chegado o momento de tirar a roupa e dirigirmo-nos para a saída. Apesar de já estar muita gente despida quando deram o aviso, e de quase todas nos termos despido em menos de 30 segundos, parecia que todas esperávamos que alguém tomasse a iniciativa de avançar para a saída. Eu e a mulher com a que falava naquele momento olhamos uma para a outra e sem palavras (mas como quem diz “porque não nós?”) dirigimo-nos para a portão onde já esperavam membros da organização para nos guiarem até à primeira localização da sessão de fotos. Também a dirigir-se para a porta ia outra mulher com quem começamos a falar.

De repente as três olhamos para trás e demo-nos conta de que já estávamos no meio da rua e encabeçávamos um grupo de centenas de mulheres. Eu nao sei o que elas sentiram, mas eu tive uma enorme sensação de liberdade; uma revelação de beleza e até de perfeição, atingida através da diversidade; um sentimento de conexão com todas aquelas mulheres, talvez até com todas AS mulheres, senti a força da sororidade, que juntas podemos chegar a qualquer lado e realmente mudar o mundo.

Chegámos à primeira localização, exactamente em frente do monumento mais icónico da cidade – as Torres de Serranos, e pouco depois (o que pareceu ter sido uma eternidade por causa do frio) chegaram os participantes do género masculino. Por mais estranho que possa parecer, a chegada de centenas de homens pelados (havia cerca de um terço mais de homens que de mulheres) não transformou o momento em algo mais sexual, nem sequer tornou a nudez (própria e dos demais) mais embaraçosa. É claro que só posso falar desde a minha perspectiva, mas no momento observei @s outr@s participantes e não me pareceu que os sinais de desconforto tivessem aumentado (pelo menos da parte das mulheres).

Na verdade com a adição dos homens as sensações anteriores só aumentaram. Senti que realmente somos todos iguais apesar das pequenas diferenças – a objectiva diferença física entre um homem e uma mulher pode chegar a ser menor que entre duas pessoas do mesmo sexo. E senti que de alguma forma todos estamos ligados e que juntos podemos conseguir grandes mudanças.  

Como seres humanos cujas culturas exigem que tenhamos partes do corpo cobertas a maior parte do tempo, tendemos a esquecer-nos do quão normal e vasta é a variedade de formas e feitios dessas partes. As formas selecionadas e editadas às que temos acesso, nos meios de comunicação em massa, fazem-nos olvidar essa variedade. O que às vezes nos faz ver os nossos próprios corpos como feios, imperfeitos, estranhos, etc., apenas porque não são parecidos aos que estamos acostumad@s a ver. Talvez se as nossas sociedades aceitassem e encorajassem mais a nudez, teríamos mais facilidade em aceitar as nossas características físicas e também as das outras pessoas, sem tantos juízos de valor.

Por outro lado senti que a nudez também nos aproxima da nossa essência. Esquecemos constantemente que somos apenas um animal, uma espécie de primata, que teve uma evolução, digamos, diferente. Todos os dias vemos animais nus (o que nos parece caricato é que os outros animais estejam vestidos) e não nos parece estranho, nem temos tendência para olhar para as “partes” equivalentes às que como humanos levamos constantemente tapadas. Isso também acontece depois de estarmos durante algum tempo rodeados por humanos nus, o que era estranho passa a ser normal, os olhos deixam de procurar constantemente aquelas “partes” e quando as vêem passam por elas com a mesma naturalidade com que passam pelas outras.

Uma coisa de que gostei muito foi o facto de que o corpo masculino e o corpo feminino fosse tratados com o mesmo respeito. Infelizmente ainda (espero que um dia deixe de ser assim) vivemos numa sociedade que exige um maior número de “partes a esconder” ao corpo feminino do que ao masculino. Não esquecendo que há culturas que escondem ainda mais partes do corpo da mulher. Felizmente Tunick não censura partes dos corpos segundo sexos (como muitos fotógrafos e artistas) e também não censura segundo cânones de beleza. Foi inspirador ver entre os participantes por exemplo mulheres que tinham passado por mastectomias e pessoas com todo o tipo de diferenças fisionómicas.

O resto do evento em termos práticos pode resumir-se em: passar duas horas ao frio, seguir indicações para ocupar os espaços e mudar de postura, esperar em poses estáticas e deslocar-se para as seguintes localizações. No final voltámos ao centro para nos vestirmos e recuperar as nossas coisas.

Para mim foi sem dúvida uma experiência com saldo positivo. Até a questão do frio acabou por trazer algo bom. Além de ter ganhado uma certa resistência ao frio, que durou ainda por uns dias, mais tarde comecei a estudar sobre a importância dos sistemas que possuímos para regular a nossa temperatura. Ser friorenta às vezes pode ser bastante limitador. Agora sei que ser menos friorenta depende muito de mim, não é algo imutável. Para tal tenho tentado adaptar-me ao frio sem recorrer tanto a peças de roupa nem a aquecedores. E a verdade é que está a resultar.  

E tu, terias participado num evento deste género? Porquê ou porque não?  A nudez trás-te desconforto? Como lidas com a nudez alheia? Como sempre gostava de saber o que pensas sobre tudo isto.  


 

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens (EN)

On the 28th of March, in one of the WhatsApp groups that I’m in, someone posted that the photographer Spencer Tunick – famous for its pictures of crowds of naked people – would be shooting in Valencia, in a couple days, and whomever would like to be part of it just had to sign up. If you know me, you also know that I’m not ruled by pudor. My first thought was “this might be a memorable experience” and after that I realised how cold it would be. I enrolled without further ado (this experience’s potential was bigger than the apprehension of freezing my butt off). Then I shared the news with some friends that promptly expressed their lack of courage to do such thing, and with my boyfriend that would make up his mind later. Minutes later I received an email confirming my participation as well as the time and place of the event. This last detail made me rethink about the weather.

At 5am, on the 30th of March (Saturday), there I was standing at this building’s door where the event would take place. There were many people, more than I was expecting, from all age ranges (from 18 to 80 years old), mostly between 25 and 45 years old. I could feel some nervousness in the air, many people came in groups, others were alone just like me.

Finally the cultural center’s doors were opened and two people showed up to give instructions to all participants. One of those instructions was to separate men and women into two different groups and each one should wait for further instructions in a central cloister. Woman stayed in the first cloister and men proceeded to the next one.

Already in the women’s cloister, I observed what was going on around me. Looking at the people I started to wonder what would be their motivation to be there. Perhaps they were very curious to experience such art installation, maybe they were willing to get out of their comfort zone, or to do something unusual and different from their weekend routines, maybe they felt the urge to know how does it feel to have nudity as a dress code or possibly they were just interested in testing themselves to know how comfortable they were in their own bodies. There could be thousands of reasons but the truth is that all the purposes I could think of were the ones that made me decide to do such thing.

You could feel the excitement in the air. The atmosphere was enthusiastic, with a great vibe, everybody seemed to be in a high spirit and ready to spend a cheerful and different morning. Meanwhile Jose (my boyfriend) arrived and we briefly greeted (reminding that men and women should be separated).

More than one hour later, we got the last instructions. This time to explain about the pictures, what poses were required and timing to leave the cloister. 15 minutes remained to the moment where we all needed to undress, leaving our clothes and personal belongings behind and leave the building to the middle of the street, completely naked and barefoot. The temperature remained low and the sun was now raising. Some people started jumping to warm up their bodies, others started to undress, maybe to get used to it. I kept chatting with other women.

When it came to the crunch, staff members from the organisation informed us that that was the moment to take off our clothes and proceed to the exit. Despite many people being already naked by this moment, and most of us got undressed in 30 seconds, it seemed like we all waited for someone to take the lead to leave the premises. The woman with whom I was chatting at that moment and myself looked at each other and without saying a single word (but already thinking “why not us?”) proceeded to the exit where staff members awaited to bring us to the first location for the photo session. A third woman joined us.

Suddenly, the three of us looked behind and realised that we were already in the middle of the street, spearheading hundreds of other naked women. I don’t know what they have felt, however I felt an enormous freedom; a beauty and even perfection revelation, reached by diversity; a connection feeling with all of those women, perhaps even with ALL women, I felt the empowerment that together we can achieve anything and really change the world.

Soon after (but what felt like an eternity due to the coolness) we arrived to the first location, facing the most iconic monument of the city – the Serranos Towers, the male participants reached us. It might sound strange, yet the arrival of hundreds of naked men (there were roughly a third more men than women) didn’t make the moment in a more sexual one, nor did it turn the nudity (self and others) more embarrassing. Obviously I can only speak for myself, but at that moment I observed all the other participants and didn’t see any increase of uneasiness (at least from the woman’s side).

In fact with the addition of men the previous sensations only increased. I felt that we really are all equal despite the small differences – the objective physical difference between a man and a woman can be less than between two people of the same sex. And I felt that somehow we are all connected and that together we can achieve great changes.

As human beings whose cultures require that we have certain body parts covered most of the time, we tend to forget how normal and vast is the variety of forms and shapes of those parts. The selected and edited forms to which we have access, in the mass media, make us forget this variety. Which sometimes leads us into perceiving our own bodies as ugly, imperfect, strange, etc., just because they are not similar to the bodies we are accustomed to see. Perhaps if our societies accepted and encouraged more nudity, it would be easier to accept our own as well as other people’s physical characteristics, without so much value judgments.

On the other hand I felt that nudity also brings us closer to our essence. We are constantly forgetting that we are just an animal species, a kind of primate, which has evolved, let us say, differently. Every day we see naked animals (what seems a caricature to us is seeing the other animals dressed) and that doesn’t seems strange to us, nor do we tend to stare at the “parts” equivalent to those that we as humans are constantly covering. This also happens after being surrounded by naked humans for a while, what was strange becomes normal, the eyes stop searching constantly for those “parts” and when we see them we just pass through them as naturally as with any other body parts.

One thing I liked very much was that the male body and the female body were treated with the same respect. Unfortunately, we still live in a society that demands a greater number of “hidden parts” from females than from the males. Not forgetting that there are cultures that hide even more parts of the woman’s body. Luckily Tunick does not censure parts of bodies by sex (like many photographers and artists do) and also does not censor according to beauty standards. It was inspiring to see for example, women who had undergone mastectomies and people with all kinds of physiognomic differences among the participants.

In practical terms, the rest of the event can be summarised as: two hours spent in the cold, following directions to change postures and positions, waiting in static poses and moving to the following locations. In the end we went back to the center to get dressed and get our things back.

For me it was undoubtedly an experience with a positive balance. Even the cold issue  ended up bringing something good. In addition to gaining some resistance to the cold, which lasted for a few days, I later on began to study the importance of the systems we have to regulate our temperature. Being too cold at times can be quite limiting. Now I know that being less sensitive to cold depends a lot on me, it’s not something immutable. For this I have tried to adapt to the cold without resorting to clothes or heaters. And the truth is that it is working.

And you, would you have participated in such an event? Why would you or why not? Does nudity bring you discomfort? How do you deal with the nakedness of others? As always I would like to know what do you think about all this.


 

Desnuda. Lo que aprendí con la experiencia de posar sin ropa para Spencer Tunick (ES)

El 28 de marzo, en uno de los grupos de WhatsApp en que estoy, alguien publicó la noticia de que el fotógrafo Spencer Tunick, famoso por las fotos de multitudes desnudas, iba a estar en Valencia, para hacer una de sus sesiones, dentro de dos días, y que quien quisiera participar sólo tenía que inscribirse. Quien me conoce sabe que el pudor no es característica que me defina. La primera cosa que pensé fue “esto tiene que ser una experiencia memorable” y luego pensé “hace frío”. Sin pensar mucho más (el potencial de la experiencia se superponía al miedo de congelar), me inscribí. Después compartí la noticia con algunos amigos, que dijeron pronto que no tenían el coraje de hacerlo, y con mi novio, que respondió que iba a reflexionar sobre el tema y más tarde decidiera. Unos minutos después recibí un email con la confirmación de que estaba efectivamente inscrita, la información del lugar donde tendría que ir ese día y la hora del inicio del evento. Este último detalle volvió a hacerme pensar en la cuestión del frío.

Día 30 (un sábado) a las 5 de la mañana me encontraba a la puerta del edificio donde todo empezaba. Había muchas personas, más de las que esperaba encontrar, de casi todas las edades (de los 18 a los 80 más o menos) pero diría que la mayoría tenía entre 25 y 45 años. Había algún nerviosismo en el aire, muchas personas habían venido en grupo, otras estaban solas como yo. Hasta media hora después, no estaba segura si mi novio vendría.

Finalmente abrieron la puerta del centro cultural y aparecieron dos personas que comenzaron a dar instrucciones a los participantes. Una de esas instrucciones era que hombres y mujeres se separarían en dos grupos distintos y que cada grupo debía esperar más instrucciones en uno de los claustros del centro. Las mujeres se quedaban en el primer claustro, los hombres seguían camino hasta el siguiente.

Ya dentro del centro observé lo que pasaba a mi alrededor. Miré a las otras personas e intenté imaginar lo que las motivaba a estar allí. ¿Quizás tenían mucha curiosidad en experimentar una instalación artística de aquella envergadura, tendrían ganas de salir de su zona de confort, o de hacer algo muy diferente de sus rutinas habituales de fin de semana, a lo mejor sentían la necesidad de saber lo que se siente cuando la desnudez es el dress code, o querían saber lo cuanto cómodas estaban con sus propios cuerpos. Podrían haber mil y una razones pero en verdad todas las que me ocurrían eran algunos de los motivos por los que yo había decidido ir hasta allí.

Podía sentir la expectativa en el aire. El ambiente estaba animado y había una buena energía general, tod@s parecían estar list@s para pasar una mañana diferente y divertida. Mientras esperaba encontré a José (mi novio) y dijimos “hasta ahora” (recuerdo que hombres y mujeres debían estar separados).

Después de más de una hora de la apertura de puertas vinieron a darnos las últimas instrucciones. Esta vez era para explicar cómo se procesaría el momento de las fotos, qué posturas tendríamos que adoptar y a qué hora tendríamos que salir del centro. Faltaban cerca de 15 minutos para el momento en que tendríamos que desnudarnos, dejando toda nuestra ropa y objetos personales en el suelo de aquel claustro y salir para la calle completamente desnud@s y descalz@s. Las temperaturas se mantenían bajas y el sol todavía estaba empezando a nacer. Algunas personas empezaron a saltar y a hacer movimientos para calentar el cuerpo, otras comenzaron a desnudarse, quizás para acostumbrarse. Me entretuve conversando con otras mujeres.

Cuando llegó la hora H,  miembros de la organización avisaron que había llegado el momento de quitarse la ropa y dirigirse hacia la salida. A pesar de que ya estaba mucha gente desnuda, y de que casi todas se desnudaron en menos de 30 segundos, parecía que esperábamos que alguien tomara la iniciativa de avanzar hacia la salida. Yo y la mujer con la que hablaba en aquel momento miramos la una a la otra y sin palabras (pero como quien dice “por qué no nosotras?”) Nos dirigimos hacia la puerta donde ya esperaban miembros de la organización para guiarnos hasta la ubicación de la primera sesión de fotos. A medio camino se juntó a nosotras otra mujer y las tres seguimos camino mientras hablábamos.

De repente las tres miramos hacia atrás y percibimos que estábamos en medio de la calle y encabezamos un grupo de cientos de mujeres desnudas. No sé lo que han sentido ellas, pero yo tuve una enorme sensación de libertad; una revelación de belleza e incluso de perfección, alcanzada a través de la diversidad; un sentimiento de conexión con todas aquellas mujeres, tal vez hasta con todas LAS Mujeres, sentí la fuerza de la sororidad, que juntas podemos llegar a cualquier lado y realmente cambiar el mundo.

Llegamos a la primera ubicación, justo frente al monumento más icónico de la ciudad – las Torres de Serranos, y poco después (lo que parecía haber sido una eternidad a causa del frío) llegaron los participantes del género masculino. Por extraño que parezca, la llegada de cientos de hombres desnudos (había cerca de un tercio más de hombres que de mujeres) no transformó el momento en algo más sexual, ni siquiera la desnudez (propia y de los demás) más embarazosa. Es claro que sólo puedo hablar desde mi perspectiva, pero en el momento he observado a los participantes y no me pareció que las señales de incomodidad hubieran aumentado (al menos por parte de las mujeres).

En realidad con la adición de los hombres las sensaciones anteriores sólo aumentaron. Sentí que realmente somos todos igual a pesar de las pequeñas diferencias – la objetiva diferencia física entre un hombre y una mujer puede llegar a ser menor que entre dos personas del mismo sexo. Y sentí que de alguna forma todos estamos conectados y que juntos podemos lograr grandes cambios.

Como seres humanos cuyas culturas exigen que tengamos partes del cuerpo cubiertas la mayor parte del tiempo, tendemos a olvidarnos de lo normal y amplia es la variedad de formas y hechuras de esas partes. Las formas seleccionadas y editadas a las que tenemos acceso, en los medios de comunicación masiva, nos hacen olvidar esa variedad. Lo que a veces nos hace ver nuestros propios cuerpos como feos, imperfectos, extraños, etc., sólo porque no son parecidos a los que estamos acostumbrad@s a ver. Tal vez si nuestras sociedades aceptaran y alentar más la desnudez, tendríamos más facilidad en aceptar nuestras características físicas y también las de las otras personas, sin tantos juicios de valor.

Por otro lado sentí que la desnudez también nos acerca a nuestra esencia. Olvidamos constantemente que somos sólo animales, una especie de primates, que han tenido una evolución, digamos, diferente. Todos los días vemos animales desnudos (lo que nos parece caricato es que los demás animales estén vestidos) y no nos parece raro, ni tenemos tendencia a mirar a las “partes” equivalentes a las que como humanos llevamos constantemente tapadas. Esto también ocurre después de estarmos rodeados por humanos desnudos durante algún tiempo, lo que era extraño pasa a ser normal, los ojos dejan de buscar constantemente aquellas “partes” y cuando las ven pasan por ellas con la misma naturalidad con que pasan por las otras.

Una cosa que me gustó mucho fue el hecho de que el cuerpo masculino y el cuerpo femenino fueran tratados con el mismo respeto. Lamentablemente todavía (espero que un día deje de ser así) vivimos en una sociedad que exige un mayor número de “partes que esconder” al cuerpo femenino que al masculino. No olvidando que hay culturas que ocultan aún más partes del cuerpo de la mujer. Afortunadamente Tunick no censura partes de los cuerpos según sexos (como muchos fotógrafos y artistas) y tampoco censura según cánones de belleza. Fue inspirador ver entre los participantes por ejemplo mujeres que habían pasado por mastectomías y personas con todo tipo de diferencias fisionómicas.

El resto del evento en términos prácticos puede resumirse en: pasar dos horas al frío, seguir indicaciones para ocupar los espacios y cambiar de postura, esperar en poses estáticas y desplazarse a las siguientes ubicaciones. Al final volvimos al centro para vestirnos y recuperar nuestras cosas.

Para mí fue sin duda una experiencia con saldo positivo. Hasta la cuestión del frío acabó por traer algo bueno. Además de haber ganado cierta resistencia al frío, que duró todavía unos días, más tarde empecé a estudiar sobre la importancia de los sistemas que poseemos para regular nuestra temperatura. Ser friolera puede ser bastante limitador a veces. Ahora sé que ser menos friolera depende mucho de mí, no es algo inmutable. Para ello estoy intentando adaptarme al frío sin recurrir tanto a prendas de ropa ni a calentadores. Y la verdad es que está resultando.

Y tú, habrías participado en un evento de este género? ¿Por qué o por qué no? ¿La desnudez te trae incomodidad? ¿Cómo leídas con la desnudez ajena? Como siempre me gustaba saber lo que piensas de todo esto.

Little steps towards a better world

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Little steps towards a better world (EN)

I was still in elementary school when I first heard about recycling. The teacher explained how different materials belonged to different bins and that each one of them had a different colour. The green was for glass, the blue was for paper and cardboard, the yellow for plastic and metal and the red one for batteries. Even though most people were already recycling glass (as there were big containers to deposit glass spread throughout the neighbourhoods), the other materials were left out all together in the waste bin.

My generation was probably the first one that learned about it in school. When going home, I tried to explain to my mother that we should separate the trash. Unfortunately living in a small city didn’t give us that option because there were no recycling containers yet. Only a few years later the colourful bins started to be seen. However, there were only a few in the city and we had to drive to places in order to deposit the different materials. So we only recycled sometimes. We didn’t do our part because we had excuses: the bins were too far, we didn’t have much space in the kitchen to pile up the garbage, it would leave the house smelly or the myth that the trash would all end up mixed together at some point.

Only when I moved to Lisbon I started to separate the garbage as my condo had all the proper bins. I had no more excuses. A couple years later I moved to Germany to study. Recycling was taken very seriously over there. There were specific days of the week/ month where the different trash had to be taken outside the house so that a truck would pass by and collect them. If the separation wasn’t well done and for instance the plastic bag had non-plastic items inside, we could be charged with a fine.

Nowadays my hometown has plenty of recycling bins and in Portugal there are currently more than 43 thousand bins spread out to all cities. Slowly people in the western world started waking up for the importance of recycling, reusing and reducing. We have the infrastructures, the information, and the education, which means we shouldn’t have a single excuse not to do so.

Those who know me can testify that I avoid buying plastic at all cost, I bring my own fabric bags to the market and try to buy in bulk when possible. Currently I’m traveling in India and the reality here is very different. Buying bottles of water is something I need to on daily basis as the tap water can lack treatment and therefore is unfit for consumption. I’m not happy at all with the amount of trash I’m generating here and I still avoid plastic bags and straws for the most part. In some places is difficult to find trash bins, let alone recycling bins. The other day I bought a cake that was handed out to me in newspaper, after eating the cake I was searching for a bin and asked someone where I could find one. The answer I got was simply “you can just throw the trash on the floor because someone later will pick it up”. As much as this is not acceptable in my culture I have to be open enough to understand that things here work in another level. The streets are very dirty with all kinds of garbage, people throw waste through the car windows and I constantly step on trash. It becomes the norm after a couple weeks of travel.

I don’t have enough knowledge about the education in India as the only things I know are from asking people I’ve been meeting around. I came to know that in fact they now learn in school about recycling. Also there is a big campaign all over India called “Clean India Mission” and the logotype is Gandhi’s glasses with written “clean” and “India” in each lens to try to get people to place the garbage to where it belongs. India has a population of 1.37 Billion. New Delhi alone has around 11 million inhabitants (the same as Portugal) so I get that it might be very difficult to get everybody on the same page. Some basic needs are not even met for millions of people, let alone the concept of recycling.

In the western world we have the tools to do better, to reuse more, to buy less, to stop using plastic or at least drastically reduce its use. We sure have treated water in most places and buying a good water filter to get the purest form of water is an option. We no longer need to buy plastic bottled water, we can choose to buy the unwrapped fruits and veggies, we can buy in bulk, we can say “no” to plastic bags, straws, sanitary pads and tampons etc. We vote with our money every time we purchase an item. Alternatives are made all the time by big corporations because they will do everything and anything to make us buy their products. We cannot expect them to be the ones to stop selling bananas wrapped up in plastic. We have to take that responsibility ourselves. If they know that their consumers are not buying those bananas due to the plastic, they will take measures.

Recycling is great! But we know that some types of materials are not even recyclable, such as straws, plastic bags, coffee cups, tissues etc. So, better avoid buying it.

I’m not criticizing India by any means, in fact I’m thanking India for my first lesson. What I’m trying to say with this article is how sometimes seeing another realities makes us understand better that our own reality can make improvements too, specially when we have the power and tools to do so.

Here is a list for “zero waste” alternatives to make our lives easier: http://trashisfortossers.com/zero-waste-alternatives-ultimate-lis/

Do you do your part?

Pequenos passos para um mundo melhor (PT)

Estava ainda na escola primária quando ouvi falar de reciclagem pela primeira vez. A professora explicou como diferentes materiais pertenciam em contentores específicos e que cada um deles tinha uma cor respectiva. O verde era para o vidro, o azul para o papel e cartão, o amarelo para embalagens e finalmente o vermelho para as pilhas. Ainda que por esta altura a maior parte das pessoas já fizessem reciclagem de vidro (haviam “vidrões” espalhados pelos bairros da cidade), os outros materiais tinham todos o mesmo destino – o contentor do lixo indiferenciado.

A minha geração foi provavelmente a primeira a aprender isto na escola. Quando cheguei a casa tentei explicar à minha mãe que devíamos separar o lixo. Infelizmente viver numa cidade pequena como Évora não nos dava a opção de reciclar por não haverem ainda ecopontos. Só uns anos mais tarde é que os contentores coloridos começaram a aparecer na cidade. No entanto, os contentores eram poucos e tínhamos que ir de carro até eles para depositar os diferentes materiais. Por essa razão só reciclavamos de vez em quando. Não fazíamos a nossa parte porque tinhamos desculpas: os ecopontos estavam longe, não havia espaço suficiente na cozinha para acumular lixo, a casa ficava com mau cheiro, ou o mito de que nem valia a pena separar o lixo pois no fim das contas este acabaria todo no mesmo sítio. Só quando fui morar para Lisboa comecei de facto a fazer reciclagem.  Como no meu condomínio havia ecopontos não tinha desculpa nenhuma .

Um par de anos depois fui estudar para a Alemanha. Reciclar é algo que os alemães levam muito a sério. Haviam dias específicos da semana/ mês onde os diferentes tipos de lixo eram levados para a porta de casa para depois serem recolhidos por camiões. Se a separação do lixo não fosse bem feita e ,por exemplo, o saco do plástico contivesse algo que não fosse plástico, podíamos ter que pagar uma multa.

Hoje em dia, a minha cidade natal já tem vários ecopontos. E por todo o país estão espalhados cerca de 43 mil contentores. Devagarinho as pessoas do mundo ocidental começam a acordar para a importância da reciclagem, reutilização e redução. Temos as infra-estruturas, a informação e a educação, o que significa que não temos qualquer desculpa para não o fazer.

Aqueles que me conhecem sabem que tento evitar a todo o custo comprar itens que contenham plástico, levo os meus sacos de pano para o mercado e tento comprar a granel sempre que possível. De momento encontro-me a viajar pela Índia e a realidade deste lado é muito diferente. Comprar garrafas de água é algo que tenho de fazer diariamente, já que a água da torneira não está tratada e é imprópria para consumo. Fico triste com a quantidade de lixo que estou a gerar aqui e tento ao máximo evitar sacos de plástico e palhinhas. Em alguns lugares é difícil de encontrar contentores ou caixotes do lixo, quanto mais ecopontos. No outro dia comprei um bolo que vinha embrulhado num jornal, depois de comer o bolo não encontrei nenhum caixote para colocar o lixo e decidi perguntar a alguém o que fazer, ao que me foi respondido “podes atirar o lixo para o chão pois mais tarde alguém virá limpar-lo”. Por mais que isto não seja aceitável na minha cultura tenho que ser aberta o suficiente para perceber que as coisas aqui acontecem a um nível diferente. As ruas estão extremamente sujas com todo o tipo de lixo, as pessoas atiram coisas pelas janelas dos carros e ando constantemente a pisar lixo. Torna-se normal depois de umas semanas de viagem.

Não tenho conhecimento suficiente sobre o sistema de educação na Índia e o pouco que sei é através de perguntas que faço a pessoas que vou conhecendo. Aprendi que de facto os indianos já começam a aprender na escola sobre a importância da reciclagem. Há também uma campanha por toda a Índia, com o fim de incentivar as pessoas a colocarem o lixo nos seus devidos locais. Chama-se de “Clean India Mission” ( Missão Índia Limpa) e o logótipo são os óculos do Gandhi com as palavras “Índia” e “Limpa” em cada lente, Na índia vivem cerca de 1.37 Biliões de pessoas. Só Nova Deli tem 11 Milhões de habitantes, os mesmos que em Portugal inteiro, por isso eu entendo o quão difícil é fazer com que  tanta gente colabore para um mesmo fim. Milhões de pessoas não têm sequer acesso a algumas das necessidades básicas, é normal que não percebam a importância da reciclagem.

No mundo ocidental temos os mecanismos para melhorar, reutilizando mais, comprando menos, parando de usar plástico ou pelo menos reduzindo drasticamente o seu uso. Temos água tratada na maior parte dos sítios e podemos adquirir um bom filtro para ter água ainda mais pura. Não há necessidade de comprar garrafas de água, podemos escolher não comprar vegetais e frutas que venham embalados em plástico, podemos comprar a granel, podemos dizer “não” aos sacos de plástico, palhinhas, pensos higiénicos e tampões, etc. Votamos, com o nosso dinheiro, de cada vez que compramos um item. As grandes corporações criam alternativas a toda a hora, pois o que lhe interessa é vender e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para que compremos os seus produtos. Não podemos esperar que sejam eles a parar de vender bananas embaladas em plástico. Temos que ser nós, consumidores, a tomar a responsabilidade de diminuir a demanda. Se eles souberem que os seus consumidores não compram aquelas bananas por causa do plástico, tomarão medidas.

Reciclar é ótimo! Mas também sabemos que alguns tipos de materiais não são recicláveis como por exemplo as palhinhas, os sacos de plástico, os copos de café, as toalhitas etc. Por isso nada melhor que evitar o seu consumo.

Não quero criticar a Índia de forma alguma, de facto agradeço ter aprendido aqui esta primeira lição. O que quero dizer com este artigo é que, às vezes, ver outras realidades faz-nos entender melhor a nossa própria realidade e podemos melhorá-la também, especialmente quando temos o poder e as ferramentas para o fazer.

Aqui vão algumas alternativas “desperdício zero”  para um mundo melhor: https://mindthetrash.pt/category/alternativas-ao-plastico/?fbclid=IwAR3ZmPm_fm6ZE_ws4zrVPL5IjsYr1Ebrn13m7y6G6CPYr0lp2IxX4X8VbVQ

E um podcast bastante esclarecedor sobre reciclagem: https://sofiadeassuncao.com/podcast-ana-milhazes/

E tu, fazes a tua parte?

Pequeños pasos para un mundo mejor (ES)

Estaba en la escuela primaria cuando oí hablar de reciclaje por primera vez. La profesora explicó cómo diferentes materiales pertenecían en contenedores específicos y que cada uno de ellos tenía un color respectivo. El verde era para el cristal, el azul para el papel y el cartón, el amarillo para los embalajes y el rojo para las pilas. Aunque la mayoría de las personas ya hacían reciclaje de vidrio (había contenedores verdes repartidos por los barrios de la ciudad), los demás materiales acababan  todos el contenedor de la basura indiferenciada.

Mi generación fue probablemente la primera en aprender esto en la escuela. Cuando llegué a casa intenté explicar a mi madre que debíamos separar la basura. Desgraciadamente vivir en una pequeña ciudad como Évora no nos daba la opción de reciclar por no haber aún puntos de recorrida. Sólo unos años más tarde, los contenedores de colores comenzaron a aparecer en la ciudad. Sin embargo, los contenedores eran pocos y teníamos que ir en coche para reciclar los diferentes materiales. Por esa razón sólo reciclabamos a veces. No hacíamos nuestra parte porque teníamos disculpas: los contenedores estaban lejos, no había suficiente espacio en la cocina para acumular basura, la casa casa olía, o el mito de que no valía la pena separar la basura pues al final todo acabaría en el mismo sitio. Sólo cuando me mudé a Lisboa empecé realmente a hacer reciclaje. Como en mi edifício (incluso en mi planta) había contenedores de recicláge, no tenía excusa alguna.

Un par de años después fui a estudiar a Alemania. Reciclar es algo que los alemanes toman muy en serio. Había días específicos de la semana para dejar  los diferentes tipos de basura en la puerta de casa, luego serían recogidos por camiones. Si la separación de la basura no estaba bien hecha y, por ejemplo, la bolsa del plástico contenía algo que no fuera plástico, podríamos tener que pagar una multa.

Hoy en día, mi ciudad natal ya tiene un buen sistema de reciclaje. Y por todo el país están repartidos cerca de 43 mil contenedores. La gente del mundo occidental empieza a despertar para la importancia del reciclaje, la reutilización y la reducción. Tenemos las infraestructuras, la información y la educación, lo que significa que no tenemos ninguna excusa para no hacerlo.

Aquellos que me conocen saben que intento evitar a toda costa comprar artículos que contengan plástico, llevo mis bolsas de tela al mercado y trato de comprar a granel siempre que posible. De momento estoy viajando por India y la realidad de este lado es muy diferente. Comprar botellas de agua es algo que tengo que hacer diariamente, ya que el agua del grifo no está tratada y es impropio para el consumo. Me siento triste con la cantidad de basura que estoy generando aquí y trato de evitar bolsas de plástico y pajitas. En algunos lugares es difícil encontrar papeleras, imagina contenedores de reciclaje. El otro día compré un pastel que venía envuelto en un periódico, después de comer el pastel no encontré ninguna papelera para tirar la basura y decidí preguntar a alguien donde que hacer, a lo que me contestaron “puedes tirar la basura al suelo, más tarde alguien vendrá a limpiarlo”. Por más que esto no sea aceptable en mi cultura, tengo que ser abierta lo suficiente para percibir que las cosas aqui suceden a un nivel diferente. Las calles están extremadamente sucias con todo tipo de basura, la gente tira cosas por las ventanas de los coches y voy pisando basura constantemente. Se hace normal después de unas semanas.

No tengo suficiente conocimiento sobre el sistema de educación en la India y lo poco que sé es a través conversaciones con personas que voy conociendo. Aprendí que, de hecho, los indios ya aprenden sobre la importancia del reciclaje en la escuela . Hay también una campaña por toda la India, con el fin de alentar a las personas a colocar la basura en sus debidos lugares. Se llama “Clean India Mission” y el logotipo son las gafas de Gandhi con las palabras “India” y “Limpia” en cada lente. En la India viven alrededor de 1.37 millones de personas, Nueva Delhi tiene 11 millones de habitantes, lo misma cantidad que Portugal entero, por lo que entiendo lo difícil que es hacer que tantas personas colaboren en algo. Millones de personas no tienen siquiera acceso a algunas de las necesidades básicas, es normal que no perciban la importancia del reciclaje.

En el mundo occidental tenemos los mecanismos para mejorar, reutilizando más, comprando menos, dejando de usar plástico o al menos reduciendo drásticamente su uso. Tenemos agua tratada en la mayoría de los sitios y podemos adquirir un buen filtro para tener agua aún más pura. No hay necesidad de comprar botellas de agua, podemos elegir no comprar vegetales y frutas que vengan envasados ​​en plástico, podemos comprar a granel, podemos decir “no” a las bolsas de plástico, pajitas, compresas y tampones, etc. Votamos, con nuestro dinero, cada vez que compramos un artículo. Las grandes corporaciones crean alternativas porque les interesa vender y hacen todo lo que esté a su alcance para que compremos sus productos. No podemos esperar que sean ellos a dejar de vender plátanos envasados ​​en plástico. Tenemos que ser nosotr@s, l@s consumidor@s, a tomar la responsabilidad de disminuir la demanda. Si ellos saben que sus consumidores no compran esos plátanos a causa del plástico, tomarán medidas.

¡Reciclar es genial! Pero también sabemos que algunos tipos de materiales no son reciclables, como por ejemplo las pajitas, las bolsas de plástico, los vasos de café descartables, las toallitas, etc. Por eso nada mejor que evitar su consumo.

No quiero criticar a la India de ninguna manera, de hecho agradezco haber aprendido aquí esta primera lección. Lo que quiero decir con este artículo es que a veces ver otras realidades nos hace entender mejor nuestra propia realidad y podemos mejorarla también, especialmente cuando tenemos el poder y las herramientas para hacerlo.

Aquí está una lista de productos “sin desperdicio” alternativos para simplificar un poco nuestras vidas: http://orgranico.com/recopilatorio-11-alternativas-zero-waste/

Y tú, haces tu parte?

Physical re-education

Physical re-education (EN)

Reeducación física (ES)

Reeducaçao física (PT)

Sabias que, ao contrário de muito do que se diz por aí, podes reeducar o teu corpo, mudá-lo e pô-lo a funcionar como deve de ser?

A primeira vez que me deparei com uma oportunidade de reeducar o meu corpo foi quando ainda era miúda. Eu metia os pés um pouco para dentro ao caminhar, um deles um pouco mais que o outro. Mais pequena ainda, tinha usado sapatos ortopédicos sem grande resultado. Algum adulto disse-me que devia tentar caminhar com os pés direitos ou andaría com os pés metidos para dentro para sempre. Lembro-me perfeitamente de ir no caminho para a escola concentrada na minha forma de caminhar. No meu inconsciente a posição dos meus pés por defeito era para dentro, e isso era o que os meus sentidos percebiam como “normal”, ao centrá-los tinha a impressão de que estava a caminhar com eles completamente virados para fora (tipo como as bailarinas). Eventualmente a nova forma de caminhar tornou-se o novo “normal”, e hoje em dia ninguém diria que andava com os pés para dentro quando era criança.

Bastantes anos mais tarde, já depois de adulta, comecei a fazer Yoga e percebi que não sabia respirar. Respirava quase sempre pela boca e só usava a parte superior dos meus pulmões. Nessa altura o Yoga ajudou-me a tomar consciência da minha respiração e aprendi a respirar utilizando todo o pulmão, pelo nariz e de forma mais tranquila. Levei o que aprendia para a minha vida diária, sempre que podia tentava estar consciente da minha respiração, e respirar de maneira mais eficaz.

Com o tempo o corpo habituou-se e rara é a vez que respiro pela boca durante o tempo em que estou acordada. Já não preciso estar sempre a pensar em como respirar corretamente, mas o hábito de analisar de vez enquanto a minha respiração ficou. Essa análise esporádica, mas mais ou menos constante, ajuda-me a analisar também o meu estado de espírito.

Uma das reeducações físicas mais impactantes pelas que já passei foi a segunda vez que decidi mudar a forma como caminho. Essa tem sido uma longa “caminhada” cheia de aprendizagem sobre o funcionamento do meu próprio corpo. Tudo começou quando, à semelhança da Tico, comecei a pesquisar sobre o movimento barefoot e os benefícios de andar descalç@ (e os malefícios de usar os sapatos convencionais). Comprei os meus FiveFingers mais ou menos na mesma altura que ela mas usava-os pouco, intercalando com o uso de calçado convencional.

No verão passado decidi comprar umas sandálias minimalistas que seriam o meu calçado para todo o verão. Levei-as na viagem para visitar a Tico ao Canadá e depois de vários dias de passeio, em que percorremos entre 10 e 30 quilometros por dia, percebi que não havia nada melhor para grandes caminhadas. Sempre tive o pé chato e isso fazia com que, depois de caminhar muito tempo com sapatos muito rasos, me começassem a doer os pés na zona do arco (que não tinha) e por vezes também os tornozelos. Eu pensava que isso era normal, eu tinha o pé chato e isso era irreversível por isso tinha que usar sobretudo sapatos com algum desnível e com suporte para o arco do pé.

Quando estava a fazer a mochila para o Caminho de Santiago (Buen Camino) decidi que ia apenas levar dois pares de calçado, as minhas sandálias minimalistas e os meus FiveFingers. No primeiro dia do caminho, depois de cerca de três horas de caminhada, lá me começou a doer o arco do pé esquerdo. Quando olhei para o meu pé enquanto caminhava (com as sandálias minimalistas, sem desnível nem apoio para o arco, era fácil de ver) percebi que apoiava demasiado a parte interior deste (onde o arco é suposto estar) e pouco a parte exterior. Então decidi fazer uma experiência. Para poder fazê-lo teria que me concentrar nos meus movimentos e caminhar de forma consciente. Decidi tentar apoiar o pé com mais ênfase na parte exterior (que vai do dedo mindinho até ao meio do calcanhar). Ao final de alguns quilometros vi o resultado, a dor no pé diminuía.

Até ao final do caminho (115km) fiz esse esforço de caminhar de forma consciente apoiando melhor a parte exterior do pé. Nos primeiros dias sempre que me distraía lá me começava a doer o pé e isso era sinal de que não estava a caminhar correctamente. No ultimo dia já tinha incorporado no meu inconsciente esta nova forma de caminhar. Desde que voltei do Caminho de Santiago nunca mais voltei a usar calçado que não cumpra os requisitos barefoot, com a única excepção dos 5 dias de muita chuva distribuídos pelo inverno Valenciano (em Valência quase nunca chove) em que tive que usar umas botas realmente impermeáveis que não são barefoot.

Nunca mais me doeu o pé naquele sítio (nem noutro verdade seja dita) e agora os meus pés já não são chatos. MAGIA!!! A reeducação da minha forma de caminhar e a utilização de calçado human friendly fizeram com que os arcos, que nunca se tinham formado em 31 anos de existência, finalmente e a pouco e pouco começassem a surgir.  

Mas essa transformação não acabou aí. Talvez por se ter processado de maneira mais deliberada e consciente, levou a que continuasse a pesquisar e a perceber que realmente ainda haviam ajustes a fazer. Ainda estou em processo de melhorar a minha postura e de reabilitar a total mobilidade dos meus pés, ancas e tornozelos mas posso dizer que vejo a evolução de semana para semana.

Entretanto, numa visita a um consultório de uma dentista que tem uma abordagem mais holística com relação à medicina dentária, encontrei uma possível solução para outro problema físico que há algum tempo queria resolver mas sem saber como. Uns parágrafos acima falo da minha primeira reeducação respiratória. Neste momento estou no início da segunda! O facto é que quando estou desperta consigo respirar de uma forma correcta, mas quando estou a dormir respiro geralmente com a boca aberta. Isto faz com que, além de despertar várias vezes durante a noite com a boca seca, entre menos ar nos meus pulmões. O que resulta em pesadelos, sonos pouco profundos, alguns episódios de apneia, amígdalas inchadas e umas valentes olheiras que tenho desde sempre, entre outras coisas.

Sei que vai parecer estranho mas parte desta reeducação respiratória passa por dormir com um adesivo na boca. Se te estás a rir não és @ unic@! Eu cada vez que penso nisso escangalho-me a rir, e muitas vezes quando me preparo para dormir (e colo a minha boca com adesivo) não consigo evitar umas gargalhadas (mudas, porque já tenho a boca colada). Ainda é cedo para falar de resultados a longo prazo. Será que o meu inconsciente se habituará à boca fechada durante o sono como o “novo normal”? Será que algum dia vou conseguir dormir de boca fechada mas sem a sinistra “fita-cola”? O que posso dizer é que tenho realmente dormido melhor, já não desperto a meio da noite com a necessidade de beber água e tenho a impressão de ter mais energia durante o dia e maior capacidade de concentração.

Acho que é importante que estejamos mais conscientes do poder que temos para mudar a nossa condição física. Volto a dizer (como disse neste artigo) que tomar as rédeas da própria vida, e neste caso do próprio corpo, não é para todos na medida em que é uma questão de responsabilizar menos a nossa genética, o nosso contexto sócio-cultural e as outras pessoas, responsabilizando-nos mais a nós próprios. Coisa que nem todos estão dispostos a fazer, pois é mais fácil queixarmo-nos e culpar fatores externos.

Também achas que há muito que podemos fazer pelo aperfeiçoamento dos nossos corpos? Já fizeste algum tipo de reeducação física? Este artigo encorajou-te a tomar mais responsabilidade sobre o teu próprio corpo? Achas que o que digo não faz sentido nenhum? Como sempre, estou curiosa para saber a tua opinião!


 

Physical re-education (EN)

Did you know that, in contrary of what is said for the most part, you can re-educate your body, change it and make it work properly in an autonomous way?

The first time I came across an opportunity to re-educate my body was when I was a child. I used to have my feet pointing inward while walking, one of them a little more than the other. Before that I had already worn orthopaedic shoes without much success. Some adult told me that I should try to walk with my feet straight otherwise I would walk like that forever. I remember, as if it was today, going the to school while focusing on my way of walking. In my unconscious the position of my feet was by default inward, and this was what my senses perceived as “normal”, when I centred them I had the impression that I was walking with them completely turned outwards (like the ballet dancers do). Eventually the new form of walking became the new “normal”, and nowadays no one could tell that back then I used to walk with my feet pointing inwards.

Many years later, when I was already an adult, I began practicing Yoga and realised that I did not knew how to breathe. I would mostly breathe through my mouth and only using the upper part of my lungs. At that time Yoga helped me to become aware of my breathing and I learned how to breathe through the nose, using my whole lungs and in a more relaxed way. I brought what I learned to my daily life, whenever I could I would try to be aware of my breathing to do it more efficiently.

Over time my body became accustomed and since then I rarely breathe through my mouth when I’m awake. I no longer have to think about how to breathe correctly, however the habit of analysing my breath stayed. This sporadic but more or less constant analysis helps me to get in touch with my state of mind as well.

One of the most impactful physical re-educations I’ve ever experienced was the second time I’ve decided to change the way I walk. This has been a long journey where I’ve been learning about the functioning of my own body. It all started when, like Tico, I started to research about the barefoot movement and the benefits of walking barefoot (and damaging effects of wearing conventional shoes). I bought my FiveFingers more or less at the same time as she did, but I didn’t wear them as much and would rather intercalate with conventional footwear.

Last summer I decided to buy some minimalist sandals that would be my footwear for the whole summer. I took them on the trip to visit Tico in Canada and after several days of walking between 10 and 30 kilometres a day, I realised that there was nothing better for long walks. I used to have flat feet and after walking in flat shoes for a long time my feet would always hurt, especially around the area where the arch should be (I didn’t had any) and sometimes also the ankles would get sore. I thought this was normal, that my feet were flat and this was irreversible so I had to wear mostly shoes with some heel and with some kind of arch support.

When I was  packing my backpack for the Camino de Santiago (Buen Camino) I decided that I would only take two pairs of shoes, my minimalist sandals and my FiveFinger shoes. On the first day of the trip, after about three hours hiking, my left foot started hurting. When I looked at my feet as I walked (with minimalist sandals, with no drop or arch support, it was easy to see) I realised that I was planting my feet on the ground with hard pressure on the inside part of the foot (where the bow is supposed to be) and less pressure on the outer part. So I decided to do an experiment. In order to do so I would have to concentrate on my movements and walk consciously. I decided to try to land my feet with more emphasis on the outside (that goes from the little finger to the middle of the heel) they on the inside. At the end of a few kilometres I saw the result, the pain started decreasing.

Until the end of the path (115km) I made this effort to walk consciously supporting the outer part of the foot better. In the first days whenever I was distracted my feet started hurting and this was a sign that I was not walking properly. On the last day I had already incorporated into my unconscious this new way of walking. Since I returned from the Camino de Santiago I have never used shoes that do not meet the barefoot standards, with the exception of the 5 days of heavy rain distributed in the winter (it rarely rains in Valencia) that I had to wear waterproof boots that are not barefoot.

The pain on my feet never came back and now they aren’t flat anymore. MAGIC!!! The locomotion re-education and the use of “human friendly” footwear made my feet arches slowly and gradually take form after 31 years of existence with no arch whatsoever.

But this transformation did not end there. Perhaps because it had been processed more deliberately and consciously, it led me to continue researching and realising that there were still some adjustments to be made. I am still in the process of improving my posture and rehabilitating the total mobility of my feet, hips and ankles but I can say that I see the evolution every week.

Not long ago, when visiting a dentist with a more holistic approach to dental medicine, I found a possible solution to another physical problem that I had wanted to solve for some time although not knowing how. A few paragraphs above I talked about my first respiratory re-education. At this moment I am at the beginning of the second one! The fact is that when I’m awake I can breathe properly, but when I’m asleep I usually breathe with my mouth open. This not only causes less air to get into my lungs but in addition I wake up several times during the night with a dry mouth. This leads to nightmares, shallow sleeps, some episodes of apnea, swollen tonsils, and some serious dark circles, among other things.

I know it’s going to sound strange, but part of this respiratory re-education process is sleeping with some kind of duct tape covering my mouth. If you’re laughing, you’re not the only one! Every time I think about it I laugh as well, and many times when I get ready to go to sleep (and close my mouth with hypoallergenic tape) I cannot help laughing (but silently because by then my mouth is already duct taped). It’s too early to talk about long-term results. Will my unconscious get used to my shut mouth while sleeping as the “new normal”? Will I ever be able to sleep with my mouth closed without the sinister duct tape? What I can say is that I have actually slept better, I no longer wake up in the middle of the night with the need to drink water and I have the impression of having more energy and greater focus during the day.

I think it’s important that we become more aware of the power we have to change our physical condition. Once again, as I said in this article, taking the reins of one’s life, and in this case one’s own body, is not for everyone because it is a question of no longer blaming our genetics, socio-cultural context and other people, making ourselves more accountable. This is something that not everyone is willing to do, because it is easier to complain and blame external factors.

Do you also think that we can do much more to further perfecting our bodies? Have you done any kind of physical re-education? Did this article encourage you to take more responsibility over your own body? Do you think that what I said makes no sense at all? As always, I’m curious to hear your opinion!


 

Reeducación física (ES)

¿Sabías que, al contrario de mucho de lo que se dice por ahí, puedes reeducar tu cuerpo, cambiarlo y hacerlo funcionar correctamente?

La primera vez que me encontré con una oportunidad de reeducar mi cuerpo fue cuando aún era niña. Ponía los pies un poco hacia adentro al caminar, uno de ellos un poco más que el otro. Antes había usado zapatos ortopédicos sin mucho resultado. Un adulto me dijo que debía intentar caminar con los pies derechos o estaría destinada a caminar con los pies metidos hacia dentro para siempre. Recuerdo perfectamente ir de camino a la escuela concentrada en mi forma de caminar. En mi inconsciente la posición de mis pies era por defecto hacia adentro, y eso era lo que mis sentidos percibían como “normal”. Al centrarlos, tenía la impresión de que estaba caminando con ellos completamente orientados hacia fuera (como las bailarinas). Eventualmente, la nueva forma de caminar se convirtió en el nuevo “normal”, y hoy en día nadie diría que andaba con los pies hacia dentro cuando era pequeña.

Bastantes años más tarde, siendo adulta, empecé a hacer yoga y percibí que no sabía respirar. Respiraba casi siempre por la boca y sólo usaba la parte superior de mis pulmones. En ese momento, el Yoga me ayudó a tomar conciencia de mi respiración y aprendí a respirar utilizando todo el pulmón, de forma nasal y más tranquila. Trasladé lo que aprendí  a mi vida diaria, siempre que podía trataba de estar consciente de mi respiración para respirar de manera más eficaz.

Con el tiempo, el cuerpo se ha acostumbrado y rara vez respiro por la boca mientras estoy despierta. Ya no necesito estar pendiente de mi respiración para respirar correctamente, pero el hábito de analizar  mi respiración de vez en cuando se quedó. Este análisis esporádico, pero más o menos constante, me ayuda también a analizar mi estado de ánimo.

Una de las reeducaciones físicas más impactantes por las que ya pasé fue la segunda vez que decidí cambiar mi forma de caminar . Esta ha sido una larga “caminata” llena de aprendizaje sobre el funcionamiento de mi propio cuerpo. Todo empezó cuando, igual que  mi hermana Tico, empecé a investigar sobre el movimiento barefoot y los beneficios de andar descalzo (y los inconvenientes de usar los zapatos convencionales). Compré mis FiveFingers más o menos a la vez  que ella, pero los usaba poco, intercalando con el uso de calzado convencional.

El  verano pasado decidí comprar unas sandalias minimalistas que serían mi calzado para todo el verano. Las llevé en el viaje para visitar a Tico en Canadá y, después de varios días de paseo en los que recorrimos entre 10 y 30 kilómetros por día, percibí que no había nada mejor para grandes caminatas. Siempre tuve el pie plano y eso hacía que, después de caminar mucho tiempo con zapatos muy planos, me empezaran a doler los pies en la zona del arco (que no tenía) y a veces también los tobillos. Yo pensaba que eso era normal, yo tenía los pies planos y eso era irreversible, por lo que tenía que usar sobre todo zapatos con algún desnivel y con soporte para el arco del pie.

Cuando estaba haciendo la mochila para el Camino de Santiago (Buen Camino) decidí que iba a llevar dos pares de calzado: mis sandalias minimalistas y mis FiveFingers. En el primer día del camino, después de unas tres horas de caminata, me empezó a doler el arco del pie izquierdo. Cuando miré mi pie mientras caminaba (con las sandalias minimalistas, sin desnivel ni apoyo para el arco, era fácil de ver) percibí que apoyaba demasiado la parte interior de éste (donde se supone que está el arco) y poco la parte exterior. Entonces decidí hacer un experimento . Para poder hacerlo, tendría que concentrarme en mis movimientos y caminar de forma consciente. Decidí intentar apoyar el pie con más énfasis en la parte exterior (que va del dedo meñique hasta el medio del talón). Al final de algunos kilómetros vi el resultado: el dolor en el pie disminuía.

Hasta el final del camino (115km) hice este esfuerzo de caminar de forma consciente apoyando mejor la parte exterior del pie. En los primeros días, siempre que me distraía me empezaba a doler el pie y eso era señal de que no estaba caminando correctamente. En el último día ya había incorporado en mi inconsciente esta nueva forma de caminar. Desde que volví del Camino de Santiago no he vuelto a usar calzado que no cumpliera los requisitos barefoot, con la única excepción de los 5 días de diluvio distribuidos por el invierno valenciano (en Valencia casi nunca llueve) durante los que tuve que usar unas botas realmente impermeables que no son barefoot.

No me volvió a doler el pie en aquel sitio (ni en otro en realidad) y ahora mis pies ya no son planos. ¡¡¡MAGIA!!! La reeducación de mi forma de caminar y la utilización de calzado human friendly hicieron que los arcos, que nunca se habían formado en 31 años de existencia, finalmente y poco a poco comenzaran a surgir.

Pero esa transformación no terminó ahí. Quizás por haberse procesado de manera más deliberada y consciente, llevó a que continuara investigando y percibiendo que realmente todavía había ajustes que hacer. Todavía estoy en proceso de mejorar mi postura y de rehabilitar la total movilidad de mis pies, caderas y tobillos pero puedo decir que veo la evolución semana tras semana.

Hace poco, en una visita a una dentista que tiene un enfoque más holístico con relación a la medicina dental, encontré una posible solución a otro problema físico que hace algún tiempo quería resolver pero no sabía  cómo. Unos párrafos arriba hablo de mi primera reeducación respiratoria. ¡En este momento estoy iniciando la segunda! El hecho es que cuando estoy despierta puedo respirar correctamente, pero cuando estoy durmiendo respiro generalmente por la boca. Esto hace que, además de despertar varias veces durante la noche con la boca seca, entre menos aire en mis pulmones. Lo que resulta en pesadillas, sueños poco profundos, algunos episodios de apnea, amígdalas hinchadas y unas ojeras que tengo desde siempre, entre otras cosas.

Sé que va a parecer extraño, pero una parte de esta reeducación respiratoria es dormir con esparadrapo en la boca. Si te estás riendo no estás sol@! Cada vez que pienso en ello me meo de risa, y muchas veces cuando me preparo para dormir (y pego mi boca con el estropajo) no puedo evitar unas carcajadas (mudas, porque ya tengo la boca pegada). Todavía es temprano para hablar de resultados a largo plazo. ¿Registrará mi inconsciente a la boca cerrada durante el sueño como el “nuevo normal”? ¿Podré dormir   algún día con la boca cerrada, pero sin la siniestra “cinta adhesiva”? Lo que puedo decir es que realmente estoy durmiendo mejor, ya no despierto en la mitad de la noche con la necesidad de beber agua y creo que tengo más energía durante el día y mayor capacidad de concentración.

Creo que es importante que seamos más conscientes del poder que tenemos para cambiar nuestra condición física. Vuelvo a decir (como he dicho en este artículo) que tomar las riendas de la propia vida, y en este caso del propio cuerpo, no es para tod@s, porque es cuestión de culpar menos a nuestra genética, nuestro contexto sociocultural y las otras personas, responsabilizándonos más a nosotros mismos. Cosa que no todos están dispuestos a hacer, pues es más fácil quejarnos y culpar a factores externos.

¿También crees que hay mucho que podemos hacer para perfeccionar  nuestros cuerpos? ¿Has hecho algún tipo de reeducación física? ¿Te ha animado este artículo a tomar más responsabilidad sobre tu propio cuerpo? ¿Crees que lo que digo no tiene sentido alguno? ¡Como siempre, tengo curiosidad de saber tu opinión!

Love Stories

Love Stories (EN)

Historias de Amor (ES)

Histórias de Amor (PT)

Lembrar-me que o dia de São Valentim é amanhã fez-me pensar um pouco nalguns dos “questionamentos” que tenho exercido sobre o amor e as relações amorosas.

Primeiro Amor

Tive o meu primeiro namorado com 16 anos. Esse namoro durou cerca de 3 anos. A minha primeira relação amorosa marcou-me para a vida (como creio que marcam quase todas as primeiras vezes). Esta relação ensinou-me sobretudo a saber onde estão os meus limites, especialmente porque os esticou até rebentarem. Aos 16 anos tinha um namorado ciumento, possessivo e paranóico. E eu era muito jovem e inexperiente para perceber que a nossa relação não era uma relação amorosa saudável. Aos 17 anos tinha deixado de encontrar-me sozinha com todos os meus amigos do sexo masculino e estava sempre em cheque auto-analisando as minhas acções para com o sexo oposto, não fosse fazer algo que gerasse a desconfiança ou o ciúme do meu namorado. Mas mesmo assim mais dia menos dia acabava a chorar, tendo que me explicar, provar que não tinha feito nada de errado ou pedir desculpas por algo que ele considerasse passível de despertar os seus ciúmes ou paranóia. Perdi-me nesta relação, quando acabou eu tinha 19 anos e já não sabia quem era. Tinha mudado tantas coisas para conseguir manter aquele namoro que quando ele acabou senti-me profundamente esgotada e sem vontade de voltar a ter namorado nem nenhum outro tipo de relação do género. Demorei 2 anos para me reconstruir e para voltar a dar oportunidade ao amor.

Hoje em dia não me arrependo desses 3 anos. Mas questiono-me sobre as coisas que podiam ter feito com que eu me apercebesse antes que aquilo era uma relação tóxica. Lembro-me perfeitamente do momento em que a minha mãe se apercebeu que eu começara a ter uma vida sexual. Primeiro ela entrou em pânico (suponho que seja normal), zangou-se comigo e fez alguma chantagem emocional para, pensava ela, atrasar um pouco o processo. Mas uns dias depois percebeu que aquele não era o melhor caminho, foi aí que nos sentámos para falar como adultas sobre aquilo que ela considerava mais importante: evitar DST’s e gravidezes indesejadas. Hoje sei que teria sido mais proveitosa outro tipo de conversa. Com 16 anos já sabia quase tudo o que havia para saber sobre preservativos. Mas sabia pouco sobre relações amorosas. Porque é que não se fala mais sobre isso em casa? Eu sei que provavelmente, naquela altura, se a minha mãe me perguntasse como era a minha relação com o meu namorado, eu acharia que ela se estava a meter na minha vida e não lhe contaria muito. Mas, e se falar sobre relações (já sejam elas amorosas, de amizade ou de outros tipos) fosse algo mais habitual entre pais e filhos? Provavelmente no dia em que o meu namorado da altura começou a fazer cenas de ciúmes, eu tivesse percebido que aquilo não era bom nem saudável. Neste momento há adolescentes e jovens (e pessoas adultas também) a passar pelo que eu passei ou por outros problemas semelhantes, e aos pais não se lhes ocorre “ter “a conversa” e incluir nela não só os métodos de contracepção mas também falar sobre relacionamentos.

Quando/ se tiver filh@s vou falar com el@s sobre ciúme, possessão, confiança no outro, auto-estima, etc. E quanto às conversas sobre sexo vou-me focar em temas como o consentimento e a importância da intimidade e do prazer partilhado.

Amor Próprio

Até há uns anos atrás sabotava todas as minhas relações pelo facto de precisar delas. Odiava estar sozinha e precisava de ter, além de uma vida social activa, algum tipo de relação íntima que preenchesse o vazio. Todas as minhas relações começavam de forma casual, sem muito compromisso, mas quando eu dava por isso tinha criado uma forte dependência à pessoas com a que tinha um relacionamento naquele momento. Essa dependência fazia de mim alguém que fazia de tudo para agradar a outra pessoa, os gostos da outra pessoa tornavam-se os meus gostos e as minhas vontades deixavam de ter importância. Ao final de algum tempo todas as relações falhavam porque na verdade eu deixava de ser a pessoa pela qual os meus pares se tinham interessado no início.  

Foi há uns anos atrás, depois de mais uma ruptura, que percebi que para meu bem tinha que enfrentar o tal vazio que procurava preencher, percebê-lo e desconstruí-lo para poder estar bem comigo mesma, deixar de “precisar” e de depender das relações amorosas para ser feliz. Hoje em dia tenho alguma dificuldade em perceber como o fiz realmente, porque não foi algo premeditado, nem programado. Acho que simplesmente deixei o vazio existir sem resistir a ele, e depois percebi que não fazia falta ninguém para o preencher e que o amor próprio chegava. Mais do que isso, descobri que sentir-me acompanhada por mim mesma preenchia o vazio realmente e permanentemente. Essa mudança tão subtil a nível interior fez com que a minha maneira de ver as relações (amorosas, familiares, de amizade, profissionais, etc.) mudasse completamente. De facto aquilo que parece uma mentalidade egoísta (pensar que não preciso da companhia constante de outras pessoas para ser feliz) fez com que passasse a pensar mais no que é que posso dar de mim aos outros e menos naquilo que posso obter deles.

Sei que muitas pessoas sentem esse vazio e a necessidade de preenchê-lo. Na verdade a sociedade empurra-nos para isso com histórias sobre “almas gémeas” e “outras metades da laranja”. Aprendemos que as nossas vidas não estão completas, ou até mesmo que não tem sentido até encontrar “@ tal”. A minha experiência diz-me que não é possível ter uma vida completa com outra pessoa se não te sentes preenchido pela tua própria riqueza interior. Porque é que a sociedade te faz acreditar que precisas encontrar “alguém te faça feliz”?

Amor Actual

A relação amorosa que mantenho agora é curiosamente com a mesma pessoa com a qual tive a ruptura que me levou a mudar a minha maneira de ver as relações. Depois da mudança essa pessoa voltou a surgir na minha vida e quando tive que decidir se queria voltar a estar com ela tive este pensamento: “Não preciso desta pessoa para ser feliz, no entanto será que esta relação pode enriquecer as nossas vidas, ajudar-nos a crescer e a melhorar?”. A resposta foi sim.

Com a lição anterior aprendida, apesar de estar com a mesma pessoa que havia estado meio ano antes, a nossa relação passou a ser algo muito diferente daquilo que tinha sido. Além de ter deixado de acreditar na história do príncipe encantado sem o qual a vida da princesa não faz sentido, comecei a questionar outros aspectos das relações comuns. Porque é que os casais “tem” que dormir juntos? – Ironicamente toda vida odiei dormir sozinha, agora é como gosto mais. – Porque é que, a uma certa idade se espera que vivam na mesma casa e porque é que a sociedade faz tanta pressão para isso? – Não acredito que o simples facto de viver juntos seja significado de maior estabilidade na relação. Porque é que a partir do momento que se sabe que temos uma relação ‘séria’ o ‘cônjuge’ fica automaticamente convidado para quase todos os eventos para que a outra pessoa é convidada? E porque é que quando uma pessoa do casal decide comparecer sozinha isso é tido como algo estranho? Afinal as vidas sociais dos casais não tem porque se viver exclusivamente em casal.

Atenção, isto não significa que eu esteja à partida contra todas as convenções sociais sobre as relações dos casais, nem que eu as rejeite todas. Apenas gosto de me questionar sobre elas e decidir quais se adequam realmente à minha vida e quais as que prefiro descartar em vez de simplesmente as aceitar todas.

Que perguntas te fazes sobre o amor, sobre as relações, sobre a maneira como se fala delas e sobre as convenções sociais que muitas vezes as delimitam?

Paradoxalmente, a capacidade de estar sozinho é a condição para a capacidade de amar.― Erich Fromm, A Arte de Amar


 

Love Stories (EN)

Realising that Valentine’s day is tomorrow, made me think about some of the “questionings” I’ve been doing about love and love relationships.

First Love

I had my first boyfriend when I was 16 years old. That relationship lasted nearly 3 years. This first love relationship left on me a deep mark (as most first loves do). This relationship taught me above all to get to know my limits, as they were stretched until bursting. At 16 years old I had a jealous, possessive and paranoid boyfriend. And I was very young and inexperienced to understand that our love relationship was not a healthy one. At 17 years old I had given up on meeting all my male friends by myself and was constantly checking with self-examination my actions towards the opposite sex, to avoid triggering any suspicion or jealousy in my boyfriend. But still, sooner or later, I would end up crying, having to explain myself, prove that I had done nothing wrong or apologize for something that he considered capable of awakening his jealousy or paranoia. I lost myself in this relationship, when it came to an end I was 19 and no longer knew who I was. I had changed so many things to keep that relationship and when It was over I felt profoundly drained and with no desire to have a future boyfriend nor a similar relationship. It took me 2 years to rebuilt and give a second chance to love.

Nowadays I do not regret those 3 years. But I do question about the things which could have been done so that I would realize before that this was a toxic relationship. I remember vividly the moment when my mother found out that my sex life had started. Firstly she panicked (I suppose it is normal), got mad and emotionally blackmailed me so that, so she would think, the process would be delayed. However, some days later, she understood that this wasn’t the best approach, so we sat down to talk like adults about what she considered most important: avoid STDs and unwanted pregnancies. Today I know that another conversation would have been more useful. At 16 years old I already knew almost everything about condoms. But knew very little about love relationships. Why don’t people really talk about this at home? I know that probably, at that time, if my mother had asked me how my relationship with my boyfriend was, I would think that it was none of her business and wouldn’t tell her much. But what if talking about relationships (whether it is love, friendship or other types of relationships) was something more usual between parents and brood? Probably by the first day that my boyfriend at the time had done his first jealousy scene, I would have figured that that wasn’t good nor healthy. At this moment there are teenagers and juveniles (and adults as well) going through the same problems I had, or similar issues, and parents that don’t include in “the talk” both contraceptive methods and relationships.

When/ if I have children I will talk about jealousy, possession, trust, self-esteem, etc. And when it comes to sex I’ll focus on themes such as consent and the importance of intimacy and shared pleasure.

Self Love

Until a few years ago I would sabotage all my relationships because I needed them. I hated being alone and needed to have, not just a very active social life, but also a more intimate relationship to fill in the void. All my relationships would start casually, without much commitment, but when I realised that, I had already become strongly dependent on a person with whom I was having a relationship at that time. That dependency would make me someone that was willing to do anything to please the other person, the other person’s likes would become my likes and my own desires were no longer important. All my relationships would fail some time later because the truth is that I was not the person that my partners had fell for anymore.

A few years ago, after another breakup, I realised that for my own good I needed to face this void that I was trying to fill in, understand it and deconstruct it so that I could feel good in my own skin, setting aside the “need” and dependency on relationships to be happy. Nowadays I have a bit of a difficulty in knowing how exactly I have done that, because it wasn’t something premeditated or programmed. I guess I simply let the void exist without resisting to it, and further on understood that I didn’t need anyone to fill it in and that self-love was enough. Furthermore, I found out that feeling accompanied by myself filled in the void completely and permanently. This subtle change on the internal side, completely changed my way of seeing relationships (love, family, friend and professional relationships). What in truth seems like a selfish mindset (thinking that I don’t need the constant companionship of others to be happy) ended up making me think more often on what can I give to others and less of what I can get from them.

I know that many people feel that void and the need to fulfil it. Actually society shoves us into this with stories about “soulmates” and “better halves”. We learn that our lives aren’t complete, or even have no purpose, until we find “the one”. My experience tells me that it’s not possible to have a fulfilling life with someone else if you don’t feel fulfilled with your inner wealth.

Why does society makes you believe that you need to find “someone that makes you happy”?

Current Love

The love relationship I have at the present moment is interestingly with the same person with which I had the breakup that led me to change the way of seeing relationships. After this change, that same person got back in my life and when I had to decide if I wanted to be with them again, I had this thought: “I don’t need this person to be happy, however can this relationship promote value into our lives, help us grow and be better people?”. The answer was yes.

With the previous lesson learned, despite being again with the same person I was six months prior, our relationship became very different from what it had been. Aside from no longer believing in the enchanted prince story that makes the princess life complete, I started to question other standard relationships aspects. Why do couples “have to” sleep together? – ironically all my life I’ve hated sleeping alone, now it’s the way I prefer. – Why at certain age, people expect couples to live in the same house and why does society makes so much pressure on it? – I don’t believe that living together is what makes the relationship more solid. Why is that, from the moment a couple has a “serious” relationship, the partner is automatically invited to most of the events to which the other person is invited to? And why is that, when one element of the couple decides to show up by themself, that’s considered as something odd? After all the social life of couples don’t have to be lived exclusively as a couple.

Keep in mind that this doesn’t mean that I’m against all social conventions regarding couple’s relationships, nor do I reject them all. I just like to question them and decide which match my life and which I prefer to rule out, instead of simply accept them all.

What questions do you make yourself regarding love, relationships, the way we talk about them and about the social conventions that many times dictate the rules?

Paradoxically, the ability to be alone is the condition for the ability to love. – Erich Fromm, The Art of Loving


 

Historias de amor (ES)

Recordarme que el día de San Valentín es mañana me hizo pensar un poco sobre algunos de los “cuestionamientos” que he ejercido acerca del amor y las relaciones amorosas.

Primero Amor

Tuve mi primer novio con 16 años. Esta relación duró cerca de 3 años. Mi primera relación amorosa me marcó para la vida (como creo que marcan casi todas las primeras). Esta relación me enseñó sobre todo a saber dónde están mis límites, especialmente porque los estiró hasta reventar. A los 16 años tenía un novio celoso, posesivo y paranoico. Y yo era muy joven e inexperta para percibir que nuestra relación no era una relación amorosa sana. A los 17 años había dejado de encontrarme sola con todos mis amigos del sexo masculino y estaba siempre auto-analizando mis acciones hacia el sexo opuesto, no fuera hacer algo que generara la desconfianza o los celos de mi novio. Pero aún así, más día menos día terminaba llorando, teniendo que explicarme, probar que no había hecho nada malo o pedir disculpas por algo que él considerara pasible de despertar sus celos o paranoia. Me perdí en esta relación, cuando acabó yo tenía 19 años y ya no sabía quién era. Había cambiado tantas cosas para conseguir mantener esta pareja que cuando rompimos definitivamente me sentía profundamente agotada y sin ganas de volver a tener novio ni ningún otro tipo de relación del género. Tardé 2 años para reconstruirme y para volver a dar oportunidad al amor.

Hoy en día no me arrepiento de esos 3 años. Pero me questiono sobre las cosas que podían haber hecho com que yo que me diera cuenta antes de que aquello era una relación tóxica. Recuerdo perfectamente el momento en el que mi madre se dio cuenta de que había empezado a tener una vida sexual. Primero entró en pánico (supongo que es normal), se enfadó conmigo e hizo algún chantaje emocional para, pensaba ella, retrasar un poco el proceso. Pero unos días después percibió que aquel no era el mejor camino, fue ahí donde nos sentamos para hablar como adultas sobre lo que ella consideraba más importante: evitar DST’s y embarazos no deseados. Hoy sé que habría sido más provechoso otro tipo de conversación. Con 16 años ya sabía casi todo lo que había para saber sobre preservativos. Pero sabía muy poco sobre las relaciones amorosas. ¿Por qué no se habla más sobre esto en casa? Yo sé que probablemente si, en ese momento, mi madre me hubiera preguntado cómo era mi relación con mi novio, yo pensaría que ella se estaba metiendo en mi vida y no le contaría mucho. Pero, y si hablar sobre relaciones (ya sean ellas amorosas, de amistad o de otros tipos) fuese algo más habitual entre padres e hijos? Probablemente en mismo el día en que mi novio de entonces empezó a hacer escenas de celos, yo habría percibido que aquello no era bueno ni sano. En este momento hay adolescentes y jóvenes (y personas adultas también) a pasar por lo que he pasado o por otros problemas similares, y a los padres no se les ocurre “tener la conversación” e incluir en ella no sólo los métodos de contracepción, sino también hablar sobre las relaciones.

En el caso de que algún día tenga hij@s hablare con el@s sobre celos, posesión, confianza en el otro, autoestima, etc. Y en cuanto a las conversaciones sobre sexo me voy a enfocar en temas como el consentimiento y la importancia de la intimidad y del placer compartido.

Amor Propio

Hasta hace unos años saboteaba todas mis relaciones por el hecho de necesitarlas. Odiaba estar sola y necesitaba tener, además de una vida social activa, algún tipo de relación íntima que llenase el vacío. Todas mis relaciones comenzaban de forma casual, sin mucho compromiso, pero cuando yo me daba cuenta ya había creado una fuerte dependencia a la persona con la que tenía una relación en aquel momento. Esta dependencia hacía de mí alguien que hacía todo para agradar a la otra persona, los gustos de la otra persona se convirtieron en mis gustos y mis voluntades dejaban de tener importancia. Al final de algún tiempo todas las relaciones fallaban porque en realidad yo dejaba de ser la persona por la cual mis parejas se habían interesado al principio.

Fue hace unos años, después de otra ruptura, que percibí que tenía que enfrentar el vacío que buscaba llenar, percibirlo y deconstruirlo para poder estar bien conmigo misma, debía dejar de “necesitar” y de depender de las relaciones amorosas para ser feliz. Hoy en día tengo alguna dificultad en percibir cómo lo hice realmente, porque no fue algo premeditado, ni programado. Creo que simplemente dejé el vacío existir sin resistir a él, y después me di cuenta de que no le falta a nadie para llenarlo y que el amor propio llegaba. Más que eso, descubrí que sentirme acompañada por mí misma llenaba el vacío realmente y permanentemente. Este cambio tan sutil a nivel interior ha hecho que mi manera de ver las relaciones (amorosas, familiares, de amistad, profesionales, etc.) cambiara completamente. De hecho lo que parece una mentalidad egoísta (pensar que no necesito la compañía constante de otras personas para ser feliz) hizo que pasara a pensar más en lo que puedo dar de mí a los demás y menos en lo que puedo obtener de ellos.

Sé que muchas personas sienten ese vacío y la necesidad de llenarlo. En realidad la sociedad nos empuja hacia eso con historias sobre “almas gemelas” y “otras mitades de la naranja”. Aprendemos que nuestras vidas no están completas, o incluso que no tiene sentido hasta encontrar “la persona ideal”. Mi experiencia me dice que no es posible tener una vida completa con otra persona si no te sientes realizado por tu propia riqueza interior. ¿Por qué es que la sociedad te hace creer que necesitas encontrar “alguien te haga feliz”?

Amor Actual

La pareja que mantengo ahora es curiosamente la misma persona con la que tuve la ruptura que me llevó a cambiar mi manera de ver las relaciones. Después del cambio esa persona volvió a surgir en mi vida y cuando tuve que decidir si quería volver a estar con ella tuvo este pensamiento: “No necesito a esta persona para ser feliz, sin embargo será que esta relación puede enriquecer nuestras vidas, ayudándonos a crecer y a mejorar? “. La respuesta fue sí.

Con la lección anterior aprendida, a pesar de estar con la misma persona que había estado medio año antes, nuestra relación pasó a ser algo muy diferente de lo que había sido. Además de haber dejado de creer en la historia del príncipe encantado sin el cual la vida de la princesa no tiene sentido, empecé a cuestionar otros aspectos de las relaciones comunes. ¿Por qué es que las parejas “tienen” que dormir juntas? – Irónicamente toda la vida odié dormir sola, ahora es como me gusta más. – ¿Por qué, a partir de cierta edad, se espera que vivan en la misma casa y por qué la sociedad hace tanta presión para ello? – No creo que el simple hecho de vivir juntos sea significado de mayor estabilidad en la relación. ¿Por qué a partir del momento en que se sabe que tenemos una relación ‘seria’ la pareja queda automáticamente invitada a casi todos los eventos a los que nos han invitado? ¿Y por qué es que cuando una persona de la pareja decide asistir sola a esos eventos la gente lo ve como algo raro? Al final las vidas sociales de las parejas no tienen porque experimentarse exclusivamente en pareja.

Atención, esto no significa que yo esté de antemano contra todas las convenciones sociales sobre las relaciones de las parejas, ni que yo las rechace a todas. Sólo me gusta questionarme sobre ellas y decidir cuáles se adecuan realmente a mi vida y cuáles prefiero descartar, en lugar de simplemente aceptarlas todas.

¿Qué preguntas te haces sobre el amor, sobre las relaciones, sobre la manera como se habla de ellas y sobre las convenciones sociales que muchas veces las delimitan?

Paradójicamente, la capacidad de estar solo es la condición para la capacidad de amar. ― Erich Fromm, El Arte de Amar

Work in progress

Trabalho em curso (PT)

Trabajo en curso (ES)

Work in progress (EN)

Intro

Every job has its pros and cons. I had six different jobs throughout my life, from working on entertainment shows on TV to cocktail bar back, from handling passengers at the airport to being a clerk in a “9 to 5” job. In fact the latter was the only job that I had with such schedule and it only lasted for a couple months. I’ll get back to this job a little further on.

Peculiar schedules

Having to wake up early was something truly difficult for me since I was a child. My sister was an early bird and as soon as she was up, she would go to the living room to watch cartoons. I would stay in bed till later. In teenage years I would only wake up at noon, as most teenagers, and I recall that it was really hard to wake up to attend morning classes in high school. Later in University years, I got the chance to choose afternoon classes and was able to avoid the upsetting alarm. This made me understand that I was a much happier person with this type of schedule – staying up late, working or watching series and waking up just before noon. I got my projects done much better at night as I felt like the creative part of me was truly awakened. (This changed in most recent years, for some reason, and I’m now a “morning person”).

Playing make believe

Then I got my first “earnest” job. I was fortunate again to be able to choose the schedule and the same happened later on with other jobs – except for the clerk job! That 9 to 5 job was clearly not my cup of tea. As an organized person, the tasks given to me were all done before lunchtime. My boss at the time did not understand how I was able to get the tasks done so quickly and well as the previous clerk had the exact same tasks and complaint of too much work. As there was nothing else for me to do after lunch, I asked my boss if I could go part-time. She denied my proposal because a clerk is supposed to pick up calls and I was encouraged to find a way of keeping myself busy. In other words, my words, I was basically asked to “pretend I was working”. So my job in the afternoon was to “look as if I was busy” and pick up calls every now and then. Calls that everybody else in that office could pick-up. In fact my job was to transfer calls to the right department, meaning that I couldn’t solve any problem from suppliers or clients. This to say that, even though I was offering to get the same job done as a part-timer (and was full aware that I would get a smaller payment), my employer wouldn’t accept it because of a predefined timetable. That’s how formatted the system is. In my mind, I could not comprehend that. I mean, I would rather have less money but more time to do other useful things, than being in that office just because. For me was a waste of my time all along.

Generation gaps

I think that most of the people from my generation, called “Millennials”, don’t put up with this kind of rules. We prefer to do something with meaning, something that gives us some pleasure, something to value our time. Also something that most of the people form the previous generation, our parents generation, doesn’t fully understand. As they are used to work from “9 to 5” their whole lives, with 30+ years of career (sometimes in the exact same office) it’s quite usual for them to think how odd it is to work weekends, to have rotating shifts or to work from home. I don’t mean to criticize this form of thinking as we all have different backgrounds. However, in order for both generations to get along, we need to accept each other’s ways of living. It’s a work in progress.

The comeback

Since I arrived in my hometown, after seven years of living abroad, the most asked questions I have been getting are: “Are you working?”, “Where do you work now?”, “Are you looking for a job?”. When my answer is “Yes, I have a job! I’m a freelancer, working from home and doing what I love.”, people’s reactions are hilarious. They don’t call that a job. Because from their point of view, a job is something you kind of have to do, just so you have a payment every month, even if you don’t like it, and you better comply with it.

How does it work?

Life teached me that our time here is way too short for me to comply with something that I kind of have to do just so others can kind of accept me, understand me or take me seriously. So yes, I work at home, I work from home, I can work all day in my pyjamas. I can also choose not to work for an entire day just like other people do during their days off or weekends. But I probably work more hours than “9 to 5 jobs” because I don’t leave the office and I don’t close the store. I might be on social media because that’s part of my job and most of the times I cannot even differentiate weather if I’m working or if I’m on a break. Because I love what I do and it seems that I’m playing the whole day but that doesn’t mean that I’m not working. In fact if you are a freelancer, you need to be organized, a goal setter, a go-getter and a strong-willed person. You cannot rely on “pretending that you’re working” because that won’t pay your bills.

I can also work from anywhere at anytime, as some of my services can be done via skype, whatsapp and online platforms. Working and being a nomad requires extra effort and discipline, otherwise you won’t get any work done, neither will you enjoy the beautiful landscapes and sunsets outside the window.

Questions for you

Are you the kind of person that only considers a job serious if there’s some distress along the way?  What makes you think that you need to have a job that doesn’t fulfill you? What do you think about jobs that don’t seem like jobs because you can actually have fun working on them? What keeps you from having a job doing something that you like? Do you think that society judges those that do what they love?

Trabalho em curso (PT)

Introdução

Todos os trabalhos têm os seus prós e contras. Eu tive seis trabalhos diferentes ao longo da vida, desde trabalhar em programas de entretenimento na TV a servir cocktails em bares, desde técnica de tráfego aéreo no aeroporto a secretária num trabalho das “9h às 17h”. De facto este trabalho como secretária foi o único que tive como este tipo de horário e durou apenas um par de meses. Voltarei a falar neste trabalho um pouco mais à frente.

Horários peculiares

Ter de acordar cedo foi sempre algo muito difícil para mim desde pequena. A minha irmã era madrugadora e assim que acordava, ia para a sala de estar para ver desenhos-animados. Eu gostava de ficar na cama até mais tarde. Na adolescência acordava à hora de almoço, assim como muitas adolescentes, e recordo-me que era realmente difícil para mim ter de acordar cedo para estar presente nas aulas da manhã no Secundário. Depois, já na Universidade, tive a oportunidade de escolher as aulas da tarde, evitando assim aquele despertador ingrato. Isso fez com que eu percebesse que era uma pessoa mais feliz com este tipo de horário – estar acordada até tarde, a trabalhar ou ver séries e acordar quase às 12h. Os meus projectos faziam-se muito melhor à noite quando eu sentia que a minha parte criativa estava verdadeiramente desperta. (Isto alterou-se mais recentemente, por alguma razão, e sou agora uma “pessoa matinal”).

Brincar ao faz-de-conta

Depois tive o meu primeiro “trabalho a sério”. Tive novamente a sorte de poder escolher o meu horário e o mesmo aconteceu com trabalhos que se seguiram – excepto o tal trabalho de secretária! Esse trabalho das 9h às 17h não era de todo “a minha praia”. Como sou bastante organizada, as tarefas que me eram dadas no início da jornada ficavam facilmente concluídas até à hora de almoço. A minha chefe não compreendia como era possível que eu completasse as tarefas tão rapidamente quando a secretária anterior se queixava frequentemente de demasiado trabalho. Por não ter mais nada que fazer depois de almoço, sugeri à minha chefe fazer o trabalho em part-time. Ela recusou essa proposta, porque uma secretária supostamente deve também atender telefonemas, e fui encorajada a arranjar forma de me ocupar. Por outras palavras, as minhas palavras, fui basicamente incentivada a “fazer-de-conta” que trabalhava. Então o meu trabalho na parte da tarde era parecer que estava ocupada e atender chamadas de vez em quando. Chamadas essas que qualquer pessoa naquele escritório poderia atender. Na verdade o meu trabalho era transferir chamadas para o departamento adequado, o que quer dizer que eu nem sequer poderia resolver nenhum problema com fornecedores ou clientes. Isto para dizer que, mesmo estando eu a oferecer fazer o mesmo trabalho mas a tempo parcial (e aceitando que o pagamento seria mais baixo), o meu empregador não queria aceitar por causa de um horário estipulado. O sistema é assim: formatado. Na minha cabeça eu não compreendia aquilo. Eu preferia ganhar menos dinheiro mas ter mais tempo para fazer outras coisas úteis, do que estar ali naquele escritório só porque sim. Era uma perca de tempo no fim das contas.

Diferenças entre gerações

Julgo que a maior parte das pessoas da minha geração, designada por “Millennials”, não atura estas regras. Preferimos fazer algo mais substancial, algo que nos dê mais prazer, algo que valorize o nosso tempo. Também algo que a maior parte das pessoas das gerações anteriores, como a geração dos nossos pais, não compreendem bem. Como estão habituados a trabalhar “das 9h às 17h” a vida toda, com trinta ou mais anos de carreira (às vezes no mesmíssimo escritório) é normal que achem estranho que se trabalhe durante fins-de-semana, ter horários rotativos or trabalhar a partir casa. Eu não escrevo com o intuito de criticar essa forma de pensar pois todos temos diferentes procedências. Ainda assim, para que as duas gerações se consigam entender, temos que aceitar a forma de viver de cada um. É um trabalho em curso.

O regresso

Desde que regressei à minha cidade natal, depois de sete anos a viver no estrangeiro, as perguntas que mais me fazem são: “Já estás a trabalhar?”, “Onde trabalhas agora?”, “Estás à procura de trabalho?”. Quando a minha resposta é “Sim, eu trabalho! Sou trabalhadora independente, trabalho a partir de casa e adoro o que faço.”, a reacção das pessoas é hilariante. Elas não acham que isso seja um trabalho. Porque, do ponto de vista delas, um trabalho é algo que tu tens de fazer para que um salário te caia na conta todos os meses, mesmo que não gostes do que fazes, e é bom que te conformes com isso.

Como é que isso funciona?

A vida ensinou-me que o nosso tempo aqui é curto demais para eu me conformar com algo que eu tenho que fazer, para que os outros me possam aceitar, compreender ou levar a sério. Então sim, eu trabalho em casa, eu trabalho a partir de casa, eu posso trabalhar o dia todo de pijama. Também me posso dar ao luxo de não trabalhar um dia inteiro assim como as outras pessoas fazem durante as suas folgas ou fins-de-semana. Eu provavelmente até trabalho mais horas do que se estivesse num trabalho das “9h às 17h” porque eu não me vou embora do escritório e não fecho a loja ao final do dia. Posso estar muito nas redes sociais porque isso faz parte do meu trabalho e a maior parte das vezes nem eu consigo perceber se estou a trabalhar ou numa pausa. Porque eu adoro o que faço pode parecer que eu estou a brincar o dia todo, mas isso não significa que não esteja a trabalhar. Na verdade se fores um@ trabalhad@r independente, precisas de ser organizad@, ter objectivos, batalhar e ter força de vontade. Não podes “encostar-te” à ideia de fazer-de-conta que estás a trabalhar porque isso não te irá pagar as contas.

Também posso trabalhar de onde quiser ás horas que quiser pois alguns dos meus serviços podem ser proporcionados por skype, WhatsApp ou outras plataformas online. Ser nómada e trabalhar requer extra disciplina e esforço, senão o trabalho não será feito nem tampouco aproveitada sa vistas maravilhosas e os pôr-do-sol que se vêm da janela.

Perguntas para ti

És o tipo de pessoa que só considera que um trabalho é sério se houver algum sacrifício? O que te faz pensar que tens que ter um trabalho que não te realiza? O que achas dos trabalhos que não parecem trabalhos porque podes desfrutar deles? O que te impede de ter um trabalho que gostes? Achas que a sociedade julga aqueles que fazem o que gostam?

 

Trabajo en curso (ES)

Introducción

Todos los trabajos tienen sus pros y sus contras. He tenido seis trabajos diferentes a lo largo de la vida, desde trabajar en programas de entretenimiento en la televisión a servir cócteles en bares, pasando por técnica de tráfico aéreo en el aeropuerto hasta secretaria en un trabajo de 9 a 5. De hecho este trabajo como secretaria fue el único que tuve como este tipo de horario y duró sólo un par de meses. Volvemos a hablar sobre este trabajo un poco más adelante.

Horarios peculiares

Despertarme temprano siempre fue algo muy difícil para mí , incluso cuando era pequeña. Mi hermana era madrugadora y se despertaba pronto para ver dibujos animados. A mi me gustaba quedarme en la cama hasta más tarde. En la adolescencia me despertaba casi a la hora de comer  y recuerdo que era realmente difícil para mí tener que despertar temprano para estar presente en las clases de la mañana en el Bachiller. Después, ya en la Universidad, tuve la oportunidad de escoger el turno de la tarde, evitando así ese despertador ingrato. Esto hizo que me diera cuenta de que era una persona más feliz con este tipo de horario – estar despierta hasta tarde, trabajando o viendo series y despertar casi a las 12h. Mis proyectos se hacían mucho mejor por la noche cuando sentía que mi parte creativa estaba verdaderamente despierta. (Esto se ha cambiado más recientemente, por alguna razón, y ahora soy una “persona matinal”).

Fingir que se hace

Después tuve mi primer “trabajo en serio”. Tuve la suerte de poder elegir mi horario y lo mismo sucedió con los trabajos que siguieron – excepto el trabajo de secretaria! Este trabajo de las 9h a las 17h no era en absoluto para mi. Como soy bastante organizada, las tareas que me daban al inicio de la jornada quedaban fácilmente concluidas hasta la hora de comer. Mi jefa no comprendía cómo era posible que yo completara las tareas tan deprisa cuando la secretaria anterior se quejaba a menudo de demasiado trabajo. Por no tener nada que hacer después de comer, sugerí a mi jefa hacer el trabajo a media jornada. Ella rechazó esa propuesta, porque una secretaria supuestamente debe también coger llamadas telefónicas, y me animó a buscar otra forma de ocuparme. En otras palabras, mis palabras, fui incentivada a pasar las tardes fingiendo que trabajaba. Entonces mi trabajo por la tarde era parecer que estaba ocupada y contestar a algunas llamadas de vez en cuando. Llamadas esas que cualquier persona en la oficina podría coger. De hecho, mi trabajo era transferir llamadas al departamento adecuado, lo que quiere decir que ni siquiera podría resolver ningún problema con los proveedores o los clientes. Esto para decir que, aunque yo hubiese ofrecido la posibilidad de hacer el mismo trabajo pero a media jornada (y aceptando que el pago sería más bajo), mi empleador no quería aceptar a causa de un horario estipulado. El sistema es así: formateado. En mi cabeza no comprendía eso. Yo preferiría ganar menos dinero pero tener más tiempo para hacer otras cosas útiles, que estar allí en esa oficina sólo porque sí. Era una pérdida de tiempo al final de cuentas.

Diferencias entre generaciones

Creo que la mayoría de la gente de mi generación, denominada “Millennials”, no tolera reglas. Preferimos hacer algo más sustancial, algo que nos dé más placer, algo que valore nuestro tiempo. Esto es algo que la mayoría de las personas de las generaciones anteriores, como la generación de nuestros padres, no entiende. Como están acostumbrados a trabajar “de las 9 a las 5” toda la vida, con treinta o más años de carrera profesional (a veces en la mismísima oficina) es normal que vean raro que se trabaje durante los fines de semana, tener horarios rotativos o trabajar desde casa. Yo no escribo con la intención de criticar esa forma de pensar pues todos tenemos diferentes procedencias. Sin embargo, para que las dos generaciones se consigan entender, tenemos que aceptar la forma de vivir de cada uno. Es un trabajo en curso.

El regreso

Desde que regresé a mi ciudad natal, después de siete años viviendo en el extranjero, las preguntas que la gente más me hace son: “¿Ya estás trabajando?”, “¿Dónde trabajas ahora?”, “¿Estás buscando trabajo?”. Cuando mi respuesta es “Sí, yo trabajo! Soy trabajadora independiente, trabajo desde casa y adoro lo que hago.”, La reacción de las personas es hilarante. Ellas no creen que eso sea un trabajo. Porque desde su punto de vista, un trabajo es algo que tienes que hacer para que un salario te caiga en la cuenta bancária todos los meses, aunque no te guste lo que haces, y es bueno que te conformes con eso.

¿Cómo funciona?

La vida me enseñó que nuestro tiempo aquí es demasiado corto para conformarme con algo que tengo que hacer para que los demás me puedan aceptar, comprender o tomar en serio. Así que sí trabajo en casa, trabajo desde casa, puedo trabajar todo el día en pijama. También me puedo dar el lujo de no trabajar un día entero como las otras personas hacen durante en los festivos o fines de semana. Probablemente incluso trabaje más horas que si estuviera en un trabajo de 9 a 5 porque no me voy de la oficina ni cierro la tienda al final del día. Paso mucho tiempo en las redes sociales porque eso es parte de mi trabajo y a  veces ni siquiera puedo percibir si estoy trabajando o en una pausa. Porque me encanta lo que hago, puede parecer que estoy jugando todo el día, pero eso no significa que no esté trabajando. En realidad si eres un@ trabajador@ independiente, necesitas ser organizad@, tener objetivos, batallar y tener fuerza de voluntad. No puedes fingir que estás trabajando, porque eso no te va a pagar las cuentas. 

También puedo trabajar desde donde quiera a las horas que quiera porque algunos de mis servicios pueden ser proporcionados por Skype, WhatsApp u otras plataformas online. Ser nómada y trabajar requiere extra disciplina y esfuerzo, sino el trabajo no será hecho y la vista maravillosa que se ve de la ventana tampoco la aprovechas.

Preguntas para ti

¿Eres el tipo de persona que sólo considera que un trabajo es serio si hay algún sacrificio? ¿Qué te hace pensar que tienes que tener un trabajo que no te realiza? ¿Qué crees de los trabajos que no parecen trabajos porque puedes disfrutar de ellos? ¿Qué te impide tener un trabajo que te guste? ¿Crees que la sociedad juzga a aquellos que hacen lo que les gusta?

Walking away from jealousy

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Walking away from jealousy (EN)

While talking to a good friend the other day about her love life, she then said “It’s good to have some jealousy in a relationship” to which I answered “why would you say that?” to what she replies “Well, it means that your partner likes you…”.

The conversation went on and I was in total disagreement with her point of view. However, I knew where she was coming from. I once thought exactly the same! Back then, when I used to think that jealousy was part of a romantic relationship, I never questioned myself to understand why I had this belief. I just had it probably because that’s what I learned.

I remember at early age having jealousy “attacks”, normally because my sister was having more attention from my mother than me in some situation. That feeling of seeking exclusive attention from someone else, without having to share it,  was something very familiar to me. Most of us don’t get to have an explanation of the feelings we are experiencing while growing up. If we feel frustrated we are grounded, if we feel annoyed therefore we are considered ill-behaved and when we feel bored someone gives us another task just so we are entertained again. We end up not knowing why we feel the way we feel.  We end up not knowing why we behave the way we do. We end up not learning how to deal with our feelings. We just get that something is wrong or right with no reason and no explanation. This is something we all have to deal with as kids.

Then we grow up and jump into romantic relationships. Our partner is flirting with another person and here it comes again that same feeling. It’s human, everybody felt this way at some point in their lives. And it’s ok. What today I realise it’s not ok, is the fact that we don’t understand our own feelings so we act according to them without being aware of that.

I can say that when I was in a long-term relationship I was super jealous at some point. It wasn’t much in the beginning surprisingly. But as soon as I suspected of infidelity my “radar” fired up. I started to be this mad person that was always thinking that my boyfriend at the time was surely cheating on me. I couldn’t help it but being in a loop of negative thoughts. Today I know that it wasn’t his problem. It was mine. I was in a very insecure phase in my life and my self-esteem was at a low point. Because of this, I obviously thought that every girl was more interesting, more beautiful and in better shape than me. Today I think much clearly (perhaps because I’m not in that situation right now) and with this distance I know that whatever your partner wants to do they will end up doing it anyway. It is not because you’re jealous that it will stop the other person from cheating, flirting or doing something else. And being jealous will not make your partner feel more loved.

Plus, jealousy is something super selfish. If you love someone, you probably want the best for them and want them to be happy. If you can deeply understand that, you will see that you will become more relaxed. It doesn’t mean that cheating is something right, which I think it is definitely not! But the other person’s actions are out of our control and it is just healthier to let them go when they need to, because we love them and want the best for them, instead of monitoring every single action.

Why is that we feel jealous when our loved one is giving more attention to someone at certain moment? Is it connected to our state of mind at that moment? Is it related to past traumas? Can we learn to deal with it?

Getting back to where this article started, I deeply believe that your partner doesn’t need to be jealous in order for you to feel loved, nor vice-versa. Because jealousy comes from a self-centered mindset, it can be observed, recognized and then released. It needs some training because the neurotransmitters inside our brains love to go always through the same pathways, and those pathways are very worn out so it’s easier to “walk” on them instead of going through a new track full of weeds. But if we try to walk on the new path, we will trample on the weeds and they will eventually disappear and form another firm pathway.  This is a straightforward analogy to explain that if we choose to have thoughts that will propagate our feelings of jealousy (walking on the worn out path) we will end up in a loop of instability. If, on the other hand, we decide to observe the feeling, understand where it is coming from and then move one to a more positive mindset (walk on a new pathway) we will start to train our brain to demystify that feeling. After some time, we will eventually stop going through the old path and instead choose the new one.

“Nothing is more capable of troubling our reason, and consuming our health, than secret notions of jealousy in solitude.” –  Aphra Behn

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Um dia destes, enquanto falava com uma grande amiga sobre os seus amores e desamores, ela diz “É bom haver alguns ciúmes numa relação”, ao que eu respondi “Porque é que dizes isso?” e de seguida diz ela “Então significa que o teu parceiro gosta de ti…”.

A conversa continuou e eu estava em pleno desacordo com o seu ponto de vista. Ainda assim, percebi a sua forma de pensar. Não há muito tempo eu pensava o mesmo! Nessa altura, quando pensava que os ciúmes eram algo intrínseco numa relação amorosa, não me questionava sobre porque pensava assim. Provavelmente porque foi o que aprendi.

Lembro-me que, quando era bem miúda, tinha “ataques” de ciumeira, normalmente por ver que a minha irmã estava a receber mais atenção do que eu, por parte da minha mãe, num momento específico. Aquele sentimento de querer que a atenção de alguém seja exclusivamente dirigida para nós, sem termos que a dividir, era algo muito familiar para mim. A maioria de nós não recebe uma explicação sobre os sentimentos que experienciamos enquanto crescemos. Se nos sentimos frustrad@s somos posto@s de castigo, se nos sentimos irritado@s então somos considerad@s mal-comportad@s e quando estamos aborrecid@s alguém nos dá uma tarefa, para que fiquemos entretidos mais uma vez. Acabamos assim por não compreender o porquê de nos comportarmos de determinada forma e por não aprender a lidar com os nossos sentimentos. Acabamos por não entender porque nos sentimos como sentimos. Apenas percebemos que algo é considerado certo ou errado, sem nenhuma razão ou explicação. Isto é algo com o qual tod@s temos que lidar quando somos crianças.

Depois crescemos e metemo-nos em relações amorosas. Quando @ noss@ parceir@ parece estar a flertar com outra pessoa lá vem aquele sentimento outra vez. É humano, toda a gente já o sentiu alguma vez na vida. E não faz mal. O que eu hoje reconheço que “faz mal” é que não percebemos os nossos próprios sentimentos e agimos com base neles sem nos darmos conta muitas vezes.

Posso dizer que, quando tive numa relação duradoura, fui muito ciumenta a certa altura. Curiosamente não foi na fase inicial. Mas assim que tive suspeitas de infidelidade, o meu “radar” disparou. Comecei a ser uma pessoa neurótica que pensava frequentemente que estava a ser traída pelo namorado. Eu não conseguia evitar estar naquele ciclo vicioso de pensamentos negativos. Mas hoje sei que o problema não era dele. Era meu. Eu é que estava numa fase muito insegura da minha vida e com a auto-estima muito em baixo. Por essa razão, pensava que qualquer rapariga era mais interessante, mais bonita e estava em melhor forma física do que eu. Hoje os meus pensamentos são bem mais claros (talvez por já não estar nessa situação) e com esta distância sei que a outra pessoa vai acabar por fazer o que quiser, seja como for. Não é pelo facto de teres ciúmes que isso irá impedir a outra pessoa de te trair, flertar ou fazer o que quer que seja. Também não é por teres ciúmes que vais fazer com que a pessoa com quem estás numa relação se sinta mais amada.

Além disso os ciúmes são algo muito egoísta. Se amas alguém, provavelmente queres o melhor para essa pessoa e que seja feliz. Se conseguires compreender isso profundamente, vais ver que vais ficar mais relaxad@. Não quer dizer que trair é algo correcto, acredito definitivamente que não o é! Mas as acções da outra pessoa estão fora do nosso controle e é mais saudável deixá-la ir quando for necessário, porque a amamos e queremos o melhor para ela, em vez de quer tê-la presa a nós e vigiar todos os seus movimentos.  

Porque é que sentimos ciúmes quando achamos que a pessoa que amamos está a dar mais atenção a outra? Estará relacionado com o nosso estado de espírito naquele momento? Estará relacionado com traumas passados? Podemos aprender a lidar com isso?

Voltando ao ponto de partida deste artigo, acredito profundamente que a pessoa com a qual tens uma relação amorosa não tem que ter ciúmes para que tu te sintas amad@, ou vice-versa. Já que os ciúmes fazem parte do ego, podem ser observados, reconhecidos e depois libertados. É preciso algum treino pois os neurotransmissores no nosso cérebro adoram “percorrer” repetidamente os mesmos caminhos, e esses caminhos são de terra batida, daí ser mais fácil andar por eles em vez de escolher caminhos novos e cheios de vegetação. Mas se tentarmos andar num caminho novo, começamos a espezinhar as ervas e elas eventualmente desaparecerão e darão origem a um novo caminho delineado. Esta é uma analogia para explicar que se escolhermos pensamentos que vão propagar os nossos sentimentos – ciúmes neste caso (andar no caminho gasto) acabamos num ciclo de instabilidade. Se, por outro lado, decidirmos observar o sentimento, compreender de onde vem e daí partir para pensamentos mais positivos (andar no novo caminho por desbravar), começamos a treinar o nosso cérebro para desmistificar os sentimentos. Depois de algum tempo, começamos a escolher os novos caminhos mais vezes e paramos de ir pelos velhos.

“Nada é mais capaz de perturbar a nossa razão, e consumir a nossa saúde, do que pensamentos secretos de ciúme em solidão” – Aphra Behn

 

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Un día de estos, mientras hablaba con una gran amiga sobre sus amores y desamores, ella dijo: “Es bueno tener algunos celos en una relación”, a lo que yo contesté: “¿Por qué dices eso?”, y ella: “Pues porque significa que tu pareja te quiere … “.

La conversación continuó y yo seguía sin estar de acuerdo con su punto de vista. Sin embargo, percibí su forma de pensar. ¡Hace poco tiempo eu pensaba lo mismo! En ese momento, cuando pensaba que los celos eran algo intrínseco de una relación amorosa, no me cuestionaba  sobre porque pensaba aquello. Probablemente porque fue lo que aprendí.

Recuerdo que cuando era muy pequeña, tenía “ataques” de celos, normalmente por ver que mi hermana estaba recibiendo más atención que yo, por parte de mi madre, en un momento específico. Aquel sentimiento, de querer que la atención de alguien sea exclusivamente dirigida hacia nosotros, era algo muy familiar para mí. La mayoría de las nosotr@s no recibimos una explicación sobre los sentimientos que experimentamos mientras crecimos. Si nos sentimos frustrad@s somos castigad@s, si nos sentimos irritados somos considerados mal comportados y cuando estamos aburridos alguien nos dan alguna tarea para que nos estemos entretenidos una vez más. Y así acabamos por no comprender el porqué de comportarnos de determinada forma y ni aprendemos a lidiar con nuestros sentimientos. Acabamos por no entender por qué nos sentimos de cierta manera Sólo percibimos que algo está considerado correcto o incorrecto, sin ninguna razón o explicación. Esto es algo con lo que tod@s tenemos que lidiar cuando somos niños.

Después crecimos y nos metemos en relaciones amorosas. Cuando nuestra pareja parece estar coqueteando con otra persona ya viene esa sensación otra vez. Es humano, todo el mundo lo ha sentido alguna vez en la vida. Y no pasa nada. Lo que hoy reconozco como negativo es que no percibimos nuestros propios sentimientos y actuamos con base en ellos muchas veces sin darnos cuenta.

Hace algún tiempo, cuando tuve una relación duradera, fui muy celosa en un determinado momento de esa relación. Curiosamente no fue en la fase inicial. En el momento en el que tuve sospechas de infidelidad, mi “radar” disparó. Comencé a ser una persona neurótica que pensaba a menudo que estaba siendo traicionada por el novio. No podía evitar estar en ese círculo vicioso de pensamientos negativos. Pero hoy sé que el problema no era de él. Era mío. Yo estaba en una fase muy insegura de mi vida y con la autoestima muy baja. Por esa razón, pensaba que cualquier chica era más interesante, más bonita y estaba en mejor forma física que yo. Hoy mis pensamientos son mucho más claros (quizá por no estar en esa situación) y con esta distancia sé que la otra persona terminará haciendo lo que quiera, sea como sea. No es por el hecho de que tengáis celos que eso impedirá a la otra persona de traerte, coquetear o hacer lo que sea. También no es por tener celos que vas a hacer que la persona con quien estás en una relación se sienta más amada.

Además, los celos son algo muy egoísta. Si amas a alguien, probablemente quieres lo mejor para esa persona y que sea feliz. Si logras comprender eso profundamente, verás que vas a estar más relajad@. No quiere decir que traicionar sea algo correcto, creo definitivamente que no lo es. Pero las acciones de la otra persona están fuera de nuestro control y es más saludable dejarla ir cuando sea necesario, porque la amamos y queremos lo mejor para ella, en vez de querer tenerla presa a nosotros y vigilar todos sus movimientos.

¿Por qué sentimos celos cuando creemos que la persona que amamos está dando más atención a otra? ¿Está relacionado con nuestro estado de ánimo en aquel momento? ¿Estará relacionado con traumas pasados? ¿Podemos aprender a lidiar con eso?

Volviendo al punto de partida de este artículo, creo profundamente que la persona con la que tienes una relación amorosa no tiene que tener celos para que te sientas amad@, o viceversa. Ya que los celos forman parte del ego, pueden ser observados, reconocidos y luego liberados. Es necesario algún entrenamiento pues los neurotransmisores en nuestro cerebro adoran “recorrer” repetidamente los mismos caminos, y esos caminos son de tierra batida, de ahí ser más fácil andar por ellos en vez de elegir caminos nuevos y llenos de vegetación. Pero si intentamos caminar en un camino nuevo, empezamos a pisotear las hierbas y eventualmente desaparecerán y darán lugar a un nuevo camino delineado. Esta es una analogía para explicar que si elegimos pensamientos que van a propagar nuestros sentimientos – celos en este caso (caminar en el camino gastado) acabamos en un ciclo de inestabilidad. Si, por otro lado, decidimos observar el sentimiento, comprender de dónde viene y partir a pensamientos más positivos (caminar en el nuevo camino por desbravar), empezamos a entrenar nuestro cerebro para desmitificar los sentimientos. Después de algún tiempo, empezamos a escoger los nuevos caminos más veces y dejamos de ir por los viejos.

“Nada es más capaz de perturbar nuestra razón, y consumir nuestra salud, qué pensamientos secretos de celos en soledad” – Aphra Behn

 

My problem with money

O meu problema com o dinheiro (PT)

Mi problema con el dinero (ES)

My problem with money (EN)

Since I can remember, my relationship with money has ben rather odd.

Growing up I never felt I was missing on something in regards to material things. However, when asking for toys or random things in the supermarket, I do recall my mother saying “no” multiple times to both my sister Nico and I. I think I ended up understanding that there were priorities on which to spend the money.

When my mother was to receive her vacation allowance, as it was an extra, she would spend it on our summer vacation or to buy us clothes for the upcoming season. I never felt like she was short on money, despite supporting the three of us, in fact I think she was always saving.

We also grew up not fully understanding how much goods| property| income the other family members (from both family sides) had. It wasn’t our business nor our money so it wouldn’t matter to us.

I remember my grandmother making us outfits in her sewing machine or mend our clothes quite often. Actually she would do the same for the entire family. Which means that our clothes would “stretch” until not being wearable anymore.

Our food was homemade and many of the vegetables and some fruits would come from my grandparent’s backyard. We would occasionally go to restaurants if we wanted a specific food like chinese or pizza. That would happen maybe twice a month.

This to say that life was “normal”, we had enough but not too much.

I understood, since early age, the meaning of saving (not just by my mother’s example) because I had my own bank account and savings by the age of eight. All the cash I would receive from my family as a present, either on Christmas or birthdays, or from my father’s monthly pocket money would go into that account. It would be also my decision weather to spend that money or keep saving it to buy something more expensive. I could update my account booklet in the bank counter to see the progress of my savings. I must say that I rarely spent that money, as nothing seemed to convince me to see my savings downsize. My mother would call me a “tight-fisted” girl just to make fun of me and relativize my clinging to money.

Asking for money to my parents was something that I would avoid at all cost. I would instead just manage it the best I could so I wouldn’t need to say the words “I need some money”.

Administer my money is something I can be proud of as I have always done it very well. There are many things on where to spend our money and we just have to put them in order of priorities. We can all have the money for something we want to purchase if we put some effort on it. For instance: if I want to buy a laptop, go to the movies, buy new clothes, buy some groceries, go to the hairdresser, pay the house rent and go to a restaurant, then some things have to be compromised in order for my goal to be achieved. From this list, if buying a laptop is my goal, then I can skip the movies, the restaurant, the clothes and the hairdresser. Those are things that accumulated can save up some money towards the goal. However, buying groceries and paying the rent are priorities above my goal because those are basic necessities. If the laptop is to be bought in a long term, maybe going to the restaurant won’t do much “harm”, but instead of spending a lot, I can cut the drinks and reduce my bill just as an example.

Some years ago I got my degree in design, which made me capable of working with new software and develop graphic design content. Most recently, I got my certificate in Holistic Nutrition, which allows me to create protocols so that I can help people with their diseases and health issues.

What does this have to do with money? Well fact is, as I said above, my relationship with money has always been odd and still is. I can perhaps be able to save a lot of money and manage my priorities really well but there’s something I deeply struggle with.

I can count, with the fingers of one hand, how many times I’ve charged for any of my services in those two areas. My inability to ask for money, now as a payment for my services, remains pretty much the same.

Is it my time that I don’t value enough?  Is it my nature to help people, that prevents me from charging them? Is it because I do what I like and therefore I don’t think is worth anything? Do I still believe deeply that work has to be hard, difficult and boring in order to be rewarded? Is it because I think it’s rude to ask for a payment? Is it because I always think about other people’s own struggles with finances and don’t want to put more pressure on them?

Is this a general issue to freelancers out there?

One thing I know for sure, I’m the only one that is affected in the end of the day.

Not valuing our time = not valuing our capacities = not valuing ourselves

I am willing to change that! I need to change that!

Any tips are welcome ☺

O meu problema com o dinheiro (PT)

Desde que me lembro, a minha relação com o dinheiro tem sido sempre meio estranha.

Durante a minha infância nunca senti falta de nada a nível material. No entanto, quando a minha irmã Nico ou eu pediamos brinquedos ou quaisquer outras coisas no supermercado, lembro-me de recebermos um “não” várias vezes. Acho que acabei por perceber, mais cedo ou mais tarde, que haviam prioridades nas quais gastar o dinheiro.

Quando a minha mãe recebia o seu subsídio de férias, por ser um extra, era atribuído a despesas de férias de Verão ou para comprarmos roupa para a estação seguinte. Nunca senti que o dinheiro lhe faltasse, ainda que tivesse que suportar-nos às três, de facto penso que ela conseguia sempre poupar.

Nós também crescemos sem perceber a quantidade de bens | propriedades | salário dos outros membros da família (dos dois lados). Não nos dizia respeito nem era o nosso dinheiro e por isso não era do nosso interesse.

Lembro-me das roupas que a minha avó materna nos fazia frequentemente na sua máquina de costura e dos remendos e ajustes feitos às roupas que iam deixando de servir. O que significava que  a vida útil da nossa roupa “esticava” até ao máximo.

As nossas refeições eram principalmente feitas em casa, com comida caseira e muitos dos vegetais e algumas das frutas vinham do quintal dos nossos avós. Por vezes íamos comer a restaurantes quando havia apetite para comida diferente como a chinesa ou pizza. Isso acontecia um par de vezes por mês.

Isto para dizer que a vida era “normal”, tínhamos o suficiente e não demasiado.

Percebi, desde tenra idade, o significado de juntar dinheiro (não só pelo exemplo da minha mãe) porque tive a minhas próprias contas à ordem e poupança desde os oito anos. Todo o dinheiro que membros da família me ofereciam, pelo Natal ou em aniversários, ou a mesada que o meu pai me dava, ia logo para a conta poupança. Era também decisão minha se/ onde queria gastar esse dinheiro.

Podia atualizar o meu boletim de contas no balcão do banco para ver o progresso das minhas poupanças. Devo dizer que raramente gastava esse dinheiro já que nada me convencia a ver diminuir os valores na conta. A minha mãe costumava chamar-me “mãos de vaca” na brincadeira, para relativizar o meu apego ao dinheiro.

Pedir dinheiro aos meus pais era algo que evitava a todo o custo. Em vez disso geria o que tinha da melhor forma que sabia só para não ter que pronunciar as palavras “preciso de dinheiro”.

Administrar bem o meu dinheiro é algo de que me posso orgulhar. Há várias coisas onde podemos gastar o nosso dinheiro e só as temos que meter por ordem de prioridades. Todos nós conseguimos ter dinheiro para comprar se nos empenharmos. Por exemplo: se eu quiser comprar um computador, ir ao cinema, comprar roupa, comprar comida, ir ao cabeleireiro, pagar a renda da casa e ir ao restaurante, então há coisas que tem que ser comprometidas para que o meu objectivo seja cumprido. Desta lista, se comprar um computador é o meu objetivo principal, então posso deixar de lado a ida ao cinema e ao restaurante, comprar roupa e ir ao cabeleireiro. Todas essas coisas acumuladas podem ajudar a economizar algum dinheiro para poder comprar o computador. Por outro lado, comprar comida e pagar a renda da casa são prioridades que estão acima desse objectivo porque são necessidades básicas. Se não houver urgência para comprar o computador, talvez não tenha que abrir mão de todas as idas ao restaurante, mas posso sempre cortar nas bebidas para reduzir a conta.

Há alguns anos atrás, tirei uma licenciatura em Design, a qual capacitou para  criar conteúdo de design gráfico depois de aprender a desenvolver projetos e a trabalhar com certos programas de computador. Mais recentemente, tirei um curso em Nutrição Holística, a qual me permite criar protocolos com o fim de ajudar pessoas com as suas doenças e problemas de saúde.

O que é que isto tem a ver com dinheiro? Bem, a verdade é que assim como disse acima, a minha relação com o dinheiro foi sempre estranha e ainda o é. Eu posso ter a capacidade de poupar muito dinheiro e gerir as minhas prioridades da melhor forma mas há uma outra coisa com a qual não sei lidar.

Posso contar pelos dedos de uma mão quantas foram as vezes que cobrei por algum dos meus serviços nessas duas áreas. A minha incompetência para pedir dinheiro, agora como pagamento dos meus serviços, permanece a mesma.

Será que não valorizo suficientemente o meu tempo? Será que é a minha natureza para ajudar os outros o que me impede de cobrar? Será que é por fazer aquilo gosto que não sinto que deva ser valorizado? Será que no fundo ainda acredito que o trabalho tem que ser duro, difícil e aborrecido para que seja recompensado? Será que é por achar que estou a ser indelicada por cobrar? Será que, por ter consciência dos problemas de finanças que os outros tem, não quero pôr ainda mais pressão neles? Será que este é um problema geral de todos os freelancers?

Há uma coisa da qual estou bastante segura: eu sou a única pessoa que fica afectada no fim de contas.

Não valorizar o nosso tempo = não valorizar as nossas capacidades = não nos valorizarmos a nós mesm@s

Eu estou pronta para mudar isso! Eu preciso de mudar isso!

Qualquer dica é bem-vinda 🙂

 

Mi problema con el dinero (ES)

Desde que recuerdo, mi relación con el dinero ha sido siempre un poco rara.

Durante mi infancia nunca sentía falta de nada al nivel material. Sin embargo, cuando mi hermana Nico o yo pedimos juguetes o cualquier otra cosa en el supermercado, recuerdo que varias veces “no” era la respuesta.. Creo que acabé percibiendo, tarde o temprano, que había prioridades en las que gastar el dinero.

Cuando mi madre recibía su subsidio de vacaciones, por ser un extra, se le asignaban a los gastos de las vacaciones de verano o se usaba para comprar ropa para la siguiente estación. Nunca sentí que le faltaba dinero a mi madre, aunque tuviera que soportar a las tres, de hecho pienso que ella siempre acababa ahorrando.

También crecemos sin darnos cuenta de la cantidad de bienes | propiedades | salario de los demás miembros de la familia (de los dos lados). No era nuestro dinero y por eso no era de nuestro interés.

Recuerdo los remiendos y modificaciones que mi abuela materna hacía en las ropas que se estropean o dejaban de servir, y de las ropas nuevas que nos hacía en su máquina de coser. En realidad hacía lo mismo para toda la familia. Lo que significaba que la vida útil de nuestra ropa “se estiraba” hasta el máximo.

Nuestras comidas se hacían sobretodo en casa, con comida casera y muchos de los vegetales y algunas de las frutas venían del huerto de nuestros abuelos. A veces íbamos a comer a restaurantes cuando habian ganas de comida diferente como chino o la pizza. Esto sucedía un par de veces al mes.

Esto para decir que la vida era “normal”, teníamos suficiente y no demasiado.

He percibido, desde temprana edad, el significado de juntar dinero (no sólo por el ejemplo de mi madre) porque tuve mis propia cuenta bancaria de  ahorro a los ocho años. Todo el dinero que los miembros de la familia me regalaban, por Navidad o en mis cumpleaños, o la mesada que mi padre me daba, iba luego a la cuenta de ahorros. Era también decisión mía si / donde quería gastar ese dinero.

Podía actualizar mi boletín de cuentas en el mostrador del banco para ver el progreso de mis ahorros. Debo decir que rara vez gastaba ese dinero ya que nada me convencía de ver disminuir los valores en la cuenta. Mi madre solía, de broma, llamarme “manos de vaca”, para relativizar mi apego al dinero.

Pedir dinero a mis padres era algo que evitaba a toda costa. En vez de eso manejaba lo que tenía de la mejor forma que sabía, sólo para no tener que pronunciar las palabras “necesito dinero”.

Administrar bien mi dinero es algo de lo que estoy  orgullosa. Hay varias cosas donde podemos gastar nuestro dinero y sólo las tenemos que ordenar conforme nuestras prioridades. Todos podemos tener dinero para comprar lo que realmente nos hace falta si nos empeñamos. Por ejemplo: si quiero comprar un ordenador, ir al cine, comprar ropa, comprar comida, ir a la peluquería, pagar el alquiler del piso e ir al restaurante, entonces hay cosas que tienen que ser comprometidas para que mi objetivo sea cumplido. De esta lista, si comprar una computadora es mi objetivo principal, entonces puedo dejar de lado la ida al cine y al restaurante, comprar ropa e ir a la peluquería. Todas estas cosas acumuladas pueden ayudar a ahorrar algo de dinero para poder comprar el ordenador. Por otro lado, comprar comida y pagar el alquiler son prioridades que están por encima de ese objetivo porque son necesidades básicas. Si no hay urgencia para comprar el ordenador, quizás no tenga que renunciar a todas las idas al restaurante, pero puedo cortar en las bebidas para reducir la cuenta.

Hace algunos años, saqué una licenciatura en Diseño, la cual me permite crear contenido de diseño gráfico, después de aprender a desarrollar proyectos y trabajar con ciertos programas. Recientemente, hice un curso en Nutrición Holística, el cual me permite crear protocolos con el fin de ayudar a las personas con sus enfermedades y problemas de salud.

¿Qué tiene que ver esto con el dinero? Bueno, la verdad es que así como dije arriba, mi relación con el dinero siempre fue rara y aún lo es. Puedo tener la capacidad de ahorrar mucho dinero y gestionar mis prioridades de la mejor manera, pero hay otra cosa que no se me da tan bien.

Puedo contar por los dedos de una mano cuántas veces he cobrado por alguno de mis servicios en esas dos áreas. Mi incompetencia para pedir dinero, ahora como pago de mis servicios, sigue siendo la misma.

¿Será que no valoro suficientemente mi tiempo? ¿Será que es mi naturaleza ayudar a los demás y eso me impide de cobrar? ¿Será por hacer las cosas con gusto que siento que no deba ser valorado mi trabajo? ¿En el fondo todavía creo que el trabajo tiene que ser duro, difícil y aburrido para que sea recompensado? ¿Es por creer que estoy siendo indelicada por cobrar? ¿Será que, por tener conciencia de los problemas financieros de los demás, no quiero poner aún más presión en ellos? ¿Es éste un problema general de todos los freelancers?

Hay una cosa que tengo bastante clara: yo soy la única persona que se ve afectada al final de cuentas.

No valorar nuestro tiempo = no valorar nuestras capacidades = no valorizarnos a nosotr@s mism@s

¡Estoy lista para cambiar eso! ¡Necesito cambiar eso!

Cualquier consejo es bienvenido 🙂

Give a kiss to grandma!

Give a kiss to grandma! (EN)

Dale un besito a la abuela! (ES)

Dá um beijinho à avó! (PT)

Desde Outubro que quero escrever este artigo. Venho falar sobre algo que levantou alguma polémica em meados desse mês. Na altura estávamos a preparar o lançamento do blog, e por um lado não quis começar logo “a matar” com um tema tão controverso, por outro não queria escrever de cabeça quente nem que este texto fosse lido sob esse efeito de reação automática. Agora que a poeira já assentou sobre este tema, tenho o gosto de me questionar e vos pôr a questionar também.

Para quem não esteve a par da tal polémica passo a explicar o que aconteceu. No dia 16 de Outubro num programa de debate da RTP (canal público de televisão portuguesa), chamado Prós e Contras, discutiu-se o movimento #MeToo e as suas consequências a nível social em Portugal e no mundo. Durante o debate um professor universitário disse uma frase que chocou muita gente. A frase dita por Daniel Cardoso (o professor) foi: “A educação é quando a avózinha ou o avôzinho vai lá a casa e a criança é obrigada a dar o beijinho à avózinha ou ao avôzinho. Isto é educação, estamos a educar para a violência sobre o corpo do outro e da outra desde crianças. Obrigar alguém a ter um gesto físico de intimidade com outra pessoa como obrigação coerciva é uma pequena pedagogia que depois cresce.”.

Eu não vejo televisão, mas através do facebook apercebi-me deste fenómeno. E foi lá que vi levantar-se uma onda de verdadeiro ódio para com uma pessoa que não tinha feito mais do que dar a sua opinião. Os insultos iam de parvo para cima (ou a expressão correcta seria para baixo, já que o nível também baixava?) e além de discordarem, em letras maiúsculas e com muitos pontos de exclamação, da ideia de que não se devem obrigar as crianças a beijar os avós (porque essas pessoas, que insultavam, tinham também elas sido obrigadas a dar beijos aos avós e continuavam de “boa saúde”; ou porque obrigavam os filhos a fazê-lo e queriam reafirmar que estavam a fazer o correcto), a maioria aproveitou para meter ao barulho a aparência física do Daniel, as suas relações pessoais e os seus gostos sexuais (todos considerados bastante fora do normal dentro dos parâmetros da nossa sociedade).

Eu até percebo a reação emocional das pessoas que procederam assim. Afinal toca-nos profundamente o ego quando alguém vem dizer que, uma das coisas que aceitamos como normais e por isso correctas (temos tendência para erroneamente correlacionar uma coisa com a outra), é afinal uma prática nociva. E como a maioria das pessoas não quer ir realmente ao fundo da questão, questionando-se verdadeiramente sobre o tema, é mais fácil serem infantis e atirar como argumentos coisas que não têm nada a ver com o que foi declarado pelo Daniel, como o facto de ele ter o cabelo comprido e uma aparência pouco masculina (a sério, mas que raio é que isso interessa para a conversa dos beijos aos avós?).  

Vamos então começar o exercício de pensar realmente sobre o assunto. Quais são os prós e contras de obrigar uma criança a dar um beijinho aos avós, ou a qualquer outra pessoa – seja a mãe, a tia afastada ou o amiguinho da escola?

Pró: A criança aprende que se deve cumprimentar as pessoas, mesmo quando não apetece, e que cumprimentar tem que ser através de contacto físico e alguma intimidade, como a que requer o beijo na cara. Contra: Acima está uma lição sem pés nem cabeça, primeiro porque mesmo nós (os adultos) às vezes ,por alguma razão, não cumprimentamos pessoas que conhecemos, depois porque existem mais formas de cumprimentar sem ter que beijar ou mesmo sem entrar em contacto físico.

Pró: A criança aprende que deve fazer o que se lhe manda e o que se lhe manda fazer é o correcto, porque os mais velhos é que sabem. Contra: Mas às vezes os mais velhos não sabem tudo, não sabem o que se passa dentro da cabeça da criança, nem compreendem as razões que ela possa ter para não querer beijar alguém, e essas razões devem ser consideradas tão boas como as que possas ter tu ou eu como adult@ para não querer beijar alguém (imagina que te obrigavam!). E sobretudo não me parece assim tão benéfico que uma criança aprenda que o que os mais velhos dizem, está à partida correcto, sem questionar. Isso é o que produz pessoas que não pensam pelas próprias cabeças, e não queremos educar pessoas dessas, certo?

Pró: Ensinamos à criança a ter respeito pelos mais velhos. Contra: Coagir alguém a fazer algo não ensina respeito, ensina obediência cega.  

Pró: A avó fica contente de ter ganho um beijo d@ net@. Contra: Se explicarmos à avó (ou a quem seja) porque é que não obrigamos a dar beijos talvez ela até perceba. E mais, se a avó eventualmente deixar de pedir beijos à criança esta, por iniciativa própria, pode vir a dar-lhe mais carinho quando realmente lhe apetecer, e isso certamente fará a avó mais feliz que um beijo de raspão por obrigação.  

Desafio quem não está de acordo a dizer-me então afinal o que é que se ganha obrigando as crianças a dar beijos às pessoas.

Eu não me lembro de que alguma vez me tivessem que obrigar a dar beijos aos meus avós, acho que sempre o fiz de livre vontade. Mas lembro-me bem de me fazerem dar beijos a outras pessoas, lembro-me principalmente de ir de mão dada com a minha avó no bairro onde ela vivia, e que sempre que encontrava uma amiga me pedia para eu as cumprimentar com um beijinho. Lembro-me que eram velhotas estranhas para mim, com cheiros esquisitos e com bigodes que pareciam picar ou lábios que pareciam deixar baba pelo caminho. Era normal que eu não tivesse nenhum interesse em beijá-las, e na verdade também não vejo o que nenhuma das partes ganhava com todo aquele “teatro” (nem eu, nem a minha avó, nem as amigas dela).

Eis que agora podem vir os defensores do “não vem nenhum mal ao mundo por fazer as crianças dar beijos a quem quer que seja “ porque, ao que parece, eu própria fui obrigada e não tive nenhum problema por causa disso. E eu digo: Nisso é que vocês se enganam!

O que vou partilhar a seguir sabem-no muito poucas pessoas. É um assunto que durante muito tempo da minha vida me provocou vergonha, e muita revolta. Quanto à vergonha, hoje em dia sei que não sou eu quem a deve sentir, e quanto à revolta não está completamente ultrapassada, e talvez nunca esteja.

Quando era pequena, um senhor que tinha idade para ser meu avô insistia em tocar-me de maneira pouco normal – isso era como eu via a coisa naqueles tempos. Hoje sei que ele me apalpava em zonas do corpo onde quem o faz é descrito como pedófilo. Na altura só me parecia estranho, ele fingia que me fazia cócegas para me pôr a mão no rabo e entre as pernas. Ou pedia que me sentasse no colo dele para ‘fazer o cavalinho’ quando na verdade o que fazia era esfregar-se em mim de uma maneira que hoje (não naquela altura) reconheço como sexual. Eu via este senhor várias vezes por semana, porque ele trabalhava para o meu pai e, apesar de na altura eu não ter discernimento para juntar dois mais dois (literalmente), só me fazia aquilo quando não havia mais adultos por perto. Eu fui ensinada que os mais velhos faziam o correcto, que devia aceitar as demonstrações de carinho dos mais velhos sem me queixar, e que tinha que respeitar as pessoas mais velhas. Isso fez-me aguentar estas práticas esquisitas, que me deixavam muito desconfortável, sem falar do assunto a nenhum outro adulto porque achava que não havia nada para contar.

Até que um dia este senhor nos chamou à minha irmã e mim para dentro de uma pequena sala de arquivo e fechou-nos lá dentro. Disse-me para eu ficar quieta de cara virada para a porta e, com os joelhos dobrados, pois eu ainda era bastante mais baixa que ele, começou a esfregar-se no meu rabo, com um movimento de pernas e ancas. Aquilo finalmente fez-me desconfiar que algo não batia certo. Apesar de ser tão pequena aquele episódio provocou-me muita vergonha. Lembro-me de dizer à minha mãe chorando que não queria que o meu pai me levasse mais para o trabalho dele. A minha mãe achou estranho porque eu até gostava de ir para lá, porque me entretinha com máquinas de escrever, calculadoras e outros tesouros tecnológicos aos quais não tinha acesso noutro sítio. E a muito custo e depois de muitas lágrimas, porque eu tinha vergonha de pôr aquele acto em palavras, lá contei à minha mãe o que tinha sucedido e também contei sobre os apalpões e outras coisas que achava esquisitas. A minha irmã confirmou a minha história. Eu tinha tanta vergonha que pedi à minha mãe que me prometesse que não diria ao meu pai que lhe tínhamos contado tudo isto. Tinha tanta vergonha que não podia sequer suportar ter que falar com o meu pai directamente sobre o acontecido se ele me perguntasse. A minha mãe falou com o meu pai e disse-lhe tinha ouvido uma conversa minha e da minha irmã sobre aquilo. A minha irmã e eu nunca mais fomos deixadas a sós com aquele senhor, mas ele continuou lá por muitos mais anos.

Voltando à minha revolta. Não, eu não vou dizer quem foi o pedófilo que me molestou quando eu era criança, nem sei se aquele homem ainda está vivo, e de qualquer forma não tenho nenhuma prova para além das minhas memórias. Não estou revoltada para com a minha mãe, que não tomou medidas mais assertivas (as que eu acho que tomaria se estivesse no lugar dela hoje), nem com o meu pai por não ter tentado perceber realmente o que tinha passado e por ter deixado que aquele homem continuasse a trabalhar para ele. Muito menos a minha revolta é para com a minha avó que me obrigava a dar beijos a outras pessoas mais velhas.

Sei que se tivesse sido educada para saber que a intimidade necessita consentimento e que não está certo que uma pessoa mais velha, só por o ser, possa exigir um certo nível de intimidade física comigo, em vez de aprender que é preciso dar beijinhos aos mais velhos quando estes pedem ou outro adulto o comanda… se tivesse sido educada para me respeitar, e lutar para que me respeitassem, em vez de ter de respeitar os mais velhos, só por questão de idade… se tivesse sido educada para pôr o meu desejo e o meu conforto diante de qualquer que seja a satisfação (não percebo realmente) que alguém obtém por conseguir ganhar um beijo de uma criança contrariada …se tudo isto tivesse acontecido assim e não assado talvez eu nem tivesse dado a primeira oportunidade a este homem para me molestar e talvez nunca tivesse que passar por tudo isto. Ainda hoje penso que se eu não me tivesse assustado tanto com aquele último episódio, um bastante mais traumático podia ter-se seguido.

Mas eu também não me sinto revoltada pela minha educação não ter sido diferente. O que realmente me revolta é que nos dias de hoje, com toda a informação que temos, e com pessoas finalmente dispostas a falar abertamente destes assuntos, ainda haja gente quem se recusa a questionar práticas “normais” só porque elas se fizeram assim a vida toda. O que me revolta é que tanta gente que eu considero inteligente, sem pensar cinco minutos sobre o assunto, teve a necessidade de repudiar uma opinião que sei que é bem válida.

Quando alguém tenta forçar crianças a cumprimentarem-me com um beijo eu sou a primeira a dizer que não quero. E quando (se alguma vez) tiver filh@s não @s vou obrigar a dar beijos aos avós, nem às tias, e nem a mim mesma. Se alguém achar que as minhas “crias” são mal-educadas por não beijarem à demanda, problema deles, eu não acho que o objectivo deva ser criar paus mandados, mas sim educar seres pensantes.


Give a kiss to grandma! (EN)

Today, I’m writing about something that generated some controversy in Portugal, last mid-October and since then I was willing to write this article. At that time, we were preparing to launch this blog and for that reason I didn’t want to start with such a controversial topic.

As the english readers might not be familiar with this polemic subject, I will first explain what happened. On the 16th of October, there was a debate on RTP channel (public Portuguese channel) called “Pros & Cons”, where the movement #MeToo and its consequences in Portugal and abroad, were discussed on a social level. During the debate, a university Professor called Daniel Cardoso, said something that shocked many people. The phrase was: “Education is resumed to when grandma or grandpa come to visit and the child is obligated to give a kiss to grandma or grandpa. This is the education, we are educating on violence regarding one’s body since early age. Forcing someone to have a physical and intimate gesture with such coercive obligation with another person is considered a small pedagogy that later on will grow.”.

To those who don’t know Portuguese culture, we kiss people on both cheeks to greet them and we are taught to do so since a very early age.

I don’t watch TV, but this phenomenon reached me through Facebook. There, I saw a surge of deep hatred arising towards someone that had not done anything but express his opinion. The insults were beyond foolish and besides disagreeing, with capital letters and many exclamation marks, with the idea that kids should not be forced to kiss their grandparents (because those insulting were too obligated to kiss their grandparents and remained “all right”; or because they obligate their own children to do the same and wanted to reaffirm that this was the right thing to do), the majority took advantage of the situation to comment on Daniel’s physical appearance, his personal relationships and sexual orientation (all considered abnormal among our society standards).

I even understand people’s emotional reaction when reacting in this way. After all, our ego gets profoundly touched when someone tells us that, something we accept as normal and thus correct (we have a tendency to correlate erroneously both things), is in the end of the day detrimental. As most people are not willing to dig deep to the bottom of the issue, truly questioning about the subject, it is easier to be childish and throw a bunch of arguments that nothing have to do with what Daniel said in the first place, such as commenting on his long hair and his lack of masculine appearance (really? how the hell is this related to the topic about kissing the grandparents?).

Let’s get to an exercise to really start thinking about this issue. What are the pros and cons of forcing a child to kiss their grandparents, or whoever it is – whether is the mother, the estranged aunt or a friend in school?

Pro: The child learns that they should greet people, even when they don’t feel like it, and that greeting has to be with physical contact and some intimacy, such as a cheek kiss requires. Con: Above is a non sense lesson because even adults sometimes don’t greet acquaintances for some reason and also because there are more ways of greeting others with no need for kisses or any physical contact.

Pro: The child learns that they should do what they are taught to do and that what they are taught is correct, because older people know better. Con: Except that older people don’t always know better, they don’t know what lies inside a child’s head, nor understand the reasons behind a child not wanting to kiss someone, and those reasons should be considered as good as the reasons you or I have as adults to not want to kiss someone (picture that you were obligated to!). And above all, it doesn’t seem beneficial to me if a child learns that what older people say is, from the outset, correct without questioning it. That’s exactly what generates people that cannot think for themselves and we do not want educate such people, do we?

Pro: We teach the child to have respect for older people. Con: Compel someone to do something does not teach respect, it teaches blind obedience.

Pro: The grandma is happy because she got a kiss from her grandchild. Con: If we explain to the grandma (or any other person) why we don’t force the child to kiss her, perhaps she can understand. More, eventually if the grandma stops requesting kisses from the child, they can end up giving her more affection from their own initiative, when they feel like doing it, and that will certainly make the grandma happier that gaining a forced glancing kiss.

I challenge those who don’t agree, to tell me what do we gain by forcing children to give kisses to people.

I do not recall ever being forced to give a kiss to my grandparents, I guess I did it with free will. However, I do remember being asked to kiss other people. Mostly older ladies, as I joined my grandma for a walk at her neighbourhood and every time we met one of her friends, she would kindly ask me to greet them with a kiss. I recall that I considered them as outsiders, with weird smells and facial hair that seemed to prick or lips that would drool all over my face. It seems reasonable to me that I wasn’t keen to kiss them and in truth I can’t see what any of us would gain with this “theatrical performance” (my grandma, her friends or myself).

And here can come the advocates of “I don’t see what harm can be done by obligating kids to kiss whoever it is” because, just as I said, I was too obligated and didn’t have any problem because of that. And my answer is: You have no idea!

What I’m about to share here, not many people know. It’s a subject that created shame for quite a long time in my life, and lots of outrage too. With respect to the shame, I know nowadays that it isn’t me who should feel it, and regarding the outrage it is not completely surpassed, and perhaps will never be.

When I was a child, a man that was as old as my grandfather, insisted in touching me in a rather strange way – that’s how I saw things back then. Today I know that he would touch my body in such areas where those who do are called pedophiles. At the time, it seemed odd to me, he would pretend to tickle me just to touch my butt or between my legs. He would also ask me to sit on his lap to “play horsey” when in fact what he just wanted was to rub himself on me in a way that today (not back then) I acknowledge as sexual. I encountered this man several times a week as he was my dad’s employee and, despite my lack of discernment to put two and two together (literally), he would only do those things when there were no other adults around. I was taught that older people did the right thing, that I should accept affection demonstrations for them without complaining, and to respect them. That made me put up with those weird acts, that would would make me feel very uncomfortable, without even mentioning it to any adult because I thought there was nothing to tell.

Until one day, this man took my sister and I to a small archive room and locked us inside with him. He told me to be quiet and facing the door, he bent his knees (because I was way shorter than him) and started to rub his parts in my butt, moving legs and hips. I realised then that something here wasn’t right. Despite being just a child that happening caused me a lot of shame. I recall telling my mother, with tears rolling down my face, that I no longer wanted my father to bring me to his workplace. My mother found this to be strange because going to my dad’s office was something that I enjoyed as I would get amused by the typewriter, calculators and other tech treasures to which I didn’t have access in any other place. Somehow, many tears later as I had so much shame to put that episode in words, I finally explained to my mom what had happen, together with the other odd stuff that he had done before. My sister confirmed my story. Again, my shame was such that I asked my mother to promise not to tell my father what she had just learned from us. This shame prevented me from even thinking about talking about this issue directly with my dad, if I was eventually queried by him. My mother then talked to my father and said that she had heard my sister and I chat about it. Both my sister and I were never again let alone with this man, however he ended up still working there for many more years.

Back to my outrage. No, I won’t say who is the pedophile that molested me when I was a young girl, I don’t even know if he is still alive, and besides my memories no other proof remained. I’m not outraged at my mother, that didn’t take the best measures (those measures that I would take today if I was in her position), nor at my father for not trying to understand what was really happening and to keep that man as an employee. My revolt is even less towards my grandma that obligated me to kiss other elderly people.

I know that if I was brought up to understand that intimacy requires consent and that it is not ok when an older person claims a certain intimacy level with me, instead of learning that it’s necessary to give kisses to older people by their or other adults request… if I was to be raised to respect myself and strive to be respected by others, instead of having to respect older people only because of their age… if I was brought up to place my desire and comfort above other people’s satisfaction for getting a kiss from a countered child…if only all of this had happened in this way and no other, maybe I would have never given this man the first chance to molest me and perhaps would never been through all of this. To this day I think that, had I never been so scared with that last event, a much more traumatising one could have succeeded.

I can’t say that I feel revolt due to the way I was brought up. What is outraging to me is that nowadays, with all the information we have available, and with people open to talk about these topics, is that still to this day there are people who refuse to question “normal” practices just because that’s how they have been done so far. What is outraging to me is that so many people that I consider as intelligent, without even taking five minutes to think about the subject, had the need to repudiate a valid opinion.

When someone tries to force a child to greet me with a kiss, I’m the first to say that I don’t want it. And when (if anytime) I’ll have my own children, they won’t be obligated to kiss their grandparents, nor aunts, nor even myself. If anyone will think that my kids are ill-mannered just because they don’t greet with a kiss, I can’t even bother. I don’t think that the goal is to raise “rubber stamps” but rather individuals that can think.


¡Dale un besito a la abuela! (ES)

Desde octubre que quiero escribir este artículo. Vengo a hablar sobre algo que ha levantado alguna polémica en Portugal a mediados de ese mes. En ese momento estábamos preparando el lanzamiento del blog, y no quise empezar tan pronto con un tema tan controvertido.

Es normal que l@s lector@s hispanohablantes no estuvisteis al tanto de esa polémica por lo que paso a explicar lo que sucedió. El 16 de octubre en un programa de debate en RTP (canal de la televisión pública portuguesa) llamado “Prós e Contras” (Pros y Contras), se discutió el movimiento #MeToo y sus repercusiones sociales en Portugal y en el mundo. Durante el debate un profesor universitario dijo una frase que chocó a mucha gente. La frase dicha por Daniel Cardoso (el profesor) fue: “Educación es cuando la abuelita o el abuelito van a la casa y se obliga al crío a dar un besito a la abuelita o al abuelito.  Esto es educación, estamos educando para la violencia sobre el cuerpo del otro y de la otra desde niñ@s. Obligar alguien a tener un gesto físico de intimidad con otra persona como obligación coercitiva es una pequeña pedagogía que después crece”.

Yo no veo la tele, pero a través de facebook me dí cuenta de este fenómeno. Y fue allí donde vi levantarse una ola de verdadero odio hacia una persona que no había hecho más que dar su opinión. Los insultos iban de tonto p’arriba (o quizás la expresión correcta sería p’abajo, ya que el nivel también bajaba) e además de discrepar, en letras mayúsculas y con muchos puntos de exclamación, de la idea de que no se deben obligar a los niños a besar a los abuelos (porque esas personas, que insultaban, también habían sido obligadas a dar besos a los abuelos y continuaban de “buena salud”, o porque obligaban a sus hijos a hacerlo y querían reafirmar que estaban haciendo lo correcto) la mayoría aprovechó para incluir en la discusión la apariencia física de Daniel, sus relaciones personales y sus gustos sexuales (todos considerados bastante fuera de lo normal dentro de los parámetros de nuestra sociedad).

Yo hasta entiendo la reacción emocional de las personas que procedieron así. Al final nos toca profundamente el ego cuando alguien viene a decir que una de las cosas que aceptamos como normales y por eso correctas (tenemos la tendencia para erróneamente correlacionar una cosa con la otra), es una práctica nociva. Y como la mayoría de la gente no quiere ir realmente al fondo de la cuestión, preguntándose verdaderamente sobre el tema, es más fácil ser infantil y disparar como argumentos cosas que no tienen nada que ver con lo que fue declarado por Daniel, como el hecho de él llevar el pelo largo y tener una apariencia poco masculina (¡en serio!,¿ pero qué diablos interesa eso para la conversación de los besos a los abuelos?).

Empecemos el ejercicio de pensar realmente sobre el tema. ¿Cuáles son los pros y contras de obligar a un niño a dar un beso a los abuelos, o a cualquier otra persona – ya sea la madre, la tía alejada o el amiguito de la escuela?

Pro: La niña o el niño aprende que se debe saludar a las personas, incluso cuando no apetece, y que saludar tiene que ser a través de contacto físico y alguna intimidad, como la que requiere el beso en la cara. Contra: Arriba está una lección sin pies ni cabeza, primero porque incluso los adultos a veces no saludamos a las personas que conocemos por alguna razón, después porque hay más formas de saludar a las personas sin tener que besar o incluso sin entrar en contacto físico.

Pro: La niña o el niño aprende que debe hacer lo que se le manda y que lo que se le manda hacer es lo correcto, porque los mayores son los que saben. Contra: Pero a veces los mayores no saben todo, no saben lo que pasa dentro de la cabeza del@ niñ@, ni comprenden las razones que él/ella pueda tener para no querer besar a alguien, y esas razones deben ser consideradas tan buenas como las que podamos tener tu y yo como adult@s para no querer besar a alguien (¡imagina que te obligan!). Y sobre todo no me parece tan beneficioso que un@ niñ@ aprenda que lo que los mayores dicen está desde un principio correcto, sin cuestionar. Eso es lo que produce personas que no piensan por las propias cabezas, y no queremos educar a personas así, ¿verdad?

Pro: Enseñamos al@ niñ@ como tener respeto por los mayores. Contra: Coaccionar a alguien a hacer algo no enseña respeto, enseña obediencia ciega.

Pro: La abuela se queda contenta de haber ganado un beso del nieto o de la nieta. Contra: Si le explicamos a la abuela (o a quien sea) porque no obligamos a dar besos quizás ella lo entienda. Y más, si la abuela eventualmente deja de pedir besos al@ niñ@ est@, por iniciativa propia, puede venir a darle más cariño cuando realmente le apetezca, y eso ciertamente hará la abuela más feliz que un beso de raspón por obligación.

Desafío a quien no está de acuerdo que me diga entonces lo que se gana obligando a l@s niñ@s a dar besos a las personas.

Yo no recuerdo que alguna vez me tuvieran que obligar a dar besos a mis abuel@s, creo que siempre lo hice de libre voluntad. Pero recuerdo bien de sí que me hacían dar besos a otras personas, recuerdo principalmente cuando iba con mi abuela por el barrio donde ella vivía, y como siempre que encontraba una amiga me pedía que yo las saludara con un besito. Recuerdo que eran viejitas extrañas para mí, con olores extraños y con bigotes que parecían picar o labios que parecían dejar babas por el camino. Era normal que yo no tuviera ningún interés en besarlas, y en realidad tampoco veo lo que ninguna de las partes ganaba con todo aquel teatro (ni yo, ni mi abuela, ni sus amigas).

Y ahora pueden venir los defensores del “no viene ningún mal al mundo por hacer los niños dar besos a cualquiera que sea” porque, al parecer, yo misma fui obligada y no tuve ningún problema a causa de eso. Y yo digo: ¡Es en eso que ustedes se equivocan!

Lo que voy a compartir a continuación lo saben muy pocas personas. Es un tema que durante mucho tiempo de mi vida me provocó vergüenza, y mucho enojo. En cuanto a la vergüenza hoy en día sé que no soy yo quien la deba sentir, y en cuanto al enojo no está completamente superado, y quizás nunca lo esté.

Cuando era pequeña, un señor que tenía edad para ser mi abuelo insistía en tocarme de manera poco normal – eso era como yo veía la cosa en aquellos tiempos. Hoy sé que él me palpaba en zonas del cuerpo donde quien lo hace es descrito como pedófilo. En la época sólo me parecía extraño, él fingía que me hacía cosquillas para ponerme la mano en el cilo y entre las piernas. O me pedía que me sentara en sus piernas para ‘hacer el caballito’ cuando en realidad lo que hacía era frotarse en mí de una manera que hoy (no en aquella época) reconozco como sexual. Yo veía a este señor varias veces por semana, porque él trabajaba para mi padre y, a pesar de que no tenía discernimiento para juntar dos más dos (literalmente), sólo me hacía aquello cuando no había más adultos cerca. Me enseñaron que los mayores hacían lo correcto, que debía aceptar las demostraciones de cariño de los mayores sin quejarme, y que tenía que respetar a las personas mayores. Eso me hizo aguantar estas prácticas extrañas, que me dejaba muy incómoda, sin hablar del tema a ningún otro adulto porque creía que no había nada que contar.

Hasta que un día este señor nos llamó a mi hermana y a mi, nos llevó para dentro de una pequeña sala de archivo y nos cerró dentro. Me dijo que me quedara quieta de cara hacia la puerta y, con las rodillas dobladas, pues yo todavía era bastante más baja que él, empezó a frotarse en mi culo, con un movimiento de piernas y caderas. Eso finalmente me hizo desconfiar que algo no estaba bien. A pesar de ser tan pequeña ese episodio me provocó mucha vergüenza. Me acuerdo de decir a mi madre llorando que no quería que mi padre me llevara más a su trabajo. A mi madre le pareció extraño porque de normal me gustaba ir allí, porque me entretenía con máquinas de escribir, calculadoras y otros tesoros tecnológicos a los que no tenía acceso en otro sitio. A mucho costo y después de muchas lágrimas, porque yo tenía vergüenza de poner aquel acto en palabras, le conté a mi madre lo que había sucedido y también conté sobre las otras cosas que me hacía y me parecían raras. Mi hermana confirmó mi historia. Yo tenía tanta vergüenza, que le pedí a mi madre que me prometiera que no diría a mi padre que le habíamos contado todo esto. Tenía tanta vergüenza que no podía soportar tener que hablar con mi padre sobre ello si él me lo preguntara directamente. Mi madre habló con mi padre y le dijo que había escuchado una conversación entre mi hermana y yo sobre aquello. Jamás nos volvieron a dejar a solas con aquel señor, pero él continuó allí por muchos más años.

Volviendo a mi enojo. No, no voy a decir quién fue el pedófilo que me molestó cuando yo era niña, ni sé si aquel hombre todavía está vivo, y de todos modos no tengo ninguna prueba más allá de mis memorias. No estoy enojada con mi madre por no haber tomado medidas más asertivas (las que creo que tomaría si estuviera en su lugar hoy), ni con mi padre por no haber intentado percibir realmente lo que había pasado y por haber dejado que aquel hombre continuara trabajando para él. Mucho menos estoy enojada con my abuela que me obligaba a dar besos a otras personas mayores.

Sé que si hubiera sido educada para saber que las intimidades necesitan consentimiento y que no está bien que una persona mayor, sólo por serlo, pueda exigir un cierto nivel de intimidad física conmigo, en vez de aprender que hay que dar besos a los mayores cuando estos me lo piden u otro adulto lo demanda … si hubiera sido educada para respetarme, y luchar para que me respetaran, en vez de tener que respetar a los mayores, sólo por cuestión de edad … si hubiera sido educada para poner a mis deseos y mi comodidad delante de cualquiera que sea la satisfacción (no percibo realmente) que alguien obtiene por conseguir ganar un beso de un@ niñ@ contrariado … si todo esto hubiera ocurrido así y no de la manera que ocurrió, quizás ni siquiera le hubiera dado la primera oportunidad a este hombre para molestarme y quizás nunca tuviera que pasar por todo esto. Hoy todavía pienso que si no me hubiera asustado tanto con aquel último episodio, uno bastante más traumático podía haberse seguido.

Pero yo tampoco me siento enojada por mi educación no haber sido diferente. Lo que realmente me enoja es que en los días de hoy, con toda la información que tenemos, y con personas finalmente dispuestas a hablar abiertamente de estos temas, todavía hay gente que se niega a cuestionar prácticas ‘normales’ sólo porque las cosas se hicieron así toda la vida. Lo que me enoja es que tanta gente que considero inteligente, sin pensar cinco minutos sobre el tema, tuvo la necesidad de repudiar una opinión que sé que es muy válida.

Cuando alguien intenta forzar a l@s niñ@s a saludarme con un beso, soy la primera en decir que no quiero. Y cuando (si alguna vez) tengo hij@s no voy a obligarl@s a dar besos a los abuelos, ni a las tías, ni a mí misma. Si alguien cree que mis crí@s son maleducad@s por no besar a demanda, problema suyo, no creo que el objetivo deba ser criar títeres, sino educar a seres pensantes.