Vamos falar de masturbação feminina… yep isso mesmo MASTURBAÇÃO FEMININA. Parte I

Na minha opinião, a masturbação feminina, assim como outros temas “femininos” (como a menstruação) ainda é um grande tabu na nossa sociedade. Só agora (em plena segunda década do século XXI) é que os meios de comunicação e entretenimento começam a falar deste tema (mesmo que na maioria das vezes seja entre risos nervosos) de forma mais ou menos aberta. Há uns meses surgiu o fenómeno do “Satisfyer Pro” que veio dar mais um empurrão à normalização do auto prazer feminino. 

Mas isto por aqui (Portugal, Península Ibérica, Europa, mundo ocidental…) não foi sempre assim, e numa grande parte do mundo ainda não é. 

Quem já leu dois ou três dos meus artigos sabe que gosto de abordar quase todos os temas desde a minha própria experiência. Primeiro porque acho que é a maneira mais verdadeira de falar sobre as coisas e depois porque acho que partilhar as minhas experiências pode sempre ajudar alguém. 

Este tema é para mim um dos temas mais importantes no que diz respeito à luta pela equidade de género. E é um tema que me diz muito pessoalmente porque carreguei, durante toda a minha infância e parte da minha adolescência, um trauma relacionado com o tabu da masturbação feminina (que se há 15 anos atrás ainda era um grande tabu, mais ainda há 30 anos)

A minha experiência com a masturbação começou quando ainda nem sabia nada sobre sexo, nem sobre desejo sexual. Por estranho que possa parecer a algumas pessoas (e isso será ainda efeito do velho tabu) não é raro que as meninas pequenas descubram sozinhas que a estimulação da zona genital é muito prazerosa. Eu devia ter cerca de 2 ou 3 anos quando inocentemente me comecei a esfregar nas almofadas (literalmente). 

A masturbação nessas idades é uma gratificação meramente sensorial, não há, em situações normais, qualquer carácter sexual e esse era também o meu caso. A prova disso é que o fazia à frente de toda a gente. Para mim aquilo era algo prazeroso, como coçar-me se tivesse uma comichão, ou comer doces (sempre fui gulosa), na minha cabeça não havia qualquer revelação de que aquilo era (no mundo dos adultos) considerado inapropriado.

O meu pediatra da altura disse à minha mãe que por causa dos meus comportamentos precoces a minha vida sexual começaria muito cedo (WTF?!) O tabu não existia só entre os profissionais de saúde mas também dentro da minha família. A minha mãe não soube como lidar com a situação (não sei se o meu pai tem alguma constância desta história) e falou com algumas mulheres da familia para a ajudar a resolver o “problema”. Uma tia disse-me que eu ficaria com as pernas tortas. A minha avó paterna uma vez apanhou-me a faze-lo no sofá da sala, levantou as mãos à cabeça e zangou-se muito dizendo algo sobre o demónio. Mas a “estratégia” que mais teve impacto foi a de outra familiar que teve a excelente ideia (alerta de sarcasmo) de me contar uma história assustadora de como, se eu continuasse a fazer “aquilo”, o meu osso púbico ía se desgastar e desaparecer. Isto enquanto ilustrava o que aconteceria ao meu “osso do pipi” esfregando uma cenoura na bancada de mármore da cozinha (e esta se desfazia perante o meu olhar aterrorizado). 

O “problema” não era o facto de eu me masturbar (a masturbação é algo natural e saudável em todas as idades), mas sim o facto de o fazer em público. O que as pessoas informadas fazem quando se deparam com uma criança que se masturba em público é explicar a essa criança (todas as vezes que forem necessárias) que “aquilo” apesar de não ser “mau”, é algo privado que devemos fazer quando estamos sozinhas, não à frente de outras pessoas e menos ainda de desconhecidos.  

Agora vocês perguntam: a estratégias aplicadas funcionaram? Sim, mas não como elas esperavam. Eu não deixei de me masturbar, mas comecei a fazê-lo às escondidas, não porque aquilo era algo íntimo e privado, mas porque era algo mau para mim, para a minha saúde, e se alguém me visse fazê-lo de certeza que se zangariam comigo. Eu masturbava-me com um enorme sentimento de culpa, porque pensava que ao fazê-lo estava a pôr em risco a minha saúde. E foi assim durante quase 10 anos. 

Nesses anos a minha relação com a masturbação foi mudando, começou (como também é natural) a ter um carácter mais erótico, mas como era tabu eu continuava a pensar que “aquilo” que eu fazia era vergonhoso porque era mau para mim. Eu não sabia que “aquilo” era uma coisa natural, que se chamava masturbação

Até um certo dia em que fui ao teatro com a minha mãe ver uma peça durante a qual usavam muitas vezes uma palavra que eu nunca tinha ouvido: “masturbação”. Quando saímos do teatro eu perguntei à minha mãe o que significava e ela explicou-me que era quando as pessoas davam prazer a elas próprias através da estimulação dos genitais e que era algo natural e saudável, a menos que houvesse uma espécie de vício (estou a parafrasear, já não me lembro das palavras exactas que ela usou… isto foi à mais de 20 anos). E depois acrescentou algo como: “aquilo que tu fazias quando eras pequenina, não sei se ainda te lembras”. O mundo parou de girar. 

Então afinal “aquilo” não era mau, era natural e saudável? Afinal o meu osso púbico não se ía desintegrar? E as minhas pernas não iam ficar tortas? Afinal todo aquele sentimento de culpa tinha sido desnecessário? Todas as vezes que tinha sofrido em silêncio eram escusadas? Todos os pesadelos em que me aconteciam coisas terríveis por me masturbar podiam ter sido evitados?

Acho que poucas vezes me senti tão revoltada, mas não o demonstrei, tive vergonha. A minha mãe nunca soube que aquela intervenção teve um grande impacto no meu desenvolvimento psicológico e sexual. Ainda hoje tenho pesadelos relacionados com o sentimento de culpa que a masturbação acarretou durante quase uma década. 

Socialmente, mais cedo ou mais tarde, espera-se que os rapazes se comecem a tocar e a masturbar. Quando os adultos veem o bebé a tocar na pilinha acham piada, riem-se e acham normal, mais tarde quando os rapazes se começam a masturbar toda a gente aceita isso como natural e normal, tanto que geralmente (e corrijam-me e se estou incorreta) os progenitores dão alguma privacidade aos rapazes para não acontecerem “constrangimentos”. A minha percepção da nossa sociedade leva-me a pensar que isto não é exatamente assim (ou não o era há 30 anos atrás) no caso das raparigas .

Eu própria tenho muitas questões sobre esta parte da história. O resto da história, a parte após saber o que era a masturbação, fica para o meu próximo artigo, fiquem atentxs!

Algumas das minhas perguntas são:

Teriam as coisas sido diferentes se na altura o meu médico pediatra fosse alguém mais evoluído e menos conservador? Relembro que ele fez um paralelismo entre duas coisas que não têm nada a ver: o facto de me masturbar aos 3 anos de idade e como isso iria acelerar a minha entrada na vida sexual (não foi o caso, eu comecei a minha vida sexual aos 16/17 anos, tudo muito dentro da “normalidade” e não há nenhum estudo que indique que as pessoas que se começam a masturbar mais cedo também começam a vida sexual mais cedo – eu pesquisei). 

Será que a opinião da minha mãe mudou durante esses 10 anos? Porque se não, que sentido teve que ela tentasse que eu deixasse de fazer algo que era perfeitamente natural e saudável, quando me podia ter apenas explicado que devia fazê-lo quando me encontrasse sozinha?

Também achas que é importante “normalizar” a masturbação infantil feminina? Devia falar-se mais sobre isso? Será que hoje em dia já é diferente? Será que as mães e pais de hoje em dia estão no geral preparados para lidar com meninas que se masturbam em publico de forma sensata e não traumática? Achas que a minha experiência foi uma agulha no palheiro e que a maioria da sociedade da época (sendo a minha família uma excepção) já via a masturbação infantil feminina como algo natural?

E tu, achas que a masturbação é algo natural e normal? Com que idade é que te começaste a masturbar? Queres a partilhar algo da tua história comigo? Connosco? Tens perguntas para mim?

 


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What happened when I stopped wearing a bra

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

O que aconteceu quando deixei de usar sutiã (PT)

Quando era miúda, ainda nem me tinham começado a crescer as maminhas e já dizia à minha mãe que queria usar sutiã. Lembro-me perfeitamente do primeiro conjuntinho de roupa interior, com cuequinha e top, que a minha mãe me comprou. Nesse dia fiz questão de posar para uma sessão de fotos caseira, vestida com esse conjunto e usando as minhas sandálias de salto alto (que tinham apenas três centímetros). Essas fotos vivem nalgum dos álbuns de família.

Comecei então a usar sutiã (ou algo parecido) quando ainda nem tinha mamas para ‘suster’. A pouco e pouco o seu uso começou a ser cada vez mais frequente – à medida que as minhas mamas também cresciam – até que passou a ser constante. Sair à rua sem sutiã passou a ser tão impensável como sair de casa sem cuecas. Sem sutiã sentia-me nua e desprotegida. Além disso durante muito tempo usei sutiãs que davam aos meus seios o aspecto que eu achava que eles deviam ter. O tamanho (maiores), forma (mais redondos) e localização (mais para cima) que eu achava que me fazia parecer mais desejável. Os sutiãs que usava davam volume através de esponjas e enchimentos, que apertavam os peitos em direcção ao centro e os puxavam para cima através de caixas com aros e muitos apertos.

Por outro lado, com o passar do tempo, o uso do sutiã começou a trazer cada vez mais desconforto. Ao ponto de ser a primeira coisa que tirava quando chegava a casa (muitas vezes até antes de descalçar os sapatos). A pouco e pouco deixei de usar sutiãs com “enchimento” e depois deixei de usar sutiãs com caixa. Durante uns anos usei sutiãs que se pareciam um pouco aos primeiros tops que a minha mãe me comprou quando era miúda, só que com tecidos e formas mais sexys e muito menos infantis. Ainda assim esses tecidos não eram a coisa mais confortável para mim, e os elásticos ainda apertavam.

Há um par de anos comecei a deixar de vestir o sutiã para ir à rua quando saía para fazer algo rápido, como deitar o lixo no contentor ou ir comprar algo à mercearia ao final da minha rua. Ao princípio sentia a tal sensação de nudez, de que estava a fazer algo errado ou até um pouco vergonhoso. Depois percebi que aquela sensação não era mais que isso, uma simples sensação, sem razão real. Essa sensação foi-se desvanecendo, e comecei a transgredir a norma cada vez mais vezes. Transgredir era exactamente o que comecei a sentir que fazia, cada vez que saía de casa sem o sutiã. Também essa sensação se foi desvanecendo, até que um dia percebi que não fazia sentido vestir algo que fisicamente me causava tanto desconforto.

Decidi deixar de usar sutiã no final do Inverno há dois anos atrás. Depois de um par de meses, livre de apertos, mas com várias camadas de roupa que ajudavam a que não se notasse tanto a falta dessa peça de roupa, veio o tempo dos tops, vestidos e t-shirts. Veio o tempo de assumir realmente a minha decisão. Agora era bastante evidente que não usava sutiã. O relevo dos meus mamilos era perceptível às vezes, a localização real dos meus seios também (uns bons três ou quatro centímetros mais abaixo da sua versão ‘sustentada’). O que a princípio causou algum constrangimento tornou-se verdadeiramente libertador. Além disso comecei a usar algumas peças de roupa que até então não usava porque não me agradava a forma como o sutiã ficava visível.

Antes de ter deixado de usar sutiã já era frequente fazer “top-less” na praia, depois deixou de me fazer qualquer sentido usar a parte superior do bikini. Só havia uma ocasião na qual ainda usava sutiã: para correr e fazer exercício. Ainda acreditava no mito que o peito podia sofrer algum tipo de lesão causada pelo seu livre movimento durante saltos e movimentos mais bruscos. Cerca de um ano depois de ter deixado de usar sutiã no dia-a-dia decidi sair para correr sem o sutiã desportivo porque não tinha nenhum lavado. Tal foi a minha surpresa quando, ao correr, o movimento não me causou nenhum tipo de dor nem desconforto. Quando há uns anos atrás até com o sutiã me doía o peito ao correr ou saltar!

Desde então sou 100% “bra free”. Desde então as minhas mamas estão mais firmes (apesar de já ter passado dos 30) e nunca mais ficaram doloridas depois de uma corrida. “Bra free” é como o movimento “barefoot” mas para as mamas, é mais um tipo de minimalismo, trata-se se eliminar algo que, no meu caso pelo menos, não trazia nenhum benefício mais além da prescrição social.

Alguns estudos apontam para a relação entre o uso de sutiãs e o cancro de mama, e já são muitas as plataformas que preconizam que deixar o sutiã não só traz conforto mas também pode ajudar a acabar com alguns tipos de dores de cabeça e de costas, melhorar a respiração e aumentar a auto-estima, entre outros benefícios. Eu tenho o peito pequeno, bem sei, mas não pensem que só as pessoas com o peito pequeno podem ser “bra free”. Na verdade há pela internet fora vários relatos, de mulheres com mamas de todos os tamanhos, que contam como o abandono dos sutiãs melhorou a sua qualidade de vida.

Afinal para que servem os sutiãs? Sutiã, vem do francês “soutien” que significa apoio ou suporte. Em português, apesar de não muito usado, outro nome para esta peça de roupa interior é “porta-seios” e a sua definição no dicionário é: Peça de vestuário feminino destinado a acomodar, acondicionar ou apoiar os seios”. Mas na realidade parece haver alguns indícios de que os seios afinal não beneficiam do suporte artificial.

Usamos sutiã porque aprendemos que é uma peça de roupa indispensável e normalmente não questionamos a sua real necessidade. Usamo-lo porque, na nossa sociedade, há uma dessas regras não escritas que diz que os mamilos femininos são ofensivos ou libidinosos e por isso merecedores de censura, ao passo que os mamilos masculinos não. A sociedade também dita que as mamas se querem bem puxadas para cima (para agradar à vista) mas sem que se movam demasiado (para não chamar demasiado a atenção para si mesmas?!).

Há mulheres que gostam de usar sutiã ou não se sentem cómodas sem ele. O propósito do movimento “Bra free” (e deste artigo) não é fazer com que todas as mulheres deixem de usar sutiã, nem muito menos criticar as que não abdicam desta peça de roupa, mas sim defender a liberdade de escolha para usar ou não sutiã, sem ter a preocupação da aceitação social, nem a pressão de mitos sem fundamento.

Estudos sobre o uso de sutiã e a sua relação com o cancro

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Alguns relatos de mulheres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

Indícios de que os seios não precisam de suporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

What happened when I stopped wearing a bra (EN)

My chest was still completely flat when I started asking my mother if I could get a bra.  I remember perfectly the first set of underwear with panties and top that she bought me. On that same day I posed for a homemade photo shoot, wearing that set and my high-heeled sandals (which were actually only three centimetres high). These photos live somewhere in one of the many family photo albums.

So I started wearing a bra (or something alike) when I did not even had breasts to be ‘hold’. Little by little the use of this piece of clothing became more frequent – as my breasts also grew – until it became constant. Getting out to the street without a bra became as unthinkable as going outside without panties. Without bra I felt naked and unprotected. Also for a long time I wore bras that gave my breasts the looks I thought they should have. The size (larger), shape (more rounded) and location (higher up) that I thought made me look more desirable. The bras I wore created volume through sponges and fillers, tightened my breasts toward the center and pulled them up through wires and grips.

On the other hand, as time passed by, the use of the bra began to bring more and more discomfort. To the point of being the first thing I took off when I got home (often even before taking my shoes off). I then avoided wearing “filled” bras and afterwards stopped using underwired bras. For some years I wore bras that looked more like the first tops my mother bought me when I was a small girl, but with sexier fabrics and shapes. Yet these fabrics were not the most comfortable thing for me as the elastic bands were tightened .

A couple years ago I slowly stopped wearing bra when going out to do something fast, such as taking out  the trash or running some errands at the end of my street. At first I felt a sense of nakedness and that I was doing something wrong or even a little bit shameful. Then I realised that the sensation was just that, a simple sensation, with no real reason. That feeling faded, and I began transgressing more and more often. Transgressing was exactly what I felt I was doing every time I left home without my bra. That feeling also faded away, until one day I realised that it no longer made sense to wear something which physically caused me so much discomfort.

I decided to stop wearing bra two years ago, by the end of the winter. After a couple of months of freedom, but with several layers of clothing that helped concealing the lack of that piece of clothing, there came the tops, dresses and t-shirts season. The time to really put up with my decision had come. Now it was pretty obvious that I was not wearing a bra. The shape of my nipples was noticeable at times, the actual location of my breasts too (a good eight or nine inches lower than their ‘sustained’ version). What initially caused some embarrassment became truly liberating. Plus I started wearing some clothes that I had not used before because I did not like the way the bra was visible when I wore them.

Even before I stopped wearing bras I would go top-less on the beach, but now it was just nonsense to wear a full bikini. There was only one occasion when I still wore a bra: for running and exercising. I still believed in the myth that the breasts could suffer some kind of injury caused by its free movement during jumps and more abrupt movements. One day, about a year after I had stopped wearing a bra on a daily basis, I decided to go jogging without a sports bra. And I was really surprised that when running, the movement did not cause me any kind of pain or discomfort. Only the year before I would get my breasts sore when running or jumping!

Since then I am 100% “bra free”. Since then, my breasts are firmer (though I’m past 30) and never got sore again after a jog. “Bra free” is like the “barefoot movement” but for the breasts, it is one more type of minimalism, it is about eliminating something that, in my case at least, did not bring any benefit beyond the social prescription.

Some studies point to the correlation between the use of bras and breast cancer, and there are already many platforms that advocate that ditching the bra brings not only comfort but can also help to fix some types of headaches and backaches, improve breathing and increases self-esteem, among other benefits. I know I have a small pair of daisies, but do not think that only people with small boobs can be “bra free”. In fact there are a few online personal testimonies of women, with all breasts sizes, who explain how ditching the bra improved their lives.

So, what are bras for? “Bra” is short for “brassiere” that comes from the French word “brassière” – shoulder strap (17c.) – and/or from the Old French braciere – arm guard (14c.). Its definition in the dictionary is: “a piece of women’s underwear that supports the breasts.” Well, in reality there seems to be some evidence that the breasts ultimately do not benefit from artificial support.

We wear bras because we learn that it is an indispensable garment and we do not normally question its real need. We use it because in our society there is one of these unwritten rules that says that female nipples are offensive or libidinous, and therefore worthy of censorship, while male nipples are not. Society also states that breasts should be pulled up (to please the eye) but should not move too much (as so not to draw too much attention to themselves?!).

There are women who like to wear a bra or do not feel comfortable without it. The purpose of the “Bra free” movement (and this article) is not to make all women stop wearing bras, let alone criticise those who do not give up this garment. But to defend the freedom of choice of either wearing or not wearing bra, without the concern of social acceptance nor the pressure of unsubstantiated health myths.

Studies on the use of bra and its relation with cancer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

 “Bra Free” platforms

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

Bra Free women testimonies

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Evidence that breasts do not need support

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/


 

Lo que sucedió cuando dejé de usar sujetador (ES)

Aún no me habían empezado a crecer las tetitas cuando empecé a decir a mi madre que quería usar sujetador. Recuerdo el primer conjunto de ropa interior con braguitas y top que mi madre me compró. En ese día quise hacer una sesión de fotos casera, vestida con ese conjunto y usando mis sandalias de tacón alto (que tenían sólo tres centímetros). Esas fotos viven en alguno de los muchos álbumes de familia.

Empecé entonces a usar sujetador (o algo parecido) cuando aún no tenía tetas para ‘sostener’. A poco y poco su uso empezó a ser cada vez más frecuente – a medida que mis pechos también crecían – hasta que pasó a ser constante. Salir a la calle sin sujetador pasó a ser tan impensable como salir de casa sin bragas. Sin sujetador me sentía desnuda y desprotegida. Además, durante mucho tiempo usé sujetadores que daban a mis senos el aspecto que creía que debían tener. El tamaño (más grande), la forma (más redondos) y la ubicación (más arriba) que creía que me hacía parecer más deseable. Los sujetadores que usaba daban volumen a través de esponjas y rellenos, apretaban los pechos hacia el centro y los empujaban hacia arriba a través de cajas con aros y muchos aprietos.

Por otro lado, con el paso del tiempo el uso del sujetador comenzó a traer cada vez más incomodidad. Al punto de ser la primera cosa que me quitaba al llegar a casa (muchas veces hasta antes de quitarme los zapatos). A poco y poco dejé de usar sujetadores con “relleno” y luego dejé de usar sujetadores con caja. Durante unos años usé sujetadores que se parecían a los primeros tops que mi madre me compró cuando era niña, pero con tejidos y formas más sexys y mucho menos infantiles. Sin embargo, esos tejidos no eran la cosa más cómoda para mí, y las gomas todavía aprietaban.

Hace un par de años empecé a dejar de poner el sujetador cuando salía para hacer algo rápido, como tirar la basura o ir a comprar algo a la frutería al final de mi calle. Al principio sentía esa sensación de desnudez, de que estaba haciendo algo malo o vergonzoso. Después percibí que aquella sensación no era más que eso, una simple sensación, sin razón real. Esta sensación se desvaneció, y empecé a transgredir la norma cada vez más veces. Transgredir fue lo que pasé a sentir que hacía, cada vez que salía sin el sujetador. También esa sensación se fue desvaneciendo, hasta que un día percibí que no tenía sentido vestir algo que físicamente me causaba tanto incomodidad.

Decidí dejar de usar sujetador al final del Invierno, hace dos años. Después de un par de meses, libre de apretones, pero con varias capas de ropa que ayudaban a que no se notara tanto la falta de esa prenda, vino el tiempo de los tops, de los vestidos y las camisetas. Vino el tiempo de asumir realmente mi decisión. Ahora era bastante evidente que no usaba sujetador. El relieve de mis pezones era perceptible a veces, la ubicación real de mis senos también (unos buenos tres o cuatro centímetros más abajo de su versión “sujetada”). Lo que al principio causó cierta vergüenza se volvió verdaderamente liberador. Además, empecé a usar algunas prendas que hasta entonces no usaba porque no me gustaba la forma cómo el sujetador quedaba visible.

Antes de dejar de usar sujetador ya era frecuente hacer “top-less” en la playa, pero después dejó de hacer cualquier sentido usar la parte superior del bikini. Sólo había una ocasión en la que todavía usaba sujetador: para correr y hacer ejercicio. Todavía creía en el mito que el pecho podía sufrir algún tipo de lesión causada por su libre movimiento durante saltos y movimientos más bruscos. Um dia, al cabo de un año después de haber dejado de usar sujetador en el día a día, decidí salir para correr sin el sujetador deportivo. Tal fue mi sorpresa cuando al correr el movimiento no me causó ningún tipo de dolor ni molestia. ¡Cuando un año antes hasta con el sujetador me dolía el pecho al correr o saltar!

Desde entonces soy 100% “bra free”. Desde entonces mis tetas están más firmes (a pesar de ya haber pasado de los 30) y nunca más quedaron doloridas después de una carrera. “Bra free” es como el movimiento “barefoot” pero para las tetas, es más un tipo de minimalismo, se trata de eliminar algo que, en mi caso por lo menos, no traía ningún beneficio más allá de la prescripción social.

Algunos estudios apuntan a la relación entre el uso de sujetadores y el cáncer de mama, y ​​ya son muchas las plataformas que preconizan que dejar el sujetador trae no sólo comodidad pero también puede ayudar a acabar con algunos tipos de dolores de cabeza y de espalda, mejorar la respiración y aumentar la autoestima, entre otros beneficios. Yo tengo el pecho pequeño, bien sé, pero no piensen que sólo las personas con el pecho pequeño pueden ser “bra free”. En realidad hay por internet fuera varios relatos, de mujeres con tetas de todos los tamaños, que cuentan cómo el abandono de los sujetadores mejoró su calidad de vida.

Al final, para qué sirven los sujetadores? “Sujetador” es algo que sujeta. Otro nombre para esta prenda de ropa interior es “sostén” o sea “cosa que sostiene”… Pero en realidad parecen haber algunos indicios de que los senos al final no se benefician del soporte artificial.

Usamos sujetador porque aprendemos que es una pieza de ropa indispensable y normalmente no cuestionamos su real necesidad. Lo usamos porque en nuestra sociedad hay una de esas reglas no escritas que dice que los pezones femeninos son ofensivos o libidinosos, y por eso merecedores de censura, mientras que los pezones masculinos no. La sociedad también dice que las tetas se quieren bien tiradas hacia arriba (para agradar a la vista) pero también de manera que no se muevan demasiado (para no llamar demasiado la atención hacia sí mismas ?!).

A algunas mujeres les gusta usar sujetador o no se sienten cómodas sin él. El propósito del movimiento “Bra free” (y de este artículo) no es hacer que todas las mujeres dejen de usar sujetador, ni mucho menos criticar a las que no abdican de esta prenda. Sino defender la libertad de elección para usar o no el sujetador, sin tener la preocupación de la aceptación social ni la presión de mitos sin fundamento.

Estudios sobre el uso de sujetador y su relación con el cáncer

1991 Harvard study (CC Hsieh, D Trichopoulos (1991). Breast size, handedness and breast cancer risk. European Journal of Cancer and Clinical Oncology 27(2):131-135.).

1991-93 U.S. Bra and Breast Cancer Study by Singer and Grismaijer, published in Dressed To Kill: The Link Between Breast Cancer and Bras(Avery/Penguin Putnam, 1995; ISCD Press, 2005).

Singer and Grismaijer did a follow-up study in Fiji, published in Get It Off! (ISCD Press, 2000).

A 2009 Chinese study (Zhang AQ, Xia JH, Wang Q, Li WP, Xu J, Chen ZY, Yang JM (2009). [Risk factors of breast cancer in women in Guangdong and the countermeasures]. In Chinese. Nan Fang Yi Ke Da Xue Xue Bao. 2009 Jul;29(7):1451-3.)

http://www.portalesmedicos.com/publicaciones/articles/3691/1/Patologias-mamarias-generadas-por-el-uso-sostenido-y-seleccion-incorrecta-del-brassier-en-pacientes-que-acuden-a-la-consulta-de-mastologia

Plataformas “Bra Free”

https://brafreestudy.com

http://www.brafree.org/

https://www.facebook.com/The-No-Bra-No-Problem-Movement-619502581538402/

 Algunos relatos de mujeres “bra free”

https://www.elephantjournal.com/2015/11/i-went-bra-free-3-years-ago-heres-why-my-cupcakes-are-sweeter-than-ever/

http://alifeunprocessed.blogspot.com/2016/05/why-i-quit-wearing-bra.html

https://www.huffingtonpost.es/eglantine-h/mis-cinco-consejos-para-vivir-bien-sin-sujetador_a_23495239/

 Indicios de que los senos no necesitan soporte

https://www.cbsnews.com/news/french-study-suggests-younger-women-should-stop-wearing-bras/

Physical re-education

Physical re-education (EN)

Reeducación física (ES)

Reeducaçao física (PT)

Sabias que, ao contrário de muito do que se diz por aí, podes reeducar o teu corpo, mudá-lo e pô-lo a funcionar como deve de ser?

A primeira vez que me deparei com uma oportunidade de reeducar o meu corpo foi quando ainda era miúda. Eu metia os pés um pouco para dentro ao caminhar, um deles um pouco mais que o outro. Mais pequena ainda, tinha usado sapatos ortopédicos sem grande resultado. Algum adulto disse-me que devia tentar caminhar com os pés direitos ou andaría com os pés metidos para dentro para sempre. Lembro-me perfeitamente de ir no caminho para a escola concentrada na minha forma de caminhar. No meu inconsciente a posição dos meus pés por defeito era para dentro, e isso era o que os meus sentidos percebiam como “normal”, ao centrá-los tinha a impressão de que estava a caminhar com eles completamente virados para fora (tipo como as bailarinas). Eventualmente a nova forma de caminhar tornou-se o novo “normal”, e hoje em dia ninguém diria que andava com os pés para dentro quando era criança.

Bastantes anos mais tarde, já depois de adulta, comecei a fazer Yoga e percebi que não sabia respirar. Respirava quase sempre pela boca e só usava a parte superior dos meus pulmões. Nessa altura o Yoga ajudou-me a tomar consciência da minha respiração e aprendi a respirar utilizando todo o pulmão, pelo nariz e de forma mais tranquila. Levei o que aprendia para a minha vida diária, sempre que podia tentava estar consciente da minha respiração, e respirar de maneira mais eficaz.

Com o tempo o corpo habituou-se e rara é a vez que respiro pela boca durante o tempo em que estou acordada. Já não preciso estar sempre a pensar em como respirar corretamente, mas o hábito de analisar de vez enquanto a minha respiração ficou. Essa análise esporádica, mas mais ou menos constante, ajuda-me a analisar também o meu estado de espírito.

Uma das reeducações físicas mais impactantes pelas que já passei foi a segunda vez que decidi mudar a forma como caminho. Essa tem sido uma longa “caminhada” cheia de aprendizagem sobre o funcionamento do meu próprio corpo. Tudo começou quando, à semelhança da Tico, comecei a pesquisar sobre o movimento barefoot e os benefícios de andar descalç@ (e os malefícios de usar os sapatos convencionais). Comprei os meus FiveFingers mais ou menos na mesma altura que ela mas usava-os pouco, intercalando com o uso de calçado convencional.

No verão passado decidi comprar umas sandálias minimalistas que seriam o meu calçado para todo o verão. Levei-as na viagem para visitar a Tico ao Canadá e depois de vários dias de passeio, em que percorremos entre 10 e 30 quilometros por dia, percebi que não havia nada melhor para grandes caminhadas. Sempre tive o pé chato e isso fazia com que, depois de caminhar muito tempo com sapatos muito rasos, me começassem a doer os pés na zona do arco (que não tinha) e por vezes também os tornozelos. Eu pensava que isso era normal, eu tinha o pé chato e isso era irreversível por isso tinha que usar sobretudo sapatos com algum desnível e com suporte para o arco do pé.

Quando estava a fazer a mochila para o Caminho de Santiago (Buen Camino) decidi que ia apenas levar dois pares de calçado, as minhas sandálias minimalistas e os meus FiveFingers. No primeiro dia do caminho, depois de cerca de três horas de caminhada, lá me começou a doer o arco do pé esquerdo. Quando olhei para o meu pé enquanto caminhava (com as sandálias minimalistas, sem desnível nem apoio para o arco, era fácil de ver) percebi que apoiava demasiado a parte interior deste (onde o arco é suposto estar) e pouco a parte exterior. Então decidi fazer uma experiência. Para poder fazê-lo teria que me concentrar nos meus movimentos e caminhar de forma consciente. Decidi tentar apoiar o pé com mais ênfase na parte exterior (que vai do dedo mindinho até ao meio do calcanhar). Ao final de alguns quilometros vi o resultado, a dor no pé diminuía.

Até ao final do caminho (115km) fiz esse esforço de caminhar de forma consciente apoiando melhor a parte exterior do pé. Nos primeiros dias sempre que me distraía lá me começava a doer o pé e isso era sinal de que não estava a caminhar correctamente. No ultimo dia já tinha incorporado no meu inconsciente esta nova forma de caminhar. Desde que voltei do Caminho de Santiago nunca mais voltei a usar calçado que não cumpra os requisitos barefoot, com a única excepção dos 5 dias de muita chuva distribuídos pelo inverno Valenciano (em Valência quase nunca chove) em que tive que usar umas botas realmente impermeáveis que não são barefoot.

Nunca mais me doeu o pé naquele sítio (nem noutro verdade seja dita) e agora os meus pés já não são chatos. MAGIA!!! A reeducação da minha forma de caminhar e a utilização de calçado human friendly fizeram com que os arcos, que nunca se tinham formado em 31 anos de existência, finalmente e a pouco e pouco começassem a surgir.  

Mas essa transformação não acabou aí. Talvez por se ter processado de maneira mais deliberada e consciente, levou a que continuasse a pesquisar e a perceber que realmente ainda haviam ajustes a fazer. Ainda estou em processo de melhorar a minha postura e de reabilitar a total mobilidade dos meus pés, ancas e tornozelos mas posso dizer que vejo a evolução de semana para semana.

Entretanto, numa visita a um consultório de uma dentista que tem uma abordagem mais holística com relação à medicina dentária, encontrei uma possível solução para outro problema físico que há algum tempo queria resolver mas sem saber como. Uns parágrafos acima falo da minha primeira reeducação respiratória. Neste momento estou no início da segunda! O facto é que quando estou desperta consigo respirar de uma forma correcta, mas quando estou a dormir respiro geralmente com a boca aberta. Isto faz com que, além de despertar várias vezes durante a noite com a boca seca, entre menos ar nos meus pulmões. O que resulta em pesadelos, sonos pouco profundos, alguns episódios de apneia, amígdalas inchadas e umas valentes olheiras que tenho desde sempre, entre outras coisas.

Sei que vai parecer estranho mas parte desta reeducação respiratória passa por dormir com um adesivo na boca. Se te estás a rir não és @ unic@! Eu cada vez que penso nisso escangalho-me a rir, e muitas vezes quando me preparo para dormir (e colo a minha boca com adesivo) não consigo evitar umas gargalhadas (mudas, porque já tenho a boca colada). Ainda é cedo para falar de resultados a longo prazo. Será que o meu inconsciente se habituará à boca fechada durante o sono como o “novo normal”? Será que algum dia vou conseguir dormir de boca fechada mas sem a sinistra “fita-cola”? O que posso dizer é que tenho realmente dormido melhor, já não desperto a meio da noite com a necessidade de beber água e tenho a impressão de ter mais energia durante o dia e maior capacidade de concentração.

Acho que é importante que estejamos mais conscientes do poder que temos para mudar a nossa condição física. Volto a dizer (como disse neste artigo) que tomar as rédeas da própria vida, e neste caso do próprio corpo, não é para todos na medida em que é uma questão de responsabilizar menos a nossa genética, o nosso contexto sócio-cultural e as outras pessoas, responsabilizando-nos mais a nós próprios. Coisa que nem todos estão dispostos a fazer, pois é mais fácil queixarmo-nos e culpar fatores externos.

Também achas que há muito que podemos fazer pelo aperfeiçoamento dos nossos corpos? Já fizeste algum tipo de reeducação física? Este artigo encorajou-te a tomar mais responsabilidade sobre o teu próprio corpo? Achas que o que digo não faz sentido nenhum? Como sempre, estou curiosa para saber a tua opinião!


 

Physical re-education (EN)

Did you know that, in contrary of what is said for the most part, you can re-educate your body, change it and make it work properly in an autonomous way?

The first time I came across an opportunity to re-educate my body was when I was a child. I used to have my feet pointing inward while walking, one of them a little more than the other. Before that I had already worn orthopaedic shoes without much success. Some adult told me that I should try to walk with my feet straight otherwise I would walk like that forever. I remember, as if it was today, going the to school while focusing on my way of walking. In my unconscious the position of my feet was by default inward, and this was what my senses perceived as “normal”, when I centred them I had the impression that I was walking with them completely turned outwards (like the ballet dancers do). Eventually the new form of walking became the new “normal”, and nowadays no one could tell that back then I used to walk with my feet pointing inwards.

Many years later, when I was already an adult, I began practicing Yoga and realised that I did not knew how to breathe. I would mostly breathe through my mouth and only using the upper part of my lungs. At that time Yoga helped me to become aware of my breathing and I learned how to breathe through the nose, using my whole lungs and in a more relaxed way. I brought what I learned to my daily life, whenever I could I would try to be aware of my breathing to do it more efficiently.

Over time my body became accustomed and since then I rarely breathe through my mouth when I’m awake. I no longer have to think about how to breathe correctly, however the habit of analysing my breath stayed. This sporadic but more or less constant analysis helps me to get in touch with my state of mind as well.

One of the most impactful physical re-educations I’ve ever experienced was the second time I’ve decided to change the way I walk. This has been a long journey where I’ve been learning about the functioning of my own body. It all started when, like Tico, I started to research about the barefoot movement and the benefits of walking barefoot (and damaging effects of wearing conventional shoes). I bought my FiveFingers more or less at the same time as she did, but I didn’t wear them as much and would rather intercalate with conventional footwear.

Last summer I decided to buy some minimalist sandals that would be my footwear for the whole summer. I took them on the trip to visit Tico in Canada and after several days of walking between 10 and 30 kilometres a day, I realised that there was nothing better for long walks. I used to have flat feet and after walking in flat shoes for a long time my feet would always hurt, especially around the area where the arch should be (I didn’t had any) and sometimes also the ankles would get sore. I thought this was normal, that my feet were flat and this was irreversible so I had to wear mostly shoes with some heel and with some kind of arch support.

When I was  packing my backpack for the Camino de Santiago (Buen Camino) I decided that I would only take two pairs of shoes, my minimalist sandals and my FiveFinger shoes. On the first day of the trip, after about three hours hiking, my left foot started hurting. When I looked at my feet as I walked (with minimalist sandals, with no drop or arch support, it was easy to see) I realised that I was planting my feet on the ground with hard pressure on the inside part of the foot (where the bow is supposed to be) and less pressure on the outer part. So I decided to do an experiment. In order to do so I would have to concentrate on my movements and walk consciously. I decided to try to land my feet with more emphasis on the outside (that goes from the little finger to the middle of the heel) they on the inside. At the end of a few kilometres I saw the result, the pain started decreasing.

Until the end of the path (115km) I made this effort to walk consciously supporting the outer part of the foot better. In the first days whenever I was distracted my feet started hurting and this was a sign that I was not walking properly. On the last day I had already incorporated into my unconscious this new way of walking. Since I returned from the Camino de Santiago I have never used shoes that do not meet the barefoot standards, with the exception of the 5 days of heavy rain distributed in the winter (it rarely rains in Valencia) that I had to wear waterproof boots that are not barefoot.

The pain on my feet never came back and now they aren’t flat anymore. MAGIC!!! The locomotion re-education and the use of “human friendly” footwear made my feet arches slowly and gradually take form after 31 years of existence with no arch whatsoever.

But this transformation did not end there. Perhaps because it had been processed more deliberately and consciously, it led me to continue researching and realising that there were still some adjustments to be made. I am still in the process of improving my posture and rehabilitating the total mobility of my feet, hips and ankles but I can say that I see the evolution every week.

Not long ago, when visiting a dentist with a more holistic approach to dental medicine, I found a possible solution to another physical problem that I had wanted to solve for some time although not knowing how. A few paragraphs above I talked about my first respiratory re-education. At this moment I am at the beginning of the second one! The fact is that when I’m awake I can breathe properly, but when I’m asleep I usually breathe with my mouth open. This not only causes less air to get into my lungs but in addition I wake up several times during the night with a dry mouth. This leads to nightmares, shallow sleeps, some episodes of apnea, swollen tonsils, and some serious dark circles, among other things.

I know it’s going to sound strange, but part of this respiratory re-education process is sleeping with some kind of duct tape covering my mouth. If you’re laughing, you’re not the only one! Every time I think about it I laugh as well, and many times when I get ready to go to sleep (and close my mouth with hypoallergenic tape) I cannot help laughing (but silently because by then my mouth is already duct taped). It’s too early to talk about long-term results. Will my unconscious get used to my shut mouth while sleeping as the “new normal”? Will I ever be able to sleep with my mouth closed without the sinister duct tape? What I can say is that I have actually slept better, I no longer wake up in the middle of the night with the need to drink water and I have the impression of having more energy and greater focus during the day.

I think it’s important that we become more aware of the power we have to change our physical condition. Once again, as I said in this article, taking the reins of one’s life, and in this case one’s own body, is not for everyone because it is a question of no longer blaming our genetics, socio-cultural context and other people, making ourselves more accountable. This is something that not everyone is willing to do, because it is easier to complain and blame external factors.

Do you also think that we can do much more to further perfecting our bodies? Have you done any kind of physical re-education? Did this article encourage you to take more responsibility over your own body? Do you think that what I said makes no sense at all? As always, I’m curious to hear your opinion!


 

Reeducación física (ES)

¿Sabías que, al contrario de mucho de lo que se dice por ahí, puedes reeducar tu cuerpo, cambiarlo y hacerlo funcionar correctamente?

La primera vez que me encontré con una oportunidad de reeducar mi cuerpo fue cuando aún era niña. Ponía los pies un poco hacia adentro al caminar, uno de ellos un poco más que el otro. Antes había usado zapatos ortopédicos sin mucho resultado. Un adulto me dijo que debía intentar caminar con los pies derechos o estaría destinada a caminar con los pies metidos hacia dentro para siempre. Recuerdo perfectamente ir de camino a la escuela concentrada en mi forma de caminar. En mi inconsciente la posición de mis pies era por defecto hacia adentro, y eso era lo que mis sentidos percibían como “normal”. Al centrarlos, tenía la impresión de que estaba caminando con ellos completamente orientados hacia fuera (como las bailarinas). Eventualmente, la nueva forma de caminar se convirtió en el nuevo “normal”, y hoy en día nadie diría que andaba con los pies hacia dentro cuando era pequeña.

Bastantes años más tarde, siendo adulta, empecé a hacer yoga y percibí que no sabía respirar. Respiraba casi siempre por la boca y sólo usaba la parte superior de mis pulmones. En ese momento, el Yoga me ayudó a tomar conciencia de mi respiración y aprendí a respirar utilizando todo el pulmón, de forma nasal y más tranquila. Trasladé lo que aprendí  a mi vida diaria, siempre que podía trataba de estar consciente de mi respiración para respirar de manera más eficaz.

Con el tiempo, el cuerpo se ha acostumbrado y rara vez respiro por la boca mientras estoy despierta. Ya no necesito estar pendiente de mi respiración para respirar correctamente, pero el hábito de analizar  mi respiración de vez en cuando se quedó. Este análisis esporádico, pero más o menos constante, me ayuda también a analizar mi estado de ánimo.

Una de las reeducaciones físicas más impactantes por las que ya pasé fue la segunda vez que decidí cambiar mi forma de caminar . Esta ha sido una larga “caminata” llena de aprendizaje sobre el funcionamiento de mi propio cuerpo. Todo empezó cuando, igual que  mi hermana Tico, empecé a investigar sobre el movimiento barefoot y los beneficios de andar descalzo (y los inconvenientes de usar los zapatos convencionales). Compré mis FiveFingers más o menos a la vez  que ella, pero los usaba poco, intercalando con el uso de calzado convencional.

El  verano pasado decidí comprar unas sandalias minimalistas que serían mi calzado para todo el verano. Las llevé en el viaje para visitar a Tico en Canadá y, después de varios días de paseo en los que recorrimos entre 10 y 30 kilómetros por día, percibí que no había nada mejor para grandes caminatas. Siempre tuve el pie plano y eso hacía que, después de caminar mucho tiempo con zapatos muy planos, me empezaran a doler los pies en la zona del arco (que no tenía) y a veces también los tobillos. Yo pensaba que eso era normal, yo tenía los pies planos y eso era irreversible, por lo que tenía que usar sobre todo zapatos con algún desnivel y con soporte para el arco del pie.

Cuando estaba haciendo la mochila para el Camino de Santiago (Buen Camino) decidí que iba a llevar dos pares de calzado: mis sandalias minimalistas y mis FiveFingers. En el primer día del camino, después de unas tres horas de caminata, me empezó a doler el arco del pie izquierdo. Cuando miré mi pie mientras caminaba (con las sandalias minimalistas, sin desnivel ni apoyo para el arco, era fácil de ver) percibí que apoyaba demasiado la parte interior de éste (donde se supone que está el arco) y poco la parte exterior. Entonces decidí hacer un experimento . Para poder hacerlo, tendría que concentrarme en mis movimientos y caminar de forma consciente. Decidí intentar apoyar el pie con más énfasis en la parte exterior (que va del dedo meñique hasta el medio del talón). Al final de algunos kilómetros vi el resultado: el dolor en el pie disminuía.

Hasta el final del camino (115km) hice este esfuerzo de caminar de forma consciente apoyando mejor la parte exterior del pie. En los primeros días, siempre que me distraía me empezaba a doler el pie y eso era señal de que no estaba caminando correctamente. En el último día ya había incorporado en mi inconsciente esta nueva forma de caminar. Desde que volví del Camino de Santiago no he vuelto a usar calzado que no cumpliera los requisitos barefoot, con la única excepción de los 5 días de diluvio distribuidos por el invierno valenciano (en Valencia casi nunca llueve) durante los que tuve que usar unas botas realmente impermeables que no son barefoot.

No me volvió a doler el pie en aquel sitio (ni en otro en realidad) y ahora mis pies ya no son planos. ¡¡¡MAGIA!!! La reeducación de mi forma de caminar y la utilización de calzado human friendly hicieron que los arcos, que nunca se habían formado en 31 años de existencia, finalmente y poco a poco comenzaran a surgir.

Pero esa transformación no terminó ahí. Quizás por haberse procesado de manera más deliberada y consciente, llevó a que continuara investigando y percibiendo que realmente todavía había ajustes que hacer. Todavía estoy en proceso de mejorar mi postura y de rehabilitar la total movilidad de mis pies, caderas y tobillos pero puedo decir que veo la evolución semana tras semana.

Hace poco, en una visita a una dentista que tiene un enfoque más holístico con relación a la medicina dental, encontré una posible solución a otro problema físico que hace algún tiempo quería resolver pero no sabía  cómo. Unos párrafos arriba hablo de mi primera reeducación respiratoria. ¡En este momento estoy iniciando la segunda! El hecho es que cuando estoy despierta puedo respirar correctamente, pero cuando estoy durmiendo respiro generalmente por la boca. Esto hace que, además de despertar varias veces durante la noche con la boca seca, entre menos aire en mis pulmones. Lo que resulta en pesadillas, sueños poco profundos, algunos episodios de apnea, amígdalas hinchadas y unas ojeras que tengo desde siempre, entre otras cosas.

Sé que va a parecer extraño, pero una parte de esta reeducación respiratoria es dormir con esparadrapo en la boca. Si te estás riendo no estás sol@! Cada vez que pienso en ello me meo de risa, y muchas veces cuando me preparo para dormir (y pego mi boca con el estropajo) no puedo evitar unas carcajadas (mudas, porque ya tengo la boca pegada). Todavía es temprano para hablar de resultados a largo plazo. ¿Registrará mi inconsciente a la boca cerrada durante el sueño como el “nuevo normal”? ¿Podré dormir   algún día con la boca cerrada, pero sin la siniestra “cinta adhesiva”? Lo que puedo decir es que realmente estoy durmiendo mejor, ya no despierto en la mitad de la noche con la necesidad de beber agua y creo que tengo más energía durante el día y mayor capacidad de concentración.

Creo que es importante que seamos más conscientes del poder que tenemos para cambiar nuestra condición física. Vuelvo a decir (como he dicho en este artículo) que tomar las riendas de la propia vida, y en este caso del propio cuerpo, no es para tod@s, porque es cuestión de culpar menos a nuestra genética, nuestro contexto sociocultural y las otras personas, responsabilizándonos más a nosotros mismos. Cosa que no todos están dispuestos a hacer, pues es más fácil quejarnos y culpar a factores externos.

¿También crees que hay mucho que podemos hacer para perfeccionar  nuestros cuerpos? ¿Has hecho algún tipo de reeducación física? ¿Te ha animado este artículo a tomar más responsabilidad sobre tu propio cuerpo? ¿Crees que lo que digo no tiene sentido alguno? ¡Como siempre, tengo curiosidad de saber tu opinión!

Heart and mind in dissonance

Heart and mind in dissonance (EN)

Corazón y mente en disonancia (ES)

Coração e mente em dissonância (PT)

Leon Festinger (1919- 1989), pai do conceito “dissonância cognitiva”, defendia que os seres humanos necessitam manter uma certa coerência psicológica de forma a poder funcionar mentalmente no mundo real. Uma pessoa que vivencia inconsistências internas tende a ficar psicologicamente desconfortável e é motivada (pelos próprios mecanismos de defesa) a reduzir a dissonância cognitiva. Para reduzir a dissonância causada pela incoerência entre opiniões, comportamentos, valores e/ou crenças há que mudar de alguma forma uma dessas variáveis. Uma das maneiras de fazê-lo é reajustando ou substituindo uma ou mais opiniões, comportamentos, valores e/ou crenças; outra maneira é procurando e adquirindo novas informações ou crenças que aumentem a consonância. Mas a maneira mais fácil (mas também menos eficaz, na minha opinião) é tentar esquecer ou reduzir a importância das cognições que provocam a dissonância. Quanto mais enraizada uma crença estiver, na cultura e nas práticas diárias de uma pessoa, mais forte será a necessidade de negar, substituir, esquecer ou reduzir a importância de crenças que se lhe oponham.

Quem me conhece sabe que nunca fui uma “amante dos animais”. Até aos 12 anos tive fobia de cães (cinofobia), e os gatos nunca me despertaram muito interesse. A maioria das aves e outros animais com asas, como os morcegos e as borboletas, causam-me uma sensação de desconforto físico que me provoca arrepios (não consigo explicar melhor). Sempre achei uma certa piada a esquilos nunca foi mais do que vê-los a passear-se pelos parques. Em resumo nunca fui uma daquelas pessoas que se derretem com todos os cães e gatos que veem na rua, e nunca tive vontade de ter um animal para que me fizesse companhia.

A minha mãe também não era uma “amante dos animais”, mas era bastante empática para com eles. Quando começava o calor não havia dia em que ela não pusesse um, ou vários, recipientes de água no quintal, para que os passarinhos pudessem beber e sobreviver ao verão alentejano. Lembro-me, como se fosse hoje, de um dia em que o meu pai apareceu lá em casa com um grilo, que ele próprio tinha apanhado, dentro de uma mini gaiola. A minha irmã e eu achamos piada no momento, mas quando o meu pai se foi embora e deixou o grilo connosco a minha mãe explicou-nos que era cruel manter o bichinho numa jaula e fomos logo com ela soltá-lo no jardim. Ela também não gostava das matanças do porco (“festa” tradicional em que família e amigos se juntam para matar um ou mais porcos e depois repartir tarefas de transformação do cadáver em vários tipos de “comida”) nem de touradas, nem de ver animais no circo.

A minha mãe sabia que os outros animais também sofrem, sentem dor, alegria e de alguma forma conhecem a diferença entre conforto e desconforto, liberdade e cativeiro. Empatia é isso, a capacidade de pôr-se na posição do outro. Mas a empatia para com os outros animais geralmente causa um certo grau (dependendo da capacidade empática) de dissonância cognitiva. Acho que a minha mãe lidava com a dissonância cognitiva, que se produz ao ser simultaneamente empático para com os outros animais e ao mesmo tempo gostar de comê-los (uma das refeições preferidas da minha mãe era “passarinhos fritos” – codornizes mais especificamente mas não tão diferentes dos pássaros que tentava ajudar todos os verões), da mesma maneira que a maioria das pessoas lida, e como eu própria lidei durante a maior parte da minha vida. Por um lado ela agarrava-se à crença de que é necessário, para ter uma boa saúde, comer produtos de origem animal, por outro ela pensava que o facto de comer animais ser “normal” (toda a gente o faz) e “natural” (porque os seres humanos “sempre o fizeram”) eram razões fortes o suficiente para fazê-lo. Mas mais ainda, ela recorria à tal maneira fácil de lidar com a dissonância cognitiva: simplesmente “esquecia-se” de que o que comia eram partes de animais que tinham vivido antes de chegar ao seu prato, e que para que isso acontecesse eles tivessem que viver em cativeiro e ser assassinados depois de ver os seus semelhantes passar pelo mesmo.

A minha mãe era o que eu gosto de chamar uma “vegana não praticante”. Acredito realmente que se ela estivesse viva hoje, depois de a Tico e eu nos termos tornado veganas, a minha mãe também se teria tornado verdadeiramente vegana. Na verdade já vi isso acontecer em muitas famílias de amigos veganos. E é natural, aprendermos sobre empatia, e sobre muitas outras coisas, através do exemplo de quem nos cria desde pequenos, e essas pessoas, quando veem as suas criaturas fazer uma mudança tão profunda nas suas crenças e comportamentos, sentem-se motivadas a repensar os seus próprios valores e hábitos. Famílias inteiras tornam-se veganas depois de um membro mudar a estratégia para lidar com a sua dissonância cognitiva, mas desta vez de maneira permanente, sem fazer o esforço de “esquecer” que ainda que eles não pudessem fazer mal a nenhum animal, pagam constantemente a outras pessoas para fazê-lo.

Conheço muitas pessoas que são, à primeira vista, muito mais empáticas que eu com relação aos outros animais. Uma delas não aguenta ver documentários sobre a vida selvagem porque fica com o coração nas mãos quando vê as presas serem abocanhadas pelos predadores. Outra adotou um cão que ama como se fosse um filho e desenvolveu um interesse especial pela espécie canina mas sei que se ela tivesse a oportunidade de conhecer outro animal (um porco por exemplo) profundamente na sua vida cotidiana, estaria tão comprometida em defender os direitos dessa espécie como os direitos da espécie do seu filho não humano . Outra ainda é talvez a pessoa mais empática que eu conheço com relação a pessoas, mas que, eu suspeito bastante também, com relação aos outros animais e acho que no seu caso a dissonância cognitiva já nem deixa que o seu corpo digira bem alimentos de origem animal, o que faz com que ela tenha muitos problemas digestivos.

Até o meu pai, que faz a matança do porco e os mata com as próprias mãos e que adora touradas, muitas vezes demonstra empatia por outros animais. Uma das maiores surpresas que tive na minha vida foi saber que o meu pai queria ter sido veterinário, a minha admiração por ele cresceu ainda mais nesse dia. No seu caso a dissonância cognitiva fez com que fortalecesse a crença de que há espécies que merecem carinho, proteção e respeito, outras que só servem para satisfazer os humanos e são coisas, como objectos sem sentidos nem sentimentos, e outras ainda que são “pragas” que nem sequer deveriam existir.

Todos nós temos que encontrar maneiras de lidar com as nossas próprias dissonâncias cognitivas, não só neste aspecto da relação com as outras espécies de animais, mas com muitos outros aspectos como crenças sociais e políticas dissonantes, inconsistências ao nível dos nossos valores e comportamentos, incoerências com relação a como nos vemos a nós própri@s e aos outros, etc.. Pela minha experiência nada dá mais paz de espírito do que acabar com as dissonâncias cognitivas mudando os comportamentos que estão em desacordo com os nossos valores, dentro dos possíveis para cada um.

Quais são as tuas dissonâncias cognitivas? Sentes por vezes o incómodo mental que provoca a empatia para com os outros animais conjugada com os hábitos alimentares “normais”? Conheces mais “vegan@s não praticantes” ou consideraste um@? Como sempre são bem vindas as vossas opiniões sobre este assunto.


Heart and mind in dissonance (EN)

Leon Festinger (1919- 1989), father of the “cognitive dissonance” concept, claimed that human beings need to maintain a certain psychological coherence in order to be able to mentally function in the real world. Someone who lives with internal inconsistencies tends to become psychologically uneasy and is motivated (by their own defence mechanisms) to reduce their cognitive dissonance. To lower the dissonance, which is caused by incoherence between opinions, behaviours, values and/or beliefs, one of those variables has to be changed. One way of doing so is by re-adjusting or replacing one or more opinions, behaviours, values and/ or beliefs; another way is to search and acquire new information that increases consonance. However the easier way (but in my opinion, less effective) is to try to forget, ignore or decrease the importance of the cognitions that cause the dissonance. The more deep-rooted a belief is in one’s culture and daily life practices, the strongest will be the need to deny, replace or reduce the beliefs that are objected.

Those who know me, know that I never was an “animal lover”. Until I was 12 years old I had and irrational fear of dogs (cynophobia) and cats never sparked me much interest. Most birds and other animals who have wings, such as bats and butterflies, make me physically uncomfortable and give me chills (I can’t explain it in a better way). I guess squirrels always made me smile but the fun was mostly seeing them running around in parks. In short, I was never one of those people crazy to pet every single dog and cat they encounter on the street, nor did it ever crossed my mind to get a pet to keep me some company.

My mother wasn’t either an “animal lover”, though she was very empathetic towards them. Whenever the days started getting warm , she would leave some containers with water in our backyard so that the birds could drink it and survive our supper hot summer. I recall, as if it was today, when one afternoon my father showed up with a cricket, that he had caught himself, inside a mini cage. My sister and I found it cool but as soon as my father left, my mother explained us how cruel it was to leave the little critter shut in a cage and we promptly set it free in the yard. She also didn’t like those traditional pig slaughter events(“party” where family and friends get together to kill one or more pigs and then distribute tasks to transform the corpse into various types of “food”) nor bullfights, or even seeing animals in circus.

My mother knew that other animals also suffer, feel pain, joy and somehow understand the difference between comfort and discomfort, freedom and captivity. This is empathy, the ability to “put yourself in other’s shoes”. However, the empathy towards other animals causes a certain level of cognitive dissonance (depending on one’s empathic ability). I think my mother coped with this cognitive dissonance provoked by being simultaneously empathetic with other animals and at the same time enjoying eating them, just like most people do, and just like I did most of my life. One of my mother’s favourite food was fried quail, a bird that is not so different from the other birds she used to help every summer. In one hand she held to the belief that is was necessary, in order to be healthy, to eat animal products. On the other hand she thought that eating animals was “normal” (everybody does it) and “natural” (because human beings have always done it) and that those were strong enough reasons to do so. Moreover, she turned to the easy way to deal with cognitive dissonance: she would simply “forget” that what she was eating was parts of animals that had lived before reaching her plate, and thus for that to happen they had to be in captivity and afterwards be assassinated after seeing their fellows go through the same process.

My mother was what I like to call a “non-practicing vegan”. If she was still alive, I truly believe she would have followed Tico and I and become vegan as well. I actually saw that happening in some of my vegan friend’s families. It is natural to learn about empathy, just like many other things, by the example from the people who raised us since we were small kids. And when these educators/caretakers see their children making such a profound change in their beliefs and behaviours, they too feel motivated to rethink their own habits and values. Entire families go vegan after a family member change their way to deal with cognitive dissonance, but now for good, and no longer “forgetting” that even though they would not hurt an animal themselves, they would still pay someone else to do so.

I know many people who, at first sight, are much more empathic than I am when it comes to other animals. One of them cannot stand watching wildlife documentaries as it’s too hard to see preys being bitten by their predators. Another one that adopted a dog and loves him as if he was her child and thus developed a special interest by the canine species, but I know that if she was to deeply meet another animal (a pig for instance) in her daily life, she would be as committed to defend that species rights just as she already does with her own pet. Another person is maybe the most empathetic human being I know, in relationship to people, however I suspect that she is also with animals as well and I also think that in her case the cognitive dissonance is such that no longer allows her body to properly digest animal products and thus making her suffer with many digestive issues.

Even my father, who slaughtered pigs with his own hands (in those traditional parties) and who loves bullfights, many times shows empathy for other animals. I was astonished when I learn that my father wanted to be a veterinary and my admiration for him grew up even more by knowing that. In his case, the cognitive dissonance made him strongly believe that some species are worthy of affection, protection and respect while others only exist to fulfil human beings needs and are things, just like objects without feelings nor senses, and some other species are “plagues” that should no longer exist.

All of us need to find out ways to handle our own cognitive dissonances, not just regarding relationships with other animal species, but also with many other aspects such as social beliefs and dissonant politics, values and behaviour inconsistencies, incoherence to how we see ourselves and others, etc.. My own experience tells me that nothing gives more peace of mind than being done with cognitive dissonances through changing behaviours that are in dispute with our own values, within reasonable limits to each person.

What are your cognitive dissonances? Do you sometimes feel the mental nuisance that causes empathy towards other animals combined with “normal” eating habits? Do you know any “non-practicing vegans” or do you consider yourself one of them? As always, your opinions are more than welcome.

 


Corazón y mente en disonancia (ES)

León Festinger (1919- 1989), padre del concepto “disonancia cognitiva”, defendía que los seres humanos necesitan mantener una cierta coherencia psicológica para poder funcionar mentalmente en el mundo real. Una persona que vive inconsistencias internas tiende a quedar psicológicamente incómoda y es motivada (por los propios mecanismos de defensa) a reducir la disonancia cognitiva. Para reducir la disonancia causada por la incoherencia entre opiniones, comportamientos, valores y / o creencias hay que cambiar de alguna forma una de esas variables. Una de las maneras de hacerlo es reajustando o sustituyendo una o más opiniones, comportamientos, valores y / o creencias; otra manera es buscar y adquirir nuevas informaciones o creencias que aumenten la consonancia. Pero la manera más fácil (pero también menos eficaz, en mi opinión) es intentar olvidar o reducir la importancia de las cogniciones que provocan la disonancia. Cuanto más enraizada una creencia esté, en la cultura y en las prácticas diarias de una persona, más fuerte será la necesidad de negar, sustituir, olvidar o reducir la importancia de las creencias que se le oponen.

Quien me conoce sabe que nunca he sido una “amante de los animales”. Hasta los 12 años tuve fobia de perros (cinofobia), y los gatos nunca me despertaron mucho interés. La mayoría de las aves y otros animales con alas, como los murciélagos y las mariposas, me causan una sensación de incomodidad física que me provoca escalofríos (no puedo explicar mejor). Siempre me han parecido graciosas las ardillas, pero la gracia nunca fue más allá de verlas paseando por los parques. En resumen nunca fui una de aquellas personas que se derriten con todos los perros y gatos que ven en la calle, y nunca tuve ganas de tener un animal para que me hiciera compañía.

Mi madre tampoco era una “amante de los animales”, pero era bastante empática con ellos. Cuando comenzaba el calor todos los días ponía uno o varios recipientes de agua en el patio, para que los pajaritos pudieran beber y sobrevivir al duro y seco verano del interior. Me recuerdo, como si fuera hoy, de un día en que mi padre apareció con un grillo, que él mismo había cogido, dentro de una mini jaula. A mi hermana y a mi nos pareció gracioso en el momento, pero cuando mi padre se fue y dejó el grillo con nosotras mi madre nos explicó que era cruel mantener el bichito en una jaula y fuimos a soltarlo inmediatamente en el jardín. A ella tampoco le gustaban las matanzas del cerdo (“fiesta” tradicional en que familia y amigos se unen para matar a uno o más cerdos y después repartir tareas de transformación del cadáver en varios tipos de “comida”) ni de corridas de toros, ni de ver animales en el circo.

Mi madre sabía que los otros animales también sufren, sienten dolor, alegría y de alguna manera conocen la diferencia entre comodidad e incomodidad, libertad y cautiverio. La empatía es eso, la capacidad de ponerse en la posición del otro. Pero la empatía hacia los demás animales generalmente causa un cierto grado de disonancia cognitiva (dependiendo de la capacidad empática de cada uno). Creo que mi madre lidiaba con la disonancia cognitiva, que se produce al ser simultáneamente empático para con los otros animales y al mismo tiempo tener gusto en comerlos de la misma manera que la mayoría de la gente leía, y como yo misma lidié durante la mayor parte de mi vida. Una de las comidas preferidas de mi madre era “pajaritos fritos” – codornices más específicamente pero no tan diferentes de los pájaros que intentaba ayudar todos los veranos. Por un lado ella se aferraba a la creencia de que es necesario, para tener una buena salud, comer productos de origen animal y por otro ella pensaba que el hecho de comer animales ser considerado “normal” (todo el mundo lo hace) y “natural “(Porque los seres humanos” siempre lo hicieron “) era razón suficientemente fuerte para hacerlo. Pero más aún, ella recurría a tal manera fácil de lidiar con la disonancia cognitiva: simplemente “se olvidaba” de que lo que comía eran partes de animales que habían vivido antes de llegar a su plato, y que para que eso sucediera ellos tuvieran que vivir en cautiverio y ser asesinados después de ver a sus semejantes pasar por el mismo.

Mi madre era lo que me gusta llamar una “vegana no practicante”. Creo realmente que si estuviera viva hoy, después de que Tico y yo nos volvimos veganas, mi madre también se habría vuelto verdaderamente vegana. En realidad ya lo he visto en muchas familias de amigos veganos. Y es natural, aprendemos sobre la empatía, y sobre muchas otras cosas, a través del ejemplo de quien nos crea desde pequeños, y esas personas, cuando ven sus criaturas hacer un cambio tan profundo en sus creencias y comportamientos, se sienten motivadas a repensar sus propios valores y hábitos. Familias enteras se vuelven veganas después de que un miembro cambie la estrategia para lidiar con su disonancia cognitiva, pero esta vez de manera permanente, sin hacer el esfuerzo de “olvidar” que aunque no pudieran hacer daño a ningún animal, pagan constantemente a otras personas para hacerlo.

Conozco a muchas personas que son, a primera vista, mucho más empáticas que yo con respecto a otros animales. Una de ellas no aguanta ver documentales sobre la vida salvaje porque se queda con el corazón en las manos cuando ve a las presas ser abocadas por los predadores. Otra adoptó un perro que ama como si fuera un hijo y desarrolló un interés especial por la especie canina, pero sé que si ella tuviera la oportunidad de conocer otro animal (un cerdo por ejemplo) profundamente en su vida cotidiana, estaría tan comprometida en defender los derechos de esa especie como los derechos de la especie de su hijo no humano. Otra es quizás la persona más empática que conozco con respecto a las personas, y también, lo sospecho, que con respecto a los otros animales. En su caso la disonancia cognitiva ya no deja que su cuerpo digiera bien alimentos de origen animal, lo que hace que tenga muchos problemas digestivos.

Hasta mi padre, que hace la matanza del cerdo y los mata con sus propias manos y que adora las corridas de toros, a menudo demuestra empatía por otros animales. Una de las mayores sorpresas que tuve en mi vida fue saber que mi padre quería haber sido veterinario, mi admiración por él creció aún más en ese día. En su caso la disonancia cognitiva hizo que fortaleciera la creencia de que hay especies que merecen cariño, protección y respeto, otras que sólo sirven para satisfacer a los humanos y son cosas, como objetos sin sentidos ni sentimientos, y otras son solo “plagas ” y que ni siquiera deberían existir.

Tod@s tenemos que encontrar maneras de lidiar con nuestras propias disonancias cognitivas, no sólo en el aspecto de la relación con las otras especies de animales, pero con muchos otros aspectos como creencias sociales y políticas disonantes, inconsistencias a nivel de nuestros valores y comportamientos, incoherencias con respecto a cómo nos vemos a nosotr@s mism@s a y los otros, etc. Por mi experiencia nada da más paz de espíritu que acabar con las disonancias cognitivas cambiando los comportamientos que están en desacuerdo con nuestros valores, dentro de los posibles para cada uno uno.

¿Cuáles son tus disonancias cognitivas? ¿Siente a veces la molestia mental que provoca la empatía hacia los otros animales conjugada con los hábitos alimentarios “normales”? ¿Conoces más “vegan@s no practicantes” o te consideras un@? Como siempre, vuestras opiniones sobre este asunto son muy bienvenidas.

Turning bad into something good

Transformar o mau em algo bom (PT)

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Turning bad into something good (EN)

Today I write this words in hopes of helping those who are going or went through some life challenges similar to mine. To inspire them and to give them power to turn their lives upside down if that’s what they need to be happier.

2011.

The worst year of my life. If you have been reading some of our previous articles you know by now how Nico and I lost our mom.  You might know as well how close we were to her, in different ways, and how we kind of depended on her emotionally. Whoever has a deep relationship with their mother know that, despite the cut of the umbilical cord, we remain forever emotionally connected to them. So connected that many of their traumas can be passed onto us. Maybe they can even be the ones causing us traumas (without intending it, of course). In my reality, my mom had her flaws that could get in my nerves, but mostly she was to me the best mother she could be.

Her death was a mix of emotions. Sadness for losing someone that was still quite young that didn’t seem to get to enjoy her life to the fullest. Gratefulness for being able to have her in my life for 23 years. Relief for her not to be in pain anymore. Happiness for being able to move on with my life again after that terrifying year. What seemed to me the end of the world at some point in my life was the push that I needed to venture and do something I considered brave – move abroad. Today I recognize that running away to live in another country was not the bravest thing, in fact the brave action would have been staying there and face the tough life without my mother. It was more convenient to take the easy way out and pretend that my mom never died, never got sick, never existed. Starting a life in another country meant no one knew me, no one knew my story, no one knew to what family I belonged or what tragedy I had witnessed. Pretending that my mom never existed was just a way of protecting myself from sadness and a feeling of powerlessness.  It didn’t really work though. She would visit me in my dreams very often. Or should I say nightmares? I would wake up totally confused and not knowing if she was alive of dead anymore.

With her living us, physically, I felt like it left an emptiness in my heart too. I know this can sound very dramatic but I have no other way of describing it. It was like something was missing.

2016.

When I quit being a victim of that sad story I finally moved on. Of course that story will always be mine but I started to look at it with another eyes. If my mother had never died, I would certainly not be the person I turned into. I would perhaps not have lived abroad for such long periods of time, or felt the need to know who I was and what my mission in this world is, or never felt the need to turn to spirituality and try to understand what life is all about.

I realized that I was the story that I chose to tell. Instead of looking at this story from a victim perspective that felt pity for herself, I chose to rewrite the story of a fortunate person who was freed in order to be a better self and mature. This freedom is more related to not depending on anyone emotionally anymore. Which story is the right one? I don’t know. I only know that I am still here living and my mother is not. I decided to be the happiest I can be for me and for her, because after all, isn’t that what parents want for their kids?

If my mother had not died back in 2011, I don’t know who I would be today. Maybe it would have taken me much longer to experience everything I got to live till this day.

2019.

My heart will never be the same after that feeling of emptiness (that I was describing above). So I felt the urge of finding out how I could fill it in with something else. I learned that it won’t be filled in with someone else’s love. People come and go from our lives, nothing is eternal. Which means that if I replaced that emptiness with someone else’s love, it would most certainly get empty again. Instead I found out that doing what I love and what I think is my life purpose – being good to myself and to others, help others, make their day a better day – fills in this space more and more everyday.

Have you ever turned something bad in your life into something good? Have you ever thought about it? Can you rewrite your story in order to be happier?

Transformar o mau em algo bom (PT)

Escrevo hoje estas palavras na esperança de ajudar aquel@s que estão a passar ou já passaram por algumas desafios nas suas vidas, similares aos meus. Para @s inspirar e dar-lhes força para que virem a sua vida ao contrário se é isso que precisam para serem felizes.

2011.

O pior ano da minha vida. Se já leste alguns dos nossos artigos, saberás como a Nico e eu perdemos a nossa mãe. Talvez saibas também o quão próximas éramos dela, de formas diferentes, e o quanto dependiamos dela a nível emocional. Aquel@s que têm uma relação próxima com as suas mães sabem que, apesar do corte no cordão umbilical, permanecemos para sempre emocionalmente ligad@s a elas. Tão ligad@s que muitos dos seus traumas podem ser passados para nós. Até podem ser elas a causa de alguns dos nossos traumas (sem intenção, claro). Na minha realidade a minha mãe tinha os seus defeitos, que me tiravam do sério, mas apesar disso era a melhor mãe que eu podia ter tido.

A morte dela foi um misto de emoções. Tristeza por ter perdido alguém que tinha muita vivacidade (antes de ficar doente) e parecia não ter aproveitado a vida ao máximo. Gratidão por ter a oportunidade de a ter na minha vida por 23 anos. Alívio por a sua dor ter chegado ao fim. Felicidade por poder andar para a frente com a minha vida depois daquele ano aterrador.

O que parecia para mim o fim do mundo naquele ponto da minha vida, foi o empurrão que eu precisava para me aventurar e fazer algo que eu considerava corajoso – ir morar para fora. Hoje eu reconheço que fugir e ir viver para outro país não foi a coisa mais corajosa que fiz, de facto o acto de valentia teria sido ficar e encarar a vida difícil sem a minha mãe. Foi mais conveniente escolher o caminho fácil e fazer de conta que a minha mãe não tinha morrido, não tinha ficado doente, não tinha existido. Começar uma vida noutro país significava que ninguém me conhecia, ninguém conhecia a minha história, ninguém sabia a que família eu pertencia ou que tragédia eu tinha testemunhado. Fazer de conta que a minha mãe não tinha existido era uma forma de me proteger da tristeza e do sentimento de impotência. Mas isso não resultou completamente. Ela visitava-me nos meus sonhos com frequência. Ou devo dizer pesadelos? Eu acordava completamente baralhada sem saber se ela estava viva ou morta.

A sua partida do plano material deixou um lugar vazio no meu coração. Sei que isto pode soar muito dramático mas não tenho outra forma de o descrever. É como se a partir dali algo me ficou a faltar.

2016.

Finalmente parei de ser a vítima dessa história e deixei-a para trás. Claro que essa será sempre a minha história mas comecei a olhar para ela com outros olhos. Se a minha mãe não tivesse morrido, eu certamente não seria a pessoa que sou hoje. Talvez não tivesse vivido fora por longos períodos de tempo, ou sentisse a necessidade de ir em busca de saber quem sou e qual é a minha missão no mundo, ou não tivesse a necessidade de recorrer à espiritualidade e tentar perceber o que andamos “cá” a fazer.

Descobri que eu era a história que escolhi contar. Em vez de olhar para ela do ponto de vista de vítima que sentia pena de si própria, escolhi reescrever a história de uma pessoa sortuda que ficou livre para ser uma pessoa melhor e amadurecer. Esta liberdade tem mais a ver com não depender de ninguém a nível emocional. Qual é a verdadeira história? Não sei. O que sei é que eu continuo cá a viver e a minha mãe não. Decidi ser o mais feliz possível, por mim e por ela, e no final das contas não é isso que os pais querem para os seus filhos?

Se a minha mãe não tivesse morrido em 2011, não sei quem eu seria hoje. Talvez eu tivesse levado muito mais tempo a experienciar tudo o que vivi até ao dia de hoje.

2019.

O meu coração nunca será o mesmo depois daquela sensação de vazio. Por isso senti a necessidade de procurar uma forma de preencher esse vazio. Aprendi que não será preenchido com o amor de outra pessoa. As pessoas vêm e vão das nossas vidas, nada é eterno. O que significa que se eu preenchesse esse vazio com o amor de outra pessoa, o mais provável era ficar vazio mais tarde, outra vez. Em vez disso, descobri que se eu fizer aquilo que me dá prazer e que acho que é o meu propósito de vida – fazer o bem para mim e para as outras pessoas, ajudá-las e fazer do dia delas um dia melhor – aquele vazio se preenche mais e mais a cada dia.

Já alguma vez transformaste algo mau em algo bom na tua vida? Já alguma vez pensaste em fazê-lo? Consegues re-escrever a tua história para seres mais feliz?

Transformar el mal en algo bueno (ES)

Escribo hoy estas palabras con la esperanza de ayudar a aquell@s que están pasando o ya han pasado algunos desafíos en sus vidas, similares a los míos. Para inspirarl@s y darles fuerza para que vuelvan sus vidas al revés si eso es lo que necesitan para ser felices.

2011.

El peor año de mi vida. Si ya leíste algunos de nuestros artículos, sabrás cómo Nico y yo perdimos a nuestra madre. Quizás sepas también lo cuán cercanas éramos de ella, cada una a su manera, y lo cuán dependientes de ella a nivel emocional éramos. Aquell@ s que tienen una relación cercana con sus madres saben que, a pesar del corte del cordón umbilical, permanecemos para siempre emocionalmente conectad@s a ellas. De esa manera muchos de sus traumas pueden ser pasados ​​a nosotr@s. Hasta pueden ser ellas la causa de algunos de nuestros traumas (sin intención, claro). En mi realidad mi madre tenía sus defectos, que  a veces me volvían loca, pero a pesar de ello fue la mejor madre que yo podía haber tenido.

Su muerte fue una mezcla de emociones. Tristeza por haber perdido a alguien que tenía mucha vivacidad (antes de enfermarse) y parecía no haber aprovechado la vida al máximo. Gratitud por tener la oportunidad de tenerla en mi vida por 23 años. Alivio por su dolor haber terminado. Felicidad por poder caminar adelante con mi vida después de aquel año aterrador.

Lo que parecía para mí el fin del mundo en aquel punto de mi vida, fue el empujón que necesitaba para aventurarme y hacer algo que yo consideraba valiente – ir a vivir fuera del país. Hoy reconozco que huir e ir a vivir a otro país no fue lo más valiente que hice, de hecho el acto de valentía habría sido quedarme y afrontar la vida difícil sin mi madre. Fue más conveniente elegir el camino fácil y hacer de cuenta que mi madre no había muerto, no había enfermado, no había existido. Comenzar una vida en otro país significaba que nadie me conocía, nadie conocía mi historia, nadie sabía a qué familia pertenecía o que tragedia había testificado. Hacer de cuenta que mi madre no había existido era una forma de protegerme de la tristeza y del sentimiento de impotencia. Pero eso no resultó completamente. Ella me visitaba en mis sueños con frecuencia. ¿O debo decir pesadillas? Yo despertaba completamente confundida sin saber si mi madre estaba viva o muerta. Cuando su cuerpo dejó este plano quedó también un lugar vacío en mi corazón. Sé que esto puede sonar muy dramático pero no tengo otra forma de describirlo. Es como si a partir de aquel momento alguna parte de mí se haya perdido.

2016.

Finalmente dejé de ser la víctima de esa historia y la dejé atrás. Claro que esa será siempre mi historia, pero empecé a mirarla con otros ojos. Si mi madre no hubiera muerto, ciertamente no sería la persona que soy hoy. Quizás no hubiera vivido fuera por largos períodos de tiempo, ni sintiera la necesidad de saber quién soy y cuál es mi misión en el mundo, o no tuviera la necesidad de recurrir a la espiritualidad e intentar percibir qual és el significado de todo esto.

Descubrí que yo era la historia que escogiera contar. En vez de mirarla desde el punto de vista de la víctima que sentía pena de sí misma, elegí reescribir la historia de una persona afortunada que se vió libre para ser una persona mejor y más madura. Esta libertad tiene más que ver con no depender de nadie a nivel emocional. ¿Cuál es la verdadera historia? No lo sé. Lo que sé es que sigo viviendo y mi madre no. Decidí ser lo más feliz posible, por mí y por ella, y al final de cuentas no es eso lo que los padres quieren para sus hijos?

Si mi madre no hubiera muerto en 2011, no sé quién sería hoy. Quizás me hubiera llevado mucho más tiempo para experimentar todo lo que he vivido hasta el día de hoy.

2019.

Mi corazón nunca será el mismo después de aquella sensación de vacío. Por eso sentí la necesidad de buscar una forma de llenar ese vacío. Aprendí que no será llenado con el amor de otra persona. La gente viene y va de nuestras vidas, nada es eterno. Lo que significa que si llenara ese vacío con el amor de otra persona, lo más probable era quedarse vacío más tarde, otra vez. En vez de eso, descubrí que si hago lo que me da placer y lo que creo que es mi propósito de vida – hacer el bien para mí y para las otras personas, ayudarlas y hacer del día de ellas un día mejor – aquel vacío se llena más y más cada día.

¿Alguna vez has transformado algo malo en algo bueno en tu vida? ¿Alguna vez has pensado en hacerlo? ¿Puedes reescribir tu historia para ser más feliz?

Being happy while feeling sad

Being happy while feeling sad (EN)

Ser feliz estando triste (ES)

Ser feliz estando triste (PT)

Desde há bastante tempo que a psicologia e a neurociência tentam desvendar os segredos das emoções humanas. Há estudos que apontam para o facto de haver um número reduzido de emoções primárias ou básicas e muitos investigadores (como Turner e Plutchik) pensam inclusivamente que as emoções tiveram um papel muito importante na evolução da nossa espécie. Contudo não existe ainda um consenso geral sobre estes temas. Alguns estudos apontam para vários leques de emoções básicas que variam entre quatro a dez emoções diferentes.

Daquilo que li e aprendi estou bastante confortável com a ideia de que há quatro emoções principais: alegria, tristeza, medo e ira. Acredito que todas as outras emoções mais complexas partam dessas quatro e que nelas podemos encontrar a chave para compreender os nossos estados emocionais.

Muitas vezes estamos tomados por uma dessas emoções sem darmos por isso. Há pouco tempo a Tico escreveu sobre o ciúme e sobre como num momento da sua vida não tinha controlo sobre esse sentimento. Os sentimentos são interpretações conscientes das emoções. O ciúme não é mais que uma interpretação do medo de que a pessoa de quem gostas goste mais de uma terceira pessoa do que de ti.

Infelizmente muitos de nós aprendemos desde cedo a suprimir as nossas emoções mais básicas. Há relativamente pouco tempo, através de muita auto-análise e com alguma ajuda exterior, descobri que tenho uma tendência muito forte para suprimir a tristeza. Essa tendência tem várias razões sendo uma delas o exemplo (ou a falta dele).

Como com todas as outras ferramentas básicas para viver, aprendemos a gerir e controlar as nossas emoções de pequenos e através do exemplo. Não me lembro de ver a minha mãe triste nunca, exceptuando pelo falecimento de entes queridos. A minha mãe era uma mulher trabalhadora, divorciada e com duas filhas para criar. Acho que era um mecanismo de defesa e preservação que ela tinha, uma maneira de se mostrar a ela e aos outros como “forte”. Ela transformava toda a tristeza que pudesse sentir em ira. E mesmo o medo estava sempre um pouco disfarçado de ira, por isso só me lembro dela alegre ou zangada. Na realidade também só vi o meu pai triste uma ou duas vezes embora o tenha visto alegre e zangado muitas mais.

Lamentavelmente a tristeza (assim como o medo) é tida como sinónimo de fraqueza na nossa sociedade e eu, mesmo sabendo que isso não é verdade (que de facto saber lidar com a tristeza e com o medo são sinais de força e maturidade), tenho também tendência para suprimir essa emoção. Assim como fazia a minha mãe, quando um acontecimento me provoca tristeza eu “reciclo” imediatamente a emoção e transformo-a em ira. Não de forma consciente, como disse só há bem pouco tempo me apercebi disto.

Uma das coisas que me fez constatar esta minha dificuldade para lidar com a tristeza foi conhecer uma pessoa que tinha suprimido a ira durante grande parte da sua vida. Esta pessoa tinha nascido numa família bastante diferente da minha, onde o que estava mal visto era exprimir fúria, raiva ou indignação, onde ninguém gritava nem se zangava nunca.

Há pessoas que suprimem as suas emoções de alegria porque cresceram ou vivem em contextos onde estar alegre não parece estar correcto e muitas outras suprimem o medo porque acham que exprimir essa emoção as faz parecer menos corajosas. O que é um facto é que suprimir as emoções cria problemas e desequilíbrios emocionais.

Em muita da bibliografia disponível sobre a questão das emoções básicas “alegria” e “felicidade” são utilizadas como sinónimo e aí é onde eu ouso discordar. Na minha opinião a alegria é sim uma emoção, ou seja um conjunto de reacções físicas e psíquicas que são desencadeadas por um acontecimento (que pode ser interior como uma memória ou exterior como uma discussão). Não considero que a felicidade seja uma emoção mas um estado ou um modo de ser e estar na vida.

Como tal creio que se pode ser feliz e ter momentos tristes ou ser infeliz e estar às vezes alegre pois esses conceitos não são opostos e não se impossibilitam entre si. Para mim a felicidade tem que ver com estar em paz, com um contentamento constante e com aceitar a vida que se desenrola à nossa frente. Por sua vez a alegria está relacionada com divertimento, animação, entusiasmo ou graça.

No meu primeiro artigo falo rapidamente do episódio em que finalmente chorei a morte da minha mãe. Não foi logo a seguir a ela falecer mas sim uns anos depois durante o funeral da mãe de uma grande amiga. Nesse momento sentia-me profundamente triste, pela minha amiga e pela sua irmã (porque sabia bem pelo que elas estavam a passar), pela avó dela (que chorava e gritava de dor, a pobre senhora) e por mim (finalmente não consegui mais aguentar o dique que segurava toda aquela tristeza que guardava dentro). Mas ao mesmo tempo sentia-me em paz, sabia que a minha amiga e a sua família iam ultrapassar a dor, sabia que os finais trazem novos começos, e senti um grande alívio por finalmente deixar aquela tristeza sair cá para fora. Soube que continuava a ser uma pessoa feliz, talvez até mais feliz que antes.

Uma das maiores descobertas dos últimos tempos para mim foi perceber que, para ser mais feliz, uma das coisas na qual tenho que trabalhar é permitir-me mais tristeza. Parece uma contradição, mas não o é. Sei que tenho ainda bastante trabalho pela frente porque continuo a ter bastante dificuldade em lidar com a tristeza mas acho que com afinco lá chegarei mais tarde ou mais cedo.

E tu, tens o hábito de suprimir alguma das quatro emoções básicas ou achas que lidas bem com todas elas? Pensa se há alguma emoção que te faz sentir especialmente desconfortável, se há alguma emoção da qual tendes a fugir. Ou até se, como eu, tens tendência para processar essa emoção transformando-a noutra. Também pensas que a felicidade é algo mais que uma emoção momentânea como a alegria? Ou achas que ambas são o mesmo? Alguma vez te sentiste triste e ao mesmo tempo estavas feliz? Como sempre gostava de saber a tua opinião sobre este assunto.


Being happy while feeling sad. (EN)

Since a long time ago that psychology and neuroscience try to unravel the secrets behind human emotions. There are studies that point to the existence of a small number of primary or basic emotions and many researchers (like Turner and Plutchik) think furthermore that emotions had an important role in our species evolution. However, there are no common ground just yet regarding those topics. Some studies point to various ranges of basic emotions that vary between four and ten different emotions.

From what I have read i’m very keen with the four main emotions idea: joy, sadness, fear and anger. I believe that the remaining, more complex emotions are generated from those four and within them we can find the key to comprehend our emotional states.

Many times we are undertaken by one of those emotions without realising it. Recently, Tico wrote about jealousy and how she lost control of that feeling in a period of her life. Feelings are conscious interpretations of emotions. Jealousy is nothing more than fearing that the people you like like someone else more than they like you.

Unfortunately many of us learn since early age to suppress our most basic emotions. Not long ago, through lots of self-analysis and some external help, I found out that I’m very prone to suppress sadness. That tendency has many reasons, being one of them the example (or the lack of it).

Just like all other basic survival tools, we learn to manage and control our emotions since early age and by example. I don’t recall ever seeing my mother sad, except when loved ones died. My mother had a 9 to 5 job, was divorced and raising two daughters. I guess it was her defence mechanism, a way of showing herself and to others that she was strong. She transformed all the sadness into anger. Even her fear was always a bit concealed by anger, therefore I can only remember of her as joyful or angry. In fact I also saw my father sad only once or twice, although I have seen him joyful or angry more often.

Unfortunately, sadness (just like fear) is seen as synonym of weakness in our society and despite knowing that that isn’t true (in fact dealing with fear and sadness mean strength and maturity), I also have the tendency to suppress that emotion. Just like my mother used to do, when some event causes me sadness, I immediately “recycle” that emotion and transform it into anger, without being aware of that. I realised that not long ago, as said previously.

One thing that made me recognise this struggle of mine to deal with sadness was meeting someone that had suppressed their anger during most part of their life. This person was born into a much different family to mine, in which what was frowned upon was to express fury, rage or indignation, where no one ever screamed nor got upset.

There are people who suppress their emotions with joy because they have grown up or lived in certain contexts where being joyful doesn’t seem to be proper and many others suppress the fear because they think that expressing this emotion makes them seem less brave. What in fact happens is that suppressing emotions creates problems and emotional imbalances.

In many available bibliography on basic emotions, “joy” and “happiness” are used as synonyms and there’s where I venture to disagree. In my opinion joy is an emotion, in other words a set of physical and psychic reactions that are triggered by an occurrence (that can be interior just like a memory or exterior such as an argument). I don’t consider happiness an emotion but instead a state or way of being in life.

Consequently I do believe that one can be happy and have sad moments or be unhappy and feel joy at times because those concepts are not opposite and do not preclude one another. To me happiness has to do with being in peace, with a constant satisfaction and to accept life unwinding in from of us. On the other hand, joy is related with fun, excitement or enthusiasm.

In my first article i briefly talked about an episode where I finally mourned my mother’s death. It wasn’t immediately after she died but a few years later, during the funeral of a close friend’s mother. In that moment I felt truly sad, for my friend and her sister (because I knew exactly what they where going through), for her grandmother (which cried of pain, the poor lady) and for me (I could not bare any longer the dam that was holding on so much sadness inside). But at the same time I felt peace, I knew that my friend and her family would overcome the pain, I knew that ends bring new beginnings, and felt a huge relief by letting out all of that sadness. I learned that I kept being a happy person, maybe even happier than before.

A huge finding of mine in the most recent times was to understand that, in order to be happier, one of the things I need to work on myself is allowing more sadness. It seems like a contradiction, but it isn’t. I know I still have a long way to go because I keep having issues dealing with sadness but think that with diligence I’ll get there sooner or later.

What about you, do you suppress any of those four basic emotions or think you can deal with them all? Think about an emotion that makes you feel uncomfortable or if there is any emotion from which you tend to run away. Question yourself if you tend to transform an emotion into another one just like I do. Do you also think that happiness is something else than a momentary emotion like joy? Or you do you reckon that the two are the exact same? Have you ever felt sad and happy at the same time? As always I would love to know your opinion regarding all of this.


Ser feliz estando triste. (ES)

Desde hace bastante tiempo que la psicología y la neurociencia tratan de resolver los misterios de las emociones humanas. Hay estudios que apuntan al hecho de que hay un número reducido de emociones primarias o básicas, y muchos investigadores (como Turner y Plutchik) piensan incluso que las emociones desempeñaron un papel muy importante en la evolución de nuestra especie. Sin embargo, no existe todavía un consenso general sobre estos temas. Algunos estudios apuntan a varios abanicos de emociones básicas que varían entre cuatro a diez emociones diferentes.

De lo que he leído y aprendido, estoy bastante cómoda con la idea de que hay cuatro emociones principales: alegría, tristeza, miedo y ira. Creo que todas las otras emociones más complejas parten de esas cuatro y que en ellas podemos encontrar la clave para comprender nuestros estados emocionales.

Muchas veces estamos tomados por una de esas emociones sin saberlo. Hace poco, Tico escribió sobre los celos y sobre cómo en un momento de su vida no tenía control sobre ese sentimiento. Los sentimientos son interpretaciones conscientes de las emociones. Los celos no son más que una interpretación del miedo de que a la persona que te gusta, le guste más una tercera persona que tu.

Desafortunadamente muchos de nosotros hemos aprendido desde temprano a suprimir nuestras emociones más básicas. Hace relativamente poco tiempo, a través de mucho autoanálisis y con alguna ayuda exterior, descubrí que tengo una tendencia muy fuerte para suprimir la tristeza. Esta tendencia tiene varias razones siendo una de ellas el ejemplo (o la falta de él).

Como con todas las otras herramientas básicas para vivir, aprendemos a gestionar y controlar nuestras emociones de pequeños y a través del ejemplo. No recuerdo ver a mi madre triste nunca, excepto por el fallecimiento de seres queridos. Mi madre era una mujer trabajadora, divorciada y con dos hijas para crear. Creo que era un mecanismo de defensa y preservación que tenía, una manera de mostrarse a ella ya los demás como “fuerte”. Ella transformaba toda la tristeza que pudiera sentir en ira. Y también el miedo siempre estaba un poco disfrazado de ira en el caso de mi madre. Por esto sólo me acuerdo de ella alegre o enfadada. En realidad también sólo vi a mi padre triste una o dos veces aunque lo he visto alegre y enfadado muchas más.

Lamentablemente la tristeza (así como el miedo) es tenida como sinónimo de debilidad en nuestra sociedad y yo, aunque sabiendo que eso no es verdad (que de hecho saber lidiar con la tristeza y con el miedo son señales de fuerza y madurez), tengo también tendencia a suprimir esa emoción. Así como hacía mi madre, cuando un acontecimiento me provoca tristeza yo “reciclo” inmediatamente la emoción y la transformo en ira. No de forma consciente, como dije sólo hace poco tiempo me di cuenta de esto.

Una de las cosas que me hizo constatar mi dificultad para lidiar con la tristeza fue conocer a una persona que había suprimido la ira durante gran parte de su vida. Esta persona había nacido en una familia bastante diferente de la mía, donde lo que estaba mal visto era expresar furia, rabia o indignación, donde nadie gritaba ni se enfadaba nunca.

Hay personas que suprimen sus emociones de alegría porque crecieron o viven en contextos donde estar alegre no parece correcto y muchas otras suprimen el miedo porque creen que expresar esa emoción las hace parecer menos valientes. Lo que es un hecho es que suprimir las emociones crea problemas y desequilibrios emocionales.

En mucha de la bibliografía disponible sobre la cuestión de las emociones básicas, “alegría” y “felicidad” se utilizan como sinónimo y ahí es donde yo me opongo a desacuerdo. En mi opinión la alegría sí es una emoción, o sea un conjunto de reacciones físicas y psíquicas que son desencadenadas por un acontecimiento (que puede ser interior como una memoria o exterior como una discusión). Pero no considero que la felicidad sea una emoción sino un estado o un modo de ser y estar en la vida.

Como tal creo que se puede ser feliz y tener momentos tristes o ser infeliz y estar a veces alegre pues esos conceptos no son opuestos y no se impiden entre sí. Para mí la felicidad tiene que ver con estar en paz, con un contentamiento constante y con aceptar la vida que se desarrolla frente a nosotros. A su vez la alegría está relacionada con la diversión, la animación, el entusiasmo o la gracia.

En mi primer artículo hablo rápidamente del episodio en el que finalmente lloré la muerte de mi madre. No fue inmediatamente después de que ella falleciera, sino unos años después durante el funeral de la madre de una gran amiga. En ese momento me sentía profundamente triste, por mi amiga y por su hermana (porque sabía muy bien por lo que estaban pasando), por su abuela (que lloraba y gritaba de dolor, la pobre señora) y por mí (finalmente no pude aguantar más el dique que sostenía toda aquella tristeza que guardaba dentro). Pero al mismo tiempo me sentía en paz, sabía que mi amiga y su familia iban a superar el dolor, sabía que los finales traen nuevos comienzos, y sentí un gran alivio por finalmente dejar que esa tristeza saliera. Supe que seguía siendo una persona feliz, quizás incluso más feliz que antes.

Uno de los mayores descubrimientos de los últimos tiempos para mí fue percibir que para ser más feliz, una de las cosas en las que tengo que trabajar es permitirme más tristeza. Parece una contradicción, pero no lo es. Sé que todavía tengo mucho trabajo por delante porque todavía tengo dificultades para lidiar con la tristeza, pero creo que con ahínco lo lograré más tarde o más temprano.

Y tú, tienes el hábito de suprimir alguna de las cuatro emociones básicas o crees que leídas bien con todas ellas? Piensa si hay alguna emoción que te hace sentir especialmente incómodo, si hay alguna emoción de la que sueles huir. O incluso si, como yo, tienes tendencia para procesar esa emoción transformándola en otra. También piensas que la felicidad es algo más que una emoción momentánea como la alegría? ¿O crees que ambas son lo mismo? ¿Alguna vez te sentiste triste mientras estando feliz? Como siempre quiero saber tu opinión sobre este asunto.

Believe in those who believe in you

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Cree en los que creen en ti (ES)

Believe in those who believe in you (EN)

After being away from my own country for seven years, I decided to give it a go and come back for unlimited time. Even more, after being away from my own hometown for thirteen years, I decided to give it a go and see what’s here for me.

Some acquaintances, that know that I was living somewhere else, were curious in the beginning to find out what brought me here. Unknown people, that I have been meeting since my arrival, are in awe once I tell them that I just arrived some months ago, after being away living in other countries. It’s odd to be from a place and not knowing street names, where specific supermarkets are located, where do people my age meet for a drink etc. One of these days, I decided to go on (what I thought was a) shortcut and end up being lost through a tangle of streets and alleys. Was fun!

The second most asked question, done in many different ways, since I came back – after the question “Are you already working?” (Work in progress) – is “What are you doing here?”, “How come you decided to come back?”, “What’s here for you in this lethargic place?”.

I get that I’m living in a small city (very subjective), with a population of about 55 thousand, and obviously there’s less to do here than in a capital city or a bigger city. But those questions kind of threw me off a little. Here I was, quite excited to be back, in peace with my city, looking forward to be with my friends and family but for some reason I felt like “yeah, maybe I don’t belong here”. If my compatriots were the ones questioning my return maybe the truth is that there was nothing here for me.

Then I started my business and some people were very sceptical about it, saying that this area (holistic nutrition) was way too advanced for this city’s mentality. Telling me that it would be very difficult to get clients, that people were not opened enough yet to new ideas. However, that was exactly why I came here in a way, because I wanted to “awake” some people and help them with better choices, to live better lives and thrive.  

On the other hand, I had (have) some friends and family that cheer me up and help me with what they can and I’m truly grateful for their support. That gives me way more power than those people who don’t believe in change.

I choose to believe in those who encourage me in doing what I like instead of getting slammed with negative and outdated mentalities.  So I keep going.

By coming back I never intended to stay here forever. I just wanted to try and see how things are here, what has changed, what’s in trend. I also wanted to experience again having a sunny winter, speaking my own language, being close to friends and family, eating local food, having my own garden with fruits and veggies.  Those are the pros of coming back.

Living abroad connected me to people from all over the world; I grew up as a person by struggling and having to do things on my own; speaking a different language (English) became second nature to me; it made me appreciate the warm and sunny days; I became an outdoorsy person; it made me re-evaluate the way I think continually by meeting new realities; I was stimulated culture wise. Those were the pros of living abroad.

I won’t write about the cons of either living abroad or the cons of being back to my home country, as I don’t want to concentrate on the negative points. Instead I would like to encourage those who have plans to start something new or change something in their lives, to go ahead and focus on what makes them happy. More, surround yourself with the people that love you, encourage you and support you instead with those who don’t believe in your success. Your success will be a way of honouring and thanking those that had your back. And hopefully it will encourage them to pursue their goals too.

 

Acredita naqueles que acreditam em ti (PT)

Depois de estar fora do meu país por sete anos, decidi dar uma oportunidade e voltar por tempo indeterminado. Mais ainda, depois de estar fora da cidade onde nasci por treze anos, decidi dar-lhe uma oportunidade e ver o que há aqui para mim.

Alguns conhecidos, que sabiam que eu tinha vivido fora do país, estavam curiosos no início para saberem o que me trazia aqui. Desconhecidos, com quem privei ao longo destes meses, ficaram estupefactos quando lhes disse que estava a viver fora mas que agora tinha decidido voltar. É estranho ser-se de um sítio e não se saber o nome das ruas, onde ficam certas lojas, onde é que as pessoas da minha idade se encontram para tomar uma bebida etc. Um dia destes, decidi enveredar por o que pensava ser um corta-mato e acabei perdida por ruas e ruelas. Foi engraçado!

A segunda pergunta que mais me fazem desde que cheguei, logo atrás da pergunta “Já arranjaste trabalho?” (Trabalho em curso) é feita de formas diferentes – “O que vieste aqui fazer?”, “Por que motivos decidiste voltar?”, “O que vieste fazer à pasmaceira desta cidade?”.

Compreendo que estou a viver numa cidade pequena (muito subjectivo), com 55 mil habitantes, e obviamente há menos para se fazer aqui do que numa capital ou cidade grande. Mas aquelas perguntas desanimaram-me um pouco. Aqui estava eu, toda animada por estar de volta, em paz com a minha cidade, desejosa de estar com os meus amigos e família mas por alguma razão senti que “bom, talvez eu afinal não pertença aqui”. Se os meus conterrâneos questionavam o meu regresso, talvez não houvesse mesmo nada aqui para mim.

Entretanto comecei o meu negócio e algumas pessoas mostravam-se muito sépticas quanto a isso, diziam que a minha área (nutrição holística) era muito “à frente” para a mentalidade desta cidade. Diziam que seria muito difícil arranjar clientes pois as pessoas não estão ainda abertas a ideias novas. No entanto, era essa uma das razões pela qual eu tinha decidido voltar, porque queria ajudar as pessoas a “despertar” e a fazerem melhores escolhas alimentares para que tivessem uma vida melhor a todos os níveis.

Por outro lado, tinha (e tenho) alguns amigos e familiares que me animam e ajudam como podem e eu estou verdadeiramente grata pelo seu apoio. Isso dá-me muito mais força do que aqueles que não acreditam em mudanças.

Eu escolho acreditar naqueles que me encorajam a fazer o que eu gosto do que nos outros que têm mentalidades retrógradas e negativas. Então continuo em frente.

Voltar para mim nunca significou ficar aqui para sempre. Eu só queria tentar e ver como as coisas estão por aqui, o que mudou, o que está na moda. Queria também lembrar-me do que era um Inverno solarengo, falar a minha língua materna, estar perto de amigos de longa data e familiares, comer coisas locais, ter o meu jardim com frutas e vegetais. Estes são os prós de ter retornado.

Viver noutros países conectou-me com pessoas do mundo inteiro; cresci como pessoa por ter passado algumas dificuldades sozinha; ajudou-me a poder falar uma segunda língua (Inglês) de forma automática; fez-me dar valor aos dias quentes e ao sol; tornei-me numa pessoa que gosta de fazer actividades na natureza; fez-me reavaliar a forma como penso continuamente por ter conhecido realidades tão diferentes da minha; fui estimulada culturalmente. Estes foram os prós de viver fora.

Não escreverei agora sobre os “contras” de viver no meu país ou fora dele pois não me quero centrar em pontos negativos. Em vez disso quero encorajar aquel@s que têm planos para começar algo de novo ou mudar qualquer coisa nas suas vidas, a irem em frente e focarem-se naquilo que os faz feliz. Mais, rodearem-se daqueles que vos amam, encorajam e dão apoio em vez de estarem com aquel@s que não acreditam no vosso sucesso. O vosso sucesso será uma forma de honrar e agradecer aquel@s que acreditaram em vocês. E talvez el@s própri@s se sintam inspirados a correrem atrás dos seus objectivos.

 

Cree en los que creen en ti (ES)

Después de estar fuera de mi país durante siete años, decidí dar una oportunidad y volver por tiempo indefinido. Más aún, después de estar fuera de la ciudad donde nacía por trece años, decidí darle una oportunidad y ver lo que hay aquí para mí.

Algunos conocidos, que sabían que yo había vivido fuera del país, estaban curiosos al principio para saber lo que me traía aquí. Desconocidos, con quienes prive a lo largo de estos meses, se sorprendieron cuando les dije que había estado fuera y que ahora había decidido volver. Es extraño ser de un sitio y no saber el nombre de las calles, donde están ciertas tiendas, donde las personas de mi edad se encuentran para tomar una copa, etc. Un día de estos, decidí emprender por lo que pensaba ser un camino más corto y acabé perdida por calles y callejuelas. ¡Fue divertido!

La segunda pregunta que más me hacen desde que llegué, justo después de la pregunta “¿Ya tienes trabajo?” (Trabajo en curso) se hace de formas diferentes – “¿Qué has venido a hacer aquí?”, “¿Por qué motivos decidiste volver?”, “¿Porque has vuelto a esta ciudad tan parada?”.

Entiendo que estoy viviendo en una ciudad pequeña (muy subjetivo), con 55 mil habitantes, y obviamente hay menos cosas que hacer aquí que en una capital o ciudad grande. Pero esas preguntas me desanimaron un poco. Aquí estaba yo, toda animada por haber vuelto, en paz con mi ciudad, deseosa de estar con mis amigos y familia, pero por alguna razón sentí que “bueno, tal vez yo no pertenezca aquí”. Si mis compatriotas cuestionaban mi regreso, quizás no hubiera nada aquí para mí.

Después empecé mi propio negocio y algunas personas se mostraban muy sépticas en cuanto a eso, decían que mi área (nutrición holística) estaba muy “por delante” para la mentalidad de esta ciudad. Dijeron que sería muy difícil conseguir clientes porque la gente no está todavía abierta a nuevas ideas. Sin embargo, esa era una de las razones por las que había decidido volver, porque quería ayudar a la gente a “despertar” y hacer mejores elecciones alimentarias para que tuvieran una vida mejor a todos los niveles.

Por otro lado, tenía (y tengo) algunos amigos y familiares que me animan y ayudan como pueden y estoy realmente agradecida por su apoyo. Esto me da mucho más fuerza que los que no creen en los cambios.

Yo elijo creer en aquellos que me animan a hacer lo que me gusta y no en los demás que tienen mentalidades retrógradas y negativas. Entonces sigo adelante.

Volver a mí cuidad nunca significó quedarme aquí para siempre. Sólo quería intentar y ver cómo las cosas están por aquí, lo que cambió, lo que está de moda. Quería también recordarme lo que era un invierno soleado, hablar mi lengua materna, estar cerca de los amigos de siempre y de mi familia, comer platos tradicionales, tener mi huerto con frutas y verduras. Estos son los pros de haber regresado.

Vivir en otros países me conectó con personas de todo el mundo; crecí como persona por haber pasado algunas dificultades sola; me ayudó a poder hablar una segunda lengua (Inglés) de forma automática; me hizo dar valor a los días calientes y al sol; me he converti en una persona que le gusta hacer actividades en la naturaleza; me hizo reevaluar mi forma de pensar continuamente por haber conocido realidades tan diferentes de la mía; me estimuló culturalmente. Estos fueron los pros de vivir fuera.

No escribiré ahora sobre los “contras” de vivir en mi país o fuera de él porque no quiero centrarme en puntos negativos. En vez de eso quiero animar a aquell@s que tienen planes para comenzar algo nuevo o cambiar cualquier cosa en sus vidas, a seguir adelante y enfocarse en lo que les hace felices. Más, os animo a rodearse de aquellos que os quieren, alientan y dan apoyo en vez de estar con aquellos que no creen en vuestro éxito. Vuestro éxito será una forma de honrar y agradecer a los que creyeron en vosotr@s. Y quizás ellos mismos se sientan inspirados a perseguir sus objetivos.

Why do people get so bothered by those who question everything?

Why do people get so bothered by those who question everything? (EN)

¿Por qué es que las personas que cuestionan todo incomodan tanto a las demás? (ES)

Porque é que as pessoas que questionam tudo incomodam tanto? (PT)

Frequentemente passo por situações nas que sinto (ou me fazem sentir) que estou a incomodar alguém apenas por questionar o que está socialmente estabelecido como normal. Mesmo sem expressar directamente os meus pontos de vista, e muito menos sem antagonizar ninguém, faço (sem intenção) com que algumas pessoas se sintam desconfortáveis apenas com a minha presença, porque me veem fazer escolhas que não encaixam com os padrões aos quais estão habituadas, ou simplesmente porque sabem que vejo o mundo desde outra perspectiva.

Eu aceito e já estou habituada a causar esse desconforto, e até percebo o sentimento de confusão que se apodera dessas pessoas quando estão diante de alguém que pensa de uma maneira tão diferente da sua, nas coisas que consideram mais básicas (como comer, como vestir, como levar a vida profissional, como viver as relações, etc.) e por isso mais inquestionáveis. O problema não é este desconforto normalmente traduzir-se numa certa hostilidade dirigida à minha pessoa. Não, o problema é que se trata geralmente de uma hostilidade cobarde.

O que quero dizer com hostilidade cobarde são coisas como:

  • mandar bocas “para o ar” que não estão “oficialmente” dirigidas à minha pessoa mas que tanto eu como todos os presentes percebemos que era mesmo para mim;
  • dizer coisas com um tom de brincadeira mas com a intenção de deixar-me desconfortável (talvez para fazer-me sentir como el@s se sentem) ou numa posição desagradável;
  • guardar todos os comentários e opiniões sobre a minha pessoa para o momento em que eu viro costas ou falar mal de mim quando não estou presente.

O que todas estas formas de hostilidade têm em comum, e a razão pela qual digo que são gestos cobardes, é que me tiram a possibilidade de me defender. Se respondo a bocas que não estão formalmente dirigidas a mim, ou reajo mal a coisas ditas “na brincadeira” corro o risco de parecer que tenho a mania da perseguição, ou que me ofendo sem razão.  E obviamente o facto de falar de mim nas minhas costas me tira a possibilidade de expor o meu ponto de vista.

Outra coisa que me chateia nisto é o facto de estas pessoas se sentirem ameaçadas pelo simples facto de que alguém fazer as coisas de maneira diferente. Quem me conhece sabe que não costumo dizer às pessoas coisas como: “devias ser vegan@”, “esses sapatos que usas estão a deformar os teus pés, devias usar uns como os meus”, “a felicidade não depende de teres menos problemas, se queres ser uma vítima quando este problema se resolver tu encontrarás outro para te queixares”, “se tens um problema crónico de saúde devias tentar perceber que mudanças no teu estilo de vida poderão ser benéficas com relação a esse problema”, etc.

Não, eu na realidade talvez diga: “sou vegana pelos animais, pela minha saúde e pelo planeta”; “desde que comecei a usar calçado ‘barefoot’ deixei de ter dores nas ancas e nos joelhos”; “sei que este problema irá passar, mas virão outros, e não posso deixar que a minha felicidade dependa disso”; “sinto-me muito melhor desde que deixei de consumir alimentos com glúten, descobri que afinal alguns dos problemas crónicos que tinha estavam relacionados com o seu consumo”. Mas pelos vistos essas pessoas, na cabeça delas, ouvem alguma versão mais parecida às do parágrafo anterior e não o que realmente expresso. Só pode ser essa a razão, certo? Afinal eu não lhes digo que o que fazem está mal, nem opino sobre como o deviam fazer, nem exprimo julgamentos sobre as suas decisões, então porque é que elas reagem como se eu o fizesse?

Desconfio que quem questiona o estabelecido, cria (na cabeça destas pessoas) a possibilidade de questionamento daquilo que antes era inquestionável para elas. Estes questionamentos criam muitas mais hipóteses de escolha que as que haviam anteriormente, mas elas não querem ter que tomar decisões reais nas suas vidas, porque acham que é mais fácil escolher apenas de entre as possibilidades já delimitadas pela sociedade, do que escolher uma das possibilidades criada por elas próprias.

O que acham sobre isto? Compreendem o que quero dizer? Revêem-se nalguma parte deste meu desabafo? Este texto foi escrito exatamente para pedir ajuda com estas questões. Como acham que devo reagir às hostilidades cobardes? Acham que devo ignorar (que é o que tenho vindo a fazer até agora mas realmente não tem ajudado a fazer com que essas hostilidades me deixem de ser dirigidas)? Acham que devo confrontar as pessoas de alguma maneira específica? Acham que há outra razão pela qual faço as pessoas se sentirem desconfortáveis? Que devo mudar algo na maneira como lido com as pessoas? Qualquer ideia é bem vinda!!


 

Why do people get so bothered by those who question everything? (EN)

I often go through situations in which I feel that I am bothering someone just by questioning what is socially established as normal. Even without directly expressing my point of view, let alone without antagonising anyone, I (unintentionally) make some people feel uncomfortable only with my presence, because they see me making choices that do not fit the standards they are used to, or simply because they know that I see the world from a different perspective.

I accept that and am already used to causing this discomfort, and I even understand the sense of confusion that grips these people when they are face to face with someone who thinks in a way so different from theirs about the things they consider most basic (like eating, dressing , how to lead a professional life, how to manage relationships, etc.) and therefore more unquestionable. The problem is not that this discomfort usually translates into a certain hostility directed at me. No, the problem is that it’s usually what I like to call “coward’s hostility”.

What I mean by “coward’s hostility” are things like:

  • dropping hints that are not “officially” addressed to me but everybody else, including myself, know that are actually directed to me;
  • saying things with a joking tone but with the intention of making me uncomfortable (maybe to make me feel like I make them feel) or putting me in an unpleasant position;
  • making comments and giving opinions as soon as I turn my back or speaking ill of me when I am not present.

What all these forms of hostility have in common, and the reason why I say that they are cowardly gestures, is that they take away from me the possibility of defending myself. If I respond to dropped hints that are not formally addressed to me, or I react badly to things said “in jest” I run the risk of seeming to have delusions of persecution, or that I get offended with no reason. And obviously talking about me behind my back makes it impossible for me defend my own opinions.

Another thing that annoys me is the fact that these people feel threatened by the simple fact that someone does things differently. Those who know me can attest that I don’t usually tell people things like “you should become vegan,” “those shoes that you are wearing are deforming your feet, you should use ones like mine,” “happiness does not depend on having fewer problems, if you want to be a victim, when this problem is solved you will find another one to complain about”, “if you have a chronic health problem you should try to understand what changes in your lifestyle could be beneficial for you” etc.

Instead, what I might actually say is: “I am vegan for the animals, for my health and for the planet”; “since I started wearing ‘barefoot’ shoes I stopped having pain in my hips and knees”; “I know this problem will pass, but others will come, and I can’t let my happiness depend on it”; “I feel much better since I stopped consuming foods with gluten, I discovered that after all some of the chronic problems I had were related to gluten consumption.” But apparently these people, in their head, hear a version more similar to the ones on the previous paragraph and not what it actually express. Only that can be the reason, right? At the end of the day, I do not tell them that what they do is wrong, I do not give opinions about how they should do it (unless asked), nor do I express judgments about their decisions, so why do they react as if I do?

I suspect that anyone who questions what is established creates (in the minds of these people) the possibility of questioning what was previously unquestionable for them. These questions create many more possibilities of choice than the ones they had before, but they do not want to have to make real decisions in their lives, because they think it is easier to choose only from the possibilities already delimited by society, than to choose one of the possibilities created by themselves.

What do you think about this? Do you understand what I mean? Do you see yourself in some part of my outburst? This text was written exactly to ask for help with these questions. How do you think I should react to “coward’s hostilities”? Do you think I should ignore (which is what I have been doing so far but it really has not helped to stop these hostilities from being addressed to me)? Do you think I should confront people in some specific way? Do you think there’s another reason why I make people uncomfortable? Or do you think that I should change the way I deal with people? Any ideas are welcome !!


 

¿Por qué es que las personas que cuestionan todo incomodan tanto a las demás? (ES)

A menudo paso por situaciones en las que siento (o me hacen sentir) que estoy molestando a alguien sólo por cuestionar lo que está socialmente establecido como normal. Incluso sin expresar directamente mis puntos de vista, y mucho menos sin antagonizar a nadie, hago (sin intención) con que algunas personas se sienten incómodas sólo con mi presencia, porque me ven hacer elecciones que no encajan con los patrones a los que están acostumbrados o simplemente porque saben que veo el mundo desde otra perspectiva.

Yo acepto y ya estoy acostumbrada a causar esa incomodidad, e incluso entiendo el sentimiento de confusión que se apodera de esas personas cuando están frente a alguien que piensa de una manera tan diferente de la suya, en las cosas que consideran más básicas y por eso más incuestionables (ej: cómo comer, cómo vestir, cómo llevar la vida profesional, cómo vivir las relaciones, etc.). El problema no es esta incomodidad normalmente traducirse en una cierta hostilidad dirigida a mi persona. No, el problema es que se trata generalmente de una hostilidad cobarde.

Lo que quiero decir con hostilidad cobarde son cosas como:

  • mandar recados “al aire” que no están “oficialmente” dirigidos hacia mí pero que tanto yo como todos los presentes percibimos que eran para mí;
  • decir cosas con un tono de broma pero con la intención de dejarme incómodo o en una posición desagradable;
  • guardar todos los comentarios y opiniones sobre mí para el momento en que me vuelvo la espalda o hablar mal de mí cuando no estoy presente.

Lo que todas estas formas de hostilidad tienen en común, y la razón por la que digo que son gestos cobardes, es que me quitan la posibilidad de defenderme. Si respondo a “recados” que no están formalmente dirigidos a mí, o reajo mal a cosas dichas “de broma”, corro el riesgo de parecer que tengo la manía de la persecución, o que me ofendo sin razón. Y obviamente el hecho de hablar de mí en mis espaldas me quita la posibilidad de exponer mi punto de vista.

Otra cosa que me molesta en esto es que estas personas se sienten amenazadas por el simple hecho de que alguien haga las cosas de manera diferente. El que me conoce sabe que no acostumbro decir a las personas cosas como: “deberías hacerte vegan@”, “esos zapatos que usas están deformando tus pies, deberías usar unos como los míos”, “la felicidad no depende de tener menos problemas, si quieres seguir siendo una víctima cuando este problema se solucione tú encontrarás otro para que quejarte “,” si tienes un problema crónico de salud deberías intentar percibir qué cambios en tu estilo de vida podrán ser beneficiosos para ti”, etc.

No, en realidad quizás yo diga: “soy vegana por los animales, por mi salud y por el planeta”; “desde que empecé a usar calzado ‘barefoot’ dejé de tener dolores en las caderas y en las rodillas”; “sé que este problema pasará, pero vendrán otros, y no puedo dejar que mi felicidad dependa de eso”; “me siento mucho mejor desde que dejé de consumir alimentos con gluten, descubrí que al final algunos de los problemas crónicos que tenía estaban relacionados con su consumo”. Pero por lo visto estas personas, en sus cabezas, oyen alguna versión más parecida a las del párrafo anterior y no lo que realmente expreso. Sólo puede ser esa la razón, ¿verdad? Al final yo no les digo que lo que hacen está mal, ni opino sobre cómo lo debían hacer, ni expreso juicios sobre sus decisiones, entonces ¿por qué reaccionan como si yo lo hiciera?

Desconfio que quien cuestiona lo establecido, crea (en las cabezas de estas personas) la posibilidad de cuestionamento de aquello que antes era incuestionable para ellas. Estos cuestionamientos crean muchas más opciones de elección que las que habían anteriormente, pero ellas no quieren tener que tomar decisiones reales en sus vidas, porque creen que es más fácil escoger sólo entre las posibilidades ya delimitadas por la sociedad, en el lugar de elegir una de las posibilidades creada por ellas mismas.

¿Qué piensas sobre esto? ¿Comprendes lo que quiero decir? ¿Te reconoces en alguna parte de este mi desahogo? Este texto fue escrito exactamente para pedir ayuda con estas cuestiones. ¿Cómo crees que debo reaccionar ante las hostilidades cobardes? ¿Creen que debo ignorarlas (que es lo que he hecho hasta ahora, pero realmente no ha ayudado parar las hostilidades)? ¿Crees que debo confrontar a las personas de alguna manera específica? ¿Creen que hay otra razón por la que las personas se sienten incómodas? ¿Qué debo cambiar algo en la forma en que leído con la gente? ¡Cualquier idea es bienvenida!

Walking away from jealousy

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Walking away from jealousy (EN)

While talking to a good friend the other day about her love life, she then said “It’s good to have some jealousy in a relationship” to which I answered “why would you say that?” to what she replies “Well, it means that your partner likes you…”.

The conversation went on and I was in total disagreement with her point of view. However, I knew where she was coming from. I once thought exactly the same! Back then, when I used to think that jealousy was part of a romantic relationship, I never questioned myself to understand why I had this belief. I just had it probably because that’s what I learned.

I remember at early age having jealousy “attacks”, normally because my sister was having more attention from my mother than me in some situation. That feeling of seeking exclusive attention from someone else, without having to share it,  was something very familiar to me. Most of us don’t get to have an explanation of the feelings we are experiencing while growing up. If we feel frustrated we are grounded, if we feel annoyed therefore we are considered ill-behaved and when we feel bored someone gives us another task just so we are entertained again. We end up not knowing why we feel the way we feel.  We end up not knowing why we behave the way we do. We end up not learning how to deal with our feelings. We just get that something is wrong or right with no reason and no explanation. This is something we all have to deal with as kids.

Then we grow up and jump into romantic relationships. Our partner is flirting with another person and here it comes again that same feeling. It’s human, everybody felt this way at some point in their lives. And it’s ok. What today I realise it’s not ok, is the fact that we don’t understand our own feelings so we act according to them without being aware of that.

I can say that when I was in a long-term relationship I was super jealous at some point. It wasn’t much in the beginning surprisingly. But as soon as I suspected of infidelity my “radar” fired up. I started to be this mad person that was always thinking that my boyfriend at the time was surely cheating on me. I couldn’t help it but being in a loop of negative thoughts. Today I know that it wasn’t his problem. It was mine. I was in a very insecure phase in my life and my self-esteem was at a low point. Because of this, I obviously thought that every girl was more interesting, more beautiful and in better shape than me. Today I think much clearly (perhaps because I’m not in that situation right now) and with this distance I know that whatever your partner wants to do they will end up doing it anyway. It is not because you’re jealous that it will stop the other person from cheating, flirting or doing something else. And being jealous will not make your partner feel more loved.

Plus, jealousy is something super selfish. If you love someone, you probably want the best for them and want them to be happy. If you can deeply understand that, you will see that you will become more relaxed. It doesn’t mean that cheating is something right, which I think it is definitely not! But the other person’s actions are out of our control and it is just healthier to let them go when they need to, because we love them and want the best for them, instead of monitoring every single action.

Why is that we feel jealous when our loved one is giving more attention to someone at certain moment? Is it connected to our state of mind at that moment? Is it related to past traumas? Can we learn to deal with it?

Getting back to where this article started, I deeply believe that your partner doesn’t need to be jealous in order for you to feel loved, nor vice-versa. Because jealousy comes from a self-centered mindset, it can be observed, recognized and then released. It needs some training because the neurotransmitters inside our brains love to go always through the same pathways, and those pathways are very worn out so it’s easier to “walk” on them instead of going through a new track full of weeds. But if we try to walk on the new path, we will trample on the weeds and they will eventually disappear and form another firm pathway.  This is a straightforward analogy to explain that if we choose to have thoughts that will propagate our feelings of jealousy (walking on the worn out path) we will end up in a loop of instability. If, on the other hand, we decide to observe the feeling, understand where it is coming from and then move one to a more positive mindset (walk on a new pathway) we will start to train our brain to demystify that feeling. After some time, we will eventually stop going through the old path and instead choose the new one.

“Nothing is more capable of troubling our reason, and consuming our health, than secret notions of jealousy in solitude.” –  Aphra Behn

Como afastar-se do caminho dos ciúmes (PT)

Um dia destes, enquanto falava com uma grande amiga sobre os seus amores e desamores, ela diz “É bom haver alguns ciúmes numa relação”, ao que eu respondi “Porque é que dizes isso?” e de seguida diz ela “Então significa que o teu parceiro gosta de ti…”.

A conversa continuou e eu estava em pleno desacordo com o seu ponto de vista. Ainda assim, percebi a sua forma de pensar. Não há muito tempo eu pensava o mesmo! Nessa altura, quando pensava que os ciúmes eram algo intrínseco numa relação amorosa, não me questionava sobre porque pensava assim. Provavelmente porque foi o que aprendi.

Lembro-me que, quando era bem miúda, tinha “ataques” de ciumeira, normalmente por ver que a minha irmã estava a receber mais atenção do que eu, por parte da minha mãe, num momento específico. Aquele sentimento de querer que a atenção de alguém seja exclusivamente dirigida para nós, sem termos que a dividir, era algo muito familiar para mim. A maioria de nós não recebe uma explicação sobre os sentimentos que experienciamos enquanto crescemos. Se nos sentimos frustrad@s somos posto@s de castigo, se nos sentimos irritado@s então somos considerad@s mal-comportad@s e quando estamos aborrecid@s alguém nos dá uma tarefa, para que fiquemos entretidos mais uma vez. Acabamos assim por não compreender o porquê de nos comportarmos de determinada forma e por não aprender a lidar com os nossos sentimentos. Acabamos por não entender porque nos sentimos como sentimos. Apenas percebemos que algo é considerado certo ou errado, sem nenhuma razão ou explicação. Isto é algo com o qual tod@s temos que lidar quando somos crianças.

Depois crescemos e metemo-nos em relações amorosas. Quando @ noss@ parceir@ parece estar a flertar com outra pessoa lá vem aquele sentimento outra vez. É humano, toda a gente já o sentiu alguma vez na vida. E não faz mal. O que eu hoje reconheço que “faz mal” é que não percebemos os nossos próprios sentimentos e agimos com base neles sem nos darmos conta muitas vezes.

Posso dizer que, quando tive numa relação duradoura, fui muito ciumenta a certa altura. Curiosamente não foi na fase inicial. Mas assim que tive suspeitas de infidelidade, o meu “radar” disparou. Comecei a ser uma pessoa neurótica que pensava frequentemente que estava a ser traída pelo namorado. Eu não conseguia evitar estar naquele ciclo vicioso de pensamentos negativos. Mas hoje sei que o problema não era dele. Era meu. Eu é que estava numa fase muito insegura da minha vida e com a auto-estima muito em baixo. Por essa razão, pensava que qualquer rapariga era mais interessante, mais bonita e estava em melhor forma física do que eu. Hoje os meus pensamentos são bem mais claros (talvez por já não estar nessa situação) e com esta distância sei que a outra pessoa vai acabar por fazer o que quiser, seja como for. Não é pelo facto de teres ciúmes que isso irá impedir a outra pessoa de te trair, flertar ou fazer o que quer que seja. Também não é por teres ciúmes que vais fazer com que a pessoa com quem estás numa relação se sinta mais amada.

Além disso os ciúmes são algo muito egoísta. Se amas alguém, provavelmente queres o melhor para essa pessoa e que seja feliz. Se conseguires compreender isso profundamente, vais ver que vais ficar mais relaxad@. Não quer dizer que trair é algo correcto, acredito definitivamente que não o é! Mas as acções da outra pessoa estão fora do nosso controle e é mais saudável deixá-la ir quando for necessário, porque a amamos e queremos o melhor para ela, em vez de quer tê-la presa a nós e vigiar todos os seus movimentos.  

Porque é que sentimos ciúmes quando achamos que a pessoa que amamos está a dar mais atenção a outra? Estará relacionado com o nosso estado de espírito naquele momento? Estará relacionado com traumas passados? Podemos aprender a lidar com isso?

Voltando ao ponto de partida deste artigo, acredito profundamente que a pessoa com a qual tens uma relação amorosa não tem que ter ciúmes para que tu te sintas amad@, ou vice-versa. Já que os ciúmes fazem parte do ego, podem ser observados, reconhecidos e depois libertados. É preciso algum treino pois os neurotransmissores no nosso cérebro adoram “percorrer” repetidamente os mesmos caminhos, e esses caminhos são de terra batida, daí ser mais fácil andar por eles em vez de escolher caminhos novos e cheios de vegetação. Mas se tentarmos andar num caminho novo, começamos a espezinhar as ervas e elas eventualmente desaparecerão e darão origem a um novo caminho delineado. Esta é uma analogia para explicar que se escolhermos pensamentos que vão propagar os nossos sentimentos – ciúmes neste caso (andar no caminho gasto) acabamos num ciclo de instabilidade. Se, por outro lado, decidirmos observar o sentimento, compreender de onde vem e daí partir para pensamentos mais positivos (andar no novo caminho por desbravar), começamos a treinar o nosso cérebro para desmistificar os sentimentos. Depois de algum tempo, começamos a escolher os novos caminhos mais vezes e paramos de ir pelos velhos.

“Nada é mais capaz de perturbar a nossa razão, e consumir a nossa saúde, do que pensamentos secretos de ciúme em solidão” – Aphra Behn

 

Cómo alejarse del camino de los celos (ES)

Un día de estos, mientras hablaba con una gran amiga sobre sus amores y desamores, ella dijo: “Es bueno tener algunos celos en una relación”, a lo que yo contesté: “¿Por qué dices eso?”, y ella: “Pues porque significa que tu pareja te quiere … “.

La conversación continuó y yo seguía sin estar de acuerdo con su punto de vista. Sin embargo, percibí su forma de pensar. ¡Hace poco tiempo eu pensaba lo mismo! En ese momento, cuando pensaba que los celos eran algo intrínseco de una relación amorosa, no me cuestionaba  sobre porque pensaba aquello. Probablemente porque fue lo que aprendí.

Recuerdo que cuando era muy pequeña, tenía “ataques” de celos, normalmente por ver que mi hermana estaba recibiendo más atención que yo, por parte de mi madre, en un momento específico. Aquel sentimiento, de querer que la atención de alguien sea exclusivamente dirigida hacia nosotros, era algo muy familiar para mí. La mayoría de las nosotr@s no recibimos una explicación sobre los sentimientos que experimentamos mientras crecimos. Si nos sentimos frustrad@s somos castigad@s, si nos sentimos irritados somos considerados mal comportados y cuando estamos aburridos alguien nos dan alguna tarea para que nos estemos entretenidos una vez más. Y así acabamos por no comprender el porqué de comportarnos de determinada forma y ni aprendemos a lidiar con nuestros sentimientos. Acabamos por no entender por qué nos sentimos de cierta manera Sólo percibimos que algo está considerado correcto o incorrecto, sin ninguna razón o explicación. Esto es algo con lo que tod@s tenemos que lidiar cuando somos niños.

Después crecimos y nos metemos en relaciones amorosas. Cuando nuestra pareja parece estar coqueteando con otra persona ya viene esa sensación otra vez. Es humano, todo el mundo lo ha sentido alguna vez en la vida. Y no pasa nada. Lo que hoy reconozco como negativo es que no percibimos nuestros propios sentimientos y actuamos con base en ellos muchas veces sin darnos cuenta.

Hace algún tiempo, cuando tuve una relación duradera, fui muy celosa en un determinado momento de esa relación. Curiosamente no fue en la fase inicial. En el momento en el que tuve sospechas de infidelidad, mi “radar” disparó. Comencé a ser una persona neurótica que pensaba a menudo que estaba siendo traicionada por el novio. No podía evitar estar en ese círculo vicioso de pensamientos negativos. Pero hoy sé que el problema no era de él. Era mío. Yo estaba en una fase muy insegura de mi vida y con la autoestima muy baja. Por esa razón, pensaba que cualquier chica era más interesante, más bonita y estaba en mejor forma física que yo. Hoy mis pensamientos son mucho más claros (quizá por no estar en esa situación) y con esta distancia sé que la otra persona terminará haciendo lo que quiera, sea como sea. No es por el hecho de que tengáis celos que eso impedirá a la otra persona de traerte, coquetear o hacer lo que sea. También no es por tener celos que vas a hacer que la persona con quien estás en una relación se sienta más amada.

Además, los celos son algo muy egoísta. Si amas a alguien, probablemente quieres lo mejor para esa persona y que sea feliz. Si logras comprender eso profundamente, verás que vas a estar más relajad@. No quiere decir que traicionar sea algo correcto, creo definitivamente que no lo es. Pero las acciones de la otra persona están fuera de nuestro control y es más saludable dejarla ir cuando sea necesario, porque la amamos y queremos lo mejor para ella, en vez de querer tenerla presa a nosotros y vigilar todos sus movimientos.

¿Por qué sentimos celos cuando creemos que la persona que amamos está dando más atención a otra? ¿Está relacionado con nuestro estado de ánimo en aquel momento? ¿Estará relacionado con traumas pasados? ¿Podemos aprender a lidiar con eso?

Volviendo al punto de partida de este artículo, creo profundamente que la persona con la que tienes una relación amorosa no tiene que tener celos para que te sientas amad@, o viceversa. Ya que los celos forman parte del ego, pueden ser observados, reconocidos y luego liberados. Es necesario algún entrenamiento pues los neurotransmisores en nuestro cerebro adoran “recorrer” repetidamente los mismos caminos, y esos caminos son de tierra batida, de ahí ser más fácil andar por ellos en vez de elegir caminos nuevos y llenos de vegetación. Pero si intentamos caminar en un camino nuevo, empezamos a pisotear las hierbas y eventualmente desaparecerán y darán lugar a un nuevo camino delineado. Esta es una analogía para explicar que si elegimos pensamientos que van a propagar nuestros sentimientos – celos en este caso (caminar en el camino gastado) acabamos en un ciclo de inestabilidad. Si, por otro lado, decidimos observar el sentimiento, comprender de dónde viene y partir a pensamientos más positivos (caminar en el nuevo camino por desbravar), empezamos a entrenar nuestro cerebro para desmitificar los sentimientos. Después de algún tiempo, empezamos a escoger los nuevos caminos más veces y dejamos de ir por los viejos.

“Nada es más capaz de perturbar nuestra razón, y consumir nuestra salud, qué pensamientos secretos de celos en soledad” – Aphra Behn

 

My mixed feelings about Xmas

My mixed feelings about Xmas (EN)

Mis sentimientos encontrados con relación a Navidad (ES)

Os meus sentimentos contraditórios com relação ao Natal (PT)

O Natal está mesmo à porta. Esta celebração, de uma forma ou de outra, costuma estar carregada de emoções. Para umas pessoas é um momento melancólico porque as recorda de todas as pessoas que já não estão presentes na mesa da ceia; para outras é um stress, uma azáfama quer seja pela correria para comprar presentes ou pela preparação da comida; para outras pessoas é um momento esperado pois é a única altura do ano em que veem alguns membros da família que vivem longe; para outras ainda esta festa cria muita ansiedade pois vão ter que dividir a mesa com membros da família com os quais não se dão muito bem; para algumas pessoas é um momento mesmo especial pois podem ver a felicidade na cara dos mais novos ao abrir os presentes e quase como que relembrar o que elas próprias sentiam nesse momento.

O Natal pode significar um montão de coisas diferentes e os rituais de cada família também variam. Já te questionaste o que significa o Natal para ti? Que sentimentos traz à tona? E quais são mais positivos ou menos?

Para mim o Natal tem dois lados.

Um deles é o lado que me dá alegria e que tem a ver com o facto de que, durante 2 dias (24 e 25 de Dezembro), consigo estar algumas horas com todos os membros da minha família mais próxima. Sempre aguardei com entusiasmo as reuniões familiares e agora que vivo longe de toda a família ainda mais.

O outro é o lado que me traz muita tristeza. É saber que esta é a altura do ano em que o maior número de animais são mortos para que algumas pessoas satisfaçam a sua gula. Que se cozinha cabrito sem pensar que aquele ser era um bebé por desmamar, que se prepara o bacalhau sem pensar na morte dolorosa e angustiante que possibilitou a sua chegada à travessa, que se recheiam perus sem ter em conta que eles são animais sociais que criam verdadeiros laços uns com os outros.

Por um lado quero desfrutar destes momentos preciosos com a minha família, e celebrar a paz e o amor conforme pede a festividade. Por outro não consigo, nem quero, ignorar os cadáveres que encimam a mesa da ceia e do almoço de Natal.

Apesar de ainda viver num mundo onde a maioria das pessoas ignora o termo “especismo” e de a grande parte das pessoas que eu conheço não serem vegan@s, durante a maior parte do ano consigo ou esquivar-me bastante a situações nas que tenha que ver pessoas comerem pedaços de cadáveres. E quando não me consigo safar tento não pensar muito sobre o assunto. Mas no Natal encontro-me, suponho que como a maioria das pessoas, ainda mais empática o que faz com que viva de maneira mais intensa tanto a parte alegre, como a parte triste.

Para compensar esses sentimentos menos positivos que me traz o Natal tento recordar-me de duas coisas que me trazem alegria e esperança.

A primeira é o facto de não passar por tudo isto sozinha, tenho a sorte gigantesca de estar neste caminho da compaixão e do respeito pelos outros animais com a minha irmã Tico. Podemos segurar a mão uma da outra quando nos sentirmos mais assoberbadas pelas visões macabras da mesa natalícia. Às vezes basta só apenas um cruzar de olhares com a minha irmã para saber que ela está a pensar o mesmo que eu.

A segunda é o facto de saber que, a pouco e pouco, nós também estamos a fazer o nosso papel de sensibilizar um pouco a nossa família para aceitar (já nem digo adoptar) os nossos valores e, quem sabe até, simpatizar com eles. Até há bem pouco tempo provavelmente quase ninguém da nossa família próxima sabia o que era o hummus ou o seitan, nunca tinham experimentado queijos nem chouriços veganos, nunca tinham ponderado preparar um prato vegetal para as reuniões familiares. E todos os anos sinto que se torna cada vez mais fácil.

Este ano, para a ceia de Natal, até vamos preparar o nosso prato principal na casa onde se juntará a família, e dessa forma dar uma mini aula de culinária à base de vegetais. Temos preparada uma receita infalível, que vai deixar bem claro que para ter uma refeição equilibrada e cheia de sabor não fazem falta produtos de origem animal. E para a sobremesa estamos a pensar fazer uma versão vegana de uma das sobremesas que fazíamos sempre com a nossa mãe para esta altura. Tentaremos fazer algumas fotos e depois contaremos como foi 🙂 .

Também tens sentimentos contraditórios com relação ao Natal? O Natal leva-te a questionar algumas coisas? Como fazes para lidar com isso?


My mixed feelings about Xmas (EN)

Christmas is right around the corner. This celebration, in one way or another, is loaded with plenty of emotions. For some people it is a melancholic moment because it reminds them of all dear ones that are no longer present at supper; to others it’s a massive stress, a bustle due to the rush to buy presents or prepping food; to other people it’s a moment for which they are looking forward as it is the only time of the year when they get to see their family members that live abroad; other people feel anxious at this time of the year because they’ll have to share table with family members with whom they don’t get along; to some people it’s a very special moment because they get to see the happiness “stamped” on youngster’s faces while opening presents, recalling them on how they felt like back in the day.

Christmas has different meanings and every family have their own rituals. Have you ever questioned what does Christmas means to you? What feelings are brought up? And which are more positive or less positive?

To me Christmas has two sides.

One of them is the side that gives me joy and that has to do with the fact that during two days (December 24th and 25th) I’m able to spend some time and be with all my relatives. I’ve always looked forward enthusiastically for family gatherings and now even more so because I live far away from them.

The other side is the one that brings me a lot of sadness. Knowing that this is the time of the year on which the greatest number of animals are killed so that some of us can indulge with gluttony. That a little lamb is cooked without the conscience that that being was a baby yet to be weaned, that codfish is prepped without any awareness of how painful and distressed of a death that that being had to go through before getting to a platter, that turkeys are stuffed with herbs disregarding the fact that they are social animals that bond with each other.

On one hand I want to enjoy those precious moments with my family, celebrating the peace and love according to what this festivity aims for. On the other hand I cannot, nor do I want to, ignore the corpses that lie on supper’s table and Christmas lunch.

Despite living in a world where the majority of people disregard the word “speciesism” and the fact that most of the people that I know are not vegan, I can wriggle for most part of the year to many events on which I would have to see people eating pieces of death bodies. And when I cannot get away, I try to avoid thinking too much about it. But during Christmas I find myself, just like all the others (I reckon), even more empathetic which makes me live both joyful and sad parts in an intense way.

To make up for these less positive feelings that Christmas brings, I try to remind myself of two things that bring me hope and delight.

The first one is the fact that I don’t have to go through all of this by myself, as i have the enormous luck of being in this compassionate path with respect towards all animals together with my sister Tico. We can hold hands when we feel swamped by the gruesome imagery that stands before our eyes on top of the table. Sometimes it only takes an exchange of glances with my sister to know that she is thinking exactly the same as I am.

On the other hand is knowing that, little by little, our role that aims to sensitise our family to accept (it’s not realistic to say adopt) our values and who knows, even sympathise with them. Not long ago, probably many of our family members were not familiarised with foods such as hummus or seitan, nor have they tried vegan cheese or chorizo or even consider preparing a veggie dish to family meetings. And every year I notice that is getting easier.

This year, for Christmas supper, we will prepare our main meal at the location where Christmas will be celebrated and thus giving a mini cooking class where vegetables are on the spotlight. We have planned an infallible recipe, that will clarify that in order to have a balanced meal, full of flavour, no animal products are needed. And for dessert we will try to bake a vegan version of one of our favourite desserts that we always made with our mother in this time of the year. We will take some pictures and share the experience after all 🙂 .

Do you also have mixed feelings when it comes to Christmas? Does Christmas leads you to question anything?  How do you deal with it?


La Navidad a 5 días de distancia. Esta celebración, de una forma u otra, suele estar cargada de emociones. Para una gente es un momento melancólico porque las recuerda de todas las personas que ya no están presentes en la mesa de la cena; para otras es un estrés, un bullicio ya sea por la correría para comprar regalos o por la preparación de la comida; para otras personas es un momento muy esperado pues es la única altura del año en la que ven a algunos miembros de la familia que viven lejos; para otras aún esta fiesta les crea mucha ansiedad pues van a tener que compartir la mesa con miembros de la familia con los que no se llevan muy bien; para algunas personas es un momento bastante especial pues pueden ver la felicidad en la cara de los más jóvenes al abrir los regalos y casi como recordar lo que ellas mismas sentían en ese momento.

La Navidad puede significar un montón de cosas diferentes y los rituales de cada familia también varían. ¿Te has preguntado qué significa la Navidad para ti? ¿Qué sentimientos trae a la superficie? ¿Y cuáles son más positivos o menos?

Para mí la Navidad tiene dos lados.

Uno de ellos es el lado que me da alegría y que tiene que ver con el hecho de que durante 2 días (24 y 25 de diciembre) puedo estar unas horas con todos los miembros de mi familia más cercana. Siempre esperé con entusiasmo las reuniones familiares y ahora, que vivo lejos de toda la familia, aún más.

El otro es el lado que me trae mucha tristeza. Es saber que esta es la altura del año en que el mayor número de animales son muertos para que algunas personas satisfagan a su gula. Que se cocina el cabrito sin pensar que aquel ser era un bebé por desmamar, que se prepara el bacalao sin pensar en la muerte dolorosa y angustiante que posibilitó su llegada a la bandeja, que se rellenan pavos sin tener en cuenta que ellos son animales sociales que crean verdaderos lazos unos con otros.

Por un lado quiero disfrutar de estos momentos preciosos con mi familia, y celebrar la paz y el amor como pide la festividad. Por otro no puedo, ni quiero, ignorar los cadáveres repartidos por las mesas de la cena y de la comida de Navidad.

Aunque todavía vivo en un mundo donde la mayoría de la gente ignora el término “especismo” y que la gran parte de las personas que yo conozco no sean vegan@s, durante la mayor parte del año consigo esquivarme bastante a situaciones en las que tenga que ver a la gente comer trozos de cadáveres. Y cuando no me puedo ahorrar esas visiones intento no pensar mucho sobre el asunto. Pero en la Navidad me encuentro, supongo que como la mayoría de la gente, aún más empática, lo que hace que viva de manera más intensa tanto la parte alegre, como la parte triste.

Para compensar esos sentimientos menos positivos que me trae la Navidad intento recordarme de dos cosas que me traen alegría y esperanza.

La primera es el hecho de no pasar por todo esto sola, tengo la suerte gigantesca de estar en este camino de la compasión y del respeto por los otros animales con mi hermana Tico. Podemos dar las manos cuando nos sentimos más abrumadas por las visiones macabras de la mesa navideña. A veces sólo basta un cruzar de miradas con mi hermana para saber que ella está pensando lo mismo que yo.

La segunda es el hecho de que, poco a poco, nosotros también estamos haciendo nuestro papel de sensibilizar un poco a nuestra familia para aceptar (no sería realista decir adoptar) nuestros valores y, quizá incluso, simpatizar con ellos. Hasta hace poco tiempo probablemente casi nadie de nuestra familia cercana sabía lo que era el hummus o el seitán, nunca habían probado quesos ni chorizos veganos, nunca habían pensado preparar un plato vegetal para las reuniones familiares. Y cada año siento que se vuelve cada vez más fácil.

Este año, para la cena de Navidad, vamos a preparar nuestro plato principal en la casa donde se unirá la familia, y de esa forma daremos una mini clase de cocina a base de vegetales. Hemos preparado una receta infalible, que va a dejar bien claro que para tener una comida equilibrada y llena de sabor no hacen falta productos de origen animal. Y para el postre estamos pensando hacer una versión vegana de uno de los postres que hacíamos siempre con nuestra madre para esta altura. Intentaremos hacer algunas fotos y luego contaremos como fue :).

¿También tienes sentimientos contradictorios con respecto a la Navidad? La Navidad te lleva a cuestionar algunas cosas? ¿Cómo haces para lidiar con eso?