Vamos falar de masturbação feminina… yep isso mesmo MASTURBAÇÃO FEMININA. Parte I

Na minha opinião, a masturbação feminina, assim como outros temas “femininos” (como a menstruação) ainda é um grande tabu na nossa sociedade. Só agora (em plena segunda década do século XXI) é que os meios de comunicação e entretenimento começam a falar deste tema (mesmo que na maioria das vezes seja entre risos nervosos) de forma mais ou menos aberta. Há uns meses surgiu o fenómeno do “Satisfyer Pro” que veio dar mais um empurrão à normalização do auto prazer feminino. 

Mas isto por aqui (Portugal, Península Ibérica, Europa, mundo ocidental…) não foi sempre assim, e numa grande parte do mundo ainda não é. 

Quem já leu dois ou três dos meus artigos sabe que gosto de abordar quase todos os temas desde a minha própria experiência. Primeiro porque acho que é a maneira mais verdadeira de falar sobre as coisas e depois porque acho que partilhar as minhas experiências pode sempre ajudar alguém. 

Este tema é para mim um dos temas mais importantes no que diz respeito à luta pela equidade de género. E é um tema que me diz muito pessoalmente porque carreguei, durante toda a minha infância e parte da minha adolescência, um trauma relacionado com o tabu da masturbação feminina (que se há 15 anos atrás ainda era um grande tabu, mais ainda há 30 anos)

A minha experiência com a masturbação começou quando ainda nem sabia nada sobre sexo, nem sobre desejo sexual. Por estranho que possa parecer a algumas pessoas (e isso será ainda efeito do velho tabu) não é raro que as meninas pequenas descubram sozinhas que a estimulação da zona genital é muito prazerosa. Eu devia ter cerca de 2 ou 3 anos quando inocentemente me comecei a esfregar nas almofadas (literalmente). 

A masturbação nessas idades é uma gratificação meramente sensorial, não há, em situações normais, qualquer carácter sexual e esse era também o meu caso. A prova disso é que o fazia à frente de toda a gente. Para mim aquilo era algo prazeroso, como coçar-me se tivesse uma comichão, ou comer doces (sempre fui gulosa), na minha cabeça não havia qualquer revelação de que aquilo era (no mundo dos adultos) considerado inapropriado.

O meu pediatra da altura disse à minha mãe que por causa dos meus comportamentos precoces a minha vida sexual começaria muito cedo (WTF?!) O tabu não existia só entre os profissionais de saúde mas também dentro da minha família. A minha mãe não soube como lidar com a situação (não sei se o meu pai tem alguma constância desta história) e falou com algumas mulheres da familia para a ajudar a resolver o “problema”. Uma tia disse-me que eu ficaria com as pernas tortas. A minha avó paterna uma vez apanhou-me a faze-lo no sofá da sala, levantou as mãos à cabeça e zangou-se muito dizendo algo sobre o demónio. Mas a “estratégia” que mais teve impacto foi a de outra familiar que teve a excelente ideia (alerta de sarcasmo) de me contar uma história assustadora de como, se eu continuasse a fazer “aquilo”, o meu osso púbico ía se desgastar e desaparecer. Isto enquanto ilustrava o que aconteceria ao meu “osso do pipi” esfregando uma cenoura na bancada de mármore da cozinha (e esta se desfazia perante o meu olhar aterrorizado). 

O “problema” não era o facto de eu me masturbar (a masturbação é algo natural e saudável em todas as idades), mas sim o facto de o fazer em público. O que as pessoas informadas fazem quando se deparam com uma criança que se masturba em público é explicar a essa criança (todas as vezes que forem necessárias) que “aquilo” apesar de não ser “mau”, é algo privado que devemos fazer quando estamos sozinhas, não à frente de outras pessoas e menos ainda de desconhecidos.  

Agora vocês perguntam: a estratégias aplicadas funcionaram? Sim, mas não como elas esperavam. Eu não deixei de me masturbar, mas comecei a fazê-lo às escondidas, não porque aquilo era algo íntimo e privado, mas porque era algo mau para mim, para a minha saúde, e se alguém me visse fazê-lo de certeza que se zangariam comigo. Eu masturbava-me com um enorme sentimento de culpa, porque pensava que ao fazê-lo estava a pôr em risco a minha saúde. E foi assim durante quase 10 anos. 

Nesses anos a minha relação com a masturbação foi mudando, começou (como também é natural) a ter um carácter mais erótico, mas como era tabu eu continuava a pensar que “aquilo” que eu fazia era vergonhoso porque era mau para mim. Eu não sabia que “aquilo” era uma coisa natural, que se chamava masturbação

Até um certo dia em que fui ao teatro com a minha mãe ver uma peça durante a qual usavam muitas vezes uma palavra que eu nunca tinha ouvido: “masturbação”. Quando saímos do teatro eu perguntei à minha mãe o que significava e ela explicou-me que era quando as pessoas davam prazer a elas próprias através da estimulação dos genitais e que era algo natural e saudável, a menos que houvesse uma espécie de vício (estou a parafrasear, já não me lembro das palavras exactas que ela usou… isto foi à mais de 20 anos). E depois acrescentou algo como: “aquilo que tu fazias quando eras pequenina, não sei se ainda te lembras”. O mundo parou de girar. 

Então afinal “aquilo” não era mau, era natural e saudável? Afinal o meu osso púbico não se ía desintegrar? E as minhas pernas não iam ficar tortas? Afinal todo aquele sentimento de culpa tinha sido desnecessário? Todas as vezes que tinha sofrido em silêncio eram escusadas? Todos os pesadelos em que me aconteciam coisas terríveis por me masturbar podiam ter sido evitados?

Acho que poucas vezes me senti tão revoltada, mas não o demonstrei, tive vergonha. A minha mãe nunca soube que aquela intervenção teve um grande impacto no meu desenvolvimento psicológico e sexual. Ainda hoje tenho pesadelos relacionados com o sentimento de culpa que a masturbação acarretou durante quase uma década. 

Socialmente, mais cedo ou mais tarde, espera-se que os rapazes se comecem a tocar e a masturbar. Quando os adultos veem o bebé a tocar na pilinha acham piada, riem-se e acham normal, mais tarde quando os rapazes se começam a masturbar toda a gente aceita isso como natural e normal, tanto que geralmente (e corrijam-me e se estou incorreta) os progenitores dão alguma privacidade aos rapazes para não acontecerem “constrangimentos”. A minha percepção da nossa sociedade leva-me a pensar que isto não é exatamente assim (ou não o era há 30 anos atrás) no caso das raparigas .

Eu própria tenho muitas questões sobre esta parte da história. O resto da história, a parte após saber o que era a masturbação, fica para o meu próximo artigo, fiquem atentxs!

Algumas das minhas perguntas são:

Teriam as coisas sido diferentes se na altura o meu médico pediatra fosse alguém mais evoluído e menos conservador? Relembro que ele fez um paralelismo entre duas coisas que não têm nada a ver: o facto de me masturbar aos 3 anos de idade e como isso iria acelerar a minha entrada na vida sexual (não foi o caso, eu comecei a minha vida sexual aos 16/17 anos, tudo muito dentro da “normalidade” e não há nenhum estudo que indique que as pessoas que se começam a masturbar mais cedo também começam a vida sexual mais cedo – eu pesquisei). 

Será que a opinião da minha mãe mudou durante esses 10 anos? Porque se não, que sentido teve que ela tentasse que eu deixasse de fazer algo que era perfeitamente natural e saudável, quando me podia ter apenas explicado que devia fazê-lo quando me encontrasse sozinha?

Também achas que é importante “normalizar” a masturbação infantil feminina? Devia falar-se mais sobre isso? Será que hoje em dia já é diferente? Será que as mães e pais de hoje em dia estão no geral preparados para lidar com meninas que se masturbam em publico de forma sensata e não traumática? Achas que a minha experiência foi uma agulha no palheiro e que a maioria da sociedade da época (sendo a minha família uma excepção) já via a masturbação infantil feminina como algo natural?

E tu, achas que a masturbação é algo natural e normal? Com que idade é que te começaste a masturbar? Queres a partilhar algo da tua história comigo? Connosco? Tens perguntas para mim?

 


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Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens (EN)

Desnuda. Lo que aprendí con la experiencia de posar sin ropa para Spencer Tunick (ES)

A nu. O que aprendi com a experiência de posar despida para Spencer Tunick (PT)

No dia 28 de Março, num dos grupos de WhatsApp em que estou, alguém publicou a notícia de que o fotógrafo Spencer Tunick, famoso pelas fotos de multidões despidas, ia estar em Valência, a fazer das suas, dentro de dois dias, e que quem quisesse participar só tinha que inscrever-se. Quem me conhece sabe que o pudor não é característica que me defina. A primeira coisa que pensei foi “isto deve ser uma experiência memorável” e depois pensei “está um bocado frio”. Sem pensar muito mais (o potencial da experiência sobrepunha-se ao medo de congelar), inscrevi-me. Depois partilhei a notícia com alguns amigos, que disseram logo que não tinham coragem de o fazer, e com o meu namorado, que respondeu que ia ponderar sobre o tema e mais tarde decidiria. Uns minutos depois recebi um email com a confirmação de que estava efectivamente inscrita, a informação do local onde teria que ir nesse dia e a hora do início do evento. Este último detalhe voltou a fazer-me pensar na questão do frio.

Dia 30 (um Sábado) às 5h da manhã encontrava-me à porta do edifício onde tudo começaria. Havia muitas pessoas, mais das que eu esperava encontrar, de quase todas as idades (dos 18 aos 80 mais ou menos) mas diria que a maioria tinha entre 25 e 45 anos. Havia algum nervosismo no ar, muitas pessoas tinham vindo em grupo, outras estavam sozinhas como eu.

Finalmente abriram a porta do centro cultural e apareceram duas pessoas que começaram a dar instruções aos participantes. Uma dessas instruções era que homens e mulheres se separariam em dois grupos distintos e que cada grupo deveria esperar mais instruções num dos claustros do centro. As mulheres ficavam no primeiro claustro, os homens seguiam caminho até ao seguinte.

Já dentro do centro observei o que se passava à minha volta. Olhei para as outras pessoas e tentei imaginar o que as motivava a estar ali. Será que tinham muita curiosidade em experienciar uma instalação artística daquela envergadura, será que tinham vontade de sair da sua zona de conforto, ou de fazer algo muito diferente das suas rotinas habituais de fim-de-semana, será que sentiam a necessidade de saber o que se sente quando a nudez é o dress code ou será que queriam testar o quão cómodas estavam com os seus próprios corpos. Poderiam haver mil e uma razões mas na verdade todas as que me ocorriam eram alguns dos motivos pelos quais eu própria tinha decidido ir até ali.  

Podia sentir-se a expectativa no ar. O ambiente estava animado e havia uma boa onda geral, tod@s pareciam estar bem dispost@s e pront@s para passar uma manhã diferente e divertida. Entretanto o José (o meu namorado) apareceu e dissemos “até já” (relembro que homens e mulheres deviam estar separados).

Depois de mais de uma hora da abertura de portas vieram dar-nos as últimas instruções. Desta vez era para explicar como se processaria o momento das fotos, que posturas teríamos que adoptar e a que hora teríamos de sair do centro. Faltavam cerca de 15 minutos para o momento em que nos teríamos que despir, deixando todos as nossas roupas e objetos pessoais no chão daquele claustro e sair para o meio da rua completamente nu@s e descalç@s. A temperatura mantinha-se baixas e o sol ainda estava agora a começar a nascer. Algumas pessoas começaram a saltar e a fazer movimentos para aquecer o corpo, outras começaram a despir-se, talvez para se irem habituando. Eu entretive-me conversando com outras mulheres.

Quando a hora H chegou membros da organização avisaram que tinha chegado o momento de tirar a roupa e dirigirmo-nos para a saída. Apesar de já estar muita gente despida quando deram o aviso, e de quase todas nos termos despido em menos de 30 segundos, parecia que todas esperávamos que alguém tomasse a iniciativa de avançar para a saída. Eu e a mulher com a que falava naquele momento olhamos uma para a outra e sem palavras (mas como quem diz “porque não nós?”) dirigimo-nos para a portão onde já esperavam membros da organização para nos guiarem até à primeira localização da sessão de fotos. Também a dirigir-se para a porta ia outra mulher com quem começamos a falar.

De repente as três olhamos para trás e demo-nos conta de que já estávamos no meio da rua e encabeçávamos um grupo de centenas de mulheres. Eu nao sei o que elas sentiram, mas eu tive uma enorme sensação de liberdade; uma revelação de beleza e até de perfeição, atingida através da diversidade; um sentimento de conexão com todas aquelas mulheres, talvez até com todas AS mulheres, senti a força da sororidade, que juntas podemos chegar a qualquer lado e realmente mudar o mundo.

Chegámos à primeira localização, exactamente em frente do monumento mais icónico da cidade – as Torres de Serranos, e pouco depois (o que pareceu ter sido uma eternidade por causa do frio) chegaram os participantes do género masculino. Por mais estranho que possa parecer, a chegada de centenas de homens pelados (havia cerca de um terço mais de homens que de mulheres) não transformou o momento em algo mais sexual, nem sequer tornou a nudez (própria e dos demais) mais embaraçosa. É claro que só posso falar desde a minha perspectiva, mas no momento observei @s outr@s participantes e não me pareceu que os sinais de desconforto tivessem aumentado (pelo menos da parte das mulheres).

Na verdade com a adição dos homens as sensações anteriores só aumentaram. Senti que realmente somos todos iguais apesar das pequenas diferenças – a objectiva diferença física entre um homem e uma mulher pode chegar a ser menor que entre duas pessoas do mesmo sexo. E senti que de alguma forma todos estamos ligados e que juntos podemos conseguir grandes mudanças.  

Como seres humanos cujas culturas exigem que tenhamos partes do corpo cobertas a maior parte do tempo, tendemos a esquecer-nos do quão normal e vasta é a variedade de formas e feitios dessas partes. As formas selecionadas e editadas às que temos acesso, nos meios de comunicação em massa, fazem-nos olvidar essa variedade. O que às vezes nos faz ver os nossos próprios corpos como feios, imperfeitos, estranhos, etc., apenas porque não são parecidos aos que estamos acostumad@s a ver. Talvez se as nossas sociedades aceitassem e encorajassem mais a nudez, teríamos mais facilidade em aceitar as nossas características físicas e também as das outras pessoas, sem tantos juízos de valor.

Por outro lado senti que a nudez também nos aproxima da nossa essência. Esquecemos constantemente que somos apenas um animal, uma espécie de primata, que teve uma evolução, digamos, diferente. Todos os dias vemos animais nus (o que nos parece caricato é que os outros animais estejam vestidos) e não nos parece estranho, nem temos tendência para olhar para as “partes” equivalentes às que como humanos levamos constantemente tapadas. Isso também acontece depois de estarmos durante algum tempo rodeados por humanos nus, o que era estranho passa a ser normal, os olhos deixam de procurar constantemente aquelas “partes” e quando as vêem passam por elas com a mesma naturalidade com que passam pelas outras.

Uma coisa de que gostei muito foi o facto de que o corpo masculino e o corpo feminino fosse tratados com o mesmo respeito. Infelizmente ainda (espero que um dia deixe de ser assim) vivemos numa sociedade que exige um maior número de “partes a esconder” ao corpo feminino do que ao masculino. Não esquecendo que há culturas que escondem ainda mais partes do corpo da mulher. Felizmente Tunick não censura partes dos corpos segundo sexos (como muitos fotógrafos e artistas) e também não censura segundo cânones de beleza. Foi inspirador ver entre os participantes por exemplo mulheres que tinham passado por mastectomias e pessoas com todo o tipo de diferenças fisionómicas.

O resto do evento em termos práticos pode resumir-se em: passar duas horas ao frio, seguir indicações para ocupar os espaços e mudar de postura, esperar em poses estáticas e deslocar-se para as seguintes localizações. No final voltámos ao centro para nos vestirmos e recuperar as nossas coisas.

Para mim foi sem dúvida uma experiência com saldo positivo. Até a questão do frio acabou por trazer algo bom. Além de ter ganhado uma certa resistência ao frio, que durou ainda por uns dias, mais tarde comecei a estudar sobre a importância dos sistemas que possuímos para regular a nossa temperatura. Ser friorenta às vezes pode ser bastante limitador. Agora sei que ser menos friorenta depende muito de mim, não é algo imutável. Para tal tenho tentado adaptar-me ao frio sem recorrer tanto a peças de roupa nem a aquecedores. E a verdade é que está a resultar.  

E tu, terias participado num evento deste género? Porquê ou porque não?  A nudez trás-te desconforto? Como lidas com a nudez alheia? Como sempre gostava de saber o que pensas sobre tudo isto.  


 

Nude. What I learned from posing naked to Spencer Tunick’s lens (EN)

On the 28th of March, in one of the WhatsApp groups that I’m in, someone posted that the photographer Spencer Tunick – famous for its pictures of crowds of naked people – would be shooting in Valencia, in a couple days, and whomever would like to be part of it just had to sign up. If you know me, you also know that I’m not ruled by pudor. My first thought was “this might be a memorable experience” and after that I realised how cold it would be. I enrolled without further ado (this experience’s potential was bigger than the apprehension of freezing my butt off). Then I shared the news with some friends that promptly expressed their lack of courage to do such thing, and with my boyfriend that would make up his mind later. Minutes later I received an email confirming my participation as well as the time and place of the event. This last detail made me rethink about the weather.

At 5am, on the 30th of March (Saturday), there I was standing at this building’s door where the event would take place. There were many people, more than I was expecting, from all age ranges (from 18 to 80 years old), mostly between 25 and 45 years old. I could feel some nervousness in the air, many people came in groups, others were alone just like me.

Finally the cultural center’s doors were opened and two people showed up to give instructions to all participants. One of those instructions was to separate men and women into two different groups and each one should wait for further instructions in a central cloister. Woman stayed in the first cloister and men proceeded to the next one.

Already in the women’s cloister, I observed what was going on around me. Looking at the people I started to wonder what would be their motivation to be there. Perhaps they were very curious to experience such art installation, maybe they were willing to get out of their comfort zone, or to do something unusual and different from their weekend routines, maybe they felt the urge to know how does it feel to have nudity as a dress code or possibly they were just interested in testing themselves to know how comfortable they were in their own bodies. There could be thousands of reasons but the truth is that all the purposes I could think of were the ones that made me decide to do such thing.

You could feel the excitement in the air. The atmosphere was enthusiastic, with a great vibe, everybody seemed to be in a high spirit and ready to spend a cheerful and different morning. Meanwhile Jose (my boyfriend) arrived and we briefly greeted (reminding that men and women should be separated).

More than one hour later, we got the last instructions. This time to explain about the pictures, what poses were required and timing to leave the cloister. 15 minutes remained to the moment where we all needed to undress, leaving our clothes and personal belongings behind and leave the building to the middle of the street, completely naked and barefoot. The temperature remained low and the sun was now raising. Some people started jumping to warm up their bodies, others started to undress, maybe to get used to it. I kept chatting with other women.

When it came to the crunch, staff members from the organisation informed us that that was the moment to take off our clothes and proceed to the exit. Despite many people being already naked by this moment, and most of us got undressed in 30 seconds, it seemed like we all waited for someone to take the lead to leave the premises. The woman with whom I was chatting at that moment and myself looked at each other and without saying a single word (but already thinking “why not us?”) proceeded to the exit where staff members awaited to bring us to the first location for the photo session. A third woman joined us.

Suddenly, the three of us looked behind and realised that we were already in the middle of the street, spearheading hundreds of other naked women. I don’t know what they have felt, however I felt an enormous freedom; a beauty and even perfection revelation, reached by diversity; a connection feeling with all of those women, perhaps even with ALL women, I felt the empowerment that together we can achieve anything and really change the world.

Soon after (but what felt like an eternity due to the coolness) we arrived to the first location, facing the most iconic monument of the city – the Serranos Towers, the male participants reached us. It might sound strange, yet the arrival of hundreds of naked men (there were roughly a third more men than women) didn’t make the moment in a more sexual one, nor did it turn the nudity (self and others) more embarrassing. Obviously I can only speak for myself, but at that moment I observed all the other participants and didn’t see any increase of uneasiness (at least from the woman’s side).

In fact with the addition of men the previous sensations only increased. I felt that we really are all equal despite the small differences – the objective physical difference between a man and a woman can be less than between two people of the same sex. And I felt that somehow we are all connected and that together we can achieve great changes.

As human beings whose cultures require that we have certain body parts covered most of the time, we tend to forget how normal and vast is the variety of forms and shapes of those parts. The selected and edited forms to which we have access, in the mass media, make us forget this variety. Which sometimes leads us into perceiving our own bodies as ugly, imperfect, strange, etc., just because they are not similar to the bodies we are accustomed to see. Perhaps if our societies accepted and encouraged more nudity, it would be easier to accept our own as well as other people’s physical characteristics, without so much value judgments.

On the other hand I felt that nudity also brings us closer to our essence. We are constantly forgetting that we are just an animal species, a kind of primate, which has evolved, let us say, differently. Every day we see naked animals (what seems a caricature to us is seeing the other animals dressed) and that doesn’t seems strange to us, nor do we tend to stare at the “parts” equivalent to those that we as humans are constantly covering. This also happens after being surrounded by naked humans for a while, what was strange becomes normal, the eyes stop searching constantly for those “parts” and when we see them we just pass through them as naturally as with any other body parts.

One thing I liked very much was that the male body and the female body were treated with the same respect. Unfortunately, we still live in a society that demands a greater number of “hidden parts” from females than from the males. Not forgetting that there are cultures that hide even more parts of the woman’s body. Luckily Tunick does not censure parts of bodies by sex (like many photographers and artists do) and also does not censor according to beauty standards. It was inspiring to see for example, women who had undergone mastectomies and people with all kinds of physiognomic differences among the participants.

In practical terms, the rest of the event can be summarised as: two hours spent in the cold, following directions to change postures and positions, waiting in static poses and moving to the following locations. In the end we went back to the center to get dressed and get our things back.

For me it was undoubtedly an experience with a positive balance. Even the cold issue  ended up bringing something good. In addition to gaining some resistance to the cold, which lasted for a few days, I later on began to study the importance of the systems we have to regulate our temperature. Being too cold at times can be quite limiting. Now I know that being less sensitive to cold depends a lot on me, it’s not something immutable. For this I have tried to adapt to the cold without resorting to clothes or heaters. And the truth is that it is working.

And you, would you have participated in such an event? Why would you or why not? Does nudity bring you discomfort? How do you deal with the nakedness of others? As always I would like to know what do you think about all this.


 

Desnuda. Lo que aprendí con la experiencia de posar sin ropa para Spencer Tunick (ES)

El 28 de marzo, en uno de los grupos de WhatsApp en que estoy, alguien publicó la noticia de que el fotógrafo Spencer Tunick, famoso por las fotos de multitudes desnudas, iba a estar en Valencia, para hacer una de sus sesiones, dentro de dos días, y que quien quisiera participar sólo tenía que inscribirse. Quien me conoce sabe que el pudor no es característica que me defina. La primera cosa que pensé fue “esto tiene que ser una experiencia memorable” y luego pensé “hace frío”. Sin pensar mucho más (el potencial de la experiencia se superponía al miedo de congelar), me inscribí. Después compartí la noticia con algunos amigos, que dijeron pronto que no tenían el coraje de hacerlo, y con mi novio, que respondió que iba a reflexionar sobre el tema y más tarde decidiera. Unos minutos después recibí un email con la confirmación de que estaba efectivamente inscrita, la información del lugar donde tendría que ir ese día y la hora del inicio del evento. Este último detalle volvió a hacerme pensar en la cuestión del frío.

Día 30 (un sábado) a las 5 de la mañana me encontraba a la puerta del edificio donde todo empezaba. Había muchas personas, más de las que esperaba encontrar, de casi todas las edades (de los 18 a los 80 más o menos) pero diría que la mayoría tenía entre 25 y 45 años. Había algún nerviosismo en el aire, muchas personas habían venido en grupo, otras estaban solas como yo. Hasta media hora después, no estaba segura si mi novio vendría.

Finalmente abrieron la puerta del centro cultural y aparecieron dos personas que comenzaron a dar instrucciones a los participantes. Una de esas instrucciones era que hombres y mujeres se separarían en dos grupos distintos y que cada grupo debía esperar más instrucciones en uno de los claustros del centro. Las mujeres se quedaban en el primer claustro, los hombres seguían camino hasta el siguiente.

Ya dentro del centro observé lo que pasaba a mi alrededor. Miré a las otras personas e intenté imaginar lo que las motivaba a estar allí. ¿Quizás tenían mucha curiosidad en experimentar una instalación artística de aquella envergadura, tendrían ganas de salir de su zona de confort, o de hacer algo muy diferente de sus rutinas habituales de fin de semana, a lo mejor sentían la necesidad de saber lo que se siente cuando la desnudez es el dress code, o querían saber lo cuanto cómodas estaban con sus propios cuerpos. Podrían haber mil y una razones pero en verdad todas las que me ocurrían eran algunos de los motivos por los que yo había decidido ir hasta allí.

Podía sentir la expectativa en el aire. El ambiente estaba animado y había una buena energía general, tod@s parecían estar list@s para pasar una mañana diferente y divertida. Mientras esperaba encontré a José (mi novio) y dijimos “hasta ahora” (recuerdo que hombres y mujeres debían estar separados).

Después de más de una hora de la apertura de puertas vinieron a darnos las últimas instrucciones. Esta vez era para explicar cómo se procesaría el momento de las fotos, qué posturas tendríamos que adoptar y a qué hora tendríamos que salir del centro. Faltaban cerca de 15 minutos para el momento en que tendríamos que desnudarnos, dejando toda nuestra ropa y objetos personales en el suelo de aquel claustro y salir para la calle completamente desnud@s y descalz@s. Las temperaturas se mantenían bajas y el sol todavía estaba empezando a nacer. Algunas personas empezaron a saltar y a hacer movimientos para calentar el cuerpo, otras comenzaron a desnudarse, quizás para acostumbrarse. Me entretuve conversando con otras mujeres.

Cuando llegó la hora H,  miembros de la organización avisaron que había llegado el momento de quitarse la ropa y dirigirse hacia la salida. A pesar de que ya estaba mucha gente desnuda, y de que casi todas se desnudaron en menos de 30 segundos, parecía que esperábamos que alguien tomara la iniciativa de avanzar hacia la salida. Yo y la mujer con la que hablaba en aquel momento miramos la una a la otra y sin palabras (pero como quien dice “por qué no nosotras?”) Nos dirigimos hacia la puerta donde ya esperaban miembros de la organización para guiarnos hasta la ubicación de la primera sesión de fotos. A medio camino se juntó a nosotras otra mujer y las tres seguimos camino mientras hablábamos.

De repente las tres miramos hacia atrás y percibimos que estábamos en medio de la calle y encabezamos un grupo de cientos de mujeres desnudas. No sé lo que han sentido ellas, pero yo tuve una enorme sensación de libertad; una revelación de belleza e incluso de perfección, alcanzada a través de la diversidad; un sentimiento de conexión con todas aquellas mujeres, tal vez hasta con todas LAS Mujeres, sentí la fuerza de la sororidad, que juntas podemos llegar a cualquier lado y realmente cambiar el mundo.

Llegamos a la primera ubicación, justo frente al monumento más icónico de la ciudad – las Torres de Serranos, y poco después (lo que parecía haber sido una eternidad a causa del frío) llegaron los participantes del género masculino. Por extraño que parezca, la llegada de cientos de hombres desnudos (había cerca de un tercio más de hombres que de mujeres) no transformó el momento en algo más sexual, ni siquiera la desnudez (propia y de los demás) más embarazosa. Es claro que sólo puedo hablar desde mi perspectiva, pero en el momento he observado a los participantes y no me pareció que las señales de incomodidad hubieran aumentado (al menos por parte de las mujeres).

En realidad con la adición de los hombres las sensaciones anteriores sólo aumentaron. Sentí que realmente somos todos igual a pesar de las pequeñas diferencias – la objetiva diferencia física entre un hombre y una mujer puede llegar a ser menor que entre dos personas del mismo sexo. Y sentí que de alguna forma todos estamos conectados y que juntos podemos lograr grandes cambios.

Como seres humanos cuyas culturas exigen que tengamos partes del cuerpo cubiertas la mayor parte del tiempo, tendemos a olvidarnos de lo normal y amplia es la variedad de formas y hechuras de esas partes. Las formas seleccionadas y editadas a las que tenemos acceso, en los medios de comunicación masiva, nos hacen olvidar esa variedad. Lo que a veces nos hace ver nuestros propios cuerpos como feos, imperfectos, extraños, etc., sólo porque no son parecidos a los que estamos acostumbrad@s a ver. Tal vez si nuestras sociedades aceptaran y alentar más la desnudez, tendríamos más facilidad en aceptar nuestras características físicas y también las de las otras personas, sin tantos juicios de valor.

Por otro lado sentí que la desnudez también nos acerca a nuestra esencia. Olvidamos constantemente que somos sólo animales, una especie de primates, que han tenido una evolución, digamos, diferente. Todos los días vemos animales desnudos (lo que nos parece caricato es que los demás animales estén vestidos) y no nos parece raro, ni tenemos tendencia a mirar a las “partes” equivalentes a las que como humanos llevamos constantemente tapadas. Esto también ocurre después de estarmos rodeados por humanos desnudos durante algún tiempo, lo que era extraño pasa a ser normal, los ojos dejan de buscar constantemente aquellas “partes” y cuando las ven pasan por ellas con la misma naturalidad con que pasan por las otras.

Una cosa que me gustó mucho fue el hecho de que el cuerpo masculino y el cuerpo femenino fueran tratados con el mismo respeto. Lamentablemente todavía (espero que un día deje de ser así) vivimos en una sociedad que exige un mayor número de “partes que esconder” al cuerpo femenino que al masculino. No olvidando que hay culturas que ocultan aún más partes del cuerpo de la mujer. Afortunadamente Tunick no censura partes de los cuerpos según sexos (como muchos fotógrafos y artistas) y tampoco censura según cánones de belleza. Fue inspirador ver entre los participantes por ejemplo mujeres que habían pasado por mastectomías y personas con todo tipo de diferencias fisionómicas.

El resto del evento en términos prácticos puede resumirse en: pasar dos horas al frío, seguir indicaciones para ocupar los espacios y cambiar de postura, esperar en poses estáticas y desplazarse a las siguientes ubicaciones. Al final volvimos al centro para vestirnos y recuperar nuestras cosas.

Para mí fue sin duda una experiencia con saldo positivo. Hasta la cuestión del frío acabó por traer algo bueno. Además de haber ganado cierta resistencia al frío, que duró todavía unos días, más tarde empecé a estudiar sobre la importancia de los sistemas que poseemos para regular nuestra temperatura. Ser friolera puede ser bastante limitador a veces. Ahora sé que ser menos friolera depende mucho de mí, no es algo inmutable. Para ello estoy intentando adaptarme al frío sin recurrir tanto a prendas de ropa ni a calentadores. Y la verdad es que está resultando.

Y tú, habrías participado en un evento de este género? ¿Por qué o por qué no? ¿La desnudez te trae incomodidad? ¿Cómo leídas con la desnudez ajena? Como siempre me gustaba saber lo que piensas de todo esto.

What happened when I stopped wearing a bra

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

O que aconteceu quando deixei de usar sutiã (PT)

Quando era miúda, ainda nem me tinham começado a crescer as maminhas e já dizia à minha mãe que queria usar sutiã. Lembro-me perfeitamente do primeiro conjuntinho de roupa interior, com cuequinha e top, que a minha mãe me comprou. Nesse dia fiz questão de posar para uma sessão de fotos caseira, vestida com esse conjunto e usando as minhas sandálias de salto alto (que tinham apenas três centímetros). Essas fotos vivem nalgum dos álbuns de família.

Comecei então a usar sutiã (ou algo parecido) quando ainda nem tinha mamas para ‘suster’. A pouco e pouco o seu uso começou a ser cada vez mais frequente – à medida que as minhas mamas também cresciam – até que passou a ser constante. Sair à rua sem sutiã passou a ser tão impensável como sair de casa sem cuecas. Sem sutiã sentia-me nua e desprotegida. Além disso durante muito tempo usei sutiãs que davam aos meus seios o aspecto que eu achava que eles deviam ter. O tamanho (maiores), forma (mais redondos) e localização (mais para cima) que eu achava que me fazia parecer mais desejável. Os sutiãs que usava davam volume através de esponjas e enchimentos, que apertavam os peitos em direcção ao centro e os puxavam para cima através de caixas com aros e muitos apertos.

Por outro lado, com o passar do tempo, o uso do sutiã começou a trazer cada vez mais desconforto. Ao ponto de ser a primeira coisa que tirava quando chegava a casa (muitas vezes até antes de descalçar os sapatos). A pouco e pouco deixei de usar sutiãs com “enchimento” e depois deixei de usar sutiãs com caixa. Durante uns anos usei sutiãs que se pareciam um pouco aos primeiros tops que a minha mãe me comprou quando era miúda, só que com tecidos e formas mais sexys e muito menos infantis. Ainda assim esses tecidos não eram a coisa mais confortável para mim, e os elásticos ainda apertavam.

Há um par de anos comecei a deixar de vestir o sutiã para ir à rua quando saía para fazer algo rápido, como deitar o lixo no contentor ou ir comprar algo à mercearia ao final da minha rua. Ao princípio sentia a tal sensação de nudez, de que estava a fazer algo errado ou até um pouco vergonhoso. Depois percebi que aquela sensação não era mais que isso, uma simples sensação, sem razão real. Essa sensação foi-se desvanecendo, e comecei a transgredir a norma cada vez mais vezes. Transgredir era exactamente o que comecei a sentir que fazia, cada vez que saía de casa sem o sutiã. Também essa sensação se foi desvanecendo, até que um dia percebi que não fazia sentido vestir algo que fisicamente me causava tanto desconforto.

Decidi deixar de usar sutiã no final do Inverno há dois anos atrás. Depois de um par de meses, livre de apertos, mas com várias camadas de roupa que ajudavam a que não se notasse tanto a falta dessa peça de roupa, veio o tempo dos tops, vestidos e t-shirts. Veio o tempo de assumir realmente a minha decisão. Agora era bastante evidente que não usava sutiã. O relevo dos meus mamilos era perceptível às vezes, a localização real dos meus seios também (uns bons três ou quatro centímetros mais abaixo da sua versão ‘sustentada’). O que a princípio causou algum constrangimento tornou-se verdadeiramente libertador. Além disso comecei a usar algumas peças de roupa que até então não usava porque não me agradava a forma como o sutiã ficava visível.

Antes de ter deixado de usar sutiã já era frequente fazer “top-less” na praia, depois deixou de me fazer qualquer sentido usar a parte superior do bikini. Só havia uma ocasião na qual ainda usava sutiã: para correr e fazer exercício. Ainda acreditava no mito que o peito podia sofrer algum tipo de lesão causada pelo seu livre movimento durante saltos e movimentos mais bruscos. Cerca de um ano depois de ter deixado de usar sutiã no dia-a-dia decidi sair para correr sem o sutiã desportivo porque não tinha nenhum lavado. Tal foi a minha surpresa quando, ao correr, o movimento não me causou nenhum tipo de dor nem desconforto. Quando há uns anos atrás até com o sutiã me doía o peito ao correr ou saltar!

Desde então sou 100% “bra free”. Desde então as minhas mamas estão mais firmes (apesar de já ter passado dos 30) e nunca mais ficaram doloridas depois de uma corrida. “Bra free” é como o movimento “barefoot” mas para as mamas, é mais um tipo de minimalismo, trata-se se eliminar algo que, no meu caso pelo menos, não trazia nenhum benefício mais além da prescrição social.

Alguns estudos apontam para a relação entre o uso de sutiãs e o cancro de mama, e já são muitas as plataformas que preconizam que deixar o sutiã não só traz conforto mas também pode ajudar a acabar com alguns tipos de dores de cabeça e de costas, melhorar a respiração e aumentar a auto-estima, entre outros benefícios. Eu tenho o peito pequeno, bem sei, mas não pensem que só as pessoas com o peito pequeno podem ser “bra free”. Na verdade há pela internet fora vários relatos, de mulheres com mamas de todos os tamanhos, que contam como o abandono dos sutiãs melhorou a sua qualidade de vida.

Afinal para que servem os sutiãs? Sutiã, vem do francês “soutien” que significa apoio ou suporte. Em português, apesar de não muito usado, outro nome para esta peça de roupa interior é “porta-seios” e a sua definição no dicionário é: Peça de vestuário feminino destinado a acomodar, acondicionar ou apoiar os seios”. Mas na realidade parece haver alguns indícios de que os seios afinal não beneficiam do suporte artificial.

Usamos sutiã porque aprendemos que é uma peça de roupa indispensável e normalmente não questionamos a sua real necessidade. Usamo-lo porque, na nossa sociedade, há uma dessas regras não escritas que diz que os mamilos femininos são ofensivos ou libidinosos e por isso merecedores de censura, ao passo que os mamilos masculinos não. A sociedade também dita que as mamas se querem bem puxadas para cima (para agradar à vista) mas sem que se movam demasiado (para não chamar demasiado a atenção para si mesmas?!).

Há mulheres que gostam de usar sutiã ou não se sentem cómodas sem ele. O propósito do movimento “Bra free” (e deste artigo) não é fazer com que todas as mulheres deixem de usar sutiã, nem muito menos criticar as que não abdicam desta peça de roupa, mas sim defender a liberdade de escolha para usar ou não sutiã, sem ter a preocupação da aceitação social, nem a pressão de mitos sem fundamento.

Estudos sobre o uso de sutiã e a sua relação com o cancro

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Alguns relatos de mulheres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

Indícios de que os seios não precisam de suporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

My chest was still completely flat when I started asking my mother if I could get a bra.  I remember perfectly the first set of underwear with panties and top that she bought me. On that same day I posed for a homemade photo shoot, wearing that set and my high-heeled sandals (which were actually only three centimetres high). These photos live somewhere in one of the many family photo albums.

So I started wearing a bra (or something alike) when I did not even had breasts to be ‘hold’. Little by little the use of this piece of clothing became more frequent – as my breasts also grew – until it became constant. Getting out to the street without a bra became as unthinkable as going outside without panties. Without bra I felt naked and unprotected. Also for a long time I wore bras that gave my breasts the looks I thought they should have. The size (larger), shape (more rounded) and location (higher up) that I thought made me look more desirable. The bras I wore created volume through sponges and fillers, tightened my breasts toward the center and pulled them up through wires and grips.

On the other hand, as time passed by, the use of the bra began to bring more and more discomfort. To the point of being the first thing I took off when I got home (often even before taking my shoes off). I then avoided wearing “filled” bras and afterwards stopped using underwired bras. For some years I wore bras that looked more like the first tops my mother bought me when I was a small girl, but with sexier fabrics and shapes. Yet these fabrics were not the most comfortable thing for me as the elastic bands were tightened .

A couple years ago I slowly stopped wearing bra when going out to do something fast, such as taking out  the trash or running some errands at the end of my street. At first I felt a sense of nakedness and that I was doing something wrong or even a little bit shameful. Then I realised that the sensation was just that, a simple sensation, with no real reason. That feeling faded, and I began transgressing more and more often. Transgressing was exactly what I felt I was doing every time I left home without my bra. That feeling also faded away, until one day I realised that it no longer made sense to wear something which physically caused me so much discomfort.

I decided to stop wearing bra two years ago, by the end of the winter. After a couple of months of freedom, but with several layers of clothing that helped concealing the lack of that piece of clothing, there came the tops, dresses and t-shirts season. The time to really put up with my decision had come. Now it was pretty obvious that I was not wearing a bra. The shape of my nipples was noticeable at times, the actual location of my breasts too (a good eight or nine inches lower than their ‘sustained’ version). What initially caused some embarrassment became truly liberating. Plus I started wearing some clothes that I had not used before because I did not like the way the bra was visible when I wore them.

Even before I stopped wearing bras I would go top-less on the beach, but now it was just nonsense to wear a full bikini. There was only one occasion when I still wore a bra: for running and exercising. I still believed in the myth that the breasts could suffer some kind of injury caused by its free movement during jumps and more abrupt movements. One day, about a year after I had stopped wearing a bra on a daily basis, I decided to go jogging without a sports bra. And I was really surprised that when running, the movement did not cause me any kind of pain or discomfort. Only the year before I would get my breasts sore when running or jumping!

Since then I am 100% “bra free”. Since then, my breasts are firmer (though I’m past 30) and never got sore again after a jog. “Bra free” is like the “barefoot movement” but for the breasts, it is one more type of minimalism, it is about eliminating something that, in my case at least, did not bring any benefit beyond the social prescription.

Some studies point to the correlation between the use of bras and breast cancer, and there are already many platforms that advocate that ditching the bra brings not only comfort but can also help to fix some types of headaches and backaches, improve breathing and increases self-esteem, among other benefits. I know I have a small pair of daisies, but do not think that only people with small boobs can be “bra free”. In fact there are a few online personal testimonies of women, with all breasts sizes, who explain how ditching the bra improved their lives.

So, what are bras for? “Bra” is short for “brassiere” that comes from the French word “brassière” – shoulder strap (17c.) – and/or from the Old French braciere – arm guard (14c.). Its definition in the dictionary is: “a piece of women’s underwear that supports the breasts.” Well, in reality there seems to be some evidence that the breasts ultimately do not benefit from artificial support.

We wear bras because we learn that it is an indispensable garment and we do not normally question its real need. We use it because in our society there is one of these unwritten rules that says that female nipples are offensive or libidinous, and therefore worthy of censorship, while male nipples are not. Society also states that breasts should be pulled up (to please the eye) but should not move too much (as so not to draw too much attention to themselves?!).

There are women who like to wear a bra or do not feel comfortable without it. The purpose of the “Bra free” movement (and this article) is not to make all women stop wearing bras, let alone criticise those who do not give up this garment. But to defend the freedom of choice of either wearing or not wearing bra, without the concern of social acceptance nor the pressure of unsubstantiated health myths.

Studies on the use of bra and its relation with cancer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

 “Bra Free” platforms

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Bra Free women testimonies

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Evidence that breasts do not need support

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

Aún no me habían empezado a crecer las tetitas cuando empecé a decir a mi madre que quería usar sujetador. Recuerdo el primer conjunto de ropa interior con braguitas y top que mi madre me compró. En ese día quise hacer una sesión de fotos casera, vestida con ese conjunto y usando mis sandalias de tacón alto (que tenían sólo tres centímetros). Esas fotos viven en alguno de los muchos álbumes de familia.

Empecé entonces a usar sujetador (o algo parecido) cuando aún no tenía tetas para ‘sostener’. A poco y poco su uso empezó a ser cada vez más frecuente – a medida que mis pechos también crecían – hasta que pasó a ser constante. Salir a la calle sin sujetador pasó a ser tan impensable como salir de casa sin bragas. Sin sujetador me sentía desnuda y desprotegida. Además, durante mucho tiempo usé sujetadores que daban a mis senos el aspecto que creía que debían tener. El tamaño (más grande), la forma (más redondos) y la ubicación (más arriba) que creía que me hacía parecer más deseable. Los sujetadores que usaba daban volumen a través de esponjas y rellenos, apretaban los pechos hacia el centro y los empujaban hacia arriba a través de cajas con aros y muchos aprietos.

Por otro lado, con el paso del tiempo el uso del sujetador comenzó a traer cada vez más incomodidad. Al punto de ser la primera cosa que me quitaba al llegar a casa (muchas veces hasta antes de quitarme los zapatos). A poco y poco dejé de usar sujetadores con “relleno” y luego dejé de usar sujetadores con caja. Durante unos años usé sujetadores que se parecían a los primeros tops que mi madre me compró cuando era niña, pero con tejidos y formas más sexys y mucho menos infantiles. Sin embargo, esos tejidos no eran la cosa más cómoda para mí, y las gomas todavía aprietaban.

Hace un par de años empecé a dejar de poner el sujetador cuando salía para hacer algo rápido, como tirar la basura o ir a comprar algo a la frutería al final de mi calle. Al principio sentía esa sensación de desnudez, de que estaba haciendo algo malo o vergonzoso. Después percibí que aquella sensación no era más que eso, una simple sensación, sin razón real. Esta sensación se desvaneció, y empecé a transgredir la norma cada vez más veces. Transgredir fue lo que pasé a sentir que hacía, cada vez que salía sin el sujetador. También esa sensación se fue desvaneciendo, hasta que un día percibí que no tenía sentido vestir algo que físicamente me causaba tanto incomodidad.

Decidí dejar de usar sujetador al final del Invierno, hace dos años. Después de un par de meses, libre de apretones, pero con varias capas de ropa que ayudaban a que no se notara tanto la falta de esa prenda, vino el tiempo de los tops, de los vestidos y las camisetas. Vino el tiempo de asumir realmente mi decisión. Ahora era bastante evidente que no usaba sujetador. El relieve de mis pezones era perceptible a veces, la ubicación real de mis senos también (unos buenos tres o cuatro centímetros más abajo de su versión “sujetada”). Lo que al principio causó cierta vergüenza se volvió verdaderamente liberador. Además, empecé a usar algunas prendas que hasta entonces no usaba porque no me gustaba la forma cómo el sujetador quedaba visible.

Antes de dejar de usar sujetador ya era frecuente hacer “top-less” en la playa, pero después dejó de hacer cualquier sentido usar la parte superior del bikini. Sólo había una ocasión en la que todavía usaba sujetador: para correr y hacer ejercicio. Todavía creía en el mito que el pecho podía sufrir algún tipo de lesión causada por su libre movimiento durante saltos y movimientos más bruscos. Um dia, al cabo de un año después de haber dejado de usar sujetador en el día a día, decidí salir para correr sin el sujetador deportivo. Tal fue mi sorpresa cuando al correr el movimiento no me causó ningún tipo de dolor ni molestia. ¡Cuando un año antes hasta con el sujetador me dolía el pecho al correr o saltar!

Desde entonces soy 100% “bra free”. Desde entonces mis tetas están más firmes (a pesar de ya haber pasado de los 30) y nunca más quedaron doloridas después de una carrera. “Bra free” es como el movimiento “barefoot” pero para las tetas, es más un tipo de minimalismo, se trata de eliminar algo que, en mi caso por lo menos, no traía ningún beneficio más allá de la prescripción social.

Algunos estudios apuntan a la relación entre el uso de sujetadores y el cáncer de mama, y ​​ya son muchas las plataformas que preconizan que dejar el sujetador trae no sólo comodidad pero también puede ayudar a acabar con algunos tipos de dolores de cabeza y de espalda, mejorar la respiración y aumentar la autoestima, entre otros beneficios. Yo tengo el pecho pequeño, bien sé, pero no piensen que sólo las personas con el pecho pequeño pueden ser “bra free”. En realidad hay por internet fuera varios relatos, de mujeres con tetas de todos los tamaños, que cuentan cómo el abandono de los sujetadores mejoró su calidad de vida.

Al final, para qué sirven los sujetadores? “Sujetador” es algo que sujeta. Otro nombre para esta prenda de ropa interior es “sostén” o sea “cosa que sostiene”… Pero en realidad parecen haber algunos indicios de que los senos al final no se benefician del soporte artificial.

Usamos sujetador porque aprendemos que es una pieza de ropa indispensable y normalmente no cuestionamos su real necesidad. Lo usamos porque en nuestra sociedad hay una de esas reglas no escritas que dice que los pezones femeninos son ofensivos o libidinosos, y por eso merecedores de censura, mientras que los pezones masculinos no. La sociedad también dice que las tetas se quieren bien tiradas hacia arriba (para agradar a la vista) pero también de manera que no se muevan demasiado (para no llamar demasiado la atención hacia sí mismas ?!).

A algunas mujeres les gusta usar sujetador o no se sienten cómodas sin él. El propósito del movimiento “Bra free” (y de este artículo) no es hacer que todas las mujeres dejen de usar sujetador, ni mucho menos criticar a las que no abdican de esta prenda. Sino defender la libertad de elección para usar o no el sujetador, sin tener la preocupación de la aceptación social ni la presión de mitos sin fundamento.

Estudios sobre el uso de sujetador y su relación con el cáncer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

 Algunos relatos de mujeres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Indicios de que los senos no necesitan soporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/

Turning bad into something good

Transformar o mau em algo bom (PT)

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Turning bad into something good (EN)

Today I write this words in hopes of helping those who are going or went through some life challenges similar to mine. To inspire them and to give them power to turn their lives upside down if that’s what they need to be happier.

2011.

The worst year of my life. If you have been reading some of our previous articles you know by now how Nico and I lost our mom.  You might know as well how close we were to her, in different ways, and how we kind of depended on her emotionally. Whoever has a deep relationship with their mother know that, despite the cut of the umbilical cord, we remain forever emotionally connected to them. So connected that many of their traumas can be passed onto us. Maybe they can even be the ones causing us traumas (without intending it, of course). In my reality, my mom had her flaws that could get in my nerves, but mostly she was to me the best mother she could be.

Her death was a mix of emotions. Sadness for losing someone that was still quite young that didn’t seem to get to enjoy her life to the fullest. Gratefulness for being able to have her in my life for 23 years. Relief for her not to be in pain anymore. Happiness for being able to move on with my life again after that terrifying year. What seemed to me the end of the world at some point in my life was the push that I needed to venture and do something I considered brave – move abroad. Today I recognize that running away to live in another country was not the bravest thing, in fact the brave action would have been staying there and face the tough life without my mother. It was more convenient to take the easy way out and pretend that my mom never died, never got sick, never existed. Starting a life in another country meant no one knew me, no one knew my story, no one knew to what family I belonged or what tragedy I had witnessed. Pretending that my mom never existed was just a way of protecting myself from sadness and a feeling of powerlessness.  It didn’t really work though. She would visit me in my dreams very often. Or should I say nightmares? I would wake up totally confused and not knowing if she was alive of dead anymore.

With her living us, physically, I felt like it left an emptiness in my heart too. I know this can sound very dramatic but I have no other way of describing it. It was like something was missing.

2016.

When I quit being a victim of that sad story I finally moved on. Of course that story will always be mine but I started to look at it with another eyes. If my mother had never died, I would certainly not be the person I turned into. I would perhaps not have lived abroad for such long periods of time, or felt the need to know who I was and what my mission in this world is, or never felt the need to turn to spirituality and try to understand what life is all about.

I realized that I was the story that I chose to tell. Instead of looking at this story from a victim perspective that felt pity for herself, I chose to rewrite the story of a fortunate person who was freed in order to be a better self and mature. This freedom is more related to not depending on anyone emotionally anymore. Which story is the right one? I don’t know. I only know that I am still here living and my mother is not. I decided to be the happiest I can be for me and for her, because after all, isn’t that what parents want for their kids?

If my mother had not died back in 2011, I don’t know who I would be today. Maybe it would have taken me much longer to experience everything I got to live till this day.

2019.

My heart will never be the same after that feeling of emptiness (that I was describing above). So I felt the urge of finding out how I could fill it in with something else. I learned that it won’t be filled in with someone else’s love. People come and go from our lives, nothing is eternal. Which means that if I replaced that emptiness with someone else’s love, it would most certainly get empty again. Instead I found out that doing what I love and what I think is my life purpose – being good to myself and to others, help others, make their day a better day – fills in this space more and more everyday.

Have you ever turned something bad in your life into something good? Have you ever thought about it? Can you rewrite your story in order to be happier?

Transformar o mau em algo bom (PT)

Escrevo hoje estas palavras na esperança de ajudar aquel@s que estão a passar ou já passaram por algumas desafios nas suas vidas, similares aos meus. Para @s inspirar e dar-lhes força para que virem a sua vida ao contrário se é isso que precisam para serem felizes.

2011.

O pior ano da minha vida. Se já leste alguns dos nossos artigos, saberás como a Nico e eu perdemos a nossa mãe. Talvez saibas também o quão próximas éramos dela, de formas diferentes, e o quanto dependiamos dela a nível emocional. Aquel@s que têm uma relação próxima com as suas mães sabem que, apesar do corte no cordão umbilical, permanecemos para sempre emocionalmente ligad@s a elas. Tão ligad@s que muitos dos seus traumas podem ser passados para nós. Até podem ser elas a causa de alguns dos nossos traumas (sem intenção, claro). Na minha realidade a minha mãe tinha os seus defeitos, que me tiravam do sério, mas apesar disso era a melhor mãe que eu podia ter tido.

A morte dela foi um misto de emoções. Tristeza por ter perdido alguém que tinha muita vivacidade (antes de ficar doente) e parecia não ter aproveitado a vida ao máximo. Gratidão por ter a oportunidade de a ter na minha vida por 23 anos. Alívio por a sua dor ter chegado ao fim. Felicidade por poder andar para a frente com a minha vida depois daquele ano aterrador.

O que parecia para mim o fim do mundo naquele ponto da minha vida, foi o empurrão que eu precisava para me aventurar e fazer algo que eu considerava corajoso – ir morar para fora. Hoje eu reconheço que fugir e ir viver para outro país não foi a coisa mais corajosa que fiz, de facto o acto de valentia teria sido ficar e encarar a vida difícil sem a minha mãe. Foi mais conveniente escolher o caminho fácil e fazer de conta que a minha mãe não tinha morrido, não tinha ficado doente, não tinha existido. Começar uma vida noutro país significava que ninguém me conhecia, ninguém conhecia a minha história, ninguém sabia a que família eu pertencia ou que tragédia eu tinha testemunhado. Fazer de conta que a minha mãe não tinha existido era uma forma de me proteger da tristeza e do sentimento de impotência. Mas isso não resultou completamente. Ela visitava-me nos meus sonhos com frequência. Ou devo dizer pesadelos? Eu acordava completamente baralhada sem saber se ela estava viva ou morta.

A sua partida do plano material deixou um lugar vazio no meu coração. Sei que isto pode soar muito dramático mas não tenho outra forma de o descrever. É como se a partir dali algo me ficou a faltar.

2016.

Finalmente parei de ser a vítima dessa história e deixei-a para trás. Claro que essa será sempre a minha história mas comecei a olhar para ela com outros olhos. Se a minha mãe não tivesse morrido, eu certamente não seria a pessoa que sou hoje. Talvez não tivesse vivido fora por longos períodos de tempo, ou sentisse a necessidade de ir em busca de saber quem sou e qual é a minha missão no mundo, ou não tivesse a necessidade de recorrer à espiritualidade e tentar perceber o que andamos “cá” a fazer.

Descobri que eu era a história que escolhi contar. Em vez de olhar para ela do ponto de vista de vítima que sentia pena de si própria, escolhi reescrever a história de uma pessoa sortuda que ficou livre para ser uma pessoa melhor e amadurecer. Esta liberdade tem mais a ver com não depender de ninguém a nível emocional. Qual é a verdadeira história? Não sei. O que sei é que eu continuo cá a viver e a minha mãe não. Decidi ser o mais feliz possível, por mim e por ela, e no final das contas não é isso que os pais querem para os seus filhos?

Se a minha mãe não tivesse morrido em 2011, não sei quem eu seria hoje. Talvez eu tivesse levado muito mais tempo a experienciar tudo o que vivi até ao dia de hoje.

2019.

O meu coração nunca será o mesmo depois daquela sensação de vazio. Por isso senti a necessidade de procurar uma forma de preencher esse vazio. Aprendi que não será preenchido com o amor de outra pessoa. As pessoas vêm e vão das nossas vidas, nada é eterno. O que significa que se eu preenchesse esse vazio com o amor de outra pessoa, o mais provável era ficar vazio mais tarde, outra vez. Em vez disso, descobri que se eu fizer aquilo que me dá prazer e que acho que é o meu propósito de vida – fazer o bem para mim e para as outras pessoas, ajudá-las e fazer do dia delas um dia melhor – aquele vazio se preenche mais e mais a cada dia.

Já alguma vez transformaste algo mau em algo bom na tua vida? Já alguma vez pensaste em fazê-lo? Consegues re-escrever a tua história para seres mais feliz?

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Escribo hoy estas palabras con la esperanza de ayudar a aquell@s que están pasando o ya han pasado algunos desafíos en sus vidas, similares a los míos. Para inspirarl@s y darles fuerza para que vuelvan sus vidas al revés si eso es lo que necesitan para ser felices.

2011.

El peor año de mi vida. Si ya leíste algunos de nuestros artículos, sabrás cómo Nico y yo perdimos a nuestra madre. Quizás sepas también lo cuán cercanas éramos de ella, cada una a su manera, y lo cuán dependientes de ella a nivel emocional éramos. Aquell@ s que tienen una relación cercana con sus madres saben que, a pesar del corte del cordón umbilical, permanecemos para siempre emocionalmente conectad@s a ellas. De esa manera muchos de sus traumas pueden ser pasados ​​a nosotr@s. Hasta pueden ser ellas la causa de algunos de nuestros traumas (sin intención, claro). En mi realidad mi madre tenía sus defectos, que  a veces me volvían loca, pero a pesar de ello fue la mejor madre que yo podía haber tenido.

Su muerte fue una mezcla de emociones. Tristeza por haber perdido a alguien que tenía mucha vivacidad (antes de enfermarse) y parecía no haber aprovechado la vida al máximo. Gratitud por tener la oportunidad de tenerla en mi vida por 23 años. Alivio por su dolor haber terminado. Felicidad por poder caminar adelante con mi vida después de aquel año aterrador.

Lo que parecía para mí el fin del mundo en aquel punto de mi vida, fue el empujón que necesitaba para aventurarme y hacer algo que yo consideraba valiente – ir a vivir fuera del país. Hoy reconozco que huir e ir a vivir a otro país no fue lo más valiente que hice, de hecho el acto de valentía habría sido quedarme y afrontar la vida difícil sin mi madre. Fue más conveniente elegir el camino fácil y hacer de cuenta que mi madre no había muerto, no había enfermado, no había existido. Comenzar una vida en otro país significaba que nadie me conocía, nadie conocía mi historia, nadie sabía a qué familia pertenecía o que tragedia había testificado. Hacer de cuenta que mi madre no había existido era una forma de protegerme de la tristeza y del sentimiento de impotencia. Pero eso no resultó completamente. Ella me visitaba en mis sueños con frecuencia. ¿O debo decir pesadillas? Yo despertaba completamente confundida sin saber si mi madre estaba viva o muerta. Cuando su cuerpo dejó este plano quedó también un lugar vacío en mi corazón. Sé que esto puede sonar muy dramático pero no tengo otra forma de describirlo. Es como si a partir de aquel momento alguna parte de mí se haya perdido.

2016.

Finalmente dejé de ser la víctima de esa historia y la dejé atrás. Claro que esa será siempre mi historia, pero empecé a mirarla con otros ojos. Si mi madre no hubiera muerto, ciertamente no sería la persona que soy hoy. Quizás no hubiera vivido fuera por largos períodos de tiempo, ni sintiera la necesidad de saber quién soy y cuál es mi misión en el mundo, o no tuviera la necesidad de recurrir a la espiritualidad e intentar percibir qual és el significado de todo esto.

Descubrí que yo era la historia que escogiera contar. En vez de mirarla desde el punto de vista de la víctima que sentía pena de sí misma, elegí reescribir la historia de una persona afortunada que se vió libre para ser una persona mejor y más madura. Esta libertad tiene más que ver con no depender de nadie a nivel emocional. ¿Cuál es la verdadera historia? No lo sé. Lo que sé es que sigo viviendo y mi madre no. Decidí ser lo más feliz posible, por mí y por ella, y al final de cuentas no es eso lo que los padres quieren para sus hijos?

Si mi madre no hubiera muerto en 2011, no sé quién sería hoy. Quizás me hubiera llevado mucho más tiempo para experimentar todo lo que he vivido hasta el día de hoy.

2019.

Mi corazón nunca será el mismo después de aquella sensación de vacío. Por eso sentí la necesidad de buscar una forma de llenar ese vacío. Aprendí que no será llenado con el amor de otra persona. La gente viene y va de nuestras vidas, nada es eterno. Lo que significa que si llenara ese vacío con el amor de otra persona, lo más probable era quedarse vacío más tarde, otra vez. En vez de eso, descubrí que si hago lo que me da placer y lo que creo que es mi propósito de vida – hacer el bien para mí y para las otras personas, ayudarlas y hacer del día de ellas un día mejor – aquel vacío se llena más y más cada día.

¿Alguna vez has transformado algo malo en algo bueno en tu vida? ¿Alguna vez has pensado en hacerlo? ¿Puedes reescribir tu historia para ser más feliz?

Love Stories

Love Stories (EN)

Historias de Amor (ES)

Histórias de Amor (PT)

Lembrar-me que o dia de São Valentim é amanhã fez-me pensar um pouco nalguns dos “questionamentos” que tenho exercido sobre o amor e as relações amorosas.

Primeiro Amor

Tive o meu primeiro namorado com 16 anos. Esse namoro durou cerca de 3 anos. A minha primeira relação amorosa marcou-me para a vida (como creio que marcam quase todas as primeiras vezes). Esta relação ensinou-me sobretudo a saber onde estão os meus limites, especialmente porque os esticou até rebentarem. Aos 16 anos tinha um namorado ciumento, possessivo e paranóico. E eu era muito jovem e inexperiente para perceber que a nossa relação não era uma relação amorosa saudável. Aos 17 anos tinha deixado de encontrar-me sozinha com todos os meus amigos do sexo masculino e estava sempre em cheque auto-analisando as minhas acções para com o sexo oposto, não fosse fazer algo que gerasse a desconfiança ou o ciúme do meu namorado. Mas mesmo assim mais dia menos dia acabava a chorar, tendo que me explicar, provar que não tinha feito nada de errado ou pedir desculpas por algo que ele considerasse passível de despertar os seus ciúmes ou paranóia. Perdi-me nesta relação, quando acabou eu tinha 19 anos e já não sabia quem era. Tinha mudado tantas coisas para conseguir manter aquele namoro que quando ele acabou senti-me profundamente esgotada e sem vontade de voltar a ter namorado nem nenhum outro tipo de relação do género. Demorei 2 anos para me reconstruir e para voltar a dar oportunidade ao amor.

Hoje em dia não me arrependo desses 3 anos. Mas questiono-me sobre as coisas que podiam ter feito com que eu me apercebesse antes que aquilo era uma relação tóxica. Lembro-me perfeitamente do momento em que a minha mãe se apercebeu que eu começara a ter uma vida sexual. Primeiro ela entrou em pânico (suponho que seja normal), zangou-se comigo e fez alguma chantagem emocional para, pensava ela, atrasar um pouco o processo. Mas uns dias depois percebeu que aquele não era o melhor caminho, foi aí que nos sentámos para falar como adultas sobre aquilo que ela considerava mais importante: evitar DST’s e gravidezes indesejadas. Hoje sei que teria sido mais proveitosa outro tipo de conversa. Com 16 anos já sabia quase tudo o que havia para saber sobre preservativos. Mas sabia pouco sobre relações amorosas. Porque é que não se fala mais sobre isso em casa? Eu sei que provavelmente, naquela altura, se a minha mãe me perguntasse como era a minha relação com o meu namorado, eu acharia que ela se estava a meter na minha vida e não lhe contaria muito. Mas, e se falar sobre relações (já sejam elas amorosas, de amizade ou de outros tipos) fosse algo mais habitual entre pais e filhos? Provavelmente no dia em que o meu namorado da altura começou a fazer cenas de ciúmes, eu tivesse percebido que aquilo não era bom nem saudável. Neste momento há adolescentes e jovens (e pessoas adultas também) a passar pelo que eu passei ou por outros problemas semelhantes, e aos pais não se lhes ocorre “ter “a conversa” e incluir nela não só os métodos de contracepção mas também falar sobre relacionamentos.

Quando/ se tiver filh@s vou falar com el@s sobre ciúme, possessão, confiança no outro, auto-estima, etc. E quanto às conversas sobre sexo vou-me focar em temas como o consentimento e a importância da intimidade e do prazer partilhado.

Amor Próprio

Até há uns anos atrás sabotava todas as minhas relações pelo facto de precisar delas. Odiava estar sozinha e precisava de ter, além de uma vida social activa, algum tipo de relação íntima que preenchesse o vazio. Todas as minhas relações começavam de forma casual, sem muito compromisso, mas quando eu dava por isso tinha criado uma forte dependência à pessoas com a que tinha um relacionamento naquele momento. Essa dependência fazia de mim alguém que fazia de tudo para agradar a outra pessoa, os gostos da outra pessoa tornavam-se os meus gostos e as minhas vontades deixavam de ter importância. Ao final de algum tempo todas as relações falhavam porque na verdade eu deixava de ser a pessoa pela qual os meus pares se tinham interessado no início.  

Foi há uns anos atrás, depois de mais uma ruptura, que percebi que para meu bem tinha que enfrentar o tal vazio que procurava preencher, percebê-lo e desconstruí-lo para poder estar bem comigo mesma, deixar de “precisar” e de depender das relações amorosas para ser feliz. Hoje em dia tenho alguma dificuldade em perceber como o fiz realmente, porque não foi algo premeditado, nem programado. Acho que simplesmente deixei o vazio existir sem resistir a ele, e depois percebi que não fazia falta ninguém para o preencher e que o amor próprio chegava. Mais do que isso, descobri que sentir-me acompanhada por mim mesma preenchia o vazio realmente e permanentemente. Essa mudança tão subtil a nível interior fez com que a minha maneira de ver as relações (amorosas, familiares, de amizade, profissionais, etc.) mudasse completamente. De facto aquilo que parece uma mentalidade egoísta (pensar que não preciso da companhia constante de outras pessoas para ser feliz) fez com que passasse a pensar mais no que é que posso dar de mim aos outros e menos naquilo que posso obter deles.

Sei que muitas pessoas sentem esse vazio e a necessidade de preenchê-lo. Na verdade a sociedade empurra-nos para isso com histórias sobre “almas gémeas” e “outras metades da laranja”. Aprendemos que as nossas vidas não estão completas, ou até mesmo que não tem sentido até encontrar “@ tal”. A minha experiência diz-me que não é possível ter uma vida completa com outra pessoa se não te sentes preenchido pela tua própria riqueza interior. Porque é que a sociedade te faz acreditar que precisas encontrar “alguém te faça feliz”?

Amor Actual

A relação amorosa que mantenho agora é curiosamente com a mesma pessoa com a qual tive a ruptura que me levou a mudar a minha maneira de ver as relações. Depois da mudança essa pessoa voltou a surgir na minha vida e quando tive que decidir se queria voltar a estar com ela tive este pensamento: “Não preciso desta pessoa para ser feliz, no entanto será que esta relação pode enriquecer as nossas vidas, ajudar-nos a crescer e a melhorar?”. A resposta foi sim.

Com a lição anterior aprendida, apesar de estar com a mesma pessoa que havia estado meio ano antes, a nossa relação passou a ser algo muito diferente daquilo que tinha sido. Além de ter deixado de acreditar na história do príncipe encantado sem o qual a vida da princesa não faz sentido, comecei a questionar outros aspectos das relações comuns. Porque é que os casais “tem” que dormir juntos? – Ironicamente toda vida odiei dormir sozinha, agora é como gosto mais. – Porque é que, a uma certa idade se espera que vivam na mesma casa e porque é que a sociedade faz tanta pressão para isso? – Não acredito que o simples facto de viver juntos seja significado de maior estabilidade na relação. Porque é que a partir do momento que se sabe que temos uma relação ‘séria’ o ‘cônjuge’ fica automaticamente convidado para quase todos os eventos para que a outra pessoa é convidada? E porque é que quando uma pessoa do casal decide comparecer sozinha isso é tido como algo estranho? Afinal as vidas sociais dos casais não tem porque se viver exclusivamente em casal.

Atenção, isto não significa que eu esteja à partida contra todas as convenções sociais sobre as relações dos casais, nem que eu as rejeite todas. Apenas gosto de me questionar sobre elas e decidir quais se adequam realmente à minha vida e quais as que prefiro descartar em vez de simplesmente as aceitar todas.

Que perguntas te fazes sobre o amor, sobre as relações, sobre a maneira como se fala delas e sobre as convenções sociais que muitas vezes as delimitam?

Paradoxalmente, a capacidade de estar sozinho é a condição para a capacidade de amar.― Erich Fromm, A Arte de Amar


 

Love Stories (EN)

Realising that Valentine’s day is tomorrow, made me think about some of the “questionings” I’ve been doing about love and love relationships.

First Love

I had my first boyfriend when I was 16 years old. That relationship lasted nearly 3 years. This first love relationship left on me a deep mark (as most first loves do). This relationship taught me above all to get to know my limits, as they were stretched until bursting. At 16 years old I had a jealous, possessive and paranoid boyfriend. And I was very young and inexperienced to understand that our love relationship was not a healthy one. At 17 years old I had given up on meeting all my male friends by myself and was constantly checking with self-examination my actions towards the opposite sex, to avoid triggering any suspicion or jealousy in my boyfriend. But still, sooner or later, I would end up crying, having to explain myself, prove that I had done nothing wrong or apologize for something that he considered capable of awakening his jealousy or paranoia. I lost myself in this relationship, when it came to an end I was 19 and no longer knew who I was. I had changed so many things to keep that relationship and when It was over I felt profoundly drained and with no desire to have a future boyfriend nor a similar relationship. It took me 2 years to rebuilt and give a second chance to love.

Nowadays I do not regret those 3 years. But I do question about the things which could have been done so that I would realize before that this was a toxic relationship. I remember vividly the moment when my mother found out that my sex life had started. Firstly she panicked (I suppose it is normal), got mad and emotionally blackmailed me so that, so she would think, the process would be delayed. However, some days later, she understood that this wasn’t the best approach, so we sat down to talk like adults about what she considered most important: avoid STDs and unwanted pregnancies. Today I know that another conversation would have been more useful. At 16 years old I already knew almost everything about condoms. But knew very little about love relationships. Why don’t people really talk about this at home? I know that probably, at that time, if my mother had asked me how my relationship with my boyfriend was, I would think that it was none of her business and wouldn’t tell her much. But what if talking about relationships (whether it is love, friendship or other types of relationships) was something more usual between parents and brood? Probably by the first day that my boyfriend at the time had done his first jealousy scene, I would have figured that that wasn’t good nor healthy. At this moment there are teenagers and juveniles (and adults as well) going through the same problems I had, or similar issues, and parents that don’t include in “the talk” both contraceptive methods and relationships.

When/ if I have children I will talk about jealousy, possession, trust, self-esteem, etc. And when it comes to sex I’ll focus on themes such as consent and the importance of intimacy and shared pleasure.

Self Love

Until a few years ago I would sabotage all my relationships because I needed them. I hated being alone and needed to have, not just a very active social life, but also a more intimate relationship to fill in the void. All my relationships would start casually, without much commitment, but when I realised that, I had already become strongly dependent on a person with whom I was having a relationship at that time. That dependency would make me someone that was willing to do anything to please the other person, the other person’s likes would become my likes and my own desires were no longer important. All my relationships would fail some time later because the truth is that I was not the person that my partners had fell for anymore.

A few years ago, after another breakup, I realised that for my own good I needed to face this void that I was trying to fill in, understand it and deconstruct it so that I could feel good in my own skin, setting aside the “need” and dependency on relationships to be happy. Nowadays I have a bit of a difficulty in knowing how exactly I have done that, because it wasn’t something premeditated or programmed. I guess I simply let the void exist without resisting to it, and further on understood that I didn’t need anyone to fill it in and that self-love was enough. Furthermore, I found out that feeling accompanied by myself filled in the void completely and permanently. This subtle change on the internal side, completely changed my way of seeing relationships (love, family, friend and professional relationships). What in truth seems like a selfish mindset (thinking that I don’t need the constant companionship of others to be happy) ended up making me think more often on what can I give to others and less of what I can get from them.

I know that many people feel that void and the need to fulfil it. Actually society shoves us into this with stories about “soulmates” and “better halves”. We learn that our lives aren’t complete, or even have no purpose, until we find “the one”. My experience tells me that it’s not possible to have a fulfilling life with someone else if you don’t feel fulfilled with your inner wealth.

Why does society makes you believe that you need to find “someone that makes you happy”?

Current Love

The love relationship I have at the present moment is interestingly with the same person with which I had the breakup that led me to change the way of seeing relationships. After this change, that same person got back in my life and when I had to decide if I wanted to be with them again, I had this thought: “I don’t need this person to be happy, however can this relationship promote value into our lives, help us grow and be better people?”. The answer was yes.

With the previous lesson learned, despite being again with the same person I was six months prior, our relationship became very different from what it had been. Aside from no longer believing in the enchanted prince story that makes the princess life complete, I started to question other standard relationships aspects. Why do couples “have to” sleep together? – ironically all my life I’ve hated sleeping alone, now it’s the way I prefer. – Why at certain age, people expect couples to live in the same house and why does society makes so much pressure on it? – I don’t believe that living together is what makes the relationship more solid. Why is that, from the moment a couple has a “serious” relationship, the partner is automatically invited to most of the events to which the other person is invited to? And why is that, when one element of the couple decides to show up by themself, that’s considered as something odd? After all the social life of couples don’t have to be lived exclusively as a couple.

Keep in mind that this doesn’t mean that I’m against all social conventions regarding couple’s relationships, nor do I reject them all. I just like to question them and decide which match my life and which I prefer to rule out, instead of simply accept them all.

What questions do you make yourself regarding love, relationships, the way we talk about them and about the social conventions that many times dictate the rules?

Paradoxically, the ability to be alone is the condition for the ability to love. – Erich Fromm, The Art of Loving


 

Historias de amor (ES)

Recordarme que el día de San Valentín es mañana me hizo pensar un poco sobre algunos de los “cuestionamientos” que he ejercido acerca del amor y las relaciones amorosas.

Primero Amor

Tuve mi primer novio con 16 años. Esta relación duró cerca de 3 años. Mi primera relación amorosa me marcó para la vida (como creo que marcan casi todas las primeras). Esta relación me enseñó sobre todo a saber dónde están mis límites, especialmente porque los estiró hasta reventar. A los 16 años tenía un novio celoso, posesivo y paranoico. Y yo era muy joven e inexperta para percibir que nuestra relación no era una relación amorosa sana. A los 17 años había dejado de encontrarme sola con todos mis amigos del sexo masculino y estaba siempre auto-analizando mis acciones hacia el sexo opuesto, no fuera hacer algo que generara la desconfianza o los celos de mi novio. Pero aún así, más día menos día terminaba llorando, teniendo que explicarme, probar que no había hecho nada malo o pedir disculpas por algo que él considerara pasible de despertar sus celos o paranoia. Me perdí en esta relación, cuando acabó yo tenía 19 años y ya no sabía quién era. Había cambiado tantas cosas para conseguir mantener esta pareja que cuando rompimos definitivamente me sentía profundamente agotada y sin ganas de volver a tener novio ni ningún otro tipo de relación del género. Tardé 2 años para reconstruirme y para volver a dar oportunidad al amor.

Hoy en día no me arrepiento de esos 3 años. Pero me questiono sobre las cosas que podían haber hecho com que yo que me diera cuenta antes de que aquello era una relación tóxica. Recuerdo perfectamente el momento en el que mi madre se dio cuenta de que había empezado a tener una vida sexual. Primero entró en pánico (supongo que es normal), se enfadó conmigo e hizo algún chantaje emocional para, pensaba ella, retrasar un poco el proceso. Pero unos días después percibió que aquel no era el mejor camino, fue ahí donde nos sentamos para hablar como adultas sobre lo que ella consideraba más importante: evitar DST’s y embarazos no deseados. Hoy sé que habría sido más provechoso otro tipo de conversación. Con 16 años ya sabía casi todo lo que había para saber sobre preservativos. Pero sabía muy poco sobre las relaciones amorosas. ¿Por qué no se habla más sobre esto en casa? Yo sé que probablemente si, en ese momento, mi madre me hubiera preguntado cómo era mi relación con mi novio, yo pensaría que ella se estaba metiendo en mi vida y no le contaría mucho. Pero, y si hablar sobre relaciones (ya sean ellas amorosas, de amistad o de otros tipos) fuese algo más habitual entre padres e hijos? Probablemente en mismo el día en que mi novio de entonces empezó a hacer escenas de celos, yo habría percibido que aquello no era bueno ni sano. En este momento hay adolescentes y jóvenes (y personas adultas también) a pasar por lo que he pasado o por otros problemas similares, y a los padres no se les ocurre “tener la conversación” e incluir en ella no sólo los métodos de contracepción, sino también hablar sobre las relaciones.

En el caso de que algún día tenga hij@s hablare con el@s sobre celos, posesión, confianza en el otro, autoestima, etc. Y en cuanto a las conversaciones sobre sexo me voy a enfocar en temas como el consentimiento y la importancia de la intimidad y del placer compartido.

Amor Propio

Hasta hace unos años saboteaba todas mis relaciones por el hecho de necesitarlas. Odiaba estar sola y necesitaba tener, además de una vida social activa, algún tipo de relación íntima que llenase el vacío. Todas mis relaciones comenzaban de forma casual, sin mucho compromiso, pero cuando yo me daba cuenta ya había creado una fuerte dependencia a la persona con la que tenía una relación en aquel momento. Esta dependencia hacía de mí alguien que hacía todo para agradar a la otra persona, los gustos de la otra persona se convirtieron en mis gustos y mis voluntades dejaban de tener importancia. Al final de algún tiempo todas las relaciones fallaban porque en realidad yo dejaba de ser la persona por la cual mis parejas se habían interesado al principio.

Fue hace unos años, después de otra ruptura, que percibí que tenía que enfrentar el vacío que buscaba llenar, percibirlo y deconstruirlo para poder estar bien conmigo misma, debía dejar de “necesitar” y de depender de las relaciones amorosas para ser feliz. Hoy en día tengo alguna dificultad en percibir cómo lo hice realmente, porque no fue algo premeditado, ni programado. Creo que simplemente dejé el vacío existir sin resistir a él, y después me di cuenta de que no le falta a nadie para llenarlo y que el amor propio llegaba. Más que eso, descubrí que sentirme acompañada por mí misma llenaba el vacío realmente y permanentemente. Este cambio tan sutil a nivel interior ha hecho que mi manera de ver las relaciones (amorosas, familiares, de amistad, profesionales, etc.) cambiara completamente. De hecho lo que parece una mentalidad egoísta (pensar que no necesito la compañía constante de otras personas para ser feliz) hizo que pasara a pensar más en lo que puedo dar de mí a los demás y menos en lo que puedo obtener de ellos.

Sé que muchas personas sienten ese vacío y la necesidad de llenarlo. En realidad la sociedad nos empuja hacia eso con historias sobre “almas gemelas” y “otras mitades de la naranja”. Aprendemos que nuestras vidas no están completas, o incluso que no tiene sentido hasta encontrar “la persona ideal”. Mi experiencia me dice que no es posible tener una vida completa con otra persona si no te sientes realizado por tu propia riqueza interior. ¿Por qué es que la sociedad te hace creer que necesitas encontrar “alguien te haga feliz”?

Amor Actual

La pareja que mantengo ahora es curiosamente la misma persona con la que tuve la ruptura que me llevó a cambiar mi manera de ver las relaciones. Después del cambio esa persona volvió a surgir en mi vida y cuando tuve que decidir si quería volver a estar con ella tuvo este pensamiento: “No necesito a esta persona para ser feliz, sin embargo será que esta relación puede enriquecer nuestras vidas, ayudándonos a crecer y a mejorar? “. La respuesta fue sí.

Con la lección anterior aprendida, a pesar de estar con la misma persona que había estado medio año antes, nuestra relación pasó a ser algo muy diferente de lo que había sido. Además de haber dejado de creer en la historia del príncipe encantado sin el cual la vida de la princesa no tiene sentido, empecé a cuestionar otros aspectos de las relaciones comunes. ¿Por qué es que las parejas “tienen” que dormir juntas? – Irónicamente toda la vida odié dormir sola, ahora es como me gusta más. – ¿Por qué, a partir de cierta edad, se espera que vivan en la misma casa y por qué la sociedad hace tanta presión para ello? – No creo que el simple hecho de vivir juntos sea significado de mayor estabilidad en la relación. ¿Por qué a partir del momento en que se sabe que tenemos una relación ‘seria’ la pareja queda automáticamente invitada a casi todos los eventos a los que nos han invitado? ¿Y por qué es que cuando una persona de la pareja decide asistir sola a esos eventos la gente lo ve como algo raro? Al final las vidas sociales de las parejas no tienen porque experimentarse exclusivamente en pareja.

Atención, esto no significa que yo esté de antemano contra todas las convenciones sociales sobre las relaciones de las parejas, ni que yo las rechace a todas. Sólo me gusta questionarme sobre ellas y decidir cuáles se adecuan realmente a mi vida y cuáles prefiero descartar, en lugar de simplemente aceptarlas todas.

¿Qué preguntas te haces sobre el amor, sobre las relaciones, sobre la manera como se habla de ellas y sobre las convenciones sociales que muchas veces las delimitan?

Paradójicamente, la capacidad de estar solo es la condición para la capacidad de amar. ― Erich Fromm, El Arte de Amar

Walking away from jealousy

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Walking away from jealousy (EN)

While talking to a good friend the other day about her love life, she then said “It’s good to have some jealousy in a relationship” to which I answered “why would you say that?” to what she replies “Well, it means that your partner likes you…”.

The conversation went on and I was in total disagreement with her point of view. However, I knew where she was coming from. I once thought exactly the same! Back then, when I used to think that jealousy was part of a romantic relationship, I never questioned myself to understand why I had this belief. I just had it probably because that’s what I learned.

I remember at early age having jealousy “attacks”, normally because my sister was having more attention from my mother than me in some situation. That feeling of seeking exclusive attention from someone else, without having to share it,  was something very familiar to me. Most of us don’t get to have an explanation of the feelings we are experiencing while growing up. If we feel frustrated we are grounded, if we feel annoyed therefore we are considered ill-behaved and when we feel bored someone gives us another task just so we are entertained again. We end up not knowing why we feel the way we feel.  We end up not knowing why we behave the way we do. We end up not learning how to deal with our feelings. We just get that something is wrong or right with no reason and no explanation. This is something we all have to deal with as kids.

Then we grow up and jump into romantic relationships. Our partner is flirting with another person and here it comes again that same feeling. It’s human, everybody felt this way at some point in their lives. And it’s ok. What today I realise it’s not ok, is the fact that we don’t understand our own feelings so we act according to them without being aware of that.

I can say that when I was in a long-term relationship I was super jealous at some point. It wasn’t much in the beginning surprisingly. But as soon as I suspected of infidelity my “radar” fired up. I started to be this mad person that was always thinking that my boyfriend at the time was surely cheating on me. I couldn’t help it but being in a loop of negative thoughts. Today I know that it wasn’t his problem. It was mine. I was in a very insecure phase in my life and my self-esteem was at a low point. Because of this, I obviously thought that every girl was more interesting, more beautiful and in better shape than me. Today I think much clearly (perhaps because I’m not in that situation right now) and with this distance I know that whatever your partner wants to do they will end up doing it anyway. It is not because you’re jealous that it will stop the other person from cheating, flirting or doing something else. And being jealous will not make your partner feel more loved.

Plus, jealousy is something super selfish. If you love someone, you probably want the best for them and want them to be happy. If you can deeply understand that, you will see that you will become more relaxed. It doesn’t mean that cheating is something right, which I think it is definitely not! But the other person’s actions are out of our control and it is just healthier to let them go when they need to, because we love them and want the best for them, instead of monitoring every single action.

Why is that we feel jealous when our loved one is giving more attention to someone at certain moment? Is it connected to our state of mind at that moment? Is it related to past traumas? Can we learn to deal with it?

Getting back to where this article started, I deeply believe that your partner doesn’t need to be jealous in order for you to feel loved, nor vice-versa. Because jealousy comes from a self-centered mindset, it can be observed, recognized and then released. It needs some training because the neurotransmitters inside our brains love to go always through the same pathways, and those pathways are very worn out so it’s easier to “walk” on them instead of going through a new track full of weeds. But if we try to walk on the new path, we will trample on the weeds and they will eventually disappear and form another firm pathway.  This is a straightforward analogy to explain that if we choose to have thoughts that will propagate our feelings of jealousy (walking on the worn out path) we will end up in a loop of instability. If, on the other hand, we decide to observe the feeling, understand where it is coming from and then move one to a more positive mindset (walk on a new pathway) we will start to train our brain to demystify that feeling. After some time, we will eventually stop going through the old path and instead choose the new one.

“Nothing is more capable of troubling our reason, and consuming our health, than secret notions of jealousy in solitude.” –  Aphra Behn

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Um dia destes, enquanto falava com uma grande amiga sobre os seus amores e desamores, ela diz “É bom haver alguns ciúmes numa relação”, ao que eu respondi “Porque é que dizes isso?” e de seguida diz ela “Então significa que o teu parceiro gosta de ti…”.

A conversa continuou e eu estava em pleno desacordo com o seu ponto de vista. Ainda assim, percebi a sua forma de pensar. Não há muito tempo eu pensava o mesmo! Nessa altura, quando pensava que os ciúmes eram algo intrínseco numa relação amorosa, não me questionava sobre porque pensava assim. Provavelmente porque foi o que aprendi.

Lembro-me que, quando era bem miúda, tinha “ataques” de ciumeira, normalmente por ver que a minha irmã estava a receber mais atenção do que eu, por parte da minha mãe, num momento específico. Aquele sentimento de querer que a atenção de alguém seja exclusivamente dirigida para nós, sem termos que a dividir, era algo muito familiar para mim. A maioria de nós não recebe uma explicação sobre os sentimentos que experienciamos enquanto crescemos. Se nos sentimos frustrad@s somos posto@s de castigo, se nos sentimos irritado@s então somos considerad@s mal-comportad@s e quando estamos aborrecid@s alguém nos dá uma tarefa, para que fiquemos entretidos mais uma vez. Acabamos assim por não compreender o porquê de nos comportarmos de determinada forma e por não aprender a lidar com os nossos sentimentos. Acabamos por não entender porque nos sentimos como sentimos. Apenas percebemos que algo é considerado certo ou errado, sem nenhuma razão ou explicação. Isto é algo com o qual tod@s temos que lidar quando somos crianças.

Depois crescemos e metemo-nos em relações amorosas. Quando @ noss@ parceir@ parece estar a flertar com outra pessoa lá vem aquele sentimento outra vez. É humano, toda a gente já o sentiu alguma vez na vida. E não faz mal. O que eu hoje reconheço que “faz mal” é que não percebemos os nossos próprios sentimentos e agimos com base neles sem nos darmos conta muitas vezes.

Posso dizer que, quando tive numa relação duradoura, fui muito ciumenta a certa altura. Curiosamente não foi na fase inicial. Mas assim que tive suspeitas de infidelidade, o meu “radar” disparou. Comecei a ser uma pessoa neurótica que pensava frequentemente que estava a ser traída pelo namorado. Eu não conseguia evitar estar naquele ciclo vicioso de pensamentos negativos. Mas hoje sei que o problema não era dele. Era meu. Eu é que estava numa fase muito insegura da minha vida e com a auto-estima muito em baixo. Por essa razão, pensava que qualquer rapariga era mais interessante, mais bonita e estava em melhor forma física do que eu. Hoje os meus pensamentos são bem mais claros (talvez por já não estar nessa situação) e com esta distância sei que a outra pessoa vai acabar por fazer o que quiser, seja como for. Não é pelo facto de teres ciúmes que isso irá impedir a outra pessoa de te trair, flertar ou fazer o que quer que seja. Também não é por teres ciúmes que vais fazer com que a pessoa com quem estás numa relação se sinta mais amada.

Além disso os ciúmes são algo muito egoísta. Se amas alguém, provavelmente queres o melhor para essa pessoa e que seja feliz. Se conseguires compreender isso profundamente, vais ver que vais ficar mais relaxad@. Não quer dizer que trair é algo correcto, acredito definitivamente que não o é! Mas as acções da outra pessoa estão fora do nosso controle e é mais saudável deixá-la ir quando for necessário, porque a amamos e queremos o melhor para ela, em vez de quer tê-la presa a nós e vigiar todos os seus movimentos.  

Porque é que sentimos ciúmes quando achamos que a pessoa que amamos está a dar mais atenção a outra? Estará relacionado com o nosso estado de espírito naquele momento? Estará relacionado com traumas passados? Podemos aprender a lidar com isso?

Voltando ao ponto de partida deste artigo, acredito profundamente que a pessoa com a qual tens uma relação amorosa não tem que ter ciúmes para que tu te sintas amad@, ou vice-versa. Já que os ciúmes fazem parte do ego, podem ser observados, reconhecidos e depois libertados. É preciso algum treino pois os neurotransmissores no nosso cérebro adoram “percorrer” repetidamente os mesmos caminhos, e esses caminhos são de terra batida, daí ser mais fácil andar por eles em vez de escolher caminhos novos e cheios de vegetação. Mas se tentarmos andar num caminho novo, começamos a espezinhar as ervas e elas eventualmente desaparecerão e darão origem a um novo caminho delineado. Esta é uma analogia para explicar que se escolhermos pensamentos que vão propagar os nossos sentimentos – ciúmes neste caso (andar no caminho gasto) acabamos num ciclo de instabilidade. Se, por outro lado, decidirmos observar o sentimento, compreender de onde vem e daí partir para pensamentos mais positivos (andar no novo caminho por desbravar), começamos a treinar o nosso cérebro para desmistificar os sentimentos. Depois de algum tempo, começamos a escolher os novos caminhos mais vezes e paramos de ir pelos velhos.

“Nada é mais capaz de perturbar a nossa razão, e consumir a nossa saúde, do que pensamentos secretos de ciúme em solidão” – Aphra Behn

 

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Un día de estos, mientras hablaba con una gran amiga sobre sus amores y desamores, ella dijo: “Es bueno tener algunos celos en una relación”, a lo que yo contesté: “¿Por qué dices eso?”, y ella: “Pues porque significa que tu pareja te quiere … “.

La conversación continuó y yo seguía sin estar de acuerdo con su punto de vista. Sin embargo, percibí su forma de pensar. ¡Hace poco tiempo eu pensaba lo mismo! En ese momento, cuando pensaba que los celos eran algo intrínseco de una relación amorosa, no me cuestionaba  sobre porque pensaba aquello. Probablemente porque fue lo que aprendí.

Recuerdo que cuando era muy pequeña, tenía “ataques” de celos, normalmente por ver que mi hermana estaba recibiendo más atención que yo, por parte de mi madre, en un momento específico. Aquel sentimiento, de querer que la atención de alguien sea exclusivamente dirigida hacia nosotros, era algo muy familiar para mí. La mayoría de las nosotr@s no recibimos una explicación sobre los sentimientos que experimentamos mientras crecimos. Si nos sentimos frustrad@s somos castigad@s, si nos sentimos irritados somos considerados mal comportados y cuando estamos aburridos alguien nos dan alguna tarea para que nos estemos entretenidos una vez más. Y así acabamos por no comprender el porqué de comportarnos de determinada forma y ni aprendemos a lidiar con nuestros sentimientos. Acabamos por no entender por qué nos sentimos de cierta manera Sólo percibimos que algo está considerado correcto o incorrecto, sin ninguna razón o explicación. Esto es algo con lo que tod@s tenemos que lidiar cuando somos niños.

Después crecimos y nos metemos en relaciones amorosas. Cuando nuestra pareja parece estar coqueteando con otra persona ya viene esa sensación otra vez. Es humano, todo el mundo lo ha sentido alguna vez en la vida. Y no pasa nada. Lo que hoy reconozco como negativo es que no percibimos nuestros propios sentimientos y actuamos con base en ellos muchas veces sin darnos cuenta.

Hace algún tiempo, cuando tuve una relación duradera, fui muy celosa en un determinado momento de esa relación. Curiosamente no fue en la fase inicial. En el momento en el que tuve sospechas de infidelidad, mi “radar” disparó. Comencé a ser una persona neurótica que pensaba a menudo que estaba siendo traicionada por el novio. No podía evitar estar en ese círculo vicioso de pensamientos negativos. Pero hoy sé que el problema no era de él. Era mío. Yo estaba en una fase muy insegura de mi vida y con la autoestima muy baja. Por esa razón, pensaba que cualquier chica era más interesante, más bonita y estaba en mejor forma física que yo. Hoy mis pensamientos son mucho más claros (quizá por no estar en esa situación) y con esta distancia sé que la otra persona terminará haciendo lo que quiera, sea como sea. No es por el hecho de que tengáis celos que eso impedirá a la otra persona de traerte, coquetear o hacer lo que sea. También no es por tener celos que vas a hacer que la persona con quien estás en una relación se sienta más amada.

Además, los celos son algo muy egoísta. Si amas a alguien, probablemente quieres lo mejor para esa persona y que sea feliz. Si logras comprender eso profundamente, verás que vas a estar más relajad@. No quiere decir que traicionar sea algo correcto, creo definitivamente que no lo es. Pero las acciones de la otra persona están fuera de nuestro control y es más saludable dejarla ir cuando sea necesario, porque la amamos y queremos lo mejor para ella, en vez de querer tenerla presa a nosotros y vigilar todos sus movimientos.

¿Por qué sentimos celos cuando creemos que la persona que amamos está dando más atención a otra? ¿Está relacionado con nuestro estado de ánimo en aquel momento? ¿Estará relacionado con traumas pasados? ¿Podemos aprender a lidiar con eso?

Volviendo al punto de partida de este artículo, creo profundamente que la persona con la que tienes una relación amorosa no tiene que tener celos para que te sientas amad@, o viceversa. Ya que los celos forman parte del ego, pueden ser observados, reconocidos y luego liberados. Es necesario algún entrenamiento pues los neurotransmisores en nuestro cerebro adoran “recorrer” repetidamente los mismos caminos, y esos caminos son de tierra batida, de ahí ser más fácil andar por ellos en vez de elegir caminos nuevos y llenos de vegetación. Pero si intentamos caminar en un camino nuevo, empezamos a pisotear las hierbas y eventualmente desaparecerán y darán lugar a un nuevo camino delineado. Esta es una analogía para explicar que si elegimos pensamientos que van a propagar nuestros sentimientos – celos en este caso (caminar en el camino gastado) acabamos en un ciclo de inestabilidad. Si, por otro lado, decidimos observar el sentimiento, comprender de dónde viene y partir a pensamientos más positivos (caminar en el nuevo camino por desbravar), empezamos a entrenar nuestro cerebro para desmitificar los sentimientos. Después de algún tiempo, empezamos a escoger los nuevos caminos más veces y dejamos de ir por los viejos.

“Nada es más capaz de perturbar nuestra razón, y consumir nuestra salud, qué pensamientos secretos de celos en soledad” – Aphra Behn

 

When your body talks to you

When your body talks to you. (EN)

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

Quando o teu corpo fala contigo. (PT)

Ouves o teu corpo? O que te diz? Quando tens um problema (uma dor, uma doença, uma sensação física estranha, etc.) percebes o que te quer dizer?

Tem sido uma verdadeira benção começar a ouvir e a entender o meu corpo ao longo dos últimos anos. Antes de ter começado a ouvir o meu corpo sentia muitas vezes que ele era meu inimigo. Quando estava doente, enjoada ou com alguma dor pensava coisas como: “que chatice”, “porquê eu?”, “ficar doente agora não dá jeito nenhum”, “mas agora qual é o problema?”. E lá ia queixar-me ao médico, ou tomar aqueles medicamentos que estão sempre ao alcance. Mas na realidade nunca pensava no que era que o meu corpo me estava a querer dizer.

No meu primeiro artigo falei de como tive, durante muitos anos, frequentes enjoos matinais. Despertava com uma enorme sensação de fraqueza e quando me levantava tinha de me sentar ou deitar imediatamente. Até que bebesse água com açúcar o enjoo não passava e cheguei até a desmaiar. Tinha me queixado das tonturas matinais a vários médicos ao longo dos anos e todos diziam que isso era falta de açúcar no sangue e que devia comer algo doce à noite antes de dormir. Quem leu esse artigo talvez se lembre que mais  tarde descobri que na verdade o problema era exactamente o contrário. Na realidade aqueles enjoos matinais não eram nada mais que o meu corpo a alertar-me para o facto de que tinha que parar com o consumo exagerado de açúcar refinado. Olhando para trás não gosto nem de imaginar o que poderia ter acontecido se tivesse ignorado esses sinais durante muito mais tempo.   

Desde muito pequena que sofro com o “flagelo” do herpes labial. Não me lembro de existir sem episódios mais ou menos frequentes de “herpes simplex” a acontecerem no meu lábio superior. Sempre relativamente ao centro de maneira que, às vezes, quando a inflamação piorava, eu ficava com o lábio a tocar na ponta do nariz. Estas crises sempre mexeram muito com a minha auto-estima e com a minha qualidade de vida. Quando tinha uma crise de herpes não tinha vontade nem de existir. A dor física misturada com comichão que o vírus provoca, aliada ao inchaço e à erupção de pus amarelo, que se traduz visualmente em algo bastante nojento, faziam com que falar e comer fosse um tormento, e com que sair de casa e expor-me aos olhares das outras pessoas parecesse um pesadelo. Mas a verdade é que acontecia demasiadas vezes para que a minha vida normal pudesse realmente parar cada vez que tinha uma crise. Fui bastantes vezes ao médico por causa de crises de herpes que pareciam não ter fim. Os médicos nunca me deram muita esperança de que alguma vez pudesse controlar os episódios de herpes, receitavam os típicos anti-virais em comprimido ou em pomada e diziam-me que não havia nada mais a fazer.  

Desde à uns anos para cá, comecei a tentar observar a relação que o herpes tinha com o meu humor e estado mental, com a minha alimentação, e com o meu ciclo menstrual.

Desde que tive o período pela primeira vez, lá para os 13 anos de idade, lembro-me de ter dores menstruais lancinantes. Essas dores diminuíram um pouco durante os anos em que tomei a pílula anticoncepcional e voltaram em força quando deixei de a tomar. Durante cerca de três ou quatro horas, no primeiro dia do meu ciclo, ficava completamente incapacitada pela dor. Não conseguia nem pensar, estar de pé ou sentada era muito difícil, tinha enjoos, tonturas e calafrios, muitas cólicas, diarreia, sentia todo o corpo dorido, a vulva inchada, as pernas pesadas. Passava essas horas entre a casa de banho e o sofá, enrolada em posição fetal. Mais uma vez os médicos não ajudaram muito, a pílula anticoncepcional era a única solução apontada e os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios eram receitados para “poder fazer uma vida normal”.

Há algum tempo comecei também a perguntar-me se realmente teria que viver com aquelas dores mensais até à menopausa. Comecei a ler sobre o assunto e também a falar sobre isso com a minha irmã, especialmente a partir do momento em que ela começou a estudar nutrição holística.

Voltando à questão do herpes. Percebi que o herpes “aparecia” sobretudo se pelo menos dois destes factores se juntavam:

  • Ter momentos de grande stress emocional, como discussões, ter que tocar em temas sensíveis com alguém importante para mim, ou quando algo me causa muita vergonha ou sensação de desmerecimento;  
  • Consumir grandes quantidades de chocolate ou frutos secos e sementes (ou a junção de todos);
  • Estar no final do ciclo menstrual (fase lútea).

Além disso percebi que normalmente o meu estado de ânimo piorava bastante no final do ciclo menstrual, o que fazia com que nessa altura os momentos de stress emocional também fossem mais propícios.

As coisas começaram a fazer ainda mais sentido quando a Tico me comentou que tinha aprendido nas aulas dela, que a ativação do herpes e o seu agravamento, estavam bastante relacionados com um aminoácido chamado arginina. O que ela me explicou, e que eu depois pude verificar através de artigos científicos online, foi que este aminoácido é necessário para a expressão das funções do vírus, ou seja essencial para que o vírus latente desperte e se manifeste (quem tem herpes vive com ele no estado latente até que volta “a aparecer”, e quando a lesão se cura o vírus volta ao estado adormecido). Por outro lado existe um aminoácido análogo à arginina, a lisina, que ajuda na supressão do vírus. A lisina é reconhecida pelo vírus como se fosse arginina mas ao contrário da segunda não possibilita a sua multiplicação.

Nesse sentido, tanto como forma de prevenção como de luta contra o herpes, a alimentação é muito importante. Pois tanto a arginina como a lisina se encontram em doses maiores ou menores na maioria dos alimentos. – Talvez seja também importante referir que embora estes dois aminoácidos sejam muito importantes para o normal e saudável funcionamento do organismo, apenas a lisina é considerada um aminoácido essencial (não é produzida no corpo humano tendo que se obter do exterior, através da alimentação ou suplementação), pois a arginina pode sintetizada endogenamente por humanos saudáveis. – Por exemplo o chocolate, o coco, os frutos secos e as sementes têm uma grande quantidade de arginina e muito pouca lisina. Por outro lado a beterraba, a maçã, a manga, o abacate, os figos e os pêssegos, entre outras frutas e vegetais têm grandes quantidades de lisina e menores quantidades de arginina.

Como os episódios de manifestação do herpes me acontecem maioritariamente durante os 12 dias antes do período decidi, nessa fase do meu ciclo, cortar com os alimentos que aportavam grandes doses de arginina e baixas de lisina e, para ajudar na prevenção, comprei um suplemento de lisina para tomar caso achasse que as possibilidades de despertar o herpes (por causa de algum pico de stress imprevisto) tivessem aumentado nalgum momento específico.

O resultado com relação à prevenção do herpes tem sido extraordinário. Vão fazer 5 meses que comecei esta experiência e tenho conseguido manter o vírus adormecido.

Mas o melhor é que esta simples mudança cíclica de alimentação também veio apaziguar as minhas dores menstruais. Entretanto andei a pesquisar sobre isso e, apesar de não haver muita informação científica disponível, parece que o consumo de frutos secos e sementes (e neste caso o seu não consumo) podem ajudar a reequilibrar os desequilíbrios hormonais que podem ser a causa de oscilações de humor e menstruações dolorosas.

Resumindo, mais uma vez, ao ouvir o meu corpo, não só aquilo o que ele me diz fisicamente mas também as expressões físicas dos meus estados emocionais, e ao analisar a minha alimentação e redesenhá-la, consegui melhorar bastante a minha qualidade de vida no que diz respeito a estes dois problemas crónicos, tudo isto sem a ajuda de medicamentos nem de médicos.

No outro dia veio-me um velho e recorrente pensamento à cabeça: “Que bom que seria que pudesse curar o raio do herpes definitivamente”.  Mas surpreendentemente outro pensamento se seguiu: “Não, na realidade não. Na verdade o herpes é uma das maneiras que o meu corpo tem de me dizer que estou a fazer algo mal. Quando me apercebo que o meu herpes labial está a ponto de despontar (quem o tem sabe que uma sensação muito particular, como um ardor localizado, precede o primeiro sinal visível) já sei que é porque me estou a deixar levar pelo stress e pelos pensamentos negativos, se não fosse esse aviso quem sabe os danos que poderia provocar até que o corpo me desse outro sinal mais forte.

Estas não foram as únicas vezes que o meu corpo me disse que algo não estava bem e eu ouvi. Mas basta uma ou duas para ilustrar o como a minha vida mudou quando percebi que uma dor não é o corpo “a ser chato” mas sim a ser o meu melhor companheiro.

Espero não ter sido eu a chata com tantos detalhes técnicos ou pouco agradáveis, o meu objectivo com este texto não é mais do que empoderar-te para ouvir o teu corpo e procurar soluções a longo prazo, sem riscos nem efeitos secundários, para os teus próprios problemas de saúde.

Escuta o teu corpo. Sentes alguma coisa fora do comum? Sentes algo que já vem sendo habitual mas que sabes que não é normal? O que vais fazer quanto a isso? Meter tudo para baixo do tapete com um remédio rápido mas de curta duração? Ou vais parar para ouvir realmente, dialogar com o teu corpo, analisar os teus comportamentos e investigar o que podes fazer para solucionar o problema?


 

When your body talks to you. (EN)

Do you listen to your body? what does it tell you? When you have a problem (a pain, a disease, an odd physical sensation, etc.) do you understand what it wants to tell you?

It has been a real blessing to start listening and understanding my body throughout the last few years. Before I started to listen to my body I used to feel that it was my enemy.  When I was hill, sick to my stomach or having any ache I used to think: “what a pain in the ass”, “why me?”, “this is the worst timing to be sick!”, “what is wrong with me now?”. And there I was complaining to the doctor or taking those meds that are very accessible. In truth I never thought of what my body was trying to tell me.

In my first article I wrote about my frequent morning sickness that went on for many years. I would wake up with a huge weakness sensation and when standing up, I would have to seat or lay down immediately. I even passed out at times and this sickness would only go away after drinking sugar water. Over the years I had complaint to several doctors about my dizziness and all of them said the same, that it was low blood sugar and therefore I should eat something sweet at night before bed time. Whoever read that article might recall that later I found out that in truth the problem was the exact opposite. The morning sickness was indeed my body trying to alert myself for the fact that I was consuming way too much refined sugar. Looking back I can’t imagine what might have happened if I had ignored those symptoms for a longer period of time.

Since I was a little child that I suffer with cold sores. Since I can remember I always had those episodes more or less frequent of herpes simplex, in my upper lip. Right in the center of my lip which sometimes, when the inflammation got worse, my lip would touch the tip of my nose. Those flares always disturbed my self-esteem and quality of life. I didn’t even feel like being alive once a herpes flare started to show up. The physical pain mixed up with the itchiness provoked by the virus, plus the swelling and the yellow pus outbreak (that visually turns out pretty disgusting), would make eating or talking a real torment, and leaving the house to get exposed to prying eyes seemed like a nightmare. Actually, this would happen so often that my regular life couldn’t stop every time a herpes outbreak would start. I’ve seen the doctor many times due to this attacks that seemed to be endless. Doctors never gave me any hope to believe that those episodes would ever be in control, they would prescribe the standard antiviral pills or ointment and just say that there wasn’t anything else that could be done.

Since a few years ago, I began observing the relationship between the cold sores and my mood and state of mind, with my diet and with my menstrual cycle.

Since when I had my first period, I think by the age of 13, I remember having harrowing menstrual cramps. These pain subsided a little during the years I took the contraceptive pill and came back when I stopped taking it. For about three or four hours, on the first day of my cycle, I was completely incapacitated by the pain. I couldn’t even think, standing or sitting was very difficult, I had nausea, dizziness and chills, many cramps, diarrhea, my whole body ached, my vulva felt swollen and my legs heavy. I would spend these hours between the bathroom and the sofa, rolled up in fetal position. Again the doctors did not help much, the contraceptive pill was the only solution pointed out and the analgesic and anti-inflammatory drugs were prescribed to “be able to lead a normal life.”

Some time ago I also began to wonder if I really would have to live with those monthly aches until reaching the menopause. I started reading about it and also talking about it with my sister, especially from the time she started studying holistic nutrition.

Back to the herpes subject. I noticed that cold sores “appeared” especially if at least two of these factors happened:

  • Having moments of great emotional stress, such as fights and arguments, having to touch sensitive subjects with someone important to me, or when something causes me a lot of embarrassment or a sense of unworthiness;
  • Consuming large quantities of chocolate or nuts and seeds (or the mix of it all);
  • Being at the end of the menstrual cycle (luteal phase).

Besides this, I realised that my mood usually got worse at the end of the menstrual cycle, which also made the emotional stress moments more propitious.

Things started to make even more sense when Tico told me that she had learned in her classes that herpes activation and its aggravation were closely related to an amino acid called arginine. What she explained to me, and which I later verified through online scientific articles, was that this amino acid is necessary for the expression of virus functions, meaning that it is essential for the latent virus to awaken and manifest itself (whoever has herpes lives with it latently until it bursts again, and when the lesion heals the virus returns to its dormant state). On the other hand there is an amino acid analogous to arginine, this one named lysine, which helps in suppressing the virus. Lysine is recognised by the virus as if it were arginine but unlike the second it does not allow its multiplication.

In this sense, nutrition is very important when it comes to prevention and fighting herpes. Because both arginine and lysine are found in higher or lower doses in most foods. – It may also be important to note that although these two amino acids are very important for the normal and healthy functioning of the body, only lysine is considered to be an essential amino acid (it is not produced by the human body and has to be obtained through food or supplements), since arginine can be synthesized endogenously by healthy humans. – For example, chocolate, coconut, nuts and seeds have a large amount of arginine and very little lysine. On the other hand beets, apples, mangoes, avocados, figs and peaches, among other fruits and vegetables have large amounts of lysine and smaller amounts of arginine.

Since my herpes outbreaks occur mostly during the 12 days before menstruation, I decided to cut back on foods that had large doses of arginine and low lysine, at this stage of my cycle, and to help with prevention I got a lysine supplement to take if I thought that the chances of a cold sore bursting (because of some unforeseen peak of stress for example) had increased in some specific moment.

The result regarding herpes prevention has been extraordinary. It has been close to 5 months since I started this experiment and I have managed to keep the virus at bay.

But the best thing is that this simple cyclical shift in the foods I eat has also come to appease my menstrual cramps. In the meantime I have been researching this, and although there is not much scientific information available, it seems that the consumption of nuts and seeds (and in this case their non-consumption) can help to rebalance the hormonal imbalances that may be the cause of oscillations of mood and painful periods.

Summing up, once again, by listening to my body, not only what it tells me physically but also the physical expressions of my emotional states, and by analysing my diet and redesigning it, I was able to improve my quality of life a lot with regard to these two chronic problems, all without the help of medicines or doctors.

The other day an old recurring thought came to me: “It would be so nice if I could cure the damn herpes for good.” But surprisingly another thought followed: “No, not really. In fact cold sores are one of the ways my body has to tell me that I am doing something wrong. When I realize that my cold sores are on the verge of emerging (whoever has them knows that a very particular sensation, like a localised burning, precedes the first visible signs) I already know that it is because I am letting myself go with stress and negative thoughts, if it had not been for this warning who knows the damage it could cause until the body gave me another stronger warning.

These were not the only times my body told me that something was not right and I heard it. But I guess just one or two are enough to illustrate how my life changed when I realised that pain is not my body being “a jerk” but rather being my best friend.

I hope I have not been too boring with so many technical or unpleasant details, my goal with this text is to empower you to listen to your body and look for long-term solutions, without risks or side effects, for your health problems.

Listen to your body. Do you feel anything out of the ordinary? Do you feel something that is already usual but you know it is not normal? What are you going to do about it? Put everything underneath the carpet with a quick but short-lasting remedy? Or are you going to stop to really listen and dialogue with your body, analyse your behaviours and investigate what you can do to solve the problem?


 

Cuando tu cuerpo habla contigo. (ES)

¿Oyes tu cuerpo? ¿Qué te dice? Cuando tienes un problema (un dolor, una enfermedad, una sensación física extraña, etc.) te das cuenta de lo que quieres decir?

Ha sido una verdadera bendición empezar a escuchar y entender mi cuerpo a lo largo de los últimos años. Antes de haber comenzado a oír mi cuerpo sentía muchas veces que él era mi enemigo. Cuando estaba enferma, mareada o con algún dolor pensaba cosas como: “que desastre”, “¿por qué yo?”, “ponerme enferma ahora no me va nada bien”, “¿pero ahora cuál es el problema?”. Y luego me iba a quejarme al médico, o tomaba esos medicamentos que están siempre al alcance. Pero en realidad nunca pensaba en lo que mi cuerpo me quería decir.

En mi primer artículo hablé de cómo tuve, durante muchos años, frecuentes mareos matutinos. Despertaba con una enorme sensación de debilidad y cuando me levantaba tenía que sentarme o acostarme inmediatamente. Hasta que bebiera agua con azúcar el mareo no pasaba y llegué hasta a desmayarme. Me quejé de los mareos matutinos a varios médicos a lo largo de los años y todos decían que aquello era falta de azúcar en la sangre y que tenía que comer algo dulce por la noche antes de dormir. Quienes han leído este artículo quizás recuerden que más tarde descubrí que en realidad el problema era exactamente lo contrario. En realidad, esos mareos matinales no eran más que mi cuerpo advirtiéndome del hecho de que tenía que parar con el consumo exagerado de azúcar refinado. Mirando hacia atrás no me gusta ni imaginar lo que podría haber ocurrido si hubiera ignorado esas señales durante mucho más tiempo.

Desde muy pequeña que sufro con el “flagelo” del herpes labial. No recuerdo mi existencia sin episodios más o menos frecuentes de “herpes simplex” ocurriendo en mi labio superior. Siempre relativamente al centro de manera que, a veces, cuando la inflamación empeoraba, el labio me llegaba a tocar la punta de la nariz. Estas crisis siempre se han bajado mucho mi autoestima y mi calidad de vida. Cuando tenía una crisis de herpes no tenía ganas ni de existir. El dolor físico mezclado con picor que el virus provoca, aliado a la hinchazón y la erupción de pus amarillo, que se traduce visualmente en algo bastante asqueroso, hacían que hablar y comer fuera un tormento, y que salir de casa y exponerme a las miradas de las otras personas pareciera una pesadilla. Pero la verdad es que sucedía demasiadas veces para que mi vida normal pudiera realmente parar cada vez que tenía una crisis. Fui bastantes veces al médico a causa de crisis de herpes que parecían no tener fin. Los médicos nunca me dieron mucha esperanza de que alguna vez pudiera controlar los episodios de herpes, recetaban los típicos anti-virales en comprimido o en crema y me decían que no había nada más que hacer.

Desde hace unos años, empecé a observar la relación que el herpes tenía con mi estado de ánimo y estado mental, con mi alimentación, y con mi ciclo menstrual.

Desde que tuve la regla por primera vez, creo que a los 13 años, me acuerdo de tener dolores menstruales lancinantes. Estos dolores disminuyeron un poco durante los años en que tomé la píldora anticonceptiva y volvieron en fuerza cuando dejé de tomarla. Durante cerca de tres o cuatro horas, en el primer día de mi ciclo, estaba completamente incapacitada por el dolor. No podía ni pensar, estar de pie o sentada era muy difícil, tenía mareos y escalofríos, muchos cólicos, diarrea, sentía todo el cuerpo dolorido, la vulva hinchada, las piernas pesadas. Pasaba esas horas entre el baño y el sofá, enrollada en posición fetal. Una vez más los médicos no ayudaron mucho, la píldora anticonceptiva era la única solución apuntada y los medicamentos analgésicos y anti-inflamatorios eran recetados para “poder hacer una vida normal”.

Hace algún tiempo empecé también a preguntarme si realmente tendría que vivir con esos dolores mensuales hasta la menopausia. Comencé a leer sobre el tema y también a hablar de ello con mi hermana, especialmente a partir del momento en que ella empezó a estudiar nutrición holística.

Volviendo al tema del herpes. Percibí que el herpes “aparecía” sobre todo si al menos dos de estos factores se juntaban:

  • Tener momentos de gran estrés emocional, como discusiones, tener que tocar en temas sensibles con alguien importante para mí, o cuando algo me causa mucha vergüenza o sensación de desmerecimiento;
  • Consumir grandes cantidades de chocolate o frutos secos y semillas (o la unión de todos);
  • Estar al final del ciclo menstrual (fase lútea).

Además, percibí que normalmente mi estado de ánimo empeoraba bastante al final del ciclo menstrual, lo que hacía que en ese momento los picos de estrés emocional también fueran más propicios.

Las cosas empezaron a hacer aún más sentido cuando Tico me comentó que había aprendido en sus clases, que la activación del herpes y su agravamiento, estaban bastante relacionados con un aminoácido llamado arginina. Lo que ella me explicó, y que después pude comprobar a través de artículos científicos online, fue que este aminoácido es necesario para la expresión de las funciones del virus, o sea esencial para que el virus latente despierte y se manifieste (quien tiene herpes vive con en el estado latente hasta que vuelve “a aparecer”, y cuando la lesión se cura el virus vuelve al estado dormido). Por otro lado existe un aminoácido análogo a la arginina, la lisina, que ayuda a la supresión del virus. La lisina es reconocida por el virus como si fuera arginina pero al contrario de la segunda no posibilita su multiplicación.

En ese sentido, tanto como forma de prevención como de lucha contra el virus, la alimentación es muy importante. Pues tanto la arginina como la lisina se encuentran en dosis mayores o menores en la mayoría de los alimentos. – Quizás sea también importante señalar que aunque estos dos aminoácidos son muy importantes para el normal y saludable funcionamiento del organismo, sólo la lisina se considera un aminoácido esencial (no se produce en el cuerpo humano teniendo que obtenerse del exterior, a través de la alimentación o suplementación), pues la arginina puede ser sintetizada endógenamente por los humanos sanos. – Por ejemplo el chocolate, el coco, los frutos secos y las semillas tienen una gran cantidad de arginina y muy poca lisina. Por otro lado la remolacha, la manzana, la manga, el aguacate, el higo y le melocotón, entre otras frutas y vegetales tienen grandes cantidades de lisina y menores cantidades de arginina.

Como los episodios de manifestación del herpes me suceden mayoritariamente durante los 12 días antes del período, decidí, en esa fase de mi ciclo, cortar con los alimentos que aportan grandes dosis de arginina y bajas de lisina y, para ayudar en la prevención, compré un suplemento de lisina para tomar veo que las posibilidades de despertar el herpes (debido a algún pico de estrés imprevisto) han aumentado en algún momento específico.

El resultado con respecto a la prevención del herpes ha sido extraordinario. Hace 5 meses que empecé esta experiencia y hasta ahora he conseguido mantener el virus dormido.

Pero lo mejor  de todo es que este simple cambio cíclico de alimentación también vino a apaciguar mis dolores menstruales. He estado investigando sobre esto y, a pesar de que no hay mucha información científica disponible, parece que el consumo de frutos secos y semillas (y en este caso su no consumo) pueden ayudar a re-equilibrar los desequilibrios hormonales que pueden ser la causa de oscilaciones de humor y menstruaciones dolorosas.

Resumiendo, una vez más, al oír mi cuerpo, no sólo lo que él me dice físicamente, sino también las expresiones físicas de mis estados emocionales, y al analizar mi alimentación y rediseñarla, logré mejorar bastante mi calidad de vida en lo que se refiere a estos dos problemas crónicos, todo ello sin la ayuda de medicamentos ni de médicos.

El otro día me vino un viejo y recurrente pensamiento a la cabeza: “Qué bueno que sería si pudiera curar el maldito del herpes de una vez”. Pero sorprendentemente otro pensamiento se siguió: “No, en realidad no. En realidad el herpes es una de las maneras que mi cuerpo tiene para decirme que estoy haciendo algo mal. Cuando me doy cuenta de que mi herpes labial está a punto de despuntar (quien lo tiene sabe que una sensación muy particular, como un ardor localizado, precede la primera señal visible) ya sé que es porque me estoy dejando llevar por el estrés y los pensamientos negativos, si no fuera ese aviso quien sabe los daños que podría provocar hasta que el cuerpo me diera otra señal más fuerte.

Estas no fueron las únicas veces que mi cuerpo me dijo que algo no estaba bien y lo oí. Pero basta con una o dos para ilustrar cómo mi vida cambió cuando percibí que un dolor no es el cuerpo “fastidiando” sino siendo mi mejor compañero.

Espero no haber sido muy aburrida con tantos detalles técnicos o poco agradables, mi objetivo con este texto no es más que empoderarte para oír tu cuerpo y buscar soluciones a largo plazo, sin riesgos ni efectos secundarios, para los tuyos propios problemas de salud.

Escucha tu cuerpo. ¿Sientes algo fuera de lo común? ¿Sientes algo que ya viene siendo habitual pero que sabes que no es normal? ¿Qué vas a hacer en cuanto a eso? ¿Meter todo bajo la alfombra con un remedio rápido pero de corta duración? ¿O vas a parar para escuchar realmente, dialogar con tu cuerpo, analizar tus comportamientos e investigar lo que puedes hacer para solucionar el problema?

Give a kiss to grandma!

Give a kiss to grandma! (EN)

Dale un besito a la abuela! (ES)

Dá um beijinho à avó! (PT)

Desde Outubro que quero escrever este artigo. Venho falar sobre algo que levantou alguma polémica em meados desse mês. Na altura estávamos a preparar o lançamento do blog, e por um lado não quis começar logo “a matar” com um tema tão controverso, por outro não queria escrever de cabeça quente nem que este texto fosse lido sob esse efeito de reação automática. Agora que a poeira já assentou sobre este tema, tenho o gosto de me questionar e vos pôr a questionar também.

Para quem não esteve a par da tal polémica passo a explicar o que aconteceu. No dia 16 de Outubro num programa de debate da RTP (canal público de televisão portuguesa), chamado Prós e Contras, discutiu-se o movimento #MeToo e as suas consequências a nível social em Portugal e no mundo. Durante o debate um professor universitário disse uma frase que chocou muita gente. A frase dita por Daniel Cardoso (o professor) foi: “A educação é quando a avózinha ou o avôzinho vai lá a casa e a criança é obrigada a dar o beijinho à avózinha ou ao avôzinho. Isto é educação, estamos a educar para a violência sobre o corpo do outro e da outra desde crianças. Obrigar alguém a ter um gesto físico de intimidade com outra pessoa como obrigação coerciva é uma pequena pedagogia que depois cresce.”.

Eu não vejo televisão, mas através do facebook apercebi-me deste fenómeno. E foi lá que vi levantar-se uma onda de verdadeiro ódio para com uma pessoa que não tinha feito mais do que dar a sua opinião. Os insultos iam de parvo para cima (ou a expressão correcta seria para baixo, já que o nível também baixava?) e além de discordarem, em letras maiúsculas e com muitos pontos de exclamação, da ideia de que não se devem obrigar as crianças a beijar os avós (porque essas pessoas, que insultavam, tinham também elas sido obrigadas a dar beijos aos avós e continuavam de “boa saúde”; ou porque obrigavam os filhos a fazê-lo e queriam reafirmar que estavam a fazer o correcto), a maioria aproveitou para meter ao barulho a aparência física do Daniel, as suas relações pessoais e os seus gostos sexuais (todos considerados bastante fora do normal dentro dos parâmetros da nossa sociedade).

Eu até percebo a reação emocional das pessoas que procederam assim. Afinal toca-nos profundamente o ego quando alguém vem dizer que, uma das coisas que aceitamos como normais e por isso correctas (temos tendência para erroneamente correlacionar uma coisa com a outra), é afinal uma prática nociva. E como a maioria das pessoas não quer ir realmente ao fundo da questão, questionando-se verdadeiramente sobre o tema, é mais fácil serem infantis e atirar como argumentos coisas que não têm nada a ver com o que foi declarado pelo Daniel, como o facto de ele ter o cabelo comprido e uma aparência pouco masculina (a sério, mas que raio é que isso interessa para a conversa dos beijos aos avós?).  

Vamos então começar o exercício de pensar realmente sobre o assunto. Quais são os prós e contras de obrigar uma criança a dar um beijinho aos avós, ou a qualquer outra pessoa – seja a mãe, a tia afastada ou o amiguinho da escola?

Pró: A criança aprende que se deve cumprimentar as pessoas, mesmo quando não apetece, e que cumprimentar tem que ser através de contacto físico e alguma intimidade, como a que requer o beijo na cara. Contra: Acima está uma lição sem pés nem cabeça, primeiro porque mesmo nós (os adultos) às vezes ,por alguma razão, não cumprimentamos pessoas que conhecemos, depois porque existem mais formas de cumprimentar sem ter que beijar ou mesmo sem entrar em contacto físico.

Pró: A criança aprende que deve fazer o que se lhe manda e o que se lhe manda fazer é o correcto, porque os mais velhos é que sabem. Contra: Mas às vezes os mais velhos não sabem tudo, não sabem o que se passa dentro da cabeça da criança, nem compreendem as razões que ela possa ter para não querer beijar alguém, e essas razões devem ser consideradas tão boas como as que possas ter tu ou eu como adult@ para não querer beijar alguém (imagina que te obrigavam!). E sobretudo não me parece assim tão benéfico que uma criança aprenda que o que os mais velhos dizem, está à partida correcto, sem questionar. Isso é o que produz pessoas que não pensam pelas próprias cabeças, e não queremos educar pessoas dessas, certo?

Pró: Ensinamos à criança a ter respeito pelos mais velhos. Contra: Coagir alguém a fazer algo não ensina respeito, ensina obediência cega.  

Pró: A avó fica contente de ter ganho um beijo d@ net@. Contra: Se explicarmos à avó (ou a quem seja) porque é que não obrigamos a dar beijos talvez ela até perceba. E mais, se a avó eventualmente deixar de pedir beijos à criança esta, por iniciativa própria, pode vir a dar-lhe mais carinho quando realmente lhe apetecer, e isso certamente fará a avó mais feliz que um beijo de raspão por obrigação.  

Desafio quem não está de acordo a dizer-me então afinal o que é que se ganha obrigando as crianças a dar beijos às pessoas.

Eu não me lembro de que alguma vez me tivessem que obrigar a dar beijos aos meus avós, acho que sempre o fiz de livre vontade. Mas lembro-me bem de me fazerem dar beijos a outras pessoas, lembro-me principalmente de ir de mão dada com a minha avó no bairro onde ela vivia, e que sempre que encontrava uma amiga me pedia para eu as cumprimentar com um beijinho. Lembro-me que eram velhotas estranhas para mim, com cheiros esquisitos e com bigodes que pareciam picar ou lábios que pareciam deixar baba pelo caminho. Era normal que eu não tivesse nenhum interesse em beijá-las, e na verdade também não vejo o que nenhuma das partes ganhava com todo aquele “teatro” (nem eu, nem a minha avó, nem as amigas dela).

Eis que agora podem vir os defensores do “não vem nenhum mal ao mundo por fazer as crianças dar beijos a quem quer que seja “ porque, ao que parece, eu própria fui obrigada e não tive nenhum problema por causa disso. E eu digo: Nisso é que vocês se enganam!

O que vou partilhar a seguir sabem-no muito poucas pessoas. É um assunto que durante muito tempo da minha vida me provocou vergonha, e muita revolta. Quanto à vergonha, hoje em dia sei que não sou eu quem a deve sentir, e quanto à revolta não está completamente ultrapassada, e talvez nunca esteja.

Quando era pequena, um senhor que tinha idade para ser meu avô insistia em tocar-me de maneira pouco normal – isso era como eu via a coisa naqueles tempos. Hoje sei que ele me apalpava em zonas do corpo onde quem o faz é descrito como pedófilo. Na altura só me parecia estranho, ele fingia que me fazia cócegas para me pôr a mão no rabo e entre as pernas. Ou pedia que me sentasse no colo dele para ‘fazer o cavalinho’ quando na verdade o que fazia era esfregar-se em mim de uma maneira que hoje (não naquela altura) reconheço como sexual. Eu via este senhor várias vezes por semana, porque ele trabalhava para o meu pai e, apesar de na altura eu não ter discernimento para juntar dois mais dois (literalmente), só me fazia aquilo quando não havia mais adultos por perto. Eu fui ensinada que os mais velhos faziam o correcto, que devia aceitar as demonstrações de carinho dos mais velhos sem me queixar, e que tinha que respeitar as pessoas mais velhas. Isso fez-me aguentar estas práticas esquisitas, que me deixavam muito desconfortável, sem falar do assunto a nenhum outro adulto porque achava que não havia nada para contar.

Até que um dia este senhor nos chamou à minha irmã e mim para dentro de uma pequena sala de arquivo e fechou-nos lá dentro. Disse-me para eu ficar quieta de cara virada para a porta e, com os joelhos dobrados, pois eu ainda era bastante mais baixa que ele, começou a esfregar-se no meu rabo, com um movimento de pernas e ancas. Aquilo finalmente fez-me desconfiar que algo não batia certo. Apesar de ser tão pequena aquele episódio provocou-me muita vergonha. Lembro-me de dizer à minha mãe chorando que não queria que o meu pai me levasse mais para o trabalho dele. A minha mãe achou estranho porque eu até gostava de ir para lá, porque me entretinha com máquinas de escrever, calculadoras e outros tesouros tecnológicos aos quais não tinha acesso noutro sítio. E a muito custo e depois de muitas lágrimas, porque eu tinha vergonha de pôr aquele acto em palavras, lá contei à minha mãe o que tinha sucedido e também contei sobre os apalpões e outras coisas que achava esquisitas. A minha irmã confirmou a minha história. Eu tinha tanta vergonha que pedi à minha mãe que me prometesse que não diria ao meu pai que lhe tínhamos contado tudo isto. Tinha tanta vergonha que não podia sequer suportar ter que falar com o meu pai directamente sobre o acontecido se ele me perguntasse. A minha mãe falou com o meu pai e disse-lhe tinha ouvido uma conversa minha e da minha irmã sobre aquilo. A minha irmã e eu nunca mais fomos deixadas a sós com aquele senhor, mas ele continuou lá por muitos mais anos.

Voltando à minha revolta. Não, eu não vou dizer quem foi o pedófilo que me molestou quando eu era criança, nem sei se aquele homem ainda está vivo, e de qualquer forma não tenho nenhuma prova para além das minhas memórias. Não estou revoltada para com a minha mãe, que não tomou medidas mais assertivas (as que eu acho que tomaria se estivesse no lugar dela hoje), nem com o meu pai por não ter tentado perceber realmente o que tinha passado e por ter deixado que aquele homem continuasse a trabalhar para ele. Muito menos a minha revolta é para com a minha avó que me obrigava a dar beijos a outras pessoas mais velhas.

Sei que se tivesse sido educada para saber que a intimidade necessita consentimento e que não está certo que uma pessoa mais velha, só por o ser, possa exigir um certo nível de intimidade física comigo, em vez de aprender que é preciso dar beijinhos aos mais velhos quando estes pedem ou outro adulto o comanda… se tivesse sido educada para me respeitar, e lutar para que me respeitassem, em vez de ter de respeitar os mais velhos, só por questão de idade… se tivesse sido educada para pôr o meu desejo e o meu conforto diante de qualquer que seja a satisfação (não percebo realmente) que alguém obtém por conseguir ganhar um beijo de uma criança contrariada …se tudo isto tivesse acontecido assim e não assado talvez eu nem tivesse dado a primeira oportunidade a este homem para me molestar e talvez nunca tivesse que passar por tudo isto. Ainda hoje penso que se eu não me tivesse assustado tanto com aquele último episódio, um bastante mais traumático podia ter-se seguido.

Mas eu também não me sinto revoltada pela minha educação não ter sido diferente. O que realmente me revolta é que nos dias de hoje, com toda a informação que temos, e com pessoas finalmente dispostas a falar abertamente destes assuntos, ainda haja gente quem se recusa a questionar práticas “normais” só porque elas se fizeram assim a vida toda. O que me revolta é que tanta gente que eu considero inteligente, sem pensar cinco minutos sobre o assunto, teve a necessidade de repudiar uma opinião que sei que é bem válida.

Quando alguém tenta forçar crianças a cumprimentarem-me com um beijo eu sou a primeira a dizer que não quero. E quando (se alguma vez) tiver filh@s não @s vou obrigar a dar beijos aos avós, nem às tias, e nem a mim mesma. Se alguém achar que as minhas “crias” são mal-educadas por não beijarem à demanda, problema deles, eu não acho que o objectivo deva ser criar paus mandados, mas sim educar seres pensantes.


Give a kiss to grandma! (EN)

Today, I’m writing about something that generated some controversy in Portugal, last mid-October and since then I was willing to write this article. At that time, we were preparing to launch this blog and for that reason I didn’t want to start with such a controversial topic.

As the english readers might not be familiar with this polemic subject, I will first explain what happened. On the 16th of October, there was a debate on RTP channel (public Portuguese channel) called “Pros & Cons”, where the movement #MeToo and its consequences in Portugal and abroad, were discussed on a social level. During the debate, a university Professor called Daniel Cardoso, said something that shocked many people. The phrase was: “Education is resumed to when grandma or grandpa come to visit and the child is obligated to give a kiss to grandma or grandpa. This is the education, we are educating on violence regarding one’s body since early age. Forcing someone to have a physical and intimate gesture with such coercive obligation with another person is considered a small pedagogy that later on will grow.”.

To those who don’t know Portuguese culture, we kiss people on both cheeks to greet them and we are taught to do so since a very early age.

I don’t watch TV, but this phenomenon reached me through Facebook. There, I saw a surge of deep hatred arising towards someone that had not done anything but express his opinion. The insults were beyond foolish and besides disagreeing, with capital letters and many exclamation marks, with the idea that kids should not be forced to kiss their grandparents (because those insulting were too obligated to kiss their grandparents and remained “all right”; or because they obligate their own children to do the same and wanted to reaffirm that this was the right thing to do), the majority took advantage of the situation to comment on Daniel’s physical appearance, his personal relationships and sexual orientation (all considered abnormal among our society standards).

I even understand people’s emotional reaction when reacting in this way. After all, our ego gets profoundly touched when someone tells us that, something we accept as normal and thus correct (we have a tendency to correlate erroneously both things), is in the end of the day detrimental. As most people are not willing to dig deep to the bottom of the issue, truly questioning about the subject, it is easier to be childish and throw a bunch of arguments that nothing have to do with what Daniel said in the first place, such as commenting on his long hair and his lack of masculine appearance (really? how the hell is this related to the topic about kissing the grandparents?).

Let’s get to an exercise to really start thinking about this issue. What are the pros and cons of forcing a child to kiss their grandparents, or whoever it is – whether is the mother, the estranged aunt or a friend in school?

Pro: The child learns that they should greet people, even when they don’t feel like it, and that greeting has to be with physical contact and some intimacy, such as a cheek kiss requires. Con: Above is a non sense lesson because even adults sometimes don’t greet acquaintances for some reason and also because there are more ways of greeting others with no need for kisses or any physical contact.

Pro: The child learns that they should do what they are taught to do and that what they are taught is correct, because older people know better. Con: Except that older people don’t always know better, they don’t know what lies inside a child’s head, nor understand the reasons behind a child not wanting to kiss someone, and those reasons should be considered as good as the reasons you or I have as adults to not want to kiss someone (picture that you were obligated to!). And above all, it doesn’t seem beneficial to me if a child learns that what older people say is, from the outset, correct without questioning it. That’s exactly what generates people that cannot think for themselves and we do not want educate such people, do we?

Pro: We teach the child to have respect for older people. Con: Compel someone to do something does not teach respect, it teaches blind obedience.

Pro: The grandma is happy because she got a kiss from her grandchild. Con: If we explain to the grandma (or any other person) why we don’t force the child to kiss her, perhaps she can understand. More, eventually if the grandma stops requesting kisses from the child, they can end up giving her more affection from their own initiative, when they feel like doing it, and that will certainly make the grandma happier that gaining a forced glancing kiss.

I challenge those who don’t agree, to tell me what do we gain by forcing children to give kisses to people.

I do not recall ever being forced to give a kiss to my grandparents, I guess I did it with free will. However, I do remember being asked to kiss other people. Mostly older ladies, as I joined my grandma for a walk at her neighbourhood and every time we met one of her friends, she would kindly ask me to greet them with a kiss. I recall that I considered them as outsiders, with weird smells and facial hair that seemed to prick or lips that would drool all over my face. It seems reasonable to me that I wasn’t keen to kiss them and in truth I can’t see what any of us would gain with this “theatrical performance” (my grandma, her friends or myself).

And here can come the advocates of “I don’t see what harm can be done by obligating kids to kiss whoever it is” because, just as I said, I was too obligated and didn’t have any problem because of that. And my answer is: You have no idea!

What I’m about to share here, not many people know. It’s a subject that created shame for quite a long time in my life, and lots of outrage too. With respect to the shame, I know nowadays that it isn’t me who should feel it, and regarding the outrage it is not completely surpassed, and perhaps will never be.

When I was a child, a man that was as old as my grandfather, insisted in touching me in a rather strange way – that’s how I saw things back then. Today I know that he would touch my body in such areas where those who do are called pedophiles. At the time, it seemed odd to me, he would pretend to tickle me just to touch my butt or between my legs. He would also ask me to sit on his lap to “play horsey” when in fact what he just wanted was to rub himself on me in a way that today (not back then) I acknowledge as sexual. I encountered this man several times a week as he was my dad’s employee and, despite my lack of discernment to put two and two together (literally), he would only do those things when there were no other adults around. I was taught that older people did the right thing, that I should accept affection demonstrations for them without complaining, and to respect them. That made me put up with those weird acts, that would would make me feel very uncomfortable, without even mentioning it to any adult because I thought there was nothing to tell.

Until one day, this man took my sister and I to a small archive room and locked us inside with him. He told me to be quiet and facing the door, he bent his knees (because I was way shorter than him) and started to rub his parts in my butt, moving legs and hips. I realised then that something here wasn’t right. Despite being just a child that happening caused me a lot of shame. I recall telling my mother, with tears rolling down my face, that I no longer wanted my father to bring me to his workplace. My mother found this to be strange because going to my dad’s office was something that I enjoyed as I would get amused by the typewriter, calculators and other tech treasures to which I didn’t have access in any other place. Somehow, many tears later as I had so much shame to put that episode in words, I finally explained to my mom what had happen, together with the other odd stuff that he had done before. My sister confirmed my story. Again, my shame was such that I asked my mother to promise not to tell my father what she had just learned from us. This shame prevented me from even thinking about talking about this issue directly with my dad, if I was eventually queried by him. My mother then talked to my father and said that she had heard my sister and I chat about it. Both my sister and I were never again let alone with this man, however he ended up still working there for many more years.

Back to my outrage. No, I won’t say who is the pedophile that molested me when I was a young girl, I don’t even know if he is still alive, and besides my memories no other proof remained. I’m not outraged at my mother, that didn’t take the best measures (those measures that I would take today if I was in her position), nor at my father for not trying to understand what was really happening and to keep that man as an employee. My revolt is even less towards my grandma that obligated me to kiss other elderly people.

I know that if I was brought up to understand that intimacy requires consent and that it is not ok when an older person claims a certain intimacy level with me, instead of learning that it’s necessary to give kisses to older people by their or other adults request… if I was to be raised to respect myself and strive to be respected by others, instead of having to respect older people only because of their age… if I was brought up to place my desire and comfort above other people’s satisfaction for getting a kiss from a countered child…if only all of this had happened in this way and no other, maybe I would have never given this man the first chance to molest me and perhaps would never been through all of this. To this day I think that, had I never been so scared with that last event, a much more traumatising one could have succeeded.

I can’t say that I feel revolt due to the way I was brought up. What is outraging to me is that nowadays, with all the information we have available, and with people open to talk about these topics, is that still to this day there are people who refuse to question “normal” practices just because that’s how they have been done so far. What is outraging to me is that so many people that I consider as intelligent, without even taking five minutes to think about the subject, had the need to repudiate a valid opinion.

When someone tries to force a child to greet me with a kiss, I’m the first to say that I don’t want it. And when (if anytime) I’ll have my own children, they won’t be obligated to kiss their grandparents, nor aunts, nor even myself. If anyone will think that my kids are ill-mannered just because they don’t greet with a kiss, I can’t even bother. I don’t think that the goal is to raise “rubber stamps” but rather individuals that can think.


¡Dale un besito a la abuela! (ES)

Desde octubre que quiero escribir este artículo. Vengo a hablar sobre algo que ha levantado alguna polémica en Portugal a mediados de ese mes. En ese momento estábamos preparando el lanzamiento del blog, y no quise empezar tan pronto con un tema tan controvertido.

Es normal que l@s lector@s hispanohablantes no estuvisteis al tanto de esa polémica por lo que paso a explicar lo que sucedió. El 16 de octubre en un programa de debate en RTP (canal de la televisión pública portuguesa) llamado “Prós e Contras” (Pros y Contras), se discutió el movimiento #MeToo y sus repercusiones sociales en Portugal y en el mundo. Durante el debate un profesor universitario dijo una frase que chocó a mucha gente. La frase dicha por Daniel Cardoso (el profesor) fue: “Educación es cuando la abuelita o el abuelito van a la casa y se obliga al crío a dar un besito a la abuelita o al abuelito.  Esto es educación, estamos educando para la violencia sobre el cuerpo del otro y de la otra desde niñ@s. Obligar alguien a tener un gesto físico de intimidad con otra persona como obligación coercitiva es una pequeña pedagogía que después crece”.

Yo no veo la tele, pero a través de facebook me dí cuenta de este fenómeno. Y fue allí donde vi levantarse una ola de verdadero odio hacia una persona que no había hecho más que dar su opinión. Los insultos iban de tonto p’arriba (o quizás la expresión correcta sería p’abajo, ya que el nivel también bajaba) e además de discrepar, en letras mayúsculas y con muchos puntos de exclamación, de la idea de que no se deben obligar a los niños a besar a los abuelos (porque esas personas, que insultaban, también habían sido obligadas a dar besos a los abuelos y continuaban de “buena salud”, o porque obligaban a sus hijos a hacerlo y querían reafirmar que estaban haciendo lo correcto) la mayoría aprovechó para incluir en la discusión la apariencia física de Daniel, sus relaciones personales y sus gustos sexuales (todos considerados bastante fuera de lo normal dentro de los parámetros de nuestra sociedad).

Yo hasta entiendo la reacción emocional de las personas que procedieron así. Al final nos toca profundamente el ego cuando alguien viene a decir que una de las cosas que aceptamos como normales y por eso correctas (tenemos la tendencia para erróneamente correlacionar una cosa con la otra), es una práctica nociva. Y como la mayoría de la gente no quiere ir realmente al fondo de la cuestión, preguntándose verdaderamente sobre el tema, es más fácil ser infantil y disparar como argumentos cosas que no tienen nada que ver con lo que fue declarado por Daniel, como el hecho de él llevar el pelo largo y tener una apariencia poco masculina (¡en serio!,¿ pero qué diablos interesa eso para la conversación de los besos a los abuelos?).

Empecemos el ejercicio de pensar realmente sobre el tema. ¿Cuáles son los pros y contras de obligar a un niño a dar un beso a los abuelos, o a cualquier otra persona – ya sea la madre, la tía alejada o el amiguito de la escuela?

Pro: La niña o el niño aprende que se debe saludar a las personas, incluso cuando no apetece, y que saludar tiene que ser a través de contacto físico y alguna intimidad, como la que requiere el beso en la cara. Contra: Arriba está una lección sin pies ni cabeza, primero porque incluso los adultos a veces no saludamos a las personas que conocemos por alguna razón, después porque hay más formas de saludar a las personas sin tener que besar o incluso sin entrar en contacto físico.

Pro: La niña o el niño aprende que debe hacer lo que se le manda y que lo que se le manda hacer es lo correcto, porque los mayores son los que saben. Contra: Pero a veces los mayores no saben todo, no saben lo que pasa dentro de la cabeza del@ niñ@, ni comprenden las razones que él/ella pueda tener para no querer besar a alguien, y esas razones deben ser consideradas tan buenas como las que podamos tener tu y yo como adult@s para no querer besar a alguien (¡imagina que te obligan!). Y sobre todo no me parece tan beneficioso que un@ niñ@ aprenda que lo que los mayores dicen está desde un principio correcto, sin cuestionar. Eso es lo que produce personas que no piensan por las propias cabezas, y no queremos educar a personas así, ¿verdad?

Pro: Enseñamos al@ niñ@ como tener respeto por los mayores. Contra: Coaccionar a alguien a hacer algo no enseña respeto, enseña obediencia ciega.

Pro: La abuela se queda contenta de haber ganado un beso del nieto o de la nieta. Contra: Si le explicamos a la abuela (o a quien sea) porque no obligamos a dar besos quizás ella lo entienda. Y más, si la abuela eventualmente deja de pedir besos al@ niñ@ est@, por iniciativa propia, puede venir a darle más cariño cuando realmente le apetezca, y eso ciertamente hará la abuela más feliz que un beso de raspón por obligación.

Desafío a quien no está de acuerdo que me diga entonces lo que se gana obligando a l@s niñ@s a dar besos a las personas.

Yo no recuerdo que alguna vez me tuvieran que obligar a dar besos a mis abuel@s, creo que siempre lo hice de libre voluntad. Pero recuerdo bien de sí que me hacían dar besos a otras personas, recuerdo principalmente cuando iba con mi abuela por el barrio donde ella vivía, y como siempre que encontraba una amiga me pedía que yo las saludara con un besito. Recuerdo que eran viejitas extrañas para mí, con olores extraños y con bigotes que parecían picar o labios que parecían dejar babas por el camino. Era normal que yo no tuviera ningún interés en besarlas, y en realidad tampoco veo lo que ninguna de las partes ganaba con todo aquel teatro (ni yo, ni mi abuela, ni sus amigas).

Y ahora pueden venir los defensores del “no viene ningún mal al mundo por hacer los niños dar besos a cualquiera que sea” porque, al parecer, yo misma fui obligada y no tuve ningún problema a causa de eso. Y yo digo: ¡Es en eso que ustedes se equivocan!

Lo que voy a compartir a continuación lo saben muy pocas personas. Es un tema que durante mucho tiempo de mi vida me provocó vergüenza, y mucho enojo. En cuanto a la vergüenza hoy en día sé que no soy yo quien la deba sentir, y en cuanto al enojo no está completamente superado, y quizás nunca lo esté.

Cuando era pequeña, un señor que tenía edad para ser mi abuelo insistía en tocarme de manera poco normal – eso era como yo veía la cosa en aquellos tiempos. Hoy sé que él me palpaba en zonas del cuerpo donde quien lo hace es descrito como pedófilo. En la época sólo me parecía extraño, él fingía que me hacía cosquillas para ponerme la mano en el cilo y entre las piernas. O me pedía que me sentara en sus piernas para ‘hacer el caballito’ cuando en realidad lo que hacía era frotarse en mí de una manera que hoy (no en aquella época) reconozco como sexual. Yo veía a este señor varias veces por semana, porque él trabajaba para mi padre y, a pesar de que no tenía discernimiento para juntar dos más dos (literalmente), sólo me hacía aquello cuando no había más adultos cerca. Me enseñaron que los mayores hacían lo correcto, que debía aceptar las demostraciones de cariño de los mayores sin quejarme, y que tenía que respetar a las personas mayores. Eso me hizo aguantar estas prácticas extrañas, que me dejaba muy incómoda, sin hablar del tema a ningún otro adulto porque creía que no había nada que contar.

Hasta que un día este señor nos llamó a mi hermana y a mi, nos llevó para dentro de una pequeña sala de archivo y nos cerró dentro. Me dijo que me quedara quieta de cara hacia la puerta y, con las rodillas dobladas, pues yo todavía era bastante más baja que él, empezó a frotarse en mi culo, con un movimiento de piernas y caderas. Eso finalmente me hizo desconfiar que algo no estaba bien. A pesar de ser tan pequeña ese episodio me provocó mucha vergüenza. Me acuerdo de decir a mi madre llorando que no quería que mi padre me llevara más a su trabajo. A mi madre le pareció extraño porque de normal me gustaba ir allí, porque me entretenía con máquinas de escribir, calculadoras y otros tesoros tecnológicos a los que no tenía acceso en otro sitio. A mucho costo y después de muchas lágrimas, porque yo tenía vergüenza de poner aquel acto en palabras, le conté a mi madre lo que había sucedido y también conté sobre las otras cosas que me hacía y me parecían raras. Mi hermana confirmó mi historia. Yo tenía tanta vergüenza, que le pedí a mi madre que me prometiera que no diría a mi padre que le habíamos contado todo esto. Tenía tanta vergüenza que no podía soportar tener que hablar con mi padre sobre ello si él me lo preguntara directamente. Mi madre habló con mi padre y le dijo que había escuchado una conversación entre mi hermana y yo sobre aquello. Jamás nos volvieron a dejar a solas con aquel señor, pero él continuó allí por muchos más años.

Volviendo a mi enojo. No, no voy a decir quién fue el pedófilo que me molestó cuando yo era niña, ni sé si aquel hombre todavía está vivo, y de todos modos no tengo ninguna prueba más allá de mis memorias. No estoy enojada con mi madre por no haber tomado medidas más asertivas (las que creo que tomaría si estuviera en su lugar hoy), ni con mi padre por no haber intentado percibir realmente lo que había pasado y por haber dejado que aquel hombre continuara trabajando para él. Mucho menos estoy enojada con my abuela que me obligaba a dar besos a otras personas mayores.

Sé que si hubiera sido educada para saber que las intimidades necesitan consentimiento y que no está bien que una persona mayor, sólo por serlo, pueda exigir un cierto nivel de intimidad física conmigo, en vez de aprender que hay que dar besos a los mayores cuando estos me lo piden u otro adulto lo demanda … si hubiera sido educada para respetarme, y luchar para que me respetaran, en vez de tener que respetar a los mayores, sólo por cuestión de edad … si hubiera sido educada para poner a mis deseos y mi comodidad delante de cualquiera que sea la satisfacción (no percibo realmente) que alguien obtiene por conseguir ganar un beso de un@ niñ@ contrariado … si todo esto hubiera ocurrido así y no de la manera que ocurrió, quizás ni siquiera le hubiera dado la primera oportunidad a este hombre para molestarme y quizás nunca tuviera que pasar por todo esto. Hoy todavía pienso que si no me hubiera asustado tanto con aquel último episodio, uno bastante más traumático podía haberse seguido.

Pero yo tampoco me siento enojada por mi educación no haber sido diferente. Lo que realmente me enoja es que en los días de hoy, con toda la información que tenemos, y con personas finalmente dispuestas a hablar abiertamente de estos temas, todavía hay gente que se niega a cuestionar prácticas ‘normales’ sólo porque las cosas se hicieron así toda la vida. Lo que me enoja es que tanta gente que considero inteligente, sin pensar cinco minutos sobre el tema, tuvo la necesidad de repudiar una opinión que sé que es muy válida.

Cuando alguien intenta forzar a l@s niñ@s a saludarme con un beso, soy la primera en decir que no quiero. Y cuando (si alguna vez) tengo hij@s no voy a obligarl@s a dar besos a los abuelos, ni a las tías, ni a mí misma. Si alguien cree que mis crí@s son maleducad@s por no besar a demanda, problema suyo, no creo que el objetivo deba ser criar títeres, sino educar a seres pensantes.

Espelho mágico

Magic mirror (EN)

Espejo mágico (ES)

Espelho mágico (PT)

Espelho meu, espelho meu…

O que pensas quando te olhas ao espelho? Gostas do que vês? Gostavas que algo fosse diferente? Até onde irias para mudar algo no teu aspecto físico? Fazer dieta, fazer mais desporto, mudar os hábitos de alimentação e movimento, fazer um tratamento, passar por uma cirurgia plástica?

Eu sempre fui vaidosa, quem me viu crescer deu por mim mais de uma vez a dançar em frente ao espelho, a fazer caretas, ou simplesmente a admirar o bem que ficava com o vestido novo. Mas a partir da adolescência o espelho deixou de ser tão simpático. Sempre tive uma certa gordurinha abdominal (mesmo quando era criança e tinha as pernas tão magras como dois palitos) mas até aos 14 anos isso não me importava. Apareceram-me varizes aos 16 anos (por causa da pílula contraceptiva, história que deixarei para outro artigo), quando me mudei de Évora (onde vivi até aos 18 anos), para ir viver e estudar em Lisboa, engordei uns 7/ 8 quilos, e já não me lembro quando percebi que tinha celulite. Lembro-me de achar que tinha a cintura pouco marcada e que tinha pouco peito (o que me fazia usar sutiãs “push-up” com enchimento, sem eles sentia que não era ninguém). Lembro-me de não comprar certas peças de roupa porque “me faziam as coxas largas”.

Um conjunto de factores (como a morte da minha mãe, o Yoga e outros dos quais acabarei por falar eventualmente noutros artigos) fez com que chegasse aos 29 com uma total aceitação do meu corpo. Não me lembro do momento em que o espelho deixou de ser um crítico de beleza, até porque acho que não foi da noite para o dia.

O Yoga foi definitivamente um dos fatores que contribuiu para mudar a minha relação com o meu corpo. Uma das características do Yoga é que o praticante deve estar consciente do seu corpo durante a prática. O que muitos professores chamam de “ouvir o teu corpo” é na verdade a melhor ferramenta para manter o equilíbrio entre desafiar o corpo mais um pouco sem abusar e produzir lesões. Esta concentração nas capacidades e limites do meu corpo, durante a hora e meia de cada prática, faz-me reconectar com este instrumento maravilhoso que a natureza me deu.

O Yoga alterou completamente os objectivos que tinha quando praticava outras actividades físicas. Deixei de fazer exercícios abdominais para ter uma barriga mais lisa, para passar a fazê-los para fortalecer o meu centro e poder evoluir dentro da prática. Deixei de querer ter umas pernas mais finas e mais tonificadas e passei a concentrar-me em ter umas pernas mais fortes e mais flexíveis. Deixei, aos poucos, de querer ter um corpo que parecesse assim ou assado, para passar a trabalhar para ter um corpo que pudesse fazer isto ou aquilo. Como ter mais autonomia na hora de levantar e carregar coisas pesadas ou poder chegar a ser uma velhota com muita genica que não precise de ajuda para as tarefas do dia a dia.

O Yoga ensinou-me esta lição mas não precisamos ir tod@s practicar Yoga para a aprender. Basta termos mais consciência dos nossos corpos. Quando te baixares para apertar o sapato, baixa-te lentamente, percebe até onde vai o teu tronco sem dobrares as pernas. Se não consegues chegar aos atacadores então dobra as pernas o suficiente para chegar. E quando estiveres lá em baixo, ouve o teu corpo, percebe o que te diz. Podes fazer isto com outros movimentos, ou fazê-lo enquanto estiveres no ginásio, ou no cross-fit. Até quando estiveres a tomar banho, concentra-te na tua pele e na sua resposta à temperatura da água.

Quando crias uma relação de amizade e confiança com o teu corpo, o que ele parece segundo o reflexo do espelho deixa de importar, o que importa agora é o como te sentes dentro dele.

…quem é mais bela do que eu?

Quantas vezes já ouviram uma amiga dizer “Quem me dera ter um corpo como o da ______”? – Preencher o espaço em branco com o nome de qualquer famosa que seja nacional ou internacionalmente reconhecida como ‘“boazona’”. – Quantas vezes já o pensaste tu? – Falo directamente às mulheres, pois a minha experiência não me permite entender tão bem como os homens vivem estas questões da aceitação do próprio corpo.

Há uns dois ou três anos atrás, falava com uma amiga e ela disse: “Ai, se eu tivesse o corpo da _____…”. A frase acabou aqui claro, acaba sempre. É uma frase que fica suspensa. E fica suspensa porque quem a diz não chega a pensar realmente na outra parte. O “se” é uma conjunção subordinativa condicional, o que significa que, neste contexto, indica uma hipótese. Mas nunca ninguém diz o que aconteceria “se tivesse aquele corpo”. Para surpresa da minha amiga eu decidi perguntar: “Se tivesses o corpo da ______, o quê? O que aconteceria? O que seria diferente?”.

A minha amiga é uma rapariga normal, como uma massa corporal bastante dentro do que é considerado saudável, ela não tem nenhum problema ao nível da mobilidade e faz até desporto e dança. Apesar de não haver realmente nada de errado com o seu corpo, ela não tem o que a nossa sociedade considera um “corpo perfeito”.

Então, de que lhe serviria ter um “corpo perfeito”? De que serve a qualquer um@ de nós? Seríamos tod@s modelos ou atrizes/actores famos@s? Mas e quem não quer ter uma profissão relacionada com a beleza física? Ter um “corpo perfeito” será sinónimo de felicidade? Ou sinónimo de uma vida amorosa de sonho? Basta pensarmos um bocado para percebermos que não, apesar de ser essa a mensagem que recebemos dos meios de comunicação e das redes sociais a toda a hora, ISSO NÃO É VERDADE. E no fundo tod@s o sabemos. Também bastam alguns “clicks” para percebermos que @s que supostamente já têm o “corpo perfeito” estão obcecad@s por mantê-lo, ou, na maioria acham que ainda não o atingiram. Hum… isto parece-me mais uma daquelas buscas intermináveis por um ideal incansável.

Atenção, ninguém está a dizer que devemos deixar de fazer qualquer tipo de exercício físico, nem começar a comer sem qualquer controlo, por que a forma física não importa. Ela importa, importa que estejamos saudáveis, que tenhamos força, que mantenhamos o corpo e flexível e preparado, para aquela corrida até à porta do autocarro que está quase a partir, ou para carregar aquelas caixas da mudança de casa. Para que no futuro tenhamos energía e saúde para brincar com os netos ou para ser @ próxim@ Iron Nun. Importa muito que nos sintamos bem no nosso corpo, que o amemos e respeitemos, até que a morte nos separe… dele.


Espejo mágico (ES)

Espejito, espejito, dime una cosa…

¿Qué piensas cuando te miras al espejo? ¿Te gusta lo que ves? ¿Te gustaría que algo fuera diferente? ¿Hasta dónde irías para cambiar algo en tu aspecto físico? Hacer dieta, hacer más deporte, cambiar los hábitos de alimentación y movimiento, hacer un tratamiento, pasar por una cirugía plástica?

Yo siempre fui vanidosa, quien me vio crecer me encontró más de una vez bailando frente al espejo, o haciendo muecas, o simplemente admirando lo bien que me quedaba el vestido nuevo. Pero a partir de la adolescencia el espejo dejó de ser tan simpático. Siempre tuve una cierta grasa abdominal (incluso cuando era niña y tenía las piernas tan delgadas como dos palillos) pero hasta los 14 años eso no me importaba. A los 16 años me salieron varices (a causa de la píldora anticonceptiva, una historia que dejo para otro artículo), cuando me mudé de Évora (donde viví hasta los 18 años), para ir a vivir y a estudiar en Lisboa, gané unos 7/8 kilos, y ya no recuerdo cuando fué que percibí que tenía celulitis. Me acuerdo pensar que tenía la cintura poco marcada, y que tenía poco pecho (lo que me hacía usar sujetadores ‘push-up’ con ‘relleno’, sin ellos sentía que no era nadie). Me acuerdo de no comprar ciertas prendas porque “me hacían los muslos anchos”.

Un conjunto de factores (como la muerte de mi madre, el Yoga y otros de los cuales acabaré por hablar eventualmente en otros artículos) hizo que llegase a los 29 con una total aceptación de mi cuerpo. No recuerdo el momento en que el espejo dejó de ser un crítico de belleza, incluso porque creo que no fue de la noche a la mañana.

El Yoga fue definitivamente uno de los factores que contribuyó para cambiar mi relación con el cuerpo. Una de las características del Yoga es que el practicante debe ser consciente de su cuerpo durante la práctica. Lo que muchos profesores llaman “oír tu cuerpo” es en realidad la mejor herramienta para mantener el equilibrio entre desafiar al cuerpo un poco más pero sin abusar y producir lesiones. Esta concentración en las capacidades y límites de mi cuerpo, durante la hora y media de cada práctica, me hace reconectar con este maravilloso instrumento que la naturaleza me ha dado.

El Yoga cambió completamente los objetivos que tenía cuando practicaba otras actividades físicas. Dejé de hacer ejercicios abdominales para tener una barriga más lisa, para pasar a hacerlos para fortalecer mi centro y poder evolucionar dentro de la práctica. Dejé de querer tener unas piernas más finas y más tonificadas y pasé a concentrarme en tener unas piernas más fuertes y más flexibles. Dejé, poco a poco, de querer tener un cuerpo que pareciera así o asá, para pasar a trabajar para tener un cuerpo que pudiera hacer esto o aquello. Como tener más autonomía a la hora de levantar y cargar cosas pesadas o poder llegar a ser una vieja con mucha vitalidad y que no necesite ayuda para las tareas del día a día.

El Yoga me enseñó esta lección pero no es necesario practicar Yoga aprenderla. Basta con tener más conciencia de nuestros cuerpos. Cuando te bajes para apretar los zapatos, bájate lentamente, percibe hasta donde va tu torso, sin doblar las piernas. Si no puedes llegar a los cordones, entonces dobla las piernas, pero solo lo suficiente para llegar. Y cuando estés allá abajo, oye tu cuerpo, percibe lo que te dice. Puedes hacer esto con otros movimientos, o hacerlo mientras estés en el gimnasio, o en el cross-fit. Hasta lo puedes hacer mientras que estés duchando, concentrándote en tu piel y en su respuesta a la temperatura del agua.

Cuando creas una relación de amistad y confianza con tu cuerpo, lo que él parece según el reflejo del espejo deja de importar, lo que importa ahora es lo que sientes desde dentro de él.

…¿quién en este reino es la más hermosa?

¿Cuántas veces has escuchado a una amiga decir “Ojalá tuviera el cuerpo como el de ______”? – Rellenar el espacio en blanco con el nombre de cualquier famosa que esté reconocida nacional o internacionalmente como ‘muy buena’. – ¿Cuántas veces lo has pensado tú? – Hablo directamente a las mujeres, porque mi experiencia no me permite entender tan bien como viven los hombres estas cuestiones de la aceptación del propio cuerpo.

Hace unos dos o tres años, hablaba con una amiga y ella dijo: “Ay, si yo tuviera el cuerpo de ______…”. La frase acabó aquí claro, siempre acaba aquí. Es una frase que se suspende. Y queda suspendida porque quien la dice no llega a pensar realmente en la otra parte. El “si” es una conjunción condicional, lo que significa que, en este contexto, indica una hipótesis. Pero nunca nadie dice lo que sucedería “si tuviera ese cuerpo”. Para sorpresa de mi amiga decidí preguntarle: “Si tuvieras el cuerpo de  ______, ¿qué? ¿Qué sucedería? ¿Qué sería diferente?”.

Mi amiga es una chica normal, como una masa corporal bastante dentro de lo que se considera sano, no tiene ningún problema al nivel de la movilidad y hace hasta deporte y danza. A pesar de que no hay realmente nada malo con su cuerpo, no tiene lo que nuestra sociedad considera un “cuerpo perfecto”.

Entonces, ¿de qué le serviría tener un “cuerpo perfecto”? ¿De qué sirve a cualquier@ de nosotr@s? ¿Seríamos tod@s modelos o actrices/actores famos@s? Pero, ¿y quién no quiere tener una profesión relacionada con la belleza física? ¿Tener un “cuerpo perfecto” es sinónimo de felicidad? ¿O sinónimo de una vida amorosa de sueño? Basta pensar un poco para percibir que no, a pesar de ser ese el mensaje que recibimos de los medios de comunicación y de las redes sociales a toda hora, ESO NO ES VERDAD. Y en el fondo tod@s lo sabemos. También bastan algunos “clicks” para percibir que l@s que supuestamente ya tienen el “cuerpo perfecto” están obcecad@s por mantenerlo, o la mayoría creen que aún no lo han alcanzado. Jo … esto me parece una de aquellas búsquedas interminables por un ideal inalcanzable.

Atención, nadie está diciendo que debemos dejar de hacer cualquier tipo de ejercicio físico, ni empezar a comer sin ningún control, por qué la forma física no importa. Si que importa, es importante que estemos san@s, que tengamos fuerza, que mantengamos el cuerpo flexible y preparado para aquella carrera hacia la puerta del autobús que está a punto de salir, o para mover esas cajas de la mudanza de casa. Para que en el futuro tengamos energía y salud para jugar con los nietos o para ser la próxima Iron Nun. Importa mucho que nos sintamos bien en nuestro cuerpo, que lo amemos y lo respetemos, hasta que la muerte nos separe… de él.